O Livro de Urântia
PARTE II
Auspiciada por um Corpo de Personalidades do Universo Local de Nebadon, atuando por autorização de Gabriel de Salvington.
O Livro de Urântia
Documento 32
32:0.1 (357.1) UM UNIVERSO local é obra pessoal de um Filho Criador do Paraíso, da ordem dos Michaéis. Consta de cem constelações, das quais cada uma abrange cem sistemas de mundos habitados. Cada sistema conterá, afinal, aproximadamente mil esferas habitadas.
32:0.2 (357.2) Esses universos do tempo e do espaço são todos evolucionários. O plano criador dos Michaéis do Paraíso segue sempre o caminho da evolução gradual e do desenvolvimento progressivo das naturezas e capacidades físicas, intelectuais e espirituais das múltiplas criaturas que habitam as variadas ordens de esferas compreendidas em um universo local.
32:0.3 (357.3) Urântia pertence a um universo local cujo soberano é o Deus-homem de Nébadon, Jesus de Nazaré e Michael de Sálvington. E todos os planos de Michael para esse universo local foram integralmente aprovados pela Trindade do Paraíso, antes que ele embarcasse na suprema aventura do espaço.
32:0.4 (357.4) Os Filhos de Deus podem escolher os domínios das suas atividades de criador; essas criações materiais, contudo, foram originalmente projetadas e planejadas pelos Arquitetos do Universo-Mestre do Paraíso.
32:1.1 (357.5) As manipulações pré-universais da força-espaço e das energias primordiais são um trabalho dos Mestres Organizadores da Força do Paraíso; mas, nos domínios do superuniverso, quando as energias emergentes tornam-se sensíveis à gravidade linear ou local, os Organizadores da Força retiram-se, deixando a obra nas mãos dos diretores de potência do superuniverso envolvido.
32:1.2 (357.6) Esses diretores de potência funcionam, isoladamente, nas fases pré-materiais e nas fases pós-força da criação de um universo local. Um Filho Criador não tem a possibilidade de iniciar a organização do universo antes que os diretores de potência hajam efetuado a mobilização de energias-do-espaço suficientes para proporcionar uma base material — sóis reais e esferas materiais — ao universo que emerge.
32:1.3 (357.7) Os universos locais têm, todos, aproximadamente, o mesmo potencial de energia, embora as suas dimensões físicas possam diferir grandemente e de haver, de tempos em tempos, variado o seu conteúdo de matéria visível. A carga de potência e a dotação de matéria em potencial, de um universo local, são determinadas pelas manipulações dos diretores de potência e seus predecessores, bem como pelas atividades do Filho Criador e pela dotação de controle físico inerente que os seus colaboradores criativos possuam.
32:1.4 (358.1) A carga de energia de um universo local é de aproximadamente uma centésima milésima parte da dotação de força do seu superuniverso. No caso de Nébadon, o vosso universo local, a materialização da massa é ligeiramente menor do que isso. Em termos físicos, Nébadon possui todas as dotações físicas de energia e matéria que podem ser encontradas em qualquer das criações locais de Orvônton. A única limitação física à expansão do desenvolvimento do universo de Nébadon consiste na carga quantitativa de energia-de-espaço mantida cativa pelo controle da gravidade dos poderes conjugados e personalidades do mecanismo combinado do universo.
32:1.5 (358.2) Quando a matéria-energia houver atingido um certo estágio de materialização de massa, um Filho Criador do Paraíso surge em cena, acompanhado por uma Filha Criativa do Espírito Infinito. Simultaneamente com a chegada do Filho Criador, começa o trabalho na esfera arquitetônica que está para transformar-se no mundo sede-central desse universo local projetado. Por longas idades, essa criação local evolui; sóis tornam-se estabilizados, planetas formam-se e entram em órbitas próprias, enquanto continua o trabalho de criar os mundos arquitetônicos que irão servir como sedes-centrais das constelações e capitais de sistema.
32:2.1 (358.3) Os Filhos Criadores são precedidos, na organização do universo, pelos diretores de potência e outros seres originários da Terceira Fonte e Centro. Das energias do espaço, assim previamente organizadas, Michael, o vosso Filho Criador, estabeleceu os reinos habitados do universo de Nébadon e, desde então, tem estado diligentemente devotado à administração desses reinos. Da energia preexistente, esse Filho divino materializa a matéria visível, projeta as criaturas vivas e, com a cooperação da presença do Espírito Infinito no universo, cria um corpo diversificado de personalidades espirituais.
32:2.2 (358.4) Esses diretores de potência e controladores de energia, que em muito antecederam ao Filho Criador, nos trabalhos físicos preliminares de organização do universo, servem, mais tarde, em uma ligação magnífica com esse Filho do Universo, permanecendo, para sempre, no controle conjunto das energias que originalmente organizaram e colocaram em circuito. Em Sálvington, funcionam agora os mesmos cem centros de potência que cooperaram com o vosso Filho Criador na formação original deste universo local.
32:2.3 (358.5) O primeiro ato completo de criação física em Nébadon consistiu na organização do mundo sede-central, a esfera arquitetônica de Sálvington, com os seus satélites. Desde a época dos passos iniciais dos centros de potência e dos controladores físicos, até a chegada nas esferas terminadas e completas de Sálvington, do corpo vivente de assessoramento, houve um intervalo de um pouco mais de um bilhão de anos do vosso tempo atual planetário. A construção de Sálvington foi imediatamente seguida da criação dos cem mundos sedes-centrais das constelações projetadas e das dez mil esferas-sede dos sistemas locais projetados, de controle e administração planetários, junto com os seus satélites arquitetônicos. Esses mundos arquitetônicos são destinados a acomodar tanto as personalidades físicas quanto as personalidades espirituais, bem como os seres em estados moronciais intermediários ou em estágios de transição da existência.
32:2.4 (359.1) Sálvington, a sede-central de Nébadon, está situada no centro exato da massa-energia do universo local. O vosso universo local, contudo, não é um sistema astronômico simples e, no seu centro físico, existe ainda um sistema imenso.
32:2.5 (359.2) Sálvington é a sede-central pessoal de Michael de Nébadon, mas ele não será sempre encontrado ali. Embora o funcionamento harmonioso do vosso universo local não requisite mais a presença fixa do Filho Criador na sua esfera-capital, não foi assim nas épocas anteriores de organização física. Um Filho Criador não pode deixar o seu mundo sede-central até o momento em que a estabilização gravitacional do reino haja sido efetivada, por intermédio da materialização de energia suficiente para capacitar os vários circuitos e sistemas a se contrabalançarem entre si, por atração material mútua.
32:2.6 (359.3) O plano físico de um universo logo ficará completo, e o Filho Criador, em associação com o Espírito Criativo Materno, projeta o seu plano de criação da vida; e, conseqüentemente, essa representante do Espírito Infinito começa a sua função no universo, como uma personalidade criativa distinta. Quando o primeiro ato criativo é formulado e executado, vem à existência o Brilhante Estrela Matutino, a personificação do conceito inicial criativo de identidade e ideal de divindade. Este é o comandante executivo do universo, o colaborador pessoal do Filho Criador; e ele é uno com este Filho em todos os aspectos do caráter, ainda que nitidamente limitado quanto aos atributos de divindade.
32:2.7 (359.4) E agora que está providenciado o braço direito, o dirigente executivo do Filho Criador, em seguida se dá a vinda à existência de um vasto e maravilhoso conjunto de criaturas diversas. Os filhos e filhas do universo local vão surgindo e, logo em seguida, é provido o governo para essa criação, que se estende desde os conselhos supremos do universo aos pais das constelações e aos soberanos dos sistemas locais — que são agregações daqueles mundos destinados a se transformar em seguida nas moradas das várias raças mortais, das criaturas de vontade; e cada um desses mundos será presidido por um Príncipe Planetário.
32:2.8 (359.5) E então, quando esse universo houver sido assim tão completamente organizado e plenamente povoado, o Filho Criador inicia a proposta do Pai de criar o homem mortal à sua imagem e semelhança divinas.
32:2.9 (359.6) A organização das moradas planetárias está ainda em andamento em Nébadon, pois este universo é, de fato, um agrupamento jovem nos reinos estelares e planetários de Orvônton. No último registro, em Nébadon havia 3 840 101 planetas habitados, e Satânia, o sistema local do vosso mundo, é claramente típico entre todos os outros sistemas.
32:2.10 (359.7) Satânia não é um sistema fisicamente uniforme, nem uma unidade ou organização astronômica simples. Os seus 619 mundos habitados estão localizados em mais de quinhentos sistemas físicos diferentes. Apenas cinco têm mais do que dois mundos habitados e, destes, apenas um tem quatro planetas habitados; enquanto há quarenta e seis que têm dois mundos habitados.
32:2.11 (359.8) O sistema de Satânia, de mundos habitados, está muito afastado de Uversa e daquele grande agrupamento de sóis que funciona como o centro físico ou astronômico do sétimo superuniverso. De Jerusém, sede-central de Satânia, até o centro físico do superuniverso de Orvônton, que fica bastante longe, no diâmetro denso da Via Láctea, são mais de duzentos mil anos-luz. Satânia está na periferia do universo local; e Nébadon, no momento, está bem para fora, na direção da extremidade de Orvônton. Do sistema mais exterior de mundos habitados até o centro do superuniverso há um pouco menos do que duzentos e cinqüenta mil anos luz.
32:2.12 (360.1) O universo de Nébadon se move atualmente para o extremo sul e leste, no circuito do superuniverso de Orvônton. Os universos vizinhos mais próximos são: Ávalon, Hênselon, Sânselon, Pórtalon, Wolvering, Fánoving e Álvoring.
32:2.13 (360.2) Todavia a evolução de um universo local é uma longa narrativa. Documentos tratando do superuniverso apresentam o assunto, como os desta seção, tratando das criações locais, e prosseguem; enquanto os que se seguem, abordando a história e o destino de Urântia, completam a narrativa. Porém, vós só podereis compreender adequadamente o destino dos mortais de tal criação local se fizerdes uma leitura profunda das narrativas da vida e dos ensinamentos do vosso Filho Criador, de quando ele certa vez viveu a vida como um homem, à semelhança da carne mortal, no vosso próprio mundo evolucionário.
32:3.1 (360.3) A única criação que se encontra perfeitamente estabelecida é Havona, o universo central, que foi feito diretamente pelo pensamento do Pai Universal e pelo verbo do Filho Eterno. Havona é um universo existencial perfeito e completo, que fica em torno da morada das Deidades eternas: o centro de todas as coisas. As criações dos sete superuniversos são finitas, evolucionárias e coerentemente progressivas.
32:3.2 (360.4) Os sistemas físicos do tempo e do espaço são todos de origem evolucionária. Eles não estão estabilizados nem mesmo fisicamente, não antes de entrarem em circuitos estabelecidos nos seus superuniversos. E um universo local também só se estabelece em luz e vida depois que as suas possibilidades físicas de expansão e desenvolvimento se hajam esgotado, e quando o status espiritual de todos os seus mundos habitados haja sido, para sempre, estabelecido e estabilizado.
32:3.3 (360.5) Exceto no universo central, a perfeição é alcançada progressivamente. Na criação central, temos um modelo de perfeição; todos os outros reinos, todavia, devem alcançar a perfeição pelos métodos estabelecidos, em particular, para o avanço dos mundos ou universos. E uma variedade quase infinita caracteriza os planos dos Filhos Criadores para organizar, fazer evoluir, disciplinar e estabelecer os seus respectivos universos locais.
32:3.4 (360.6) À exceção da presença da deidade do Pai, cada universo local é, em um certo sentido, uma duplicação da organização administrativa da criação central ou modelo. Embora o Pai Universal esteja pessoalmente presente no Seu universo de residência, Ele não reside nas mentes dos seres que se originam naquele universo Dele, do modo como literalmente Ele reside nas almas dos mortais do tempo e do espaço. Parece haver uma compensação infinitamente sábia no ajuste e na regulamentação dos assuntos espirituais da imensa criação. No universo central, o Pai está pessoalmente presente, como tal, mas está ausente nas mentes dos filhos daquela criação perfeita. Nos universos do espaço, a pessoa do Pai está ausente, sendo representada pelos seus Filhos Soberanos; todavia, Ele está intimamente presente nas mentes dos Seus filhos mortais, sendo representado, espiritualmente, pela presença pré-pessoal dos Monitores Misteriosos, os quais residem nas mentes das criaturas de vontade.
32:3.5 (360.7) Nas sedes-centrais de um universo local, residem todas as personalidades criadoras e criativas que representam a autoridade administrativa independente e autônoma, excetuando-se a presença pessoal do Pai Universal. No universo local pode-se encontrar algo de cada uma e alguém de quase todas as classes de seres inteligentes que existem no universo central, excetuando-se o Pai Universal. Ainda que o Pai Universal não esteja pessoalmente presente em um universo local, Ele está representado pessoalmente pelo Seu Filho Criador, que é, por algum tempo, o vice-regente de Deus e, em seguida, o governante soberano e supremo por direito próprio.
32:3.6 (361.1) Quanto mais a fundo descermos, na escala da vida, mais difícil torna-se localizar o Pai invisível, com o olho da fé. As criaturas inferiores — e algumas vezes até mesmo as personalidades mais elevadas — acham sempre difícil visualizar o Pai Universal nos seus Filhos Criadores. E assim, até chegar o momento da sua elevação espiritual, quando então a perfeição do desenvolvimento irá capacitá-las a ver Deus em pessoa, elas ficam cansadas, na progressão, alimentam dúvidas espirituais, caem em confusão, isolando-se assim das metas espirituais progressivas do seu tempo e universo. Dessa maneira, elas perdem a capacidade de ver o Pai, quando contemplam o Filho Criador. A salvaguarda mais segura, para a criatura, na longa luta a fim de alcançar o Pai, durante a época em que as condições inerentes tornam esse alcance de realização impossível, é agarrar-se, com tenacidade, ao fato de a verdade da presença do Pai estar nos seus Filhos. Literal e figurativamente, espiritual e pessoalmente, o Pai e os Filhos são Um. É um fato: aquele que houver visto um Filho Criador terá visto o Pai.
32:3.7 (361.2) As personalidades de um dado universo são estabelecidas e confiáveis, no princípio, apenas de acordo com o seu grau de afinidade com a Deidade. Quando a origem da criatura está bastante distante das Fontes divinas e originais, seja dos Filhos de Deus, seja das criaturas de ministração que pertencem ao Espírito Infinito, mais possibilidade há de desarmonia, de confusão e, algumas vezes, de rebelião — ou pecado.
32:3.8 (361.3) Excetuando-se os seres perfeitos, originários da Deidade, todas as criaturas de vontade, nos superuniversos, são de natureza evolucionária; começam pelo estado inferior e escalam sempre para cima, na realidade, para dentro. Mesmo as personalidades altamente espirituais continuam a ascender na escala da vida, por meio de translações progressivas, de vida a vida, e de esfera a esfera. E, no caso daqueles que acolhem os Monitores Misteriosos, não há de fato limites às alturas possíveis para a sua ascensão espiritual e para a sua realização no universo.
32:3.9 (361.4) A perfeição das criaturas do tempo, quando finalmente alcançada, é integralmente uma conquista e uma posse de boa-fé da personalidade. Se bem que os elementos da graça estejam sendo ministrados livremente, ainda assim as realizações das criaturas são resultado dos seus esforços individuais, das suas vivências reais e da reação da personalidade ao ambiente existente.
32:3.10 (361.5) O fato de a origem do ser evolucionário ser animal não constitui estigma para qualquer personalidade, aos olhos do universo, pois é esse o método exclusivo de produzir-se um dos dois tipos básicos de criaturas volitivas de inteligência finita. Quando as alturas da perfeição e da eternidade são alcançadas, mais honras haverá, então, para aqueles que começaram mais por baixo e escalaram, com alegria, os degraus da vida, de luta em luta; e tais seres, ao alcançar as alturas da glória, haverão adquirido uma experiência pessoal que incorpora um conhecimento factual de cada fase da vida, desde o ponto mais baixo até o mais alto.
32:3.11 (361.6) Em tudo isso, a sabedoria dos Criadores é mostrada. Seria igualmente fácil para o Pai Universal gerar todos os mortais como seres perfeitos; concedendo-lhes a perfeição pela sua palavra divina. Mas isso os privaria da experiência maravilhosa, da aventura da educação e aperfeiçoamento, associados à longa e gradual ascensão para o interior; experiência esta a ser provada apenas por aqueles afortunados que começam do ponto mais baixo possível na existência vivente.
32:3.12 (362.1) Os universos que giram em torno de Havona foram providos com um número de criaturas suficientemente perfeitas apenas para fazer face à necessidade de guias instrutores, modelos para aqueles que estão ascendendo na escala evolucionária da vida. A natureza experimental do tipo evolucionário de personalidade é o complemento cósmico natural para as naturezas sempre perfeitas das criaturas do Paraíso-Havona. Na realidade, tanto as criaturas perfeitas quanto as perfeccionadas são incompletas no que diz respeito à amplidão da totalidade finita. Contudo, na associação complementar das criaturas existencialmente perfeitas, do sistema Paraíso-Havona, com os finalitores experiencialmente perfeccionados, os quais ascenderam vindos dos universos evolucionários, ambos os tipos encontram liberação das suas limitações inerentes, podendo assim intentar conjuntamente alcançar as alturas sublimes do status último da criatura.
32:3.13 (362.2) Essas transações entre as criaturas são repercussões, no universo, de ações e de reações, dentro da Deidade Sétupla, na qual a eterna divindade da Trindade do Paraíso apresenta-se conjugada à divindade em evolução dos Criadores Supremos dos universos do espaço-tempo, por meio do poder de realização da Deidade do Ser Supremo, realizável nela e por meio dela.
32:3.14 (362.3) As criaturas divinamente perfeitas e as criaturas evolucionariamente perfeccionadas são equivalentes, em grau de potencialidade de divindade, mas diferem em espécie. Cada uma deve depender da outra para alcançar a supremacia no serviço. Os superuniversos evolucionários dependem do universo perfeito de Havona, para proverem o aperfeiçoamento final aos seus cidadãos ascendentes; e, por sua vez, também o universo central perfeito necessita da existência dos superuniversos que se perfeccionam, para prover o desenvolvimento integral aos seus habitantes descendentes.
32:3.15 (362.4) As duas manifestações primordiais da realidade finita, a perfeição inata e a perfeição vinda da evolução, sejam elas de personalidades ou de universos, são coordenadas, interdependentes e integradas. Cada uma necessita da outra para completar-se, na função, no serviço e no destino.
32:4.1 (362.5) Pelo fato de o Pai Universal haver delegado tanto de Si próprio e do Seu poder a outros, não deveis alimentar a idéia de que Ele seja um membro silencioso ou inativo na conjunção das Deidades. À parte os domínios da personalidade e o outorgamento do Ajustador, aparentemente, Ele é a menos ativa das Deidades do Paraíso, pois Ele permite aos seus coordenados na Deidade, aos seus Filhos e inúmeras inteligências criadas atuarem tão amplamente na execução do Seu propósito eterno. Ele é o membro silencioso do Trio criador, mas apenas no sentido de que Ele jamais faz nada daquilo que qualquer dos colaboradores coordenados ou subordinados possa fazer.
32:4.2 (362.6) Deus possui pleno entendimento da necessidade que cada criatura inteligente tem, de funcionar e experimentar e, em todas as situações, sejam elas ligadas ao destino de um universo ou ao bem-estar da mais humilde das Suas criaturas, portanto, Deus abstém-se da atividade, para que a galáxia das personalidades criadas e Criadoras possa atuar, e elas, inerentemente, intervêm entre Ele próprio e qualquer situação ou evento criativo no universo. Todavia, apesar dessa abstenção, dessa exibição de coordenação infinita, há, da parte de Deus, uma participação factual, real e pessoal, nesses eventos, por meio de tantas agências e personalidades ordenadas, e nelas. O Pai está trabalhando em todos esses canais, e por meio deles, para o bem-estar de toda a Sua vastíssima criação.
32:4.3 (363.1) No que concerne às políticas, à condução e administração de um universo local, o Pai Universal atua na pessoa do seu Filho Criador. O Pai não interfere jamais, seja na inter-relação entre os Filhos de Deus, seja nas associações grupais das personalidades com origem na Terceira Fonte e Centro, ou ainda, na relação entre quaisquer outras criaturas, tais como os seres humanos. A lei do Filho Criador, o governo dos Pais da Constelação, dos Soberanos dos Sistemas e dos Príncipes Planetários — as políticas e os procedimentos ordenados para tal universo — sempre prevalecem. Não há divisão na autoridade; jamais há algum conflito entre o poder e o propósito divino. As Deidades estão em unanimidade perfeita e eterna.
32:4.4 (363.2) O governo do Filho Criador é supremo em todas as questões ligadas a associações éticas, nas relações entre dois grupos quaisquer de criaturas ou dois ou mais indivíduos, de qualquer grupo particular; mas um plano como esse não significa que o Pai Universal não possa intervir, à sua maneira própria, e fazer a qualquer criatura individual aquilo que satisfizer à mente divina, em toda a criação, de acordo com o status atual de um tal indivíduo ou as suas perspectivas futuras, e conforme o plano eterno do Pai e Seu propósito infinito.
32:4.5 (363.3) Nas criaturas mortais volitivas, o Pai está efetivamente presente por meio do Ajustador residente, um fragmento do Seu espírito pré-pessoal; e o Pai é também a fonte da personalidade de cada criatura volitiva mortal.
32:4.6 (363.4) Esses Ajustadores do Pensamento, dádivas do Pai Universal, estão relativamente isolados; eles residem nas mentes humanas, mas não têm nenhuma relação discernível com os assuntos éticos de uma criação local. Eles não estão diretamente coordenados ao serviço seráfico, nem à administração dos sistemas, constelações ou universo local, nem mesmo ao governo de um Filho Criador, cuja vontade é a lei suprema do seu universo.
32:4.7 (363.5) Os Ajustadores residentes são uma das formas isoladas, mas unificadas, do contato de Deus com as criaturas da sua criação quase infinita. Assim, Ele, que é invisível aos mortais, manifesta a Sua presença e, caso pudesse, Ele mostrar-Se-ia a nós de outros modos ainda, mas essa outra revelação deixa de ser divinamente possível.
32:4.8 (363.6) Nós podemos perceber e entender o mecanismo pelo qual os Filhos desfrutam de um conhecimento íntimo e completo sobre os universos da sua jurisdição; mas não podemos compreender plenamente os métodos por meio dos quais Deus se mantém tão plena e pessoalmente familiarizado com os detalhes do universo dos universos, se bem que, pelo menos, podemos reconhecer a via por meio da qual o Pai Universal pode receber informações a respeito dos seres da Sua imensa criação e manifestar-lhes a Sua presença. Por intermédio do circuito da personalidade, o Pai torna-se sabedor — tem conhecimento pessoal — de todos os pensamentos e atos de todos os seres, em todos os sistemas, de todos os universos, em toda a criação. Embora não possamos compreender totalmente essa técnica de comunhão de Deus com os Seus filhos, a nossa certeza de que o “Senhor conhece os Seus filhos” acaba sempre fortalecida, como também a de que, sobre cada um de nós, “Ele toma nota sobre onde nascemos”.
32:4.9 (363.7) No vosso universo e no vosso coração, o Pai Universal está presente, espiritualmente falando, por meio de um dos Sete Espíritos Mestres da morada central e, especificamente, por meio do Ajustador divino que vive, opera e aguarda nas profundezas da mente mortal.
32:4.10 (363.8) Deus não é uma personalidade autocentrada; o Pai distribui-Se livremente a Si próprio, à Sua criação e às Suas criaturas. Ele vive e atua, não apenas nas Deidades, mas também nos Seus Filhos, a quem Ele confia que tudo façam que lhes seja divinamente possível fazer. O Pai Universal verdadeiramente despojou-se de todas funções que possam ser executadas por um outro ser. E isso é tão verdadeiro para o homem mortal quanto o é para o Filho Criador que governa no lugar de Deus, nas sedes-centrais de um universo local. E assim presenciamos os efeitos do amor ideal e infinito do Pai Universal.
32:4.11 (364.1) Por essa outorga universal de Si próprio, temos provas abundantes, tanto da magnitude, quanto da magnanimidade da natureza divina do Pai. Se Deus se houver abstido de dar algo de Si mesmo à criação universal, então, desse resíduo, Ele está generosamente concedendo os Ajustadores do Pensamento aos mortais dos reinos, esses Monitores Misteriosos do tempo, que tão pacientemente residem nos candidatos mortais à vida eterna.
32:4.12 (364.2) Pai Universal disseminou a Si próprio, por assim dizer, para enriquecer toda a criação, com a posse da personalidade e com o potencial de alcance espiritual. Deus deu-Se a Si próprio a nós, para que possamos ser como Ele; e o que Ele reservou a Si próprio, de poder e de glória, foi apenas aquilo que é necessário para a manutenção daquelas coisas por cujo amor, assim, Ele despojou-Se de tudo o mais.
32:5.1 (364.3) Há um propósito grande e glorioso na marcha dos universos pelo espaço. Toda a vossa luta mortal não é em vão. Somos todos parte de um plano colossal, de uma obra gigantesca; e é a vastidão desse empreendimento que torna impossível ver grande parte dele de uma só vez e durante qualquer das vidas. Somos todos uma parte de um projeto eterno que os Deuses estão supervisionando e executando. Todo o mecanismo maravilhoso e universal move-se majestosamente no espaço, ao compasso da música do pensamento infinito e do propósito eterno da Primeira Grande Fonte e Centro.
32:5.2 (364.4) O propósito eterno do Deus eterno é um ideal espiritual muito elevado. Os acontecimentos do tempo e as lutas da existência material não são senão um andaime transitório, a fazer uma ponte para o outro lado, para a terra prometida da realidade espiritual e da existência superna. Evidentemente, vós, mortais, achais difícil compreender a idéia de um propósito eterno; sois virtualmente incapazes de compreender o pensamento da eternidade, algo que jamais começa nem acaba. Pois tudo o que vos é familiar tem um final.
32:5.3 (364.5) Quanto a uma vida individual, à duração de um reino, ou à cronologia de qualquer série de eventos relacionados, pareceria que estamos lidando com um trecho isolado do tempo; tudo parece ter um começo e um fim. E pareceria que tal série de experiências, vidas, idades ou épocas, quando arranjadas sucessivamente, constituiriam um caminho direto, um evento isolado no tempo que passa momentaneamente, como um relâmpago diante da face infinita da eternidade. Mas, quando olhamos para tudo isso por detrás dos bastidores, uma visão mais abrangente e uma compreensão mais completa sugerem que essa explicação seja inadequada, disparatada e completamente inapropriada para explicar, com propriedade, e também para correlacionar as transações do tempo aos propósitos fundamentais e às reações básicas da eternidade.
32:5.4 (364.6) A mim me parece mais adequado, aos propósitos de uma explicação à mente mortal, conceber a eternidade como um ciclo, e o propósito eterno, como um círculo sem fim; o ciclo da eternidade, de algum modo sincronizado com os ciclos materiais transitórios do tempo. No que diz respeito aos setores do tempo ligados ao ciclo da eternidade e formando uma parte dela, somos forçados a reconhecer que essas épocas temporárias nascem, vivem e passam exatamente como os seres temporários do tempo nascem, vivem e morrem. A maior parte dos seres humanos morre porque, não havendo conseguido alcançar o nível espiritual para a fusão com o Ajustador, a metamorfose da morte passa a ser o único procedimento possível por meio do qual podem escapar das correntes do tempo e das amarras da criação material, tornando-se, assim, capacitados a dar o passo espiritual junto com a procissão progressiva da eternidade. Tendo sobrevivido à vida de provas do tempo e da existência material, torna-se possível, para vós, continuardes em contato com a eternidade e, mesmo, como parte dela, girando para sempre com os mundos do espaço em torno do ciclo das idades eternas.
32:5.5 (365.1) Os setores do tempo são como lampejos da personalidade, na forma temporal; aparecem por uma estação e então se perdem da vista humana, para apenas ressurgirem como agentes e fatores novos da continuidade na vida mais elevada, no giro sem fim em volta do círculo eterno. A eternidade dificilmente pode ser concebida como um percurso em linha reta, por causa da nossa crença em um universo delimitado que se move em um círculo imenso e alongado em torno do local central, a morada do Pai Universal.
32:5.6 (365.2) Francamente, a eternidade é incompreensível à mente finita do tempo. Vós simplesmente não a podeis captar; vós não a podeis compreender. Eu não a visualizo completamente e, ainda que o fizesse, a mim me seria impossível transmitir minha idéia à mente humana. Contudo, fiz o melhor que podia para retratar alguma coisa do nosso ponto de vista, para contar-vos algo do nosso entendimento das coisas eternas. Estou tentando ajudar-vos na cristalização dos vossos pensamentos sobre tais valores de natureza infinita e de importância eterna.
32:5.7 (365.3) Há, na mente de Deus, um plano que abraça cada criatura de todos os seus imensos domínios; e esse plano é um propósito eterno de oportunidades sem fronteiras, de progresso ilimitado e vida eterna. E os tesouros infinitos dessa carreira sem par lá estão, para recompensar a vossa luta!
32:5.8 (365.4) A meta da eternidade está adiante! A aventura de alcançar a divindade está diante de vós! A corrida da perfeição está em curso! Todo ser desejoso de participar poderá fazê-lo, e uma vitória certa irá coroar os esforços de qualquer ser humano, nessa corrida de fé e confiança, dependente em cada passo, do caminho, da orientação do Ajustador residente e do guiamento do espírito bom do Filho do Universo, que tão generosamente foi vertido sobre toda a carne.
32:5.9 (365.5) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso, temporariamente agregado ao Conselho Supremo de Nébadon e designado para esta missão por Gabriel de Sálvington.]
O Livro de Urântia
Documento 33
33:0.1 (366.1) EMBORA, com toda a certeza, o Pai Universal governe a Sua vasta criação, Ele funciona, na administração de um universo local, por intermédio da pessoa do Filho Criador. Nem o Pai atua, pessoalmente, de outro modo, nos assuntos administrativos de um universo local. Esses assuntos são confiados ao Filho Criador e ao Espírito Materno do universo local e aos múltiplos filhos deles. Os planos, as políticas e os atos administrativos no universo local são formados e executados por esse Filho, que, conjuntamente com o seu Espírito Materno coligado, delega o poder executivo a Gabriel e a autoridade da jurisdição aos Pais da Constelação, aos Soberanos dos Sistemas e aos Príncipes Planetários.
33:1.1 (366.2) O nosso Filho Criador é a personificação do conceito original de número 611.121, de identidade infinita, com origem simultânea no Pai Universal e no Filho Eterno. Michael de Nébadon é “Filho único”, é aquele que personaliza o 611.121º conceito universal de divindade e infinitude. A sua sede-central está na mansão tríplice de luz, em Sálvington. E tal morada encontra-se assim determinada e ordenada porque Michael experienciou a vida em todas as três fases de existência da criatura inteligente: espiritual, moroncial e material. Em vista do nome associado à sua auto-outorga sétima e final, em Urântia, algumas vezes é chamado de Cristo Michael.
33:1.2 (366.3) O nosso Filho Criador não é o Filho Eterno, o coligado existencial no Paraíso, do Pai Universal e do Espírito Infinito. Michael de Nébadon não é um membro da Trindade do Paraíso. Entretanto, o nosso Filho Mestre possui, no seu reino, todos os atributos e poderes divinos que o próprio Filho Eterno manifestaria, estivesse Ele efetivamente presente em Sálvington e atuando em Nébadon. Michael possui, ainda, um poder e uma autoridade adicionais, pois não apenas personifica o Filho Eterno, como também representa plenamente o Pai Universal; e, efetivamente, incorpora a presença da personalidade do Pai em todo, e para todo, este universo local. Além disso, representa Pai-e-Filho. Esses relacionamentos fazem de um Filho Criador o mais poderoso, versátil e influente de todos os seres divinos capazes de exercer administração direta sobre os universos evolucionários e realizar um contato de personalidade com os seres imaturos criados.
33:1.3 (366.4) O nosso Filho Criador exerce o mesmo poder de atração espiritual, a mesma gravidade espiritual, a partir da sede-central do universo local, que o Filho Eterno do Paraíso exerceria caso Ele estivesse pessoalmente presente em Sálvington; e mais, esse Filho do Universo é também a personificação do Pai Universal para o universo de Nébadon. Os Filhos Criadores são centros de personalidade para as forças espirituais de Pai-e-Filho do Paraíso. Os Filhos Criadores são as focalizações finais do poder de personalidade, dos poderosos atributos, no espaço-tempo, de Deus, o Sétuplo.
33:1.4 (367.1) O Filho Criador é a personalização de vice-regente do Pai Universal, o coordenado divino do Filho Eterno e o coligado criativo do Espírito Infinito. Para o nosso universo, e para todos os seus mundos habitados, tal Filho Soberano, em todos os intentos e para todos os propósitos práticos, é Deus. Ele personifica todas as Deidades do Paraíso que os mortais em evolução podem compreender por meio do próprio discernimento. Este Filho e o seu Espírito Materno coligado são os vossos pais criadores. Para vós, Michael, o Filho Criador, é a personalidade suprema; para vós, o Filho Eterno é super-supremo — uma personalidade de Deidade infinita.
33:1.5 (367.2) Na pessoa do Filho Criador, nós temos um governante e um pai divino, que é tão poderoso, eficaz e beneficente, quanto o seriam o Pai Universal e o Filho Eterno, caso ambos estivessem presentes em Sálvington, e engajados na administração dos assuntos do universo de Nébadon.
33:2.1 (367.3) A observação dos Filhos Criadores revela que alguns se parecem mais com o Pai, alguns com o Filho, enquanto outros são como a mistura de ambos os seus Pais infinitos. O nosso Filho Criador manifesta, muito claramente, traços e atributos que se assemelham mais ao Filho Eterno.
33:2.2 (367.4) Michael escolheu organizar este universo local; e agora ele é o seu soberano em supremacia. O seu poder pessoal é limitado pelos circuitos de gravidade preexistentes, centrados no Paraíso; e pela reserva feita pelos Anciães dos Dias, no governo do superuniverso, de efetuar todos os julgamentos executivos finais referentes à extinção de personalidades. A personalidade é uma dádiva do Pai, unicamente, mas os Filhos Criadores, com a aprovação do Filho Eterno, iniciam novos projetos de criaturas e, com a cooperação do trabalho dos seus Espíritos Maternos coligados, eles podem intentar novas transformações de matéria-energia.
33:2.3 (367.5) Michael é a personificação de Pai-Filho do Paraíso para o universo local de Nébadon; portanto, quando o Espírito Criativo Materno, a representação do Espírito Infinito no universo local, subordinou-se a Cristo Michael, quando do retorno da sua auto-outorga final em Urântia, o Filho Mestre, conseqüentemente, conquistou a soberania sobre a sua jurisdição com “todo o poder no céu e na Terra”.
33:2.4 (367.6) Essa subordinação das Ministras Divinas aos Filhos Criadores dos universos locais faz de tais Filhos Mestres os depositários pessoais da divindade finitamente manifestável de Pai-Filho-e-Espírito; e as experiências dos Michaéis em auto-outorgas, enquanto criaturas, qualificam-nos para representar a divindade experiencial do Ser Supremo. Não há outros seres, nos universos, que hajam exaurido assim, pessoalmente, o potencial da experiência presente finita; e não há outros seres, nos universos, que possuam tais qualificações para a soberania solitária.
33:2.5 (367.7) Embora a sede-central de Michael esteja oficialmente localizada em Sálvington, capital de Nébadon, ele passa muito do seu tempo visitando as sedes-centrais das constelações, sistemas e, até mesmo, planetas, individualmente. Periodicamente ele viaja ao Paraíso e freqüentemente a Uversa, onde entra em conselho com os Anciães dos Dias. Quando se encontra fora de Sálvington, o seu posto é assumido por Gabriel, que, então, funciona como regente do universo de Nébadon.
33:3.1 (368.1) Embora penetre todos os universos do tempo e do espaço, o Espírito Infinito funciona a partir da sede-central de cada universo local, na forma de uma focalização especializada, adquirindo qualidades de plena personalidade, por meio da técnica da cooperação criativa com o Filho Criador. No que concerne a um universo local, a autoridade administrativa de um Filho Criador é suprema; o Espírito Infinito, representado pela Ministra Divina, é integralmente cooperativo, embora perfeitamente coordenado.
33:3.2 (368.2) O Espírito Materno do Universo de Sálvington, coligado a Michael no controle e na administração de Nébadon, pertence ao sexto grupo de Espíritos Supremos, sendo o de número 611 121 dessa ordem. Ela fez-se voluntária para acompanhar Michael na ocasião em que este se liberou das suas obrigações no Paraíso e, desde então, tem funcionado junto com Michael na criação e no governo do universo dele.
33:3.3 (368.3) O Filho Mestre Criador é o soberano pessoal do seu universo, contudo, em todos os detalhes dessa administração, o Espírito Materno do Universo é co-diretora com o Filho. Ao mesmo tempo em que o Espírito Materno sempre reconhece o Filho como soberano e governante, o Filho sempre concede a essa representante do Espírito uma posição coordenada de igualdade na autoridade sobre todos os assuntos do reino. Em todo o seu trabalho, de amor e de outorgamento da vida, o Filho Criador está sempre perfeitamente respaldado, tanto quanto contínua e habilmente assistido, de modo capaz, pela todo-sábia e sempre fiel, Espírito Materno do Universo, e também por todo o corpo diversificado de assessores de personalidades angélicas da Ministra. Essa Ministra Divina, na realidade, é a mãe dos espíritos e personalidades espirituais; é a conselheira sempre presente e todo-sábia do Filho Criador, manifestação fiel e verdadeira que é do Espírito Infinito do Paraíso.
33:3.4 (368.4) O Filho funciona como um pai, no seu universo local. O Espírito, do modo como as criaturas mortais entenderiam, faz o papel de uma mãe, assistindo sempre o Filho e permanecendo perpetuamente indispensável à administração do universo. Na circunstância de uma insurreição, apenas o Filho e os seus Filhos coligados podem funcionar como libertadores. O Espírito não pode nunca contestar a rebelião, nem defender a autoridade; mas o Espírito deve sempre apoiar o Filho em tudo, de tudo o que possa ser necessário a ele experimentar, e nos seus esforços para estabilizar o governo e manter a autoridade nos mundos contaminados pelo mal ou dominados pelo pecado. Apenas um Filho pode restabelecer o trabalho da sua criação conjunta, contudo, nenhum Filho poderia esperar o êxito final sem a cooperação contínua da Ministra Divina e seu vasto conjunto de colaboradoras espirituais, as filhas de Deus, que tão fiel e valentemente lutam pelo bem-estar dos homens mortais e pela glória dos seus pais divinos.
33:3.5 (368.5) Quando o Filho Criador completa a sua sétima e última auto-outorga como criatura, as incertezas do isolamento periódico terminam para a Ministra Divina e, então, a ajudante do Filho no universo torna-se, para sempre, estabelecida em segurança e controle. É no momento da entronização do Filho Criador, como um Filho Mestre, no jubileu dos jubileus, que o Espírito Materno do Universo, perante as hostes reunidas, faz pública e universalmente pela primeira vez o seu reconhecimento de subordinação ao Filho, prometendo fidelidade e obediência. Esse acontecimento ocorreu em Nébadon, na época do retorno de Michael a Sálvington, depois da auto-outorga em Urântia. Nunca, antes dessa memorável ocasião, havia o Espírito Materno do Universo reconhecido sua subordinação ao Filho do Universo; e, só depois desse abandono voluntário de poder e autoridade, da parte do Espírito, é que verdadeiramente poderia ser proclamado sobre o Filho que “todo o poder no céu e na Terra foi entregue nas suas mãos”.
33:3.6 (369.1) Após esse voto de subordinação da parte do Espírito Criativo Materno, Michael de Nébadon nobremente reconheceu a sua eterna dependência da sua companheira, Espírito Materno, constituindo-a como Espírito co-governante dos domínios do seu universo e requisitando de todas as suas criaturas que prometessem ao Espírito a mesma lealdade prometida ao Filho; e a “Proclamação da Igualdade” final foi emitida e tornada pública. Embora seja o soberano deste universo local, o Filho tornou público, para os mundos, o fato da igualdade entre ele e o Espírito, em todos os dons de personalidade e atributos de caráter divino. E isso se transforma no modelo transcendental da organização da família, e do governo mesmo, para as criaturas inferiores dos mundos do espaço. Isso é, de fato e de verdade, o alto ideal da família e da instituição humana do casamento voluntário.
33:3.7 (369.2) O Filho e o Espírito-Mãe agora presidem ao universo de uma forma muito semelhante àquela pela qual um pai e uma mãe velam pela sua família de filhos e filhas, e suprem-na. Não é inteiramente fora de propósito referir-se ao Espírito Materno do Universo, a Ministra Divina, como a companheira criativa do Filho Criador, e considerar as criaturas dos reinos como os seus filhos e filhas — uma grande e gloriosa família, cujas responsabilidades todavia são incalculáveis e cuja vigilância é infindável.
33:3.8 (369.3) O Filho inicia a criação de alguns dos filhos do universo, enquanto o Espírito Materno somente é responsável por trazer à existência as inúmeras ordens de personalidades ministradoras do espírito, as quais servem sob a direção e guia desse mesmo Espírito Materno. Na criação de outros tipos de personalidade do universo, ambos, o Filho e o Espírito, funcionam juntos e, para qualquer ato criativo, um deles nada faz sem o conselho e a aprovação do outro.
33:4.1 (369.4) O Brilhante Estrela Matutino é a personalização do primeiro conceito de identidade e ideal de personalidade concebido pelo Filho Criador; e é a manifestação, no universo local, do Espírito Infinito. Retrocedendo aos dias iniciais do universo local, antes da união entre o Filho Criador e o Espírito Materno nos laços da associação criativa, de volta aos tempos de antes do começo da criação da versátil família de filhos e filhas deles, o primeiro ato conjunto da associação livre, nos seus primórdios, dessas duas pessoas divinas, resulta na criação do Brilhante Estrela Matutino, a personalidade espiritual mais elevada desse Filho e da sua Ministra.
33:4.2 (369.5) Apenas um desses seres de sabedoria e majestade é trazido à existência em cada universo local. O Pai Universal e o Filho Eterno podem, de fato, criar um número ilimitado de Filhos Criadores, iguais a eles próprios em divindade, e eles o fazem; mas esses Filhos, em união com as Filhas do Espírito Infinito, podem criar apenas um Brilhante Estrela Matutino em cada universo, um ser como eles próprios, que compartilha livremente das naturezas combinadas deles, mas não das suas prerrogativas criativas. Gabriel de Sálvington é como o Filho do Universo, em divindade de natureza, embora consideravelmente limitado em atributos de Deidade.
33:4.3 (369.6) Esse primogênito dos pais de um universo novo é uma personalidade única que possui muitas características maravilhosas, não presentes visivelmente em nenhum dos seus ancestrais, um ser de versatilidade sem precedentes e brilho inimaginável. Essa personalidade superna reúne a vontade divina do Filho, combinada à imaginação criativa do Espírito Materno. Os pensamentos e atos do Brilhante Estrela Matutino serão sempre plenamente representativos de ambos, Filho Criador e Espírito Criativo Materno. Esse ser é também capaz de uma ampla compreensão das hostes seráficas espirituais, bem como das criaturas materiais evolucionárias, a ponto de ter um contato compassivo com ambas.
33:4.4 (370.1) O Brilhante Estrela Matutino não é um criador, mas é um administrador maravilhoso, sendo o representante administrativo pessoal do Filho Criador. Afora a criação e a transmissão da vida, o Filho e o Espírito Materno nunca deliberam sobre procedimentos importantes no universo sem a presença de Gabriel.
33:4.5 (370.2) Gabriel de Sálvington é o comandante executivo do universo de Nébadon e o árbitro de todos os apelos executivos que dizem respeito à sua administração. Esse executivo do universo foi criado com dons plenos e apropriados ao seu trabalho, e adquiriu experiência também com o crescimento e a evolução da nossa criação local.
33:4.6 (370.3) Gabriel é o principal executivo no cumprimento de mandados do superuniverso, relacionados a assuntos não pessoais no universo local. A maioria dos assuntos pertinentes ao julgamento em massa e às ressurreições dispensacionais, já decididos pelos Anciães dos Dias, é também delegada a Gabriel, e à sua assessoria, para execução. Gabriel, desse modo, é o comandante executivo combinado, tanto dos governantes do universo local, quanto do superuniverso. Ele tem sob o seu comando um corpo capacitado de assistentes administrativos, criados para esses trabalhos especiais, que não são revelados aos mortais evolucionários. Além desses assistentes, Gabriel pode empregar toda e qualquer das ordens de seres celestes que funcionam em Nébadon; e é também o comandante principal dos “exércitos dos céus” — as hostes celestes.
33:4.7 (370.4) Gabriel e a sua equipe não são instrutores, são administradores. Nunca se soube que houvessem deixado os seus trabalhos regulares, excetuando-se quando Michael esteve encarnado em uma auto-outorga, como criatura. Durante essas auto-outorgas, Gabriel esteve sempre atento à vontade do Filho encarnado e, com a colaboração do União dos Dias, tornou-se o diretor de fato dos assuntos do universo, nessas últimas auto-outorgas. Gabriel tem sido identificado intimamente com a história e o desenvolvimento de Urântia, desde a auto-outorga mortal de Michael.
33:4.8 (370.5) À parte o contato que têm com Gabriel, nos mundos de auto-outorga, e nas épocas de chamadas para as ressurreições gerais e especiais, os mortais raramente irão encontrá-lo ao ascenderem no universo local, antes de serem admitidos no trabalho administrativo da criação local. Como administradores, de qualquer ordem ou grau, vós ireis estar sob a direção de Gabriel.
33:5.1 (370.6) A administração das personalidades originárias da Trindade termina no governo dos superuniversos. Os universos locais são caracterizados pela supervisão dual; aquilo que é fonte e origem do conceito pai-mãe. O pai do universo é o Filho Criador; a mãe do universo é a Ministra Divina, o Espírito Criativo do universo local. Cada universo local é, contudo, abençoado com a presença de certas personalidades do universo central e do Paraíso. À frente desse grupo do Paraíso, em Nébadon, está o embaixador da Trindade do Paraíso — Emanuel de Sálvington — , o União dos Dias designado para o universo local de Nébadon. Num certo sentido, este elevado Filho da Trindade é também o representante pessoal do Pai Universal para a corte do Filho Criador; e daí o seu nome ser Emanuel.
33:5.2 (370.7) Emanuel de Sálvington, cujo número é 611 121 da sexta ordem de Personalidades Supremas da Trindade, é um ser de dignidade sublime e de uma condescendência tão magnífica a ponto de fazê-lo dispensar o culto e a adoração de todas as criaturas vivas. Ele traz a distinção de ser a única personalidade, em todo o Nébadon, que nunca se reconheceu como subordinada ao seu irmão Michael. Ele atua como conselheiro do Filho Soberano, mas apenas o aconselha a pedido. Na ausência do Filho Criador, ele pode presidir a qualquer alto conselho do universo, mas não participaria de outro modo nos assuntos executivos do universo, exceto se solicitado.
33:5.3 (371.1) Esse embaixador do Paraíso, em Nébadon, não está sujeito à jurisdição do governo do universo local. E também não exerce jurisdição de autoridade nos assuntos executivos de um universo local em evolução, exceto para supervisionar os seus irmãos de ligação, os Fiéis dos Dias, que servem na sede-central das constelações.
33:5.4 (371.2) Os Fiéis dos Dias, tanto quanto os Uniões dos Dias, nunca dão os seus conselhos, nem oferecem a sua assistência aos governantes das constelações, a menos que isso lhes seja solicitado. Esses embaixadores do Paraíso nas constelações representam a presença pessoal final dos Filhos Estacionários da Trindade, funcionando no papel de conselheiros no universo local. As constelações estão mais estreitamente relacionadas à administração do superuniverso do que os sistemas locais, os quais são administrados exclusivamente por personalidades nativas do universo local.
33:6.1 (371.3) Gabriel é o executivo principal e o verdadeiro administrador de Nébadon. A ausência de Michael, de Sálvington, de nenhum modo interfere na condução ordenada dos assuntos do universo. Durante a ausência de Michael, como ocorreu recentemente na missão de reunião dos Filhos Mestres de Orvônton, no Paraíso, Gabriel passa a ser o regente do universo. Em tais ocasiões, Gabriel sempre procura o conselho de Emanuel de Sálvington para todos os problemas maiores.
33:6.2 (371.4) O Pai Melquisedeque é o primeiro assistente de Gabriel. Quando o Brilhante Estrela Matutino está ausente de Sálvington, as suas responsabilidades são assumidas por este que é o Filho Melquisedeque original.
33:6.3 (371.5) As várias subadministrações do universo têm, atribuídos a elas, alguns domínios especiais de responsabilidade. Embora em geral o governo de um sistema procure o bem-estar dos seus planetas, ele mantém-se mais particularmente ocupado com o status físico dos seres vivos, com os problemas biológicos. Por sua vez, os governantes de uma constelação dedicam atenção especial às condições sociais e governamentais que prevalecem nos diferentes sistemas e planetas. O governo de uma constelação atua principalmente na unificação e estabilização. E, mais acima ainda, os governantes do universo estão mais ocupados com o status espiritual dos reinos.
33:6.4 (371.6) Os Embaixadores são destacados por decreto judicial e representam os universos junto a outros universos. Os Cônsules são representantes das constelações, umas para as outras, e para a sede-central do universo; são apontados por decreto do legislativo e funcionam apenas dentro dos confins do universo local. Por decreto executivo de um Soberano de Sistema, os Observadores são incumbidos de representar tal sistema junto a outros sistemas e junto à capital da constelação, e também funcionam apenas dentro dos confins do universo local.
33:6.5 (371.7) De Sálvington, as transmissões são simultaneamente dirigidas para as sedes-centrais das constelações, as sedes-centrais dos sistemas e para os planetas, individualmente. Todas as ordens mais elevadas de seres celestes são capazes de utilizar esse serviço para a comunicação com os seus companheiros espalhados por todo o universo. A teledifusão do universo estende-se a todos os mundos habitados, independentemente do seu status espiritual. A intercomunicação planetária é negada apenas aos mundos sob quarentena espiritual.
33:6.6 (372.1) As teledifusões das constelações são periodicamente enviadas, da sede-central da constelação, pelo dirigente dos Pais da Constelação.
33:6.7 (372.2) A cronologia é reconhecida, computada e retificada por um grupo especial de seres, em Sálvington. O dia-padrão de Nébadon é igual a dezoito dias e seis horas do tempo de Urântia, mais dois minutos e meio. O ano de Nébadon consiste em um segmento do tempo da rotação do universo em relação ao circuito de Uversa, e é igual a cem dias do tempo padrão do universo, cerca de cinco anos do tempo de Urântia.
33:6.8 (372.3) A hora de Nébadon, teledifundida de Sálvington, é padrão para todas as constelações e sistemas neste universo local. Cada constelação conduz os seus assuntos segundo a hora de Nébadon, mas os sistemas mantêm a sua própria cronologia, como o fazem individualmente os planetas.
33:6.9 (372.4) O dia em Satânia, como é reconhecido em Jerusém, é um pouco menor (1 hora, 4 minutos e 15 segundos) do que três dias do tempo de Urântia. Esses tempos geralmente são conhecidos como o tempo de Sálvington ou o tempo do universo, e o tempo de Satânia ou o tempo do sistema. O tempo-padrão é o tempo do universo.
33:7.1 (372.5) O Filho Mestre, Michael, não está supremamente ocupado senão com três coisas: a criação, a sustentação e a ministração. Ele não participa pessoalmente do trabalho judicial do universo. Os Criadores nunca se assentam para o julgamento das suas criaturas; isso é função exclusiva de criaturas com um alto aperfeiçoamento e de experiência real com criaturas.
33:7.2 (372.6) Todo o mecanismo judicial de Nébadon está sob a supervisão de Gabriel. Os altos tribunais, localizados em Sálvington, estão ocupados com os problemas de importância geral para o universo e os casos de apelação que vêm dos tribunais dos sistemas. Há setenta ramificações dessas cortes no universo; e elas funcionam em sete divisões de dez seções cada. Uma magistratura dual, consistindo em um juiz com antecedência de perfeição e um magistrado de experiência ascendente, preside a todas as questões de julgamento.
33:7.3 (372.7) Com respeito à jurisdição, os tribunais do universo local são limitados nas questões seguintes:
33:7.4 (372.8) 1. A administração do universo local ocupa-se com a criação, evolução, manutenção e ministração. Aos tribunais do universo é, por isso, negado o direito de julgar os casos envolvendo a questão da vida e morte eternas. Isso nada tem a ver com a morte natural, do modo como prevalece em Urântia; se a questão do direito de existência continuada, da vida eterna, todavia, vier a julgamento, deve ser remetida aos tribunais de Orvônton e, caso a decisão seja adversa ao indivíduo, são executadas todas as sentenças de extinção sob as ordens dos dirigentes do supergoverno e por intermédio das suas agências.
33:7.5 (372.9) 2. Uma falta ou deserção de qualquer dos Filhos de Deus do Universo Local, que ponha em risco o status e a autoridade deles como Filhos, nunca é julgada nos tribunais de um Filho; tal mal-entendido seria imediatamente levado aos tribunais do superuniverso.
33:7.6 (372.10) 3. A questão da readmissão de qualquer parte constituinte de um universo local — como, por exemplo, um sistema local — na irmandade da criação local, com o status espiritual pleno, depois do isolamento espiritual, deve ser efetuada em conformidade com a alta assembléia do superuniverso.
33:7.7 (373.1) Para todas as outras questões, os tribunais de Sálvington são definitivos e supremos. Não há apelação, nem escapatória, das suas decisões e decretos.
33:7.8 (373.2) Embora possa parecer que algumas contendas humanas, às vezes, sejam julgadas de modo injusto em Urântia, de fato, a justiça e a eqüidade divinas prevalecem no universo. Vós estais vivendo em um universo bem ordenado e, mais cedo ou mais tarde, podeis confiar que sereis tratados com a justiça devida e até mesmo com misericórdia.
33:8.1 (373.3) Em Sálvington, sede-central de Nébadon, não há verdadeiramente corpos legislativos. Os mundos-sede do universo ocupam-se mais amplamente com julgamentos. As assembléias legislativas do universo local estão localizadas nas sedes-centrais das cem constelações. Os sistemas ocupam-se principalmente com o trabalho executivo e administrativo nas criações locais. Os Soberanos dos Sistemas e seus colaboradores fazem cumprir os mandados legislativos dos governantes da constelação e executam os decretos judiciais das altas cortes do universo.
33:8.2 (373.4) Ainda que a verdadeira legislação não seja interpretada na sede-central do universo, em Sálvington funciona uma variedade de assembléias, de pesquisa e de consulta, constituídas de diversos modos e conduzidas segundo o seu âmbito e o seu propósito. Algumas são permanentes; outras se dispersam depois de realizarem o seu objetivo.
33:8.3 (373.5) O conselho supremo do universo local é composto de três membros de cada sistema e sete representantes de cada constelação. Os Sistemas em isolamento não têm representação nessa assembléia, mas é-lhes permitido enviar observadores que presenciam todas as suas deliberações e as estudam.
33:8.4 (373.6) Os cem conselhos de sanção suprema situam-se também em Sálvington. Os presidentes desses conselhos constituem o gabinete de trabalho imediato de Gabriel.
33:8.5 (373.7) Todas as constatações feitas pelos altos conselhos de assessoria do universo são comunicadas aos corpos judiciais de Sálvington ou às assembléias legislativas das constelações. Esses altos conselhos não têm autoridade nem poder para colocar em vigor as próprias recomendações. Se o seu conselho for baseado nas leis fundamentais do universo, os tribunais de Nébadon emitem as ordens de execução; todavia, se as suas recomendações tiverem a ver com as condições locais ou emergenciais, devem passar pelas assembléias legislativas das constelações, para serem promulgadas deliberativamente, e então, pelas autoridades do sistema, a fim de cumprirem a sua execução. Esses altos conselhos, na realidade, são as superlegislaturas do universo, mas funcionam sem autoridade de promulgação e sem poder de execução.
33:8.6 (373.8) Quando falamos da administração do universo em termos de “tribunais” e de “assembléias”, deve ficar entendido que essas transações espirituais são muito diferentes das atividades em Urântia, mais primitivas e materiais, que levam os nomes correspondentes.
33:8.7 (373.9) [Apresentado pelo Comandante dos Arcanjos de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 34
34:0.1 (374.1) QUANDO um Filho Criador é personalizado pelo Pai Universal e o Filho Eterno, o Espírito Infinito individualiza uma nova e única representação dele próprio para acompanhar esse Filho Criador aos reinos do espaço, e ali ser a sua companheira, inicialmente na organização física e, mais tarde, na criação e no ministério às criaturas do universo recém-projetado.
34:0.2 (374.2) Um Espírito Criativo reage tanto às realidades físicas quanto às espirituais; como o faz também um Filho Criador; e, assim, pois, eles se associam e coordenam-se para a administração de um universo local do tempo e do espaço.
34:0.3 (374.3) Essas Filhas do Espírito têm a essência do Espírito Infinito, mas não podem atuar, simultaneamente, no trabalho de criação física e de ministração espiritual. Na criação física, o Filho do Universo provê o modelo original, enquanto o Espírito Materno do Universo inicia a materialização das realidades físicas. O Filho opera nos projetos da força e poder, enquanto o Espírito transforma essas criações de energias em substâncias físicas. Embora seja um pouco difícil descrever essa presença inicial do Espírito Infinito no universo, como uma pessoa, ainda assim, para o Filho Criador, a sua coligada do Espírito é pessoal e tem funcionado sempre como uma individualidade separada.
34:1.1 (374.4) Após o completar da organização física de um conjunto de estrelas e planetas, e após o estabelecimento dos circuitos de energia efetuado pelos centros de potência do superuniverso, após esse trabalho preliminar de criação, feito por intermédio das agências do Espírito Infinito operando sob a direção da sua focalização criativa, no universo local, segue-se a proclamação do Filho Michael, de que a vida está próxima de ser projetada no universo recém-organizado. Quando o Paraíso reconhece essa declaração de intenção, ocorre uma reação de aprovação da parte da Trindade do Paraíso, que é seguida do desaparecimento, no brilho das Deidades, do Espírito Mestre em cujo superuniverso essa nova criação está sendo organizada. Nesse meio tempo, os outros Espíritos Mestres se aproximam desse espaço central das Deidades do Paraíso e, em seguida, quando o Espírito Mestre, abraçado pela Deidade, emerge para fazer o reconhecimento dos seus iguais, ocorre aquilo que é conhecido como a “erupção primária”. Esta se dá como um clarão espiritual extraordinário, um fenômeno claramente discernível até tão longinquamente quanto estiver a sede-central do superuniverso em questão; e, simultaneamente a essa manifestação, que pouco pode ser compreendida, da Trindade, ocorre uma mudança marcante na natureza da presença e no poder do espírito criativo do Espírito Infinito residente no universo local em questão. Em resposta a esses fenômenos do Paraíso, é personalizada imediatamente, na própria presença do Filho Criador, uma nova representação pessoal do Espírito Infinito. E esta é a Ministra Divina, ou Espírito Criativo, a ajudante individualizada do Filho Criador, que se torna a sua coligada criativa pessoal, o Espírito Materno do universo local.
34:1.2 (375.1) Dessa nova emanação pessoal do Criador Conjunto, e por meio dela, procedem as correntes estabelecidas e os circuitos ordenados do poder do espírito e da influência espiritual, destinados a impregnar todos os mundos e seres daquele universo local. Na realidade, essa presença nova e pessoal, é apenas uma transformação da coligada preexistente, até então menos pessoal, do Filho, no seu trabalho anterior de organização física do universo.
34:1.3 (375.2) Este é o relato, em poucas palavras, de uma ação estupenda; que, entretanto, representa quase tudo o que pode ser contado a respeito dessas relevantes transações. Elas são instantâneas, inescrutáveis e incompreensíveis; o segredo da sua técnica e procedimento reside no seio da Trindade do Paraíso. De uma coisa apenas estamos certos: a presença do Espírito, no universo local, durante o tempo da sua criação puramente física ou da sua organização, estava diferenciada de um modo ainda incompleto do espírito do Espírito Infinito do Paraíso; ao passo que, após o ressurgimento do Espírito Mestre supervisor, vindo do abraço secreto dos Deuses e após o clarão da energia espiritual, a manifestação, no universo local, do Espírito Infinito, súbita e completamente, modifica-se, passando à semelhança pessoal daquele Espírito Mestre que permanecia em ligação de transmutação com o Espírito Infinito. O Espírito Materno do universo local adquire, assim, uma natureza pessoal matizada pela natureza do Espírito Mestre do superuniverso da sua jurisdição astronômica.
34:1.4 (375.3) Essa presença personalizada do Espírito Infinito, o Espírito Criativo Materno do universo local, é conhecida em Satânia como a Ministra Divina. Para todos os efeitos práticos e propósitos espirituais, essa manifestação da Deidade é um indivíduo divino, uma pessoa espiritual. E ela é reconhecida e considerada assim pelo Filho Criador. É por intermédio dessa localização e personalização da Terceira Fonte e Centro, no nosso universo local, que o Espírito pode depois se tornar tão plenamente sujeito ao Filho Criador, de uma forma tal que, em verdade, desse Filho pode ser dito: “Todo o poder nos céus e na Terra foi confiado a ele”.
34:2.1 (375.4) Havendo-se submetido a metamorfoses marcantes de personalidade no tempo da criação da vida, a Ministra Divina, depois disso, funciona como uma pessoa e coopera de um modo muito pessoal com o Filho Criador, no planejamento e direção dos assuntos extensos da criação local de ambos. Para muitos tipos de seres do universo, essa representação mesma do Espírito Infinito pode parecer não ser plenamente pessoal durante as idades que precedem à auto-outorga final de Michael; mas, depois da elevação do Filho Criador à autoridade soberana de Filho Mestre, o Espírito Criativo Materno tem as suas qualidades pessoais ampliadas de um modo tal que se torna pessoalmente reconhecido por todos os indivíduos com os quais entra em contato.
34:2.2 (375.5) Desde a sua mais antiga ligação com o Filho Criador, o Espírito do Universo possui todos os atributos de controles físicos do Espírito Infinito, incluindo o dom pleno da antigravidade. Ao atingir o status pessoal, o Espírito do Universo exerce um controle tão pleno e completo da gravidade da mente, no universo local, quanto exerceria o Espírito Infinito, se estivesse pessoalmente presente.
34:2.3 (375.6) Em cada universo local, a Ministra Divina funciona de acordo com a natureza e características inerentes do Espírito Infinito, como corporificado em um dos Sete Espíritos Mestres do Paraíso. Embora haja uma uniformidade básica de caráter em todos os Espíritos do Universo, há também uma diversidade de função, sendo esta determinada pela sua origem em apenas um dos Sete Espíritos Mestres. Essa diferença de origem é a causa de técnicas diversificadas na atuação dos Espíritos Maternos Criativos dos universos locais, em superuniversos distintos. Em todos os atributos espirituais essenciais, contudo, tais Espíritos são idênticos, igualmente espirituais e totalmente divinos, não importando a diferenciação entre os superuniversos.
34:2.4 (376.1) O Espírito Criativo é co-responsável, junto com o Filho Criador, pela produção das criaturas dos mundos, e corresponde sempre a todos os esforços do Filho para manter e conservar essas criações. A vida é ministrada e mantida por intermédio da agência do Espírito Criativo. “Vós enviais o Vosso Espírito, e eles são criados. Vós renovais a face da Terra.”
34:2.5 (376.2) Na criação de um universo de criaturas inteligentes, o Espírito Criativo Materno atua, primeiro, no âmbito da perfeição do universo, colaborando com o Filho na geração do Brilhante Estrela Matutino. Em seguida, a progênie do Espírito aproxima-se cada vez mais da ordem dos seres criados nos planetas, assim como os Filhos vão descendo, desde os Melquisedeques até os Filhos Materiais, os quais efetivamente entram em contato com os mortais dos reinos. Na evolução posterior das criaturas mortais, os Filhos Portadores da Vida dotam o corpo físico, fabricado com o material organizado existente no reino, enquanto o Espírito Materno do Universo contribui com o “sopro da vida”.
34:2.6 (376.3) Ainda que, sob muitos pontos de vista, o sétimo segmento do grande universo possa estar atrasado no seu desenvolvimento, os estudantes que se aprofundam nos nossos problemas antecipam a evolução de uma criação extraordinariamente bem equilibrada, nas idades que estão por vir. Podemos antever esse alto grau de simetria em Orvônton, porque o Espírito que preside a este superuniverso é quem dirige os Espíritos Mestres, nas alturas, sendo uma inteligência espiritual que incorpora a união equilibrada e a perfeita coordenação de traços e caráter de todas as Três Deidades eternas. Estamos atrasados e tardios, em relação a outros setores; no entanto, sem dúvida aguardam-nos, em alguma época, um desenvolvimento transcendente e uma realização sem precedentes nas idades eternas do futuro.
34:3.1 (376.4) Nem o Filho Eterno, nem o Espírito Infinito são limitados ou condicionados, seja pelo tempo, seja pelo espaço, no entanto a maior parte da sua descendência o é.
34:3.2 (376.5) O Espírito Infinito impregna todo o espaço e habita o círculo da eternidade. Contudo, no seu contato pessoal com os filhos do tempo, as personalidades do Espírito Infinito devem lidar freqüentemente com os elementos temporais, embora nem tanto com o espaço. Muitas das ministrações da mente ignoram o espaço, mas sofrem um retardamento, no tempo, ao efetuar a coordenação dos diversos níveis de realidade do universo. Um Mensageiro Solitário é virtualmente independente do espaço, exceto pelo tempo que é realmente necessário para ele transportar-se de uma localização até outra; e há entidades similares desconhecidas para vós.
34:3.3 (376.6) Nas suas prerrogativas pessoais, um Espírito Criativo é, total e completamente, independente do espaço, mas não do tempo. Não há nenhuma presença pessoal especializada desse Espírito do Universo, nas sedes-centrais das constelações nem dos sistemas. Ela está presente, igual e difusamente, em todo o seu universo local e, portanto, está tão literal e pessoalmente presente em um mundo como em outro qualquer.
34:3.4 (376.7) Apenas no que diz respeito ao elemento tempo é que um Espírito Criativo é limitado nas suas ministrações ao universo. Um Filho Criador atua instantaneamente em todo o seu universo; o Espírito Criativo, no entanto, deve depender do tempo para a ministração da mente universal, exceto quando se prevalece, de modo consciente e definido, das prerrogativas pessoais do Filho do Universo. Na função do puro espírito, o Espírito Criativo também atua independentemente do tempo, bem como na sua colaboração com a função misteriosa da refletividade do universo.
34:3.5 (377.1) Embora o circuito da gravidade do espírito do Filho Eterno opere independentemente do tempo tanto quanto do espaço, as funções dos Filhos Criadores não estão todas eximidas de limitações espaciais. Afora as transações dos mundos evolucionários, esses Filhos Michaéis parecem ser capazes de operar com relativa independência do tempo. Um Filho Criador não é limitado pelo tempo, mas é condicionado pelo espaço; ele não pode pessoalmente estar em dois lugares em um mesmo momento. Michael de Nébadon atua fora do tempo, dentro do seu próprio universo, e por refletividade, praticamente, também no superuniverso. Ele comunica-se, fora do tempo, diretamente com o Filho Eterno.
34:3.6 (377.2) A Ministra Divina é uma compreensiva ajudante do Filho Criador, capacitando-o a vencer e compensar as suas limitações inerentes com relação ao espaço, pois, quando ambos funcionam em união administrativa, ficam praticamente independentes do tempo e do espaço, dentro dos confins da sua criação local. Portanto, como é observado na prática, em todo um universo local, o Filho Criador e o Espírito Criativo em geral atuam independentemente tanto do tempo quanto do espaço; posto que há sempre, à disposição de um, a liberação do tempo ou do espaço, para o outro.
34:3.7 (377.3) Apenas os seres absolutos são independentes do tempo e do espaço, no sentido absoluto. A maioria das pessoas subordinadas ao Filho Eterno, ou ao Espírito Infinito, estão sujeitas tanto ao tempo quanto ao espaço.
34:3.8 (377.4) Quando um Espírito Criativo Materno torna-se “consciente do espaço”, ela está-se preparando para reconhecer como seu um “domínio espacial” circunscrito, um reino no qual será livre de espaço, em contraposição a todo o restante do espaço ao qual ele estaria condicionado. Apenas se é livre para escolher, e atuar, dentro do reino da própria consciência.
34:4.1 (377.5) Há três circuitos distintos espirituais no universo local de Nébadon:
34:4.2 (377.6) 1. O circuito do espírito efundido do Filho Criador, o Confortador, o Espírito da Verdade.
34:4.3 (377.7) 2. O circuito do espírito da Ministra Divina, o Espírito Santo.
34:4.4 (377.8) 3. O circuito da ministração da inteligência, que inclui as atividades mais ou menos unificadas, porém com funções diferentes, dos sete espíritos ajudantes da mente.
34:4.5 (377.9) Os Filhos Criadores são dotados com um espírito de presença no universo, que, de muitos modos, é análogo ao dos Sete Espíritos Mestres do Paraíso. E este é o Espírito da Verdade, efundido em um mundo por um Filho de auto-outorga depois que ele recebe o título espiritual nessa esfera. Esse Confortador outorgado é a força espiritual que sempre atrai todos os buscadores da verdade para Ele, que é a personificação da verdade no universo local. Esse espírito é um dom inerente ao Filho Criador, que emerge da sua natureza divina do mesmo modo que os circuitos mestres do grande universo derivam-se das presenças das personalidades das Deidades do Paraíso.
34:4.6 (377.10) O Filho Criador pode ir e vir; a sua presença pessoal pode estar no universo local ou em outro lugar; ainda assim, contudo, o Espírito da Verdade funciona sem perturbações, pois esta presença divina, ainda que sendo derivada da personalidade do Filho Criador, é centrada operacionalmente na pessoa da Ministra Divina.
34:4.7 (378.1) O Espírito Materno do Universo por sua vez, entretanto, nunca deixa o mundo-sede do universo local. O espírito do Filho Criador pode atuar independentemente da presença pessoal do Filho, mas isso não se dá com o espírito pessoal da Ministra. O Espírito Santo, da Ministra Divina, deixaria de funcionar se a presença pessoal dela fosse removida de Sálvington. A presença do espírito dela parece estar fixada no mundo-sede do universo, e é esse fato mesmo que capacita o espírito do Filho Criador a funcionar independentemente do paradeiro do Filho. O Espírito Materno do Universo atua como o foco e o centro, no universo, do Espírito da Verdade, bem como o centro da sua própria influência pessoal, o Espírito Santo.
34:4.8 (378.2) O Filho-Pai Criador e o Espírito Criativo Materno, ambos, contribuem de modo variado para a dotação de mente aos filhos do seu universo local. Contudo, o Espírito Criativo não outorga a mente antes de receber, ela própria, o dom das prerrogativas pessoais.
34:4.9 (378.3) As ordens superevolucionárias de personalidades, em um universo local, são dotadas com o tipo de mente desse mesmo universo, cujo modelo é a mente do superuniverso. As ordens humanas e subhumanas de vida evolucionária são dotadas com os tipos de ministração de mente dos espíritos ajudantes.
34:4.10 (378.4) Os sete espíritos ajudantes da mente são uma criação da Ministra Divina de um universo local. Esses espíritos-mente são semelhantes em caráter, mas diferentes em poder, e todos compartilham do mesmo modo da natureza do Espírito Materno do Universo; embora dificilmente possam ser encarados como personalidades à parte da sua Mãe Criadora. Aos sete ajudantes têm sido dados os nomes seguintes: espírito da sabedoria, espírito da adoração, espírito do conselho, espírito do conhecimento, espírito da coragem, espírito da compreensão, espírito da intuição — da percepção rápida.
34:4.11 (378.5) Esses são os “sete espíritos de Deus” que, “como lâmpadas queimando diante do trono”, o profeta enxergou nos símbolos de uma visão. Mas ele não viu os assentos dos quatro e mais vinte sentinelas em volta desses sete espíritos ajudantes da mente. Tal registro representa a confusão de duas apresentações; uma pertinente à sede-central do universo, e a outra, à capital do sistema. Os assentos dos quatro e mais vinte Anciães estão em Jerusém, sede-central do vosso sistema local de mundos habitados.
34:4.12 (378.6) Mas foi sobre Sálvington que João escreveu: “E do trono saíram relâmpagos, trovões e vozes” — as teledifusões do universo para os sistemas locais. Ele também visualizou as criaturas de controle direcional do universo local, as bússolas vivas do mundo-sede. Esse controle direcional, em Nébadon, é mantido pelas quatro criaturas de controle em Sálvington, as quais operam sobre as correntes do universo e são competentemente assistidas pelo espírito ajudante da mente, o ajudante da intuição, aquele que primeiro atua e funciona, o espírito da “compreensão rápida”. Mas a descrição dessas quatro criaturas — chamadas de bestas — tem sido tristemente mal interpretada, pois são de beleza sem paralelo e de forma pura.
34:4.13 (378.7) Os quatro pontos da bússola são universais e inerentes à vida de Nébadon. Todas as criaturas vivas possuem unidades corpóreas que são sensíveis e reagem a essas correntes direcionais. Essas criações de criaturas são duplicadas no sentido descendente no universo até os planetas individuais e, em conjunção com as forças magnéticas dos mundos, elas ativam as hostes de corpos microscópicos no organismo animal, de modo que as células de direção sempre apontam para o norte e para o sul. Assim, para sempre, fica o sentido da orientação fixado nos seres vivos no universo. A humanidade não está totalmente desprovida da posse consciente desse sentido. Esses corpúsculos foram observados inicialmente, em Urântia, por volta da época desta narrativa.
34:5.1 (379.1) A Ministra Divina coopera com o Filho Criador na formulação da vida e na criação de novas ordens de seres, até a época da sua sétima auto-outorga e, depois da elevação dele à soberania plena do universo, ela continua a colaborar com o Filho e com o espírito outorgado pelo Filho, no trabalho posterior de ministração ao mundo e progressão planetária.
34:5.2 (379.2) Nos mundos habitados, o Espírito inicia o trabalho da progressão evolucionária, começando com o material sem vida do reino, dotando-o primeiro com a vida vegetal, em seguida, com os organismos animais e, depois, com as primeiras ordens da existência humana; e cada concessão sucessiva contribui para o desdobramento posterior do potencial evolucionário da vida planetária, desde os estágios iniciais e primitivos até o surgimento das criaturas de vontade. Esse trabalho do Espírito Materno é efetuado grandemente por meio dos sete ajudantes, os espíritos da promessa, as mentes-espírito unificadoras e coordenadoras dos planetas em evolução, em união contínua, levando sempre as raças dos homens para idéias mais elevadas e ideais espirituais.
34:5.3 (379.3) O homem mortal inicialmente tem a experiência da ministração do Espírito, em conjunção com a mente, quando a mente puramente animal da criatura evolucionária desenvolve a capacidade de recepção dos ajudantes da adoração e da sabedoria. Essa ministração do sexto e do sétimo ajudantes indica que a evolução da mente atravessa o umbral da ministração espiritual. E essas mentes, já com as funções da adoração — e da sabedoria — , imediatamente são incorporadas aos circuitos espirituais da Ministra Divina.
34:5.4 (379.4) Quando a mente é dotada, desse modo, pela ministração do Espírito Santo, ela possui a capacidade para escolher (consciente ou inconscientemente) a presença espiritual do Pai Universal — o Ajustador do Pensamento. Mas apenas quando um Filho de auto-outorga houver liberado o Espírito da Verdade, para a ministração planetária a todos os mortais, é que todas as mentes normais ficarão automaticamente preparadas para receber os Ajustadores do Pensamento. O Espírito da Verdade trabalha em uníssono com a presença do espírito da Ministra Divina. Essa ligação espiritual dual paira sobre os mundos, procurando ensinar a verdade e iluminar espiritualmente as mentes dos homens, inspirando as almas das criaturas das raças ascendentes, e conduzindo os povos que habitam os planetas evolucionários sempre na direção da sua meta de destino divino no Paraíso.
34:5.5 (379.5) Embora o Espírito da Verdade haja sido vertido sobre toda a carne, esse espírito do Filho é quase totalmente limitado, em função e em poder, pela recepção pessoal que o homem faz daquilo que constitui a soma e a essência da missão do Filho que se auto-outorga. O Espírito Santo é parcialmente independente da atitude humana e parcialmente condicionado pelas decisões e cooperação da vontade do homem. A ministração do Espírito Santo, entretanto, torna-se crescentemente eficaz na santificação e na espiritualização da vida interior daqueles mortais que, mais plenamente, obedecem aos guiamentos divinos.
34:5.6 (379.6) Como indivíduos, não possuís pessoalmente uma porção separada ou entidade do espírito do Filho-Pai Criador, nem do Espírito Criativo Materno; essas ministrações não contatam, nem habitam, os centros de pensamento da mente do indivíduo, como o fazem os Monitores Misteriosos. Os Ajustadores do Pensamento são individualizações definidas da realidade pré-pessoal do Pai Universal, as quais residem realmente na mente mortal, como uma parte mesma dessa mente, e sempre trabalham em harmonia perfeita com os espíritos combinados do Filho Criador e do Espírito Criativo.
34:5.7 (380.1) A presença do Espírito Santo, vindo da Filha do Universo do Espírito Infinito, a presença do Espírito da Verdade, do Filho do Filho Eterno, no Universo, e a presença do espírito-Ajustador do Pai do Paraíso, em um mortal evolucionário ou com ele, denotam a simetria de dom espiritual e de ministração, e qualificam esse mortal a compreender, e conscientemente transformar em realidade, o fato-fé da filiação a Deus.
34:6.1 (380.2) Com o avanço da evolução de um planeta habitado e a posterior espiritualização dos seus habitantes, outras influências espirituais podem ser recebidas por tais personalidades amadurecidas. À medida que os mortais progridem no controle da mente e na percepção do espírito, essas ministrações espirituais múltiplas têm uma atuação cada vez mais coordenada; e tornam-se crescentemente harmonizadas com a superministração da Trindade do Paraíso.
34:6.2 (380.3) Embora a Divindade possa ser plural em manifestação, na experiência humana, a Deidade é singular, e sempre é uma. E, também, o ministério espiritual não é plural na experiência humana. Independentemente da pluralidade da sua origem, todas as influências espirituais são unas, na sua atuação. De fato, elas são uma, constituindo a ministração do espírito de Deus, o Sétuplo, às criaturas do grande universo, nelas e para elas; e, à medida que as criaturas crescem na apreciação e na receptividade dessa ministração unificadora do espírito, ela torna-se, na experiência delas, a ministração de Deus, o Supremo.
34:6.3 (380.4) Das alturas da glória eterna, o Espírito divino desce, em uma longa série de passos, para encontrar-vos como estais e onde quer que estejais e, então, no compartilhamento da fé, abraça amorosamente a alma de origem mortal, para que ela embarque no caminho da re-ascensão certa e segura, retomando aqueles passos de condescendência, e nunca parando até que a alma evolucionária esteja a salvo, e elevada, até as alturas mesmas da bênção da qual o Espírito divino originalmente saíra nessa missão de ministração e misericórdia.
34:6.4 (380.5) As forças espirituais infalivelmente procuram e alcançam os seus próprios níveis originais. Havendo saído do Eterno, é certo que elas retornem para lá, levando consigo todos aqueles filhos do tempo e do espaço que esposaram a orientação e ensinamentos do Ajustador residente; aqueles que são verdadeiramente “nascidos do Espírito”, os filhos de Deus pela fé.
34:6.5 (380.6) O Espírito Divino é uma fonte contínua de ministério e de encorajamento para os filhos dos homens. O vosso poder e o vosso êxito estão “de acordo com a misericórdia Dele, mediante a renovação do Espírito”. A vida espiritual, tanto quanto a energia física, consome-se. O esforço espiritual resulta em relativo esgotamento espiritual. Toda a experiência ascendente tanto é real quanto é espiritual; e por isso, está em verdade escrito: “É o Espírito que vivifica”, “O Espírito dá a vida”.
34:6.6 (380.7) A teoria morta, mesmo a das mais elevadas doutrinas religiosas, é impotente para transformar o caráter humano ou para controlar o comportamento dos mortais. O que o mundo de hoje necessita é da verdade que o vosso mestre de outrora declarou: “Não apenas em palavras, mas também em poder e no Espírito Santo”. A semente da verdade teórica torna-se morta, os mais elevados conceitos morais tornam-se sem efeito, a menos que, e até que, o Espírito divino sopre sobre as formas da verdade e vivifique as fórmulas da retidão.
34:6.7 (381.1) Aqueles que houverem recebido e reconhecido a presença de Deus, residente neles, são nascidos do Espírito. “Vós sois o templo de Deus, e o espírito de Deus reside em vós.” Não é suficiente que este espírito seja vertido sobre vós; tal Espírito divino deve dominar e controlar cada etapa da experiência humana.
34:6.8 (381.2) É a presença do Espírito divino, a água da vida, que põe fim à sede devoradora do descontentamento mortal e àquela indescritível fome da mente humana não espiritualizada. Os seres motivados pelo Espírito “nunca têm sede, pois essa água espiritual será neles um manancial de satisfação, brotando permanentemente para a vida eterna”. As almas regadas pela água divina são todas como que independentes do ambiente material, quanto às alegrias do viver e às satisfações da existência terrena. Elas estão espiritualmente iluminadas e refrescadas, moralmente fortalecidas e dotadas.
34:6.9 (381.3) Em cada mortal existe uma natureza dual: a herança das tendências animais e o elevado impulso do dom do espírito. Durante o curto período em que viverdes em Urântia, esses dois impulsos diversos e opostos raramente poderão ser conciliados por completo, dificilmente poderão ser harmonizados e unificados; contudo, durante o vosso tempo de vida, o Espírito solidário e combinado está sempre ministrando, no sentido de ajudar-vos a submeter, mais e mais, a carne ao guiamento deste Espírito. Ainda que devais viver a vossa vida material até o fim, ainda que não possais escapar do corpo nem das necessidades dele, não obstante, estareis, em propósito e ideais, cada vez mais fortalecidos em poder para submeter a natureza animal ao domínio do Espírito. Existe, realmente, dentro de vós uma conspiração de forças espirituais, uma confederação de poderes divinos, cujo propósito exclusivo é efetivar a vossa libertação final da escravidão material e das limitações finitas.
34:6.10 (381.4) O propósito de toda essa ministração é: “Que possais estar fortalecidos em poder, por meio do espírito Dele, que vive dentro, no lado interno do homem”. E tudo isso não representa senão passos preliminares para a realização final na perfeição da fé e do serviço, a experiência na qual vós estareis “preenchidos da plenitude de Deus”, “pois todos aqueles que são guiados pelo espírito de Deus são filhos de Deus”.
34:6.11 (381.5) O Espírito nunca constrange, apenas guia. Se fores um aprendiz de vontade forte, se quiseres atingir o nível do espiritual e alcançar as alturas divinas, se desejares sinceramente alcançar a meta eterna, então o Espírito divino guiar-te-á, suave e amorosamente, na trajetória da filiação e do progresso espiritual. Todo passo que deres deve ser o da tua boa vontade, de cooperação inteligente e alegre. O predomínio do Espírito jamais é matizado pela coação, nem comprometido pela compulsão.
34:6.12 (381.6) E, quando essa vida de guiamento do espírito é livre e inteligentemente aceita, desenvolve-se gradativamente, dentro da mente humana, uma consciência positiva de contato divino e segurança na comunhão com o espírito; mais cedo ou mais tarde, “o Espírito dá o testemunho, por meio do vosso espírito (o Ajustador), de que vós sois um filho de Deus”. E o vosso próprio Ajustador do Pensamento já indicou o vosso parentesco com Deus, e as escrituras confirmam que o Espírito testemunha “com vosso espírito”; e não para o vosso espírito.
34:6.13 (381.7) A consciência da predominância do espírito em uma vida humana, atualmente, é alcançada por uma demonstração sempre maior das características do Espírito, nas reações vitais de um mortal guiado assim pelo espírito, “pois os frutos do espírito são o amor, alegria, paz, resignação, doçura, bondade, fé, mansidão e temperança”. Tais mortais, guiados pelo espírito e divinamente iluminados, embora ainda trilhando os caminhos baixos do sofrimento e cumprindo, na fidelidade humana, os deveres dos compromissos terrenos, já começaram a discernir as luzes da vida eterna as quais centelham nas margens longínquas de um outro mundo; já começaram a compreender a realidade daquela verdade inspiradora e confortante: “O Reino de Deus não é comida e bebida, mas é a retidão, a paz e a alegria, no Espírito Santo”. E, durante cada provação, e na presença de cada dificuldade, as almas nascidas do espírito são sustentadas pela esperança que transcende a todo o medo, pois o amor de Deus está amplamente disseminado em todos os corações, na presença do Espírito divino.
34:7.1 (382.1) A carne, a natureza inerente derivada das raças de origem animal, não traz naturalmente em si os frutos do Espírito divino. Quando a natureza mortal houver sido elevada pela adição da natureza dos Filhos Materiais de Deus, como as raças de Urântia avançaram, em uma certa medida, pela outorga de Adão; então, o caminho fica mais bem preparado para que o Espírito da Verdade coopere com o Ajustador residente, no sentido de fazer surgir a maravilhosa colheita dos frutos do caráter do espírito. Se vós não rejeitardes esse espírito, ainda que uma eternidade possa tornar-se necessária para que cumprais a vossa missão, “ele vos guiará até toda a verdade”.
34:7.2 (382.2) Os mortais evolucionários que habitam os mundos de progresso espiritual normal não têm a experiência de conflitos tão agudos, entre o espírito e a carne, como os que caracterizam as raças atuais de Urântia. Mesmo nos planetas mais ideais, contudo, o homem pré-Adâmico deve fazer esforços positivos para ascender, do plano de existência da manifestação puramente animal, até os sucessivos níveis de significados cada vez mais intelectuais e valores espirituais mais elevados.
34:7.3 (382.3) Os mortais de um mundo normal não experimentam a constante luta entre sua natureza física e sua natureza espiritual. Eles confrontam-se com a necessidade de escalar, desde os níveis animais de existência até os planos mais elevados da vida espiritual, sim, mas essa ascensão é mais como se se submetessem a um aperfeiçoamento educacional, se comparada aos conflitos intensos que os mortais de Urântia enfrentam, nesse reino de tantas divergências entre a natureza material e a espiritual.
34:7.4 (382.4) Na sua tarefa de realização planetária espiritual progressiva, os povos de Urântia sofrem as conseqüências de estarem duplamente privados de ajuda. A insurreição de Caligástia precipitou uma confusão de amplitude mundial e roubou de todas as gerações subseqüentes a assistência moral que uma sociedade bem ordenada lhes haveria proporcionado. E, ainda mais desastrosa foi a falta Adâmica, pois impediu às raças que alcançassem um tipo superior de natureza física o qual teria sido mais adequado às suas aspirações espirituais.
34:7.5 (382.5) Os mortais de Urântia estão obrigados a passar por tais lutas pronunciadas entre o espírito e a carne, pelo fato de os seus ancestrais remotos não haverem sido mais completamente adamizados pela outorga Edênica. De acordo com o plano divino as raças mortais de Urântia deveriam ter tido naturezas físicas mais naturalmente sensíveis ao espírito.
34:7.6 (382.6) Apesar desse duplo desastre, para a natureza do homem e para o seu ambiente, os mortais dos dias presentes, poderiam experimentar menos dessas lutas aparentes entre a carne e o espírito caso eles quisessem entrar no Reino do espírito, no qual os filhos de Deus, pela fé, desfrutam de uma relativa libertação da servidão da carne, por meio da iluminação do serviço sincero liberador e por meio da devoção, de todo o coração, ao cumprimento da vontade do Pai nos céus. Jesus mostrou à humanidade o novo caminho da vida mortal, por meio do qual os seres humanos podem escapar, quase totalmente, das espantosas conseqüências da rebelião de Caligástia e compensarem-se mais efetivamente das privações resultantes da falta Adâmica. “O espírito da vida de Cristo Jesus tornounos livres da lei do viver animal e das tentações do mal e do pecado.” “Essa é a vitória sobre a carne; e é uma vitória da vossa própria fé.”
34:7.7 (383.1) Aqueles homens e mulheres que são conscientes de Deus e que nasceram da experiência do Espírito não entram em conflito com as suas naturezas mortais mais do que o fazem os habitantes dos mais normais dos mundos, planetas que nunca foram maculados pelo pecado nem atingidos pela rebelião. Os filhos da fé trabalham em níveis intelectuais e vivem em planos espirituais muito acima dos conflitos produzidos pelos desejos físicos desenfreados ou pouco naturais. As necessidades normais dos seres animais, os apetites e os impulsos naturais de ordem física não estão em conflito, nem mesmo com as realizações espirituais mais elevadas, exceto nas mentes de pessoas ignorantes, mal instruídas ou infelizmente tomadas por escrúpulos extremados.
34:7.8 (383.2) Havendo começado o caminho da vida eterna, aceitado tal compromisso e recebido as vossas ordens de avançar, não temais os perigos do esquecimento humano e da inconstância mortal, não vos perturbeis pela dúvida e o temor ao fracasso, nem pela confusão da perplexidade; não hesiteis, nem questioneis sobre a vossa situação e posição, pois em todas as horas escuras, em todas as encruzilhadas da luta para ir à frente, o Espírito da Verdade falará sempre, declarando: “Este é o caminho”.
34:7.9 (383.3) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso temporariamente designado para o serviço em Urântia.]
O Livro de Urântia
Documento 35
35:0.1 (384.1) OS FILHOS de Deus, apresentados anteriormente, têm origem no Paraíso. São descendentes das Deidades dos domínios universais. Da primeira ordem de filiação do Paraíso, a dos Filhos Criadores, há apenas um em Nébadon, Michael, o pai e soberano do vosso universo. Da segunda ordem de filiação do Paraíso, a dos Filhos Avonais ou Magisteriais, Nébadon tem a sua cota completa — 1062 Filhos. E esses “Cristos menores” são tão eficientes e Todo-Poderosos, nas suas auto-outorgas planetárias, quanto foi o Filho Criador e Filho Mestre, em Urântia. A terceira ordem, tendo a sua origem na Trindade, não é registrada em um universo local, mas eu estimo que, em Nébadon, haja entre quinze e vinte mil Filhos Instrutores da Trindade, não incluindo os 9 642 assistentes registrados, trinitarizados por criaturas. Esses Dainais do Paraíso não são nem magistrados nem administradores, eles são superinstrutores.
35:0.2 (384.2) Os tipos de Filhos a serem considerados neste documento têm a sua origem no universo local; são uma progênie do Filho Criador do Paraíso, em enlaces variados com o seu complemento, a Ministra Divina, ou Espírito Materno do Universo. As ordens de filiação do universo local que encontram menção nestas narrativas são:
35:0.3 (384.3) 1. Os Filhos Melquisedeques.
35:0.4 (384.4) 2. Os Filhos Vorondadeques.
35:0.5 (384.5) 3. Os Filhos Lanonandeques.
35:0.6 (384.6) 4. Os Filhos Portadores da Vida.
35:0.7 (384.7) A Deidade Trina do Paraíso funciona para a criação de três ordens de filiação: os Michaéis, os Avonais e os Dainais. No universo local, a Deidade dual, de Filho e Espírito, funciona do mesmo modo, na criação de três ordens elevadas de Filhos: os Melquisedeques, os Vorondadeques e os Lanonandeques; e, havendo realizado essa expressão tripla, ela colabora com o próximo nível de Deus, o Sétuplo, na produção da ordem versátil dos Portadores da Vida. Estes últimos seres estão classificados junto com os Filhos descendentes de Deus; são, contudo, uma forma única e original de vida no universo. O estudo deles ocupará, por inteiro, o próximo documento.
35:1.1 (384.8) Após trazer à existência os seres de ajuda pessoal, tais como o Brilhante Estrela Matutino e as outras personalidades administrativas, de acordo com o propósito divino e os planos criativos para um universo, ocorre uma nova forma de união criativa entre o Filho Criador e o Espírito Criativo, a Filha do Espírito Infinito no universo local. A progênie a surgir, como resultado dessa associação criadora, é a personalidade do Melquisedeque original — o Pai Melquisedeque — , aquele ser único que posteriormente colabora com o Filho Criador e o Espírito Criativo, para trazer à existência todo o grupo com esse nome.
35:1.2 (385.1) No universo de Nébadon, o Pai Melquisedeque atua como o primeiro aliado executivo do Brilhante Estrela Matutino. Gabriel ocupa-se mais com as políticas do universo, e Melquisedeque com os procedimentos práticos. Gabriel preside aos tribunais e conselhos regularmente constituídos de Nébadon, e Melquisedeque preside às comissões e corpos de aconselhamento especiais, extraordinários e de emergência. Gabriel e o Pai Melquisedeque nunca se afastam de Sálvington ao mesmo tempo, pois, na ausência de Gabriel, o Pai Melquisedeque atua como o comandante executivo de Nébadon.
35:1.3 (385.2) Os Melquisedeques do nosso universo foram todos criados, durante o período de um milênio do tempo-padrão, pelo Filho Criador e o Espírito Criativo, em enlace com o Pai Melquisedeque. Sendo uma ordem de filiação na qual um dos seus próprios membros funcionou como um criador coordenado, os Melquisedeques são, pois, de constituição parcialmente auto-originária, sendo, portanto, candidatos à realização de um tipo superno de autogoverno. Eles elegem periodicamente o seu próprio dirigente administrativo para um mandado de sete anos do tempo padrão e, em outras circunstâncias, funcionam como uma ordem auto-regida, embora o Melquisedeque original possua certas prerrogativas inerentes à co-paternidade. De tempos em tempos, esse Pai Melquisedeque designa certos indivíduos da sua ordem para funcionar como Portadores da Vida especiais nos mundos midsonitas, um tipo de planeta habitado que até agora ainda não foi revelado para Urântia.
35:1.4 (385.3) Os Melquisedeques não atuam extensivamente fora do universo local, exceto quando são convocados como testemunhas, em questões pendentes, perante os tribunais do superuniverso; e, também, quando são designados como embaixadores especiais, como o são algumas vezes, representando o seu universo junto a algum outro, dentro do mesmo superuniverso. O Melquisedeque original ou o primogênito de cada universo tem sempre a liberdade de viajar aos universos da vizinhança, ou ao Paraíso, em missões que têm a ver com os interesses e deveres da sua ordem.
35:2.1 (385.4) Os Melquisedeques são a primeira ordem de Filhos divinos a aproximar-se perto o bastante da vida da criatura inferior, a ponto de serem capazes de funcionar diretamente no ministério da elevação dos mortais e servir às raças evolucionárias sem a necessidade de encarnar-se. Esses Filhos, naturalmente, colocam-se no ponto médio da grande escala descendente das personalidades, encontrando-se, por origem, a meio caminho entre a mais alta Divindade e a mais baixa criatura viva, dotada de vontade. Assim, tornam-se os intermediários naturais entre os níveis divinos mais elevados de existência vivente e as mais baixas formas de vida, materiais mesmo, nos mundos evolucionários. As ordens seráficas, os anjos, deliciam-se em trabalhar com os Melquisedeques; de fato, todas as formas de vida inteligente têm, nesses Filhos, amigos compreensivos, mestres compassivos e conselheiros sábios.
35:2.2 (385.5) Os Melquisedeques são uma ordem autogovernada. Nesse grupo singular encontramos a primeira tentativa de autodeterminação da parte dos seres do universo local e observamos o mais elevado tipo de autogoverno verdadeiro. Esses Filhos organizam o seu próprio mecanismo de administração para o seu próprio grupo e o seu planeta-lar, bem como para as seis esferas interligadas e seus mundos tributários. E deve ficar registrado que jamais abusaram das suas prerrogativas; nem por uma vez, em todo o superuniverso de Orvônton, esses Filhos Melquisedeques traíram a confiança neles depositada. São a esperança de todos os grupos do universo que aspiram ao autogoverno; são o modelo e os professores do autogovernar para todas as esferas de Nébadon. Todas as ordens de seres inteligentes, os superiores acima e os subordinados abaixo, são sinceras nas suas louvações ao governo dos Melquisedeques.
35:2.3 (386.1) A ordem Melquisedeque de filiação ocupa a posição e assume a responsabilidade do filho mais velho em uma grande família. A maior parte do seu trabalho é regular e rotineira, de certa forma, mas, em grande parte, é voluntária e inteiramente auto-imposta. A maioria das assembléias especiais que se reúne em Sálvington, de tempos em tempos, é convocada por moção dos Melquisedeques. Pela sua própria iniciativa, esses Filhos vigiam o seu universo nativo. Eles mantêm uma organização autônoma, devotada à informação sobre o universo, fazendo relatos periódicos ao Filho Criador, independentemente de todas as informações que possam vir até a sede-central do universo por meio das agências regulares que tratam de cuidar da administração de rotina do reino. Eles são, por natureza, observadores sem preconceitos; têm a confiança total de todas as classes de seres inteligentes.
35:2.4 (386.2) Os Melquisedeques funcionam como cortes itinerantes para a revisão e a assessoria aos reinos; esses Filhos do universo vão até os mundos, em pequenos grupos, para servir em comissões de aconselhamento, tomar depoimentos, receber sugestões e atuar como conselheiros, ajudando, assim, a vencer as maiores dificuldades e resolver as divergências mais sérias que surgem, de tempos em tempos, nos assuntos dos domínios evolucionários.
35:2.5 (386.3) Esses Filhos mais velhos de um universo são os principais assistentes do Brilhante Estrela Matutino, no cumprimento dos mandados do Filho Criador. Quando um Melquisedeque vai a um mundo remoto, em nome de Gabriel, ele pode, para os propósitos dessa missão em particular, ter poderes delegados a si, em nome daquele que o envia, e surgir, no planeta da sua missão, com a autoridade plena do Brilhante Estrela Matutino. E isso é verdadeiro, especialmente para aquelas esferas em que um Filho mais elevado ainda não haja aparecido, à semelhança das criaturas daquele reino.
35:2.6 (386.4) Quando um Filho Criador ingressa na carreira de auto-outorga, em um mundo evolucionário, ele vai sozinho; mas, quando um dos seus irmãos do Paraíso, um Filho Avonal, entra em uma auto-outorga, ele é acompanhado pelos Melquisedeques de apoio, em número de doze, que contribuem com imensa eficiência para o êxito da missão de auto-outorga. Eles também dão apoio aos Avonais do Paraíso nas missões magisteriais nos mundos habitados, e, nesses compromissos, os Melquisedeques são visíveis aos olhos dos mortais se o Filho Avonal estiver também manifestado assim.
35:2.7 (386.5) Não há nenhuma fase da necessidade espiritual planetária à qual eles não ministrem. São os mestres que conquistam, muito freqüentemente, mundos inteiros de vida avançada, levando-os ao pleno reconhecimento do Filho Criador e do seu Pai no Paraíso.
35:2.8 (386.6) Os Melquisedeques são quase perfeitos em sabedoria, mas eles não são infalíveis no julgamento. Quando destacados e sozinhos, em missões planetárias, algumas vezes, têm errado em questões menores, quer dizer, eles têm decidido fazer determinadas coisas que os seus supervisores não aprovaram posteriormente. Um erro assim de julgamento desqualifica temporariamente um Melquisedeque, até que ele vá a Sálvington e, em audiência com o Filho Criador, receba aquela instrução que efetivamente o purga da desarmonia que causou o desacordo com os seus congêneres; e então, depois do repouso correcional, é reincorporado ao serviço, ao terceiro dia. Essas pequenas inadequações, na função de um Melquisedeque, todavia, apenas muito raramente ocorreram em Nébadon.
35:2.9 (387.1) Esses Filhos não formam uma ordem que cresça; o seu número é estacionário, embora varie em cada universo local. O número de Melquisedeques em registro no planeta sede-central deles, em Nébadon, ultrapassa dez milhões.
35:3.1 (387.2) Os Melquisedeques ocupam um mundo que lhes é próprio, perto de Sálvington, a sede-central do universo. Esta esfera, que traz o nome de Melquisedeque, é o mundo-piloto do circuito de Sálvington, de setenta esferas primárias, cada uma das quais tendo à sua volta seis esferas tributárias devotadas a atividades especializadas. Essas esferas maravilhosas — setenta primárias e 420 tributárias — são muito freqüentemente chamadas de Universidades Melquisedeques. Os mortais ascendentes de todas as constelações de Nébadon passam por aperfeiçoamentos, em todos os 490 mundos, para adquirirem o status de residência em Sálvington. Mas a educação dos seres ascendentes é apenas uma fase das múltiplas atividades que têm lugar no conjunto das esferas arquitetônicas de Sálvington.
35:3.2 (387.3) As 490 esferas, do circuito de Sálvington, são divididas em dez grupos, cada um contendo sete esferas primárias e quarenta e duas tributárias. Cada um desses grupos está sob a supervisão geral de uma dentre as ordens maiores de vida do universo. O primeiro grupo, abrangendo o mundo-piloto e as próximas seis esferas primárias, na procissão planetária circundante, está sob a supervisão dos Melquisedeques. Esses mundos Melquisedeques são:
35:3.3 (387.4) 1. O mundo-piloto — o mundo-lar dos Filhos Melquisedeques.
35:3.4 (387.5) 2. O mundo das escolas de vida-física e dos laboratórios de energias vivas.
35:3.5 (387.6) 3. O mundo da vida moroncial.
35:3.6 (387.7) 4. A esfera da vida espiritual inicial.
35:3.7 (387.8) 5. O mundo da vida espiritual intermediária.
35:3.8 (387.9) 6. A esfera da vida espiritual já avançada.
35:3.9 (387.10) 7. O mundo-domínio da auto-realização coordenada e suprema.
35:3.10 (387.11) Os seis mundos tributários de cada uma dessas esferas Melquisedeques são devotados a atividades próprias do trabalho da esfera primária interligada.
35:3.11 (387.12) O mundo-piloto, a esfera Melquisedeque, é o ponto comum de reunião de todos os seres envolvidos na educação e na espiritualização dos mortais ascendentes do tempo e do espaço. Para um ascendente, este é, provavelmente, o mundo mais interessante de todo o Nébadon. Todos os mortais evolucionários que se graduam em aperfeiçoamentos, nas suas constelações, estão destinados a aterrissar no mundo Melquisedeque; e, nele, são iniciados no regime das disciplinas e progressão espiritual do sistema educacional de Sálvington. E nunca vos esquecereis das vossas reações do primeiro dia de vida nesse mundo único, nem mesmo depois que houverdes alcançado o vosso destino no Paraíso.
35:3.12 (387.13) Os mortais ascendentes mantêm residência no mundo Melquisedeque, enquanto estão seguindo o seu aperfeiçoamento nos seis planetas circunvizinhos de educação especializada. E esse mesmo método é adotado em toda a sua estada nos setenta mundos culturais, as primeiras esferas do circuito de Sálvington.
35:3.13 (387.14) Muitas atividades diversificadas ocupam o tempo dos inúmeros seres que residem nos seis mundos tributários da esfera Melquisedeque; mas, no que concerne aos mortais ascendentes, tais satélites estão devotados às seguintes fases especiais de estudo:
35:3.14 (388.1) 1. A esfera de número um ocupa-se da revisão da vida planetária inicial dos mortais ascendentes. Esse trabalho é feito em classes, compostas daqueles que provêm de um determinado mundo de origem mortal. Aqueles que são provenientes de Urântia juntos fazem essa revisão de experiências.
35:3.15 (388.2) 2. O trabalho especial da esfera de número dois consiste em uma revisão semelhante à das experiências pelas quais se passou nos mundos das mansões circunvizinhas do primeiro satélite da sede-central do sistema local.
35:3.16 (388.3) 3. As revisões nessa esfera são pertinentes à permanência na capital do sistema local; e abrangem as atividades nos mundos arquitetônicos restantes do conjunto do sistema da sede-central.
35:3.17 (388.4) 4. A quarta esfera ocupa-se de uma revisão das experiências vividas nos setenta mundos tributários da constelação e nas esferas a eles interligadas.
35:3.18 (388.5) 5. Na quinta esfera, é feita a revisão das estadas dos ascendentes no mundo sede-central da constelação.
35:3.19 (388.6) 6. O tempo na esfera de número seis é devotado ao intento de correlacionar essas cinco épocas; e de efetuar a coordenação preparatória da experiência, para se entrar nas principais escolas Melquisedeques de instrução sobre o universo.
35:3.20 (388.7) As escolas de administração do universo e de sabedoria espiritual estão localizadas no mundo-lar Melquisedeque, onde também podem ser encontradas as escolas dedicadas a uma única linha de pesquisa, como a da energia, matéria, organização, comunicação, arquivos, ética e estudos comparativos das existências das criaturas.
35:3.21 (388.8) Na Faculdade Melquisedeque de Dotação Espiritual, todas as ordens de Filhos de Deus — mesmo as ordens do Paraíso — cooperam com os Melquisedeques e os educadores seráficos no aperfeiçoamento das hostes enviadas como evangelizadoras do destino, as quais proclamam a liberdade espiritual e a filiação divina até mesmo aos mundos remotos do universo. Essa escola especial da Universidade Melquisedeque é uma instituição exclusiva no universo, e nela estudantes visitantes de outros reinos não são aceitos.
35:3.22 (388.9) O mais elevado curso de ensino de administração do universo é ministrado pelos Melquisedeques no seu mundo-lar. A essa Faculdade de Ética Superior preside o Pai Melquisedeque original. É para essas escolas que os vários universos enviam estudantes de intercâmbio. Embora o jovem universo de Nébadon esteja abaixo na escala dos universos, no que diz respeito ao alcance da realização espiritual e desenvolvimento ético elevado, os nossos problemas administrativos fizeram de todo o nosso universo algo como uma imensa clínica, da qual as criações vizinhas fazem uso; e de um modo tal que as Faculdades Melquisedeques ficam repletas de estudantes visitantes e observadores de outros reinos. Além do grupo imenso de matrículas para os seres locais, há sempre mais de cem mil estudantes de fora aguardando para entrar nas Faculdades Melquisedeques; pois a ordem Melquisedeque de Nébadon é renomada em todo o Esplândon.
35:4.1 (388.10) Um ramo altamente especializado de atividades dos Melquisedeques tem a ver com a supervisão da carreira moroncial progressiva dos mortais ascendentes. Grande parte desse aperfeiçoamento é conduzida pelos sábios e pacientes ministros seráficos, assistidos pelos mortais que ascenderam até níveis relativamente mais elevados da sua realização no universo; mas todo esse trabalho educacional fica sob a supervisão geral dos Melquisedeques, em conjunto com os Filhos Instrutores da Trindade.
35:4.2 (389.1) Embora as ordens Melquisedeques estejam principalmente dedicadas ao vastíssimo sistema educacional e ao regime de educação experiencial do universo local, elas atuam também nos compromissos singulares e sob circunstâncias inusitadas. Num universo em evolução que acabará abrangendo aproximadamente dez milhões de mundos habitados, muitas coisas fora do comum estão destinadas a acontecer; e é em tais emergências que os Melquisedeques atuam. Em Edêntia, a sede-central da vossa constelação, eles são conhecidos como os Filhos emergenciais. Estão sempre prontos para servir sob quaisquer exigências — físicas, intelectuais ou espirituais — , seja em um planeta, sistema, constelação ou universo. Sempre, e em quaisquer circunstâncias em que uma ajuda especial se fizer necessária, encontrareis ali um ou mais Filhos Melquisedeques.
35:4.3 (389.2) Quando um aspecto do plano do Filho Criador é ameaçado de falhar, imediatamente, um Melquisedeque estará pronto para prestar a sua assistência. Raramente, todavia, são chamados a atuar diante de uma rebelião pecaminosa como a que ocorreu em Satânia.
35:4.4 (389.3) Os Melquisedeques são os primeiros a atuar em todas as emergências de qualquer natureza, em todos os mundos onde habitarem criaturas volitivas. Algumas vezes, atuam como custódios temporários, em planetas agitados, servindo como depositários de um governo planetário desviado. Numa crise planetária, os Filhos Melquisedeques servem em muitas funções singulares. É facilmente possível a esses Filhos fazerem-se visíveis para os seres mortais, e algumas vezes os seres dessa ordem encarnaram-se mesmo à semelhança da carne mortal. Por sete vezes, em Nébadon, um Melquisedeque serviu em um mundo evolucionário, na similaridade da carne mortal; e, em numerosas ocasiões, esses Filhos surgiram à semelhança de outras ordens de criaturas do universo. São, de fato, ministros versáteis e voluntários das emergências, para todas as ordens de inteligências do universo e para todos os mundos e sistemas de mundos.
35:4.5 (389.4) O Melquisedeque que viveu em Urântia durante a época de Abraão ficou conhecido localmente como o Príncipe de Salém, porque presidiu a uma pequena colônia de buscadores da verdade residindo em um local chamado Salém. Ele fez-se voluntário para encarnar à semelhança da carne mortal; e assim o fez, com a aprovação dos administradores provisórios Melquisedeques do planeta, pois eles temiam que a luz da vida se extinguisse durante aquele período de escuridão espiritual crescente. Ele incentivou a verdade naqueles dias, transmitindo-a em segurança a Abraão e aos que estavam ligados a ele.
35:5.1 (389.5) Após a criação dos ajudantes pessoais e do primeiro grupo de versáteis Melquisedeques, o Filho Criador e o Espírito Criativo do universo local planejaram e trouxeram à existência a segunda grande e diversa ordem de filiação do universo, a dos Vorondadeques. Mais geralmente, eles são conhecidos como os Pais da Constelação, porque um Filho dessa ordem é, invariavelmente, encontrado à frente do governo de cada constelação em todo o universo local.
35:5.2 (389.6) O número dos Vorondadeques varia com o universo local, sendo exatamente de um milhão o número registrado em Nébadon. Esses Filhos, como os seus pares, os Melquisedeques, não possuem o poder da reprodução. Não existe nenhum método conhecido por meio do qual eles próprios possam aumentar o seu número.
35:5.3 (389.7) Sob muitos aspectos, esses Filhos formam um corpo que se autogoverna; enquanto indivíduos e como grupo, como um todo mesmo, eles são amplamente autodeterminados, do mesmo modo que os Melquisedeques o são; mas os Vorondadeques não funcionam em atividades tão variadas. Não se igualam aos seus irmãos Melquisedeques quanto ao brilho da versatilidade, no entanto eles são ainda mais confiáveis e eficientes como governantes, sendo administradores de grande visão. E não são também, exatamente, os pares administrativos dos seus subordinados, os Lanonandeques, Soberanos dos Sistemas; eles superam, sim, todas as ordens de filiação do universo, em estabilidade de propósito e divindade de julgamento.
35:5.4 (390.1) Ainda que as decisões e os comandos dessa ordem de Filhos estejam sempre de acordo com o espírito da filiação divina e em harmonia com a política do Filho Criador, têm sido citados por erros para com o Filho Criador e, quanto aos detalhes técnicos, as suas decisões foram, algumas vezes, revogadas por meio de apelos aos tribunais superiores do universo. Mas esses Filhos raramente incorrem no erro e nunca se envolvem em rebeliões. Em toda a história de Nébadon, jamais se presenciou um Vorondadeque em desacato ao governo do universo.
35:5.5 (390.2) O serviço dos Vorondadeques nos universos locais é amplo e variado. Servem como embaixadores, para outros universos, e como cônsules, representando as constelações dentro do seu universo nativo. De todas as ordens de filiação do universo local, é aos dessa ordem que mais freqüentemente se confia a delegação plena dos poderes de soberano, para serem exercidos em situações críticas do universo.
35:5.6 (390.3) Um observador Vorondadeque mantém-se presente, via de regra, nos mundos segregados e em escuridão espiritual, naquelas esferas submetidas ao isolamento planetário, por causa da rebelião e do erro; até a restauração do estado normal desse mundo. Em certas emergências, esse observador Altíssimo poderia exercer a autoridade absoluta e arbitrária sobre cada ser celeste designado para aquele planeta. Consta, nos anais de Sálvington, que os Vorondadeques algumas vezes exerceram esse tipo de autoridade, como regentes Altíssimos de planetas. E isso tem sido verdade, também, mesmo para os mundos habitados que não foram atingidos por nenhuma rebelião.
35:5.7 (390.4) Geralmente, um corpo de doze ou mais Filhos Vorondadeques constitui uma alta corte de revisão e apelo, para os casos especiais envolvendo o status de um planeta ou sistema. Contudo, o trabalho deles é mais amplamente pertinente às funções legislativas inerentes aos governos das constelações. Como resultado de todos esses serviços, os Filhos Vorondadeques tornaram-se os historiadores dos universos locais; são pessoalmente conhecedores de todas as lutas políticas e turbulências sociais dos mundos habitados.
35:6.1 (390.5) Pelo menos três Vorondadeques são designados para o governo de cada uma das cem constelações de um universo local. Esses Filhos são selecionados pelo Filho Criador e indicados por Gabriel como Altíssimos das constelações, para servirem durante um decamilênio; isso representa 10 000 anos padrão ou cerca de 50 000 anos do tempo de Urântia. O Altíssimo que reina, o Pai da Constelação, tem dois colaboradores: um sênior e um júnior. A cada mudança na administração, o integrante sênior torna-se o líder do governo e o auxiliar júnior assume os deveres do sênior, enquanto os Vorondadeques residentes não compromissados nos mundos de Sálvington indicam um, dentre eles, como candidato à seleção e para assumir as responsabilidades do colaborador júnior. Assim, de acordo com essa política, cada um dos governantes Altíssimos tem um período de serviço, nas sedes-centrais de uma constelação, de três decamilênios, cerca de 150 000 dos anos de Urântia.
35:6.2 (390.6) Os cem Pais da Constelação, os dirigentes reais dos governos das constelações, constituem o gabinete supremo de conselho do Filho Criador. Esse conselho reúne-se freqüentemente na sede-central do universo e é ilimitado pelo escopo e alcance das suas deliberações, mas volta-se principalmente para o bem-estar das constelações e a unificação da administração de todo o universo local.
35:6.3 (391.1) Quando um Pai da Constelação estiver cumprindo deveres junto à sede-central do universo, como freqüentemente acontece, o colaborador sênior assume a direção dos assuntos da constelação. A função normal desse colaborador sênior é a supervisão dos assuntos espirituais, enquanto o colaborador júnior ocupa-se pessoalmente do bem-estar físico da constelação. Nenhuma política maior, contudo, jamais é levada adiante em uma constelação, a menos que todos os três Altíssimos estejam de acordo em todos os detalhes da sua execução.
35:6.4 (391.2) Todo o mecanismo da informação espiritual e dos canais de comunicação está à disposição dos Altíssimos das constelações. Eles mantêm-se em perfeito contato com os seus superiores em Sálvington e os seus subordinados diretos, os soberanos dos sistemas locais. E freqüentemente se reúnem em conselho com os Soberanos dos Sistemas, para deliberar sobre o estado da constelação.
35:6.5 (391.3) Os Altíssimos cercam-se de um corpo de conselheiros, cujo contingente varia em número e pessoal, de tempos em tempos, de acordo com a presença de vários grupos na sede-central da constelação, e também à medida que variam as necessidades locais. Durante um período de tensão extrema, podem solicitar Filhos adicionais da ordem Vorondadeque, para ajudá-los no trabalho de administração, e prontamente os receberão. No momento, Norlatiadeque, a vossa própria constelação, está sendo administrada por doze Filhos Vorondadeques.
35:7.1 (391.4) O segundo grupo de sete mundos no circuito das setenta esferas primárias em volta de Sálvington, compreende os planetas Vorondadeques. Cada uma dessas esferas, com os seus seis satélites circundantes, dedica-se a uma fase especial das atividades dos Vorondadeques. Nesses quarenta e nove reinos, os mortais ascendentes atingem o apogeu da sua educação sobre a legislação do universo.
35:7.2 (391.5) Os mortais ascendentes têm observado como funcionam as assembléias legislativas nos mundos sedes-centrais das constelações; mas aqui, nesses mundos Vorondadeques, eles participam do estabelecimento promulgado, da legislação efetiva geral do universo local, sob a tutela dos Vorondadeques mais experientes. Esses estabelecimentos estão destinados a coordenar os vários pronunciamentos das assembléias legislativas autônomas das cem constelações. A instrução que se recebe nas escolas Vorondadeques não é ultrapassada nem mesmo em Uversa. Tal aperfeiçoamento é progressivo, estendendo-se desde a primeira esfera, com trabalhos suplementares nos seus seis satélites, até as seis esferas primárias remanescentes e seus grupos de satélites filiados.
35:7.3 (391.6) Os peregrinos ascendentes entrarão em contato com inúmeras atividades novas nesses mundos de estudo e trabalhos práticos. Não somos proibidos de incumbir-nos da revelação dessas novas e inimagináveis buscas, mas não temos a esperança de sermos capazes de descrever tais empreendimentos para a mente material dos seres mortais. Não temos palavras para comunicar os significados dessas atividades supernas; e não há atividades humanas análogas para serem usadas como ilustrações dessas novas ocupações dos mortais ascendentes que fazem os seus estudos nesses quarenta e nove mundos. E muitas outras atividades, não integrantes do regime ascendente, estão centralizadas nesses mundos Vorondadeques do circuito de Sálvington.
35:8.1 (392.1) Após a criação dos Vorondadeques, o Filho Criador e o Espírito Materno do Universo unem-se no propósito de trazer à existência a terceira ordem de filiação do universo, a dos Lanonandeques. Ainda que ocupados com várias das tarefas ligadas às administrações dos sistemas, esses Filhos são mais conhecidos como Soberanos dos Sistemas, governantes dos sistemas locais; e como Príncipes planetários, governantes da administração dos mundos habitados.
35:8.2 (392.2) Como a última e mais baixa ordem de filiação na criação — no que concerne ao seu nível divino — , foi exigido desses seres que passassem, nos mundos Melquisedeques, fazendo certos cursos de aperfeiçoamento de preparo para o serviço subseqüente. Sendo os primeiros estudantes na Universidade Melquisedeque, foram classificados e confirmados pelos seus mestres e examinadores Melquisedeques de acordo com a sua aptidão, personalidade e alcance das suas realizações.
35:8.3 (392.3) O universo de Nébadon começou a sua existência exatamente com doze milhões de Lanonandeques e, quando eles passaram pela esfera Melquisedeque, foram divididos, após os testes finais, em três classes:
35:8.4 (392.4) 1. A dos Lanonandeques Primários. Na categoria mais alta, ficaram 709 841 Filhos. Estes são os Filhos designados como Soberanos dos Sistemas e assistentes dos conselhos supremos das constelações, ou como conselheiros no trabalho administrativo mais elevado do universo.
35:8.5 (392.5) 2. A dos Lanonandeques Secundários. Desta ordem, saíram 10 234 601 da escola Melquisedeque. Foram designados como Príncipes Planetários e como reservas dessa ordem.
35:8.6 (392.6) 3. A dos Lanonandeques Terciários. Deste grupo, constaram 1 055 558 Filhos. Estes Filhos funcionam como assistentes subordinados, mensageiros, custódios, encarregados, observadores; e cumprem os deveres variados de um sistema e seus mundos componentes.
35:8.7 (392.7) Não é possível a esses Filhos, como o é para os seres evolucionários, progredir de um grupo para outro. Após haverem sido submetidos aos aperfeiçoamentos dos Melquisedeques e depois de testados e classificados, os Lanonandeques servem continuamente na categoria designada. E esses Filhos também não podem reproduzir-se; o seu número no universo é estacionário.
35:8.8 (392.8) Em números redondos, a ordem dos Filhos Lanonandeques é classificada em Sálvington da seguinte maneira:
35:8.9 (392.9) Coordenadores do Universo e Conselheiros da Constelação100 000
35:8.10 (392.10) Soberanos de Sistemas e Assistentes600 000
35:8.11 (392.11) Príncipes Planetários e Reservas10 000 000
35:8.12 (392.12) Corpo de Mensageiros400 000
35:8.13 (392.13) Custódios e Registradores100 000
35:8.14 (392.14) Corpo de Reserva800 000
35:8.15 (392.15) Como a ordem Lanonandeque é uma ordem de filiação um pouco mais baixa do que a Melquisedeque e a Vorondadeque, os Filhos Lanonandeques prestam um serviço maior nas unidades subordinadas do universo, pois são capazes de aproximar-se mais da criação inferior de raças inteligentes. Eles também correm grandes riscos de desviar-se, de sair da técnica aceitável de governo do universo. Todavia os Lanonandeques, especialmente os da ordem primária, são os mais capazes e versáteis de todos os administradores do universo local. Em habilidade executiva, eles podem ser superados apenas por Gabriel e seus colaboradores não revelados.
35:9.1 (393.1) Os Lanonandeques são os governantes permanentes dos planetas e soberanos rotativos dos sistemas. Um destes Filhos governa agora em Jerusém, a sede-central do vosso sistema local de mundos habitados.
35:9.2 (393.2) Os Soberanos dos Sistemas governam em comissões de dois ou três, na sede-central de cada sistema de mundos habitados. O Pai da Constelação nomeia um desses Lanonandeques como dirigente, a cada decamilênio. Algumas vezes, não é feita nenhuma mudança no comando do trio; sendo a questão inteiramente opcional para os governantes das constelações. Os governos dos sistemas não têm o seu pessoal substituído subitamente, a menos que ocorra alguma espécie de tragédia.
35:9.3 (393.3) Quando os Soberanos dos Sistemas ou os seus assistentes são revogados, os seus lugares são ocupados por uma seleção feita pelo conselho supremo, localizado na sede-central da constelação, dentre os da reserva daquela ordem; e, em Edêntia, esse grupo de reserva é maior do que a média indicada.
35:9.4 (393.4) Os conselhos supremos dos Lanonandeques estão estacionados nas várias esferas-sede das constelações. A esse corpo preside o Altíssimo colaborador sênior do Pai da Constelação, enquanto o colaborador júnior supervisiona as reservas da ordem secundária.
35:9.5 (393.5) Os Soberanos dos Sistemas fazem jus ao seu nome; eles são quase como soberanos nos assuntos locais dos mundos habitados. E agem de forma quase paternal ao dirigir os Príncipes Planetários, os Filhos Materiais e os espíritos ministradores. O domínio pessoal do soberano é praticamente completo. Esses governantes não são supervisionados pelos observadores da Trindade, provenientes do universo central. Constituem a divisão executiva do universo local e, enquanto custódios encarregados da promulgação dos mandados legislativos ou executivos que aplicam os veredictos judiciais, eles representam o único escalão, em toda a administração do universo, no qual a deslealdade pessoal para com a vontade do Filho Michael poderia, fácil e prontamente, instalar-se e afirmar-se.
35:9.6 (393.6) O nosso universo local tem sido desafortunado, pois mais de setecentos Filhos da ordem Lanonandeque rebelaram-se contra a direção do universo, precipitando, assim, a confusão em vários sistemas e em numerosos planetas. De todo esse número de fracassos, apenas três eram Soberanos de Sistemas; e praticamente todos esses Filhos pertenciam à segunda e terceira ordens, a dos Príncipes Planetários e Lanonandeques terciários.
35:9.7 (393.7) Desses filhos, o elevado número que caiu do alto da sua integridade não indica nenhuma falha na sua criação. Eles poderiam ter sido criados divinamente perfeitos, mas foram gerados de um modo tal que pudessem entender melhor as criaturas evolucionárias, de como vivem nos mundos do tempo e do espaço e, assim, aproximar-se mais delas.
35:9.8 (393.8) De todos os universos locais de Orvônton, exceção feita a Hênselon, foi o nosso universo o que perdeu o maior número dessa ordem de Filhos. Em Uversa, é do consenso geral pensar que tivemos tanta complicação administrativa assim, em Nébadon, porque os nossos Filhos da ordem Lanonandeque foram criados com um grau muito elevado na liberdade pessoal de escolher e planejar. E não faço essa observação como uma forma de crítica. O Criador do nosso universo tem plena autoridade e poder para fazer isso. A idéia sustentada pelos nossos altos governantes é a de que, ainda que os Filhos com um tal livre-arbítrio possam causar problemas excessivos em idades iniciais do universo, quando as coisas afinal estiverem completamente sob controle e finalmente estabelecidas, os ganhos vindos de uma lealdade mais elevada e um serviço mais voluntário, da parte desses Filhos profundamente testados, farão mais do que compensar a confusão e atribulações dos primeiros tempos.
35:9.9 (394.1) Em caso de rebelião na sede-central de um sistema, um novo soberano é colocado, geralmente, em um espaço de tempo relativamente curto, mas não é assim nos planetas individuais. Eles são as unidades componentes da criação material, e o livre-arbítrio da criatura é um fator para o julgamento final de todos esses problemas. Os Príncipes Planetários sucessores são designados para os mundos isolados, os planetas cujos príncipes possam haver-se desviado em autoridade; mas eles não assumem o governo ativo de tais mundos até que os resultados da insurreição sejam parcialmente superados e removidos, pelas medidas reparadoras adotadas pelos Melquisedeques e outras personalidades ministrantes. A rebelião, da parte de um Príncipe Planetário, instantaneamente isola o seu planeta; os circuitos espirituais locais são imediatamente cortados. Apenas um Filho de auto-outorga pode restabelecer as linhas interplanetárias de comunicação com um mundo assim espiritualmente isolado.
35:9.10 (394.2) Existe um plano para salvar esses Filhos Lanonandeques indóceis e pouco sábios; e muitos já se valeram desse aprovisionamento de misericórdia; todavia, nunca mais poderão de novo funcionar nas posições em que falharam. Após a reabilitação, são designados para tarefas de custódia e os departamentos da administração física.
35:10.1 (394.3) O terceiro grupo de sete mundos do circuito dos setenta planetas de Sálvington, com os seus respectivos quarenta e dois satélites, constitui o grupo Lanonandeque de esferas administrativas. Nesses reinos, os Lanonandeques experientes, do corpo de ex-Soberanos de Sistemas, oficiam como mestres administradores dos peregrinos ascendentes e das hostes seráficas. Os mortais evolucionários observam os administradores dos sistemas, trabalhando nas capitais dos sistemas, mas ali eles participam da coordenação factual dos pronunciamentos administrativos dos dez mil sistemas locais.
35:10.2 (394.4) Essas escolas administrativas do universo local são supervisionadas por um corpo de Filhos Lanonandeques, formado pelos que têm longa experiência como Soberanos de sistemas e conselheiros de constelações. Esses colégios executivos são superados apenas pelas escolas administrativas de Ensa.
35:10.3 (394.5) Ao mesmo tempo em que servem de esferas de aperfeiçoamento para os mortais ascendentes, os mundos Lanonandeques são os centros de empreendimentos extensivos que têm a ver com operações normais de rotina do universo. No caminho interno até o Paraíso, os peregrinos ascendentes prosseguem nos seus estudos, nas escolas práticas de conhecimento aplicado — o treino factual de realmente fazer as coisas que lhes estão sendo ensinadas. O sistema educacional do universo promovido pelos Melquisedeques é prático, progressivo, significativo e experimental. E abrange aperfeiçoamento com as coisas materiais, intelectuais, moronciais e espirituais.
35:10.4 (394.6) Vinculados a essas esferas administrativas dos Lanonandeques é que os Filhos redimidos dessa ordem, na sua maioria, servem como custódios e diretores de assuntos planetários. E esses Príncipes Planetários faltosos e os que se associaram a eles, em rebelião, e que escolheram aceitar a reabilitação proposta, continuarão a servir nessas funções de rotina, pelo menos até que o universo de Nébadon esteja estabelecido em luz e vida.
35:10.5 (395.1) Muitos dos Filhos Lanonandeques, nos sistemas mais antigos, contudo, têm estabelecido registros magníficos de serviço, administração e realização espiritual. Eles são um grupo nobre, fiel e leal; não obstante a sua tendência de cair no erro dos sofismas da liberdade pessoal e ficções de autodeterminação.
35:10.6 (395.2) [Auspiciado por um Comandante de Arcanjos, atuando por autoridade de Gabriel de Sálvington.]
O Livro de Urântia
Documento 36
36:0.1 (396.1) A VIDA não se origina espontaneamente. A vida é gerada de acordo com os planos formulados pelos Arquitetos do Ser (não revelados) e surge nos planetas habitados, por importação direta, ou em conseqüência das operações dos Portadores da Vida dos universos locais. Esses seres que portam a vida estão entre as mais interessantes e versáteis das diversas famílias de Filhos do universo. Estão encarregados de elaborar a vida para as criaturas e levá-la às esferas planetárias. E depois de implantar a vida nesses novos mundos, permanecem neles, por períodos longos, para fomentar o seu desenvolvimento.
36:1.1 (396.2) Embora os Portadores da Vida pertençam à família de filiação divina, eles são um tipo peculiar e diferente de Filhos do universo, sendo o único grupo de vida inteligente, em um universo local, na criação dos quais participam os governantes do superuniverso. Os Portadores da Vida são a progênie de três personalidades preexistentes: o Filho Criador, o Espírito Materno do Universo e, por designação, um dos três Anciães dos Dias que presidem aos destinos do superuniverso envolvido. Esses Anciães dos Dias são os únicos que podem decretar a extinção da vida inteligente; e participam da criação dos Portadores da Vida, aos quais é confiado o estabelecimento da vida física nos mundos em evolução.
36:1.2 (396.3) No universo de Nébadon, há o registro da criação de uma centena de milhões de Portadores da Vida. Esse eficiente corpo de disseminadores da vida não é um grupo que de fato se autogoverna. Eles são dirigidos pelo trio determinador da vida, que consiste em Gabriel, o Pai Melquisedeque e Nâmbia, o Portador da Vida original e primogênito de Nébadon. Em todas as fases da sua administração divisional, contudo, eles se autogovernam.
36:1.3 (396.4) Os Portadores da Vida estão classificados segundo a sua graduação em três grandes divisões. A primeira divisão sendo a dos Portadores da Vida mais experientes; a segunda, a dos assistentes; e a terceira, a dos custódios. A primeira divisão é subdividida em doze grupos de especialistas nas várias formas de manifestação da vida. Essa separação em três divisões foi efetivada pelos Melquisedeques, que conduziram os testes, com esses propósitos, nas esferas-sede dos Portadores da Vida. Os Melquisedeques, desde então, têm estado intimamente associados aos Portadores da Vida e sempre os acompanham quando estes saem para estabelecer a vida em um planeta novo.
36:1.4 (396.5) Quando um planeta evolucionário é finalmente estabelecido em luz e vida, os Portadores da Vida são organizados em corpos deliberativos mais elevados, com a função de aconselhamento, para ajudar na futura administração e desenvolvimento do mundo e dos seus seres glorificados. Nas idades posteriores e estabelecidas de um universo em evolução, muitos deveres novos são confiados a esses Portadores da Vida.
36:2.1 (397.1) Os Melquisedeques mantêm a supervisão geral do quarto grupo das sete esferas primárias do circuito de Sálvington. Esses mundos dos Portadores da Vida são designados do modo seguinte:
36:2.2 (397.2) 1. A sede-central dos Portadores da Vida.
36:2.3 (397.3) 2. A esfera do planejamento da vida.
36:2.4 (397.4) 3. A esfera da conservação da vida.
36:2.5 (397.5) 4. A esfera da evolução da vida.
36:2.6 (397.6) 5. A esfera da vida ligada à mente.
36:2.7 (397.7) 6. A esfera da mente e do espírito nos seres vivos.
36:2.8 (397.8) 7. A esfera da vida não revelada.
36:2.9 (397.9) Cada uma dessas esferas primárias é cercada por seis satélites, nos quais estão centradas as fases especiais de todas as atividades dos Portadores da Vida no universo.
36:2.10 (397.10) O Mundo Número Um é a esfera-sede que, junto com os seus seis satélites tributários, é devotada ao estudo da vida universal, a vida em todas as fases conhecidas de manifestação. Ali está localizado o colégio do planejamento da vida, onde funcionam os mestres e conselheiros de Uversa e Havona, e mesmo do Paraíso. É-me permitido revelar que os sete posicionamentos centrais dos espíritos ajudantes da mente situam-se nesse mundo dos Portadores da Vida.
36:2.11 (397.11) O número dez — o sistema decimal — é inerente ao universo físico, mas não ao espiritual. O domínio da vida é caracterizado pelo três, o sete e o doze, ou pelos múltiplos e combinações desses números básicos. Há três planos primordiais de vida, essencialmente diferentes, segundo a ordem das três Fontes e Centros do Paraíso, e, no universo de Nébadon, essas três formas básicas de vida estão separadas em três tipos diferentes de planetas. Havia, originalmente, doze conceitos distintos e divinos de vida transmissível. Esse número doze, com as suas subdivisões e múltiplos, perfaz todos os modelos básicos de vida, em todos os sete superuniversos. Há também sete tipos arquitetônicos de projetos de vida, arranjos fundamentais das configurações de reprodução da matéria viva. Os modelos de vida de Orvônton são configurados por doze portadores de hereditariedade. As ordens diferentes de criaturas de vontade estão configuradas segundo os números 12, 24, 48, 96, 192, 384, e 768. Em Urântia, há quarenta e oito unidades de controle de modelos — determinadores das características — nas células sexuais da reprodução humana.
36:2.12 (397.12) O Mundo Número Dois é a esfera de projetos da vida; nele todos os novos modos de organização da vida são elaborados. Se bem que os projetos originais de vida sejam providos pelo Filho Criador, o desenvolvimento efetivo desses planos é confiado aos Portadores da Vida e seus colaboradores. Após serem formulados os planos gerais da vida, para um novo mundo, são transmitidos às esferas-sede, onde são minuciosamente estudados pelo conselho supremo dos Portadores da Vida mais experientes, em colaboração com um corpo de Melquisedeques consultores. Ainda que os planos partam de fórmulas previamente aceitas, é necessário que sejam passados ao Filho Criador e sejam endossados por ele. O dirigente dos Melquisedeques, freqüentemente, representa o Filho Criador nessas deliberações.
36:2.13 (397.13) As vidas planetárias, portanto, ainda que semelhantes, sob alguns pontos de vista, são diferentes de várias maneiras em cada mundo evolucionário. Mesmo em uma série uniforme de vida, em uma única família de mundos, a vida não é exatamente a mesma em dois planetas quaisquer; há sempre um tipo planetário, pois os Portadores da Vida trabalham constantemente em um esforço de aperfeiçoar as fórmulas vitais que são confiadas à sua guarda.
36:2.14 (398.1) Há mais de um milhão de fórmulas químicas fundamentais, ou cósmicas, que constituem os modelos parentais e as inúmeras variações funcionais básicas das manifestações de vida. O satélite de número um da esfera de planejamento da vida é o reino dos físicos e eletroquímicos do universo, que servem como assistentes técnicos dos Portadores da Vida, no trabalho de captar, organizar e manipular as unidades essenciais de energia empregadas na elaboração dos veículos materiais para a transmissão da vida, o chamado plasma germinador.
36:2.15 (398.2) Os laboratórios planetários de planejamento da vida estão situados no segundo satélite desse mundo, o de número dois. Nesses laboratórios, os Portadores da Vida, e todos os seus parceiros, colaboram com os Melquisedeques no esforço de modificar e possivelmente aperfeiçoar a vida projetada, para a implantação nos planetas decimais de Nébadon. A vida, que agora evolui em Urântia, foi planejada e parcialmente elaborada nesse mesmo mundo, pois Urântia é um planeta decimal, um mundo experimental de vida. Num mundo, em cada dez, é permitida uma variação maior, em relação ao projeto modelo de vida, do que nos outros mundos (os não experimentais).
36:2.16 (398.3) O Mundo Número Três é devotado à conservação da vida. Nele, vários modos de proteção e preservação da vida são estudados e desenvolvidos pelos assistentes e custódios do corpo dos Portadores da Vida. Os planos de vida, para cada mundo novo, sempre providenciam o estabelecimento, logo de início, da comissão de conservação da vida, que consiste em custódios especialistas na manipulação especializada dos modelos básicos da vida. Em Urântia, vinte e quatro desses custódios ficaram encarregados de missões, dois para cada modelo fundamental ou parental da organização arquitetônica do material da vida. Em planetas como o vosso, a forma de vida mais elevada é reproduzida por um feixe portador de vida que possui vinte e quatro unidades modelo. (E posto que a vida intelectual se desenvolve a partir dos fundamentos da vida física, e neles baseia-se, assim, vêm à existência as vinte e quatro ordens básicas de organização psíquica.)
36:2.17 (398.4) A Esfera Número Quatro e os seus satélites tributários devotam-se ao estudo da evolução da vida da criatura, em geral, e aos antecedentes evolucionários de qualquer nível de vida em particular. O plasma original da vida de um mundo evolucionário deve conter o potencial pleno para todas as variações futuras de desenvolvimento e para todas as modificações e mudanças evolucionárias subseqüentes. O aprovisionamento para esses projetos de metamorfose da vida, em longo alcance, pode requerer o surgimento de muitas formas, aparentemente inúteis, de vida animal e vegetal. Esses subprodutos da evolução planetária, previstos ou imprevistos, surgem em um estágio de ação para apenas desaparecer; pois, no decorrer e ao longo de todo esse extenso processo, tem continuidade a trama da formulação sábia e inteligente dos elaboradores originais do plano da vida planetária e do esquema das espécies. Os múltiplos subprodutos da evolução biológica são todos essenciais à função plena e final das formas de vida de inteligência mais elevada, não obstante possa prevalecer, temporariamente, uma grande desarmonia exterior na longa luta de ascensão das criaturas mais elevadas para adquirir o predomínio de mestria sobre as formas inferiores de vida; e muitas destas são, algumas vezes, opostas à paz e ao conforto das criaturas em evolução dotadas de vontade.
36:2.18 (398.5) O Mundo Número Cinco ocupa-se totalmente com a vida associada à mente. Cada um dos seus satélites é devotado ao estudo de uma única fase da mente da criatura, correlacionada com a vida da criatura. A mente, tal como a compreende o homem, é uma dotação dos sete espíritos ajudantes da mente, sobreposta aos níveis não-ensináveis ou mecânicos da mente, feita pelas agências do Espírito Infinito. Os modelos de vida reagem de formas variáveis a esses ajudantes e às diferentes ministrações espirituais que operam em todos os universos do tempo e do espaço. A capacidade das criaturas materiais de reagir espiritualmente depende por completo da dotação associada de mente, a qual, por sua vez, orientou o curso da evolução biológica dessas mesmas criaturas mortais.
36:2.19 (399.1) O Mundo de Número Seis dedica-se à correlação da mente com o espírito, do modo como eles encontram-se associados às formas vivas e aos organismos. Esse mundo e os seus seis satélites tributários abrangem as escolas de coordenação das criaturas, nas quais os mestres, tanto do universo central quanto do superuniverso, colaboram com os instrutores de Nébadon para que fiquem manifestos na criatura, no tempo e no espaço, os níveis mais elevados de alcance.
36:2.20 (399.2) A Sétima Esfera dos Portadores da Vida dedica-se aos domínios não revelados da vida da criatura evolucionária, no que ela se relaciona à filosofia cósmica de factualização expansiva do Ser Supremo.
36:3.1 (399.3) A vida não aparece espontaneamente nos universos; os Portadores da Vida devem iniciá-la nos planetas até então estéreis. Eles são portadores, disseminadores e guardiães da vida tal como ela surge nos mundos evolucionários do espaço. Toda a vida das ordens e formas conhecidas em Urântia surge com esses Filhos, se bem que nem todas as formas de vida planetária existam em Urântia.
36:3.2 (399.4) O corpo de Portadores da Vida, designado para implantar a vida em um novo mundo, consiste, usualmente, em uma centena de portadores mais experientes, com cem assistentes e mil custódios. Os Portadores da Vida freqüentemente levam o plasma real da vida para um novo mundo, mas nem sempre. Algumas vezes, organizam os modelos de vida apenas depois de chegarem ao planeta de designação, de acordo com fórmulas previamente aprovadas para uma nova aventura de estabelecimento da vida. A origem da vida planetária de Urântia foi essa e aconteceu desse modo.
36:3.3 (399.5) Uma vez providos os modelos físicos, de acordo com as fórmulas aprovadas, então, os Portadores da Vida catalisam esse material sem vida, comunicando-lhe, por meio das suas pessoas, a centelha da vida do espírito; e daí em diante o modelo inerte torna-se matéria viva.
36:3.4 (399.6) A centelha vital — o mistério da vida — é conferida por intermédio dos Portadores da Vida, não por eles. Na verdade, eles supervisionam essas operações, formulando o próprio plasma da vida; mas é o Espírito Materno do Universo que provê o fator essencial do plasma da vida. Da Filha Criativa do Espírito Infinito vem aquela centelha de energia que anima o corpo e que é o presságio da mente.
36:3.5 (399.7) Na outorga da vida, os seus Portadores não transmitem nada das suas naturezas pessoais, nem mesmo nas esferas em que novas ordens de vida são projetadas. Nessas ocasiões, eles simplesmente iniciam e transmitem a centelha da vida, dão início às revoluções necessárias à matéria, de acordo com as especificações físicas, químicas e elétricas dos planos e modelos determinados. Os Portadores da Vida são presenças vivas catalíticas que agitam, organizam e vitalizam os elementos até então inertes da ordem material de existência.
36:3.6 (400.1) Aos Portadores da Vida de um corpo planetário é dado um certo período, para estabelecerem a vida em um mundo novo, de aproximadamente meio milhão de anos do tempo daquele planeta. Ao final desse período, indicado por um certo alcance no desenvolvimento da vida planetária, eles cessam os esforços de implantação e nada podem acrescentar de novo ou suplementar, subseqüentemente, à vida daquele planeta.
36:3.7 (400.2) Durante as idades que se interpõem entre o estabelecimento da vida e o surgimento das criaturas humanas de status moral, aos Portadores da Vida é permitido manipular o ambiente da vida e, de outras maneiras, direcionar favoravelmente o curso da evolução biológica. E eles fazem isso durante longos períodos de tempo.
36:3.8 (400.3) Uma vez que os Portadores da Vida, que operam em um mundo novo, hajam obtido êxito na produção de um ser com vontade, dotado dos poderes de decisão moral e escolha espiritual, então, nesse ponto, a sua tarefa termina — eles completaram a sua obra e não podem mais manipular a evolução da vida. Desse ponto em diante, a evolução das coisas vivas deve continuar de acordo com o dom da natureza inerente e tendências que hajam sido já conferidas a elas e estabelecidas nas fórmulas e modelos da vida planetária. Aos Portadores da Vida não é permitido experimentar ou interferir na vontade; a eles não é possível nem permitido dominar ou arbitrariamente influenciar as criaturas morais.
36:3.9 (400.4) Com a chegada de um Príncipe Planetário, eles preparam-se para partir, embora dois dos portadores mais experientes e doze custódios possam apresentar-se como voluntários, fazendo votos de renúncia temporária, a fim de permanecerem indefinidamente no planeta como conselheiros para as questões do desenvolvimento posterior e a conservação do plasma da vida. Dois desses Filhos e seus doze colaboradores estão agora servindo em Urântia.
36:4.1 (400.5) Em cada sistema local de mundos habitados em Nébadon, há uma única esfera na qual os Melquisedeques têm funcionado como portadores da vida. Essas moradas são conhecidas como os mundos midsonitas do sistema, e, em cada um desses mundos, um Filho Melquisedeque, materialmente modificado, acasalou-se com uma Filha escolhida da ordem material de filiação. As Mães-Evas desses mundos midsonitas são enviadas do centro-sede do sistema da jurisdição, tendo sido escolhidas pelo portador da vida Melquisedeque designado, dentre as inúmeras voluntárias que responderam ao chamado do Soberano do Sistema dirigido às Filhas Materiais da sua esfera.
36:4.2 (400.6) A progênie de um portador Melquisedeque da vida e de uma Filha Material é conhecida como midsonita. O Pai Melquisedeque dessa raça de criaturas supernas finalmente deixa o planeta da sua função única de vida, e a Mãe-Eva dessa ordem especial de seres do universo também parte, quando do aparecimento da sétima geração da sua progênie planetária. A direção desse mundo então é passada ao seu filho mais velho.
36:4.3 (400.7) As criaturas midsonitas vivem e funcionam como seres reprodutores nos seus magníficos mundos até que cheguem aos mil anos-padrão; quando então são transladadas por transporte seráfico. Os midsonitas são seres que não se reproduzem mais, daí em diante, porque a técnica de desmaterialização, pela qual eles passam na sua preparação para enserafinar-se, priva-os para sempre das prerrogativas de reprodução.
36:4.4 (400.8) O status atual desses seres dificilmente pode ser qualificado seja como mortal ou imortal; e também não podem ser definitivamente classificados como humanos, nem como divinos. Essas criaturas não são resididas por Ajustadores e, portanto, dificilmente seriam imortais. Mas elas também não parecem ser mortais; nenhum midsonita alguma vez experienciou a morte. Todos os midsonitas nascidos em Nébadon até hoje estão vivos, funcionando nos seus mundos de nascimento, em alguma esfera intermediária ou na esfera midsonita de Sálvington, nos grupos de mundos dos finalitores.
36:4.5 (401.1) Os Mundos dos Finalitores de Sálvington. Os portadores Melquisedeques da vida, bem como as Mães-Evas agregadas a eles, partem das esferas midsonitas do sistema em direção aos mundos dos finalitores do circuito de Sálvington, onde a sua progênie também está destinada a se reunir.
36:4.6 (401.2) Com relação a isso, deve ser explicado que o quinto grupo dos sete mundos primários, nos circuitos de Sálvington, são os mundos dos finalitores de Nébadon. Os filhos dos portadores Melquisedeques da vida e das Filhas Materiais estão domiciliados no sétimo mundo dos finalitores, a esfera midsonita de Sálvington.
36:4.7 (401.3) Os satélites dos sete mundos primários dos finalitores são o ponto de encontro das personalidades do superuniverso e do universo central, e podem estar cumprindo missões em Nébadon. Embora os mortais ascendentes transitem livremente em todos os mundos culturais e esferas de aperfeiçoamento dos 490 mundos que compreendem a Universidade Melquisedeque, há certas escolas especiais e inúmeras zonas de restrição nas quais não têm permissão de entrar. Isto é verdadeiro especialmente com relação às quarenta e nove esferas sob a jurisdição dos finalitores.
36:4.8 (401.4) O propósito das criaturas midsonitas não é ainda conhecido até este momento; aparentemente, todavia, essas personalidades estão-se reunindo no sétimo mundo dos finalitores em preparação para alguma eventualidade futura na evolução do universo. As nossas indagações a respeito das raças midsonitas são sempre dirigidas aos finalitores; estes porém, continuadamente, recusam-se a discutir o destino dos seus pupilos. Independentemente da nossa incerteza quanto ao futuro dos midsonitas, sabemos que todos os universos locais de Orvônton abrigam um corpo, em acumulação crescente, desses seres misteriosos. É crença dos portadores Melquisedeques da vida que os seus filhos midsonitas algum dia serão dotados, por Deus, o Último, com o espírito transcendental e eterno da absonitude.
36:5.1 (401.5) A presença dos sete espíritos ajudantes da mente, nos mundos primitivos, é o que condiciona o curso da evolução orgânica; isso explica por que a evolução é proposital e não acidental. Estes ajudantes representam a função de ministração da mente, feita pelo Espírito Infinito, que se estende às ordens mais baixas de vida inteligente por meio da função operante do Espírito Materno de um Universo local. Estes ajudantes são progênie do Espírito Materno do Universo e constituem a sua ministração pessoal às mentes materiais dos reinos. Quaisquer sejam o local e o tempo em que tais mentes se manifestem, ali, esses espíritos estarão funcionando de modos diversos.
36:5.2 (401.6) Os sete espíritos ajudantes da mente são chamados por nomes equivalentes às designações seguintes: intuição, compreensão, coragem, conhecimento, conselho, adoração e sabedoria. Esses espíritos-mente fazem sentir a sua influência em todos os mundos habitados na forma de impulsos diferenciais, cada um buscando a capacidade de receptividade para a sua manifestação em graus distintos e independentemente daquilo que os outros seis espíritos possam encontrar em termos de receptividade e oportunidade de atuação.
36:5.3 (401.7) As posições centrais dos espíritos ajudantes, nos mundos-sede dos Portadores da Vida, indicam aos seus supervisores a extensão, o alcance e a qualidade da função da mente a ser adotada por tais ajudantes, em qualquer mundo e em qualquer organismo vivo de status intelectual. Essas colocações de mente-vida são indicadoras perfeitas da função da mente viva, para os primeiros cinco ajudantes. Todavia, com respeito ao sexto e ao sétimo espíritos ajudantes — o da adoração e o da sabedoria — , essas posições centrais registram apenas uma função qualitativa. As atividades quantitativas dos ajudantes da adoração e da sabedoria ficam registradas na presença imediata da Ministra Divina em Sálvington, sendo uma experiência pessoal do Espírito Materno do Universo.
36:5.4 (402.1) Os sete espíritos ajudantes da mente sempre acompanham os Portadores da Vida a um novo planeta, mas não devem ser encarados como entidades; eles são mais semelhantes a circuitos. Os espíritos desses sete ajudantes do universo não funcionam como personalidades separadas da presença da Ministra Divina no universo; são, de fato, um nível de consciência da Ministra Divina; permanecendo sempre subordinados à ação e à presença da sua mãe criativa.
36:5.5 (402.2) Faltam-nos as palavras adequadas para melhor definir esses sete espíritos ajudantes da mente. Eles ministram aos níveis mais baixos da mente experiencial e podem ser descritos, na seqüência das realizações evolucionárias, do modo seguinte:
36:5.6 (402.3) 1. O espírito da intuição — a percepção rápida, os instintos físicos primitivos e reflexos inerentes; o dom da direção e outros dons autopreservadores ativos de todas as criações possuidoras de mente; o único dos ajudantes a funcionar tão amplamente nas ordens mais baixas da vida animal e o único a fazer um contato funcional amplo com os níveis não-ensináveis da mente mecânica.
36:5.7 (402.4) 2. O espírito da compreensão — o impulso da coordenação, a associação de idéias espontânea e aparentemente automática. Essa é a dádiva da coordenação do conhecimento adquirido, o fenômeno do raciocínio rápido, do julgamento rápido e decisão pronta.
36:5.8 (402.5) 3. O espírito da coragem — o dom da fidelidade — nos seres pessoais, a base da aquisição do caráter e raiz intelectual da fibra moral e da bravura espiritual. Quando iluminado pelos fatos e inspirado pela verdade, torna-se o segredo do impulso de ascensão evolucionária pelos canais do autodirecionamento inteligente e consciente.
36:5.9 (402.6) 4. O espírito do conhecimento — a curiosidade — a mãe da aventura e da descoberta, o espírito científico; o guia e colaborador fiel dos espíritos da coragem e do conselho; o impulso de direcionar os dons da coragem para os caminhos úteis e progressivos de crescimento.
36:5.10 (402.7) 5. O espírito do conselho — o impulso social, o dom da cooperação com a espécie; a capacidade das criaturas volitivas de se harmonizar com os seus companheiros; a origem do instinto gregário entre as criaturas inferiores.
36:5.11 (402.8) 6. O espírito da adoração — o impulso religioso, o primeiro anseio diferencial a separar as criaturas dotadas de mente em duas classes básicas de existência mortal. O espírito da adoração distingue para sempre o animal, ao qual está associado, das criaturas sem alma, no entanto com dotação mental. A adoração é a insígnia da candidatura à ascensão espiritual.
36:5.12 (402.9) 7. O espírito da sabedoria — a tendência inerente de todas as criaturas morais para o avanço evolucionário ordenado e progressivo. Este é o mais elevado dos ajudantes, o espírito coordenador e articulador do trabalho de todos os outros. Este espírito é o segredo daquele impulso inato das criaturas de mente, o qual inicia e mantém o programa prático efetivo da escala ascendente da existência; aquela dádiva das coisas vivas que responde pela sua capacidade inexplicável de sobreviver e, na sobrevivência, de utilizar-se da coordenação em toda a sua experiência passada e oportunidades presentes para a conquista da totalidade, em tudo o que todos os outros seis ministros mentais possam mobilizar na mente do organismo em questão. A sabedoria é o apogeu da atuação intelectual. A sabedoria é a meta de uma existência puramente mental e moral.
36:5.13 (403.1) Os espíritos ajudantes da mente crescem por meio da experiência, no entanto nunca se tornam pessoais. Eles evoluem em função; e as funções dos cinco primeiros, atuando nas ordens animais, em uma certa medida, se fazem essenciais para que todos sete funcionem no intelecto humano. Essa relação com os animais faz com que os ajudantes passem a ser mais eficazes na sua prática junto à mente humana; assim é que os animais tornam-se, de uma certa forma, indispensáveis à evolução intelectual do homem, bem como à sua evolução física.
36:5.14 (403.2) Esses ajudantes da mente de um Espírito Materno do universo local estão relacionados à vida da criatura com status de inteligência, de uma maneira análoga à ligação que os centros de potência e os controladores físicos têm com as forças não viventes do universo. Prestam um serviço inestimável aos circuitos da mente nos mundos habitados e são colaboradores eficazes dos Mestres Controladores Físicos, os quais também servem como controladores e diretores dos níveis pré-ajudantes da mente, níveis mentais estes que são não-ensináveis ou mecânicos.
36:5.15 (403.3) A mente viva, antes do aparecimento da capacidade de aprender pela experiência, é domínio da ministração dos Mestres Controladores Físicos. A mente da criatura, antes de adquirir a capacidade de reconhecer a divindade e de adorar a Deidade, é domínio exclusivo dos espíritos ajudantes. Com o surgimento da sensibilidade espiritual, no intelecto da criatura, tais mentes criadas tornam-se imediatamente supramentais, sendo incorporadas instantaneamente ao circuito dos ciclos espirituais do Espírito Materno do universo local.
36:5.16 (403.4) Os espíritos ajudantes da mente não estão relacionados, de nenhum modo, diretamente à função diversificada, e altamente espiritual, do espírito da presença pessoal da Ministra Divina, o Espírito Santo, nos mundos habitados; contudo, são eles os antecedentes funcionais e preparatórios para o surgimento e a atuação do Espírito Santo, sobre o homem evolucionário. Os ajudantes proporcionam ao Espírito Materno do Universo um contato variado com as criaturas materiais viventes de um universo local e um controle sobre elas; contudo, quando atuam nos níveis da pré-personalidade, atuam sem repercussão no Ser Supremo.
36:5.17 (403.5) A mente não-espiritual ou é uma manifestação da energia do espírito ou um fenômeno de energia física. Mesmo a mente humana, a mente pessoal, não tem qualidades de sobrevivência fora da identificação com o espírito. A mente é uma outorga da divindade, mas não é imortal quando funciona sem o discernimento espiritual interno e quando é desprovida da capacidade de adorar e aspirar à sobrevivência.
36:6.1 (403.6) A vida é tanto mecânica quanto vital — material e espiritualmente. Os físicos e os químicos de Urântia progredirão constantemente no seu entendimento das formas protoplasmáticas da vida vegetal e animal, sem no entanto jamais se tornarem capazes de produzir organismos vivos. A vida é algo diferente de todas as manifestações de energia; mesmo a vida material das criaturas físicas não é inerente à matéria.
36:6.2 (403.7) As coisas materiais podem desfrutar de uma existência independente, mas a vida brota apenas da vida. A mente só pode ser derivada da mente preexistente. O espírito tem origem apenas em ancestrais espirituais. A criatura pode produzir as formas da vida, mas só uma personalidade criadora ou uma força criativa podem proporcionar a centelha ativadora da vida.
36:6.3 (404.1) Os Portadores da Vida podem organizar as formas materiais, ou os modelos arquetípicos físicos para os seres vivos, mas o Espírito provê a centelha inicial da vida e outorga o dom da mente. Mesmo as formas vivas da vida experimental, que os Portadores da Vida organizam, nos seus mundos em Sálvington, são sempre desprovidas de poderes de reprodução. Quando as fórmulas da vida e os modelos vitais estão corretamente reunidos e organizados adequadamente a presença de um Portador da Vida é suficiente para iniciar a vida; no entanto todos esses organismos vivos carecem de dois atributos essenciais — dom da mente e poderes da reprodução. A mente animal e a mente humana são dádivas do Espírito Materno do universo local, funcionando por meio dos sete espíritos ajudantes da mente; ao passo que a capacidade que a criatura tem de reproduzir é uma dádiva, pessoal e específica, do Espírito do Universo, ao plasma ancestral da vida inaugurado pelos Portadores da Vida.
36:6.4 (404.2) Uma vez que os Portadores da Vida hajam elaborado os modelos da vida, após haverem organizado os sistemas de energia, deve ocorrer um fenômeno complementar: o “sopro da vida”, que deve ser passado a essas formas sem vida. Os Filhos de Deus podem construir as formas da vida, mas é o Espírito de Deus que realmente contribui com a centelha vital. E quando a vida assim transmitida é consumida, então de novo o corpo material remanescente torna-se matéria morta. Quando a vida outorgada se exaure, o corpo retorna para o seio do universo material, do qual foi tomado emprestado pelos Portadores da Vida, para servir como um veículo transitório àquela dotação de vida a qual haviam transmitido a tal associação visível de matéria-energia.
36:6.5 (404.3) A vida conferida às plantas e animais, pelos Portadores da Vida, não retorna para os Portadores da Vida, quando da morte da planta ou animal. A vida que abandona uma coisa viva não possui nem identidade, nem personalidade; ela não sobrevive individualmente à morte. Durante a sua existência, e no tempo da sua permanência no corpo de matéria, ela passou por uma mudança; ela passou por uma evolução de energia e sobrevive apenas como uma parte das forças cósmicas do universo; não sobrevive como vida individual. A sobrevivência das criaturas mortais é totalmente baseada na evolução de uma alma imortal dentro da mente mortal.
36:6.6 (404.4) Falamos da vida como “energia” e como “força”, mas realmente ela não é nem uma nem a outra. A energia-força é sensível de modo variável à gravidade; a vida não o é. O modelo original também não é sensível à gravidade, sendo uma configuração de energias que já perfez ou cumpriu todas suas obrigações de resposta à gravidade. A vida, como tal, constitui a animação de um sistema de energias — material, mental ou espiritual — segundo algum modelo arquetípico configurado ou selecionado.
36:6.7 (404.5) Algumas coisas há, ligadas à elaboração da vida nos planetas evolucionários, que não estão de todo claras para nós. Compreendemos plenamente a organização física das fórmulas eletroquímicas dos Portadores da Vida, mas não compreendemos totalmente a natureza e a fonte da centelha de ativação da vida. Sabemos que a vida flui do Pai, através do Filho e pelo Espírito. É mais do que possível que os Espíritos Mestres sejam o canal sétuplo do rio da vida vertido sobre toda a criação. Porém, não compreendemos a técnica pela qual o Espírito Mestre supervisor participa do episódio inicial de outorga da vida em um planeta novo. Acreditamos que os Anciães dos Dias também possuam algum papel na inauguração da vida em um novo mundo, mas somos totalmente ignorantes sobre a natureza desse papel. Sabemos que o Espírito Materno do Universo, de fato, vitaliza os modelos sem vida e concede a esses plasmas ativados as prerrogativas da reprodução dos organismos. Observamos que três são os níveis de Deus, o Sétuplo, algumas vezes designados como os Criadores Supremos do tempo e do espaço; mas, afora isso, sabemos pouco mais do que os mortais de Urântia — simplesmente que a concepção é inerente ao Pai; a expressão, ao Filho; e a realização da vida, ao Espírito.
36:6.8 (405.1) [Ditado por um Filho Vorondadeque estacionado em Urântia, como observador; e funcionando como tal a pedido do Dirigente Melquisedeque do Corpo de Supervisão da Revelação.]
O Livro de Urântia
Documento 37
37:0.1 (406.1) À FRENTE de todas as personalidades de Nébadon, está o Filho Criador e Mestre, Michael, pai e soberano do universo. Coordenada em divindade, e complementar pelos seus atributos criativos, está a Ministra Divina de Sálvington, o Espírito Materno do universo local. E esses criadores são, em um sentido muito literal, o Pai-Filho e a Mãe-Espírito de todas as criaturas nativas de Nébadon.
37:0.2 (406.2) Os documentos precedentes trataram das ordens criadas de filiação; as narrativas seguintes retratarão os espíritos ministrantes e as ordens ascendentes de filiação. O presente documento ocupa-se, principalmente, de um grupo intermediário, o dos Ajudantes do Universo, mas também faz uma breve consideração sobre alguns dentre os espíritos mais elevados que permanecem em Nébadon e algumas das ordens de cidadania permanente no universo local.
37:1.1 (406.3) Muitas, dentre as ordens singulares, geralmente agrupadas nessa categoria, não são reveladas, mas, os Ajudantes do Universo, como são apresentados nestes documentos, incluem as sete ordens seguintes:
37:1.2 (406.4) 1. Os Brilhantes Estrelas Matutinas.
37:1.3 (406.5) 2. Os Brilhantes Estrelas Vespertinas.
37:1.4 (406.6) 3. Os Arcanjos.
37:1.5 (406.7) 4. Os Assistentes Mais Elevados.
37:1.6 (406.8) 5. Os Altos Comissários.
37:1.7 (406.9) 6. Os Supervisores Celestes.
37:1.8 (406.10) 7. Os Educadores dos Mundos das Mansões.
37:1.9 (406.11) Da primeira ordem de Ajudantes do Universo, a dos Brilhantes Estrelas Matutinas, só há um ser em cada universo; e é o primogênito entre todas as criaturas nativas de um universo local. O Brilhante Estrela Matutino do nosso universo é conhecido como Gabriel de Sálvington. É o comandante executivo de todo o Nébadon, atuando como representante pessoal do Filho Soberano e porta-voz da sua consorte criativa.
37:1.10 (406.12) Durante os primeiros tempos de Nébadon, Gabriel trabalhou completamente sozinho com Michael e o Espírito Criativo. À medida que o universo cresceu e os problemas administrativos multiplicaram-se, ele foi provido com um quadro pessoal de assistentes, não revelados aqui e, finalmente, esse grupo cresceu com a criação do corpo dos Estrelas Vespertinos de Nébadon.
37:2.1 (407.1) Estas brilhantes criaturas foram projetadas pelos Melquisedeques, tendo sido, então, trazidas à existência pelo Filho Criador e o Espírito Criativo. Eles servem em muitas funções; mas, principalmente, como oficiais de ligação de Gabriel, o comandante executivo do universo local. Um ou mais desses seres funcionam como os representantes de Gabriel na capital de cada constelação e sistema em Nébadon.
37:2.2 (407.2) Como comandante executivo de Nébadon, Gabriel é o presidente ex officio, ou o observador, da maior parte dos conclaves de Sálvington, e acontece que até mil desses conclaves estão, muitas vezes, em sessão simultaneamente. Os Brilhantes Estrelas Vespertinas representam Gabriel em tais ocasiões; ele não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, e esses superanjos compensam essa limitação. Um serviço análogo é prestado por eles ao corpo dos Filhos Instrutores da Trindade.
37:2.3 (407.3) Ainda que pessoalmente ocupado com seus deveres administrativos, Gabriel mantém contato com todas as outras fases da vida e assuntos do universo por intermédio dos Brilhantes Estrelas Vespertinas. Eles sempre o acompanham nas suas viagens planetárias e, freqüentemente, partem em missões especiais a planetas individuais como representantes pessoais dele. Nesses compromissos, algumas vezes têm sido conhecidos como “o anjo do Senhor”. Eles vão a Uversa com freqüência, para representar o Brilhante Estrela Matutino perante as cortes e assembléias dos Anciães dos Dias, mas raramente viajam além dos confins de Orvônton.
37:2.4 (407.4) Os Brilhantes Estrelas Vespertinas são uma ordem dual excepcional, da qual alguns fazem parte por dignidade de criação e outros por serviços prestados. O corpo de Nébadon atualmente conta com 13 641 desses superanjos. Há 4 832 com a dignidade de criação, enquanto 8 809 são espíritos ascendentes que alcançaram essa meta por serviços elevados. Muitos desses Estrelas Vespertinos ascendentes começaram suas carreiras no universo como serafins; outros ascenderam de níveis de vida irrevelados da criatura. Como meta a ser alcançada, esse alto corpo nunca está fechado para os candidatos à ascensão, desde que um universo não esteja estabelecido em luz e vida.
37:2.5 (407.5) Ambos os tipos de Brilhantes Estrelas Vespertinas são facilmente visíveis para as personalidades moronciais e para certos tipos de seres materiais supramortais. Os seres criados dessa ordem interessante e versátil possuem uma força de espírito que se pode manifestar independentemente da sua presença pessoal.
37:2.6 (407.6) O comandante desses superanjos é Gavália, o primogênito dessa ordem em Nébadon. Desde que Cristo Michael retornou da sua auto-outorga triunfante em Urântia, Gavália tem sido designado para ministrar aos mortais ascendentes e, nos últimos mil e novecentos anos de Urântia, o seu colaborador, Galântia, tem mantido a sede-central em Jerusém, onde passa cerca da metade do seu tempo. Galântia é o primeiro dos superanjos ascendentes a alcançar esse alto status.
37:2.7 (407.7) Nenhuma organização grupal ou companhia de Brilhantes Estrelas Vespertinas existe, além da sua associação costumeira, aos pares, para muitas missões. Eles não são extensivamente designados para missões ligadas à carreira ascendente dos mortais mas, quando em compromissos desse tipo, nunca funcionam a sós. Sempre trabalham aos pares — um, o ser criado como tal, e o outro, um Estrela Vespertino ascendente.
37:2.8 (407.8) Um dos altos deveres dos Estrelas Vespertinos é acompanhar os Filhos Avonais de auto-outorga nas suas missões planetárias, do mesmo modo que Gabriel acompanhou Michael na sua auto-outorga em Urântia. Os dois superanjos acompanhantes são as personalidades superiores nessas missões, servindo como comandantes adjuntos dos arcanjos e de todos os outros designados para tais tarefas. É o mais experiente desses superanjos, no comando, que, no tempo e na idade oportunos, diz ao Filho Avonal auto-outorgado: “Cuida dos assuntos do teu irmão”.
37:2.9 (408.1) Pares semelhantes desses superanjos são designados para o corpo planetário de Filhos Instrutores da Trindade, na obra de estabelecer a idade de pós-outorga ou do amanhecer espiritual em um mundo habitado. Nesses compromissos os Estrelas Vespertinos servem como ligação entre os mortais do reino e os corpos invisíveis de Filhos Instrutores.
37:2.10 (408.2) Os Mundos dos Estrelas Vespertinos. O sexto grupo dos sete mundos de Sálvington e os seus quarenta e dois satélites tributários estão entregues à administração dos Brilhantes Estrelas Vespertinas. Os sete mundos primários são presididos pelas ordens criadas desses superanjos, enquanto os satélites tributários são administrados pelos Estrelas Vespertinos ascendentes.
37:2.11 (408.3) Os satélites dos primeiros três mundos são devotados às escolas dos Filhos Instrutores e Estrelas Vespertinos, dedicadas a personalidades espirituais do universo local. Os próximos três grupos são ocupados por escolas conjuntas similares, devotadas ao aperfeiçoamento dos mortais ascendentes. Os satélites do sétimo mundo são reservados às deliberações trinas dos Filhos Instrutores, Estrelas Vespertinos e finalitores. Em tempos recentes, esses superanjos identificaram-se intimamente com o trabalho, no universo local, do Corpo de Finalidade e, há muito, têm-se associado aos Filhos Instrutores. Existe uma ligação de enorme poder e importância entre os Estrelas Vespertinos e os Mensageiros por Gravidade, ligados aos grupos de trabalho dos finalitores. O sétimo mundo primário está reservado às questões não reveladas e pertinentes às futuras relações que se estabelecerão entre os Filhos Instrutores, os finalitores e os Estrelas Vespertinos, em conseqüência da emergência completa da manifestação, no superuniverso, da personalidade de Deus, o Supremo.
37:3.1 (408.4) Os Arcanjos são uma progênie do Filho Criador e do Espírito Materno do Universo. São o tipo mais elevado entre os altos seres espirituais, produzidos em grandes números, em um universo local; sendo que na época do último registro havia quase oitocentos mil em Nébadon.
37:3.2 (408.5) Os Arcanjos são um dos poucos grupos de personalidades do universo local que não se encontram normalmente sob a jurisdição de Gabriel. Não estão de modo algum ligados à administração rotineira do universo, permanecendo dedicados ao trabalho de sobrevivência da criatura e à continuidade da carreira ascendente dos mortais do tempo e do espaço. Embora não estejam ordinariamente sujeitos à direção do Brilhante Estrela Matutino, algumas vezes, os arcanjos atuam sob a autoridade dele. Também colaboram com outros Ajudantes do Universo, como os Estrelas Vespertinos, conforme ilustrado em certas transações descritas na narrativa do transplante da vida para o vosso mundo.
37:3.3 (408.6) O corpo de arcanjos de Nébadon é dirigido pelo primogênito dessa ordem. Em tempos mais recentes, uma sede divisional de arcanjos tem sido mantida em Urântia. É esse fato inusitado que logo chama a atenção dos estudantes visitantes vindos de fora de Nébadon e, entre as suas observações iniciais de transações no intra-universo, está a descoberta de que muitas das atividades ascendentes dos Brilhantes Estrelas Vespertinas são dirigidas a partir da capital de um sistema local, o de Satânia. Num exame posterior, eles descobrem que certas atividades dos arcanjos são dirigidas de um pequeno mundo habitado, aparentemente insignificante, chamado Urântia. E, então, segue-se a revelação da auto-outorga de Michael em Urântia e, imediatamente, surge um interesse súbito e crescente por vós e pela vossa humilde esfera.
37:3.4 (409.1) Podeis compreendeis o significado do fato de que o vosso humilde e confuso planeta haja passado a ser uma sede divisional para a administração do universo e para a direção de certas atividades dos arcanjos, que têm a ver com o esquema de ascensão ao Paraíso? Isso, sem dúvida, prognostica uma concentração futura de outras atividades ascendentes no mundo de auto-outorga de Michael e empresta uma importância imensa e solene à promessa pessoal do Mestre: “Eu virei novamente”.
37:3.5 (409.2) Em geral, os arcanjos são designados para o serviço e ministração da ordem Avonal de filiação, mas não até que tenham passado por um aperfeiçoamento preliminar extensivo em todas as fases do trabalho dos vários espíritos ministradores. Um corpo de cem deles acompanha cada Filho do Paraíso na sua auto-outorga em um mundo habitado, sendo designados temporariamente para servir com ele no decorrer da sua auto-outorga. Caso o Filho Magisterial deva tornar-se o governante temporário de um planeta, esses arcanjos atuariam como cabeças a dirigirem toda a vida celeste naquela esfera.
37:3.6 (409.3) Dois arcanjos mais experientes são sempre designados como ajudantes pessoais de um Avonal do Paraíso em todas as missões planetárias envolvendo ações judiciais, missões magisteriais ou encarnações de auto-outorga. Quando um Filho do Paraíso dessa ordem houver completado o julgamento de um reino, e quando os mortos forem convocados para o registro (a assim chamada ressurreição), torna-se literalmente verdade que os guardiães seráficos das personalidades adormecidas responderão à “voz do arcanjo”. A lista de chamada do término de uma dispensação é promulgada por um arcanjo assistente. Esse é o arcanjo da ressurreição, algumas vezes chamado o “arcanjo de Michael”.
37:3.7 (409.4) Os Mundos dos Arcanjos. O sétimo grupo de mundos, em torno de Sálvington, com os seus satélites interligados, é afeto aos arcanjos. A esfera número um e todos os seus seis satélites tributários são ocupados pelos custódios dos registros da personalidade. Esse enorme corpo de registradores ocupa-se em manter em dia os registros de cada mortal do tempo, desde o momento do nascimento, passando pela sua carreira no universo, até que tal indivíduo ou deixe Sálvington, indo ao regime do superuniverso, ou é “apagado dos registros da existência”, por um mandado dos Anciães dos Dias.
37:3.8 (409.5) É nesses mundos que os registros da personalidade e as garantias da identificação são classificados, arquivados e preservados durante o tempo que transcorre entre a morte física e a hora da repersonalização, a ressurreição depois da morte.
37:4.1 (409.6) Os Assistentes Mais Elevados são um grupo de seres voluntários, com origem fora do universo local, os quais estão temporariamente designados como representantes do universo central e superuniversos, ou como observadores das criações locais. O número deles varia constantemente mas permanece sempre acima dos milhões.
37:4.2 (409.7) De tempos em tempos, nós nos beneficiamos da ministração e da assistência de seres cuja origem é o Paraíso, e que são os Perfeccionadores da Sabedoria, Conselheiros Divinos, Censores Universais, Espíritos Inspirados da Trindade, Filhos Trinitarizados, Mensageiros Solitários, supernafins, seconafins, tertiafins e outros ministros graciosos que permanecem conosco, com o propósito de ajudar as nossas personalidades nativas no esforço de manter todo o Nébadon dentro de uma harmonia mais plena com as idéias de Orvônton e ideais do Paraíso.
37:4.3 (410.1) Qualquer desses seres pode estar servindo voluntariamente em Nébadon e assim se encontrar tecnicamente fora da nossa jurisdição, mas, quando funcionam por designação, essas personalidades dos superuniversos e universo central não estão totalmente isentas dos regulamentos do universo local onde permanecem, ainda que continuem a funcionar como representantes dos universos mais elevados e trabalhar de acordo com as instruções que constituem a sua missão no nosso reino. O mundo sede-central deles está situado no setor do União dos Dias de Sálvington, e eles operam em Nébadon sob a supervisão desse embaixador da Trindade do Paraíso. Quando servindo em grupos independentes, essas personalidades dos reinos mais elevados usualmente são autodirigidas; mas quando servindo a pedido freqüentemente colocam-se voluntariamente e de modo total sob a jurisdição dos diretores supervisores dos reinos para onde foram designadas.
37:4.4 (410.2) Os Assistentes Mais Elevados servem ao universo local e constelação, mas não são diretamente designados para os governos do sistema ou de planetas. Podem, contudo, funcionar em qualquer lugar no universo local e serem designados para qualquer fase das atividades de Nébadon — administrativa, executiva, educacional e outras.
37:4.5 (410.3) A maior parte desse corpo participa da assistência às personalidades do Paraíso, em Nébadon — União dos Dias, Filho Criador, Fiéis dos Dias, Filhos Magisteriais e Filhos Instrutores da Trindade. De quando em quando, para as operações ligadas aos assuntos de uma criação local, torna-se sábio manter certos detalhes temporariamente ocultos do conhecimento de quase todas as personalidades nativas do universo local. Alguns planos avançados e ordens complexas também são mais bem captados e inteiramente compreendidos pelo corpo dos Assistentes Mais Elevados, mais amadurecidos e previdentes; e, nessas situações, e em muitas outras, é que o seu préstimo torna-se tão altamente útil aos governantes e administradores do universo.
37:5.1 (410.4) Os Altos Comissionados são mortais ascendentes fusionados ao Espírito; não se fusionaram aos Ajustadores. Vós podeis compreender bem a carreira de ascensão, no universo, de um candidato mortal à fusão com o Ajustador, pois este é o alto destino em prospecto para todos os mortais de Urântia, desde a auto-outorga de Cristo Michael. Mas tal não é o destino exclusivo de todos os mortais, nas idades anteriores à auto-outorga, em mundos como o vosso; e há um outro tipo de mundo cujos habitantes nunca são resididos permanentemente pelos Ajustadores do Pensamento. Esses mortais nunca são permanentemente ligados, em união eterna, com um Monitor Misterioso outorgado do Paraíso; entretanto, os Ajustadores residem transitoriamente neles, servindo de guias e modelos, durante a sua vida na carne. No decorrer dessa permanência temporária, impulsionam a evolução da sua alma imortal, exatamente como o fazem dentro daqueles seres com os quais eles esperam fundir-se, no entanto, quando termina a carreira de tais mortais, eles deixam, para toda a eternidade, as criaturas da sua associação temporária.
37:5.2 (410.5) As almas sobreviventes, dessa ordem, alcançam a imortalidade pela fusão eterna com um fragmento individualizado do espírito, do Espírito Materno do universo local. Não formam um grupo numeroso, pelo menos em Nébadon. Nos mundos das mansões, ireis encontrar-vos e confraternizar com esses mortais fusionados ao Espírito, pois eles ascendem convosco, no caminho do Paraíso, até Sálvington, onde param. Alguns deles podem, subseqüentemente, ascender a níveis mais elevados no universo, mas a maioria permanecerá para sempre a serviço do universo local; como classe, eles não têm o destino de alcançar o Paraíso.
37:5.3 (411.1) Não sendo fusionados ao Ajustador, eles nunca se tornam finalitores, mas finalmente se integram ao Corpo de Perfeição do universo local. Assim, em espírito, terão obedecido ao comando do Pai: “Sede perfeitos”.
37:5.4 (411.2) Depois de atingirem o Corpo de Perfeição de Nébadon, os mortais ascendentes fusionados ao Espírito podem aceitar compromissos como o de Ajudante do Universo, sendo essa uma das vias de continuidade para o crescimento experiencial, aberta para eles. Assim, tornam-se candidatos a missões, no alto serviço de interpretar os pontos de vista das criaturas em evolução dos mundos materiais, para as autoridades celestes do universo local.
37:5.5 (411.3) Os Altos Comissionados começam o seu serviço nos planetas como representantes das raças. Nessa função, interpretam os pontos de vista e retratam as necessidades das várias raças humanas. São supremamente devotados ao bem-estar das raças mortais, de quem são os porta-vozes, procurando sempre obter para elas a misericórdia, a justiça e um tratamento equânime, em todas as relações com outros povos. Os representantes das raças funcionam em uma série sem fim de crises planetárias e servem como expressão articulada de grupos inteiros de mortais em luta.
37:5.6 (411.4) Após uma longa experiência na solução de problemas dos mundos habitados, esses representantes das raças avançam até níveis de função mais elevados, alcançando finalmente o status de Altos Comissionados nos universos locais e desses universos. O último recenseamento registrou um pouco mais de um bilhão e meio desses Altos Comissionados em Nébadon. Esses seres não são finalitores, todavia são seres ascendentes de longa experiência e grande serventia para os seus reinos de nascimento.
37:5.7 (411.5) Encontramos invariavelmente esses comissionados em todos os tribunais de justiça, dos mais baixos aos mais altos. Não que eles participem dos procedimentos da justiça, mas atuam como amigos da corte, aconselhando os magistrados que a elas presidem, a respeito dos antecedentes, meio ambiente e natureza inerentes àqueles envolvidos nos julgamentos.
37:5.8 (411.6) Os Altos Comissionados estão ligados às várias hostes de mensageiros do espaço e sempre aos espíritos ministradores do tempo. São encontrados nos programas de várias assembléias no universo e tais comissionados, de origem mortal, são sempre agregados às missões dos Filhos de Deus nos mundos do espaço.
37:5.9 (411.7) Sempre que a eqüidade e a justiça dependem de um entendimento de como uma política ou procedimento proposto afetaria as raças evolucionárias do tempo, esses comissários ficam disponíveis para apresentar suas recomendações; permanecem sempre presentes para falar por aqueles que não podem estar presentes nem falar por si próprios.
37:5.10 (411.8) Os Mundos dos Mortais Fusionados ao Espírito. O oitavo grupo de sete mundos primários e satélites tributários, no circuito de Sálvington, é da posse exclusiva dos mortais fusionados ao Espírito, de Nébadon. Aos mortais ascendentes fusionados aos Ajustadores, esses mundos não dizem respeito, a não ser para desfrutar de estadas agradáveis e cheias de benefícios como convidados dos residentes fusionados ao Espírito.
37:5.11 (411.9) Exceto para aqueles poucos que alcançam Uversa e o Paraíso, esses mundos são a residência permanente dos sobreviventes fusionados ao Espírito. Essa limitação prevista, à ascensão dos mortais, resulta no bem dos universos locais, pois assegura a permanência de uma população evoluída estável, cuja experiência crescente continuará a reforçar a estabilização futura e a diversificação da administração de um universo local. Esses seres podem não alcançar o Paraíso, mas atingem uma sabedoria experiencial, na mestria dos problemas de Nébadon, que em muito supera qualquer coisa alcançada pelos ascendentes transitórios. E essas almas sobreviventes continuam como combinações exclusivas, no seu gênero, do humano e do divino, tornando-se cada vez mais capazes de unir os pontos de vista desses dois níveis bastante distantes e de apresentar um ponto de vista, também dual, com uma sabedoria que sempre se eleva.
37:6.1 (412.1) O sistema educacional de Nébadon é administrado em conjunto pelos Filhos Instrutores da Trindade e pelo corpo Melquisedeque de ensino; no entanto, muito do trabalho destinado a efetuar a sua manutenção e ampliação é feito pelos Supervisores Celestes. Estes seres formam um corpo recrutado, abrangendo todos os tipos de indivíduos relacionados ao esquema de educação e aperfeiçoamento dos mortais ascendentes. Existem mais de três milhões deles em Nébadon, todos sendo voluntários qualificados pela experiência para servirem como conselheiros educacionais de todo o reino. Da sua sede-central, nos mundos dos Melquisedeques, em Sálvington, esses supervisores cobrem o universo local como inspetores da técnica escolar de Nébadon, destinada a efetuar o aperfeiçoamento da mente e a educação do espírito das criaturas ascendentes.
37:6.2 (412.2) Esse aperfeiçoamento mental e essa educação do espírito são efetuados desde os mundos de origem humana, até os mundos das mansões do sistema e outras esferas de progresso relacionadas a Jerusém, nos setenta reinos socializantes, ligados a Edêntia, e nas quatrocentas e noventa esferas de progresso do espírito, as quais circundam Sálvington. Na sede-central mesma do universo, estão inúmeras escolas Melquisedeques, os colégios dos Filhos do Universo, as universidades seráficas e as escolas dos Filhos Instrutores e Uniões dos Dias. Todas as medidas possíveis são tomadas no sentido de qualificar as várias personalidades do universo para prestar um serviço avançado e aperfeiçoarem-se nas suas funções. O universo inteiro é uma vasta escola.
37:6.3 (412.3) Os métodos empregados em muitas das escolas superiores estão além dos conceitos humanos da arte de ensinar a verdade, mas tal é a tônica de todo o sistema de educação: o caráter adquirido pela experiência esclarecida. Os professores dão o esclarecimento; o posto ocupado no universo e o status do ser ascendente proporcionam a oportunidade para a experiência; a aplicação sábia nesses dois pontos aumenta o caráter.
37:6.4 (412.4) Fundamentalmente, o sistema educacional de Nébadon vos proporciona certo empenho em uma tarefa e então vos dá a oportunidade de receber a instrução quanto ao método ideal e divino para melhor cumprir tal tarefa. É-vos dada uma tarefa definida a cumprir, e, ao mesmo tempo, é-vos proporcionado o acesso aos mestres qualificados para instruir-vos pelo melhor método de executar a tarefa, proposta no vosso compromisso. O plano divino de educação proporciona a associação íntima do trabalho e da instrução. Nós vos ensinamos como melhor executar as coisas que vos mandamos fazer.
37:6.5 (412.5) O propósito de todo esse aperfeiçoamento e experiência é preparar-vos para serdes admitidos em esferas mais altas e mais espirituais do superuniverso. O progresso, dentro de qualquer domínio, é individual, mas a transição de uma fase para a outra é feita geralmente em classes grupais.
37:6.6 (412.6) O progresso na eternidade não consiste apenas no desenvolvimento espiritual. As assimilações de ordem intelectual também são uma parte da educação universal. A experiência da mente é ampliada, de modo equilibrado, junto com a expansão do horizonte espiritual. Oportunidades equivalentes de aperfeiçoamento e avanço são dadas à mente e ao espírito. Mas em toda essa educação magnífica, para a mente e o espírito, vós estareis, para sempre, livres das limitações da carne mortal. Não mais tereis que estar constantemente arbitrando, em meio a tanta divergência, entre a vossa natureza espiritual e a material. Finalmente estareis qualificados para gozar do impulso unificado de uma mente glorificada, já há muito despojada das tendências primitivas animalizadas para as coisas materiais.
37:6.7 (413.1) Antes de deixar o universo de Nébadon, será dada, à maioria dos mortais de Urântia, a oportunidade de servir, por um período mais longo ou mais breve, como membros do corpo de Supervisores Celestes de Nébadon.
37:7.1 (413.2) Os Mestres dos Mundos das Mansões são querubins glorificados recrutados. Como a maioria dos outros instrutores nas suas missões em Nébadon, eles são designados pelos Melquisedeques. Funcionam na maior parte dos empreendimentos educacionais da vida moroncial; e o número deles vai muito além da compreensão da mente mortal.
37:7.2 (413.3) Como um nível a ser alcançado pelos querubins e sanobins, o de Mestres dos Mundos das Mansões receberá consideração posterior no próximo documento, pois, professores com um importante papel na vida moroncial, eles serão dignos de uma abordagem mais completa no documento com o seu nome.
37:8.1 (413.4) Além dos centros de potência e dos controladores físicos, são designados, de modo permanente, para o universo local alguns seres espirituais de origem elevada da família do Espírito Infinito. Das ordens mais elevadas de espíritos, da família do Espírito Infinito, as abaixo assinaladas são designadas do modo seguinte:
37:8.2 (413.5) Os Mensageiros Solitários, quando funcionalmente vinculados à administração do universo local, prestam um serviço valioso a nós, nos nossos esforços de superar os obstáculos das limitações do tempo e do espaço. Quando não designados desse modo, nós, do universo local, não temos absolutamente qualquer autoridade sobre eles, mas, ainda então, esses seres singulares estão sempre prontos para ajudar-nos na solução dos nossos problemas e no cumprimento dos nossos mandados.
37:8.3 (413.6) Andovôntia é o nome do terciário Supervisor de Circuito do Universo, estacionado no nosso universo local. Ele ocupa-se apenas dos circuitos espirituais e moronciais, não com aqueles sob a jurisdição dos diretores de potência. Foi ele quem isolou Urântia, no tempo da traição de Caligástia ao planeta, durante os períodos de provações da rebelião de Lúcifer. Ao enviar cumprimentos aos mortais de Urântia, ele expressa o prazer da antecipação da restauração, em alguma época, da ligação do vosso planeta aos circuitos do universo da sua supervisão.
37:8.4 (413.7) O Diretor do Censo de Nébadon, Salsátia, mantém o seu núcleo central no setor de Gabriel em Sálvington. Torna-se automaticamente sabedor do nascimento e da morte da vontade; e registra o número exato de criaturas de vontade que, a cada momento, funciona no universo local. E trabalha em estreita associação com os registradores da personalidade, domiciliados nos mundos dos registros dos arcanjos.
37:8.5 (413.8) Um Inspetor Associado é residente em Sálvington. É o representante pessoal do Executivo Supremo de Orvônton. Colaboradoras suas, as Sentinelas Designadas para os sistemas locais, são também representantes do Supremo Executivo de Orvônton.
37:8.6 (414.1) Os Conciliadores Universais são as cortes itinerantes dos universos do tempo e do espaço; funcionando desde os mundos evolucionários, até cada uma das seções do universo local e ainda além. Esses árbitros são registrados em Uversa; o número exato deles, operando em Nébadon, não está registrado, mas estimo que haja aproximadamente cem milhões de comissões conciliadoras no nosso universo local.
37:8.7 (414.2) De Conselheiros Técnicos, as mentes jurídicas do reino, temos a nossa cota, de cerca de meio bilhão. Esses seres são as bibliotecas vivas e circulantes de leis experienciais para todo o espaço.
37:8.8 (414.3) De Registradores Celestes, serafins ascendentes, temos setenta e cinco tipos em Nébadon. Esses são os registradores ou supervisores mais experientes. Os estudantes adiantados dessa ordem em aperfeiçoamento chegam ao número aproximado de quatro bilhões.
37:8.9 (414.4) A ministração feita pelos setenta bilhões de Companheiros Moronciais em Nébadon está descrita nas narrativas que tratam dos planetas de transição dos peregrinos do tempo.
37:8.10 (414.5) Cada universo tem o seu próprio corpo angélico nativo; contudo, há ocasiões nas quais é muito útil ter a assistência desses altos espíritos, cuja origem é externa à criação local. Os supernafins executam certos serviços raros e exclusivos; o atual dirigente dos serafins de Urântia é um supernafim primário do Paraíso. Os seconafins refletivos encontram-se onde quer que o pessoal do superuniverso esteja funcionando, e uma grande quantidade de tertiafins está prestando um serviço temporário como Assistentes Mais Elevados.
37:9.1 (414.6) Como no caso do universo central e do superuniverso, o universo local tem as suas ordens de cidadania permanentes. Estas incluem os seguintes tipos criados:
37:9.2 (414.7) 1. Susátias.
37:9.3 (414.8) 2. Univitátias.
37:9.4 (414.9) 3. Filhos Materiais.
37:9.5 (414.10) 4. Criaturas ou Seres Intermediários.
37:9.6 (414.11) Esses nativos da criação local, junto com os mortais ascendentes fusionados ao Espírito e os espironga (que são classificados de outro modo), constituem uma cidadania relativamente permanente. Essas ordens de seres, de um modo geral, não são nem ascendentes nem descendentes. Todos eles são criaturas experienciais; a sua experiência crescente, contudo, permanece disponível para o universo, no seu nível de origem. Se bem que não seja inteiramente verdadeiro no caso dos Filhos Adâmicos e dos seres ou criaturas intermediárias, isso é relativamente verdadeiro para essas outras ordens.
37:9.7 (414.12) Os Susátias. Estes seres maravilhosos residem e funcionam como cidadãos permanentes em Sálvington, sede-central deste universo local. Eles são uma progênie brilhante do Filho Criador e do Espírito Criativo e estão intimamente relacionados aos cidadãos ascendentes do universo local, os mortais fusionados ao Espírito, do Corpo de Perfeição de Nébadon.
37:9.8 (414.13) Os Univitátias. Cada um dos agrupamentos de cem constelações, de sedes-centrais de esferas arquitetônicas, desfruta da ministração contínua de uma ordem de seres residentes conhecidos como os univitátias. Estes filhos do Filho Criador e do Espírito Criativo constituem a população permanente dos mundos sedes-centrais da constelação. Eles são seres que não se reproduzem, que existem em um plano de vida a meio caminho entre o estado semimaterial dos Filhos Materiais, domiciliados na sede-central do sistema, e o plano espiritual mais definido dos mortais fusionados ao Espírito e dos susátias de Sálvington; mas os univitátias não são seres moronciais. Eles exercem, junto aos mortais ascendentes, durante a travessia das esferas da constelação, o equivalente à contribuição que os nativos de Havona dão aos espíritos peregrinos de passagem pela criação central.
37:9.9 (415.1) Os Filhos Materiais de Deus. Quando uma relação criativa entre o Filho Criador e o Espírito Materno do Universo, representante que é do Espírito Infinito no universo local, houver completado o seu ciclo; quando não vier mais nenhuma progênie de natureza combinada, então o Filho Criador personaliza, na forma dual, o seu último conceito do ser, confirmando assim, finalmente, a sua origem dual, original e própria. De si mesmo, então, ele cria os belos e magníficos Filhos e Filhas da ordem material de filiação do universo. Essa é a origem dos Adãos e Evas originais de cada sistema local de Nébadon. Eles são uma ordem reprodutora de filiação, sendo criados masculinos e femininos. Os da sua progênie funcionam como cidadãos relativamente permanentes da capital de um sistema, embora alguns deles recebam a missão de servir como Adãos Planetários.
37:9.10 (415.2) Numa missão planetária, o Filho e a Filha Materiais ficam incumbidos com a missão de fundar a raça Adâmica de tal mundo, uma raça destinada finalmente a se miscigenar com os habitantes mortais da esfera. Os Adãos Planetários são Filhos descendentes tanto quanto ascendentes, mas ordinariamente nós os classificamos como ascendentes.
37:9.11 (415.3) As Criaturas Intermediárias. Durante os dias iniciais, na maioria dos mundos habitados, alguns seres supra-humanos, todavia materializados, estão presentes; porém, em geral, retiram-se, quando da chegada dos Adãos Planetários. As transações entre esses seres, acrescentadas aos esforços dos Filhos Materiais de aprimorar as raças evolucionárias, freqüentemente, resultam no surgimento de um número limitado de criaturas que são de classificação difícil. Esses seres exclusivos, freqüentemente, são intermediários entre os Filhos Materiais e as criaturas evolucionárias; daí a sua designação de seres intermediários, ou intermediários. De um ponto de vista comparativo, esses intermediários são cidadãos permanentes dos mundos evolucionários. Desde os primeiros dias da chegada de um Príncipe Planetário, até um tempo bem longinquamente posterior, do estabelecimento de tal planeta, em luz e vida, eles formam o único grupo de seres inteligentes a permanecer continuamente na esfera. Em Urântia, os ministros intermediários são, na realidade, os custódios factuais do planeta; praticamente falando, eles são os cidadãos de Urântia. Os mortais são os habitantes físicos e materiais, de fato, de um mundo evolucionário; todavia, todos vós tendes uma vida muito curta; permaneceis no vosso planeta de nascimento por um tempo curto demais. Nasceis, viveis, morreis e passais para outros mundos de progressão evolucionária. Mesmo os seres supra-humanos, que servem nos planetas como ministros celestes, são de permanência transitória; poucos deles ficam vinculados por um tempo maior a uma mesma esfera. As criaturas intermediárias, contudo, proporcionam continuidade à administração planetária, em face das sempre mutantes ministrações celestes e da constante mobilidade dos habitantes mortais. Durante toda essa incessante mutação e mobilidade, as criaturas intermediárias permanecem ininterruptamente no planeta, dando continuação ao seu trabalho.
37:9.12 (415.4) De maneira semelhante, todas as divisões da organização administrativa dos universos locais e superuniversos têm as suas populações, mais ou menos permanentes, de habitantes com status de cidadania. Assim como Urântia tem os seus intermediários, Jerusém, a vossa capital do sistema, tem os Filhos e Filhas Materiais; Edêntia, a sede-central da vossa constelação, tem os univitátias, enquanto em Sálvington há duas ordens de cidadãos: os susátias, criados, e os mortais evoluídos fusionados ao Espírito. Os mundos administrativos dos setores menor e maior dos superuniversos não têm cidadãos permanentes. Mas as esferas-sede centrais de Uversa estão continuamente sustentadas por um grupo surpreendente de seres conhecidos como os abandonteiros, que são uma criação dos agentes irrevelados dos Anciães dos Dias e dos sete Espíritos Refletivos residentes na capital de Orvônton. Esses cidadãos residentes em Uversa estão atualmente administrando os assuntos de rotina do seu mundo, sob a supervisão imediata do corpo de mortais fusionados ao Filho, de Uversa. Até mesmo Havona tem seus seres nativos, e a Ilha Central da Luz e Vida é o lar de vários grupos de cidadãos do Paraíso.
37:10.1 (416.1) Além da ordem seráfica e da ordem mortal, as quais serão consideradas em documentos posteriores, há ainda inúmeros seres ligados à manutenção e ao perfeccionamento de uma organização tão gigantesca como é o universo de Nébadon, que, ainda agora, tem mais de três milhões de mundos habitados, e um prognóstico de ter dez milhões mais. Os vários tipos de vida em Nébadon são numerosos demais para serem catalogados neste documento, mas há duas ordens incomuns que funcionam amplamente nas 647 591 esferas arquitetônicas do universo local e que podem ser mencionadas.
37:10.2 (416.2) Os Espirongas são uma progênie espiritual do Brilhante Estrela Matutino e do Pai Melquisedeque. A personalidade deles não está sujeita ao término, mas eles não são seres evolucionários, nem ascendentes. E também não se ocupam funcionalmente com o regime da ascensão evolucionária. Eles são ajudantes espirituais do universo local; executam as tarefas espirituais de rotina em Nébadon.
37:10.3 (416.3) Os Espornágias. Os mundos sedes-centrais arquitetônicos do universo local são mundos reais — criações físicas efetivas. Há muito trabalho envolvido com a sua manutenção física, e ali nós temos a ajuda de um grupo de criaturas físicas chamadas espornágias. Elas dedicam-se a cuidar e cultivar as fases materiais desses mundos sedes-centrais, de Jerusém a Sálvington. Os espornágias não são espíritos nem pessoas; eles são uma ordem animal de existência, e, se pudésseis vê-los, iríeis concordar que eles parecem ser, perfeitamente, animais.
37:10.4 (416.4) As várias colônias de cortesia estão domiciliadas em Sálvington e em outros locais. Nós nos beneficiamos especialmente da ministração dos artesãos celestes nas constelações e aproveitamos das atividades dos diretores de retrospecção, que operam principalmente nas capitais dos sistemas locais.
37:10.5 (416.5) Existe sempre, agregado ao serviço do universo, um corpo de mortais ascendentes, que inclui as criaturas intermediárias glorificadas. Esses ascendentes, depois de alcançarem Sálvington, são utilizados para uma variedade quase sem fim de atividades, na condução dos assuntos do universo. De cada nível de realização, esses mortais em avanço estendem uma mão de ajuda, para trás e para baixo, aos seus companheiros que os seguem na escalada para cima. Esses mortais, de permanência temporária em Sálvington, são designados, sob requisição, praticamente para quase todos os corpos de personalidades celestes, como ajudantes, estudantes, observadores e mestres.
37:10.6 (416.6) Há, ainda, outros tipos de vidas inteligentes ocupados com a administração de um universo local, mas o plano desta narrativa não é proporcionar uma revelação maior de tais ordens de criação. Sobre a vida e a administração deste universo, estamos aqui retratando o suficiente para proporcionar à mente mortal uma compreensão da realidade e grandeza da existência, após a sobrevivência. Uma experiência maior, nas vossas carreiras em avanço, irá revelar, cada vez mais, esses seres interessantes e encantadores. Esta narrativa não pode ser mais do que um breve esboço da natureza e do trabalho das múltiplas personalidades que se aglomeram nos universos do espaço, administrando as criações como grandes escolas de aperfeiçoamento; escolas nas quais os peregrinos do tempo avançam, de vida para vida, e, de mundo para mundo, até serem amorosamente despachados para fora das fronteiras do universo de sua origem, indo para regimes educacionais mais elevados do superuniverso e dali para os mundos de aperfeiçoamento do espírito, em Havona, e finalmente, até o Paraíso, e, tendo, a partir dai, o destino elevado dos finalitores — o compromisso eterno de servir em missões que ainda não foram reveladas aos universos do tempo e do espaço.
37:10.7 (417.1) [Ditado por um Brilhante Estrela Vespertino de Nébadon, Número 1 146 do Corpo Criado.]
O Livro de Urântia
Documento 38
38:0.1 (418.1) EXISTEM três ordens distintas de personalidades do Espírito Infinito. O impetuoso apóstolo tanto compreendeu isso que escreveu a respeito de Jesus: “aquele que foi para o céu e que está à mão direita de Deus; os anjos, autoridades e poderosos foram feitos súditos dele”. Os anjos são espíritos ministradores do tempo; as autoridades, as hostes mensageiras do espaço; e as poderosas, as altas personalidades do Espírito Infinito.
38:0.2 (418.2) Como os supernafins, no universo central; e os seconafins, no superuniverso; os serafins, junto com os seus colaboradores, os querubins e os sanobins, constituem o corpo angélico de um universo local.
38:0.3 (418.3) Todos os serafins são criados segundo um modelo bastante uniforme. De universo para universo, em todos sete superuniversos, eles apresentam um mínimo de variações; de todos os tipos de seres pessoais espirituais, são eles os mais próximos do modelo arquetípico. As suas várias ordens constituem o corpo dos ministros hábeis e comuns das criações locais.
38:1.1 (418.4) Os serafins são criados pelo Espírito Materno do Universo e têm sido projetados em unidades de formações — 41 472 de uma só vez — desde a criação dos “anjos modelos” e de certos arquétipos angélicos nos primeiros tempos de Nébadon. O Filho Criador e a representação do Espírito Infinito no universo colaboram na criação de um número elevado de Filhos e outras personalidades do universo. Seguindo a complementação desse esforço unificado, o Filho engaja-se na criação dos Filhos Materiais, as primeiras criaturas sexuadas, enquanto o Espírito Materno do Universo, simultaneamente, engaja-se no seu esforço inicial solitário de reprodução do espírito. Assim tem começo a criação das hostes seráficas de um universo local.
38:1.2 (418.5) Essas ordens angélicas são projetadas na época em que se planeja a evolução das criaturas mortais volitivas. A criação dos serafins data do momento em que o Espírito Materno do Universo alcança uma relativa personalidade, a qual não é ainda aquela da Ministra coordenada mais recente do Filho Criador Mestre, mas, sim, a da ajudante inicial de criação do Filho Criador. Antes desse acontecimento, os serafins a serviço de Nébadon, temporariamente, eram emprestados de um universo vizinho.
38:1.3 (418.6) Os serafins, periodicamente, estão ainda sendo criados; o universo de Nébadon ainda continua em elaboração. O Espírito Materno do Universo nunca cessa as suas atividades criativas em um universo em vias de crescimento e perfeccionamento.
38:2.1 (419.1) Os anjos não têm corpos materiais, mas são seres definidos, contínuos e discretos; são de natureza e origem espirituais. Embora invisíveis para os mortais, eles percebem-vos enquanto ainda na carne sem a ajuda de transformadores ou de conversores; eles compreendem intelectualmente o modo de vida mortal e compartilham, com os homens, de todas as emoções e sentimentos não sensuais. Apreciam os vossos esforços na música, na arte e no humorismo verdadeiro, e têm grande prazer com isso. Conhecem plenamente as vossas lutas morais e dificuldades espirituais. Amam os seres humanos e apenas o bem pode resultar dos vossos esforços para compreendê-los e amá-los.
38:2.2 (419.2) Embora os serafins sejam seres muito afetuosos e compassivos, não são criaturas com emoções sexuadas. São muito como vós sereis nos mundos das mansões, aonde não ireis “nem casar, nem ser dados em casamento, mas sereis como os anjos nos céus”. Todos aqueles que “forem considerados dignos de alcançar os mundos das mansões não mais casarão, nem serão dados em casamento; nem morrerão mais, pois serão iguais a anjos”. Contudo, ao referirmo-nos às criaturas sexuadas, é do nosso costume falar desses seres de descendência mais direta do Pai e do Filho como filhos de Deus, ao passo que nos referimos à progênie do Espírito como filhas, as filhas de Deus. Nos planetas sexuados, os anjos são, desse modo, mais comumente designados por pronomes femininos.
38:2.3 (419.3) Os serafins são criados, pois, para funcionar tanto no nível espiritual quanto no nível material. Há poucas fases da atividade moroncial ou espiritual que não estejam abertas às suas ministrações. Embora os anjos estejam, quanto ao status pessoal, muito distantes dos seres humanos, em certas atuações funcionais, os serafins ultrapassam de longe os mortais. Eles possuem vários poderes que vão muito além da compreensão humana. Por exemplo, a vós vos foi dito que “os cabelos mesmos da vossa cabeça estão contados”, e isso é verdade, pois que estão; mas um serafim não passa o seu tempo contando-os nem mantendo o número atualizado. Os anjos têm poderes inerentes de percepção para essas coisas (automáticos, segundo a vossa forma de perceber); vós iríeis verdadeiramente considerar um serafim como um prodígio matemático. Assim é que inúmeros deveres, que seriam tarefas enormes para os mortais, são realizados com extrema facilidade pelos serafins.
38:2.4 (419.4) Os anjos são superiores a vós em status espiritual, mas não são os vossos juízes, nem acusadores. Não importando quais sejam as vossas faltas, “os anjos, ainda que maiores em poder e força, não fazem nenhuma acusação contra vós”. Os anjos não fazem o julgamento da humanidade, assim como os indivíduos mortais não deveriam prejulgar os seus semelhantes.
38:2.5 (419.5) Vós fazeis bem em amá-los, mas não deveis adorá-los; os anjos não são objeto de culto. O grande serafim, Loyalátia, quando o vosso profeta “caiu no chão em adoração diante dos pés desse anjo”, disse: “Cuidado, não faças isso; sou um companheiro, um servo junto contigo e as tuas raças, e estamos todos juntos na adoração a Deus”.
38:2.6 (419.6) Pelos dons de natureza e personalidade, os serafins estão apenas um pouco adiante das raças mortais, na escala de existência das criaturas. De fato, quando fordes libertados da carne, vos tornareis muito semelhantes a eles. Nos mundos das mansões, começareis a apreciar os serafins; nas esferas das constelações, a gostar deles e, em Sálvington, eles irão compartilhar convosco os lugares de descanso e adoração. Em toda a ascensão moroncial, e na subseqüente ascensão espiritual, a vossa fraternidade com os serafins será ideal; o vosso companheirismo será esplêndido.
38:3.1 (420.1) Numerosas ordens há de seres espirituais funcionando nos domínios do universo local, e não serão reveladas aos mortais porque não estão de nenhum modo relacionadas ao plano evolucionário de ascensão ao Paraíso. Neste documento, a palavra “anjo” fica limitada propositalmente à designação das progênies seráficas e afins do Espírito Materno do Universo, que tão amplamente se ocupam com a operação dos planos da sobrevivência dos mortais. No universo local, outras seis ordens de seres relacionados estão servindo, são os anjos não revelados; e estes não estão de nenhum modo específico ligados, no universo, às atividades pertinentes à ascensão ao Paraíso dos mortais evolucionários. Esses seis grupos de colaboradores angélicos nunca são chamados de serafins, nem nos referimos a eles como sendo espíritos ministradores. Essas personalidades estão inteiramente ocupadas com os assuntos administrativos e outros assuntos de Nébadon, funções que não são de nenhum modo relacionadas à carreira da progressão humana de perfeccionamento e ascensão espirituais.
38:4.1 (420.2) O nono grupo das sete esferas primárias, no circuito de Sálvington, é o de mundos dos serafins. Cada um desses mundos tem seis satélites tributários, onde estão as escolas especiais que se dedicam a todas as fases de aperfeiçoamento seráfico. Embora os serafins tenham acesso a todos os quarenta e nove mundos desse grupo de esferas de Sálvington, eles ocupam exclusivamente os mundos do primeiro agrupamento dessas sete esferas. Os seis agrupamentos restantes são ocupados pelas seis ordens de seus parceiros angélicos não reveladas em Urântia; cada um desses grupos mantém a sua sede-central em um desses seis mundos primários e realiza atividades especializadas nos seis satélites tributários. Cada ordem angélica tem livre acesso a todos os mundos desses sete grupos diferentes.
38:4.2 (420.3) Esses mundos sedes-centrais estão entre os reinos magníficos de Nébadon; os domínios seráficos são caracterizados tanto pela beleza como pela amplidão. Neles, cada serafim tem um verdadeiro lar, e “lar” significa o domicílio de dois serafins, pois eles vivem aos pares.
38:4.3 (420.4) Conquanto não sejam masculinos nem femininos, como são os Filhos Materiais e as raças mortais, os serafins são negativos e positivos. A maioria dos compromissos requer os dois anjos para realizar a tarefa. Quando não estiverem ligados em circuito, eles podem trabalhar a sós; quando permanecem estacionários, nenhum dos dois requer o complemento do ser. Em geral, eles mantêm o mesmo complemento original do ser, mas não obrigatoriamente. Essas associações são necessárias primordialmente pela função; eles não se caracterizam pela emoção sexual, ainda que eles sejam extremamente pessoais e verdadeiramente afetuosos.
38:4.4 (420.5) Além dos lares de designação, os serafins têm também sedes-centrais de grupo, companhia, batalhão e unidade. E, a cada milênio, reúnem-se, quando todos se fazem presentes, de acordo com a época da sua criação. Se um serafim assume responsabilidades que proíbam que ele se ausente do dever, ele alterna o atendimento com o seu complemento, sendo substituído por um serafim com outra data de nascimento. Cada parceiro seráfico, desse modo, faz-se presente ao menos de duas em duas reuniões.
38:5.1 (420.6) Os serafins passam o seu primeiro milênio, como observadores não designados, em Sálvington e nos mundos-escola interassociados. O segundo milênio é passado nos mundos seráficos do circuito de Sálvington. A sua escola central de aperfeiçoamento atualmente é presidida pelos primeiros cem mil serafins de Nébadon e, à frente destes, está o anjo original, ou o primogênito deste universo local. O primeiro grupo de serafins criado em Nébadon foi treinado por um corpo de mil serafins de Ávalon; subseqüentemente, os nossos anjos aprenderam com os seus próprios companheiros mais experientes. Os Melquisedeques também têm uma grande participação na educação e aperfeiçoamento de todos os anjos do nosso universo local — serafins, querubins e sanobins.
38:5.2 (421.1) Ao término desse período de aperfeiçoamento, nos mundos seráficos de Sálvington, os serafins são mobilizados em grupos e unidades convencionais de organização angélica, sendo designados para uma das constelações. Eles não são designados ainda como espíritos ministradores, embora, em termos de aperfeiçoamento angélico, estejam já bem dentro da fase de pré-designação.
38:5.3 (421.2) Os serafins são iniciados para serem espíritos de ministração, servindo como observadores nos mundos evolucionários mais baixos. Após essa experiência, retornam aos mundos interassociados da sede-central da constelação designada, para começarem os estudos avançados e prepararem-se mais definitivamente para o serviço em algum sistema local em particular. Após essa educação geral eles avançam, para servir em algum dentre os sistemas locais. Nos mundos arquitetônicos interligados à capital de algum sistema de Nébadon, os nossos serafins completam o seu aperfeiçoamento e são designados para as missões como espíritos ministradores do tempo.
38:5.4 (421.3) Uma vez que os serafins sejam assim designados, eles podem percorrer todo o Nébadon, até mesmo Orvônton, por designação. O seu trabalho no universo não tem fronteiras, nem limitações; encontram-se intimamente associados às criaturas materiais dos mundos e estão sempre a serviço das ordens menos elevadas de personalidades espirituais, fazendo contato entre tais seres do mundo espiritual e os mortais dos reinos materiais.
38:6.1 (421.4) Após o segundo milênio de permanência nas sedes-centrais seráficas, os serafins são organizados, sob o comando de chefes, em grupos de doze (12 pares, 24 serafins), e doze desses grupos constituem uma companhia (144 pares, 288 serafins), a qual é comandada por um líder. Doze companhias, sob um comandante, constituem um batalhão (1 728 pares ou 3 456 serafins), e, doze batalhões com um diretor, formam uma unidade seráfica (20 736 pares ou 41 472 indivíduos), enquanto doze unidades, sujeitas ao comando de um supervisor, constituem uma legião, com 248 832 pares ou 497 664 indivíduos. Jesus aludiu a esse agrupamento de anjos naquela noite no jardim do Getsêmane quando disse: “Eu posso agora mesmo pedir a meu Pai e ele me dará imediatamente mais de doze legiões de anjos”.
38:6.2 (421.5) Doze legiões de anjos compreendem uma hoste, que tem 2 985 984 pares ou 5 971 968 indivíduos, e doze dessas hostes (35 831 808 pares ou 71 663 616 indivíduos) perfazem a maior organização operacional de serafins, ou seja, um exército angélico. Uma hoste seráfica é comandada por um arcanjo ou por alguma outra personalidade de status coordenador, enquanto os exércitos angélicos são dirigidos pelos Brilhantes Estrelas Vespertinas ou por outros tenentes imediatos de Gabriel. E Gabriel é o “comandante supremo dos exércitos dos céus”, o dirigente executivo do Soberano de Nébadon, “o senhor Deus das hostes”.
38:6.3 (421.6) Embora servindo sob a supervisão direta do Espírito Infinito, personalizado em Sálvington, desde a auto-outorga de Michael, em Urântia, os serafins e todas as outras ordens no universo local tornaram-se sujeitas à soberania do Filho Mestre. Mesmo quando Michael nasceu na carne, em Urântia, foi transmitida a teledifusão do superuniverso a todo Nébadon, a qual proclamou: “E que os anjos o adorem”. Todas as espécies de anjos estão sujeitas à soberania dele; são uma parte do grupo que foi denominado “os seus anjos poderosos”.
38:7.1 (422.1) Em todos os dons essenciais os querubins e sanobins são semelhantes aos serafins. Eles têm a mesma origem, mas nem sempre o mesmo destino. São espantosamente inteligentes, maravilhosamente eficientes, afetuosos de modo tocante e quase humano. Formam a mais baixa ordem de anjos; daí estarem mais próximos dos tipos de seres humanos que mais progrediram nos mundos evolucionários.
38:7.2 (422.2) O querubim e o sanobim são inerentemente ligados e funcionalmente unidos. Um é uma personalidade de energia positiva; o outro, de energia negativa. O anjo deflector destro, ou positivamente carregado, é o querubim — o sênior, ou a personalidade controladora. O anjo deflector canhoto, ou negativamente carregado, é o sanobim — o complemento do ser. Cada tipo de anjo é muito limitado, quando funciona a sós; daí servirem costumeiramente aos pares. Quando servem independentemente dos seus diretores seráficos, ficam mais do que nunca dependentes do contato mútuo e sempre funcionam juntos.
38:7.3 (422.3) Os querubins e sanobins são ajudantes fiéis e eficientes dos ministros seráficos; e todas as sete ordens de serafins são providas desses ajudantes subordinados. Os querubins e sanobins servem durante idades nessa função, mas não acompanham os serafins em compromissos além dos confins do universo local.
38:7.4 (422.4) Os querubins e os sanobins são trabalhadores espirituais na rotina nos mundos individuais dos sistemas. Num compromisso não pessoal e em uma emergência podem servir no lugar de um par seráfico, mas nunca atuam, nem temporariamente, como anjos da guarda dos seres humanos; esse é um privilégio exclusivamente seráfico.
38:7.5 (422.5) Quando designados para um planeta, os querubins entram nos cursos locais de aperfeiçoamento, incluindo o estudo dos usos e línguas planetários. Os espíritos ministradores do tempo são todos bilíngües, falam a língua do universo local de origem e a do superuniverso de nascimento. Pelo estudo, nas escolas dos reinos, eles aprendem outras línguas. Os querubins e os sanobins, como os serafins e todas as outras ordens de seres espirituais, estão continuamente empenhados no esforço do auto-aperfeiçoamento. Apenas os seres subordinados encarregados do controle da força e direção da energia são incapazes de progredir; todas as criaturas que têm volição de personalidade, factual ou potencialmente, procuram novas realizações.
38:7.6 (422.6) Os querubins e os sanobins estão, por natureza, muito próximos dos níveis moronciais de existência; e demonstram ser ainda mais eficientes nos trabalhos entre as fronteiras dos domínios físico, moroncial e espiritual. Esses filhos do Espírito Materno do Universo local são caracterizados como “quartas criaturas”, exatamente como os Servidores de Havona e as comissões de conciliação. Cada quarto querubim e cada quarto sanobim são quase materiais, muito definitivamente semelhantes ao nível moroncial de existência.
38:7.7 (422.7) Essas quartas criaturas angélicas são de grande ajuda para os serafins, nas fases mais materiais de suas atividades no universo e nos planetas. Esses querubins moronciais também executam muitas tarefas indispensáveis na referida linha fronteiriça, nos mundos de aperfeiçoamentos moronciais; e são designados em grande número para servirem aos Companheiros Moronciais. Estão para as esferas moronciais assim como as criaturas intermediárias estão para os planetas evolucionários. Nos mundos habitados, tais querubins moronciais freqüentemente trabalham em conexão com os seres intermediários. Os querubins e os seres intermediários são ordens de seres distintamente separadas; têm origens diferentes, mas apresentam muita semelhança pela sua natureza e função.
38:8.1 (423.1) Inúmeras e amplas vias de serviço e avanço estão abertas aos querubins e sanobins, levando-os a um engrandecimento de status que pode ser ainda mais ampliado pelo abraço da Ministra Divina. Existem três grandes classes de querubins e sanobins, no que diz respeito ao potencial evolucionário:
38:8.2 (423.2) 1. Os Candidatos à Ascensão. Estes seres são, por natureza, candidatos ao status seráfico. Os querubins e os sanobins dessa ordem são brilhantes, ainda que não sejam iguais aos serafins, por dom inerente; mas, por aplicação e experiência, é-lhes possível alcançar a condição seráfica plena.
38:8.3 (423.3) 2. Os Querubins de Fase Intermediária. Os querubins e os sanobins não são todos iguais em potencial de ascensão, e são os seres inerentemente limitados das criações angélicas. A maior parte deles permanecerá como querubins e sanobins, embora os indivíduos mais dotados possam alcançar a realização de serviços seráficos limitados.
38:8.4 (423.4) 3. Os Querubins Moronciais. Essas “quartas criaturas” das ordens angélicas sempre retêm as suas características quase materiais. Eles continuarão como querubins e sanobins, junto com uma maioria dos seus irmãos da fase intermediária, dependendo da factualização completa do Ser Supremo.
38:8.5 (423.5) Enquanto o segundo e o terceiro grupos são de algum modo limitados em potencial de crescimento, os candidatos à ascensão podem alcançar as alturas do serviço seráfico universal. Muitos dentre os mais experientes desses querubins são agregados aos guardiães seráficos do destino; e, assim, são colocados na linha direta de avanço até o status de Educadores nos Mundos das Mansões, quando abandonados pelos seus seniores seráficos. Os guardiães do destino, quando os seus protegidos mortais atingem a vida moroncial, não mantêm os querubins e sanobins como ajudantes. E, quando o caminho até Seráfington e o Paraíso é aberto a outros tipos de serafins evolucionários, eles devem abandonar os seus antigos subordinados, ao ultrapassarem os confins de Nébadon. Tais querubins e sanobins deixados para trás são usualmente abraçados pelo Espírito Materno do Universo, chegando, então, a um nível equivalente ao de Educador do Mundo das Mansões, na realização dentro do status seráfico.
38:8.6 (423.6) Quando, enquanto Educadores dos Mundos das Mansões, os querubins e os sanobins já abraçados houverem servido por muito tempo nas esferas moronciais, do ponto mais baixo até o mais alto, e, quando o seu corpo, em Sálvington, estiver com excesso de pessoal recrutado, o Brilhante Estrela Matutino convoca esses servidores fiéis das criaturas do tempo para aparecerem diante da sua presença. O juramento da transformação da personalidade é ministrado; e, logo após, em grupos de sete mil, esses querubins e sanobins avançados e veteranos são reabraçados pelo Espírito Materno do Universo. Desse segundo abraço, eles emergem como serafins completos. Daí em diante, a carreira plena e completa de um serafim, com todas as suas possibilidades de alcançar o Paraíso, é aberta para esses querubins e sanobins renascidos. Tais anjos podem ser designados como guardiães do destino de algum ser mortal e, se o pupilo mortal alcançar a sobrevivência, eles tornam-se elegíveis para avançar até Seráfington e os sete círculos de realização seráfica; e mesmo até o Paraíso e o Corpo de Finalidade.
38:9.1 (424.1) As criaturas intermediárias, seres intermediários ou simplesmente intermediários, têm uma classificação tríplice: são colocadas apropriadamente ao lado dos Filhos ascendentes de Deus; encontram-se factualmente agrupadas com as ordens de cidadania permanente e, ao mesmo tempo, estão funcionalmente consideradas junto com os espíritos ministradores do tempo, por causa da sua ligação íntima e efetiva com as hostes angélicas no trabalho de servir ao homem mortal, nos mundos individuais do espaço.
38:9.2 (424.2) Essas criaturas singulares aparecem na maioria dos mundos habitados e são sempre encontradas nos planetas decimais ou de vida experimental, como Urântia. Tais criaturas intermediárias podem ser de dois tipos — a primária e a secundária — e surgem pelas seguintes técnicas:
38:9.3 (424.3) 1. As Intermediárias Primárias, o grupo mais espiritual, constitui uma ordem de seres de um certo modo padronizada, que deriva uniformemente dos mortais ascendentes modificados do grupo de assessores dos Príncipes Planetários. O número de criaturas intermediárias primárias é sempre de cinqüenta mil; e nenhum planeta que desfruta da ministração delas tem um grupo maior.
38:9.4 (424.4) 2. As Intermediárias Secundárias, o grupo mais material dessas criaturas, varia grandemente em número nos diferentes mundos, embora a média seja de cerca de cinqüenta mil. Derivam, de variadas maneiras, dos elevadores biológicos planetários, os Adãos e Evas, ou da sua progênie imediata. Há nada menos do que vinte e quatro técnicas diferentes envolvidas na produção dessas criaturas intermediárias secundárias, nos mundos evolucionários do espaço. O modo de origem desse grupo, em Urântia, foi inusitado e extraordinário.
38:9.5 (424.5) Nenhum desses dois grupos é um acidente evolucionário; ambos constituem-se em elementos essenciais aos planos predeterminados dos arquitetos do universo e o seu aparecimento, nos mundos em evolução, e na conjuntura oportuna, é feito de acordo com os projetos originais e planos de desenvolvimento dos Portadores da Vida supervisores.
38:9.6 (424.6) As intermediárias primárias são energizadas intelectual e espiritualmente pela técnica angélica e são uniformes em status intelectual. Os sete espíritos ajudantes da mente não fazem nenhum contato com elas. E tão somente o sexto e o sétimo, o espírito da adoração e o espírito da sabedoria, estão capacitados a ministrar ao grupo secundário.
38:9.7 (424.7) As intermediárias secundárias são fisicamente energizadas pela técnica Adâmica, estão ligadas ao circuito espiritual pela técnica seráfica; e intelectualmente são dotadas com o tipo de mente moroncial de transição. Estão divididas em quatro tipos físicos, em sete ordens espirituais e doze níveis de sensibilidade intelectual à ministração conjunta dos dois últimos espíritos ajudantes, e da mente moroncial. Essas diversificações determinam atividades e compromissos planetários diferentes.
38:9.8 (424.8) As intermediárias primárias assemelham-se a anjos, mais do que a mortais; as ordens secundárias são muito mais como seres humanos. Cada uma presta ajuda inestimável à outra na execução dos seus múltiplos compromissos planetários. As ministras primárias podem realizar a ligação de cooperação tanto com os controladores de energias moronciais e espirituais, como com os agentes que colocam a mente em circuito. O grupo das secundárias pode estabelecer conexões de trabalho apenas com os controladores físicos e os manipuladores do circuito material. Contudo, já que cada ordem de intermediárias pode estabelecer sincronia perfeita de contato com a outra, cada grupo é, por isso mesmo, capaz de fazer uso prático de toda a gama de energias, que se estende desde o poder físico grosseiro dos mundos materiais, passando pelas fases de transição das energias do universo e indo até as mais elevadas forças da realidade espiritual dos Reinos celestes.
38:9.9 (425.1) O abismo entre os mundos material e espiritual fica perfeitamente preenchido pela ligação consecutiva feita em série, entre o homem mortal e a intermediária secundária, a intermediária primária, o querubim moroncial, o querubim de fase intermediária e os serafins. Na experiência pessoal de um indivíduo mortal, esses vários níveis estão, sem dúvida, mais ou menos unificados e tornam-se pessoalmente significativos por meio das operações misteriosas, que passam desapercebidas, do Ajustador do Pensamento.
38:9.10 (425.2) Em mundos normais, as intermediárias primárias mantêm o seu serviço como um corpo de inteligência e como provedoras do entretenimento celeste da parte do Príncipe Planetário, ao passo que as ministras secundárias continuam a sua cooperação com o regime Adâmico, levando adiante a causa da civilização progressiva do planeta. No caso de traição do Príncipe Planetário ou falta do Filho Material, como ocorreu em Urântia, as criaturas intermediárias tornam-se as protegidas do Soberano do Sistema e servem sob a direção e guia do custódio em atuação no planeta. Todavia, apenas em três outros mundos, de Satânia, esses seres funcionam como um grupo único, sob uma liderança unificada, como o fazem as ministras intermediárias unidas de Urântia.
38:9.11 (425.3) O trabalho planetário, tanto o das intermediárias primárias quanto o das secundárias, é variado e diversificado nos inúmeros mundos individuais de um universo; contudo, nos planetas normais e médios, as atividades delas são muito diferentes dos deveres que ocupam o seu tempo nas esferas isoladas, tais como Urântia.
38:9.12 (425.4) As intermediárias primárias são as historiadoras do planeta; são elas, desde os tempos da chegada do príncipe Planetário, até a idade do estabelecimento em luz e vida, que formulam os aparatos e preparam as descrições, na história do planeta, para as mostras e exibições de tais planetas nos mundos sedes-centrais do sistema.
38:9.13 (425.5) As intermediárias permanecem, por longos períodos, em um mundo habitado; porém conservando-se fiéis à sua missão, elas serão finalmente, e com toda certeza, reconhecidas pelo seu serviço, durante toda uma idade, de manter a soberania do Filho Criador; e serão devidamente recompensadas pela ministração paciente aos mortais materiais dos mundos do tempo e do espaço. Mais cedo ou mais tarde, todas as intermediárias de mérito serão admitidas nas fileiras dos Filhos ascendentes de Deus e devidamente iniciadas na longa aventura de ascensão ao Paraíso, em companhia daqueles mesmos mortais, de origem animal, os seus irmãos da Terra, a quem elas guardaram com tanto zelo e a quem tão efetivamente serviram durante a sua longa permanência planetária.
38:9.14 (425.6) [Apresentado por um Melquisedeque, atuando a pedido do Comandante das Hostes Seráficas de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 39
39:0.1 (426.1) ATÉ ONDE sabemos, o Espírito Infinito, enquanto personalizado na sede- central do universo local, propõe-se produzir uniformemente serafins perfeitos, todavia, por alguma razão desconhecida, essa progênie seráfica é muito diversificada. Tal diversidade pode ser o resultado da interposição desconhecida da Deidade experiencial em evolução; se for assim, nós não podemos comprová-lo. Porém, observamos que, após se haverem sujeitado aos testes educacionais e à disciplina do aperfeiçoamento, clara e infalivelmente, eles passam a ser classificados nos sete grupos seguintes:
39:0.2 (426.2) 1. Serafins Supremos.
39:0.3 (426.3) 2. Serafins Superiores.
39:0.4 (426.4) 3. Serafins Supervisores.
39:0.5 (426.5) 4. Serafins Administradores.
39:0.6 (426.6) 5. Ajudantes Planetários.
39:0.7 (426.7) 6. Ministros de Transição.
39:0.8 (426.8) 7. Serafins do Futuro.
39:0.9 (426.9) Dizer que algum serafim é inferior a um anjo de qualquer outro grupo não seria verdadeiro. Contudo, cada anjo, em princípio no seu serviço, fica limitado ao grupo da sua classificação original e inerente. Manótia, o meu agregado seráfico no preparo dessa declaração, é um serafim supremo que havia funcionado apenas como serafim supremo, no passado. Por diligência e serviço devotado, ele realizou, um por um, todos os sete serviços seráficos, tendo funcionado em quase todos os caminhos de atividades abertos a um serafim; e agora se encontra designado como comandante conjunto dos serafins de Urântia.
39:0.10 (426.10) Os seres humanos algumas vezes acham difícil compreender que uma habilidade gerada para um nível mais elevado de ministração não implique necessariamente na capacidade para funcionar em níveis relativamente mais baixos de serviço. O homem começa a sua vida como uma criança indefesa; cada realização mortal deve, pois, abranger todos os pré-requisitos experienciais; os serafins não têm essa vida pré-adulta — a infância. Eles são, contudo, criaturas experienciais e, por meio da experiência e educação complementar, podem aumentar seus dons divinos e inerentes de aptidão, pela aquisição experiencial de habilidade funcional em um ou mais serviços seráficos.
39:0.11 (426.11) Após haverem sido comissionados, os serafins ficam designados para as reservas dos seus grupos inerentes. Aqueles que têm o status planetário, e de administradores, freqüentemente, servem durante longos períodos como indica a sua classificação original; no entanto, quanto mais alto é o nível da sua função inerente, mais persistentemente os ministros angélicos procuram designações para as ordens mais baixas de serviço no universo. Eles desejam especialmente designações para as reservas dos ajudantes planetários e, se forem bem-sucedidos, entram nas escolas celestes da sede central do Príncipe Planetário de algum mundo evolucionário. E nelas começam os estudos das línguas, história e hábitos locais das raças da humanidade. Os serafins devem adquirir conhecimento e ganhar experiência, tanto quanto os seres humanos. Eles não estão muito distantes de vós, em certos atributos de personalidade. E todos eles anseiam por começar de baixo, no nível mais baixo possível da ministração; assim, podem almejar chegar ao nível mais elevado possível do destino experiencial.
39:1.1 (427.1) Estes são, entre as sete ordens reveladas de anjos do universo local, os mais elevados serafins. Eles funcionam nos sete grupos seguintes, cada um deles estreitamente ligado aos ministros angélicos do Corpo Seráfico dos Completos:
39:1.2 (427.2) 1. Ministros do Filho-Espírito. O primeiro grupo dos serafins supremos é designado para o serviço dos Filhos elevados e dos seres originais do Espírito, residentes e funcionando no universo local. Esse grupo de ministros angélicos também serve ao Filho e ao Espírito do Universo, e permanece intimamente afiliado ao corpo de informação do Brilhante Estrela Matutino, o principal executivo no universo das vontades unidas do Filho Criador e do Espírito Criativo Materno.
39:1.3 (427.3) Sendo designados para os Filhos e para os Espíritos elevados, esses serafins estão naturalmente associados aos serviços múltiplos dos Avonais do Paraíso, da progênie divina do Filho Eterno e do Espírito Infinito. Os Avonais do Paraíso são sempre assistidos, em todas as missões magisteriais e de auto-outorga, por essa ordem elevada e experiente de serafins a qual se devota, nessa missão, a organizar e administrar o trabalho especial ligado ao término de uma dispensação planetária e à inauguração de uma nova idade. Mas a eles não concerne o trabalho do julgamento, que poderia estar ligado a tais mudança de dispensações.
39:1.4 (427.4) Os Ajudantes das Auto-Outorgas. Os Avonais do Paraíso, mas não os Filhos Criadores, quando em uma missão de auto-outorga, são sempre acompanhados por um corpo de 144 ajudantes das auto-outorgas. Esses 144 anjos são os chefes de todos os outros ministros do Filho-Espírito que possam estar ligados a tal missão de outorga. Poderia haver, talvez, legiões sujeitas ao comando de um Filho de Deus, encarnado para uma auto-outorga planetária, mas todos esses serafins seriam organizados e dirigidos pelos 144 ajudantes das auto-outorgas. Ordens mais elevadas de anjos, supernafins e seconafins poderiam também formar uma parte da hoste de ajudantes e, ainda que as suas missões fossem diferentes das dos serafins, todas essas atividades seriam coordenadas pelos ajudantes das auto-outorgas.
39:1.5 (427.5) Tais ajudantes das auto-outorgas são serafins consumados; todos eles já havendo atravessado os círculos de Seráfington e alcançado o Corpo Seráfico dos Completos. E, ainda mais especialmente, foram treinados para fazer frente às dificuldades e arcar com as emergências ligadas às auto-outorgas dos Filhos de Deus, visando o avanço dos filhos do tempo. Todos esses serafins alcançaram o Paraíso e o abraço pessoal do Filho Eterno, a Segunda Fonte e Centro.
39:1.6 (427.6) Os serafins igualmente anseiam por serem designados para as missões dos Filhos encarnados e estarem agregados, como guardiães do destino, aos mortais dos reinos; sendo este último o mais seguro passaporte seráfico para o Paraíso; ao passo que os ajudantes das auto-outorgas realizam o mais elevado serviço, no universo local, entre os serafins Completos que hajam alcançado o Paraíso.
39:1.7 (428.1) 2. Conselheiros dos Tribunais. Estes são os conselheiros seráficos e ajudantes agregados de todas as espécies de tribunais para julgamentos, desde os conciliadores até os tribunais mais altos dos reinos. Não é propósito desses tribunais determinar as sentenças punitivas, mas, sim, julgar divergências sinceras de opinião e decretar a sobrevivência eterna dos mortais ascendentes. E nisto está o dever dos conselheiros da corte: providenciar para que todas as acusações contra as criaturas mortais sejam expostas com justiça e julgadas com misericórdia. Nesse trabalho, encontram-se intimamente associados aos Altos Comissários, mortais ascendentes fusionados ao Espírito, servindo no universo local.
39:1.8 (428.2) Os conselheiros seráficos da corte servem extensivamente como defensores dos mortais. Não que haja jamais existido alguma disposição de ser injusto para com as criaturas inferiores dos reinos, todavia, enquanto a justiça demanda o julgamento de todas as faltas durante a escalada até a divina perfeição, a misericórdia requer que todo passo errado seja avaliado com equanimidade, de acordo com a natureza da criatura e o propósito divino. Esses anjos são expoentes exemplares do elemento da misericórdia inerente à justiça divina — a eqüidade baseada no conhecimento dos fatos subjacentes aos motivos pessoais e às tendências raciais.
39:1.9 (428.3) Essa ordem de anjos serve, desde aos conselhos dos Príncipes Planetários, até os mais altos tribunais do universo local, enquanto os seus parceiros, do Corpo Seráfico dos Completos, atuam nos reinos mais altos de Orvônton e mesmo nas cortes dos Anciães dos Dias em Uversa.
39:1.10 (428.4) 3. Orientadores do Universo. Estes são os verdadeiros amigos e conselheiros pós-graduados de todas as criaturas ascendentes que estejam fazendo uma última estada em Sálvington, no universo de origem delas, e que se encontram no umbral da aventura espiritual apresentada diante delas, no vasto superuniverso de Orvônton. E, nesse momento, muitos seres ascendentes têm um sentimento tal que os mortais só poderiam entender fazendo uma comparação com a emoção humana da saudade. Para trás ficam os reinos das realizações, reinos que se tornaram familiares pelo longo serviço e realizações moronciais; à frente está o mistério desafiante de um universo maior e mais vasto.
39:1.11 (428.5) É tarefa dos orientadores do universo facilitar aos peregrinos ascendentes a passagem dos níveis alcançados aos níveis não alcançados de serviço, no universo; bem como ajudar tais peregrinos a fazer os ajustamentos caleidoscópicos para a compreensão dos significados e valores inerentes à compreensão da posição de um ser espiritual do primeiro estágio; posição esta que não se encontra no final, nem no clímax da ascensão moroncial no universo local, mas, que está ainda no ponto mais baixo da longa escada de ascensão espiritual até o Pai Universal no Paraíso.
39:1.12 (428.6) Muitos dos graduados de Seráfington, membros do Corpo Seráfico dos Completos, associados a esses serafins, engajam-se no ensino extensivo em certas escolas de Sálvington, ligadas ao preparo das criaturas de Nébadon para as relações da próxima idade do universo.
39:1.13 (428.7) 4. Conselheiros do Ensino. Estes anjos assistentes são de uma ajuda inestimável para o corpo espiritual de ensino do universo local. Os conselheiros do ensino constituem-se nos secretários de todas as ordens de mestres, desde os Melquisedeques e Filhos Instrutores da Trindade, até os mortais moronciais designados como ajudantes daqueles da sua espécie que estão imediatamente atrás deles na escala da vida ascendente. Vós vereis, pela primeira vez, tais serafins associados ensinando em algum dos sete mundos das mansões que giram em torno de Jerusém.
39:1.14 (428.8) Tais serafins tornam-se os colaboradores dos chefes de divisão das inúmeras instituições educacionais e de aperfeiçoamento dos universos locais, e encontram-se agregados, em grande número, das faculdades dos sete mundos de aperfeiçoamento dos sistemas locais e das setenta esferas educacionais das constelações. E essas ministrações estendem-se até os mundos individuais. Mesmo os mestres verdadeiros e consagrados do tempo são assistidos, e muitas vezes acompanhados, por esses serafins supremos conselheiros.
39:1.15 (429.1) A quarta auto-outorga enquanto criatura, do nosso Filho Criador, foi à semelhança de um conselheiro de ensino dos serafins supremos de Nébadon.
39:1.16 (429.2) 5. Diretores das Designações. Um corpo de 144 serafins supremos é eleito, de tempos em tempos, pelos anjos que servem nas esferas evolucionárias e arquitetônicas habitadas por criaturas. E, sendo esse o mais elevado conselho angélico de qualquer esfera, ele coordena as fases autodirigidas do serviço e designações seráficas. Tais anjos presidem a todas as assembléias seráficas pertencentes à linha do dever ou ao chamado à adoração.
39:1.17 (429.3) 6 Registradores. Estes são os registradores oficiais dos serafins supremos. Muitos desses anjos elevados nasceram com os seus dons completamente desenvolvidos; outros se qualificaram para as suas posições de confiança e responsabilidade, pela sua aplicação diligente no estudo e por uma atuação fiel em deveres semelhantes, quando estiveram agregados a ordens mais baixas ou de menos responsabilidade.
39:1.18 (429.4) 7. Ministros sem Vínculo. Um grande número de serafins não vinculados da ordem suprema é de servidores autodirigidos nas esferas arquitetônicas e planetas habitados. Tais ministros voluntariamente atendem ao aumento da demanda do serviço dos serafins supremos, constituindo, assim, a reserva geral dessa ordem.
39:2.1 (429.5) Os serafins superiores recebem o seu nome, não porque sejam qualitativamente superiores a outras ordens de anjos, mas porque estão encarregados de atividades as mais altas, em um universo local. Muitos, dentre os dois primeiros grupos desse corpo de serafins, são serafins de designação, anjos que serviram em todas as fases do aperfeiçoamento e retornaram para um compromisso glorificado como diretores da sua espécie, nas esferas das suas atividades anteriores. Sendo um universo jovem, Nébadon não possui muitos dessa ordem.
39:2.2 (429.6) Os serafins superiores atuam nos sete grupos seguintes:
39:2.3 (429.7) 1. O Corpo de Informação. Estes serafins pertencem ao corpo de assistentes pessoais de Gabriel, o Brilhante Estrela Matutino. Eles cobrem o universo local, recolhendo informações dos reinos para a orientação de Gabriel nos conselhos de Nébadon. São o corpo de informação das hostes poderosas presididas por Gabriel, vice-regente do Filho Mestre. Esses serafins não ficam diretamente afiliados aos sistemas, nem às constelações, e as suas informações chegam diretamente a Sálvington por meio de um circuito contínuo, direto e independente.
39:2.4 (429.8) Os corpos de informação dos vários universos locais podem intercomunicar-se, todavia fazem-no apenas dentro de um mesmo superuniverso. Há um diferencial de energia que efetivamente separa os assuntos e as transações dos vários supergovernos. Um superuniverso em geral pode comunicar-se com outro superuniverso apenas por meio de passar pelas provisões e instalações do centro distribuidor do Paraíso.
39:2.5 (430.1) 2. A Voz da Misericórdia. A misericórdia é a tônica do serviço seráfico e da ministração angélica. E, pois, para satisfazer a isso é que deve haver um corpo de anjos que, de um modo especial, retrate a misericórdia. Esses serafins são os verdadeiros ministros da misericórdia aos universos locais. Eles são os líderes inspirados que fomentam os impulsos mais elevados e as emoções mais sagradas de homens e anjos. Os diretores dessas legiões passam a ser agora, e sempre, serafins completos que são também guardiães graduados do destino mortal; isto é, cada par angélico já guiou ao menos uma alma, de origem animal, durante a vida na carne e atravessou subseqüentemente os círculos de Seráfington, havendo sido incorporado ao Corpo Seráfico dos Completos.
39:2.6 (430.2) 3. Os Coordenadores do Espírito. O terceiro grupo de serafins superiores tem a sua base em Sálvington, mas funciona no universo local e em qualquer lugar onde possa prestar serviços fecundos. Ainda que as suas tarefas sejam essencialmente espirituais e, portanto, ainda que estejam além do entendimento verdadeiro das mentes humanas, vós podereis captar talvez algo da sua ministração aos mortais, se vos for explicado que a esses anjos é confiada a tarefa de preparar os seres ascendentes na sua jornada a Sálvington, para o seu último trânsito dentro do universo local — desde o mais alto nível moroncial até o status de seres espirituais recém-nascidos. Do mesmo modo que os planejadores da mente, nos mundos das mansões, ajudam as criaturas sobreviventes a ajustarem-se à mente moroncial e fazerem um uso eficaz dos potenciais da mesma, esses serafins instruem os graduados moronciais de Sálvington no que diz respeito às capacidades recém-alcançadas pela mente espiritual. Além de servirem aos mortais ascendentes de muitos outros modos.
39:2.7 (430.3) 4. Os Mestres Assistentes. Os mestres assistentes são ajudantes e colaboradores dos seus companheiros serafins, os conselheiros do ensino. Estão também individualmente relacionados aos empreendimentos educacionais extensivos do universo local, especialmente aos do esquema sétuplo de aperfeiçoamento, operante nos mundos das mansões dos sistemas locais. Um maravilhoso corpo dessa ordem de serafins funciona em Urântia com o propósito de fomentar e levar adiante a causa da verdade e da retidão.
39:2.8 (430.4) 5. Os Transportadores. Todos os grupos de espíritos ministradores têm o seu corpo de transporte; ordens angélicas dedicadas ao provimento do transporte às personalidades incapazes de viajar, por si próprias, de uma esfera a outra. O quinto grupo de serafins superiores tem a sua sede-central em Sálvington, e os seus membros servem como transportadores do espaço, para a ida e a volta à sede-central do universo local. Como em outras subdivisões dos serafins superiores, alguns foram criados como tais, ao passo que outros ascenderam de grupos mais baixos ou menos dotados.
39:2.9 (430.5) O “alcance energético” dos serafins é completamente adequado ao universo local, preenchendo mesmo as exigências para transitar no superuniverso, no entanto não poderiam suportar a demanda de energia requerida em uma viagem tão longa quanto a de Uversa até Havona. Essa viagem tão exaustiva requer os poderes especiais de um seconafim primário com dons de transporte. Os transportadores carregam-se com a energia para o vôo durante o próprio trânsito e recuperam a potência pessoal após o final da viagem.
39:2.10 (430.6) Mesmo em Sálvington, os mortais ascendentes não possuem modos pessoais de transitar. Os seres ascendentes devem depender do transporte seráfico para avançar de mundo a mundo, até depois do último descanso do sono no círculo mais interno de Havona e do despertar eterno no Paraíso. Depois disso, não mais sereis dependentes de anjos para o vosso transporte de universo para universo.
39:2.11 (430.7) O processo de ser enserafinado não é diferente da experiência da morte ou do sono, exceto pelo fato de haver um elemento automático de tempo, no sono do trânsito. Vós permaneceis conscientemente inconscientes durante o descanso seráfico. Mas o Ajustador do Pensamento permanece plena e totalmente consciente; e, de fato, este torna-se excepcionalmente eficiente já que vós ficareis incapazes de opor, resistir, ou, de qualquer outro modo, impedir o trabalho de criação e transformação desse Ajustador solidário.
39:2.12 (431.1) Enquanto estiverdes enserafinados, ireis dormir por um tempo específico, e ireis acordar no momento designado. A duração de uma jornada, quando em sono de trânsito, é irrelevante. Vós não ficareis diretamente conscientes do passar do tempo. É como se vós fôsseis dormir em um veículo de transporte em uma cidade e, após descansar em um sono pacífico durante toda a noite, acordásseis em uma outra metrópole distante. Vós viajastes enquanto dormíeis. E, assim, voais através do espaço, enserafinados, enquanto descansais — adormecidos. O sono de trânsito é induzido por uma conexão entre os Ajustadores e os transportadores seráficos.
39:2.13 (431.2) Os anjos não podem transportar corpos combustíveis — de carne e osso — como os que tendes agora, mas podem transportar todos os outros, da mais baixa constituição moroncial às mais elevadas formas espirituais. Eles não atuam no evento da morte natural, pois quando vós terminais a vossa carreira terrena, o vosso corpo permanece neste planeta. O vosso Ajustador do Pensamento prossegue para o seio do Pai, e os anjos transportadores não se encontram ligados diretamente à subseqüente reconstituição da vossa personalidade, no mundo de identificação nas mansões. Ali o vosso novo corpo é uma forma moroncial, daquelas que podem enserafinar-se. Vós “semeais um corpo mortal” na sepultura; e “colheis uma forma moroncial” no mundo das mansões.
39:2.14 (431.3) 6. Os Registradores. Tais personalidades ocupam-se especialmente com a recepção, o preenchimento e o reenvio dos registros de Sálvington e seus mundos interassociados. Eles também servem como registradores especiais para os grupos residentes do superuniverso e para as personalidades mais elevadas, tais como os oficiais das cortes de Sálvington e os secretários dos seus governantes.
39:2.15 (431.4) Os Difusores — os receptores e os emissores — constituem uma subdivisão especializada dos registradores seráficos, ocupando-se com o envio dos registros e com a disseminação da informação essencial. O seu trabalho é de uma ordem elevada, estando ligados a tantos circuitos múltiplos que 144 000 mensagens podem atravessar simultaneamente as mesmas linhas de energia. Eles adaptam as técnicas ideográficas mais apuradas dos chefes superáficos registradores e, com esses símbolos comuns, mantêm contato recíproco, tanto com os coordenadores da informação dos supernafins terciários, quanto com os coordenadores glorificados da informação do Corpo Seráfico dos Completos.
39:2.16 (431.5) Os registradores seráficos da ordem superior efetivam, assim, uma ligação íntima com o corpo de informação da sua própria ordem e com todos os registradores subordinados, enquanto as emissões capacitam-nos a manter comunicação constante com os registradores mais elevados do superuniverso e, por intermédio desse canal, com os registradores de Havona e os custódios do conhecimento no Paraíso. Muitos, da ordem superior dos registradores, são serafins ascendentes vindos de deveres semelhantes, em seções mais baixas do universo.
39:2.17 (431.6) 7. As Reservas. Amplas reservas de todos os tipos de serafins superiores são mantidas em Sálvington, disponíveis instantaneamente para serem despachadas aos mundos mais longínquos de Nébadon, tão logo sejam requisitadas pelos diretores da designação ou solicitadas a pedido dos administradores do universo. As reservas de serafins superiores também fornecem ajudantes mensageiros quando estes são requisitados pelo comandante dos Brilhantes Estrelas Vespertinas, aos quais estão confiadas a custódia e despacho de todas as comunicações pessoais. Um universo local é plenamente provido de meios adequados de intercomunicação, mas há sempre um resíduo de mensagens requerendo que o seu envio seja feito por meio de mensageiros pessoais.
39:2.18 (432.1) As reservas básicas para todo o universo local são mantidas nos mundos seráficos de Sálvington. Esse corpo inclui todos os tipos de anjos.
39:3.1 (432.2) Esta versátil ordem de anjos do universo é designada para o serviço exclusivo das constelações. Esses hábeis ministros têm sua sede-central nas capitais das constelações, mas atuam em todo o Nébadon, na defesa do interesse dos reinos das suas designações.
39:3.2 (432.3) 1. Os Assistentes da Supervisão. A primeira ordem dos serafins supervisores é designada para o trabalho coletivo dos Pais da Constelação, e são os ajudantes sempre eficientes dos Altíssimos. Esses serafins ocupam-se primariamente com a unificação e estabilização de toda uma constelação.
39:3.3 (432.4) 2. Os Prognosticadores da Lei. A fundação intelectual da justiça é a lei e, em um universo local, a lei origina-se nas assembléias legislativas das constelações. Esses corpos deliberativos codificam e promulgam formalmente as leis básicas de Nébadon, leis destinadas a proporcionar a maior coordenação possível de toda uma constelação de acordo com a política fixada de não-transgressão do livre-arbítrio moral das criaturas pessoais. É dever da segunda ordem de serafins supervisores colocar, diante dos legisladores da constelação, um prognóstico de como qualquer comando proposto afetaria as vidas das criaturas de livre-arbítrio. Eles estão bem qualificados para executar esse serviço, em virtude de possuírem longa experiência com os sistemas locais e mundos habitados. Tais serafins não procuram nenhum favor especial para um grupo, nem para outro; eles surgem, diante dos elaboradores celestes das leis, para falar por aqueles que não podem estar presentes nem falar por si próprios. Até o homem mortal pode contribuir para a evolução da lei do universo, pois esses mesmos serafins, plena e fielmente, retratam não necessariamente os desejos transitórios e conscientes do homem, mas, sim, as verdadeiras aspirações do homem interior, da alma moroncial em evolução dos mortais materiais nos mundos do espaço.
39:3.4 (432.5) 3. Os Arquitetos Sociais. Dos planetas individuais até os mundos moronciais de aperfeiçoamento, esses serafins trabalham para engrandecer todos os contatos sociais sinceros e levar adiante a evolução social das criaturas do universo. São esses anjos que procuram despojar de toda artificialidade os grupos de seres inteligentes, empenhando-se, ao mesmo tempo, em facilitar a interassociação das criaturas de vontade com base em um verdadeiro auto-entendimento e valoração mútua genuína.
39:3.5 (432.6) Os arquitetos sociais tudo fazem dentro do seu domínio e poder para reunir indivíduos de modo a constituir grupos de trabalho eficientes e agradáveis nos planetas; e, algumas vezes, tais grupos têm se encontrado novamente re-associados nos mundos das mansões, para um serviço frutífero e continuado. Não é sempre, porém, que tais serafins alcançam as suas metas; também, nem sempre são capazes de reunir aqueles que formariam o grupo mais ideal para realizar um dado propósito, ou executar uma certa tarefa; sob essas condições, eles devem utilizar da melhor maneira o que está disponível.
39:3.6 (432.7) Esses anjos continuam a sua ministração nos mundos das mansões e nos mundos moronciais mais elevados. Ocupam-se de qualquer empreendimento que tenha a ver com o progresso nos mundos moronciais e envolva três ou mais pessoas. Dois seres são considerados como operando em uma forma de casal, complementarmente, ou em sociedade; mas, quando três ou mais se agrupam para o serviço, eles constituem uma questão social e, portanto, caem na jurisdição dos arquitetos sociais. Esses eficientes serafins estão organizados em setenta divisões em Edêntia; e tais divisões ministram aos setenta mundos moronciais de progressão que circundam as esferas da sede-central.
39:3.7 (433.1) 4. Os Sensibilizadores Éticos. A missão desses serafins é fomentar e promover o crescimento do valor que a criatura dá à moralidade, nas relações interpessoais, pois esta é a semente e segredo para o crescimento contínuo e pleno de propósito da sociedade e governo humano ou supra-humano. Esses estimuladores da valoração ética funcionam em todo e qualquer lugar onde possam ser de utilidade, como conselheiros voluntários dos governantes planetários e mestres de intercâmbio nos mundos de aperfeiçoamento dos sistemas. Contudo, não chegareis a estar plenamente sob o seu cuidado, não antes de chegardes às escolas de irmandade em Edêntia, onde eles irão estimular a vossa apreciação daquelas verdades da fraternidade que vós ireis então explorar seriamente, por meio da experiência efetiva de conviver com os univitátias nos laboratórios sociais de Edêntia, nos setenta satélites da capital de Norlatiadeque.
39:3.8 (433.2) 5. Os Transportadores. O quinto grupo de serafins supervisores opera como transportadores de personalidades, carregando seres em um circuito de ida e volta às sedes-centrais das constelações. Esses serafins de transporte, durante o vôo de uma esfera para outra, mantêm-se plenamente conscientes da sua velocidade, direção e posição astronômica; não atravessam o espaço como um projétil inanimado. Podem passar perto um do outro, durante o vôo no espaço, sem o menor risco de colisão. E são plenamente capazes de variar a velocidade de progressão e alterar a direção do vôo e, mesmo, modificar os destinos caso os seus diretores os instruírem a fazê-lo em qualquer entroncamento espacial, nos circuitos da inteligência do universo.
39:3.9 (433.3) Essas personalidades de transporte são organizadas de um modo tal que possam utilizar simultaneamente todas as três linhas de energia universalmente distribuídas; cada uma com a velocidade desimpedida de 299 725 quilômetros por segundo no espaço. Desse modo, esses transportadores são capazes de superpor velocidades da energia à velocidade da potência até atingirem uma velocidade média, nas suas longas jornadas, que varia entre 893 000 e 899 400 quilômetros por segundo do vosso tempo. A velocidade é alterada pela massa, a proximidade de corpos materiais e pela força e direção dos circuitos próximos principais de força do universo. Há inúmeros tipos de seres, semelhantes aos serafins, os quais são capazes de atravessar o espaço e capazes também de transportar outros seres preparados adequadamente.
39:3.10 (433.4) 6. Os Registradores. A sexta ordem de serafins supervisores atua como registradora especial dos assuntos da constelação. Um corpo grande e eficiente funciona em Edêntia, a sede-central da constelação de Norlatiadeque, à qual pertencem o vosso sistema e planeta.
39:3.11 (433.5) 7. As Reservas. Reservas gerais de serafins supervisores são mantidas nas sedes-centrais das constelações. Estes reservistas angélicos não ficam inativos em nenhum sentido; muitos servem como mensageiros ajudantes para os governantes das constelações; outros ficam agregados às reservas dos Vorondadeques não designados, em Sálvington; outros ainda podem continuar agregados aos Filhos Vorondadeques nos compromissos especiais: de observadores Vorondadeques, e, algumas vezes, de Regentes Altíssimos de Urântia.
39:4.1 (434.1) A quarta ordem de serafins está designada para os deveres administrativos dos sistemas locais. São naturais das capitais dos sistemas, porém permanecem estacionados, em grande número, nas esferas moronciais e das mansões, e nos mundos habitados. Os serafins de quarta-ordem, por natureza, são dotados de habilidades administrativas incomuns. São os assistentes habilitados dos diretores das divisões mais baixas do governo do Filho Criador do universo e ocupam-se principalmente dos assuntos dos sistemas locais e mundos componentes. Para o serviço, organizam-se do modo seguinte:
39:4.2 (434.2) 1. Os Assistentes Administrativos. Estes serafins capacitados são os assistentes imediatos de um Soberano de Sistema, um Filho Lanonandeque primário. São ajudantes de valor inestimável na execução dos detalhes intrincados do trabalho executivo, nas sedes-centrais do sistema. Também servem como agentes pessoais dos governantes do sistema, viajando, em grande número, indo e voltando aos vários mundos de transição e planetas habitados, executando muitos mandados para o bem-estar do sistema e no interesse físico e biológico dos seus mundos habitados.
39:4.3 (434.3) Esses mesmos administradores seráficos ficam também vinculados aos governantes dos mundos, os Príncipes Planetários. A maioria dos planetas, em um mesmo universo, está, cada um, sob a jurisdição de um Filho Lanonandeque secundário, mas, em certos mundos, como Urântia, tem havido um desvio do plano divino. No caso da traição de um Príncipe Planetário, esses serafins passam a ser vinculados aos Melquisedeques, que recebem o mandado, e seus sucessores na autoridade planetária. O governante atual de Urântia é assistido por um corpo de mil serafins dessa versátil ordem.
39:4.4 (434.4) 2. Os Guias da Justiça. Estes são os anjos que apresentam o sumário das evidências úteis ao bem-estar eterno de homens e anjos, quando essas questões surgem para julgamento nos tribunais de um sistema ou planeta. Eles preparam as declarações para todas as audiências preliminares, envolvendo a sobrevivência mortal; declarações que são subseqüentemente levadas, junto com os registros desses casos, aos tribunais mais altos do universo e superuniverso. A defesa de todos os casos em dúvida, quanto à sobrevivência, é preparada por esses serafins, que têm uma compreensão perfeita de todos os detalhes de cada aspecto de tudo que pesará nas acusações lançadas pelos administradores da justiça do universo.
39:4.5 (434.5) A missão de tais anjos não é derrotar ou retardar a justiça, mas, sim, assegurar que uma justiça sem erros seja estendida, com misericórdia generosa e com eqüidade, a todas as criaturas. Esses serafins freqüentemente funcionam nos mundos locais, comumente aparecendo diante dos trios de árbitros das comissões de conciliação — as cortes para desentendimentos menores. Muitos daqueles que já serviram como Guias da Justiça, nos reinos mais baixos, mais tarde aparecem como Vozes da Misericórdia nas esferas mais altas e em Sálvington.
39:4.6 (434.6) Na rebelião de Lúcifer, em Satânia, poucos guias da justiça foram perdidos, porém mais de um quarto dos outros serafins administradores e das ordens mais baixas de ministros seráficos foi desguiada havendo sido iludida pelos sofismas da liberdade pessoal desenfreada.
39:4.7 (434.7) 3. Os Intérpretes da Cidadania Cósmica. Quando os mortais ascendentes houverem completado o aperfeiçoamento nos mundos das mansões, o primeiro aprendizado de estudantes na carreira do universo, passará a ser-lhes permitido desfrutar das satisfações transitórias de uma maturidade relativa — a cidadania na capital do sistema. Conquanto o alcance de cada meta ascendente seja uma realização real, no sentido mais amplo, essas metas são simplesmente marcos no longo trajeto ascendente até o Paraíso. No entanto, por mais relativos que esses êxitos possam ser, a nenhuma criatura evolucionária jamais deixa de ser assegurada, ainda que passageira, toda a satisfação de haver alcançado um objetivo. De quando em quando, há uma pausa na ascensão ao Paraíso, uma curta parada para respirar, durante a qual os horizontes no universo permanecem quietos, o status da criatura fica estacionário e a personalidade sente o gosto da doçura de haver atingido o seu objetivo.
39:4.8 (435.1) O primeiro desses períodos na carreira de um ascendente mortal ocorre na capital de um sistema local. Durante essa pausa, como cidadãos de Jerusém, vós intentareis expressar, na vida de criatura, aquelas coisas que adquiristes durante as oito experiências precedentes de vida — que abrangem a passagem por Urântia e aquelas nos sete mundos das mansões.
39:4.9 (435.2) Os intérpretes seráficos da cidadania cósmica guiam os novos cidadãos das capitais do sistema, e estimulam a sua apreciação das responsabilidades do governo do universo. Esses serafins estão também intimamente associados aos Filhos Materiais na administração do sistema; e retratam a responsabilidade e a moralidade da cidadania cósmica aos mortais materiais nos mundos habitados.
39:4.10 (435.3) 4. Os Estimuladores da Moralidade. Nos mundos das mansões, começais a aprender o autogoverno, que beneficia a todos os envolvidos. A vossa mente aprende a cooperar, como planejar junto a outros seres mais sábios. Nas sedes-centrais dos sistemas, os instrutores seráficos irão estimular ainda mais a vossa apreciação da moralidade cósmica — as interações entre a liberdade e a lealdade.
39:4.11 (435.4) O que é lealdade? É o fruto de uma valoração inteligente da irmandade no universo: não se deveria tomar muito e não dar nada. Ao ascenderdes na escala da personalidade, inicialmente aprendereis a ser leais, depois a amar, depois a ser filiais e, então, podereis ser livres; mas não podereis alcançar a finalidade da liberdade antes de vos tornardes finalitores, antes de haverdes alcançado a perfeição da lealdade.
39:4.12 (435.5) Esses serafins ensinam a fecundidade advinda da paciência: que a estagnação é a morte certa, e o crescimento rápido em excesso é igualmente suicida; que, como uma gota de água cai do nível mais alto para o mais baixo e continua a fluir, indo sempre para baixo, em uma sucessão de pequenas quedas, também assim, só que para cima, é o progresso nos mundos moronciais e do espírito — igualmente devagar e por meio de estágios igualmente gradativos.
39:4.13 (435.6) Para os mundos habitados, os estimuladores da moralidade retratam a vida mortal como uma corrente contínua de muitos elos. A vossa curta permanência em Urântia, esta esfera da infância mortal, é apenas um elo, o primeiríssimo da longa cadeia que irá estender-se através dos universos e através das idades eternas. Não é tanto o que aprendeis nesta primeira vida; é a experiência de viver essa vida que é importante. Mesmo o trabalho deste mundo, por mais importante que seja, não tem tanta importância, não tanto quanto a maneira com a qual vós fazeis esse trabalho. Não há nenhuma recompensa material para a vida na retidão, mas há a satisfação profunda — a consciência da realização — e isso transcende qualquer recompensa material concebível.
39:4.14 (435.7) As chaves do Reino dos céus são: sinceridade, e mais sinceridade; e mais sinceridade ainda. Todos os homens têm o alcance dessas chaves. Os homens usam-nas — avançando em status espiritual — por meio de decisões, de mais decisões e outras decisões mais, ainda. A escolha moral mais elevada é a escolha do valor mais elevado possível e — em toda e qualquer esfera — , isso sempre significa escolher fazer a vontade de Deus. Se o homem escolhe assim, ele é grande, ainda que seja o mais humilde cidadão de Jerusém ou mesmo o menor dos mortais de Urântia.
39:4.15 (436.1) 5. Os Transportadores. Estes são os serafins de transporte que funcionam nos sistemas locais. Em Satânia, o vosso sistema, eles levam os passageiros a Jerusém e os trazem de volta; e também servem como transportadores interplanetários. Raramente passa um dia sem que um serafim de transporte de Satânia traga algum visitante, estudante, ou algum outro viajante, de natureza espiritual ou semi-espiritual, até as margens de Urântia. Esses mesmos cruzadores do espaço irão, algum dia, levar-vos, em um circuito de ida e volta, aos vários mundos do grupo da sede-central do sistema e, quando houverdes concluído os vossos compromissos em Jerusém, eles vos levarão adiante, até Edêntia. Contudo, sob nenhuma circunstância, eles vos carregarão de volta ao mundo de origem humana. Um mortal nunca retorna ao seu planeta de nascimento, durante a dispensação da sua existência temporal, e, caso devesse ele retornar durante uma dispensação subseqüente, seria acompanhado por um serafim de transporte do grupo da sede-central do universo.
39:4.16 (436.2) 6. Os Registradores. Estes serafins são os guardiães dos registros tríplices dos sistemas locais. O templo dos registros, na capital de um sistema, é uma estrutura singular da qual uma terça parte é material, construída de metais luminosos e cristais; outra terça parte é moroncial, fabricada usando a ligação da energia espiritual com a material, para além do alcance da visão mortal; e uma terça parte é espiritual. Os registradores dessa ordem mantêm esse sistema tríplice de registros e presidem a ele. Os mortais ascendentes irão primeiramente consultar os arquivos materiais; os Filhos Materiais e os seres de transição, mais elevados, consultam os arquivos das salas moronciais; enquanto os serafins e as personalidades espirituais mais elevadas do reino pesquisam nos registros das seções do espírito.
39:4.17 (436.3) 7. As Reservas. O corpo reserva dos serafins administradores em Jerusém passa grande parte do tempo de espera servindo como companheiros espirituais, junto aos mortais ascendentes recém-chegados de vários mundos do sistema — graduados acreditados dos mundos das mansões. Uma das delícias da vossa permanência em Jerusém será conversar e, durante os períodos de férias, estar com esses serafins bastante viajados; e mais outras tantas experiências que vos aguardam no corpo de reserva.
39:4.18 (436.4) São exatamente os relacionamentos amigáveis desse tipo que tornam uma capital de sistema tão querida para os mortais ascendentes. Em Jerusém, ireis encontrar o primeiro congraçamento entre Filhos Materiais, anjos e peregrinos ascendentes. Ali se confraternizam os seres que são totalmente espirituais com os semi-espirituais e os indivíduos que acabam de emergir da existência material. As formas mortais ali já estão tão modificadas e as gamas das reações humanas à luz encontram-se tão ampliadas, que todos poderão desfrutar do reconhecimento mútuo e compreensão simpática entre personalidades.
39:5.1 (436.5) Estes serafins mantêm as suas sedes-centrais nas capitais dos sistemas e, sendo intimamente ligados aos cidadãos Adâmicos residentes, são primariamente designados para o serviço dos Adãos planetários, os elevadores biológicos ou físicos das raças materiais nos mundos evolucionários. O trabalho da ministração dos anjos torna-se de interesse crescente à medida que se avizinha dos mundos habitados, à medida que abrange os problemas reais enfrentados pelos homens e mulheres do tempo, os quais se preparam para o esforço de alcançar a meta da eternidade.
39:5.2 (437.1) A maioria dos ajudantes planetários foi retirada de Urântia quando do colapso do regime Adâmico; e a supervisão seráfica do vosso mundo recaiu, em maior grau, sobre os administradores, os ministros de transição e os guardiães do destino. Todavia, os ajudantes seráficos dos vossos Filhos Materiais faltosos servem ainda, em Urântia, nos grupos seguintes:
39:5.3 (437.2) 1. As Vozes do Jardim. Quando o curso planetário da evolução humana está atingindo o seu mais alto nível biológico, sempre surgem os Filhos e Filhas Materiais, os Adãos e Evas, para dar incremento à evolução ulterior das raças com a contribuição factual do seu plasma vital superior. A sede-central planetária desse Adão e dessa Eva é denominada usualmente de Jardim do Éden, e os seus serafins pessoais freqüentemente são conhecidos como as “Vozes do Jardim”. Tais serafins prestam um serviço inestimável aos Adãos Planetários em todos os seus projetos de elevação física e intelectual das raças evolucionárias. Depois da falta Adâmica, em Urântia, alguns desses serafins foram deixados no planeta e designados para os sucessores em autoridade de Adão.
39:5.4 (437.3) 2. Os Espíritos da Fraternidade. Quando um Adão e uma Eva chegam a um mundo evolucionário, deveria ficar claro que a tarefa de efetivar a harmonia racial e a cooperação social entre as diversas raças devesse assumir proporções consideráveis. Raramente as raças de cores diferentes e naturezas variadas aceitam, com simpatia, o plano de irmandade humana. Esses homens primitivos somente chegam a compreender a sabedoria da interassociação pacífica por meio de uma experiência humana amadurecida e com a ministração fiel dos espíritos seráficos da fraternidade. Sem o trabalho desses serafins, os esforços dos Filhos Materiais de harmonizar e fazer as raças avançarem, em um mundo em evolução, teriam os seus resultados grandemente retardados. E, caso o vosso Adão houvesse aderido ao plano original do avanço de Urântia, a essa altura esses espíritos da irmandade já haveriam realizado transformações inacreditáveis na raça humana. Considerando a falta Adâmica, de fato é notável que essas ordens seráficas tenham sido capazes de fomentar e trazer à realização até mesmo o nível atual de irmandade existente em Urântia.
39:5.5 (437.4) 3. As Almas da Paz. Os primeiros milênios de esforços para a ascensão evolucionária dos homens foram marcados por muitas lutas. A paz não é o estado natural dos reinos materiais. Os mundos compreendem a “paz na terra e boa vontade entre os homens”, inicialmente, por meio da ministração das almas seráficas da paz. Ainda que esses anjos tenham sido obstados amplamente nos seus primeiros esforços em Urântia, Vevona, o comandante das almas da paz nos dias de Adão, foi deixado em Urântia e agora está agregado à assessoria do governador-geral residente. E foi esse mesmo Vevona que, quando Michael nasceu, anunciou aos mundos, como líder das hostes angélicas: “Glória a Deus em Havona e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens”.
39:5.6 (437.5) Nas épocas mais avançadas da evolução planetária esses serafins constituem-se em instrumentos para suplantar a idéia da expiação, substituindo-a pelo conceito da harmonização divina como uma filosofia para a sobrevivência dos mortais.
39:5.7 (437.6) 4. Os Espíritos da Confiança. A suspeita é a reação inerente dos homens primitivos; as lutas pela sobrevivência nas primeiras idades não geram naturalmente a confiança. A confiança é uma aquisição humana nova, trazida que tem sido pela ministração desses serafins planetários do regime Adâmico. A missão deles é inculcar a confiança nas mentes dos homens em evolução. Os Deuses são muito confiantes; o Pai Universal quis confiar a Si próprio, livremente — por meio do Ajustador — , na Sua ligação com o homem.
39:5.8 (438.1) Todo esse grupo de serafins foi transferido para o novo regime, depois do malogro Adâmico e, desde então, têm continuado os seus trabalhos em Urântia. E não fracassaram inteiramente, pois uma civilização está agora evoluindo, na qual estão incorporados muitos dos seus ideais de confiança e credibilidade.
39:5.9 (438.2) Nas idades planetárias mais avançadas esses serafins dão ênfase à valoração que o homem atribui à verdade de que a incerteza é o segredo para uma continuidade satisfatória. Eles ajudam os filósofos mortais a compreenderem que, para a criatura, seria um erro colossal conhecer o futuro; a ignorância, pois, passando a ser essencial ao êxito. Eles aumentam o gosto do homem pela doçura da incerteza, pelo romanticismo e o encanto de um futuro indefinido e desconhecido.
39:5.10 (438.3) 5. Os Transportadores. Os transportadores planetários servem aos mundos individuais. A maioria dos seres enserafinados trazida a este planeta está em trânsito, parando aqui meramente de passagem; eles são custodiados pelos seus próprios transportadores seráficos especiais; e um grande número desses serafins está estacionado em Urântia. Essas são as personalidades de transporte que operam desde os planetas locais, como Urântia, até Jerusém.
39:5.11 (438.4) A idéia convencional que vós possuís dos anjos surgiu do seguinte modo: durante os momentos imediatamente anteriores à morte física, um fenômeno refletivo ocorre, algumas vezes, na mente humana, e essa consciência que se apaga parece visualizar algo da forma do anjo da guarda, e isso é imediatamente traduzido nos termos do conceito habitual de anjo, já existente na mente daquele indivíduo.
39:5.12 (438.5) A idéia errônea de que os anjos possuem asas não é de todo em decorrência das noções antigas de que eles deviam ter asas para voar pelo ar. Aos seres humanos algumas vezes foi permitido observar os serafins sendo preparados para o serviço de transporte, e as tradições dessas experiências determinaram amplamente o conceito urantiano de anjos. Ao observar um serafim de transporte aprontar-se a fim de receber um passageiro para o trânsito interplanetário, pode ter sido avistado o que aparentemente é um duplo conjunto de asas que se estende da cabeça aos pés do anjo. Na realidade, essas asas são os isoladores de energia — os escudos de fricção.
39:5.13 (438.6) Quando os seres celestes estão para ser enserafinados, para a transferência de um mundo a outro, eles são trazidos até a sede-central da esfera e, depois do devido registro, induzidos ao sono de trânsito. Nesse meio tempo, o serafim de transporte move-se até uma posição horizontal diretamente sobre um pólo da energia universal no planeta. Enquanto os escudos de energia estão completamente abertos, a personalidade adormecida é habilmente depositada, pelos assistentes seráficos que operam diretamente em cima do anjo de transporte. Então, ambos os pares de escudos, os superiores e os inferiores, são cuidadosamente fechados e ajustados.
39:5.14 (438.7) E, agora, sob a influência dos transformadores e transmissores, tem início uma estranha metamorfose, à medida que o serafim se apronta para flutuar na direção das correntes de energia dos circuitos do universo. Visto de fora, o serafim torna-se pontiagudo nas extremidades e fica envolvido em uma estranha luz de tonalidade âmbar, de tal forma que, logo se torna impossível distinguir a personalidade enserafinada. Quando tudo está pronto para a partida, o diretor dos transportes faz a inspeção própria do veículo da vida, procede aos testes de rotina, para certificar-se de que o anjo esteja adequadamente dentro do circuito e, então, anuncia que o viajante está enserafinado da maneira adequada, que as energias estão ajustadas, que o anjo está isolado e tudo se acha preparado para o clarão da partida. Os controladores mecânicos, dois deles, em seguida, ocupam as suas posições. Nesse momento, o serafim de transporte torna-se quase transparente, vibrante, de uma silhueta luminosa com o formato de torpedo. Agora o despachador do transporte do reino reúne as baterias auxiliares dos transmissores das energias vivas, usualmente em número de mil; e, quando anuncia o destino do transporte, ele toca no ponto próximo do veículo seráfico, o qual o dispara para frente à velocidade de um relâmpago, deixando uma trilha de luminosidade celeste até onde se estende a vestimenta atmosférica planetária. Em menos de dez minutos, o espetáculo maravilhoso terá desaparecido, mesmo para a reforçada visão seráfica.
39:5.15 (439.1) Enquanto os informes espaciais planetários são recebidos ao meio-dia, no meridiano da sede-central espiritual designada, os transportadores são despachados desse mesmo lugar à meia-noite. Essa é a hora mais favorável para a partida e é a hora-padrão, quando não é especificado de outro modo.
39:5.16 (439.2) 6. Os Registradores. Estes são os custódios dos assuntos maiores do planeta, para tudo aquilo que funciona como uma parte do sistema, e no que se relaciona ao governo do universo e dele se ocupa. Eles trabalham no registro de assuntos planetários, mas não se ocupam das questões ligadas à vida e existência individual.
39:5.17 (439.3) 7. As Reservas. O corpo de reservas dos serafins planetários de Satânia é mantido, em Jerusém, em íntima associação com as reservas dos Filhos Materiais. Essas abundantes reservas são completamente suficientes para todas as fases das atividades múltiplas dessa ordem seráfica. Esses anjos são também os portadores das mensagens pessoais dos sistemas locais. Eles servem aos mortais de transição, anjos e Filhos Materiais, bem como a outros domiciliados nas sedes-centrais do sistema. Embora Urântia, no presente, esteja fora dos circuitos espirituais de Satânia e Norlatiadeque, vós estais, por outro lado, em contato íntimo com os assuntos interplanetários, pois esses mensageiros de Jerusém freqüentemente vêm a este mundo como vão a todas as outras esferas do sistema.
39:6.1 (439.4) Como o seu nome poderia sugerir, os serafins, cuja ministração é de transição, servem onde quer que possam contribuir para a transição da criatura entre o estado material e o espiritual. Esses anjos servem desde os mundos habitados até às capitais dos sistemas, mas os de Satânia, no presente, dirigem os seus maiores esforços para a educação dos mortais sobreviventes nos sete mundos das mansões. Esse ministério é diversificado, de acordo com as sete ordens seguintes de designação:
39:6.2 (439.5) 1. Evangelhos Seráficos.
39:6.3 (439.6) 2. Intérpretes Raciais.
39:6.4 (439.7) 3. Planejadores da Mente.
39:6.5 (439.8) 4. Conselheiros Moronciais.
39:6.6 (439.9) 5. Técnicos.
39:6.7 (439.10) 6. Instrutores-Registradores.
39:6.8 (439.11) 7. Reservas Ministradores.
39:6.9 (439.12) Vós aprendereis um pouco sobre esses ministros seráficos dos ascendentes de transição nas narrativas ligadas aos mundos das mansões e à vida moroncial.
39:7.1 (440.1) Estes anjos não ministram extensivamente, exceto nos reinos mais antigos e planetas mais avançados de Nébadon. Grande número deles é mantido na reserva, nos mundos seráficos próximos de Sálvington, onde se encontram empenhados em pesquisas de importância para a idade de luz e vida, cuja aurora surgirá dentro de algum tempo em Nébadon. Esses serafins funcionam em ligação com a carreira mortal ascendente, mas ministram quase que exclusivamente, aos mortais que sobrevivem, por meio de uma das ordens modificadas de ascensão.
39:7.2 (440.2) Esses anjos não se ocupam agora diretamente seja com Urântia, seja com os urantianos e, por esse fato, considerou-se que talvez fosse melhor não descrever as suas fascinantes atividades.
39:8.1 (440.3) Os serafins são originários dos universos locais e, nesses reinos mesmos da sua natividade, alguns alcançam o destino de serviço. Com a ajuda e conselho dos arcanjos seniores, alguns serafins podem ser elevados aos dignos deveres dos Brilhantes Estrelas Vespertinas, enquanto outros atingem o status e o serviço de coordenados não revelados dos Estrelas Vespertinos. E outras aventuras de destino, no universo local, podem ainda ser intentadas, mas Seráfington sempre permanece como a meta eterna de todos os anjos. Seráfington é o umbral angélico para o alcance do Paraíso e da Deidade, a esfera de transição entre o ministério do tempo e o elevado serviço da eternidade.
39:8.2 (440.4) Os serafins podem alcançar o Paraíso por dezenas ou centenas de maneiras; as mais importantes, como estas narrativas expõem, são as seguintes:
39:8.3 (440.5) 1. Ganhar a admissão à morada seráfica no Paraíso, no âmbito pessoal, por realizar a perfeição do serviço especializado como artesão celeste, Conselheiro Técnico ou Registrador Celeste. Tornar-se um Companheiro do Paraíso e, tendo assim alcançado o centro de todas as coisas, talvez, então, passar a ser um ministro e conselheiro eterno da ordem seráfica e outras ordens.
39:8.4 (440.6) 2. Ser convocado para Seráfington. Sob certas condições, os serafins são convocados para as alturas; nessas outras circunstâncias, os anjos algumas vezes alcançam o Paraíso em um tempo muito mais curto do que os mortais. Mas não importa quão adequado seja um par seráfico, eles não podem iniciar a partida para Seráfington nem para outro lugar. Só os guardiães do destino que alcançam êxito podem estar seguros de continuar até o Paraíso numa trajetória progressiva de ascensão evolucionária. Todos os outros devem esperar pacientemente pela chegada dos mensageiros da ordem dos supernafins terciários, vindos do Paraíso e acompanhados das convocações que os comandam a comparecer no alto.
39:8.5 (440.7) 3. Alcançar o Paraíso pela técnica mortal evolucionária. Na carreira do tempo, a suprema escolha dos serafins é o posto de anjo guardião no fito de poderem atingir a carreira de finalidade e serem qualificados para compromissos nas esferas eternas do serviço seráfico. Esses guias pessoais dos filhos do tempo são chamados de guardiães do destino, significando que guardam as criaturas mortais no caminho do destino divino e que, fazendo assim, estão determinando o seu próprio destino.
39:8.6 (440.8) Os guardiães do destino são provenientes das fileiras das personalidades angélicas mais experientes de todas as ordens de serafins que se hajam qualificado para esse serviço. Todos mortais sobreviventes, cujo destino é o da fusão com os Ajustadores, têm guardiães temporários designados para si, e tais aliados podem tornar-se agregados permanentemente, quando os sobreviventes mortais alcançarem o desenvolvimento intelectual e espiritual requerido. Antes de deixarem os mundos das mansões, todos os ascendentes mortais têm colaboradores seráficos permanentes. Esse grupo de espíritos ministradores é descrito nas narrativas sobre Urântia.
39:8.7 (441.1) Não é possível aos anjos alcançarem Deus começando pelo nível humano de origem, pois são criados um “pouco mais elevados do que vós”; mas foi sabiamente arranjado que, conquanto não tenham a possibilidade de começar do ponto mais baixo mesmo, das terras mais baixas da existência espiritual, eles podem ir para baixo, até aqueles que começam do ponto mais baixo, e pilotar essas criaturas, passo a passo, mundo a mundo, até os portais de Havona. Quando os ascendentes mortais deixam Uversa para começar nos círculos de Havona, os guardiães agregados subseqüentemente à vida na carne darão, aos peregrinos ascendentes coligados seus, um adeus temporário, enquanto viajam até Seráfington, a destinação angélica do grande universo. Ali, esses guardiães irão intentar e, sem dúvida, conseguir realizar os sete círculos da luz seráfica.
39:8.8 (441.2) Muitos, mas não a totalidade dos serafins designados como guardiães do destino, durante a vida material, acompanham os seus companheiros mortais através dos círculos de Havona; e outros serafins passam pelos circuitos do universo central de um modo inteiramente diferente da ascensão mortal. Porém, a despeito do caminho de ascensão, todos os serafins evolucionários atravessam Seráfington, e a maioria passa por essa experiência em vez daquela dos circuitos de Havona.
39:8.9 (441.3) Seráfington é a esfera de destino para os anjos, e o modo de alcançar esse mundo é muito diferente das experiências dos peregrinos mortais até Ascêndington. Os anjos não estão absolutamente seguros do seu futuro eterno, antes que eles hajam alcançado Seráfington. Ao que se sabe, anjo algum que tenha chegado a Seráfington jamais se desviou; o pecado jamais irá encontrar resposta no coração de um serafim completo.
39:8.10 (441.4) Os graduados de Seráfington são designados de modos variados: os Guardiães de destino, com experiência nos círculos de Havona, usualmente entram para o Corpo de Finalitores Mortais. Outros guardiães, havendo passado nos seus testes de segregação em Havona, freqüentemente se reúnem de novo aos seus companheiros mortais no Paraíso; e alguns se tornam eternos coligados aos finalitores mortais; enquanto outros entram nos vários corpos de finalitores não mortais; e muitos são incorporados ao Corpo Seráfico dos Completos.
39:9.1 (441.5) Após alcançar o Pai dos espíritos e após a admissão ao serviço seráfico dos completos, algumas vezes, os anjos são designados para o ministério aos mundos estabelecidos em luz e vida. É-lhes concedida a vinculação aos altos seres trinitarizados dos universos e aos serviços elevados do Paraíso e Havona. Esses serafins dos universos locais compensaram experiencialmente o diferencial de potencial de divindade que anteriormente os isolava dos espíritos de ministração nos superuniversos e universo central. Os anjos do Corpo Seráfico dos Completos servem como colaboradores dos seconafins dos superuniversos e como assistentes das altas ordens de supernafins do Paraíso-Havona. Para esses anjos, a carreira do tempo acabou; doravante, e para sempre, eles são servidores de Deus, são os consortes das personalidades divinas e os companheiros dos finalitores do Paraíso.
39:9.2 (441.6) Um grande número de serafins completos retorna aos seus universos de nascimento, para ali complementar o ministério do dom divino por meio da ministração de perfeição experiencial. Nébadon é, relativamente falando, um dos universos mais jovens e, desse modo, não tem tantos desses graduados de Seráfington reintegrados, como seria de se encontrar em um reino mais antigo; no entanto o nosso universo local é adequadamente suprido de serafins completos, pois é significativo que os reinos evolucionários demonstrem uma necessidade crescente pelos serviços deles à medida que se aproximam do status de luz e vida. Os serafins completos agora servem, mais extensivamente, junto às ordens supremas de serafins; entretanto, alguns servem junto a cada uma das outras ordens angélicas. Mesmo o vosso mundo goza da ministração extensiva de doze grupos especializados dos Corpos Seráficos dos Completos; esses serafins mestres da supervisão planetária acompanham cada Príncipe Planetário, recém-indicado, aos mundos habitados.
39:9.3 (442.1) Muitas vias fascinantes de ministração estão abertas aos serafins completos; todavia, assim como todos eles ansiavam pelos compromissos de guardiães do destino, nos seus dias pré-Paraíso, na sua experiência pós-Paraíso, eles desejam servir mais como atendentes de auto-outorgas dos Filhos do Paraíso encarnados. E permanecem, ainda, supremamente devotados ao plano universal de iniciar as criaturas mortais dos mundos evolucionários nas viagens longas e atraentes, em direção à meta do Paraíso, da divindade e da eternidade. Durante toda a aventura mortal de encontrar Deus e alcançar a perfeição divina, esses ministros espirituais seráficos completos, juntamente com os fiéis espíritos ministradores do tempo, são os vossos amigos e colaboradores sempre infalíveis e para sempre.
39:9.4 (442.2) [Apresentado por um Melquisedeque, atuando a pedido do Comandante das Hostes Seráficas de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 40
40:0.1 (443.1) DO MESMO modo que se dá com muitos dos grupos principais de seres do universo, foram reveladas sete classes gerais de Filhos Ascendentes de Deus:
40:0.2 (443.2) 1. Mortais fusionados ao Pai.
40:0.3 (443.3) 2. Mortais fusionados ao Filho.
40:0.4 (443.4) 3. Mortais fusionados ao Espírito.
40:0.5 (443.5) 4. Serafins Evolucionários.
40:0.6 (443.6) 5. Filhos Materiais Ascendentes.
40:0.7 (443.7) 6. Intermediários Transladados.
40:0.8 (443.8) 7. Ajustadores Personalizados.
40:0.9 (443.9) A história desses seres, desde os mortais inferiores de origem animal dos mundos evolucionários até os Ajustadores Personalizados do Pai Universal, apresenta uma narrativa gloriosa da dádiva irrestrita do amor divino e da condescendência da graça, em todos os tempos e em todos os universos da vasta criação das Deidades do Paraíso.
40:0.10 (443.10) Essas apresentações começaram com uma descrição das Deidades, e, grupo a grupo, a narrativa desceu a escala universal dos seres vivos até alcançar a ordem mais baixa de vida dotada com o potencial de imortalidade; e agora eu, outrora um mortal originário de um mundo evolucionário do espaço, fui despachado de Sálvington para dar continuidade à elaboração da narrativa do propósito eterno dos Deuses, no que concerne às ordens ascendentes de filiação; mais particularmente no que se refere às criaturas mortais do tempo e do espaço.
40:0.11 (443.11) E, posto que a maior parte destas narrativas será dedicada à análise das três ordens básicas de mortais ascendentes, primeiramente serão feitas algumas considerações sobre as ordens ascendentes não mortais de filiação: a seráfica, a Adâmica, a dos intermediários e a dos Ajustadores.
40:1.1 (443.12) As criaturas mortais de origem animal não são os únicos seres privilegiados a gozar da filiação; as hostes angélicas também compartilham da oportunidade superna de alcançar o Paraíso. Os serafins guardiães, por meio da experiência e serviço aos mortais ascendentes do tempo, também alcançam o status de filiação ascendente. Esses anjos alcançam o Paraíso passando por Seráfington e muitos deles são mesmo incorporados ao Corpo de Finalidade Mortal.
40:1.2 (443.13) Escalar as alturas supernas da filiação a Deus, como finalitor, é, para um anjo, uma realização de grande mestria, uma realização que, de longe, transcende a realização humana de alcançar a sobrevivência eterna por meio do plano do Filho Eterno, com a sempre presente ajuda do Ajustador residente; contudo, o serafim guardião e outros, ocasionalmente, chegam a efetuar de fato tais ascensões.
40:2.1 (444.1) Os Filhos Materiais de Deus são criados nos universos locais junto com os Melquisedeques e os seus pares, que são todos classificados como Filhos descendentes. E, de fato, os Adãos Planetários — os Filhos e Filhas Materiais dos mundos evolucionários — são Filhos descendentes, pois descem aos mundos habitados vindos das suas altas esferas de origem, as capitais dos sistemas locais.
40:2.2 (444.2) Quando têm êxito completo na sua missão planetária conjunta, de elevadores biológicos, o Adão e a Eva compartilham o destino dos habitantes do seu mundo. Quando tal mundo é estabelecido nos estágios avançados de luz e vida, a esses Filho e Filha Materiais fiéis é permitido renunciar a todos os deveres administrativos planetários e, depois de serem assim liberados da aventura descendente, é-lhes permitido referir-se a si próprios como Filhos Materiais perfeccionados nos registros do universo local. Do mesmo modo, quando o compromisso planetário é muito prolongado, os Filhos Materiais, de status estacionário — os cidadãos dos sistemas locais — , podem retirar-se das atividades da sua esfera de status e, de modo semelhante, registrar-se como Filhos Materiais perfeccionados. Após tais formalidades, esses Adãos e Evas liberados entram na categoria de Filhos ascendentes de Deus e podem imediatamente iniciar a longa jornada a Havona e ao Paraíso, começando do ponto exato da sua realização espiritual de então. E eles fazem essa jornada em companhia dos mortais e de outros Filhos ascendentes, continuando até que hajam encontrado Deus e atingido o Corpo de Finalidade Mortal, para o serviço eterno das Deidades do Paraíso.
40:3.1 (444.3) Ainda que privados dos benefícios imediatos das auto-outorgas planetárias dos Filhos descendentes de Deus, ainda que a ascensão ao Paraíso seja bastante adiada e não obstante isso, logo depois que um planeta evolucionário haja atingido as épocas intermediárias de luz e vida (se não antes), ambos grupos de criaturas intermediárias são liberados do dever planetário. Algumas vezes, a maioria delas é transladada, juntamente com seus primos humanos, no dia da descida do templo de luz e vida e elevação do Príncipe Planetário à dignidade de Soberano Planetário. Ao serem liberadas do serviço planetário, ambas ordens são registradas no universo local como Filhos ascendentes de Deus e, imediatamente, dão início às longas ascensões até o Paraíso pelos mesmos caminhos ordenados para a progressão das raças mortais dos mundos materiais. O grupo primário é destinado aos vários corpos de finalitores, ao passo que os intermediários secundários ou Adâmicos são todos encaminhados para alistamento no Corpo Mortal de Finalidade.
40:4.1 (444.4) Quando os mortais do tempo falham em conquistar a sobrevivência eterna para as suas almas, ainda que em ligação planetária com os dons espirituais do Pai Universal, tal fracasso nunca é, de nenhum modo, devido à negligência no dever, ministração, serviço ou devoção da parte do Ajustador. Quando do passamento mortal, esses Monitores desertados retornam para Divínington e, subseqüentemente, após o julgamento do não-sobrevivente, eles podem ser redesignados para os mundos do tempo e do espaço. Algumas vezes, depois de repetidos serviços dessa espécie ou após alguma experiência inusitada, como a de funcionar como Ajustador residente de um Filho de auto-outorga encarnado, esses eficientes Ajustadores são personalizados pelo Pai Universal.
40:4.2 (445.1) Os Ajustadores Personalizados são seres de uma ordem singular e insondável. Originalmente de status existencial pré-pessoal, eles ganharam experiência por meio da participação nas vidas e carreiras dos mortais inferiores dos mundos materiais. E, posto que a personalidade outorgada a esses experientes Ajustadores do Pensamento tem a sua origem e sua fonte na ministração, pessoal e contínua, do Pai Universal dessas dádivas da personalidade experiencial às suas criaturas, esses Ajustadores Personalizados são classificados como Filhos ascendentes de Deus, a mais elevada de todas essas ordens de filiação.
40:5.1 (445.2) Os mortais representam o último elo na corrente dos seres que são chamados de filhos de Deus. O toque pessoal do Filho Original e Eterno passa por uma série de personalizações decrescentemente divinas e crescentemente humanas, até chegar a um ser exatamente como vós, a quem podeis ver, ouvir e tocar. E, então, vos tornais espiritualmente sabedores da grande verdade que a vossa fé pode captar — a da vossa filiação ao Deus eterno!
40:5.2 (445.3) Do mesmo modo, o Espírito Original e Infinito, por uma longa série de ordens decrescentemente divinas e crescentemente humanas, aproxima-se cada vez mais das criaturas que lutam nos reinos, alcançando o limite de expressão nos anjos — um pouco abaixo dos quais vós fostes criados — que pessoalmente vos guardam e guiam na jornada da vida da carreira mortal do tempo.
40:5.3 (445.4) Deus, o Pai, não desce, nem pode, Ele próprio, descer assim, a ponto de fazer um contato tão pessoal com o número quase ilimitado de criaturas ascendentes em todo o universo dos universos. Mas o Pai não está privado do contato pessoal com as suas criaturas mais humildes; vós não vos encontrais desprovidos da divina presença. Ainda que Deus, o Pai, não possa estar convosco por meio de uma manifestação direta de personalidade, Ele está em vós, sendo parte de vós, na identidade dos Ajustadores do Pensamento residentes, os Monitores divinos. Assim, pois, o Pai, que é o mais afastado de vós, em personalidade e em espírito, aproxima-Se o mais perto de vós, por meio do circuito da personalidade e no toque espiritual de comunhão interior com as vossas próprias almas de filhos e filhas mortais Dele.
40:5.4 (445.5) A identificação com o espírito constitui o segredo da sobrevivência pessoal e determina o destino da ascensão espiritual. E, posto que os Ajustadores do Pensamento são os únicos espíritos com potencial de fusão a serem identificados com o homem durante a vida na carne, os mortais do tempo e do espaço são primeiramente classificados conforme a sua relação com essas dádivas divinas, os Monitores Misteriosos residentes. Essa classificação é a seguinte:
40:5.5 (445.6) 1. Os mortais nos quais o Ajustador reside de modo transitório ou experiencial.
40:5.6 (445.7) 2. Os mortais dos tipos que não se fusionam com o Ajustador.
40:5.7 (445.8) 3. Os mortais que têm o potencial de se fusionar com os seus Ajustadores.
40:5.8 (445.9) Série um — a dos mortais nos quais o Ajustador reside de modo transitório ou experiencial. A designação desta série é temporária para qualquer planeta em evolução, sendo usada durante os estágios primitivos de todos os mundos habitados, exceto aqueles da segunda série.
40:5.9 (445.10) Tais mortais, da primeira série, habitam os mundos do espaço durante as épocas iniciais de evolução da humanidade e abrangem os tipos mais primitivos de mentes humanas. Em muitos mundos, como o da Urântia pré-Adâmica, um grande número dos tipos mais elevados e avançados de homens primitivos adquire a capacidade de sobrevivência, mas não consegue alcançar a fusão com o Ajustador. Eras após eras, antes da ascensão do homem ao nível mais elevado de volição espiritual, os Ajustadores ocupam as mentes dessas criaturas em luta e, durante as suas curtas vidas na carne e no momento em que tais criaturas de vontade são resididas por Ajustadores, os anjos guardiães grupais também começam a atuar. Ainda que esses mortais da primeira série possam não ter guardiães pessoais, possuem custódios grupais.
40:5.10 (446.1) Um Ajustador experiencial permanece com um ser humano primitivo durante todo o seu tempo de vida na carne. Os Ajustadores contribuem muito para o avanço dos homens primitivos, mas são incapazes de formar uniões eternas com tais mortais. Essa ministração transitória dos Ajustadores realiza duas coisas: Primeira, eles ganham experiência valiosa e real sobre a natureza e modo de funcionamento do intelecto evolucionário, uma experiência que será de valor inestimável na sua conexão a contatos futuros, em outros mundos, com seres de desenvolvimento mais elevado. Segundo, a permanência transitória dos Ajustadores contribui muito no sentido de preparar os seus sujeitos mortais para um possível fusionamento subseqüente com o Espírito. Todas as almas desse tipo, que buscam a Deus, conseguem a vida eterna por meio do abraço espiritual do Espírito Materno do universo local, tornando-se, desse modo, mortais ascendentes do regime do universo local. Muitas pessoas da Urântia pré-Adâmica avançaram assim até os mundos das mansões de Satânia.
40:5.11 (446.2) Os Deuses que ordenaram ao homem mortal que ele devesse escalar a níveis mais elevados de inteligência espiritual, através de longas idades de provações e atribulações evolucionárias, fizeram anotações sobre o seu status e necessidades em cada estágio da ascensão; e, são sempre, divinamente equânimes e justos, e mesmo encantadoramente misericordiosos, nos julgamentos finais desses mortais batalhadores dos primeiros tempos das raças evolucionárias.
40:5.12 (446.3) Série dois — a dos mortais dos tipos que não se fusionam aos Ajustadores. Estes são tipos especializados de seres humanos que não se tornam capazes de efetivar uma união eterna com os seus Ajustadores residentes. O fato de estarem classificados segundo os tipos raciais de um, dois ou três cérebros não é um fator que exerça influência sobre o tipo de fusionamento com o Ajustador; pois tais mortais são todos semelhantes, e os tipos que não se fusionam com o Ajustador constituem uma ordem totalmente diferente e marcadamente modificada de criaturas de vontade. Dos que não respiram muitos pertencem a essa série e há inúmeros outros grupos que não se fusionam ordinariamente com os Ajustadores.
40:5.13 (446.4) Como na série de número um, cada membro desse grupo beneficia-se da ministração de apenas um Ajustador durante o seu período de vida na carne. Durante a vida temporal os Ajustadores realizam pelos seus sujeitos de residência temporária, tudo o que é feito nos outros mundos onde os mortais têm potencial de fusionamento. Os mortais dessa segunda série são freqüentemente resididos por Ajustadores virgens; contudo, os tipos humanos mais elevados quase sempre estão em ligação com Monitores de maior experiência e maestria.
40:5.14 (446.5) Segundo o plano ascendente, de elevar as criaturas de origem animal, esses seres gozam do mesmo serviço devotado que os Filhos de Deus dedicam ao tipo mortal de Urântia. A cooperação seráfica com os Ajustadores nos planetas em que os mortais não se fusionam é-lhes assegurada tão plenamente quanto nos mundos em que há o potencial de fusão; os guardiães do destino ministram, nessas esferas, exatamente como o fazem em Urântia, funcionando similarmente à época da sobrevivência depois da morte, em que a alma sobrevivente se torna fusionada ao Espírito.
40:5.15 (446.6) Quando vos deparardes com esses tipos de mortais modificados, nos mundos das mansões, não encontrareis nenhuma dificuldade de comunicação com eles. Ali, eles falam a mesma linguagem sistêmica, mas por meio de uma técnica modificada. Esses seres são idênticos à vossa ordem de vida, enquanto criaturas, tendo as mesmas manifestações de espírito e personalidade, diferindo apenas por certas características físicas e pelo fato de que eles não são fusionáveis com os Ajustadores do Pensamento.
40:5.16 (447.1) Quanto à razão pela qual esse tipo de criatura nunca é capaz de fusionar-se com os Ajustadores do Pai Universal, estou incapacitado para esclarecer. Alguns de nós estão inclinados a acreditar que os Portadores da Vida, em seus esforços para formular tipos de seres capazes de manter a existência em um ambiente planetário inusitado, deparam-se com a necessidade de fazer modificações de tal modo radicais no plano universal das criaturas inteligentes de vontade, até um ponto que se torna inerentemente impossível para elas chegarem à união permanente com os Ajustadores. Muitas vezes já nos perguntamos: seria, essa, uma parte intencional ou não do plano de ascensão? Mas não encontramos a resposta.
40:5.17 (447.2) Série três — a dos mortais com potencial de fusionamento com o Ajustador. Todos os mortais que se fusionam ao Pai são de origem animal, exatamente como as raças de Urântia. Abrangem os tipos de mortais de um cérebro, dois cérebros e três cérebros, com potencial de fusionamento com o Ajustador. Os urantianos são do tipo intermediário, ou de dois cérebros, sendo, sob muitos aspectos, humanamente superiores aos grupos de um cérebro, mas definitivamente limitados se comparados aos das ordens de três cérebros. Os três tipos de dotação de cérebro físico não são fatores a determinar algo sobre a outorga do Ajustador, nem o serviço seráfico nem outras fases da ministração espiritual. Os diferenciais intelectuais e espirituais entre os três tipos de cérebro caracterizam indivíduos que são, por outro lado, bem semelhantes quanto aos dons mentais e quanto ao potencial espiritual; tais diferenças, tão maiores durante a vida temporal, têm a tendência de diminuir à medida que os mundos das mansões são atravessados um a um. Da sede-central dos sistemas em diante, a progressão desses três tipos torna-se igualada, o seu destino final no Paraíso sendo idêntico.
40:5.18 (447.3) As séries não numeradas. Estas narrativas não podem certamente abranger todas as variedades fascinantes existentes nos mundos evolucionários. Sabeis que todo décimo mundo é um planeta decimal ou experimental, mas nada sabeis das outras variáveis que podem ser apontadas na procissão das esferas evolucionárias. Há diferenças numerosas demais para serem narradas, tanto entre as ordens reveladas de criaturas vivas quanto entre os planetas do mesmo grupo; esta apresentação, todavia, deixa claras as diferenças essenciais em relação à carreira ascensional. E a carreira ascensional é o fator mais importante em qualquer consideração sobre os mortais do tempo e do espaço.
40:5.19 (447.4) Quanto às possibilidades de sobrevivência mortal, fique bem esclarecido para sempre: Todas as almas, de todas as fases possíveis da existência mortal, sobreviverão, desde que manifestem a vontade de cooperar com os seus Ajustadores residentes e posto que demonstrem um desejo de encontrar Deus e de alcançar a perfeição divina, ainda que esses desejos não sejam senão as primeiras e pálidas centelhas da compreensão primitiva da “verdadeira luz que ilumina todo homem que vem ao mundo”.
40:6.1 (447.5) As raças mortais permanecem sendo representantes da ordem mais baixa da criação inteligente e pessoal. Vós, mortais, sois divinamente amados e todos podereis escolher aceitar o destino certo de uma experiência gloriosa; mas não sois ainda, por natureza, da ordem divina; sois ainda totalmente mortais. E sereis considerados como filhos ascendentes a partir do instante em que a fusão acontecer; todavia, o status presente dos mortais do tempo e do espaço é de filhos pela fé, antes do evento da fusão final da alma mortal sobrevivente com algum tipo de espírito eterno e imortal.
40:6.2 (448.1) É um fato solene e superno que as criaturas inferiores e materiais, como os seres humanos de Urântia, sejam filhos de Deus, filhos pela fé, do Altíssimo.“Observai o tipo de amor que o Pai nos dá, para sermos chamados de filhos de Deus.” “A quantos O receberam, a todos Ele deu o poder de reconhecer que são filhos de Deus.” Enquanto “vós não sabeis ainda o que sereis”, ainda agora, “sois os filhos de Deus pela fé”, “pois não recebestes o espírito do cativeiro para de novo temerdes, mas recebestes o espírito da filiação, que vos leva a gritar: ‘Nosso Pai’”. Disse o profeta de outrora, falando em nome do Deus eterno: “Até mesmo a eles, Eu darei um lugar na minha casa, e um nome melhor que o de filhos; Eu darei a eles um nome eterno, que não perecerá”. “E por que sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o espírito do Seu Filho.”
40:6.3 (448.2) Todos os mundos evolucionários habitados por mortais abrigam esses filhos de Deus pela fé, filhos da graça e da misericórdia, seres mortais que pertencem à família divina e que apropriadamente são chamados de filhos de Deus. Os mortais de Urântia encontram-se capacitados para considerar-se filhos de Deus, pois:
40:6.4 (448.3) 1. Sois filhos da promessa espiritual, filhos da fé; aceitastes o status de filiação. Vós acreditais na realidade da vossa filiação e, assim, a vossa filiação a Deus torna-se eternamente real.
40:6.5 (448.4) 2. Um Filho Criador de Deus tornou-se um de vós; ele é, de fato, o vosso irmão mais velho; e se vos tornardes, em espírito, verdadeiramente irmãos aparentados de Cristo, o Michael vitorioso, então, em espírito, também sereis filhos daquele Pai que tendes em comum — o mesmo Pai Universal de todos.
40:6.6 (448.5) 3. Sois filhos porque foi vertido sobre vós o espírito de um Filho, concedido livre e certamente a todas as raças de Urântia. Esse espírito vos atrai sempre para o Filho divino, que é a sua fonte, e para o Pai do Paraíso, que é fonte desse Filho divino.
40:6.7 (448.6) 4. Com o Seu livre-arbítrio divino, o Pai Universal deu-vos as vossas personalidades de criaturas. Fostes dotados com uma medida daquela espontaneidade divina de ação, de livre-arbítrio, que Deus compartilha com todos os que podem tornar-se os Seus filhos.
40:6.8 (448.7) 5. Um fragmento do Pai Universal reside dentro de vós e por isso estais diretamente relacionados ao Pai divino de todos os Filhos de Deus.
40:7.1 (448.8) O envio dos Ajustadores e o modo como eles residem nos mortais, de fato, são mistérios insondáveis de Deus, o Pai. Esses fragmentos da natureza divina do Pai Universal trazem em si o potencial de imortalidade da criatura. Os Ajustadores são espíritos imortais; e a união com eles confere vida eterna à alma do mortal fusionado.
40:7.2 (448.9) As vossas próprias raças de mortais sobreviventes pertencem a esse grupo de Filhos ascendentes de Deus. Vós sois agora filhos planetários, criaturas evolucionárias derivadas de implantações dos Portadores da Vida e modificadas pela infusão da vida Adâmica; ainda não sois filhos ascendentes; mas sois, de fato, filhos com o potencial de ascensão — até mesmo às alturas mais elevadas da glória e da realização na divindade — e esse status espiritual de filiação ascendente, podeis atingi-lo pela fé e cooperação voluntária com as atividades espiritualizantes do Ajustador residente. Quando vós e o vosso Ajustador estiverdes finalmente e para sempre fundidos; quando fordes um, exatamente como, no Cristo Michael, o Filho de Deus e o Filho do Homem são um; então, verdadeiramente, vos havereis transformado nos filhos ascendentes de Deus.
40:7.3 (449.1) Os detalhes da carreira do Ajustador, na sua ministração residente, em um planeta probacionário e evolucionário, não são uma parte desta minha missão; a elaboração dessa grande verdade abrange a vossa carreira por inteiro. Eu incluo a menção a certas funções do Ajustador, com o fito de prestar um esclarecimento completo a respeito dos mortais de fusionamento com o Ajustador. Esses fragmentos residentes de Deus estão com a vossa ordem de seres desde os primeiros dias da existência física, ao longo de toda a carreira ascendente em Nébadon e Orvônton; e, em seguida, por toda Havona e o Paraíso propriamente. Posteriormente, na aventura eterna, esse mesmo Ajustador estará unido a vós; e estará sendo parte de vós.
40:7.4 (449.2) Esses são os mortais aos quais foi comandado pelo Pai Universal: “Sede perfeitos, exatamente como Eu sou perfeito”. O Pai outorgou-Se a Si próprio em vós; colocou o Seu próprio espírito dentro de vós; e, portanto, Ele demanda a perfeição última, a vós. A narrativa da ascensão humana, das esferas mortais do tempo, até os Reinos divinos da eternidade, constitui um relato intrigante, não incluído nesta minha missão; mas tal aventura superna deveria decerto ser o estudo supremo do homem mortal.
40:7.5 (449.3) A fusão com um fragmento do Pai Universal equivale à garantia divina do alcançar final do Paraíso, e esses mortais em fusão com os seus Ajustadores são a única classe de seres humanos da qual todos atravessam os circuitos de Havona e encontram Deus no Paraíso. Para o mortal fusionado ao Ajustador, a carreira do serviço universal está amplamente aberta. Que dignidade de destino e que glória de realização aguardam a cada um de vós! Sabeis dar o devido valor ao que foi feito por vós? Compreendeis a grandeza nas alturas da realização eterna que se abre diante de vós — de vós próprios, que agora caminhais penosamente neste trajeto humilde de vida, atravessando o que vós mesmos chamais um “vale de lágrimas”?
40:8.1 (449.4) Ainda que praticamente todos os mortais sobreviventes sejam fusionados aos seus Ajustadores, em um dos mundos das mansões, ou imediatamente após a sua chegada nas esferas moronciais mais elevadas, há certos casos de fusão retardada; alguns só passam por essa certeza final de sobrevivência ao alcançarem os últimos mundos educacionais da sede-central do universo; e uns poucos, dentre esses candidatos mortais à vida sem fim, fracassam completamente em alcançar a identidade de fusão com os seus fiéis Ajustadores.
40:8.2 (449.5) Esses mortais foram considerados dignos de sobreviver pelas autoridades de julgamento e até mesmo pelos seus Ajustadores, que retornaram de Divínington, e concorreram para a sua ascensão aos mundos das mansões. E tais seres ascenderam através de um sistema, de uma constelação e dos mundos educacionais do circuito de Sálvington; embora hajam desfrutado das “setenta vezes sete” oportunidades para a fusão, ainda assim, foram incapazes de atingir a unicidade com os seus Ajustadores.
40:8.3 (449.6) Quando se torna visível que alguma dificuldade sincronizada está inibindo a fusão com o Pai, os árbitros do Filho Criador, para a sobrevivência, reúnem-se. E, quando essa corte de investigação, sancionada por um representante pessoal dos Anciães dos Dias, finalmente determina que o mortal ascendente não é culpado de nenhum modo detectável, pelo fracasso ao tentar a fusão, eles certificam isso no registro do universo local e transmitem devidamente essa conclusão aos Anciães dos Dias. Então, o Ajustador residente retorna imediatamente a Divínington para a confirmação dos Monitores Personalizados e, uma vez feita essa despedida, o mortal moroncial é imediatamente fusionado a uma dádiva individualizada do espírito do Filho Criador.
40:8.4 (450.1) Do mesmo modo que as esferas moronciais de Nébadon são compartilhadas entre os mortais fusionados ao Espírito, essas criaturas fusionadas ao Filho compartilham dos serviços de Orvônton com os seus irmãos fusionados aos Ajustadores, que estão viajando internamente até a longínqua Ilha do Paraíso. Eles são verdadeiramente irmãos vossos; e ireis apreciar sobremodo essa ligação com eles quando passardes pelos mundos de aperfeiçoamento do superuniverso.
40:8.5 (450.2) Os mortais fusionados ao Filho não formam um grupo numeroso, havendo menos de um milhão deles no superuniverso de Orvônton. Exceto pelo destino residencial no Paraíso, eles são, sob todos os pontos de vista, iguais aos seus companheiros, fusionados ao Ajustador. Com freqüência, eles viajam ao Paraíso em missões superuniversais, mas raramente residem de modo permanente ali, ficando, enquanto classe, confinados aos superuniversos do seu nascimento.
40:9.1 (450.3) Os mortais ascendentes fusionados ao Espírito não são personalidades da Terceira Fonte; eles estão incluídos nas personalidades do circuito do Pai, mas se fundiram com individualizações do espírito da pré-mente da Terceira Fonte e Centro. Essa fusão ao Espírito nunca acontece durante o curto período da vida natural; ocorre apenas na época do redespertar do mortal, na existência moroncial, nos mundos das mansões. Na experiência da fusão, não há nenhuma superposição; ou a criatura de vontade fusiona-se ao Espírito, ou fusiona-se ao Filho ou ao Pai. Aqueles que são fusionados ao Ajustador, ou ao Pai, nunca se fusionam ao Espírito, nem ao Filho.
40:9.2 (450.4) O fato de esses tipos de criaturas mortais não serem candidatos ao fusionamento com o Ajustador não impede que os Ajustadores residam neles durante a vida na carne. Os Ajustadores trabalham nas mentes desses seres durante a curta duração da sua vida material, mas nunca se tornam eternamente unidos à alma dos seus alunos. Durante essa permanência temporária, os Ajustadores constroem efetivamente a mesma contraparte espiritual da natureza mortal — a alma — que eles desenvolvem nos candidatos à fusão com o Ajustador. Até o momento da morte física, o trabalho dos Ajustadores é totalmente semelhante ao seu funcionamento nas vossas próprias raças, mas, depois da dissolução mortal, os Ajustadores despedem-se eternamente desses candidatos à fusão com o Espírito e, prosseguindo diretamente até Divínington, sede-central de todos os Monitores divinos, esperam lá pelos novos compromissos da sua ordem.
40:9.3 (450.5) Quando esses sobreviventes adormecidos são repersonalizados nos mundos das mansões, o lugar do Ajustador que partiu é preenchido por uma individualização do espírito da Divina Ministra, representante do Espírito Infinito no universo local envolvido. Essa infusão do espírito transforma essas criaturas sobreviventes em mortais fusionados ao Espírito. Tais seres são, de todos os modos, iguais a vós em mente e em espírito; e eles são, de fato, os vossos contemporâneos, partilhando das esferas das mansões, e tendo as esferas moronciais em comum, com os candidatos da vossa ordem de fusão e com aqueles que estão para ser fusionados ao Filho.
40:9.4 (450.6) Há, contudo, um particular, pelo qual os mortais fusionados ao Espírito diferem dos seus irmãos ascendentes: a memória mortal, da experiência humana nos mundos materiais de origem, sobrevive após a morte na carne, porque o Ajustador residente adquiriu uma contraparte espiritual, ou transcrição, daqueles eventos da vida humana que tiveram significado espiritual. Todavia, com os mortais fusionados ao Espírito, não existe um mecanismo como esse, pelo qual a memória humana possa perdurar. As transcrições de memória que o Ajustador faz são completas e intactas, mas essas aquisições são posses experienciais do Ajustador que partiu e não estão disponíveis para as criaturas da sua residência anterior, as quais, portanto, despertam nas salas de ressurreição das esferas moronciais de Nébadon como se fossem seres recém-criados, criaturas sem a consciência de uma existência anterior.
40:9.5 (451.1) Esses filhos do universo local ficam capacitados a possuir de novo, por si próprios, grande parte das suas memórias humanas anteriores, ao tê-las recontadas pelos serafins e querubins solidários e por meio das consultas aos registros, da própria carreira mortal, preenchidos pelos anjos dos registros. Isso eles podem fazer com certeza assegurada, porque a alma sobrevivente, de origem experiencial na vida material e mortal, conquanto não possua memória alguma de eventos mortais, apresenta uma sensibilidade de reconhecimento experiencial residual para esses eventos não lembrados da experiência passada.
40:9.6 (451.2) Quando, a um mortal fusionado ao Espírito, é dito algo sobre os eventos não lembrados da existência passada, há uma imediata resposta de reconhecimento experiencial dentro da alma (identidade) desse sobrevivente, que, instantaneamente, investe o evento narrado com a cor emocional da realidade e a qualidade intelectual do fato; e essa resposta dual constitui a reconstrução, o reconhecimento e a validação de uma faceta não lembrada da experiência mortal.
40:9.7 (451.3) Mesmo para os candidatos à fusão com o Ajustador, apenas aquelas experiências humanas que foram de valor espiritual são da posse comum do mortal sobrevivente e do Ajustador que retorna e, portanto, são lembradas logo, subseqüentemente à sobrevivência mortal. A respeito daqueles acontecimentos que não foram de significação espiritual, até mesmo os mortais fusionados aos Ajustadores devem depender da característica de reação de reconhecimento da alma sobrevivente. E, já que um evento qualquer pode ter uma conotação espiritual para um mortal, mas não para outro, torna-se possível a um grupo de ascendentes contemporâneos do mesmo planeta colocar à disposição, uns aos outros, o estoque de eventos lembrados pelos Ajustadores e, assim, reconstruir qualquer experiência que tiverem tido em comum e que tenha sido de valor espiritual na vida de qualquer um deles.
40:9.8 (451.4) Ao mesmo tempo em que entendemos bastante bem essas técnicas de reconstrução da memória, nós não compreendemos a técnica de reconhecimento da personalidade. As personalidades que certa vez estiveram ligadas respondem mutuamente de um modo totalmente independente da operação da memória, se bem que a memória, ela própria, bem como as técnicas da sua reconstrução, sejam necessárias para revestir essas respostas mútuas de personalidade com a plenitude de reconhecimento.
40:9.9 (451.5) Um sobrevivente fusionado ao Espírito é capaz também de aprender muito sobre a vida que viveu na carne, revisitando o seu mundo de nascimento, depois da dispensação planetária na qual ele viveu. Esses filhos de fusão com o Espírito são capazes de desfrutar dessas oportunidades para investigar as suas carreiras humanas, desde que estejam em geral confinados ao serviço do universo local. Eles não compartilham do vosso destino elevado e exaltado no Corpo de Finalidade do Paraíso; apenas os mortais fusionados aos Ajustadores, ou outros seres ascendentes, especialmente abraçados, integram as fileiras daqueles que aguardam a aventura da Deidade eterna. Os mortais fusionados ao Espírito são os cidadãos permanentes dos universos locais; eles podem aspirar ao destino do Paraíso, mas não lhes é possível estarem certos dele. O seu lar no universo de Nébadon é o oitavo grupo de mundos que envolvem Sálvington, e é um céu, como destino, de natureza e situação muito semelhantes àquele visualizado pelas tradições planetárias de Urântia.
40:10.1 (452.1) Os mortais fusionados ao Espírito, de um modo generalizado, ficam confinados a um universo local; os sobreviventes fusionados ao Filho estão restritos a um superuniverso; os mortais fusionados ao Ajustador estão destinados a penetrar o universo dos universos. Os espíritos de fusão mortal sempre ascendem ao nível de origem; essas entidades espirituais retornam infalivelmente à esfera da sua fonte primeira.
40:10.2 (452.2) Os mortais fusionados ao Espírito são do universo local; não ascendem, comumente, além dos confins dos seus reinos de nascimento, além das fronteiras do alcance, no espaço, do espírito que os impregna. Os ascendentes fusionados ao Filho, do mesmo modo, ascendem à fonte do dom do espírito e, pois, tal como o Espírito da Verdade de um Filho Criador se focaliza na Divina Ministra coligada, do mesmo modo, o seu “espírito de fusão” é fomentado pelos Espíritos Refletivos dos universos mais elevados. Essa relação espiritual entre os níveis locais e o dos superuniversos de Deus, o Sétuplo, pode ser difícil de se explicar, mas não de se discernir, sendo inequivocamente revelado nos filhos dos Espíritos Refletivos — as Vozes secoráficas dos Filhos Criadores. O Ajustador do Pensamento, provindo do Pai no Paraíso, nunca pára até que o filho mortal esteja face a face com o Deus eterno.
40:10.3 (452.3) A variável misteriosa na técnica associativa, por meio da qual um ser mortal não se torna ou não pode tornar-se eternamente fusionado com o Ajustador do Pensamento residente, pode parecer expor alguma imperfeição no esquema de ascensão; a fusão com o Filho e o Espírito, superficialmente, parecem assemelhar-se a compensações para inexplicáveis fracassos em algum detalhe do plano de alcançar o Paraíso; mas tais conclusões incorrem todas em erros; nos foi ensinado que todos esses acontecimentos desenvolvem-se em obediência a leis estabelecidas pelos Governantes Supremos do Universo.
40:10.4 (452.4) Analisamos essa questão e chegamos à conclusão indubitável de que reservar a todos os mortais um destino último no Paraíso seria injusto para com os universos do tempo e do espaço, já que as cortes dos Filhos Criadores e dos Anciães dos Dias estariam, então, inteiramente na dependência dos serviços daqueles que se encontrassem em trânsito até reinos mais elevados. E parece ser perfeitamente adequado que os governos dos universos locais e superuniversos devessem ser providos, cada qual, com um grupo permanente de cidadania ascendente; que as funções dessas administrações devessem ser enriquecidas pelos esforços de certos grupos de mortais glorificados que são de status permanente, complementos evolucionários dos abandonteiros e dos susátias. Ora, é completamente óbvio que o esquema presente de ascensão proveja efetivamente as administrações, no tempo e no espaço, apenas com esses grupos de criaturas ascendentes; e nós, muitas vezes, temos perguntado: Será que tudo isso representa uma parte intencional nos planos todo-sábios que os Arquitetos do Universo-Mestre projetaram para prover os Filhos Criadores e os Anciães dos Dias com uma população ascendente permanente? E com ordens evolucionadas de cidadania que se tornarão crescentemente competentes para levar avante os assuntos desses reinos nas idades vindouras do universo?
40:10.5 (452.5) Que os destinos mortais variem, dessa forma, de nenhum modo prova que um seja necessariamente mais nem menos do que o outro; significa, meramente, que eles diferem entre si. Os ascendentes fusionados ao Ajustador têm, de fato, uma carreira grandiosa e de glória, como finalitores; e essa carreira se estende diante deles no futuro eterno, mas isso não significa que eles sejam preferidos aos seus irmãos ascendentes. Não há favoritismo, nada é arbitrário na operação seletiva do plano divino para a sobrevivência mortal.
40:10.6 (453.1) Ainda que os finalitores fusionados aos Ajustadores, obviamente, gozem da mais ampla oportunidade de serviço, a realização dessa meta, automaticamente, tira deles a chance de participar da luta durante toda uma idade de um universo ou superuniverso, desde as épocas mais primitivas e menos estabelecidas até as eras posteriores e mais estabelecidas de relativa realização na perfeição. Os finalitores adquirem uma experiência vasta e maravilhosa de serviço transitório, em todos os sete segmentos do grande universo, mas não obtêm normalmente o conhecimento íntimo de um universo específico, coisa que, ainda agora, caracteriza os veteranos fusionados ao Espírito, do Corpo dos Completos de Nébadon. Esses indivíduos desfrutam da oportunidade de testemunhar a procissão ascendente das idades planetárias à medida que se desdobram, uma a uma, em dez milhões de mundos habitados. E, no serviço fiel desses cidadãos do universo local, uma experiência sobrepõe-se a outra experiência até que a plenitude do tempo faça amadurecer aquela alta qualidade da sabedoria engendrada pela experiência focalizada — a sabedoria com autoridade — e isso, em si, é um fator vital no estabelecimento de qualquer universo local.
40:10.7 (453.2) Tal como ocorre com os mortais fusionados ao Espírito, o mesmo se dá com os mortais fusionados ao Filho que alcançaram o status residencial em Uversa. Alguns desses seres provêm das épocas mais antigas de Orvônton e representam um corpo de sabedoria, com aprofundado discernimento, que cresce lentamente e que está dando contribuições de serviços cada vez maiores para o bem-estar e o estabelecimento final do sétimo superuniverso.
40:10.8 (453.3) Qual será o destino último dessas ordens estacionárias de cidadania local do superuniverso, nós não sabemos; mas é muito possível que, quando os finalitores do Paraíso estiverem no pioneirismo da expansão das fronteiras da divindade, nos sistemas planetários do primeiro nível do espaço exterior, os seus irmãos, fusionados ao Filho e ao Espírito, na luta ascendente evolucionária, estejam contribuindo de modo satisfatório para a manutenção do equilíbrio experiencial dos superuniversos perfeccionados, mantendo-se prontos para dar as boas-vindas à corrente de peregrinos que chega indo ao Paraíso e que pode, nesse dia distante, passar por Orvônton e suas criações irmãs, como uma vasta torrente de busca espiritual, proveniente dessas galáxias ainda não exploradas nem habitadas do espaço exterior.
40:10.9 (453.4) Ainda que a maioria dos fusionados ao Espírito sirva permanentemente como cidadãos dos universos locais, não são todos os que o fazem. Se alguma fase da sua ministração universal demandasse a sua presença pessoal no superuniverso, então transformações do ser produzir-se-iam nesses cidadãos para capacitá-los a ascender ao universo mais alto; e, quando da chegada dos Guardiães Celestes, com ordens de apresentar esses mortais fusionados ao Espírito às cortes dos Anciães dos Dias, eles ascenderiam desse modo, para jamais retrocederem. Eles tornam-se os pupilos do superuniverso, servindo permanentemente como assistentes dos Guardiães Celestes, salvo aqueles poucos que, por sua vez, são chamados ao serviço do Paraíso e de Havona.
40:10.10 (453.5) Como os seus irmãos fusionados ao Espírito, os fusionados ao Filho nem atravessam Havona, nem alcançam o Paraíso, a menos que hajam passado por certas transformações modificadoras. Por razões boas e suficientes, essas mudanças têm sido efetuadas em alguns sobreviventes fusionados ao Filho e estes seres são encontrados, de quando em quando, nos sete circuitos do universo central. Assim é que um certo número de mortais, tanto entre os fusionados ao Filho, como entre os fusionados ao Espírito, de fato ascende ao Paraíso e atinge uma meta igual, em muitos sentidos, à que aguarda os mortais fusionados ao Pai.
40:10.11 (453.6) Os mortais fusionados ao Pai são finalitores em potencial; o seu destino é o Pai Universal, e eles O alcançam; todavia, dentro da perspectiva da presente idade do universo, os finalitores, enquanto tais, não alcançam o ponto último do seu destino. Eles permanecem como criaturas inacabadas — espíritos do sexto estágio — e, pois, sem atividades nos domínios evolucionários dos estados anteriores aos de luz e vida.
40:10.12 (454.1) Quando um finalitor mortal é abraçado pela Trindade — torna-se um Filho Trinitarizado, tal como um Mensageiro Poderoso — então, tal finalitor terá atingido o destino, pelo menos na idade presente do universo. Os Mensageiros Poderosos e os seus companheiros podem não ser, no exato sentido, espíritos do sétimo estágio, no entanto, além de outras coisas, o abraço da Trindade dota-os de tudo que um finalitor irá realizar em alguma época como um espírito do sétimo estágio. Depois que os mortais fusionados ao Espírito ou ao Filho são trinitarizados, eles passam pela experiência do Paraíso junto com os ascendentes fusionados aos Ajustadores, aos quais eles são idênticos, então, em todos os aspectos pertinentes à administração do superuniverso. Esses Filhos Trinitarizados da Seleção ou Realização, ao menos por agora, são criaturas completas, ao contrário dos finalitores, que, no momento, permanecem sendo criaturas inacabadas.
40:10.13 (454.2) Assim, numa análise final, dificilmente seria apropriado usar as palavras “maior” ou “menor” ao comparar os destinos das ordens ascendentes de filiação. Cada um desses filhos de Deus compartilha da paternidade de Deus, e Deus ama a cada um dos Seus filhos criaturas de modo igual; Ele não dá preferência a nenhum destino ascendente, nem às criaturas que possam alcançar tais destinos. O Pai ama a cada um dos Seus filhos, e essa afeição nada menos é do que verdadeira, sagrada, divina, ilimitada, eterna e única — um amor que é outorgado tanto a esse filho como àquele filho, individual, pessoal e exclusivo. E esse amor eclipsa totalmente todos os outros fatos. A suprema relação da criatura com o Criador é a filiação.
40:10.14 (454.3) Enquanto mortais, podeis agora reconhecer o vosso lugar na família da filiação divina e começar a sentir a vossa obrigação de avaliar a vós próprios, quanto às vantagens tão livremente providas dentro do plano feito pelo Paraíso para a sobrevivência mortal; plano este que tem sido imensamente engrandecido e iluminado pela experiência da vida de auto-outorga de um Filho. Todas as facilidades e todo o poder foram providos para assegurar a vossa realização última na meta da divina perfeição no Paraíso.
40:10.15 (454.4) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso temporariamente agregado à assessoria pessoal de Gabriel de Sálvington.]
O Livro de Urântia
Documento 41
41:0.1 (455.1) O FENÔMENO espacial característico que distingue cada criação local de todas as outras é a presença do Espírito Criativo. Todo o Nébadon, certamente, está impregnado da presença espacial da Divina Ministra de Sálvington, e essa presença também se confina, certamente, às fronteiras externas do nosso universo local. Tudo o que é permeado pelo nosso Espírito Materno do universo local é Nébadon; e aquilo que se estende para além da presença espacial dela está fora de Nébadon: são as regiões do espaço fora de Nébadon, no superuniverso de Orvônton; são os outros universos locais.
41:0.2 (455.2) A organização administrativa do grande universo apresenta uma divisão clara entre os governos do universo central, do superuniverso e dos universos locais, e, conquanto essas divisões sejam astronomicamente paralelas às da separação espacial entre Havona e os sete superuniversos, nenhuma linha suficientemente clara de demarcação física separa as criações locais. Mesmo os setores maiores e menores de Orvônton são (para nós) claramente distinguíveis, mas não é tão fácil identificar as fronteiras físicas dos universos locais. E isso é assim porque essas criações locais são administrativamente organizadas de acordo com alguns princípios criativos que governam a segmentação da carga total de energia de um superuniverso, ao passo que os seus componentes físicos, as esferas do espaço — sóis, ilhas negras, planetas, etc. — têm origem primariamente nas nebulosas, e estas têm o seu aparecimento astronômico de acordo com alguns planos pré-criativos (transcendentais) dos Arquitetos do Universo-Mestre.
41:0.3 (455.3) Uma ou mais — até mesmo várias — dessas nebulosas podem estar compreendidas no domínio de um único universo local, do mesmo modo que Nébadon foi fisicamente formado por uma progênie estelar e planetária da nebulosa de Andronover e de outras. As esferas de Nébadon têm origem em nebulosas diversas, mas todas elas apresentavam uma certa movimentação mínima comum no espaço ajustada assim pelos esforços inteligentes dos diretores de potência, para produzirem a nossa agregação atual de corpos do espaço que viajam juntos como uma unidade contínua nas órbitas do superuniverso.
41:0.4 (455.4) Tal é a constituição da nuvem local de estrelas em Nébadon, que hoje gira em uma órbita cada vez mais estabilizada em torno do centro de Sagitário, naquele setor menor de Orvônton ao qual a nossa criação local pertence.
41:1.1 (455.5) As nebulosas espirais, as rodas-mãe das esferas do espaço e outras, são iniciadas pelos organizadores da força do Paraíso; e após a evolução da nebulosa sob a força da gravidade, estas são substituídas, na sua função no superuniverso, pelos centros de potência e pelos controladores físicos, que, daí em diante, assumem a responsabilidade plena de dirigir a evolução física das gerações futuras de estrelas e planetas assim originados. Essa supervisão física do pré-universo de Nébadon, com a chegada do nosso Filho Criador, foi imediatamente coordenada pelo seu plano de organização do universo. Dentro do domínio desse Filho de Deus do Paraíso, os Centros Supremos de Potência e os Mestres Controladores Físicos colaboraram com os Supervisores do Poder Moroncial, que surgiram depois, com outros, para produzirem o vasto complexo de linhas de comunicação, de circuitos de energia e canais de poder e força que vinculam firmemente os múltiplos corpos espaciais de Nébadon a uma unidade administrativa integrada única.
41:1.2 (456.1) Cem Centros Supremos de Potência da quarta ordem estão designados permanentemente para o nosso universo local. Esses seres recebem as linhas de força, que chegam dos centros da terceira ordem de Uversa, e transmitem os circuitos, depois de reduzidos e modificados, aos centros de potência das nossas constelações e sistemas. Esses centros de potência, em associação, operam no sentido de produzir os sistemas vivos de controle e a equalização, os quais atuam mantendo o equilíbrio e a distribuição das energias que, não fora isso, seriam flutuantes e variáveis. Os centros de potência, contudo, não se ocupam das alterações transitórias e locais de energias, tais como manchas solares e perturbações elétricas nos sistemas; a luz e a eletricidade não são as energias básicas do espaço; são manifestações secundárias e subsidiárias.
41:1.3 (456.2) Os cem centros dos universos locais estão estacionados em Sálvington, onde funcionam no centro exato de energia daquela esfera. As esferas arquitetônicas, tais como Sálvington, Edêntia e Jerusém, são iluminadas, aquecidas e energizadas por métodos que as tornam totalmente independentes dos sóis do espaço. Tais esferas — feitas sob medida — foram construídas pelos centros de potência e pelos controladores físicos e projetadas para exercer uma influência poderosa sobre a distribuição de energia. Baseando as suas atividades em tais pontos focais de controle da energia, os centros de potência, por intermédio das suas presenças vivas, direcionam e canalizam as energias físicas do espaço. E esses circuitos de energia são básicos para todos os fenômenos físico-materiais e moroncial-espirituais.
41:1.4 (456.3) Dez Centros Supremos de Potência da quinta ordem estão designados para cada uma das subdivisões primárias de Nébadon, as cem constelações. Em Norlatiadeque, a vossa constelação, eles não estão estacionados nas esferas da sede-central, mas situam-se no centro do enorme sistema estelar que constitui o núcleo físico da constelação. Em Edêntia há dez controladores mecânicos associados e dez frandalanques em ligação perfeita e constante com os centros de potência vizinhos.
41:1.5 (456.4) Um Centro Supremo de Potência da sexta ordem está estacionado exatamente no foco de gravidade de cada sistema local. O centro de potência designado para o sistema de Satânia ocupa uma ilha escura de espaço, localizada no centro astronômico do sistema. Muitas dessas ilhas escuras são imensos dínamos que mobilizam e direcionam certas energias de espaço, e tais circunstâncias naturais são efetivamente utilizadas pelo Centro de Potência de Satânia, cuja massa viva funciona como uma ligação com os centros mais altos, direcionando as correntes de força e poder mais materializado aos Mestres Controladores Físicos nos planetas evolucionários do espaço.
41:2.1 (456.5) Conquanto os Mestres Controladores Físicos sirvam junto com os centros de potência, em todo o grande universo, as suas funções em um sistema local, como o de Satânia, são de compreensão mais fácil. Satânia é um dos cem sistemas locais que constituem a organização administrativa da constelação de Norlatiadeque, tendo como vizinhos diretos os sistemas de Sandmátia, Assúntia, Porógia, Sortória, Rantúlia e Glantônia. Os sistemas de Norlatiadeque diferem, entre si, sob muitos pontos de vista, mas todos são evolucionários e progressivos de modo muito semelhante a Satânia.
41:2.2 (457.1) O próprio sistema de Satânia é composto de mais de sete mil grupos astronômicos, ou sistemas físicos, dos quais poucos tiveram uma origem similar à do vosso sistema solar. O centro astronômico de Satânia é uma enorme ilha escura de espaço que, com as suas esferas adjacentes, está situada não muito longe da sede-central do governo do sistema.
41:2.3 (457.2) Exceto pela presença do centro de potência designado, a supervisão de todo o sistema de energia física de Satânia está centrada em Jerusém. Um Mestre Controlador Físico, estacionado nessa esfera sede-central, trabalha em coordenação com o centro de potência do sistema, servindo como ligação principal dos inspetores de potência sediados em Jerusém e funcionando em todo o sistema local.
41:2.4 (457.3) A colocação da energia em circuito e a sua canalização são supervisionadas pelos quinhentos mil manipuladores de energia, vivos e inteligentes, espalhados em todo o sistema de Satânia. Por meio da ação desses controladores físicos, os centros de potência, da supervisão, estão no controle completo e perfeito da maioria das energias básicas do espaço, incluindo as emanações dos globos altamente aquecidos e esferas escuras carregadas de energia. Esse grupo de entidades vivas pode mobilizar, transformar, transmutar, manipular e transmitir quase todas as energias físicas do espaço organizado.
41:2.5 (457.4) A vida tem capacidade inerente para a mobilização e transmutação da energia universal. Vós estais familiarizados com a ação da vida vegetal para a transformação da energia material da luz nas manifestações variadas do reino vegetal. Também sabeis algo do método pelo qual essa energia vegetativa pode ser convertida nos fenômenos das atividades animais, mas não sabeis praticamente nada da técnica dos diretores de potência e dos controladores físicos, os quais são dotados com a capacidade de mobilizar, transformar, direcionar e concentrar as energias múltiplas do espaço.
41:2.6 (457.5) Esses seres dos reinos da energia não se ocupam diretamente com a energia como um fator componente das criaturas vivas, nem mesmo com o domínio da química fisiológica. Algumas vezes, eles ocupam-se com os preliminares físicos da vida, com a elaboração daqueles sistemas de energia que podem servir como veículos físicos para as energias vivas dos organismos elementares materiais. De um certo modo, os controladores físicos estão relacionados às manifestações pré-viventes da energia material, tal como os espíritos ajudantes da mente se ocupam com as funções pré-espirituais da mente material.
41:2.7 (457.6) Essas criaturas inteligentes no controle do potencial e orientação da energia devem ajustar a sua técnica, em cada planeta, de acordo com a constituição física e a arquitetura daquela esfera. Utilizam, infalivelmente, os cálculos e as deduções das suas respectivas assessorias de físicos e outros conselheiros técnicos, no que diz respeito à influência local de sóis altamente aquecidos e outros tipos de estrelas supercarregadas. Mesmo os enormes gigantes frios e escuros do espaço e os enxames de nuvens de pó estelar devem ser considerados; todas essas coisas materiais estão envolvidas nos problemas práticos da manipulação da energia.
41:2.8 (457.7) A supervisão da energia de potência e de força nos mundos evolucionários habitados é da responsabilidade dos Mestres Controladores Físicos, mas esses seres não são responsáveis por todos os transtornos energéticos em Urântia. Há inúmeras razões para essas perturbações, algumas das quais estão além do domínio e do controle dos custódios físicos. Urântia encontra-se no trajeto de energias formidáveis, é um planeta pequeno dentro de um circuito de massas enormes, e os controladores locais algumas vezes empregam um número enorme das suas ordens, no esforço de equalizar essas linhas de energia. Eles conseguem isso bastante bem, no que diz respeito aos circuitos físicos de Satânia, mas têm problemas para isolar o planeta das correntes poderosas de Norlatiadeque.
41:3.1 (458.1) Há mais de dois mil sóis brilhantes lançando luz e energia em Satânia, e o vosso próprio sol é um globo ardente de porte médio. Dos trinta sóis mais próximos ao vosso, apenas três são mais brilhantes. Os Diretores do Poder do Universo iniciam as correntes especializadas de energia que se jogam entre as estrelas individuais e os seus respectivos sistemas. Esses fornos solares, junto com os gigantes escuros do espaço, servem aos centros de potência e aos controladores físicos como estações de passagem para a concentração efetiva e para o direcionamento dos circuitos de energia das criações materiais.
41:3.2 (458.2) Os sóis de Nébadon não são diferentes dos de outros universos. A composição material de todos os sóis, ilhas escuras, planetas, satélites e, mesmo, a dos meteoros é totalmente idêntica. Esses sóis têm um diâmetro médio de cerca de 1 600 000 quilômetros; o do vosso globo solar é um pouco menor. A maior estrela no universo, a nuvem estelar de Antares, tem quatrocentas e cinqüenta vezes o diâmetro do vosso sol, e sessenta milhões de vezes o seu volume. Mas há espaço abundante para acomodar todos esses enormes sóis. Relativamente, eles têm, para movimentar-se, um espaço relativamente igual ao que doze laranjas teriam se estivessem circulando no interior de Urântia e se este planeta fosse um globo oco.
41:3.3 (458.3) Quando sóis muito grandes são lançados fora de uma roda-mãe nebulosa, eles logo se quebram ou formam estrelas duplas. Todos os sóis são, por origem, verdadeiramente gasosos, embora possam mais tarde existir, transitoriamente, em um estado semilíquido. Quando o vosso sol atingiu esse estado quase líquido, de pressão supergasosa, ele não era grande o suficiente para se partir equatorialmente, sendo este um tipo de formação de estrelas duplas.
41:3.4 (458.4) Quando atingem menos do que um décimo do tamanho do vosso sol, tais esferas ígneas rapidamente contraem-se, condensam-se e resfriam-se. Quando os sóis atingem o tamanho de trinta vezes o do vosso sol — ou melhor, tendo trinta vezes o seu conteúdo global de matéria real — , os sóis prontamente cindem-se em dois corpos separados, seja tornando-se centros de novos sistemas, seja permanecendo cada um na gravidade do outro e girando em torno de um centro comum como um tipo de estrela dupla.
41:3.5 (458.5) A mais recente das erupções cósmicas maiores em Orvônton foi a extraordinária explosão de uma estrela dupla, cuja luz alcançou Urântia no ano 1572 d.C. Essa conflagração tão intensa provocou uma explosão claramente visível em plena luz do dia.
41:3.6 (458.6) Muitas entre as estrelas mais velhas são sólidas, mas nem todas o são. Algumas das estrelas avermelhadas, de luzes de brilho esmaecido, adquiriram uma densidade tal, no centro das suas enormes massas, que poderiam ser expressas dizendo-se que um centímetro cúbico da estrela, se colocado em Urântia, pesaria 166 quilos. A pressão colossal, acompanhada de perda de calor e energia circulante, resultou em trazer as órbitas das unidades materiais básicas cada vez mais próximas entre si, até que, agora, se aproximaram muito do status de condensação eletrônica. Esse processo de resfriamento e de contração pode continuar até o ponto, limitante e crítico, de explosão por condensação ultimatômica.
41:3.7 (459.1) A maior parte dos sóis gigantes é relativamente jovem; a maior parte das estrelas anãs é velha, mas nem todas. As anãs, resultantes de colisões, podem ser muito jovens e podem brilhar com uma luz branca intensa, nunca havendo conhecido um estágio inicial vermelho do brilho jovem. Contudo, tanto os sóis muito jovens quanto os muito velhos comumente brilham com uma luz avermelhada. A tonalidade amarelada indica juventude moderada, ou, então, a aproximação da velhice; a luz branca brilhante, todavia, significa vida adulta robusta e longa.
41:3.8 (459.2) Conquanto nem todos os sóis adolescentes passem pelo estágio de pulsação, pelo menos não visivelmente, vós podeis, ao olhar para o espaço, observar muitas dessas estrelas mais jovens cujas ondas respiratórias gigantescas demoram de dois a sete dias para completar um ciclo. O vosso próprio sol ainda traz vestígios decrescentes das poderosas expansões dos seus dias mais jovens, mas o período primitivo de pulsação, de três dias e meio, alongou-se até o ciclo atual de onze anos e meio de manchas solares.
41:3.9 (459.3) As variáveis estelares têm numerosas origens. Em algumas estrelas duplas, as marés causadas pelas rápidas alterações nas distâncias, à medida que os dois corpos giram em torno das suas órbitas, ocasionam, também, flutuações periódicas de luz. Essas variações na gravidade produzem fulgores regulares e repetidos, exatamente como as captações de meteoros, pelo aumento da matéria energética na superfície, as quais resultariam em um clarão relativamente súbito de luz que iria rapidamente devolver o brilho normal daquele sol. Algumas vezes um sol irá capturar uma corrente de meteoros em uma linha de menor oposição à gravidade e, ocasionalmente, as colisões poderão causar fulgurações estelares, mas a maioria desses fenômenos é causada inteiramente por flutuações internas.
41:3.10 (459.4) Num grupo de estrelas variáveis, o período de flutuação da luz depende diretamente da luminosidade; e o conhecimento desse fato capacita os astrônomos a utilizar esses sóis como faróis do universo, ou como pontos precisos de medição para a futura exploração de grupos distantes de estrelas. Por meio dessa técnica, é possível medir distâncias estelares de até mais de um milhão de anos-luz, mais precisamente. Métodos melhores de medição do espaço e uma técnica telescópica aperfeiçoada irão revelar-vos mais totalmente, dentro de algum tempo, as dez grandes divisões do superuniverso de Orvônton; vós ireis reconhecer ao menos oito desses imensos setores como sendo grupos enormes e bastante simétricos de estrelas.
41:4.1 (459.5) A massa do vosso sol é ligeiramente maior do que o estimado pelos vossos físicos, que a consideram como sendo de dois octilhões (1,8 x 1027) de toneladas. Está atualmente em um ponto intermediário entre as estrelas mais densas e as mais difusas, tendo cerca de uma vez e meia a densidade da água. Mas o vosso sol não é nem líquido, nem sólido — é gasoso — , e isso é verdadeiro, não obstante seja difícil explicar como a matéria gasosa pode alcançar tal densidade e até densidades mais elevadas.
41:4.2 (459.6) Os estados gasoso, líquido e sólido são uma função das relações atômico-moleculares, mas a densidade é uma relação entre o espaço e a massa. A densidade varia diretamente com a quantidade de massa no espaço e inversamente com a quantidade de espaço na massa; tanto o espaço entre os núcleos centrais da matéria e das partículas que giram em torno desses centros, quanto o espaço dentro dessas partículas materiais.
41:4.3 (459.7) As estrelas que se resfriam podem ser fisicamente gasosas e, ao mesmo tempo, tremendamente densas. Vós não estais familiarizados com os supergases solares, mas essas e outras formas inusitadas de matéria explicam, até mesmo, como os sóis não sólidos podem alcançar uma densidade igual à do ferro — aproximadamente a mesma de Urântia — e ainda estar em um estado gasoso altamente aquecido e continuar a funcionar como sóis. Os átomos nesses densos supergases são excepcionalmente pequenos; eles contêm poucos elétrons. Esses sóis também perderam, em uma grande medida, as suas reservas ultimatômicas livres de energia.
41:4.4 (460.1) Um dos vossos sóis vizinhos, que iniciou a vida com aproximadamente a mesma massa do vosso sol, agora diminuiu, até quase alcançar o tamanho de Urântia, e se tornou quarenta mil vezes mais denso do que o vosso sol. O peso desse sólido-gasoso quente-frio é de sessenta quilos por centímetro cúbico, aproximadamente. E esse sol ainda brilha com uma luz avermelhada esmaecida, a luz senil de um monarca agonizante de luz.
41:4.5 (460.2) Na sua maioria, contudo, os sóis não são tão densos. Um dos vossos vizinhos mais próximos tem uma densidade exatamente igual à da vossa atmosfera no nível do mar. Se estivésseis no interior desse sol, não seríeis capazes de discernir nada. E, se a temperatura permitisse, vós poderíeis penetrar na maioria dos sóis que cintilam no céu à noite e não perceber mais matéria do que vós percebeis no ar das vossas salas de estar na Terra.
41:4.6 (460.3) O sol maciço de Velúntia, um dos maiores de Orvônton, tem a densidade correspondente a uma milésima parte da atmosfera de Urântia. Fosse ele de composição semelhante à da vossa atmosfera e não fosse superaquecido, seria tão vazio que os seres humanos rapidamente sufocar-se-iam, caso estivessem lá.
41:4.7 (460.4) Outro dos gigantes de Orvônton agora tem uma temperatura de superfície um pouco abaixo de 1 600 graus (C). O seu diâmetro ultrapassa os 480 milhões de quilômetros — espaço amplo o suficiente para acomodar o vosso sol e a órbita atual da Terra. Contudo, para todo esse enorme tamanho, de mais de quarenta milhões de vezes o do vosso sol, a sua massa é apenas cerca de trinta vezes maior. Esses sóis enormes têm franjas tão extensas que quase alcançam uns aos outros.
41:5.1 (460.5) Que os sóis do espaço não sejam muito densos é provado pelas firmes correntes de energia-luz que emanam deles. Uma densidade muito grande reteria a luz por opacidade, até que a pressão de energia-luz alcançasse o ponto de explosão. Há uma imensa pressão de luz ou de gás dentro de um sol, a ponto de levá-lo a emitir uma corrente tão poderosa de energia que penetre o espaço por milhões e milhões de quilômetros, para energizar, iluminar e aquecer os planetas distantes. Cinco metros de superfície, com a densidade de Urântia, impediriam efetivamente que todos os raios X e a energia-luz escapassem de um sol até que a crescente pressão interna das energias que se acumulam, e resultante do desmembramento atômico, com uma imensa explosão para fora, superasse essa gravidade.
41:5.2 (460.6) A luz, em presença de gases propulsores, é altamente explosiva se confinada a altas temperaturas por paredes opacas retentoras. A luz é física, real. Do modo como dais valor à energia e à força no vosso mundo, a luz do sol seria econômica, ainda que custasse dois milhões de dólares o quilograma.
41:5.3 (460.7) O interior do vosso sol é um imenso gerador de raios X. Os sóis são sustentados de dentro pelo bombardeamento incessante dessas emanações poderosas.
41:5.4 (460.8) São necessários mais de meio milhão de anos para que um elétron, estimulado por raios X, faça o caminho desde o centro de um sol mediano até a superfície solar, de onde começa a sua aventura no espaço, talvez para aquecer um planeta habitado, para ser captado por um meteoro, para participar do nascimento de um átomo, para ser atraído por uma ilha escura de espaço altamente carregada, ou para ter o seu vôo espacial terminado em uma imersão final sobre a superfície de um sol semelhante àquele da sua origem.
41:5.5 (461.1) Os raios X do interior de um sol carregam os elétrons altamente aquecidos e agitados, com a energia suficiente para levá-los para fora, através do espaço, passando pelas influências aprisionadoras da matéria que se interpõe e, a despeito de atrações divergentes da gravidade, até chegar às esferas distantes de sistemas remotos. A grande energia da velocidade que se faz necessária para escapar da atração da gravidade de um sol é suficiente para assegurar que o raio de sol continue viajando sem perda de velocidade, até que encontre massas consideráveis de matéria; depois do que, será rapidamente transformado em calor, com a liberação de outras energias.
41:5.6 (461.2) A energia em forma de luz, ou sob outras formas, move-se em linha reta no seu vôo através do espaço. Essas partículas reais de existência material atravessam o espaço como um projétil, indo em linha reta e ininterrupta ou em procissão, exceto quando sobre elas atuam forças superiores, e exceto quando têm de obedecer à atração da gravidade linear inerente à massa material e à presença da gravidade circular da Ilha do Paraíso.
41:5.7 (461.3) A energia solar pode parecer propagar-se em ondas, mas isso é devido à ação de influências coexistentes diversas. Uma dada forma de energia organizada não se propaga em ondas, mas, sim, em linha reta. A presença de uma segunda ou terceira forma de energia-força pode levar a corrente observada a parecer viajar sob a forma de ondas, exatamente como em uma forte tempestade, acompanhada de um forte vento, a água algumas vezes parece cair em forma de cortina ou descer em ondas. As gotas de água descem em uma linha reta de seqüência contínua, mas a ação do vento é tal que dá a aparência visível de cortinas de água e de ondas de pingos de chuva.
41:5.8 (461.4) A ação de certas energias secundárias, e outras não descobertas, presentes nas regiões do espaço do vosso universo local, é tal que as emanações da luz solar parecem executar certos fenômenos ondulatórios, bem como ser fragmentadas em partes infinitesimais de comprimento e peso definidos. E, de um ponto de vista prático, isso é exatamente o que acontece. Dificilmente podeis esperar chegar a uma compreensão melhor do comportamento da luz antes de adquirirdes um conceito mais claro da interação e da inter-relação das várias forças no espaço e energias solares que atuam nas regiões do espaço em Nébadon. A vossa confusão atual é devida também à vossa percepção incompleta dessa questão, pelo que ela envolve de atividades interassociadas de controle pessoal e impessoal do universo-mestre — as presenças, as atuações e a coordenação do Agente Conjunto e do Absoluto Inqualificável.
41:6.1 (461.5) Ao decifrar os fenômenos espectrais, deveria ser lembrado que o espaço não é vazio; que a luz, ao atravessar o espaço, algumas vezes é ligeiramente modificada pelas várias formas de energia e matéria que circulam em todo o espaço organizado. Algumas das linhas a indicar matéria desconhecida, as quais aparecem nos espectros do vosso sol, são decorrentes das modificações em elementos bem conhecidos flutuando no espaço sob formas desintegradas, perdas atômicas que são dos choques violentos entre os elementos solares. O espaço está cheio desses dejetos ambulantes, especialmente de sódio e cálcio.
41:6.2 (461.6) O cálcio é, de fato, o elemento principal que permeia a matéria do espaço em todo o Orvônton. Todo o nosso superuniverso está cheio de pedra altamente pulverizada. E essa pedra é literalmente a matéria básica de construção para os planetas e esferas do espaço. A nuvem cósmica, o grande manto espacial, consiste, na sua maior parte, de átomos modificados de cálcio. O átomo dessa pedra é um dos elementos que mais prevalecem e de maior persistência. Não apenas resiste à ionização solar — de fragmentação — , mas perdura em uma identidade associativa, mesmo depois de haver sido bombardeado pelos destrutivos raios X e abalado pelas altas temperaturas solares. O cálcio possui uma individualidade e uma longevidade que superam todas as formas mais comuns de matéria.
41:6.3 (462.1) Como os vossos físicos suspeitavam, esses restos mutilados de cálcio solar literalmente cavalgam os raios de luz por distâncias variadas, facilitando, assim, tremendamente a sua ampla disseminação pelo espaço. O átomo de sódio, sob certas modificações, é também capaz de locomover-se por meio da luz e da energia. No entanto, mais notável é o feito do cálcio, pois esse elemento tem quase duas vezes a massa do sódio. A permeação do espaço local pelo cálcio se deve ao fato de que ele escapa da fotosfera solar sob uma forma modificada, literalmente cavalgando os raios de sol em expansão. De todos os elementos solares, o cálcio, não obstante possuir uma massa relativamente alta — posto que contém vinte elétrons em órbita — , é o que maior êxito consegue ao escapar do interior solar para os reinos do espaço. Isso explica por que há uma camada de cálcio no sol, uma superfície de pedra gasosa, de quase dez mil quilômetros de espessura; e isso a despeito do fato de haver dezenove elementos mais leves, e numerosos mais pesados, debaixo dessa camada.
41:6.4 (462.2) O cálcio é um elemento ativo e versátil sob as temperaturas solares. O átomo dessa pedra tem dois elétrons ágeis e soltamente agregados nos dois circuitos eletrônicos externos, que estão muito próximos um do outro. Na luta atômica, muito cedo perde o seu elétron mais externo; a partir daí, executa um ato de mestria em malabarismo, fazendo o décimo nono elétron ir e voltar do décimo nono circuito de órbita eletrônica para o vigésimo. Projetando esse décimo nono elétron entre a sua própria órbita e a do companheiro perdido, por mais de vinte e cinco mil vezes a cada segundo, um átomo de pedra mutilada torna-se parcialmente capaz de desafiar a gravidade e de, desse modo, cavalgar com sucesso as correntes emergentes de luz e energia, nos raios de sol, até a liberdade e a aventura. Esse átomo de cálcio move-se para fora em saltos alternados de propulsão para frente, agarrando-se e soltando-se dos raios de sol cerca de vinte e cinco mil vezes a cada segundo. E essa é a razão pela qual essa pedra é a componente principal dos mundos do espaço. O cálcio é o fugitivo mais habilidoso na escapada da prisão solar.
41:6.5 (462.3) A agilidade desse elétron acrobático de cálcio é indicada pelo fato de que, quando ele é arrojado, pela força da temperatura dos raios X solares, para o círculo da órbita mais elevada, ele apenas permanece naquela órbita por cerca de um milionésimo de segundo; mas, antes que a força da gravidade elétrica do núcleo atômico o puxe de volta para a sua velha órbita, ele é capaz de completar um milhão de revoluções em torno do centro atômico.
41:6.6 (462.4) O vosso sol perdeu já uma enorme quantidade do seu cálcio, havendo perdido quantidades imensas durante os tempos das suas erupções convulsivas quando da formação do sistema solar. Grande parte do cálcio solar está agora na crosta exterior do sol.
41:6.7 (462.5) Deveria ser lembrado que a análise espectral mostra apenas as composições à superfície do sol. Por exemplo: os espectros solares mostram muitas linhas de ferro, mas o ferro não é o elemento principal no sol. Esse fenômeno é quase totalmente devido à temperatura atual da superfície do sol, pouco menor do que 3 300 graus (C), sendo essa temperatura muito favorável ao registro do espectro do ferro.
41:7.1 (463.1) A temperatura interna de muitos dos sóis, e mesmo a do vosso sol, é bem mais elevada do que se crê normalmente. No interior de um sol praticamente não existem átomos intactos; estão todos mais ou menos fragmentados pelo bombardeamento intenso de raios X, o que é característico das altas temperaturas. Independentemente de quais elementos materiais apareçam nas camadas externas de um sol, aqueles que estão no seu interior tornam-se muito similares, por causa da ação dissociativa dos raios X destruidores. Os raios X em geral são os grandes niveladores da existência atômica.
41:7.2 (463.2) A temperatura de superfície no vosso sol é de quase 3 300 graus (C), mas cresce rapidamente à medida que se penetra no seu interior, até atingir a inacreditável marca de cerca de 19 400 000 graus, nas regiões centrais (todas essas temperaturas sendo expressas na vossa escala Celsius).
41:7.3 (463.3) Todos esses fenômenos indicam um enorme gasto de energia, e as fontes da energia solar, nomeadas pela ordem da sua importância, são:
41:7.4 (463.4) 1. A aniquilação de átomos e, finalmente, dos elétrons.
41:7.5 (463.5) 2. A transmutação de elementos, a qual inclui o grupo de energias radioativas assim liberadas.
41:7.6 (463.6) 3. A acumulação e a transmissão de certas energias universais de espaço.
41:7.7 (463.7) 4. A matéria espacial e os meteoros que, sem cessar, estão mergulhando nos sóis abrasadores.
41:7.8 (463.8) 5. A contração solar: o resfriamento e a conseqüente contração de um sol produzem uma energia e um calor algumas vezes maior do que os supridos pela matéria do espaço.
41:7.9 (463.9) 6. A ação da gravidade, a altas temperaturas, transforma certos potenciais circuitados em energias irradiantes.
41:7.10 (463.10) 7. A luz recaptada e outras matérias que são atraídas, de volta ao sol, após haverem-no deixado juntamente com outras energias de origem extra-solar.
41:7.11 (463.11) Existe uma camada reguladora de gases quentes (algumas vezes à temperatura de milhões de graus) que envolve os sóis, e que atua para estabilizar as perdas de calor e também para prevenir as flutuações perigosas de dissipação de calor. Durante a vida ativa de um sol, a temperatura interna de 19 400 000 graus (C) permanece quase a mesma, a despeito da queda progressiva da temperatura externa.
41:7.12 (463.12) Vós poderíeis tentar visualizar a temperatura de 19 400 000 graus (C), associando-a a algumas pressões de gravidade, como o ponto de ebulição eletrônico. Sob essa pressão, e em tais temperaturas, todos os átomos são degradados e fragmentam-se nos seus componentes eletrônicos e em outros componentes ancestrais; até mesmo os elétrons e outras associações de ultímatons podem ser fragmentadas, mas os sóis não são capazes de degradar os ultímatons.
41:7.13 (463.13) Essas temperaturas solares aceleram enormemente os ultímatons e os elétrons, ou, ao menos aqueles elétrons que continuam a manter sua existência sob tais condições. Vós compreendereis o que essa alta temperatura significa na aceleração das atividades dos ultímatons e dos elétrons, ao considerardes que uma gota de água comum contém mais de um bilhão de trilhões de átomos. Essa seria a energia de mais de cem cavalos-vapor exercida continuamente por dois anos. A quantidade total de calor irradiada agora pelo sol desse sistema solar, a cada segundo, é suficiente para ferver toda a água em todos os oceanos de Urântia no tempo de apenas um segundo.
41:7.14 (464.1) Somente os sóis que funcionam nos canais diretos das correntes principais da energia do universo podem brilhar para sempre. Esses fornos solares ardem indefinidamente, sendo capazes de repor as suas perdas materiais com a absorção da energia de força do espaço e energias circulantes análogas. Todavia, estrelas muito distantes desses canais principais de recarga estão destinadas a passar pelo esgotamento da energia — gradualmente resfriam-se e, finalmente, apagam-se.
41:7.15 (464.2) Tais sóis, mesmo mortos ou moribundos, podem ser rejuvenescidos por um impacto de colisão ou podem ser recarregados por certas ilhas de energias não luminosas do espaço, ou ainda mediante a tomada, por gravidade, de sóis vizinhos menores, ou sistemas. A maioria dos sóis mortos irá experienciar uma revivificação por meio dessas técnicas evolucionárias ou outras. Aqueles que não forem recarregados finalmente desse modo estão destinados a passar pela desintegração, com a explosão da massa, quando a condensação da gravidade atingir o nível crítico de condensação ultimatômica da pressão da energia. Esses sóis em desaparecimento convertem-se, assim, em energia da forma mais rara, admiravelmente adaptável para energizar outros sóis mais favoravelmente situados.
41:8.1 (464.3) Naqueles sóis que se encontram encircuitados aos canais de energia-espacial, a energia solar é liberada por meio de várias correntes de reações nucleares complexas; a mais comum destas sendo a reação hidrogênio-carbono-hélio. Nessa metamorfose, o carbono age como um catalisador para a energia, já que não é de nenhum modo modificado, de fato, nesse processo de conversão do hidrogênio em hélio. Sob certas condições de temperatura elevada, o hidrogênio penetra nos núcleos do carbono. Já que o carbono não pode segurar mais do que quatro desses prótons, quando tal estado de saturação é atingido, ele começa a emitir prótons tão depressa quanto os novos chegam. As partículas de hidrogênio que entram nessa reação saem como átomos de hélio.
41:8.2 (464.4) A redução da quantidade de hidrogênio aumenta a luminosidade de um sol. Nos sóis destinados a apagar-se, o máximo de luminosidade se dá no ponto em que o hidrogênio se esgota. Depois desse ponto, o brilho é mantido por meio do processo resultante de contração da gravidade. Finalmente, essa estrela tornar-se-á uma esfera altamente condensada, a chamada anã branca.
41:8.3 (464.5) Nos grandes sóis — pequenas nebulosas circulares — , quando o hidrogênio se esgota e a contração da gravidade sobrevém, se esse corpo não for suficientemente opaco para reter a pressão interna de suporte para as regiões externas dos gases, então, um súbito colapso ocorre. As mudanças da gravidade elétrica dão origem a grandes quantidades de partículas mínimas desprovidas de potencial elétrico, e essas partículas prontamente escapam do interior solar causando assim, em poucos dias, o colapso de um sol gigantesco. Foi a emigração dessas “partículas fugitivas” que provocou o colapso do gigante Nova, da nebulosa de Andrômeda, há cerca de cinqüenta anos atrás. Esse imenso corpo estelar entrou em colapso em quarenta minutos do tempo de Urântia.
41:8.4 (464.6) Regra geral, continua uma farta expulsão de matéria em torno do sol residual, em resfriamento, na forma de nuvens extensas de gases de nebulosas. E tudo isso explica a origem de vários tipos de nebulosas irregulares, como a nebulosa de Câncer, que teve a sua origem há cerca de novecentos anos, e que ainda exibe a esfera-mãe como uma estrela solitária próxima do centro dessa massa nebulosa irregular.
41:9.1 (465.1) Um controle de gravidade, sobre os seus elétrons, é mantido de tal modo pelos sóis maiores, que a luz escapa apenas com a ajuda dos poderosos raios X. Esses raios colaboradores penetram em todo o espaço e servem para a manutenção das associações ultimatômicas fundamentais de energia. As grandes perdas de energia nos dias iniciais de um sol, depois de haver atingido a sua temperatura máxima — de mais de 19 400 000 graus (C) — , são devidas, não tanto ao escape da luz, quanto aos vazamentos ultimatômicos. Essas energias dos ultímatons se projetam na direção do espaço exterior, para participar da aventura da associação eletrônica e da materialização da energia, como uma verdadeira explosão de energia durante os tempos da adolescência solar.
41:9.2 (465.2) Os átomos e os elétrons estão sujeitos à gravidade. Os ultímatons não estão sujeitos à gravidade local, à interação da atração material, mas eles são totalmente obedientes à gravidade absoluta ou do Paraíso, à tendência, ao impulso, do círculo universal e eterno do universo dos universos. A energia ultimatômica não obedece à atração da gravidade linear, ou direta, das massas materiais próximas ou distantes, mas ela sempre gira de acordo com o circuito da grande elipse da enorme criação.
41:9.3 (465.3) O vosso próprio centro solar irradia quase cem bilhões de toneladas de matéria real, anualmente, enquanto os sóis gigantes perdem matéria em uma taxa prodigiosa durante o seu crescimento inicial, os primeiros bilhões de anos. A vida de um sol torna-se estável depois que a temperatura interna máxima é atingida, e depois que as energias subatômicas começam a ser liberadas. É nesse ponto crítico que os sóis maiores são dados a ter pulsações convulsivas.
41:9.4 (465.4) A estabilidade do sol é totalmente dependente do equilíbrio da disputa entre o aquecimento e a gravidade — pressões tremendas contrabalançadas por temperaturas inimagináveis. A elasticidade interior do gás dos sóis mantém as camadas sobrepostas de materiais variados e, quando a gravidade e o calor estão em equilíbrio, o peso dos materiais externos iguala-se exatamente à pressão da temperatura dos gases subjacentes e interiores. Em muitas estrelas mais jovens, a condensação contínua da gravidade produz temperaturas internas sempre crescentes e, à medida que o calor interno cresce, a pressão interna dos raios X, nos ventos dos supergases, torna-se tão grande que, ajudada pelos movimentos centrífugos, leva um sol a começar a atirar ao espaço a sua camada exterior, compensando, assim, o desequilíbrio entre a gravidade e o calor.
41:9.5 (465.5) O vosso próprio sol há muito atingiu um relativo equilíbrio entre os ciclos de sua expansão e sua contração, aquelas perturbações que produzem as pulsações gigantescas de muitas das estrelas mais jovens. O vosso sol tem atualmente cerca de seis bilhões de anos de idade. No momento presente, ele está passando pelo seu período de maior economia. Ele brilhará com a eficiência da fase presente por mais de vinte e cinco bilhões de anos. E, provavelmente, experimentará um período de declínio, parcialmente eficiente, tão longo quanto os períodos somados da sua juventude e do seu funcionamento estável.
41:10.1 (465.6) Algumas das estrelas variáveis, no estado de pulsação máximo ou próximo dele, estão em processo de originar sistemas subsidiários, muitos dos quais finalmente serão bastante semelhantes ao vosso próprio sol, com os planetas girando ao seu redor. O vosso sol estava justamente em um estado igual, de pulsação vigorosa, quando o maciço sistema de Angona aproximou-se muito dele, e a superfície externa do sol começou a expelir verdadeiras correntes — camadas contínuas — de matéria. Isso prosseguiu com uma violência sempre crescente, até quase a justaposição, quando os limites da coesão solar foram atingidos e uma grande quantidade de matéria, ancestral do sistema solar, foi expelida. Em circunstâncias similares, a maior aproximação do corpo atraído faz, algumas vezes, expelir planetas inteiros, e até mesmo uma quarta ou uma terça parte de um sol. Essas expulsões maiores formam certos tipos peculiares de mundos envolvidos por nuvens, esferas semelhantes a Júpiter e Saturno.
41:10.2 (466.1) A maioria dos sistemas solares, contudo, teve uma origem inteiramente diferente da do vosso, e isso é verdadeiro até quanto àqueles que foram criados pela técnica de gravidade do tipo maré-motriz. Todavia, não importando o que será obtido por meio da técnica de criação de um mundo, a gravidade sempre produz o tipo de sistema solar de criação, isto é, um sol central ou uma ilha escura com planetas, satélites, subsatélites e meteoros.
41:10.3 (466.2) Os aspectos físicos dos mundos individuais são amplamente determinados pelo modo da sua origem, pela situação astronômica e pelo ambiente físico. A idade, o tamanho, a velocidade de rotação e a velocidade no espaço são também fatores determinantes. Tanto os mundos gerados pela contração do gás, quanto os de sedimentação sólida, são caracterizados por montanhas e, durante a sua vida inicial, quando já não são tão pequenos, pela água e pelo ar. O tipo de mundo gerado pela divisão por derretimento e os mundos gerados por colisões algumas vezes não têm áreas montanhosas tão extensas.
41:10.4 (466.3) Durante as primeiras idades de todos esses mundos novos, os terremotos são freqüentes; e todos são caracterizados por grandes perturbações físicas; e isso é especialmente verdadeiro a respeito das esferas geradas pela contração de gases, mundos nascidos de imensos anéis de nebulosas que são deixados para trás no alvorecer das primeiras condensações e contrações de certos sóis individuais. Os planetas que têm uma origem dupla, como Urântia, passam por uma carreira de juventude menos violenta e tempestuosa. Mesmo assim, o vosso mundo experimentou uma fase inicial de cataclismos fortíssimos, caracterizados por vulcões, terremotos, enchentes e tempestades terríveis.
41:10.5 (466.4) Urântia está relativamente isolada, na periferia do vosso sistema de Satânia, e, com uma exceção apenas, é a esfera mais distante de Jerusém, ao passo que o próprio sistema de Satânia está próximo do sistema mais externo de Norlatiadeque; e essa constelação agora atravessa a orla externa de Nébadon. Vós estivestes realmente entre as mais humildes de todas as criações, até que a auto-outorga de Michael houvesse elevado o vosso planeta a uma posição de honra e de grande interesse universal. Algumas vezes, os últimos serão os primeiros, assim como verdadeiramente o menor pode torna-se o maior.
41:10.6 (466.5) [Apresentado por um Arcanjo, em colaboração com o comandante dos Centros de Potência de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 42
42:0.1 (467.1) A FUNDAÇÃO do universo é material, no sentido em que a energia é a base de toda a existência; e a energia pura é controlada pelo Pai Universal. A força, a energia, é a coisa que permanece como um monumento perpétuo, demonstrando e provando a existência e a presença do Absoluto Universal. A imensa corrente de energia, que provém das Presenças do Paraíso, nunca faltou, nunca falhou; nunca houve nenhuma interrupção na sustentação infinita.
42:0.2 (467.2) A manipulação da energia do universo dá-se sempre de acordo com a vontade pessoal e com os mandados plenamente sábios do Pai Universal. Tal controle pessoal do poder manifestado, e da energia circulante, é modificado pelos atos coordenados e pelas decisões do Filho Eterno, bem como pelos propósitos unidos de Filho e Pai, executados pelo Agente Conjunto. Esses seres divinos atuam pessoalmente, e como indivíduos; e, funcionam, também, na pessoa e poderes de um número quase ilimitado de subordinados, cada um diferentemente expressivo do propósito eterno e divino no universo dos universos. Mas essas modificações, ou transmutações funcionais e provisionais do poder divino, de nenhum modo reduzem a verdade da afirmação de que toda a energia-força está sob o controle último de um Deus pessoal, residente no centro de todas as coisas.
42:1.1 (467.3) A base do universo é material, mas a essência da vida é espírito. O Pai dos espíritos é também o ancestral dos universos. O Pai eterno do Filho Original é também a fonte-eternidade do modelo original, a Ilha do Paraíso.
42:1.2 (467.4) A matéria — ou a energia, pois ambas não são senão manifestações diversas da mesma realidade cósmica, como fenômenos no universo — é inerente ao Pai Universal. “Nele consistem todas as coisas.” A matéria pode surgir para manifestar a energia inerente e demonstrar os poderes autocontidos, mas as linhas de gravidade envolvidas nas energias ligadas a todos esses fenômenos físicos derivam-se e dependem do Paraíso. O ultímatom, a primeira forma mensurável de energia, tem o Paraíso como o seu núcleo.
42:1.3 (467.5) Há, inata na matéria e presente no espaço universal, uma forma de energia não conhecida em Urântia. Quando for finalmente feita a descoberta dessa energia, então, os físicos irão sentir que terão solucionado, ou pelo menos quase, os mistérios da matéria. E assim terão dado mais um passo no sentido de se aproximar do Criador; e terão dominado mais uma fase da técnica divina; mas de modo nenhum terão encontrado Deus, nem terão desvendado o conhecimento da existência da matéria, nem a operação das leis naturais, separadamente da técnica cósmica do Paraíso, nem o propósito motivador do Pai Universal.
42:1.4 (468.1) Depois de um progresso ainda maior com novas descobertas, depois que Urântia houver avançado incomensuravelmente em relação aos conhecimentos atuais e, ainda que vós pudésseis alcançar o controle das rotações energéticas das unidades elétricas da matéria, a ponto de conseguir modificar as suas manifestações físicas — mesmo depois de todo esse progresso possível, os cientistas permanecerão, indefinidamente, impotentes ainda para criar sequer um átomo de matéria, ou gerar um raio de energia e, menos ainda, para outorgar à matéria aquilo que chamamos de vida.
42:1.5 (468.2) A criação da energia e a dádiva da vida são prerrogativas do Pai Universal e das personalidades Criadoras, coligadas a Ele. O rio da energia e da vida é uma efusão contínua vinda das Deidades, a corrente universal e harmônica de força do Paraíso, irradiando-se por todo o espaço. Essa energia divina penetra toda a criação. Os organizadores da força iniciam as mudanças e instituem as modificações da força-espaço, que se manifestam no surgimento da energia; e os diretores de potência transmutam energia em matéria; assim nascem os mundos materiais. Os Portadores da Vida iniciam, na matéria morta, aqueles processos aos quais chamamos vida, vida material. Os Supervisores do Poder Moroncial atuam do mesmo modo nos reinos da transição entre o mundo material e o espiritual. Os Criadores espirituais superiores inauguram processos semelhantes nas formas divinas de energia, que resultam em formas mais elevadas de espíritos de vida inteligente.
42:1.6 (468.3) A energia provém do Paraíso, formada segundo a ordem divina. A energia — a energia pura — compartilha da natureza da organização divina; é formada à semelhança dos três Deuses abraçados em um só, como eles funcionam na sede-central do universo dos universos. E toda a força é circuitada ao Paraíso; vem das Presenças do Paraíso e para lá retorna e, em essência, é uma manifestação da Causa não causada — o Pai Universal — ; e, sem o Pai, nada do que existe existiria.
42:1.7 (468.4) A força derivada da Deidade, existente em Si, é, em si mesma, eternamente existente. A energia-força é imperecível, indestrutível; essas manifestações do Infinito podem estar sujeitas à transmutação ilimitada, à transformação sem fim e à metamorfose eterna; mas em nenhum sentido ou grau, nem mesmo na menor proporção imaginável, poderiam ou deveriam elas sofrer extinção. Mas a energia, ainda que emergindo do Infinito, não se manifesta de forma infinita; há limites externos para o universo-mestre, como ele é atualmente concebido.
42:1.8 (468.5) A energia é eterna, mas não infinita; e responde sempre à gravidade todo-abrangente da Infinitude. A força e a energia continuam eternamente; uma vez que tenham saído do Paraíso, devem retornar para lá, ainda que idades e mais idades sejam necessárias para completar o circuito ordenado. Aquilo que tem a sua origem na Deidade do Paraíso só pode ter como destino o Paraíso, ou alguma Deidade.
42:1.9 (468.6) E tudo isso confirma a nossa crença em um universo dos universos circular, um pouco limitado, mas ordenado e imenso. Não fora isso verdade, então a evidência do esgotamento da energia em algum ponto, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer. Todas as leis, organizações, administração e testemunho dos exploradores do universo — tudo aponta para a existência de um Deus infinito e, ainda assim, para um universo finito, de uma circularidade de existência sem fim, quase sem limites, todavia finito, se comparado com a infinitude.
42:2.1 (469.1) De fato, é difícil encontrar as palavras adequadas, em qualquer língua de Urântia, por meio das quais designar e, portanto, descrever os vários níveis de força e de energia — física, mental ou espiritual. Essas narrativas não podem, de todo, ater-se às vossas definições de força, de energia, de poder e de potência. Há tanta pobreza, na vossa linguagem, que devemos usar tais termos com múltiplos significados. Neste documento, por exemplo, a palavra energia é usada para denotar todas as fases e formas de fenômenos de movimento, de ação e de potencial, enquanto força é usada para indicar os estágios da energia na pré-gravidade; e poder e potência, para os estágios da energia na pós-gravidade.
42:2.2 (469.2) Contudo, tentarei minimizar a confusão conceptual, sugerindo a prudência recomendável de adotar a seguinte classificação para a força cósmica, para a energia emergente e para a potência-física da energia do universo — a energia física:
42:2.3 (469.3) 1. Potência de espaço. Essa é a presença inquestionável, no espaço livre, do Absoluto Inqualificável. A extensão desse conceito denota o potencial de espaço-força do universo, inerente à totalidade funcional do Absoluto Inqualificável, enquanto a intenção desse conceito implica a totalidade da realidade cósmica — os universos — que emanou de modo eterno da Ilha do Paraíso, que é sem começo, sem fim, que nunca se move e que nunca muda.
42:2.4 (469.4) Os fenômenos específicos da parte inferior do Paraíso provavelmente abrangem três zonas de presença e de atuação da força absoluta: a zona de ponto de apoio fulcral do Absoluto Inqualificável, a zona da própria Ilha do Paraíso e a zona intermediária de algumas agências ou funções não identificadas, que se equalizam e se compensam. Essas zonas triconcêntricas são o centro do ciclo da realidade cósmica do Paraíso.
42:2.5 (469.5) A potência do espaço é uma pré-realidade; é o domínio do Absoluto Inqualificável e é sensível apenas à atração pessoal do Pai Universal, não obstante o fato de ela ser aparentemente modificável pela presença dos Mestres Organizadores Primários da Força.
42:2.6 (469.6) Em Uversa, faz-se referência à potência do espaço como absoluta.
42:2.7 (469.7) 2. Força primordial. Esta representa a primeira mudança básica na potência do espaço e pode ser uma das funções, no baixo Paraíso, do Absoluto Inqualificável. Sabemos que a presença do espaço que sai do baixo Paraíso é modificada, de alguma maneira, em relação àquela que está entrando. Independentemente, porém, de qualquer dessas possíveis relações, a transmutação, abertamente reconhecida, da potência do espaço em força primordial é uma função diferencial primária da presença-tensão dos organizadores da força viva do Paraíso.
42:2.8 (469.8) A força passiva, potencial, torna-se ativa e primordial em resposta à resistência oferecida pela presença, no espaço, dos Mestres Organizadores da Força Primariamente Derivados. A força está emergindo agora, do domínio exclusivo do Absoluto Inqualificável para os domínios de sensibilidade múltipla — em resposta a alguns movimentos primordiais iniciados pelo Deus da Ação e em seguida a certos movimentos de compensação que emanam do Absoluto Universal. A força primordial parece reagir à causação transcendental em uma medida proporcional ao absoluto.
42:2.9 (469.9) A força primordial, algumas vezes, é denominada energia pura; em Uversa referimo-nos a ela como segregata.
42:2.10 (470.1) 3. Energias emergentes. A presença passiva dos organizadores da força primária é suficiente para transformar a potência do espaço em força primordial e é nesse campo espacial, assim ativado, que esses mesmos organizadores da força começam suas operações iniciais ativas. A força primordial está destinada a passar por duas fases distintas de transmutação, nos reinos da manifestação da energia, antes de surgir como uma força no universo. Esses dois níveis de energia emergente são:
42:2.11 (470.2) a. Energia de potência. Essa é a energia poderosa-direcional, movimentadora de massa, poderosamente tensionada e de reações violentas — com sistemas gigantescos de energia, colocados em movimento pelas atividades dos organizadores da força primária. Essa energia primária, ou poderosa, não é sensível, inicialmente, de modo definido, à atração da gravidade do Paraíso; se bem que provavelmente produza uma massa agregada, ou uma sensibilidade espaço-direcional ao grupo coletivo de influências absolutas que operam a partir do lado baixo do Paraíso. Quando a energia emerge até o nível inicial de sensibilidade à atração circular e absoluta da gravidade do Paraíso, os organizadores da força primária cedem o seu lugar ao funcionamento dos seus colaboradores secundários.
42:2.12 (470.3) b. Energia de gravidade. A energia que agora surge é sensível à gravidade, carrega o potencial do poder do universo e transforma-se no ancestral ativo de toda a matéria do universo. Essa energia secundária ou gravitacional é o produto da elaboração da energia, resultante da presença-pressão e das tendências-tensões, estabelecidas pelos Mestres Organizadores Associados Transcendentais da Força. Em resposta ao trabalho desses manipuladores da força, a energia-espaço passa rapidamente do estágio potencial ao estado gravitacional, tornando-se assim sensível, diretamente, à atração da gravidade (absoluta) circular do Paraíso que, ao mesmo tempo revela um certo potencial de sensibilidade à atração da gravidade linear, inerente à massa material, que logo surge dos estágios eletrônicos e pós-eletrônicos da energia e da matéria. Com o aparecimento da sensibilidade à gravidade, os Mestres Organizadores Associados da Força podem retirar-se da energia dos ciclones de espaço, contanto que os Diretores do Poder do Universo fiquem designados para esse campo de ação.
42:2.13 (470.4) Estamos totalmente incertos a respeito das causas exatas dos estágios primordiais da evolução da força, mas reconhecemos a ação inteligente do Último, em ambos os níveis de manifestação emergente da energia. As energias potenciais e gravitacionais, quando observadas coletivamente, em Uversa, são denominadas ultimata.
42:2.14 (470.5) 4. Poder universal. A força-espaço foi transformada em energia de espaço e, em seguida, na energia de controle da gravidade. Assim, a energia física amadureceu até aquele ponto em que pode ser dirigida em canais de poder e servir aos propósitos múltiplos dos Criadores do universo. Esse trabalho é feito pelos versáteis diretores, centros e controladores da energia física no grande universo — as criações habitadas e organizadas. Esses Diretores do Poder, no Universo, assumem o controle mais ou menos completo de vinte e uma das trinta fases da energia que constituem o presente sistema de energia dos sete superuniversos. Esse domínio da energia-poder da matéria é o âmbito das atividades inteligentes do Sétuplo, funcionando sob o controle tempo-espacial do Supremo.
42:2.15 (470.6) Em Uversa, referimo-nos ao reino do poder no universo como gravita.
42:2.16 (470.7) 5. Energia de Havona. Os conceitos, nesta narrativa, deslocaram-se no sentido do Paraíso, à medida que a força-espaço transmutante foi seguida, nível a nível, até o nível de trabalhabilidade do poder-energia dos universos do tempo e do espaço. Continuando, no sentido do Paraíso, encontra-se em seguida uma fase preexistente de energia que é característica do universo central. Aqui o ciclo evolucionário parece voltar-se sobre si mesmo; a potência-energia agora parece começar a reverter-se na direção da força, mas uma força de natureza muito diferente daquela da potência do espaço e da força primordial. Os sistemas de energia de Havona não são duais; eles são trinos. É esse o domínio da energia existencial do Agente Conjunto, funcionando em nome da Trindade do Paraíso.
42:2.17 (471.1) Essas energias de Havona são conhecidas em Uversa como triata.
42:2.18 (471.2) 6. Energia transcendental. Este sistema de energia opera no nível superior e vem de um nível superior do Paraíso, existindo apenas em relação aos povos absonitos. Em Uversa é denominada tranosta.
42:2.19 (471.3) 7. Monota. Quando a energia vem do Paraíso, ela está próxima da divindade. Inclinamo-nos a acreditar que a monota é a energia viva, não-espiritual, do Paraíso — uma contraparte, na eternidade, da energia viva e espiritual do Filho Original — , sendo, portanto, o sistema de energia não-espiritual do Pai Universal.
42:2.20 (471.4) Não conseguimos diferençar a natureza do espírito do Paraíso e a da monota do Paraíso; são aparentemente semelhantes. Têm nomes diferentes, mas dificilmente vos poderá ser dito muito a respeito de uma realidade cujas manifestações espirituais e não-espirituais sejam diferenciáveis apenas por um nome.
42:2.21 (471.5) Sabemos que as criaturas finitas podem alcançar a experiência da adoração do Pai Universal, por intermédio da ministração de Deus, o Sétuplo, e dos Ajustadores do Pensamento, mas duvidamos de que qualquer personalidade subabsoluta ou, até mesmo, os diretores de potência possam compreender a infinitude da energia da Primeira Grande Fonte e Centro. Uma coisa é certa: os diretores de potência podem ser conhecedores da técnica da metamorfose da força-espaço, mas eles não revelam o segredo para o resto de nós. A minha opinião é de que eles não compreendem plenamente a função dos organizadores da força.
42:2.22 (471.6) Esses diretores de potência são, eles próprios, catalisadores da energia; isto é, a presença deles é a causa pela qual a energia segmenta-se, organiza-se ou reúne-se em formação por unidades. E tudo isso implica que deve haver algo inerente à energia, na presença dessas entidades do poder, que a leva a funcionar assim. Os Melquisedeques de Nébadon há muito denominaram o fenômeno da transmutação da força cósmica em poder, no universo, como uma das sete “infinidades da divindade”. E é até esse ponto que vós ireis avançar nessa questão a vossa ascensão no universo local.
42:2.23 (471.7) Não obstante sermos incapazes de compreender plenamente a origem, natureza e transmutações da força cósmica, estamos inteiramente atualizados sobre todas as fases do comportamento da energia emergente, desde os tempos da sua sensibilidade direta e inequívoca à ação da gravidade do Paraíso — por volta do tempo do início da função dos diretores de potência do superuniverso.
42:3.1 (471.8) Em todos os universos a matéria é idêntica, com exceção do universo central. A matéria, para ter as suas propriedades físicas, depende da velocidade de rotação dos membros que a compõem, depende do número e do tamanho desses componentes que giram, depende da distância deles ao corpo do núcleo ou do conteúdo de espaço da matéria, bem como da presença de certas forças ainda não descobertas em Urântia.
42:3.2 (471.9) Há dez grandes divisões da matéria, nos diferentes sóis, planetas e corpos espaciais:
42:3.3 (472.1) 1. A matéria ultimatômica — as unidades físicas primordiais da existência material, as partículas de energia que compõem os elétrons.
42:3.4 (472.2) 2. A matéria subeletrônica — o estágio explosivo e repelente dos supergases solares.
42:3.5 (472.3) 3. A matéria eletrônica — o estágio elétrico da diferenciação material — elétrons, prótons e várias outras unidades que entram na constituição variada dos grupos eletrônicos.
42:3.6 (472.4) 4. A matéria subatômica — a matéria que existe amplamente no interior dos sóis abrasantes.
42:3.7 (472.5) 5. Os átomos fragmentados — encontrados nos sóis em fase de resfriamento e em todo o espaço.
42:3.8 (472.6) 6. A matéria ionizada — os átomos individuais, desprovidos dos seus elétrons externos (quimicamente ativos) por meio de atividades elétricas, térmicas ou dos raios X, e por meio de solventes.
42:3.9 (472.7) 7. A matéria atômica — o estágio químico da organização dos elementos, as unidades componentes da matéria molecular ou visível.
42:3.10 (472.8) 8. O estágio molecular da matéria — a matéria, como ela existe em Urântia, em um estado de materialização relativamente estável, sob condições comuns.
42:3.11 (472.9) 9. A matéria radioativa — a tendência desorganizadora e a atividade dos elementos mais pesados, sob condições de aquecimento moderado e de pressão gravitacional menor.
42:3.12 (472.10) 10. A matéria em colapso — a matéria relativamente estável, encontrada no interior de sóis frios ou mortos. Essa forma de matéria não é de fato estacionária; há ainda alguma atividade ultimatômica e mesmo eletrônica, mas ali as unidades estão em grande proximidade, e as suas velocidades de rotação encontram-se grandemente diminuídas.
42:3.13 (472.11) Tal classificação da matéria diz respeito mais à sua organização do que às formas sob as quais se mostram aos seres criados. E também não leva em conta os estágios pré-emergentes da energia, nem as eternas materializações no Paraíso e no universo central.
42:4.1 (472.12) A luz, o calor, a eletricidade, o magnetismo, a química, a energia e a matéria são — em origem, natureza e destino — uma única e mesma coisa, junto com outras realidades materiais ainda não descobertas em Urântia.
42:4.2 (472.13) Nós não compreendemos plenamente as mudanças quase infindáveis, às quais a energia física possa estar sujeita. Num universo, ela aparece como luz, em um outro, como luz mais calor, noutro, como formas de energia desconhecidas em Urântia; em incalculáveis milhões de anos, pode reaparecer como alguma forma de energia elétrica irrequieta, alguma energia elétrica ou poder magnético incontido; e, ainda mais tarde, pode aparecer novamente, em um outro universo, como alguma forma de matéria variável, passando por uma série de metamorfoses, e, em seguida, ter o seu desaparecimento exterior físico nalgum grande cataclismo dos reinos. E então, após idades incontáveis e após vagar quase interminavelmente por inúmeros universos, de novo, essa mesma energia pode reemergir e, muitas vezes, ter a sua forma e potencial alterados; e, assim, tais transformações continuam por idades sucessivas e por incontáveis reinos. Assim a matéria continua o seu fluxo, passando por transmutações no tempo, mas alinhando-se sempre, verdadeiramente, ao círculo da eternidade; e, ainda que há muito impedida de retornar à sua fonte original, é sempre sensível a essa fonte e prossegue interminavelmente no caminho ordenado pela Personalidade Infinita que a emitiu.
42:4.3 (473.1) Os centros de potência e seus colaboradores estão ocupados com o trabalho de transmutar o ultímatom nos circuitos e nas revoluções dos elétrons. Esses seres únicos controlam e compõem o poder, com a sua hábil manipulação da unidade básica da energia materializada, o ultímatom. Eles são os mestres da energia que circula nesse estado primitivo. Em conexão com os controladores físicos, eles são capazes de controlar efetivamente e dirigir a energia, mesmo depois que ela haja sido transmutada, até o nível elétrico, o assim chamado estágio eletrônico. Mas o alcance da ação deles fica enormemente abreviado, quando, organizada eletronicamente, a energia passa a girar dentro de sistemas atômicos. Após tal materialização, as energias ficam sob o controle completo do poder de atração da gravidade linear.
42:4.4 (473.2) A gravidade atua positivamente nas linhas de poder e canais de energia dos centros de potência e dos controladores físicos, mas esses seres têm apenas uma relação negativa com a gravidade — o exercício dos seus dons antigravitacionais.
42:4.5 (473.3) Em todo o espaço, o frio e outras influências físicas trabalham criativamente organizando os ultímatons em elétrons. O calor é a medida da atividade eletrônica, enquanto o frio significa meramente a ausência de calor — o repouso relativo da energia — , o status da carga-força universal do espaço, desde que nem a energia emergente nem a matéria organizada estejam presentes, e desde que não sejam sensíveis à gravidade.
42:4.6 (473.4) A presença da gravidade, bem como a sua ação, é o que impede o surgimento do zero absoluto teórico, pois o espaço interestelar não permite a temperatura do zero absoluto. Em todo o espaço organizado há correntes de energias que são sensíveis à gravidade, circuitos de poder e de atividades ultimatômicas, bem como de energias eletrônicas em organização. Praticamente falando, o espaço não é vazio. E mesmo a atmosfera de Urântia vai tornando-se crescentemente menos densa, até que à altitude de cinco mil quilômetros ela começa a esmaecer-se nessa parte do universo, e se transformar na matéria do espaço comum. O espaço conhecido, mais próximo do vazio, em Nébadon, conteria cerca de cem ultímatons — o equivalente a um elétron — em cada dezesseis centímetros cúbicos. Essa escassez de matéria é considerada como sendo praticamente o espaço vazio.
42:4.7 (473.5) A temperatura — o calor e o frio — é secundária, apenas para a gravidade nos reinos da evolução da energia e da matéria. Os ultímatons são humildemente obedientes às temperaturas extremas. As temperaturas baixas favorecem certas formas de construção eletrônica e de formação de conjuntos atômicos, ao passo que as temperaturas altas facilitam toda a sorte de quebras atômicas e desintegração material.
42:4.8 (473.6) Quando submetidas ao calor e à pressão, em certos estados solares internos, todas as associações de matéria podem ser rompidas, excetuando-se as mais primitivas. O calor pode assim vencer grandemente a estabilidade da gravidade. Mas nenhum calor, ou pressão solar, conhecido pode converter os ultímatons de volta à energia de potência.
42:4.9 (473.7) Os sóis abrasantes podem transformar a matéria em várias formas de energia, ao passo que os mundos escuros e todo o espaço exterior podem desacelerar a atividade eletrônica e ultimatômica, a ponto de converter essas energias na matéria dos reinos. Certas associações eletrônicas de natureza próxima, bem como muitas das associações básicas de matéria nuclear, são formadas sob as temperaturas excessivamente baixas do espaço aberto, sendo mais tarde aumentadas pela associação com adições maiores de energia materializante.
42:4.10 (473.8) Em toda essa metamorfose, que nunca acaba, entre energia e matéria, devemos contar com a influência da pressão da gravidade e com o comportamento antigravitacional das energias ultimatômicas, sob certas condições de temperatura, velocidade e revolução. A temperatura, as correntes de energia, a distância e a presença dos organizadores da força viva e diretores de potência também exercem o seu papel em todo o fenômeno de transmutação da energia e da matéria.
42:4.11 (474.1) O acréscimo de massa à matéria é igual ao acréscimo de energia, dividido pelo quadrado da velocidade da luz. Num sentido dinâmico, o trabalho que a matéria em repouso pode realizar é igual à energia despendida para manter unidas as suas partes, desde o Paraíso, menos a resistência das forças a serem vencidas no trânsito e a atração exercida pelas partes da matéria, umas sobre as outras.
42:4.12 (474.2) A existência das formas pré-eletrônicas da matéria está indicada pelos dois pesos atômicos do chumbo. O chumbo de formação original pesa ligeiramente mais do que aquele produzido por meio da desintegração do urânio, por emanações do rádio; e essa diferença no peso atômico representa a verdadeira perda de energia na quebra atômica.
42:4.13 (474.3) A integridade relativa da matéria é assegurada pelo fato de que a energia pode apenas ser absorvida e liberada naquelas quantidades exatas a que os cientistas de Urântia denominaram de quanta. Essa providência sábia, nos reinos materiais, serve para manter os universos em funcionamento contínuo.
42:4.14 (474.4) A quantidade de energia absorvida ou liberada, quando as posições eletrônicas ou outras se alternam, é sempre um “quantum” ou algum múltiplo do mesmo, mas o comportamento vibratório, ou ondulatório, dessas unidades de energia é determinado, integralmente, pelas dimensões das estruturas materiais envolvidas. Essas manifestações da energia, sob a forma de ondas, têm 860 vezes os diâmetros dos ultímatons, elétrons, átomos ou outras das unidades que lhes dão origem. A confusão interminável que acompanha a observação da mecânica, das ondas de comportamento quântico, é devida à superposição de ondas de energia: duas cristas podem combinar-se, para formar uma crista de altura dupla, enquanto uma crista e um vão podem combinar-se, ocasionando assim um cancelamento mútuo.
42:5.1 (474.5) No superuniverso de Orvônton há uma centena de oitavas de energias de ondas. Dessa centena de grupos de manifestações de energia, sessenta e quatro, total ou parcialmente, são reconhecidas em Urântia. Os raios do sol constituem-se de quatro oitavas na escala do superuniverso, sendo que os raios visíveis abrangem uma única oitava, a de número quarenta e seis nessa série. O grupo ultravioleta vem em seguida, ao passo que a dez oitavas acima se encontram os raios X, seguidos pelos raios gama do rádio. Os raios da energia do espaço exterior estão a trinta e duas oitavas acima da luz visível do sol, tão freqüentemente misturados que estão às partículas minúsculas de matéria altamente energizada associadas a eles. Imediatamente abaixo da luz visível do sol surgem os raios infravermelhos, e trinta oitavas abaixo está o grupo de radiotransmissão.
42:5.2 (474.6) As manifestações da energia ondulatória — do ponto de vista do esclarecimento científico do século vinte em Urântia — podem ser classificadas nos dez grupos seguintes:
42:5.3 (474.7) 1. Raios infra-ultimatômicos — as rotações limítrofes dos ultímatons quando os mesmos começam a assumir uma forma definida. Esse é o primeiro estágio da energia emergente, em que os fenômenos ondulatórios podem ser detectados e medidos.
42:5.4 (474.8) 2. Raios ultimatômicos. A reunião da energia na esfera diminuta dos ultímatons, ocasiona vibrações no conteúdo do espaço, as quais são discerníveis e mensuráveis. E, muito antes que os físicos descubram o ultímatom, sem dúvida irão detectar os fenômenos causados pelos raios lançados sobre Urântia. Esses raios curtos e poderosos representam a atividade inicial dos ultímatons à medida que se desaceleram até aquele ponto em que se voltam para organizarem eletronicamente a matéria. À medida que os ultímatons se aglomeram, formando elétrons, uma condensação ocorre com a conseqüente estocagem de energia.
42:5.5 (475.1) 3. Raios espaciais curtos. Estas são as mais curtas de todas as vibrações puramente eletrônicas e representam o estágio pré-atômico dessa forma de matéria. Esses raios requerem temperaturas extraordinariamente altas ou extraordinarimente baixas para a sua produção. Há duas espécies desses raios espaciais: uma que se dá com o nascimento dos átomos e a outra que indica a desagregação atômica. A maior quantidade deles emana dos planos de maior densidade do superuniverso, a Via Láctea, que é também o plano mais denso dos universos exteriores.
42:5.6 (475.2) 4. Estágio eletrônico. Este estágio de energia é a base de toda a materialização, nos sete superuniversos. Quando os elétrons passam de níveis de energia mais elevados para os mais baixos, de velocidade orbital, é desprendido sempre um quantum determinado. As mudanças de órbitas dos elétrons resultam na ejeção, ou na absorção, de partículas da energia-luz, bastante definidas e uniformemente mensuráveis, enquanto o elétron individualmente sempre desprende uma partícula de energia-luz quando submetido à colisão. As manifestações da energia ondulatória também são geradas a partir de atividades dos corpos positivos e outros representantes do estágio eletrônico.
42:5.7 (475.3) 5. Raios gama — são as emanações que caracterizam a dissociação espontânea da matéria atômica. A melhor ilustração dessa forma de atividade eletrônica está nos fenômenos associados à desintegração do rádio.
42:5.8 (475.4) 6. Grupo dos raios X. O próximo passo na desaceleração dos elétrons gera as várias formas de raios X solares junto com os raios X artificialmente gerados. A carga eletrônica forma um campo elétrico; o movimento faz surgir uma corrente elétrica; a corrente elétrica produz um campo magnético. Quando um elétron é paralisado subitamente, o distúrbio eletromagnético resultante produz os raios X; os raios X são essa perturbação. Os raios X solares são idênticos àqueles gerados mecanicamente para explorar o interior do corpo humano, excetuando-se o fato de que são ligeiramente mais longos.
42:5.9 (475.5) 7. Raios ultravioleta ou os raios químicos da luz do sol e as suas várias produções mecânicas.
42:5.10 (475.6) 8. Luz branca — toda a luz visível dos sóis.
42:5.11 (475.7) 9. Raios infravermelhos — a desaceleração da atividade eletrônica, ainda mais próxima de um estágio considerável de aquecimento.
42:5.12 (475.8) 10. Ondas hertzianas — aquelas energias utilizadas, em Urântia, para as teledifusões.
42:5.13 (475.9) A todas essas dez fases da atividade ondulatória da energia, o olho humano apenas pode reagir a uma oitava: àquela da luz solar global de um sol comum.
42:5.14 (475.10) O chamado éter é meramente um nome coletivo, usado para designar um grupo de atividades de força e energia que ocorrem no espaço. Os ultímatons, os elétrons e outras agregações da energia em forma de massa são partículas uniformes de matéria e, no seu trânsito no espaço, elas realmente se propagam em linha reta. A luz e todas as outras formas de manifestação de energia reconhecíveis consistem de uma sucessão de partículas definidas de energia que se propagam em linha reta, excetuando-se nos pontos em que a sua trajetória é modificada pela gravidade e outras forças que intervêm. Que essas procissões de partículas de energia surjam como fenômenos ondulatórios, quando sujeitas a certas observações, é devido à resistência das camadas de força, não diferenciadas, em todo o espaço: o éter hipotético, e à tensão da intergravidade das agregações associadas de matéria. O espaçamento dos intervalos entre as partículas de matéria, junto com a velocidade inicial dos feixes de energia, estabelece a aparência ondulatória de muitas formas de matéria-energia.
42:5.15 (476.1) A excitação do conteúdo de espaço produz uma reação ondulatória à passagem das partículas de matéria que se movem rapidamente, do mesmo modo que a passagem de uma embarcação, pelas águas, inicia ondas de várias amplitudes e intervalos.
42:5.16 (476.2) O comportamento da força primordial dá surgimento a fenômenos que são, de muitos modos, análogos ao éter por vós postulado. O espaço não é vazio; as esferas de todo o espaço giram e mergulham em um vasto oceano disseminado de energia-força; e nem mesmo o interior de um átomo, no espaço, é vazio. Não há nenhum éter, contudo; e a ausência mesma desse éter hipotético capacita os planetas habitados a escaparem de cair no sol e os elétrons, nas suas órbitas, a resistirem a cair para dentro do núcleo.
42:6.1 (476.3) Conquanto a carga de espaço da força universal seja homogênea e indiferenciada, a organização da energia, evoluída em matéria, requer a concentração da energia em massas discretas, de dimensões definidas e peso estabelecido — uma reação precisa à gravidade.
42:6.2 (476.4) A gravidade local ou linear torna-se plenamente operativa com o surgimento da organização atômica da matéria. A matéria pré-atômica torna-se ligeiramente sensível à gravidade quando ativada por raios X e outras energias similares, mas nenhum empuxo de atração da gravidade linear mensurável é exercido sobre as partículas livres, desagregadas e sem carga de energia-eletrônica, ou sobre os ultímatons não agrupados.
42:6.3 (476.5) Os ultímatons funcionam por atração mútua, respondendo apenas à atração circular da gravidade do Paraíso. Sem a reação à gravidade linear, eles mantêm-se vagando assim em um espaço universal. Os ultímatons são capazes de acelerar a sua velocidade de revolução, a ponto de atingir o comportamento de uma antigravidade parcial, mas não podem, independentemente dos diretores organizadores da força ou poder, atingir a velocidade crítica, na qual escapam para a desindividualização, e retornam ao estado de energia potencial. Na natureza, os ultímatons escapam do status de existência física apenas quando participam da ruptura terminal de um sol resfriado que se extingue.
42:6.4 (476.6) Os ultímatons, ainda desconhecidos em Urântia, desaceleram-se passando por muitas atividades físicas antes de atingirem os pré-requisitos da energia de revolução para a organização eletrônica. Os ultímatons têm três variedades de movimentos: a resistência mútua à força cósmica, as rotações individuais de potencial antigravitacional e, no interior do elétron, as posições intraeletônicas daquela centena de ultímatons mutuamente interassociados.
42:6.5 (476.7) A atração mútua mantém cem ultímatons juntos na constituição do elétron; e nunca há mais nem menos do que cem ultímatons em um elétron típico. A perda de um ou mais ultímatons destrói a identidade eletrônica típica, trazendo à existência, desse modo, uma das dez formas modificadas do elétron.
42:6.6 (476.8) Os ultímatons não descrevem órbitas ou giros em torno dos circuitos dentro dos elétrons, mas espalham-se ou agrupam-se, de acordo com as suas velocidades de rotação axial, determinando assim as dimensões diferenciais eletrônicas. Essa mesma velocidade ultimatômica, de rotação axial, também determina as reações negativas ou positivas dos vários tipos de unidades eletrônicas. A segregação total e o agrupamento de matéria eletrônica, junto com a diferenciação elétrica, entre os corpos negativos e positivos de matéria-energia, resultam dessas funções várias das interassociações dos ultímatons componentes.
42:6.7 (477.1) Cada átomo tem um diâmetro ligeiramente maior do que um quarto de milionésimo de milímetro enquanto um elétron pesa um pouco mais do que uma duodécima-milésima parte do menor átomo, o do hidrogênio. O próton positivo, característico do núcleo atômico, ainda que possa não ser maior do que um elétron negativo, pesa quase duas mil vezes mais.
42:6.8 (477.2) Se a massa da matéria fosse ampliada, a ponto de um elétron pesar 2,83 gramas, então o tamanho teria de ser aumentado proporcionalmente, e o volume desse elétron tornar-se-ia tão grande quanto o da Terra. Se o volume de um próton — mil e oitocentas vezes mais pesado do que um elétron — fosse ampliado até o tamanho da cabeça de um alfinete, então, nessa mesma proporção a cabeça do alfinete atingiria um diâmetro igual ao da órbita da Terra ao redor do sol.
42:7.1 (477.3) Toda a matéria desenvolve-se em uma ordem semelhante à da formação de um sistema solar. No centro de cada universo diminuto de energia existe uma porção nuclear de existência material, relativamente estável e estacionária. Essa unidade central é dotada de uma possibilidade tríplice de manifestação. Em torno desse centro de energia giram, em uma profusão sem fim, mas em circuitos flutuantes, as unidades de energia que são vagamente comparáveis aos planetas que giram em torno do sol, em algum grupo estelar como o vosso próprio sistema solar.
42:7.2 (477.4) Dentro do átomo, os elétrons giram em torno do próton central, relativamente com o mesmo espaço que os planetas possuem para girar em torno do sol no espaço do sistema solar. Há uma distância relativa, em relação ao tamanho real, entre os núcleos atômicos e os circuitos eletrônicos internos, a qual corresponde à que existe entre o planeta mais interno, Mercúrio, e o vosso sol.
42:7.3 (477.5) As rotações axiais e suas velocidades orbitais, em torno do núcleo, estão ambas além da imaginação humana, para não mencionar as velocidades dos seus ultímatons componentes. As partículas positivas do rádio voam para o espaço a velocidades de dezesseis mil quilômetros por segundo, enquanto as partículas negativas atingem uma velocidade que se aproxima daquela da luz.
42:7.4 (477.6) Os universos locais são de construção decimal. Há apenas uma centena de materializações atômicas distinguíveis da energia-espaço em um universo dual; e essa é a organização máxima possível da matéria em Nébadon. Essa centena de formas de matéria consiste de uma série regular na qual giram, de um a cem elétrons, em torno de um núcleo central relativamente compacto. É essa associação ordenada e confiável, de várias energias, que constitui a matéria.
42:7.5 (477.7) Nem todos os mundos exibirão uma centena de elementos reconhecíveis na sua superfície, mas em algum lugar esses elementos estarão ou terão estado presentes, ou se encontram em processo de evolução. As condições que envolvem a origem e evolução futura de um planeta determinam quantos dos cem tipos atômicos poderão ser encontrados. Os átomos mais pesados não são encontráveis na superfície de muitos mundos. Mesmo em Urântia os elementos mais pesados conhecidos manifestam uma tendência de estilhaçarem-se no ar, como é ilustrado pelo comportamento do rádio.
42:7.6 (477.8) A estabilidade do átomo depende do número de nêutrons eletricamente inativos no corpo central. O comportamento químico depende completamente da atividade dos elétrons livres em órbita.
42:7.7 (478.1) Em Orvônton nunca foi possível reunir naturalmente acima de cem elétrons orbitais em um sistema atômico. Sempre que se introduziu artificialmente cento e um destes no campo orbital, o resultado tem sempre sido um deslocamento quase instantâneo do próton central com a dispersão enlouquecida dos elétrons e outras energias liberadas.
42:7.8 (478.2) Ainda que os átomos possam conter de um a cem elétrons em órbita, apenas os dez elétrons exteriores, dos átomos maiores, giram em torno do núcleo central como corpos distintos e separados, intacta e compactamente girando em órbitas precisas e definidas. Os trinta elétrons mais próximos do centro são de difícil observação e detecção, como corpos separados e organizados. Essa mesma proporção relativa de comportamento eletrônico, em relação à proximidade nuclear, prevalece em todos os átomos, a despeito do número de elétrons abrangido. Quanto mais próximo se está do núcleo, menos a individualização dos elétrons acontece. A extensão da energia ondulatória de um elétron pode assim espalhar-se para ocupar todas as órbitas atômicas menores; e isso é especialmente verdade sobre os elétrons mais próximos do núcleo atômico.
42:7.9 (478.3) Os trinta elétrons das órbitas mais internas têm individualidade, mas os seus sistemas de energia tendem a se intermesclar, estendendo-se de elétron a elétron, e quase de órbita a órbita. Os próximos trinta elétrons constituem a segunda família, ou a zona de energia, e são de uma individualidade mais pronunciada, os seus corpos de matéria exercem um controle mais completo sobre os sistemas de energia que os acompanham. Os próximos trinta elétrons, a terceira zona de energia, são ainda mais individualizados e circulam em órbitas mais distintas e definidas. Os dez últimos elétrons, presentes apenas nos dez elementos mais pesados, possuem a dignidade da independência e são, portanto, capazes de escapar mais ou menos livremente do controle do núcleo-mãe. Com um mínimo de variação de temperatura e pressão, os membros desse quarto grupo mais externo de elétrons escaparão da atração do núcleo central, como fica ilustrado na dispersão espontânea do urânio e dos elementos semelhantes.
42:7.10 (478.4) Os primeiros vinte e sete átomos, aqueles que contêm de um a vinte e sete elétrons em órbita, são mais fáceis de serem distinguidos do que os restantes. Do vigésimo-oitavo, em diante, encontramos cada vez mais a imprevisibilidade da presença suposta do Absoluto Inqualificável. Um pouco dessa imprevisibilidade eletrônica, todavia, é causada pelas velocidades axiais das rotações ultimatômicas diferenciais e pela propensão inexplicada dos ultímatons de “amontoarem-se”. Outras influências — físicas, elétricas, magnéticas e gravitacionais — também colaboram para produzir comportamentos eletrônicos variáveis. Os átomos são, pois, semelhantes a pessoas quanto à previsibilidade. Os estatísticos podem anunciar leis que governam um grande número, seja de átomos, seja de pessoas; mas não individualmente para um único átomo, nem para uma única pessoa.
42:8.1 (478.5) Ainda que a gravidade seja um dos vários fatores a contribuir para manter coeso um minúsculo sistema atômico, há, também presente, em meio a essas unidades físicas básicas, uma energia poderosa e desconhecida, e o segredo da sua constituição básica e do seu comportamento último é uma força que ainda não foi descoberta em Urântia. Tal influência universal permeia todo o espaço interior abrangido por essa mínima organização da energia.
42:8.2 (478.6) O espaço entre os elétrons de um átomo não é vazio. Dentro de um átomo, esse espaço entre os elétrons é ativado por manifestações ondulatórias perfeitamente sincronizadas às velocidades de rotação dos elétrons e ultímatons. Essa força não é inteiramente dominada pelas leis reconhecidas por vós, de atração positiva e negativa; o seu comportamento, portanto, algumas vezes é imprevisível. Essa influência sem nome parece ser uma reação da força do espaço, da parte do Absoluto Inqualificável.
42:8.3 (479.1) Os prótons carregados e os nêutrons não carregados, do núcleo do átomo, são mantidos coesos pela função de reciprocidade do mésotron, uma partícula de matéria 180 vezes mais pesada do que o elétron. Sem esse arranjo, a carga elétrica contida nos prótons seria desagregadora do núcleo atômico.
42:8.4 (479.2) Do modo como os átomos são constituídos, nem as forças elétricas nem as gravitacionais poderiam manter o núcleo coeso. A integridade do núcleo é sustentada pela função coesiva recíproca do mésotron, que é capaz de conservar partículas carregadas e não carregadas em coesão, por causa do poder superior da massa-força e da função suplementar de levar os prótons e os nêutrons a mudarem constantemente de lugar. O mésotron faz com que a carga elétrica das partículas do núcleo seja trocada sem cessar, em um sentido e no outro, entre os prótons e os nêutrons. Num infinitésimo de segundo, uma dada partícula do núcleo é um próton carregado e, no próximo, é um nêutron não carregado. E essas alternâncias, no status da energia, são tão inacreditavelmente rápidas que a carga elétrica fica impedida de ter qualquer oportunidade de funcionar como uma influência desagregadora. Assim, o mésotron funciona como uma partícula “portadora de energia” que poderosamente contribui para a estabilidade nuclear do átomo.
42:8.5 (479.3) A presença e a função do mésotron explicam também outro enigma atômico. Quando os átomos atuam radioativamente, eles emitem muito mais energia do que seria esperado. Esse excesso de radiação deriva-se da quebra do mésotron “portador de energia”, que, por isso, transforma-se em um mero elétron. A desintegração do mésotron é também acompanhada pela emissão de certas partículas pequenas não carregadas.
42:8.6 (479.4) O mésotron explica certas propriedades coesivas do núcleo atômico, mas não é ele que gera a coesão entre próton e próton, nem a adesão de nêutron e nêutron. A força paradoxal e poderosa da integridade coesiva, no átomo, é uma forma de energia ainda não descoberta em Urântia.
42:8.7 (479.5) Esses mésotrons são abundantemente encontrados nos raios do espaço que incidem, tão incessantemente, sobre o vosso planeta.
42:9.1 (479.6) A religião não é a única a ser dogmática; a filosofia natural tende igualmente a dogmatizar. Um renomado educador religioso chegou à conclusão de que o número sete era fundamental à natureza, porque há sete aberturas na cabeça humana; mas se ele tivesse sabido mais sobre a química, ele poderia ter advogado tal crença fundamentado em um fenômeno verdadeiro do mundo físico. Em todos os universos físicos do tempo e do espaço, apesar da manifestação universal da constituição decimal da energia, há uma reminiscência, sempre presente, da realidade da organização eletrônica sétupla da pré-matéria.
42:9.2 (479.7) O número sete é básico para o universo central e para o sistema espiritual de transmissões inerentes de caráter; mas o número dez, o sistema decimal, é inerente à energia, à matéria e à criação material. O mundo atômico, contudo, apresenta uma certa caracterização periódica que é recorrente em grupos de sete — uma marca de nascença que o mundo material carrega e que indica a sua longínqua origem espiritual.
42:9.3 (480.1) Essa persistência sétupla da constituição criativa é exibida nos domínios químicos, como uma recorrência de propriedades químicas e físicas semelhantes, em grupos separados e periódicos de sete, quando os elementos básicos são arranjados segundo a ordem seqüencial dos seus pesos atômicos. Quando os elementos químicos de Urântia são ordenados, assim, em uma fila qualquer, uma certa qualidade ou propriedade tem a tendência de repetir-se a cada sete elementos. Essa mudança periódica a cada sete ocorre decrescentemente e com variações em toda a tábua química, sendo mais intensamente observável nos primeiros grupos ou de pesos atômicos mais baixos. A começar por qualquer elemento, após notar-se uma propriedade, essa qualidade irá mudar por seis elementos consecutivos, mas ao alcançar o oitavo, ela tende a reaparecer, isto é, o oitavo elemento, quimicamente ativo, assemelha-se ao primeiro, o nono ao segundo, e assim por diante. Esse fato, do mundo físico, aponta inequivocamente a constituição sétupla da energia ancestral e indica a realidade fundamental da diversidade sétupla das criações do tempo e do espaço. O homem deveria também notar que há sete cores no espectro natural.
42:9.4 (480.2) Mas nem todas as suposições da filosofia natural são válidas; um exemplo é o éter hipotético, que representa uma tentativa engenhosa do homem de dar unidade à própria ignorância sobre o fenômeno do espaço. A filosofia do universo não pode ser elaborada com base nas observações da chamada ciência. Se a metamorfose de uma borboleta não fosse perceptível, um cientista estaria inclinado a negar a possibilidade da mesma desenvolver-se a partir de uma lagarta.
42:9.5 (480.3) A estabilidade física, associada à elasticidade biológica, está presente na natureza apenas por causa da quase infinita sabedoria possuída pelos Arquitetos Mestres da criação. Nada, a não ser a sabedoria transcendental, poderia jamais projetar unidades de matéria que são ao mesmo tempo tão estáveis e tão eficazmente flexíveis.
42:10.1 (480.4) O movimento sem fim da realidade cósmica relativa, fluindo desde a absolutez da monota do Paraíso, até a absolutez da potência do espaço, sugere certas evoluções de relacionamento entre as realidades não-espirituais da Primeira Fonte e Centro — aquelas realidades que estão ocultas na potência do espaço, reveladas na monota, e provisoriamente divulgadas em níveis cósmicos intermediários. Esse ciclo eterno de energia, estando ligado ao circuito do Pai dos Universos, é absoluto e, em sendo absoluto, não é expansível de nenhuma forma, nem em valor; o Pai Primordial, entretanto — agora e sempre — , realiza em Si uma arena de significados, sempre em expansão, de espaço-tempo, que transcende o espaço-tempo; uma arena de relações mutáveis, nas quais a matéria-energia está sendo progressivamente objeto do supercontole do espírito vivo divino por intermédio de um esforço experiencial da mente viva e pessoal.
42:10.2 (480.5) As energias universais não-espirituais são reassociadas nos sistemas vivos de mentes não Criadoras, em vários níveis, alguns dos quais podem ser descritos como a seguir:
42:10.3 (480.6) 1. Espíritos pré-ajudantes da mente. Este nível de mente é não-experiencial e, nos mundos habitados, é ministrado pelos Mestres Controladores Físicos. Essa é a mente mecânica, o intelecto não-ensinável, da forma mais primitiva de vida material; mas a mente não-ensinável funciona em muitos níveis, além daquele da vida planetária primitiva.
42:10.4 (481.1) 2. Espíritos ajudantes da mente. Esta é uma ministração do Espírito Materno do universo local, funcionando através dos seus sete espíritos ajudantes da mente, no nível ensinável (não-mecânico) da mente material. Nesse nível, a mente material está experienciando: como intelecto subhumano (animal) por meio dos primeiros cinco ajudantes; como intelecto humano (moral) por intermédio dos sete ajudantes; como intelecto supra-humano (nos seres intermediários) por meio dos dois últimos ajudantes.
42:10.5 (481.2) 3. Mentes moronciais em evolução — a consciência, em expansão, das personalidades em evolução, nas suas carreiras ascendentes no universo local. Esta é uma outorga do Espírito Materno do universo local, em conexão com o Filho Criador. Esse nível de mente indica a organização do tipo moroncial de veículo de vida, uma síntese do material e do espiritual que é efetuada pelos Supervisores do Poder Moroncial de um universo local. A mente moroncial funciona diferencialmente, em resposta aos 570 níveis de vida moroncial, demonstrando uma capacidade associativa crescente com a mente cósmica, nos níveis mais elevados de realização. Esse é o curso evolucionário das criaturas mortais, mas a mente de uma ordem não-moroncial é também outorgada por um Filho do Universo e por um Espírito do Universo, aos filhos não-moronciais das criações locais.
42:10.6 (481.3) A mente cósmica. Essa é a mente setuplamente diversificada do tempo e do espaço, cada fase da mesma sendo ministrada por um dos Sete Espíritos Mestres, a um dos sete superuniversos. A mente cósmica engloba todos os níveis da mente finita e coordena-se experiencialmente com os níveis da deidade evolucionária da Mente Suprema, e transcendentalmente com o nível existencial da mente absoluta — os circuitos diretos do Agente Conjunto.
42:10.7 (481.4) No Paraíso, a mente é absoluta; em Havona, absonita; em Orvônton, finita. A mente indica sempre a presença-atividade da ministração viva, acrescida de sistemas de energia variada; e isso é verdade em todos os níveis e para todas as espécies de mentes. Mas, para além da mente cósmica, torna-se cada vez mais difícil descrever as relações da mente com a energia não-espiritual. A mente de Havona é subabsoluta, mas é supra-evolucionária; sendo experiencial-existencial está mais próxima do absonito do que de qualquer outro conceito revelado a vós. A mente do Paraíso está adiante da compreensão humana; ela é existencial, não-espacial e não-temporal. Entretanto, todos esses níveis de mente são sobrepujados pela presença universal do Agente Conjunto — pela atração da gravidade mental do Deus da mente no Paraíso.
42:11.1 (481.5) Na avaliação e reconhecimento da mente, deveria ser lembrado que o universo não é nem meramente mecânico, nem mágico; ele é uma criação da mente e um mecanismo com leis. Na aplicação prática, contudo, se as leis da natureza operam naquilo que parecem ser os reinos duais do físico e do espiritual, na realidade, eles são apenas um. A Primeira Fonte e Centro é a causa primordial de toda a materialização e, ao mesmo tempo, é o Pai primeiro, e o Pai final de todos os espíritos. O Pai do Paraíso aparece pessoalmente nos universos, fora de Havona, apenas como energia pura e espírito puro — como o Ajustador do Pensamento e outros fragmentos semelhantes.
42:11.2 (481.6) Os mecanismos não dominam, absolutamente, toda a criação; o universo dos universos é totalmente planejado pela mente, feito pela mente e administrado pela mente. Mas o mecanismo divino do universo dos universos é por demais perfeito, no todo, para que os métodos científicos da mente finita do homem nele possam discernir, por um mínimo que seja, o domínio da mente infinita. Pois a mente que cria, controla e mantém não é nem a mente material, nem a mente da criatura; é a mente do espírito, funcionando nos níveis criadores da realidade divina e a partir deles.
42:11.3 (482.1) A capacidade de discernir e descobrir a mente, com base nos mecanismos do universo, depende inteiramente da habilidade, escopo e capacidade da mente investigadora empenhada na tarefa de observação. As mentes do espaço-tempo, organizadas a partir das energias do tempo e do espaço, ficam sujeitas aos mecanismos do tempo e do espaço.
42:11.4 (482.2) O movimento e a gravitação no universo são facetas gêmeas do mecanismo impessoal do espaço-tempo, no universo dos universos. Os níveis, para o espírito, a mente e a matéria, de sensibilidade à gravidade, são totalmente independentes do tempo, mas apenas os níveis verdadeiros da realidade do espírito são independentes do espaço (são não-espaciais). Os níveis mais elevados da mente do universo — os níveis da mente espiritual — podem também ser não-espaciais, mas os níveis da mente material, tais como os da mente humana, são sensíveis às interações da gravitação do universo, apenas quando perdem essa sensibilidade à proporção que se identificam com o espírito. Os níveis da realidade do espírito são reconhecidos pelo seu conteúdo de espírito; e a espiritualidade no tempo e no espaço é medida na proporção inversa da sensibilidade à gravidade linear.
42:11.5 (482.3) A sensibilidade à gravidade linear é uma medida quantitativa da energia não-espiritual. Toda a massa — ou energia organizada — está sujeita a essa atração, a menos que o movimento e a mente atuem sobre ela. A gravidade linear é a força de coesão, de curto alcance, do macrocosmo, do mesmo modo que as forças da coesão interna do átomo são as forças de curto alcance do microcosmo. A energia física materializada, organizada naquilo que se chama de matéria, não pode atravessar o espaço sem ter a sua sensibilidade à gravidade linear alterada. Se bem que essa sensibilidade à gravidade seja diretamente proporcional à massa, ela é modificada pelo espaço intermediário, de um modo tal que o resultado final, quando expresso pelo inverso do quadrado da distância, nada mais é que grosseiramente aproximado. O espaço finalmente predomina sobre a gravitação linear por causa da presença, nele, das influências antigravitacionais de numerosas forças supramateriais que operam neutralizando a ação da gravidade e todas as respostas a ela.
42:11.6 (482.4) Os mecanismos cósmicos extremamente complexos, e que aparentam surgir de um modo altamente automático, tendem sempre a esconder a presença da mente intrínseca que os originou ou criou, para toda e qualquer inteligência, no universo, que esteja em um nível muito abaixo daquele da natureza e capacidade do mecanismo em si mesmo. E, por isso, torna-se inevitável que os mecanismos mais elevados do universo pareçam, para as ordens mais baixas de criaturas, não ter mente. A única exceção possível dessa conclusão seria a de atribuir uma mente ao incrível fenômeno de um universo, que aparentemente se automantém — mas essa é uma questão para a filosofia, mais do que de experiência real.
42:11.7 (482.5) Como a mente coordena o universo, a rigidez dos mecanismos não existe. O fenômeno da evolução progressiva, associado à automanutenção cósmica, é universal. A capacidade de evolução do universo é inexaurível à infinitude da espontaneidade. O progresso, no sentido da unidade harmoniosa, a síntese experiencial crescente superposta a uma complexidade sempre crescente de relações, só poderia ser alcançado por uma mente que tenha propósito e que seja dominante.
42:11.8 (482.6) Quanto mais elevada for a mente do universo, associada a um fenômeno universal qualquer, tanto mais difícil torna-se descobri-la para os tipos mais baixos de mente. E, já que a mente do mecanismo do universo é a mente-espírito criativa (a própria mente do Infinito), ela nunca pode ser descoberta ou percebida pelas mentes de nível baixo do universo; e muito menos pela mente mais baixa de todas, a humana. A mente animal em evolução, conquanto seja naturalmente buscadora de Deus, não é por si mesma, nem em si mesma, inerentemente conhecedora de Deus.
42:12.1 (483.1) A evolução dos mecanismos implica e indica a presença oculta e a predominância da mente criativa. A capacidade do intelecto mortal de conceber, projetar e criar mecanismos automáticos demonstra que as qualidades superiores, criativas e plenas de propósito, da mente do homem, são a influência dominante no planeta. A mente tende sempre para a:
42:12.2 (483.2) 1. Criação de mecanismos materiais.
42:12.3 (483.3) 2. Descoberta de mistérios ocultos.
42:12.4 (483.4) 3. Exploração de situações remotas.
42:12.5 (483.5) 4. Formulação de sistemas mentais.
42:12.6 (483.6) 5. Alcance dos objetivos da sabedoria.
42:12.7 (483.7) 6. Realização de níveis do espírito.
42:12.8 (483.8) 7. Cumprimento dos destinos divinos — supremos, últimos e absolutos.
42:12.9 (483.9) A mente é sempre criativa. O dom da mente de um indivíduo animal, mortal, moroncial, ascendente espiritual ou que tenha alcançado a finalidade, é sempre competente para produzir um corpo adequado e útil para a identidade da criatura vivente. Todavia, o fenômeno da presença de uma personalidade, ou do modelo de uma identidade, como tal, não é uma manifestação de energia, seja física, mental ou espiritual. A forma da personalidade é o aspecto modelar de um ser vivo; denota uma ordenação das energias, e isso, acrescentado à vida e ao movimento, é o mecanismo da existência da criatura.
42:12.10 (483.10) Mesmo os seres espirituais têm forma, e essas formas espirituais (os modelos) são reais. Até o tipo mais elevado de personalidades espirituais tem formas — presenças de personalidades análogas, em todos os sentidos, aos corpos mortais de Urântia. Quase todos os seres encontrados nos sete superuniversos possuem formas. Todavia, há umas poucas exceções a essa regra geral: os Ajustadores do Pensamento parecem existir sem uma forma, antes de fundirem-se com as almas sobreviventes dos seus colaboradores mortais. Os Mensageiros Solitários, os Espíritos Inspirados da Trindade, os Ajudantes Pessoais do Espírito Infinito, os Mensageiros por Gravidade, os Registradores Transcendentais e alguns outros seres também não possuem formas descobertas. Contudo, essas são as raras exceções típicas; a grande maioria tem formas autênticas de personalidade, formas que são individualmente características e que são reconhecíveis e pessoalmente distinguíveis.
42:12.11 (483.11) A conexão da mente cósmica com a ministração dos espíritos ajudantes da mente desenvolve um tabernáculo físico adequado para o ser humano em evolução. De um modo semelhante, a mente moroncial individualiza a forma moroncial para todos os sobreviventes mortais. Do mesmo modo que um corpo mortal é pessoal e característico para cada ser humano, assim, a forma moroncial será altamente individual e adequadamente característica da mente criativa que o domina. Não há duas formas moronciais sequer parecidas, como não há dois corpos humanos idênticos. Os Supervisores do Poder Moroncial patrocinam, e o serafim assistente providencia os materiais moronciais não diferenciados a partir dos quais a vida moroncial pode começar a trabalhar. E, após a vida moroncial, será constatado que as formas do espírito são igualmente diferentes, pessoais e características das respectivas mentes-espíritos que residem nelas.
42:12.12 (483.12) Vós, num mundo material, pensais em um corpo como tendo um espírito; mas nós consideramos o espírito como tendo um corpo. Os olhos materiais são verdadeiramente as janelas da alma que nasce do espírito. O espírito é o arquiteto, a mente é o construtor, o corpo é a edificação material.
42:12.13 (484.1) As energias físicas, espirituais e mentais, como tais e nos seus estados puros, não interagem integralmente como factualizações no universo dos fenômenos. No Paraíso, as três energias estão coordenadas, em Havona têm de ser e são coordenadas; ao passo que, nos níveis de atividades finitas do universo, todas as gamas de predominâncias devem ser encontradas, a material, a mental e a espiritual. Em situações não pessoais do tempo e do espaço, a energia física parece predominar; mas também parece que quanto mais a função da mente-espírito aproxima-se da divindade, em propósito, e da supremacia, em ação, tanto mais nitidamente a fase do espírito torna-se predominante; parece também que, no nível último, o espírito-mente pode tornar-se quase completamente dominante. No nível absoluto, o espírito certamente é predominante. E daí em diante, no reino do tempo e espaço, sempre que uma realidade do espírito divino esteja presente, sempre que uma mente-espírito real estiver funcionando, haverá sempre uma tendência a produzir uma contraparte material ou física daquela realidade do espírito.
42:12.14 (484.2) O espírito é a realidade criativa; a contraparte física é o reflexo, no tempo-espaço, da realidade do espírito, a repercussão física da ação criativa da mente-espírito.
42:12.15 (484.3) A mente domina universalmente a matéria, exatamente como esta, por sua vez, é sensível e responde ao controle último do espírito. E, no homem mortal, apenas aquela mente que livremente se submete ao direcionamento do espírito pode almejar sobreviver à existência mortal do espaço-tempo, tal uma criança imortal do mundo eterno do espírito do Supremo, do Último e do Absoluto: o Infinito.
42:12.16 (484.4) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso a serviço em Nébadon, e a pedido de Gabriel.]
O Livro de Urântia
Documento 43
43:0.1 (485.1) EM GERAL referimo-nos a Urântia como sendo o 606 de Satânia, em Norlatiadeque de Nébadon, significando o seiscentésimo sexto mundo habitado do sistema local de Satânia, situado na constelação de Norlatiadeque, uma das cem constelações do universo local de Nébadon. As constelações são a primeira divisão de um universo local; os seus governantes fazem a ligação dos sistemas locais de mundos habitados com a administração central do universo local em Sálvington, e, por refletividade, com a superadministração dos Anciães dos Dias em Uversa.
43:0.2 (485.2) O governo da vossa constelação está situado em um agrupamento de 771 esferas arquitetônicas, das quais Edêntia é a mais central e maior de todas, sendo a sede da administração dos Pais da Constelação, os Altíssimos de Norlatiadeque. A própria Edêntia é aproximadamente cem vezes maior do que o vosso mundo. As setenta maiores esferas que rodeiam Edêntia têm cerca de dez vezes o tamanho de Urântia, enquanto os dez satélites girando ao redor de cada um desses setenta mundos são aproximadamente do tamanho de Urântia. Essas 771 esferas arquitetônicas são equiparáveis em tamanho às de outras constelações.
43:0.3 (485.3) As unidades de tempo e medida da distância, em Edêntia, são as mesmas de Sálvington e, pelo fato de serem esferas das capitais do universo, os mundos sedes-centrais da constelação estão plenamente supridos de todas as ordens de inteligências celestes. Em geral, essas personalidades não são muito diferentes das descritas em conexão com a administração do universo.
43:0.4 (485.4) Os serafins supervisores, a terceira ordem de anjos do universo local, são designados para o serviço das constelações. Eles têm sua sede-central nas esferas capitais, e ministram extensivamente aos mundos de aperfeiçoamento moroncial que os rodeiam. Em Norlatiadeque, as setenta esferas maiores, junto com os setecentos satélites menores, são habitadas pelos univitátias, cidadãos permanentes da constelação. Todos esses mundos arquitetônicos são totalmente administrados pelos vários grupos de vida nativa, em sua maioria não revelados, mas que incluem os eficientes espirongas e os formosos espornágias. Sendo o ponto médio do regime de aperfeiçoamento moroncial, como vós poderíeis supor, a vida moroncial das constelações é tanto típica, quanto ideal.
43:1.1 (485.5) Os fascinantes platôs elevados, nas montanhas, são abundantes em Edêntia, com extensas elevações de matéria física coroada pela vida moroncial e coberta de glória espiritual, mas não há cadeias de montanhas escarpadas como as que existem em Urântia. Há dezenas de milhares de lagos resplandecentes e milhares e milhares de arroios que se intercomunicam, mas não há grandes oceanos, nem rios torrenciais. Apenas os planaltos são desprovidos dessas correntes superficiais.
43:1.2 (486.1) A água em Edêntia, e em esferas arquitetônicas semelhantes, não é diferente da água dos planetas evolucionários. Os sistemas de água, nessas esferas, são tanto superficiais quanto subterrâneos, e a umidade está em constante circulação. Edêntia pode ser circunavegada por meio de várias rotas fluviais, embora o sistema principal de transporte seja atmosférico. Os seres espirituais viajam naturalmente sobre a superfície da esfera, enquanto os seres moronciais e materiais fazem uso de meios materiais e semimateriais para atravessarem a atmosfera.
43:1.3 (486.2) Edêntia e os seus mundos agregados têm uma atmosfera verdadeira, uma mistura usual de três gases que é característica dessas criações arquitetônicas, e que incorpora os dois elementos da atmosfera urantiana, mais aquele gás moroncial adequado à respiração das criaturas moronciais. Todavia, ao mesmo tempo. essa atmosfera é tanto material quanto moroncial, e nela não há tempestades nem furacões, não há verão nem inverno. Essa ausência de perturbações atmosféricas e de variações nas estações torna possível embelezar todos os ambientes externos nesses mundos especialmente criados.
43:1.4 (486.3) Os planaltos de Edêntia têm características físicas magníficas, e a sua beleza é realçada pela profusão sem fim da vida que abunda em toda a sua extensão e largura. Exceto por umas poucas estruturas bastante isoladas, esses planaltos não contêm nenhuma obra feita pelas mãos de criaturas. A ornamentação material e moroncial limita-se às áreas habitadas. As elevações menos altas são os locais das residências especiais e são maravilhosamente ornadas com obras de arte biológicas e moronciais.
43:1.5 (486.4) Situadas nos cumes da sétima cadeia de planaltos, estão as salas de ressurreição de Edêntia, onde acordam os mortais ascendentes da ordem secundária modificada de ascensão. Essas câmaras de reconstituição de criaturas encontram-se sob a supervisão dos Melquisedeques. A primeira das esferas de recepção de Edêntia (como o planeta Melquisedeque, próximo de Sálvington) também tem salas especiais de ressurreição, onde os mortais das ordens modificadas de ascensão são reconstituídos.
43:1.6 (486.5) Os Melquisedeques também mantêm duas Faculdades especiais em Edêntia. Uma, a escola de emergência, devota-se ao estudo dos problemas surgidos com a rebelião de Satânia. A outra, a escola de auto-outorga, é dedicada ao conhecimento dos novos problemas advindos do fato de Michael ter realizado a sua auto-outorga final em um dos mundos de Norlatiadeque. Essa última faculdade estabeleceu-se há quase quarenta mil anos, imediatamente depois do anúncio feito por Michael de que Urântia havia sido escolhida como o mundo da sua auto-outorga final.
43:1.7 (486.6) O mar de cristal, a área de recepção de Edêntia, está próximo do centro administrativo e é circundado pelo anfiteatro da sede-central. Em torno dessa área estão os centros de governo das setenta divisões dos assuntos da constelação. A metade de Edêntia está dividida em setenta seções triangulares, cujos limites convergem para os edifícios da sede-central dos seus respectivos setores. O restante dessa esfera é um grande parque natural, os jardins de Deus.
43:1.8 (486.7) Durante as vossas visitas periódicas a Edêntia, embora todo o planeta esteja aberto à vossa observação, a maior parte do vosso tempo será gasta naquele triângulo administrativo cujo número corresponde ao do vosso mundo residencial atual. Como observadores, vós sereis sempre bem-vindos às assembléias legislativas.
43:1.9 (486.8) A área moroncial designada aos mortais ascendentes residentes em Edêntia está localizada na zona média do trigésimo quinto triângulo adjacente à sede-central dos finalitores, que se situa no trigésimo sexto triângulo. A sede-central geral dos univitátias ocupa uma área enorme na região central do trigésimo quarto triângulo, imediatamente adjacente à reserva residencial dos cidadãos moronciais. Desses arranjos, pode-se perceber que foi preparada a acomodação de, pelo menos, setenta divisões maiores de vida celeste e que, também, cada uma dessas setenta áreas triangulares está correlacionada a uma das setenta esferas maiores de aperfeiçoamento moroncial.
43:1.10 (487.1) O mar de cristal de Edêntia é um enorme cristal circular, de cerca de cento e sessenta quilômetros de circunferência e com cerca de cinqüenta quilômetros de profundidade. Esse cristal magnífico serve como campo de recepção para todos os serafins de transporte e para os outros seres que chegam de pontos de fora da esfera; esse mar de cristal facilita grandemente a aterrissagem dos serafins de transporte.
43:1.11 (487.2) Um campo de cristal dessa ordem pode ser encontrado em quase todos os mundos arquitetônicos; e serve a muitos propósitos, afora o seu valor decorativo, sendo utilizado para ilustrar a refletividade do superuniverso aos grupos reunidos ali, bem como um fator na técnica da transformação de energia, para modificar as correntes do espaço e adaptar as outras correntes de energias físicas que chegam.
43:2.1 (487.3) As constelações são as unidades autônomas de um universo local; cada constelação é administrada de acordo com os seus próprios atos legislativos. Quando as cortes de Nébadon se reúnem para o julgamento dos assuntos do universo, todas as questões internas são julgadas de acordo com as leis que prevalecem na constelação envolvida. Esses atos judiciais de Sálvington, junto com os atos legislativos das constelações, são executados pelos administradores dos sistemas locais.
43:2.2 (487.4) As constelações, desse modo, funcionam como unidades legislativas ou elaboradoras de leis, enquanto os sistemas locais servem como unidades de execução ou de imposição dessas leis. O governo de Sálvington é a autoridade judicial suprema e coordenadora.
43:2.3 (487.5) Embora a função judicial suprema recaia sobre a administração central de um universo local, há dois tribunais, subsidiários, porém maiores, nas sedes-centrais de cada constelação, o conselho Melquisedeque e a corte dos Altíssimos.
43:2.4 (487.6) Todos os problemas judiciais são primeiramente revistos pelo conselho Melquisedeque. Doze dos dessa ordem de seres, que têm passado por certas experiências de pré-requisito nos planetas evolucionários e mundos sedes-centrais dos sistemas, possuem o poder de rever as evidências, de assimilar a defesa e de formular veredictos provisórios, os quais são passados à corte do Altíssimo, o Pai reinante da Constelação. A divisão mortal deste último tribunal consiste de sete juízes, todos os quais são mortais ascendentes. Quanto mais alto vós ascendeis no universo, tanto mais certo será que ireis ser julgados por aqueles da vossa própria espécie.
43:2.5 (487.7) O corpo legislativo da constelação está dividido em três grupos. O programa legislativo de uma constelação origina-se na casa mais baixa dos seres ascendentes, um grupo presidido por um finalitor e consistindo de mil representantes mortais. Cada sistema indica dez membros para essa assembléia deliberativa. Em Edêntia, atualmente, esse corpo não está totalmente preenchido.
43:2.6 (487.8) A câmara média de legisladores é composta das hostes seráficas e seus colaboradores, outros filhos do Espírito Materno do universo local. Esse grupo consta de cem membros e é indicado pelas personalidades supervisoras, as quais presidem às várias atividades desses seres na medida em que eles funcionam dentro da constelação.
43:2.7 (488.1) O corpo consultivo, ou o mais elevado corpo de legisladores da constelação, consiste da câmara dos pares — a casa dos Filhos divinos. Esse corpo é escolhido pelos Pais Altíssimos, em número de dez. Apenas os Filhos de experiência especial podem servir nessa elevada câmara. Esse grupo ocupa-se em determinar os fatos e poupar tempo e, muito eficazmente, serve a ambas as divisões menos elevadas da assembléia legislativa.
43:2.8 (488.2) O conselho combinado dos legisladores consiste de três membros de cada um desses ramos separados, da assembléia deliberativa da constelação; e a ele preside o Altíssimo júnior reinante. Esse grupo sanciona a forma final de todas as leis e autoriza a sua promulgação por intermédio dos difusores. A aprovação dessa comissão suprema faz dos atos legislativos a lei do reino; os seus atos são finais. Os pronunciamentos legislativos de Edêntia constituem a lei fundamental de Norlatiadeque.
43:3.1 (488.3) Os governantes das constelações são da ordem Vorondadeque de filiação do universo local. Quando encarregados, no dever ativo do universo, como governantes das constelações, ou de qualquer outro modo, esses Filhos são conhecidos como os Altíssimos, pois incorporam a sabedoria administrativa mais elevada, acompanhada de uma lealdade de grande clarividência e da maior inteligência, de todas as ordens dos Filhos de Deus, do Universo Local. A integridade pessoal deles e a lealdade do seu grupo nunca foram questionadas; nenhuma deslealdade dos Filhos Vorondadeques jamais ocorreu em Nébadon.
43:3.2 (488.4) Pelo menos três Filhos Vorondadeques encontram-se incumbidos, por Gabriel, de funcionarem como os Altíssimos de cada uma das constelações de Nébadon. O membro que preside a esse trio é conhecido como o Pai da Constelação, e os seus dois colaboradores são o Altíssimo sênior e o Altíssimo júnior. Um Pai da Constelação reina por dez mil anos-padrão (cerca de 50 000 dos anos de Urântia), havendo servido previamente como colaborador júnior e colaborador sênior por períodos iguais.
43:3.3 (488.5) O salmista sabia que Edêntia era governada por três Pais da Constelação e deste modo falou da sua morada, no plural: “Há um rio cujas correntes alegrarão a cidade de Deus, o lugar mais sagrado entre os tabernáculos dos Altíssimos”.
43:3.4 (488.6) Através das idades, tem havido grande confusão, em Urântia, a respeito dos vários governantes do universo. Muitos dos educadores recentes confundiram as suas deidades tribais vagas e indefinidas com os Pais Altíssimos. E, ainda mais tarde, os hebreus fundiram todos esses governantes celestes em uma Deidade composta. Um educador compreendeu que os Altíssimos não eram os Governantes Supremos, pois disse: “Ele, que mora no lugar secreto do Altíssimo, viverá à sombra do Todo-Poderoso”. Nos registros de Urântia é muito difícil, às vezes, saber exatamente a quem se refere o termo “Altíssimo”. Daniel, porém, compreendeu plenamente essa questão. Disse ele: “O Altíssimo governa no reino dos homens e entrega-o a quem ele deseja”.
43:3.5 (488.7) Os Pais da Constelação ocupam-se pouco com os indivíduos de um planeta habitado, mas estão intimamente associados às funções do fazer as leis e legislar nas constelações; o que, de um modo tão amplo, concerne a cada raça e grupo mortal nacional dos mundos habitados.
43:3.6 (489.1) Ainda que o regime da constelação se interponha entre vós e a administração do universo, como indivíduos, vós estaríeis ordinariamente pouco ocupados com o governo da constelação. O vosso grande interesse, normalmente, estaria centrado no sistema local, Satânia; mas, temporariamente, Urântia está ligada de modo estreito aos governantes da constelação, por causa de certas condições do sistema e do planeta, em conseqüência da rebelião de Lúcifer.
43:3.7 (489.2) Os Altíssimos de Edêntia tomaram posse de certas fases da autoridade dos mundos rebeldes, na época da secessão de Lúcifer. Eles continuaram a exercer esse poder, e os Anciães dos Dias, há muito, confirmaram que eles podiam assumir o controle sobre esses mundos desviados. Eles irão, sem dúvida, continuar a exercer essa jurisdição assumida, enquanto Lúcifer viver. Geralmente, em um sistema leal, muito dessa autoridade seria investida no Soberano do Sistema.
43:3.8 (489.3) Mas há ainda um outro aspecto que fez Urântia tornar-se peculiarmente relacionada aos Altíssimos. Quando Michael, o Filho Criador, se encontrava na sua missão final de auto-outorga, já que o sucessor de Lúcifer não estava em plena autoridade no sistema local, todos os assuntos de Urântia que diziam respeito à auto-outorga de Michael foram imediatamente supervisionados pelos Altíssimos de Norlatiadeque.
43:4.1 (489.4) O mais sagrado monte de reuniões de Edêntia é o local de morada do representante da Trindade do Paraíso, o Fiel dos Dias que atua ali.
43:4.2 (489.5) Esse Fiel dos Dias é um Filho da Trindade do Paraíso e tem estado presente em Edêntia, como o representante pessoal de Emanuel, desde a criação do mundo sede-central. Sempre o Fiel dos Dias permanece à mão direita dos Pais da Constelação, para aconselhá-los, mas nunca se manifesta, a menos que isso lhe seja solicitado. Os altos Filhos do Paraíso nunca participam da condução dos assuntos de um universo local, exceto a pedido dos governantes que atuam nesses domínios. Mas tudo o que um União dos Dias é para um Filho Criador, um Fiel dos Dias é, para os Altíssimos de uma constelação.
43:4.3 (489.6) A residência do Fiel dos Dias de Edêntia é o centro, na constelação, do sistema de comunicação e informação extra-universal do Paraíso. Esses Filhos da Trindade, com a sua assessoria de personalidades de Havona e do Paraíso, em conexão com o União dos Dias na supervisão, estão em comunicação direta e constante com as suas ordens, em todos os universos e mesmo em Havona e no Paraíso.
43:4.4 (489.7) O monte mais sagrado é refinadamente belo e maravilhosamente instalado; e a residência, de fato, do Filho do Paraíso é modesta, se comparada com a morada central dos Altíssimos e as setenta estruturas que a rodeiam, e que compreendem as unidades residenciais dos Filhos Vorondadeques. Essas instalações são exclusivamente residenciais; são inteiramente separadas dos imensos edifícios das sedes-centrais administrativas, onde os assuntos da constelação são tratados.
43:4.5 (489.8) Em Edêntia, a residência do Fiel dos Dias está localizada ao norte dessas residências dos Altíssimos; e é conhecida como o “monte da Assembléia do Paraíso”. Nesse planalto consagrado, os mortais ascendentes reúnem-se periodicamente para escutar esse Filho do Paraíso contar a longa e fascinante viagem dos mortais em progresso, através do bilhão de mundos perfeitos de Havona e mesmo as indescritíveis delícias do Paraíso. E é nesses encontros especiais, no monte da Assembléia, que os mortais moronciais conhecem mais plenamente os vários grupos de personalidades que têm origem no universo central.
43:4.6 (490.1) O traidor Lúcifer, certa vez soberano de Satânia, ao anunciar as suas exigências, de ter uma jurisdição maior, buscava deslocar todas as ordens superiores de filiação no plano de governo do universo local. No fundo do seu coração, ele mantinha lá os seus propósitos ao dizer: “Eu elevarei o meu trono acima dos Filhos de Deus; assentar-me-ei no monte da Assembléia no norte; eu serei como o Altíssimo”.
43:4.7 (490.2) Os cem soberanos de Sistemas vêm, periodicamente, aos conclaves de Edêntia, que deliberam sobre o bem-estar da constelação. Após a rebelião de Satânia, os arqui-rebeldes de Jerusém pretendiam comparecer a tais conselhos em Edêntia, exatamente como haviam feito em ocasiões anteriores. E não houve nenhum modo de parar com essa afronta arrogante, a não ser depois da auto-outorga de Michael, em Urântia, e depois de haver ele assumido, posteriormente, a soberania ilimitada em todo o Nébadon. Nunca mais, desde esse dia, foi permitido a esses instigadores do pecado sentarem-se nos conselhos leais dos Soberanos de Sistemas em Edêntia.
43:4.8 (490.3) Que os educadores dos tempos antigos sabiam dessas coisas, é evidenciado pelos seus registros: “E houve um dia em que os Filhos de Deus vieram apresentar-se diante dos Altíssimos, e Satã veio também e apresentou-se entre deles”. E essa é uma declaração de fato, independentemente do contexto ao qual possa parecer estar ligada.
43:4.9 (490.4) Desde o triunfo de Cristo, toda a Norlatiadeque está sendo purificada do pecado e de rebeldes. Pouco antes da morte de Michael na carne, Satã, o parceiro caído de Lúcifer, tentou estar presente a esse conclave de Edêntia, mas a solidificação dos sentimentos contra os arqui-rebeldes havia atingido um ponto em que as portas da compaixão estavam quase tão universalmente fechadas, tanto que não deram nenhum chão a esses inimigos de Satânia. Quando não há nenhuma porta aberta para a recepção do mal, não existe oportunidade para se nutrir o pecado. As portas dos corações de toda a Edêntia fecharam-se para Satã; ele foi rejeitado, por unanimidade, pelos Soberanos de Sistemas reunidos, e nessa época o Filho do Homem “contemplou Satã cair, como um relâmpago, dos céus”.
43:4.10 (490.5) Desde a rebelião de Lúcifer, uma nova estrutura é mantida próxima à residência do Fiel dos Dias. Esse edifício temporário é a sede-central da ligação com o Altíssimo, o qual funciona em contato íntimo com o Filho do Paraíso, como conselheiro do governo da constelação, para todas as questões que dizem respeito à política e atitude da ordem dos Dias para com o pecado e a rebelião.
43:5.1 (490.6) A rotação dos Altíssimos, em Edêntia, ficou suspensa na época da rebelião de Lúcifer. Temos, atualmente, os mesmos governantes que estavam nesse posto, naquele tempo. Inferimos que nenhuma mudança desses governantes será feita, até que se decida finalmente sobre Lúcifer e os seus parceiros.
43:5.2 (490.7) O governo atual da constelação, contudo, expandiu-se incluindo doze Filhos da ordem dos Vorondadeques. Esses doze são os seguintes:
43:5.3 (490.8) 1. O Pai da Constelação. O atual governante Altíssimo de Norlatiadeque tem o número 617 318 da série Vorondadeque de Nébadon. Ele prestou serviço em muitas constelações, em todo o nosso universo local, antes de encarregar-se das suas responsabilidades atuais em Edêntia.
43:5.4 (490.9) 2. O Altíssimo colaborador sênior.
43:5.5 (491.1) 3. O Altíssimo colaborador júnior.
43:5.6 (491.2) 4. O conselheiro Altíssimo, representante pessoal de Michael, desde que ele atingiu o status de Filho Mestre.
43:5.7 (491.3) 5. O executivo Altíssimo, representante pessoal de Gabriel, posto em Edêntia, desde a rebelião de Lúcifer.
43:5.8 (491.4) 6. O Altíssimo dirigente dos observadores planetários, diretor dos observadores Vorondadeques postos nos mundos isolados de Satânia.
43:5.9 (491.5) 7. O árbitro Altíssimo, o Filho Vorondadeque a quem foi confiado o dever de ajustar todas as dificuldades conseqüentes da rebelião dentro da constelação.
43:5.10 (491.6) 8. O Altíssimo administrador emergencial, o Filho Vorondadeque encarregado da tarefa de adaptar os atos emergenciais da legislação de Norlatiadeque para os mundos de Satânia, isolados pela rebelião.
43:5.11 (491.7) 9. O mediador Altíssimo, o Filho Vorondadeque designado para harmonizar os ajustes especiais da auto-outorga de Urântia, com a administração de rotina da constelação. A presença de certas atividades de arcanjos e inúmeras outras ministrações, não regulares, em Urântia, junto com as atividades especiais dos Brilhantes Estrelas Vespertinas em Jerusém, torna a função desse Filho necessária.
43:5.12 (491.8) 10. O juiz-advogado Altíssimo, dirigente do tribunal de emergência, devotado ao ajustamento dos problemas especiais de Norlatiadeque, advindos da confusão conseqüente da rebelião de Satânia.
43:5.13 (491.9) 11. O agente de ligação Altíssimo, o Filho Vorondadeque agregado aos governantes de Edêntia, mas servindo como um conselheiro especial, junto aos Fiéis dos Dias, no que diz respeito ao melhor curso a ser seguido no desenvolvimento das questões pertinentes à rebelião e à deslealdade da criatura.
43:5.14 (491.10) 12. O diretor Altíssimo, presidente do conselho de emergência de Edêntia. Todas as personalidades designadas para Norlatiadeque, em conseqüência da sublevação de Satânia, constituem o conselho de emergência, e o seu oficial-presidente é um Filho Vorondadeque de extraordinária experiência.
43:5.15 (491.11) E aqui não estamos levando em conta os inúmeros Vorondadeques, enviados das constelações de Nébadon, e os outros que são também residentes em Edêntia.
43:5.16 (491.12) Desde a rebelião de Lúcifer, os Pais de Edêntia têm dedicado um cuidado especial a Urântia e aos outros mundos isolados de Satânia. Há muito, o profeta reconheceu a mão controladora dos Pais da Constelação nos assuntos das nações. “Quando o Altíssimo dividiu entre as nações a sua herança, quando separou os filhos de Adão, ele estabeleceu os limites dos povos.”
43:5.17 (491.13) Cada mundo isolado, ou em quarentena, tem um Filho Vorondadeque atuando como observador. Ele não participa da administração planetária, excetuando-se quando o Pai da Constelação ordena que ele intervenha nos assuntos das nações. Na realidade, é esse observador Altíssimo que “governa nos reinos dos homens”. Urântia é um dos mundos isolados de Norlatiadeque, e um observador Vorondadeque tem permanecido estacionado neste planeta, desde a traição de Caligástia. Quando Maquiventa Melquisedeque ministrou, sob uma forma semimaterial, em Urântia, ele prestou honra respeitosa ao observador Altíssimo, então em missão, como está escrito: “E Melquisedeque, rei de Salém, foi o sacerdote do Altíssimo”. Melquisedeque revelou as relações de Abraão com esse observador Altíssimo, quando ele disse: “E abençoado seja o Altíssimo, que entregou os vossos inimigos nas vossas mãos”.
43:6.1 (492.1) As capitais dos sistemas são particularmente embelezadas por edificações materiais e minerais, ao passo que a sede-central do universo reflete mais a glória espiritual; mas as capitais das constelações são o ponto alto das atividades moronciais e dos embelezamentos vivos. Nos mundos-sede das constelações, a beleza viva é utilizada de um modo mais geral, e é essa preponderância da vida — a arte botânica — que leva tais mundos a serem chamados de “os jardins de Deus”.
43:6.2 (492.2) Cerca da metade de Edêntia dedica-se aos refinados jardins dos Altíssimos, e tais jardins estão entre as mais encantadoras criações moronciais do universo local. Isso explica por que os locais extraordinariamente belos, nos mundos habitados de Norlatiadeque, são tão freqüentemente chamados de “o jardim do Éden”.
43:6.3 (492.3) Centralmente localizado, nesse magnífico jardim, está o templo de adoração dos Altíssimos. O salmista deve ter sabido de algo, sobre essas coisas, pois escreveu: “Quem irá ascender às colinas dos Altíssimos? Quem se manterá nesse lugar sagrado? Ele, que tem as mãos limpas e o coração puro, que não levou a sua alma à vaidade, nem jurou enganosamente”. Nesse templo, os Altíssimos, a cada décimo dia de relaxamento, conduzem toda a Edêntia à contemplação adoradora de Deus, o Supremo.
43:6.4 (492.4) Os mundos arquitetônicos desfrutam de dez formas de vida, da ordem material. Em Urântia, há a vida vegetal e há a vida animal, mas, em um mundo como Edêntia, há dez divisões de ordens materiais de vida. Pudésseis ver essas dez divisões da vida em Edêntia, e iríeis rapidamente classificar as primeiras três como vegetais e as últimas três como animais, mas seríeis totalmente incapazes de compreender a natureza dos quatro grupos intermediários de formas de vida, de tão prolíficas e fascinantes.
43:6.5 (492.5) Mesmo a vida distinguivelmente animal é muito diferente da dos mundos evolucionários; e tão diferente que é completamente impossível retratar, para as mentes mortais, o caráter singular e a natureza afetuosa dessas criaturas que não falam. Há milhares e milhares de criaturas vivas, que a vossa imaginação certamente não poderia conceber. Toda a criação animal é de uma ordem inteiramente diferente das espécies animais grosseiras dos planetas evolucionários. Contudo, toda essa vida animal é bastante inteligente e deliciosamente prestativa, e todas as várias espécies são surpreendentemente gentis e de um companheirismo tocante. Não há criaturas carnívoras nesses mundos arquitetônicos; nada há, em toda a Edêntia, que faça qualquer ser vivo sentir medo.
43:6.6 (492.6) A vida vegetal é também muito diferente da de Urântia, pois consiste tanto nas variedades materiais como das moronciais. As de desenvolvimento material têm uma coloração verde característica, mas os equivalentes moronciais da vida vegetal têm um matiz violáceo ou de orquídea, de nuances e reflexos variáveis. Essa vegetação moroncial é um desenvolvimento integralmente energético; quando ingerida, não há nenhuma porção residual.
43:6.7 (492.7) Sendo dotados com dez divisões de vida física, para não mencionar as variações moronciais, esses mundos arquitetônicos fornecem possibilidades imensas para a decoração biológica da paisagem e para as estruturas materiais e moronciais. Os artesãos celestes dirigem os espornágias nativos nesse amplo trabalho de decoração botânica e ornamentação biológica. Os vossos artistas têm de recorrer à pintura inerte e ao mármore sem vida para retratar os seus conceitos; os artesãos celestes e os univitátias, porém, mais freqüentemente utilizam os materiais vivos para representar suas idéias e captar seus ideais.
43:6.8 (493.1) Se apreciardes as flores, os arbustos e as árvores de Urântia, então tereis uma festa para os vossos olhos, com a beleza botânica e a grandeza floral dos jardins supernos de Edêntia. Mas está além dos meus poderes de descrição tentar transmitir à mente mortal uma idéia adequada de tais belezas dos mundos celestes. Verdadeiramente, a vossa vista não viu essas glórias que aguardam a vossa chegada nesses mundos da aventura de ascensão mortal.
43:7.1 (493.2) Os univitátias são os cidadãos permanentes de Edêntia e seus mundos interligados; todos os setecentos e setenta mundos que giram em torno da sede-central da constelação estão sob a supervisão deles. Esses filhos do Filho Criador e do Espírito Criativo Materno são projetados em um plano de existência entre o material e o espiritual, mas eles não são criaturas moronciais. Os nativos de cada uma das setenta esferas maiores de Edêntia possuem diferentes formas visíveis, e os mortais moronciais têm as suas formas moronciais sincronizadas de modo a corresponder à escala ascendente dos univitátias, cada vez que mudam de residência, de uma esfera de Edêntia para outra, à medida que passam gradativamente do mundo de número um para o mundo de número setenta.
43:7.2 (493.3) Espiritualmente, os univitátias são iguais; intelectualmente, eles variam como os mortais; na forma, parecem-se muito com o estado moroncial de existência, e são criados para funcionarem em setenta ordens diversas de personalidade. Cada uma dessas ordens de univitátias tem dez variações maiores de atividade intelectual, e cada um desses tipos intelectuais variantes preside ao aperfeiçoamento especial e às escolas culturais de socialização progressiva, ocupacional ou prática, de um dentre dez dos satélites que giram em volta de cada um dos mundos maiores de Edêntia.
43:7.3 (493.4) Esses setecentos mundos menores são esferas técnicas de instrução prática sobre a operação de todo o universo local, e estão abertos a todas as classes de seres inteligentes. Essas escolas de aperfeiçoamento para as habilidades específicas e conhecimentos técnicos não são conduzidas exclusivamente para os mortais ascendentes, apesar de os estudantes moronciais constituírem, de longe, o maior grupo de todos os que freqüentam esses cursos de aperfeiçoamento. Quando fordes recebidos em qualquer desses setenta mundos maiores de cultura social, ser-vos-á imediatamente dada a permissão para irdes a cada um dos dez satélites que os cercam.
43:7.4 (493.5) Nas várias colônias de cortesia, os mortais moronciais ascendentes predominam junto aos diretores de retrospecção, mas os univitátias representam o grupo maior ligado ao corpo de artesãos celestes, de Nébadon. Em todo o Orvônton, excetuando-se os abandonteiros de Uversa, nenhum ser de fora de Havona pode igualar-se aos univitátias em habilidade artística, adaptabilidade social e inteligência coordenadora.
43:7.5 (493.6) Esses cidadãos da constelação não são de fato membros do corpo de artesãos, mas trabalham livremente com todos os grupos e contribuem muito para transformar os mundos da constelação nas esferas principais, para a realização das magníficas possibilidades artísticas da cultura de transição. Eles não funcionam além dos confins dos mundos-sede da constelação.
43:8.1 (493.7) Edêntia e as esferas que giram em torno dela receberam uma dotação física quase perfeita; elas não poderiam igualar-se à grandeza espiritual das esferas de Sálvington, mas ultrapassam, em muito, as glórias dos mundos educacionais de Jerusém. Todas essas esferas de Edêntia são energizadas, diretamente, pelas correntes universais do espaço: com os seus enormes sistemas de poder, não apenas material, mas também moroncial, elas são competentemente supervisionadas e distribuídas pelos centros das constelações, assistidos por um corpo competente de Mestres Controladores Físicos e Supervisores Moronciais do Poder.
43:8.2 (494.1) O tempo passado nos setenta mundos educacionais de cultura moroncial de transição, somado ao tempo de ascensão mortal, em Edêntia, forma o período mais estabilizado na carreira de um mortal ascendente, até o status de finalitor; essa é, pois, realmente a vida moroncial típica. Do mesmo modo que passareis por uma ressintonização, todas as vezes que tiverdes de passar de um mundo cultural maior até outro, ireis manter o mesmo corpo moroncial; e não há períodos de inconsciência da personalidade.
43:8.3 (494.2) A vossa permanência, em Edêntia e nas suas esferas interligadas, será ocupada principalmente com a mestria da ética grupal, o segredo do inter-relacionamento agradável e profícuo entre as várias ordens de personalidades inteligentes do universo e superuniverso.
43:8.4 (494.3) Nos mundos das mansões, vós ireis completar a unificação da personalidade mortal em evolução; na capital do sistema, havereis alcançado a cidadania de Jerusém e tereis atingido a boa vontade de submeter o ego às disciplinas das atividades em grupo e empreendimentos coordenados; mas aqui, nos mundos de educação da constelação, vós ireis alcançar a socialização real da vossa personalidade moroncial em evolução. Essa superna aquisição cultural consiste em aprender:
43:8.5 (494.4) 1. Como viver com felicidade e trabalhar eficazmente com dez companheiros moronciais diversos, dez desses grupos estando agrupados em uma companhia de cem indivíduos e, depois, federados em corpos de mil.
43:8.6 (494.5) 2. Como coabitar alegremente e cooperar sinceramente com dez univitátias, os quais, ainda que sejam semelhantes intelectualmente aos seres moronciais, são muito diferentes, em todos os outros sentidos. E então vós deveis funcionar com esse grupo de dez, enquanto ele se coordena com outras dez famílias, que, por sua vez, são confederadas em um corpo de mil univitátias.
43:8.7 (494.6) 3. Como conseguir ajustar-se simultaneamente tanto aos companheiros moronciais quanto a esses univitátias anfitriões. Adquirir a capacidade de cooperar voluntária e eficazmente com a vossa própria ordem de seres, em associação íntima de trabalho com um grupo de criaturas inteligentes e de algum modo dessemelhantes.
43:8.8 (494.7) 4. Como, funcionando assim socialmente, junto com seres semelhantes e não semelhantes a vós próprios, conseguir entrar em harmonia intelectual com eles, e efetuar os ajustes vocacionais com ambos os grupos de colaboradores.
43:8.9 (494.8) 5. Como, ao mesmo tempo, conseguir uma socialização satisfatória da personalidade, nos níveis intelectual e vocacional; como aperfeiçoar mais ainda a capacidade de viver em contato íntimo com seres semelhantes e ligeiramente diferentes, com irritabilidade gradativamente decrescente e ressentimentos cada vez menores. Os diretores de retrospecção contribuem muito para essa última realização, mediante suas atividades grupais com jogos.
43:8.10 (494.9) 6. Como ajustar todas essas técnicas variadas de socialização, para fazer prosseguir a coordenação progressiva da carreira de ascensão ao Paraíso; ampliando a própria visão do universo, e aumentando a capacidade de compreender os significados das metas eternas intrínsecas a essas atividades, aparentemente insignificantes, do tempo e do espaço.
43:8.11 (494.10) 7. E, de que forma, então, elevar ao extremo, como em um clímax, todos esses procedimentos de multissocialização, com a concomitância de um engrandecimento do discernimento espiritual, no que lhe são pertinentes as ampliações de todas as fases do dom pessoal, por meio de uma associação grupal espiritual e uma coordenação moroncial. Intelectual, social e espiritualmente, duas criaturas morais não duplicam, meramente, os seus potenciais pessoais de realização no universo, pela técnica da associação; elas estão muito mais próximas de quadruplicar as suas possibilidades de êxito e de realização.
43:8.12 (495.1) Nós retratamos a socialização de Edêntia como uma associação entre um mortal moroncial e um grupo familiar de univitátias, consistindo de dez indivíduos diferentes intelectualmente, em concomitância com uma associação semelhante com dez companheiros moronciais. Todavia, nos primeiros sete mundos maiores, apenas um mortal ascendente vive com dez univitátias. No segundo grupo, de sete mundos maiores, dois mortais habitam com cada grupo nativo de dez; e assim por diante, até que, no último grupo de sete esferas maiores, dez seres moronciais estão domiciliados com dez univitátias. À medida que aprenderdes como melhor socializar-vos com os univitátias, ireis praticar essa ética desenvolvida nas vossas relações com os vossos companheiros moronciais que progridem convosco.
43:8.13 (495.2) Como mortais ascendentes, desfrutareis da vossa permanência nos mundos de progresso de Edêntia, mas não ireis experienciar aquela emoção pessoal de satisfação que caracteriza o vosso contato inicial com os assuntos do universo, nas sedes-centrais dos sistemas, ou o vosso contato de despedida com essas realidades, nos mundos finais da capital do universo.
43:9.1 (495.3) Depois da graduação no mundo de número setenta, os mortais ascendentes fixam a sua residência em Edêntia. Pela primeira vez, agora, os ascendentes, comparecem às “assembléias do Paraíso” e ouvem a história da sua longa carreira como é retratada pelos Fiéis dos Dias, os primeiros seres da ordem de Personalidades com origem na Trindade Suprema que eles já conheceram.
43:9.2 (495.4) Toda essa permanência nos mundos educacionais da constelação, culminando na cidadania em Edêntia, é um período de bênção verdadeira e celeste para os progressores moronciais. Por meio da vossa permanência nos mundos do sistema, vós estivestes evoluindo, de um estado próximo ao do animal até o de uma criatura moroncial; vós éreis mais materiais do que espirituais. Nas esferas de Sálvington, vós estareis evoluindo a partir de um ser moroncial até o status de um verdadeiro espírito; vós sereis mais espirituais do que materiais. Mas, em Edêntia, os ascendentes estão a meio caminho entre o seu estado anterior e os futuros, a meio caminho entre a sua condição de animal e a sua passagem evolucionária, até transformarem-se em espíritos ascendentes. Durante toda a vossa permanência em Edêntia e nos seus mundos, sois “como os anjos”; estais constantemente progredindo, mas mantendo, durante todo o tempo, o vosso status moroncial geral e típico.
43:9.3 (495.5) O período de permanência de um mortal ascendente nessa constelação é a época mais estável e uniforme de toda a sua carreira de progresso moroncial. Essa experiência constitui a educação pré-espiritual para a socialização dos ascendentes. É análoga à experiência espiritual de pré-finalitor em Havona e ao aperfeiçoamento pré-absonito no Paraíso.
43:9.4 (495.6) Os mortais ascendentes, em Edêntia, estão principalmente ocupados com os compromissos nos setenta mundos de progresso dos univitátias. Eles também servem, em várias funções, na própria Edêntia, principalmente em conjunção com o programa da constelação, que diz respeito ao bem-estar grupal, racial, nacional e planetário. Os Altíssimos não estão tão engajados em fomentar o avanço individual nos mundos habitados; eles governam nos reinos dos homens, mais do que nos corações dos indivíduos.
43:9.5 (495.7) E, naquele dia em que estiverdes preparados para deixar Edêntia, com o intuito de dar início à carreira até Sálvington, vós ireis parar e olhar para trás, e vereis uma das mais belas e mais repousantes de todas as vossas épocas de aprimoramento, neste lado de cá do Paraíso. Mas a glória dela aumentará quando ascenderdes no sentido interno; e quando conseguirdes alcançar uma capacidade maior de valoração dos significados divinos e dos valores espirituais.
43:9.6 (496.1) [Promovido por Malavatia Melquisedeque.]
O Livro de Urântia
Documento 44
44:0.1 (497.1) ENTRE as colônias de cortesia dos vários mundos-sede divisionais e universais, pode ser encontrada uma ordem única de personalidades compostas: a dos artesãos celestes. Estes seres são os artistas e artesãos mestres dos reinos moronciais e dos reinos de espíritos inferiores. São os espíritos e semi-espíritos empenhados na decoração moroncial e no embelezamento espiritual. Esses artesãos acham-se distribuídos em todo o grande universo — nos mundos-sede dos superuniversos, universos locais, constelações e sistemas, bem como em todas as esferas estabelecidas em luz e vida; mas o seu principal domínio de atividade é o das constelações e, em especial, o dos setecentos e setenta mundos que circundam cada uma das esferas-sede.
44:0.2 (497.2) Ainda que o seu trabalho possa ser quase incompreensível para a mente material, deveria ser entendido que os mundos moronciais e espirituais não são desprovidos da arte elevada e da cultura superna.
44:0.3 (497.3) Os artesãos celestes não são criados como tais; eles são um corpo de seres selecionados e recrutados, compostos de certas personalidades de ensino, nativas do universo central, e dos seus alunos voluntários, selecionados dentre os mortais ascendentes e outros seres dos numerosos grupos celestes. O corpo original de mestres desses artesãos foi, em uma certa época, designado pelo Espírito Infinito, em colaboração com os Sete Espíritos Mestres, e era constituído de sete mil instrutores de Havona, mil para cada uma das sete divisões de artesãos. Com tal núcleo para iniciar, e através das idades, esse corpo brilhante de trabalhadores hábeis desenvolveu-se nos afazeres moronciais e espirituais.
44:0.4 (497.4) Qualquer personalidade moroncial ou entidade espiritual é elegível para ser admitida no corpo dos artesãos celestes; isto é, qualquer ser abaixo da categoria de filiação divina inerente. Os filhos ascendentes de Deus, provenientes das esferas evolucionárias, podem, após a sua chegada aos mundos moronciais, inscrever-se para a admissão no corpo de artesãos e, se suficientemente dotados, podem escolher essa carreira por um período mais longo ou mais curto. Mas ninguém pode inscrever-se como artesão celeste por menos de um milênio, ou mil anos do tempo no superuniverso.
44:0.5 (497.5) Todos os artesãos celestes são registrados nas sedes-centrais dos superuniversos, mas são dirigidos por supervisores moronciais nas capitais do universo local. São comissionados nas seguintes sete maiores divisões de atividades, pelo corpo central de supervisores moronciais, funcionando nos mundos-sede de cada universo local:
44:0.6 (497.6) 1. Músicos Celestes.
44:0.7 (497.7) 2. Reprodutores Celestes.
44:0.8 (497.8) 3. Construtores Divinos.
44:0.9 (497.9) 4. Registradores de Pensamentos.
44:0.10 (498.1) 5. Manipuladores da Energia.
44:0.11 (498.2) 6. Desenhistas e Ornamentadores.
44:0.12 (498.3) 7. Trabalhadores da Harmonia.
44:0.13 (498.4) Todos os mestres originais desses sete grupos vieram dos mundos perfeitos de Havona; e Havona tem os modelos, e os estudos dos modelos, para todas as fases e formas de atividades artísticas do espírito. Ainda que seja uma tarefa gigantesca, a de trazer tais artes de Havona para os mundos do espaço, os artesãos celestes aperfeiçoaram-se, idade após idade, nessas técnicas e sua execução. Como em todas as outras fases da carreira ascendente, aqueles que estão mais avançados, em qualquer linha de atuação, são requisitados constantemente para compartilhar o seu conhecimento superior e sua habilidade com os seus companheiros menos favorecidos.
44:0.14 (498.5) Primeiro, começareis por vislumbrar essas artes, transplantadas de Havona para os mundos das mansões, e a beleza delas, assim a vossa apreciação dessa beleza aumentará e tornar-se-á mais abrilhantada, até passardes pelas salas dos espíritos de Sálvington e contemplardes as obras-primas inspiradoras dos artistas supernos dos Reinos espirituais.
44:0.15 (498.6) Todas essas atividades dos mundos moronciais e espirituais são reais. Para os seres do espírito, o mundo espiritual é uma realidade. Para nós, o mundo material é mais irreal. As formas mais elevadas de espíritos passam livremente através da matéria ordinária. Os espíritos elevados não reagem a nada material, à exceção de algumas das energias básicas. Para os seres da matéria, o mundo do espírito é mais ou menos irreal; para os seres do espírito, o mundo da matéria é quase inteiramente irreal, sendo meramente uma sombra da essência das realidades do espírito.
44:0.16 (498.7) Eu não posso, com a visão exclusiva do espírito, perceber o edifício dentro do qual esta narrativa está sendo transladada e gravada. Um Conselheiro Divino de Uversa, que se encontra por acaso ao meu lado, discerne menos ainda essas criações puramente materiais. Nós discernimos como essas estruturas materiais vos parecem, vendo uma contraparte do espírito ser apresentada às nossas mentes por um de nossos transformadores de energia que nos presta ajuda. Essa construção material não é exatamente real para mim, um ser espiritual; mas é, evidentemente, muito real e muito útil aos mortais materiais.
44:0.17 (498.8) Há certos tipos de seres que são capazes de discernir a realidade das criaturas, tanto dos mundos do espírito, quanto dos mundos materiais. Pertencendo a essa classe, estão as chamadas quartas criaturas dos Servidores de Havona e as quartas criaturas dos conciliadores. Os anjos do tempo e do espaço são dotados com a capacidade de discernir tanto os seres do espírito quanto os seres materiais; como também o são os mortais ascendentes, depois da sua liberação da vida na carne. Após atingir os níveis espirituais mais elevados, os ascendentes são capazes de reconhecer e distinguir a realidade material, a moroncial e a espiritual.
44:0.18 (498.9) Está também aqui comigo um Mensageiro Poderoso de Uversa, um ascendente fusionado ao Ajustador, um ser que certa vez foi um mortal, e ele vos percebe, exatamente como sois, e ao mesmo tempo ele pode visualizar o Mensageiro Solitário, o supernafim e os outros seres celestes presentes. Nunca, na vossa longa ascensão, perdereis o poder de reconhecer os vossos companheiros de existências passadas. Sempre, enquanto ascenderdes interiormente na escala da vida, mantereis a capacidade de reconhecer e confraternizar-vos com os seres companheiros das vossas experiências anteriores, em níveis menos elevados. Cada translação nova, ou ressurreição, irá acrescentar um grupo a mais de seres espirituais ao alcance da vossa visão, sem privar-vos, no mínimo que seja, da vossa capacidade de reconhecer os vossos amigos e companheiros de estados anteriores.
44:0.19 (498.10) Tudo isso é tornado possível, na experiência dos mortais ascendentes, por meio da atuação dos Ajustadores do Pensamento residentes. Em conseqüência da propriedade que eles têm de reter as duplicações das experiências de toda a vossa vida, fica assegurado a vós jamais perder qualquer atributo verdadeiro, que tenhais tido no passado; e esses Ajustadores irão sempre convosco, como uma parte de vós; na realidade, como vós.
44:0.20 (499.1) Mas quase perco a esperança de me fazer capaz de transmitir à mente material a natureza do trabalho dos artesãos celestes. Tenho a necessidade de deturpar constantemente o pensamento e distorcer a linguagem, no esforço de abrir, à mente dos mortais, a realidade dessas transações moronciais e fenômenos quase espirituais. A vossa compreensão é incapaz de captar, e a vossa língua é inadequada para transmitir o significado, valor e relação entre essas atividades semi-espirituais. E eu, todavia, continuo no esforço de esclarecer à mente humana a respeito dessas realidades, convencido, por outro lado, da grande impossibilidade de triunfar plenamente nessa tentativa.
44:0.21 (499.2) Não posso fazer mais do que esboçar um paralelismo grosseiro entre as atividades materiais mortais e as funções múltiplas dos artesãos celestes. Se as raças de Urântia fossem mais evoluídas, na arte e em outras realizações culturais, então eu poderia ir muito mais adiante no meu esforço de projetar dentro da mente humana, levando-a das coisas da matéria até as coisas da morôncia. Tudo o que eu posso esperar realizar é tornar enfático o fato de que essas transações nos mundos moronciais e espirituais são bastante reais.
44:1.1 (499.3) O alcance limitado da audição humana dificilmente vos permite conceber as melodias moronciais. Até mesmo uma gama material de sons maravilhosos há, que não são reconhecidos pelo sentido humano da audição, sem mencionar o escopo inconcebível da harmonia moroncial e espiritual. As melodias do espírito não são de ondas materiais de som, mas de pulsações espirituais recebidas pelos espíritos das personalidades celestes. Há uma vastidão de alcance e uma alma de expressão, bem como uma grandeza de execução, associadas à melodia das esferas, que escapam totalmente à compreensão humana. Tenho visto milhões de seres mantidos em êxtase sublime, arrebatados, enquanto a melodia do reino se desenrola na energia espiritual dos circuitos celestes. Tais melodias maravilhosas podem ser teledifundidas para as partes mais distantes de um universo.
44:1.2 (499.4) Os músicos celestes ocupam-se com a produção da harmonia celestial, por meio da manipulação das seguintes forças do espírito:
44:1.3 (499.5) 1. O som espiritual — as interrupções da corrente do espírito.
44:1.4 (499.6) 2. A luz espiritual — o controle e a intensificação da luz dos Reinos moroncial e espiritual.
44:1.5 (499.7) 3. As imposições de energia — a melodia produzida por hábeis manipulações da energia moroncial e espiritual.
44:1.6 (499.8) 4. As sinfonias de cor — a melodia das nuances das cores da morôncia; esta inclui-se entre as realizações mais elevadas dos músicos celestes.
44:1.7 (499.9) 5. A harmonia de espíritos interligados — o arranjo e a associação das diferentes ordens de seres moronciais e espirituais produzem melodias magníficas.
44:1.8 (499.10) 6. A melodia do pensamento — o pensar, de pensamentos espirituais, pode ser aperfeiçoado de um modo tal a fazer com que as melodias de Havona cheguem a fulgurar.
44:1.9 (499.11) 7. A música do espaço — por meio de acordes apropriados, as melodias de outras esferas podem ser captadas nos circuitos das teletransmissões do universo.
44:1.10 (500.1) Há mais de cem mil modos diferentes de manipulação do som, cor e energia, técnicas análogas às que os humanos conseguem utilizando os instrumentos musicais. Os vossos conjuntos de coreografias, sem dúvida, representam a rude e grotesca tentativa, das criaturas materiais, de aproximar-se da harmonia celestial pela colocação do ser e pelo arranjo das personalidades. As outras cinco formas de melodia moroncial são irreconhecíveis pelos mecanismos sensoriais dos corpos materiais.
44:1.11 (500.2) A harmonia, a música dos sete níveis de associações melodiosas, é o código universal da comunicação do espírito. A música, tal como os mortais de Urântia a entendem, atinge a sua mais alta expressão nas escolas de Jerusém, a sede-central do sistema, onde as harmonias do som são ensinadas aos seres semimateriais. Os mortais não reagem a outras formas de melodia moroncial e harmonia celestial.
44:1.12 (500.3) A apreciação da música, em Urântia, é tanto física quanto espiritual; e os vossos músicos humanos têm feito muito para elevar o gosto musical, da monotonia bárbara dos vossos ancestrais primitivos, até os níveis mais altos de apreciação do som. A maioria dos mortais de Urântia reage à música mais amplamente com os músculos materiais e menos com a mente e o espírito; mas tem havido melhoras substanciais na apreciação musical nesses últimos trinta e cinco mil anos.
44:1.13 (500.4) O sincopado melodioso representa uma transição da monotonia musical do homem primitivo para a harmonia plena de expressão e para as melodias cheias de significados dos vossos músicos mais recentes. Os tipos mais primitivos de ritmos estimulam a reação dos sentidos amantes da música, sem causar o esforço de poderes intelectuais mais altos na apreciação da harmonia, tendo assim um apelo mais geral para os indivíduos imaturos ou espiritualmente indolentes.
44:1.14 (500.5) A melhor música de Urântia é apenas um eco fugaz dos acordes magníficos ouvidos pelos aliados celestes dos vossos músicos, que não deixaram registrados, senão pequenos trechos das harmonias das forças moronciais como sendo as melodias musicais das harmonizações de som. A música espírito-moroncial emprega freqüentemente todos os sete modos de expressão e reprodução, de modo que a mente humana fica limitada, tremendamente, em qualquer tentativa de reduzir essas melodias das esferas mais elevadas para as meras notas do som musical. Esse esforço seria algo como tentar reproduzir os efeitos de uma grande orquestra por meio de um único instrumento musical.
44:1.15 (500.6) Ainda que tenhais construído algumas belas melodias em Urântia, vós não tendes progredido musicalmente tanto quanto muitos dos vossos planetas vizinhos em Satânia. Se Adão e Eva houvessem sobrevivido, então vós teríeis a música verdadeira; mas o dom da harmonia, potente nas naturezas deles, ficou tão diluído pelas correntes de tendências não-musicais, que apenas uma vez, em mil vidas mortais, há uma grande apreciação da harmonia. Mas não deveis ficar desencorajados; algum dia, um músico de verdade pode surgir em Urântia, e povos inteiros serão atraídos pelos caudais magníficos das suas melodias. Um ser humano como esse poderia mudar, para sempre, o curso de toda uma nação, ou mesmo de todo o mundo civilizado. É verdade, literalmente, que “a melodia tem o poder de transformar o mundo inteiro”. Para sempre, a música irá permanecer como a linguagem universal de homens, anjos e espíritos. A harmonia é a linguagem de Havona.
44:2.1 (500.7) O homem mortal dificilmente pode esperar ter mais do que um conceito exíguo e distorcido das funções dos reprodutores celestes, as quais devo tentar ilustrar por meio do simbolismo grosseiro e limitado da vossa linguagem material. O mundo espiritual-moroncial tem mil e uma coisas de valor supremo, coisas dignas de serem reproduzidas, mas desconhecidas em Urântia; experiências que pertencem à categoria de atividades que dificilmente teriam “entrado na mente do homem”, as realidades que Deus possui, à espera daqueles que sobrevivem à vida na carne.
44:2.2 (501.1) Há sete grupos de reprodutores celestes, e o meu intento é ilustrar o seu trabalho por meio da classificação seguinte:
44:2.3 (501.2) 1. Os cantores — harmonizadores que reiteram as harmonias específicas do passado e interpretam as melodias do presente. Tudo isso, porém, é efetuado no nível moroncial.
44:2.4 (501.3) 2. Os trabalhadores da cor — a esses artistas da luz e sombra, poderíeis chamar de desenhistas e pintores; artistas que preservam as cenas passageiras e os episódios transitórios para o prazer moroncial futuro.
44:2.5 (501.4) 3. Os cineastas da luz — os realizadores das preservações de fenômenos semi-espirituais reais para os quais a cinematografia seria uma ilustração muito grosseira.
44:2.6 (501.5) 4. Os encenadores históricos — aqueles que reproduzem com dramaticidade os eventos cruciais dos registros e história do universo.
44:2.7 (501.6) 5. Os artistas proféticos — aqueles que projetam os significados da história ao futuro.
44:2.8 (501.7) 6. Os contadores da história da vida — aqueles que perpetuam o sentido e significados da experiência da vida. A projeção de experiências pessoais presentes, em valores de realização futura.
44:2.9 (501.8) 7. Os intérpretes administrativos — aqueles que descrevem o significado da filosofia governamental e a técnica administrativa, os dramaturgos celestes da soberania.
44:2.10 (501.9) Muito freqüente e efetivamente, os reprodutores celestes colaboram com os diretores de retrospecção, combinando a recapitulação da memória com certas formas de descanso para a mente e recreio para a personalidade. Antes dos conclaves moronciais e assembléias do espírito, esses reprodutores, algumas vezes, agrupam-se para realizar espetáculos dramáticos extraordinários, representativos dos propósitos de tais encontros. Recentemente, testemunhei uma apresentação bastante assombrosa, na qual mais de um milhão de atores produziram uma sucessão de mil cenas.
44:2.11 (501.10) Os mestres intelectuais superiores e os ministros transitórios utilizam esses vários grupos de reprodutores, livre e efetivamente, nas suas atividades educacionais moronciais. Mas nem todos os esforços deles se dedicam a ilustrações transitórias; uma grande parte, bastante grande mesmo, do seu trabalho é de natureza permanente e irá permanecer para sempre como um legado para todos os tempos futuros. Tão versáteis são esses artesãos, quando funcionam em massa, que se tornam capazes de reencenar uma idade e, em colaboração com os ministros seráficos, de fato, podem retratar os valores eternos do mundo espiritual para os espectadores mortais do tempo.
44:3.1 (501.11) Há cidades “cujo construtor e autor é Deus”. Na contraparte espiritual, temos tudo aquilo que aos mortais é familiar e, inexprimivelmente, muito mais. Temos casas, confortos para o espírito e as necessidades moronciais. Para cada satisfação material que os humanos são capazes de desfrutar, nós temos milhares de realidades espirituais que servem para enriquecer e ampliar a nossa existência. Os construtores divinos funcionam em sete grupos:
44:3.2 (502.1) 1. Os projetistas e construtores de casas — aqueles que constroem e remodelam as moradas destinadas aos indivíduos e aos grupos de trabalho. Esses domicílios moronciais, e do espírito, são reais. Seriam invisíveis para a vossa visão de pouco alcance, mas são muito reais e belos para nós. Até um certo ponto, todos os seres do espírito podem compartilhar, com os construtores, da escolha de certos detalhes do planejamento e criação das suas moradas moronciais ou espirituais. Tais lares são adaptados e ornamentados de acordo com as necessidades das criaturas moronciais ou espirituais que irão habitá-los. Há uma variedade abundante e uma ampla oportunidade para a expressão individual em todas essas construções.
44:3.3 (502.2) 2. Os construtores das instalações ocupacionais — aqueles que funcionam no projeto e montagem das moradas dos trabalhadores regulares e rotineiros dos reinos da morôncia e do espírito. Esses construtores são comparáveis aos que constroem as oficinas e outras instalações industriais em Urântia. Os mundos de transição têm uma economia necessária de ministração mútua e uma divisão especializada do trabalho. Não é que todos façam de tudo; há uma diversidade de funções entre os seres moronciais e os espíritos em evolução, e esses construtores de instalações ocupacionais não apenas constroem oficinas melhores como também contribuem para o engrandecimento vocacional do trabalhador.
44:3.4 (502.3) 3. Os construtores de edificações recreativas. Edifícios enormes são utilizados durante as estações de descanso, a que os mortais chamariam de recreação e, em um certo sentido, de jogo. Instalações adequadas são providenciadas para os diretores de retrospecção, os humoristas dos mundos moronciais, aquelas esferas de transição onde acontece o aperfeiçoamento dos seres ascendentes trazidos muito recentemente dos planetas evolucionários. Mesmo os espíritos mais elevados engajam-se, de uma certa forma, no humor da reminiscência durante os seus períodos de recarga espiritual.
44:3.5 (502.4) 4. Os construtores para a adoração — os arquitetos experientes dos templos do espírito e da morôncia. Todos os mundos de ascensão mortal têm templos de adoração, e estes são as criações mais especiais dos Reinos moronciais e das esferas do espírito.
44:3.6 (502.5) 5. Os construtores para a educação — aqueles que constroem as sedes do aperfeiçoamento moroncial e estudo espiritual avançado. O caminho está sempre aberto para que se adquira mais conhecimento, para se ganhar informação adicional a respeito do trabalho presente e futuro de cada um, bem como de um conhecimento cultural universal, com informações que se destinem a fazer, dos mortais ascendentes, cidadãos mais inteligentes e eficientes nos mundos moronciais e espirituais.
44:3.7 (502.6) 6. Os planejadores moronciais — aqueles que constroem para as associações coordenadas de todas as personalidades de todos os reinos, pois eles estão presentes, a todo tempo, em qualquer das esferas. Esses planejadores colaboram com os Supervisores do Poder Moroncial para enriquecer a coordenação da vida moroncial progressiva.
44:3.8 (502.7) 7. Os construtores públicos — os artesãos que planejam e constroem os locais destinados às assembléias e que não são destinados à adoração. Os locais para as assembléias comuns são grandes e magníficos.
44:3.9 (502.8) Ainda que nem essas estruturas, nem a sua ornamentação sejam exatamente reais, para a compreensão sensorial dos mortais materiais, elas são bastante reais para nós. Seríeis incapazes de ver esses templos, caso pudésseis estar lá, ao vivo, na carne; entretanto, todas essas criações supramateriais estão ali de fato, e nós as discernimos claramente e desfrutamos plenamente delas.
44:4.1 (503.1) Esses artesãos devotam-se à preservação e reprodução do pensamento superior dos reinos, e funcionam em sete grupos:
44:4.2 (503.2) 1. Os preservadores do pensamento. São os artesãos que se dedicam à preservação do pensamento mais elevado dos reinos. Nos mundos moronciais, eles verdadeiramente entesouram as preciosidades da elaboração mental. Antes de vir para Urântia, vi registros e ouvi teletransmissões da ideação de algumas das grandes mentes deste planeta. Os registradores de pensamentos preservam essas idéias nobres na língua de Uversa.
44:4.3 (503.3) Cada superuniverso tem a sua própria linguagem, uma língua falada pelas suas personalidades e que prevalece em todos os seus setores. Essa é conhecida como a língua de Uversa, no nosso superuniverso. Cada universo local também tem a sua própria linguagem. As ordens mais elevadas de seres de Nébadon, todas, são bilíngües, falando tanto a língua de Nébadon, quanto a língua de Uversa. Quando dois indivíduos de diferentes universos locais encontram-se, eles comunicam-se na língua de Uversa; contudo, se um deles vem de um outro superuniverso, devem ter o recurso de um tradutor. No universo central há pouca necessidade de uma língua; há um entendimento perfeito e quase completo; ali, apenas os Deuses não são completamente compreendidos. Foi-nos ensinado que um encontro casual no Paraíso revela mais, em termos de compreensão mútua, do que poderia ser comunicado por uma língua mortal em mil anos. Mesmo em Sálvington, nós “conhecemos e somos conhecidos tal como somos”.
44:4.4 (503.4) A capacidade de traduzir o pensamento em linguagem, nas esferas da morôncia e do espírito, está além da compreensão mortal. A nossa velocidade de reduzir o pensamento a um registro permanente pode ser tão aumentada pelos gravadores especializados, que o equivalente a mais de meio milhão de palavras, ou símbolos de pensamentos, pode ser registrado em um minuto do tempo de Urântia. Essas línguas do universo são muito mais ricas do que a fala dos mundos em evolução. Os símbolos dos conceitos em Uversa abrangem mais de um bilhão de caracteres, se bem que o alfabeto básico contenha apenas setenta símbolos. A língua de Nébadon não é assim tão elaborada, pois todos os símbolos básicos do alfabeto são em número de quarenta e oito.
44:4.5 (503.5) 2. Os registradores de conceitos. Este segundo grupo de gravadores ocupa-se da preservação das imagens dos conceitos, dos modelos das idéias. Essa é uma forma de registro permanente, desconhecida nos reinos materiais, e por esse método eu poderia ganhar mais conhecimento em uma hora do vosso tempo do que vós poderíeis ganhar em cem anos de pesquisa com a linguagem escrita ordinária.
44:4.6 (503.6) 3. Os registradores ideográficos. Temos o equivalente tanto da palavra escrita quanto da falada, mas, ao preservar o pensamento, normalmente empregamos a imagem do conceito e as técnicas ideográficas. Aqueles que preservam os ideógrafos são capazes de melhorar mil vezes o trabalho dos registradores de conceitos.
44:4.7 (503.7) 4. Os promotores da oratória. Este grupo de registradores está ocupado com a tarefa de preservar o pensamento, para a reprodução pela oratória. Contudo, na língua de Nébadon, nós poderíamos, em um discurso de meia hora, cobrir o tema de toda a vida de um mortal de Urântia. A vossa única esperança de compreender essas transações consiste em dar uma pausa e considerar a técnica da vossa vida desordenada e deturpada de sonhos — e ver como vós podeis, em poucos segundos, passar por anos de experiências nessas fantasias do período noturno.
44:4.8 (503.8) A oratória do mundo do espírito é um dos presentes raros que esperam por vós, que ouvis tão somente os discursos grosseiros e falseados de Urântia. Há uma harmonia musical e uma eufonia de expressão, nas orações de Sálvington e Edêntia, que são inspiradoras para além de qualquer descrição. Os seus conceitos ardentes são como gemas de beleza nos diademas da glória. Mas não posso reproduzir isso! Não posso transmitir à mente humana o alcance e a profundidade dessas realidades de um outro mundo!
44:4.9 (504.1) 5. Os diretores de teledifusão. As transmissões do Paraíso, superuniversos e universos locais estão sob a supervisão geral desse grupo de conservadores do pensamento. Eles servem como censores e editores, bem como coordenadores das transmissões materiais, fazendo uma adaptação, para o superuniverso, de todas as transmissões do Paraíso, adaptando e traduzindo as transmissões dos Anciães dos Dias para as línguas individuais dos universos locais.
44:4.10 (504.2) As transmissões do universo local também devem ser modificadas, para que os sistemas e planetas individuais as recebam. A transmissão desses informes espaciais é supervisionada cuidadosamente e há sempre um registro de retorno, que assegura a recepção adequada de cada informe e em cada mundo, em um dado circuito. Esses diretores de transmissões são tecnicamente especializados na utilização das correntes do espaço para todos os propósitos de comunicação da informação.
44:4.11 (504.3) 6. Os registradores do ritmo. Os urantianos, sem dúvida, chamariam de poetas a esses artesãos, se bem que o trabalho deles seja muito diferente e quase transcenda infinitamente às vossas produções poéticas. O ritmo é menos exaustivo, tanto para os seres moronciais, quanto para os espirituais, e assim um esforço é feito freqüentemente para aumentar a eficiência, bem como para aumentar o prazer pela execução de inúmeras funções na forma rítmica. Eu gostaria apenas que pudésseis ter o privilégio de escutar algumas das transmissões poéticas das assembléias de Edêntia e que desfrutásseis das riquezas, em cor e matizes, dos gênios das constelações, que são mestres nessa forma refinada de auto-expressão e harmonização social.
44:4.12 (504.4) 7. Os registradores da morôncia. Não sei como descrever, para a mente material, a função deste grupo importante de registradores de pensamentos, designado ao trabalho de preservar as imagens conjuntas dos vários agrupamentos de assuntos moronciais e transações do espírito. Em uma ilustração tosca, seriam os fotógrafos grupais dos mundos de transição. Eles preservam, para o futuro, as cenas vitais e as associações dessas épocas progressistas, conservando-as nos arquivos das salas dos registros da morôncia.
44:5.1 (504.5) Estes artesãos eficientes e interessantes trabalham com todas as espécies de energias: físicas, mentais e espirituais.
44:5.2 (504.6) 1. Os manipuladores da energia física. Os manipuladores da energia física servem, por períodos longos, com os diretores de potência e são os especialistas da manipulação e controle de muitas fases da energia física. São conhecedores das três correntes básicas e trinta segregações subsidiárias da energia nos superuniversos. Esses seres prestam uma ajuda inestimável aos Supervisores do Poder Moroncial dos mundos de transição. Eles são os estudantes persistentes das projeções cósmicas do Paraíso.
44:5.3 (504.7) 2. Os manipuladores da energia mental. Estes são os peritos da intercomunicação entre os seres moronciais e os outros tipos de seres inteligentes. Essa forma de comunicação entre os mortais praticamente inexiste em Urântia. Eles são especialistas que proporcionam a capacidade aos seres moronciais ascendentes de comunicar-se uns com os outros, e o seu trabalho abrange inúmeras aventuras singulares com as ligações de intelectos, as quais ficam muito além da minha capacidade de retratá-las para a mente material. Tais artesãos são os estudantes aplicados dos circuitos da mente do Espírito Infinito.
44:5.4 (505.1) 3. Os manipuladores da energia espiritual. Os manipuladores da energia espiritual são um grupo fascinante. A energia espiritual atua de acordo com leis estabelecidas, exatamente como o faz a energia física. Isto é, a força do espírito, quando estudada, permite deduções confiáveis e, pois, pode ser tratada com precisão, do mesmo modo como o podem as energias físicas. Há leis tão certas e confiáveis no mundo do espírito quanto no reino material. Durante os últimos milhões de anos, muitas técnicas foram aperfeiçoadas, para a absorção da energia espiritual, por esses estudiosos das leis fundamentais da energia do espírito governante do Filho Eterno, aplicadas aos seres moronciais e outras ordens de seres celestes em todos os universos.
44:5.5 (505.2) 4. Os manipuladores compostos. Este é o ousado grupo de seres bem treinados que se dedicam à associação funcional das três fases originais da energia divina, manifestada nos universos como energias físicas, mentais e espirituais. São as personalidades perspicazes que, na realidade, estão buscando descobrir a presença de Deus, o Supremo, no universo; pois, nessa personalidade da Deidade, deve ocorrer a unificação experiencial de todas as grandes divindades do universo. E, até um certo ponto, esses artesãos têm tido algum êxito nos tempos recentes.
44:5.6 (505.3) 5. Os conselheiros de transporte. Este corpo de conselheiros técnicos para os serafins de transporte é muito hábil em colaborar com os estudantes das estrelas no estabelecimento de trajetos, e em outras formas de assistência aos chefes de transporte, nos mundos do espaço. São os supervisores do tráfego das esferas e estão presentes em todos os planetas habitados. Urântia é servida por um corpo de setenta conselheiros de transporte.
44:5.7 (505.4) 6. Os peritos em comunicação. Urântia, do mesmo modo, está servida por doze técnicos de comunicação interplanetária e interuniversal. Esses seres, de longa experiência, são peritos no conhecimento das leis de transmissão e interferência, quando aplicadas às comunicações entre os reinos. Esse corpo ocupa-se de todas as formas de mensagens do espaço, exceto as dos Mensageiros por Gravidade e Mensageiros Solitários. Em Urântia, boa parte do seu trabalho deve ser realizada no circuito dos arcanjos.
44:5.8 (505.5) 7. Os mestres do repouso. O descanso divino está ligado à técnica de absorção da energia do espírito. A energia moroncial e a energia do espírito devem ser repostas exatamente como a energia física o é, mas não pelas mesmas razões. Sou, forçosamente, compelido a empregar ilustrações grosseiras nas minhas tentativas de esclarecer-vos; entretanto, nós, do mundo do espírito, devemos periodicamente parar com as nossas atividades regulares e ir para locais adequados, de encontro, onde entramos em repouso divino para, desse modo, recuperarmos as nossas energias exauridas.
44:5.9 (505.6) Vós ireis receber as vossas primeiras lições sobre essas questões quando chegardes aos mundos das mansões, após vos tornardes seres moronciais e haverdes começado a experienciar a técnica dos assuntos do espírito. Conhecereis o círculo mais interno de Havona, e sabereis que, depois que os peregrinos do espaço houverem atravessado os círculos precedentes, eles devem ser induzidos ao longo e revivificante sono do Paraíso. Esse é, não apenas um quesito técnico do trânsito da carreira do tempo, até o serviço da eternidade, mas é também uma necessidade, uma forma de repouso imprescindível ao reabastecimento das perdas de energia inerentes aos passos finais da experiência ascendente, e para estocar as reservas de poder espiritual para o próximo estágio da carreira infindável.
44:5.10 (506.1) Esses manipuladores da energia atuam também de centenas de outros modos, numerosos demais para serem catalogados, tais como o aconselhamento aos serafins, querubins e sanobins, no que diz respeito às práticas mais eficazes de ingestão de energia, e como fazer uma manutenção mais eficaz do equilíbrio das forças divergentes, entre os querubins ativos e os sanobins passivos. De muitas outras maneiras esses peritos prestam assistência às criaturas moronciais e espirituais nos seus esforços para compreender o repouso divino, que é tão essencial à utilização eficaz das energias básicas do espaço.
44:6.1 (506.2) Realmente eu gostaria de conseguir retratar o trabalho raro desses artesãos singulares! Toda tentativa da minha parte para explicar o trabalho de embelezamento do espírito apenas iria relembrar às mentes materiais os vossos próprios esforços, lamentáveis, ainda que valiosos, de fazer essas coisas no vosso mundo de mente e matéria.
44:6.2 (506.3) Tais conjuntos de artesãos, abrangendo mais de mil subdivisiões de atividades são agrupados nas sete categorias maiores a seguir:
44:6.3 (506.4) 1. Os artesãos da cor. São eles que fazem os dez mil matizes das cores para os reflexos da reverberação do espírito, com as suas mensagens extraordinárias de beleza harmoniosa. Afora a percepção da cor, nada há, na experiência humana, a que possam ser comparadas tais atividades.
44:6.4 (506.5) 2. Os programadores do som. As ondas dos espíritos, de identidades diversas e apreciação moroncial, são ilustradas por estes programadores daquilo que chamaríeis de som. Esses impulsos, na realidade, são os reflexos soberbos das almas-espíritos nuas e gloriosas das hostes celestes.
44:6.5 (506.6) 3. Os modeladores da emoção. Estes aprimoradores e conservadores do sentimento são os que preservam os sentimentos moronciais e as emoções da divindade, para o estudo e edificação dos filhos do tempo e para a inspiração e o embelezamento dos seres moronciais em progresso e espíritos em avanço.
44:6.6 (506.7) 4. Os artistas do aroma. A equiparação das atividades supernas do espírito, ao reconhecimento físico dos aromas químicos, é, na realidade, uma comparação infeliz, mas os mortais de Urântia dificilmente reconheceriam esse ministério por meio de qualquer outro nome. Esses artesãos criam as suas sinfonias variadas para a edificação e deleite dos filhos da luz, no seu avanço. Nada tendes, na Terra, a que esse tipo de grandeza espiritual possa, ainda que remotamente, ser comparado.
44:6.7 (506.8) 5. Os embelezadores da presença. Estes artesãos não se ocupam com as artes do auto-adornamento nem com a técnica do embelezamento da criatura. Eles devotam-se à produção de reações múltiplas e regozijantes, nas criaturas moronciais individuais e criaturas do espírito, pela dramatização dos significados das relações, por meio de valores posicionais atribuídos a diferentes ordens moronciais e espirituais nos conjuntos compostos desses seres diversos. Esses artistas fazem arranjos com os seres supramateriais, como vós fazeis com as notas musicais, com os aromas e panoramas vivos, combinando-os em hinos de glória.
44:6.8 (506.9) 6. Os modeladores do gosto. E como lhes falar sobre esses artistas?! Palidamente, eu poderia sugerir que são aqueles que aperfeiçoam o gosto moroncial; e também que eles se empenham em estimular a apreciação da beleza, aguçando os sentidos do espírito em evolução.
44:6.9 (507.1) 7. Os sintetizadores moronciais. Estes são os artífices-mestres que, quando todos os outros houverem dado as suas respectivas contribuições, então, eles acrescentarão os toques finais e culminantes ao conjunto moroncial, realizando, assim, um retrato inspirado, divinamente belo, de inspiração duradoura, para os seres espirituais e para os seus aliados moronciais. Deveis, todavia, aguardar a vossa libertação do corpo animal, para que possais começar a conceber as glórias artísticas e as belezas estéticas dos mundos moronciais e espirituais.
44:7.1 (507.2) Estes artistas não se ocupam da música, nem da pintura, nem de nada semelhante, como vós seríeis levados a supor. Ocupam-se da manipulação e da organização de forças especializadas e energias que estão presentes no mundo do espírito, mas que não são reconhecíveis pelos mortais. Se eu tivesse a menor base possível para comparar, eu tentaria retratar esse campo único de realização do espírito. Mas me desanimo — não há nenhuma esperança de poder transmitir às mentes mortais esse âmbito da arte celeste. Contudo, aquilo que não pode ser descrito, pode ser sugerido:
44:7.2 (507.3) A beleza, o ritmo e a harmonia estão intelectualmente associados e são espiritualmente afins. A verdade, o fato e as relações são intelectualmente inseparáveis e estão associados aos conceitos filosóficos da beleza. A bondade, a retidão e a justiça estão filosoficamente inter-relacionadas e espiritualmente unidas à verdade viva e à beleza divina.
44:7.3 (507.4) Os conceitos cósmicos da verdadeira filosofia, o retrato da arte celestial, ou a tentativa mortal de recriar o reconhecimento humano da beleza divina, não podem jamais ser satisfatórios verdadeiramente, se tal progressão intentada pela criatura não houver sido unificada. Essas expressões do impulso divino, dentro da criatura em evolução, podem ser intelectualmente verdadeiras, emocionalmente belas e espiritualmente boas; mas a verdadeira alma da expressão permanece ausente, a menos que as realidades da verdade, os significados da beleza e os valores da bondade estejam unificados na experiência de vida do artesão, cientista ou filósofo.
44:7.4 (507.5) Essas qualidades divinas estão unificadas, perfeita e absolutamente, em Deus. E todo homem, ou anjo, conhecedor de Deus possui o potencial ilimitado da auto-expressão, em níveis sempre progressivos de auto-realização, unificada pela técnica da busca sem fim pela semelhança com Deus — a combinação experiencial, na experiência evolucionária, da verdade eterna à beleza universal e à bondade divina.
44:8.1 (507.6) Embora os artesãos celestes não trabalhem pessoalmente nos planetas materiais, tais como Urântia, eles vêm, de tempos em tempos, das sedes-centrais do sistema para prestar ajuda aos indivíduos naturalmente dotados das raças mortais. Quando assim designados esses artesãos trabalham temporariamente sob a supervisão dos anjos planetários do progresso. As hostes seráficas cooperam com esses artesãos na tentativa de ajudar àqueles artistas mortais que possuem dons inatos, e que também possuem Ajustadores de experiência especial e prévia.
44:8.2 (507.7) Há três fontes possíveis de habilidade especial humana. Na base, existe sempre a aptidão inerente ou natural. A habilidade especial nunca é um dom arbitrário dos Deuses; há sempre uma fundação ancestral para todo o talento que se sobressai. Além dessa habilidade natural, ou antes, em suplemento a ela, pode haver a contribuição dos guiamentos do Ajustador do Pensamento, naqueles indivíduos cujos Ajustadores residentes tenham passado por experiências reais e autênticas, no mesmo domínio, em outros mundos e com outras criaturas mortais. Nesses casos, em que tanto a mente humana quanto o Ajustador residente são excepcionalmente hábeis, os artesãos do espírito podem ser delegados para atuar como harmonizadores desses talentos e também para dar assistência a tais mortais e inspirá-los na procura de ideais cada vez mais perfeccionados e intentar criar ilustrações elevadas para a edificação do reino.
44:8.3 (508.1) Não há castas nas fileiras dos artesãos do espírito. Não importa quão pouco elevada seja a vossa origem; se tiverdes a habilidade e o dom da expressão, ganhareis o reconhecimento adequado e recebereis a devida apreciação quando ascenderdes na escala da experiência moroncial e da realização espiritual. Não pode haver limitação de hereditariedade humana, nem privação causada pelo ambiente mortal, que a carreira moroncial não vá compensar plenamente nem remover inteiramente. E todas essas satisfações de realização artística e auto-realização da expressividade serão confirmadas pelos vossos próprios esforços pessoais no avanço progressivo. Assim, afinal, as aspirações, durante a mediocridade evolucionária, podem ser realizadas. Ainda que os Deuses não confiram arbitrariamente talentos e habilidades aos filhos do tempo, eles proporcionam a realização da satisfação de todas as suas aspirações nobres e a gratificação para toda a fome humana de auto-expressão superna.
44:8.4 (508.2) Mas todo ser humano deveria lembrar: Muitas das ambições de sobressair, que exasperam os mortais na carne, não perdurarão, nesses mesmos mortais, nas suas carreiras moronciais e espirituais. Os seres moronciais ascendentes aprendem a socializar as suas antigas aspirações e ambições puramente pessoais e egoístas. Entretanto, as coisas que houverdes desejado muito honestamente fazer na Terra, e que as circunstâncias tão persistentemente vos negaram, depois de adquirirdes o verdadeiro discernimento interior da mota, na carreira moroncial, se ainda as desejardes fazer, então, com toda certeza, ser-vos-á concedida toda oportunidade para satisfazerdes, totalmente, os vossos desejos, alimentados durante tanto tempo.
44:8.5 (508.3) Antes que os mortais ascendentes deixem o universo local para embarcar nas suas carreiras espirituais, eles irão saciar-se de todas as aspirações, ou de verdadeira ambição intelectual, artística e social, que tenham sempre caracterizado os seus planos mortais ou moronciais de existência. Essa realização de igualdade entre a satisfação da auto-expressão e auto-realização, então, ocorre, mas não é a realização de um estado experiencial que seja idêntico ao ideal, não chegando também à completa obliteração da individualidade, em matéria de habilidade técnica e de expressão. O novo diferencial entre a realização pessoal e a realização experiencial do espírito, contudo, não irá tornar-se assim nivelado e equalizado, enquanto vós não houverdes acabado de percorrer o último círculo da carreira de Havona. E, então, residentes do Paraíso, deparar-vos-eis com a necessidade de ajustar-vos, acertando aquela diferença absonita, na experiência pessoal, que só pode ser completada com a realização grupal do último dos estados da criatura — o sétimo estágio no destino do espírito dos finalitores mortais.
44:8.6 (508.4) E é essa a história dos artesãos celestes, aquele corpo cosmopolita de trabalhadores raros que realizam tanto para glorificar as esferas arquitetônicas com as representações artísticas da beleza divina dos Criadores do Paraíso.
44:8.7 (508.5) [Ditado por um Arcanjo de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 45
45:0.1 (509.1) O CENTRO administrativo de Satânia consiste em um agrupamento de esferas arquitetônicas, em um total de cinqüenta e sete: a própria Jerusém, sete satélites maiores e quarenta e nove subsatélites. Embora Jerusém, a capital do sistema, tenha quase cem vezes o tamanho de Urântia, mesmo nessa proporção, a sua gravidade é ligeiramente menor. Os satélites principais de Jerusém são os sete mundos de transição, cada um deles sendo cerca de dez vezes maior que Urântia; enquanto os sete subsatélites dessas esferas de transição têm aproximadamente o tamanho de Urântia.
45:0.2 (509.2) Os sete mundos das mansões são os sete subsatélites do mundo de transição número um.
45:0.3 (509.3) Todo esse sistema de cinqüenta e sete mundos arquitetônicos é independentemente iluminado, aquecido, abastecido de água e energizado pela coordenação do Centro de Potência de Satânia e os Mestres Controladores Físicos, de acordo com a técnica estabelecida pela organização física e os dispositivos dessas esferas especialmente criadas. Elas também são fisicamente cuidadas e mantidas, sob outros aspectos, pelos espornágias nativos.
45:1.1 (509.4) Os sete mundos principais que giram em torno de Jerusém geralmente são conhecidos como as esferas de cultura de transição. Os seus governantes são designados, de tempos em tempos, pelo conselho executivo supremo de Jerusém. Essas esferas são numeradas e nomeadas do seguinte modo:
45:1.2 (509.5) Número 1. O Mundo Finalitor. Esta é a sede-central do corpo de finalitores do sistema local, ela encontra-se rodeada dos mundos de recepção, os sete mundos das mansões, devotados integralmente ao esquema de ascensão mortal. O mundo dos finalitores é acessível aos habitantes de todos os sete mundos das mansões. Os serafins de transporte levam e trazem as personalidades ascendentes nas peregrinações destinadas ao cultivo da sua fé para o destino último dos mortais em transição. Embora os finalitores e as suas estruturas não sejam, em geral, perceptíveis para a visão moroncial, vós ficareis mais do que emocionados quando, de tempos em tempos, os transformadores de energia e os Supervisores do Poder Moroncial vos capacitarem, momentaneamente, para que possais enxergar essas personalidades elevadas do espírito, que, na verdade, já completaram a ascensão ao Paraíso e retornaram, a esses mesmos mundos onde vós estais começando a vossa longa jornada, para garantir que possais e que ireis mesmo completar também a vossa estupenda tarefa. Todos aqueles que permanecem nos mundos das mansões vão à esfera finalitora, pelo menos uma vez por ano, para tais assembléias de visualização dos finalitores.
45:1.3 (510.1) Número 2. O Mundo Moroncial. Este planeta é a sede-central dos supervisores da vida moroncial e está rodeado das sete esferas nas quais os chefes moronciais educam os seus companheiros e ajudantes, todos eles seres moronciais e mortais ascendentes.
45:1.4 (510.2) Passando pelos sete mundos das mansões, vós ireis também avançar, seguindo por essas esferas culturais e sociais de contato moroncial crescente. Quando avançardes do primeiro para o segundo mundo das mansões, adquirireis o direito de permissão para visita à sede-central de transição número dois, o mundo moroncial, e assim por diante. E, quando estiverdes presentes em qualquer dessas seis esferas culturais, podereis, a convite, visitar e observar qualquer um dentre os sete mundos dos grupos de atividades interligadas que as rodeiam.
45:1.5 (510.3) Número 3. O Mundo Angélico. Esta é a sede-central de todas as hostes seráficas empenhadas nas atividades do sistema, e é rodeada pelos sete mundos de educação e de instrução Angélica, os quais são as esferas sociais seráficas.
45:1.6 (510.4) Número 4. O Mundo Superangélico. Esta esfera é o lar, em Satânia, dos Brilhantes Estrelas Vespertinas e de uma vasta congregação de seres coordenados e quase-coordenados. Os sete satélites desse mundo são destinados aos sete grupos maiores desses seres celestes desprovidos de uma denominação.
45:1.7 (510.5) Número 5. O Mundo dos Filhos. Este planeta é a sede-central dos Filhos divinos de todas as ordens, incluindo os filhos trinitarizados por criaturas. Os sete mundos que o rodeiam são devotados a certos agrupamentos individuais desses filhos de conexão divina.
45:1.8 (510.6) Número 6. O Mundo do Espírito. Esta esfera serve de local de encontro para as altas personalidades do Espírito Infinito, no sistema. Os sete satélites que a rodeiam são destinados aos grupos individuais dessas diversas ordens. Mas, no mundo de transição de número seis, não há representação local alguma do Espírito, nem a presença dele é para ser observada nas capitais dos sistemas; a Ministra Divina de Sálvington está em todos os lugares de Nébadon.
45:1.9 (510.7) Número 7. O Mundo do Pai. Esta é a esfera silenciosa do sistema. Nenhum grupo de seres fica domiciliado ali. O grande templo da luz ocupa um lugar central, mas lá dentro não se pode discernir ninguém. Todos os seres, de todos os mundos do sistema, são bem-vindos como adoradores.
45:1.10 (510.8) Os sete satélites em torno do mundo do Pai são utilizados de modos variados nos diferentes sistemas. Em Satânia, estão agora sendo usados como esferas de detenção para os grupos aprisionados da rebelião de Lúcifer. A capital da constelação, Edêntia, não tem mundos de prisão análogos; os poucos serafins e querubins que se uniram aos rebeldes, na rebelião de Satânia, foram há muito confinados nesses mundos de isolamento de Jerusém.
45:1.11 (510.9) Como hóspedes do sétimo mundo das mansões, tereis acesso ao sétimo mundo de transição, a esfera do Pai Universal, e também vos é permitido visitar os mundos-prisão de Satânia em torno desse planeta, onde agora estão confinados Lúcifer e a maioria das personalidades que o seguiram na rebelião contra Michael. E esse triste espetáculo tem sido observado durante as idades recentes e continuará a servir como um aviso solene a todo o Nébadon, até que os Anciães dos Dias julguem os pecados de Lúcifer e dos seus parceiros caídos, que rejeitaram a salvação oferecida por Michael, o Pai deles, no universo.
45:2.1 (511.1) O dirigente executivo de um sistema local de mundos habitados é um Filho Lanonandeque primário, o Soberano do Sistema. No nosso universo local, a esses soberanos são confiadas as grandes responsabilidades executivas; são dadas a eles prerrogativas pessoais incomuns. Nem todos universos, no entanto, nem mesmo Orvônton, encontram-se tão organizados a ponto de permitir que os Soberanos dos Sistemas exerçam poderes decisórios tão inusitadamente amplos de arbítrio pessoal, ao dirigirem os assuntos do sistema. Todavia, ainda assim, em toda a história de Nébadon, apenas por três vezes esses executivos sem limitações demonstraram deslealdade. A rebelião de Lúcifer, no sistema de Satânia, foi a mais recente e de âmbito mais amplo.
45:2.2 (511.2) Em Satânia, mesmo depois desse levante desastroso, absolutamente nenhuma mudança foi implementada na técnica da administração do sistema. O atual Soberano do Sistema possui todo o poder e exerce toda a autoridade com a qual foi investido o seu predecessor indigno, exceto por algumas questões, agora sob a supervisão dos Pais da Constelação, questões estas que os Anciães dos Dias ainda não restituíram plenamente a Lanaforge, o sucessor de Lúcifer.
45:2.3 (511.3) O atual dirigente de Satânia é um governante amável e brilhante; sendo um soberano testado contra rebeliões. Quando serviu como Soberano assistente de Sistema, Lanaforge foi fiel a Michael, em um levante anterior no universo de Nébadon. Esse poderoso e brilhante Senhor de Satânia é um administrador testado e aprovado. Na época da segunda rebelião, em um sistema em Nébadon, quando o Soberano do Sistema tropeçou e caiu na escuridão, Lanaforge, o primeiro assistente desse dirigente em erro, tomou as rédeas do governo para, então, conduzir os assuntos do sistema de um modo tal que relativamente poucas personalidades se perdessem, seja nos mundos sedes-centrais, seja nos planetas habitados daquele sistema desafortunado. Lanaforge traz a distinção de ser o único Filho Lanonandeque primário, em todo o Nébadon, que, nesse caso, funcionou lealmente a serviço de Michael, e mesmo diante da falta do seu irmão de autoridade superior e classe precedente. Lanaforge provavelmente não será removido de Jerusém, até que todos os resultados da loucura anterior hajam sido superados e os produtos da rebelião sejam expurgados de Satânia.
45:2.4 (511.4) Se bem que nem todos os assuntos dos mundos isolados de Satânia hajam sido remetidos à sua jurisdição, Lanaforge demonstra grande interesse pelo bem-estar deles e é um visitante freqüente de Urântia. Como em outros sistemas normais, o Soberano preside ao conselho dos governantes dos mundos, dos Príncipes Planetários e governadores gerais residentes dos mundos isolados. Esse conselho planetário reúne-se, de tempos em tempos, na sede-central do sistema — “Quando os Filhos de Deus congregam-se”.
45:2.5 (511.5) Uma vez por semana, a cada dez dias, em Jerusém, o Soberano realiza um conclave com algum dos grupos das várias ordens de personalidades domiciliadas no mundo sede-central. Estas são horas encantadoramente informais em Jerusém; e são ocasiões para jamais serem esquecidas. Em Jerusém, existe um clima maximizado de fraternidade entre todas as várias ordens de seres e entre cada um desses grupos e os Soberanos de Sistemas.
45:2.6 (511.6) Essas reuniões singulares ocorrem no mar de cristal, o grande campo de reuniões da capital do sistema. São ocasiões puramente sociais e espirituais; nada que diga respeito à administração planetária, nem mesmo ao plano ascendente, é jamais discutido. Os mortais ascendentes congregam-se, nesses momentos, meramente para desfrutar e estar com os seus companheiros jerusemitas. Os grupos que não estão sendo recebidos pelo Soberano, nessas reuniões semanais de descanso, reúnem-se nas suas próprias sedes.
45:3.1 (512.1) O dirigente executivo de um sistema local, o Soberano do Sistema, é sempre apoiado por dois ou três Filhos Lanonandeques, que atuam como primeiro e segundo assistentes. Entretanto, no momento presente, o sistema de Satânia está sendo administrado por uma junta de sete Lanonandeques:
45:3.2 (512.2) 1. O Soberano do Sistema — Lanaforge, número 2 709 da ordem primária e sucessor do apóstata Lúcifer.
45:3.3 (512.3) 2. O primeiro assistente do Soberano — Mansurótia, número 17 841 dos Lanonandeques terciários. Ele foi despachado para Satânia junto com Lanaforge.
45:3.4 (512.4) 3. O segundo assistente do Soberano — Sadib, número 271 402 da ordem terciária. Sadib também veio para Satânia junto com Lanaforge.
45:3.5 (512.5) 4. O custódio do sistema — Holdant, número 19 do corpo terciário, encarregado do controle de todos os espíritos acima da ordem da existência mortal, que se encontram confinados. Holdant também veio para Satânia com Lanaforge.
45:3.6 (512.6) 5. O registrador do sistema — Vílton, o secretário do ministério Lanonandeque do sistema de Satânia, número 374 da terceira ordem. Vílton era um membro do grupo original de Lanaforge.
45:3.7 (512.7) 6. O diretor das auto-outorgas — Fortant, número 319 847 das reservas dos Lanonandeques secundários, e temporariamente diretor de todas as atividades do universo transplantadas para Jerusém, desde a auto-outorga de Michael, em Urântia. Fortant esteve ligado à assessoria de Lanaforge por mil e novecentos anos do tempo de Urântia.
45:3.8 (512.8) 7. O conselheiro elevado — Hanavard, número 67 dos Filhos Lanonandeques primários, e membro do elevado corpo de conselheiros e coordenadores do universo. Ele atua como presidente em exercício do conselho executivo de Satânia. Hanavard é o décimo-segundo dessa ordem a servir em Jerusém, desde a rebelião de Lúcifer.
45:3.9 (512.9) Esse grupo executivo de sete Lanonandeques constitui a administração de emergência, ampliada, tornada necessária por exigência da rebelião de Lúcifer. Apenas as cortes menores são realizadas em Jerusém, já que o sistema é a unidade de administração, não de julgamento, mas a administração Lanonandeque é apoiada pelo conselho executivo de Jerusém, o corpo supremo do conselho de Satânia. Esse conselho consiste de doze membros:
45:3.10 (512.10) 1. Hanavard, o presidente Lanonandeque.
45:3.11 (512.11) 2. Lanaforge, o Soberano do Sistema.
45:3.12 (512.12) 3. Mansurótia, o primeiro assistente do Soberano.
45:3.13 (512.13) 4. O dirigente dos Melquisedeques de Satânia.
45:3.14 (512.14) 5. O diretor em exercício dos Portadores da Vida de Satânia.
45:3.15 (512.15) 6. O dirigente dos finalitores de Satânia.
45:3.16 (512.16) 7. O Adão original de Satânia, o chefe supervisor dos Filhos Materiais.
45:3.17 (512.17) 8. O diretor das hostes seráficas de Satânia.
45:3.18 (512.18) 9. O chefe dos controladores físicos de Satânia.
45:3.19 (512.19) 10. O diretor dos Supervisores do Poder Moroncial do sistema.
45:3.20 (513.1) 11. O diretor em exercício das criaturas intermediárias do sistema, em exercício.
45:3.21 (513.2) 12. O comandante em exercício do corpo dos mortais ascendentes.
45:3.22 (513.3) Esse conselho elege, periodicamente, três membros para representar o sistema local no conselho supremo da sede-central do universo, mas tal representação está suspensa por causa da rebelião. Satânia agora tem um observador na sede-central do universo local, porém, desde a auto-outorga de Michael, o sistema retomou a eleição de dez membros para a legislatura de Edêntia.
45:4.1 (513.4) No centro dos sete círculos residenciais angélicos, em Jerusém, está localizada a sede-central do conselho consultor de Urântia, com os quatro-e-mais-vinte conselheiros. João, o Revelador, chamou-os de os vinte e quatro Anciães: “E, ao redor do trono, havia vinte e quatro assentos e, nos assentos, eu vi vinte e quatro Anciães assentados, vestidos de togas brancas”. O trono, ao centro desse grupo, é o assento do juízo do arcanjo que preside ao trono da lista de chamada da ressurreição, em misericórdia e em justiça, para todo o Satânia. Esse juízo tem acontecido sempre em Jerusém, mas os vinte e quatro assentos à sua volta foram colocados em posição, há não mais do que mil e novecentos anos, logo depois que Cristo Michael foi elevado à soberania plena de Nébadon. Esses quatro-e-vinte conselheiros são os seus agentes pessoais em Jerusém, e têm autoridade para representar o Filho Mestre em todas as questões que concernem às listas de chamadas de Satânia e em muitas outras fases do esquema da ascensão mortal nos mundos isolados do sistema. São os agentes designados para executar as solicitações especiais de Gabriel e os mandados pouco habituais de Michael.
45:4.2 (513.5) Esses vinte e quatro conselheiros foram recrutados das oito raças de Urântia, e os últimos desse grupo foram congregados na época da lista de chamada da ressurreição feita por Michael, mil e novecentos anos atrás. Esse conselho consultor de Urântia é constituído pelos seguintes membros:
45:4.3 (513.6) 1. Onagar, a mente-mestra da idade anterior ao Príncipe Planetário, que dirigiu os seus companheiros na adoração do “Doador do Alento”.
45:4.4 (513.7) 2. Mansant, o grande educador da idade pós-Príncipe Planetário, em Urântia, que orientou os seus companheiros para a veneração da “Grande Luz”.
45:4.5 (513.8) 3. Onamonalonton, um líder muito antigo dos homens vermelhos e aquele que afastou essa raça da adoração de deuses múltiplos conduzindo-a à veneração do “Grande Espírito”.
45:4.6 (513.9) 4. Orlandof, um príncipe dos homens azuis e líder deles no reconhecimento da divindade do “Chefe Supremo”.
45:4.7 (513.10) 5. Porshunta, o oráculo da extinta raça alaranjada e o líder desse povo na adoração do “Grande Mestre”.
45:4.8 (513.11) 6. Singlangton, o primeiro dos homens amarelos a ensinar e a liderar o seu povo na adoração da “Verdade Única”, em lugar de muitas. Há milhares de anos, o homem amarelo já sabia da existência do único Deus.
45:4.9 (513.12) 7. Fantad, aquele que livrou os homens verdes das trevas e que foi o seu líder na adoração da “Única Fonte da Vida”.
45:4.10 (513.13) 8. Orvonon, aquele que trouxe a luz às raças índigo-negras e o líder delas, de então, no serviço ao “Deus dos Deuses”.
45:4.11 (514.1) 9. Adão, o desacreditado, mas reabilitado pai planetário de Urântia, um Filho Material de Deus que foi relegado à semelhança da carne mortal, mas que sobreviveu e, posteriormente, foi elevado a essa posição por decreto de Michael.
45:4.12 (514.2) 10. Eva, a mãe da raça violeta de Urântia, que sofreu a punição pelo erro, junto com o seu companheiro; e que também foi reabilitada com ele e designada para servir neste grupo de sobreviventes mortais.
45:4.13 (514.3) 11. Enoch, o primeiro dos mortais de Urântia a fusionar-se com o Ajustador do Pensamento durante a vida mortal na carne.
45:4.14 (514.4) 12. Moisés, o emancipador de uma parte remanescente da raça violeta submergida e incentivador da restauração da adoração do Pai Universal sob o nome de “O Deus de Israel”.
45:4.15 (514.5) 13. Elias, uma alma de brilhante êxito espiritual, transladada durante a idade pós-Filho Material.
45:4.16 (514.6) 14. Maquiventa Melquisedeque, o único Filho dessa ordem a auto-outorgar a si próprio às raças de Urântia. Se bem que ainda continue sendo numerado como um Melquisedeque, ele transformou-se “para sempre em um ministro dos Altíssimos”, assumindo eternamente o compromisso do serviço como mortal ascendente, tendo estado em Urântia à semelhança da carne mortal, em Salém, nos dias de Abraão. Esse Melquisedeque foi recentemente proclamado Príncipe Planetário vice-regente de Urântia, com sede-central em Jerusém e com autoridade para atuar em nome de Michael, que atualmente é o Príncipe Planetário do mundo onde experienciou, na forma humana, a sua auto-outorga final. Apesar disso, Urântia é supervisionada ainda por governadores gerais residentes sucessivos, membros dos quatro-e-vinte conselheiros.
45:4.17 (514.7) 15. João Batista, o predecessor da missão de Michael em Urântia e, na carne, primo distante do Filho do Homem.
45:4.18 (514.8) 16. 1-2-3 o Primeiro, líder das criaturas intermediárias leais a serviço de Gabriel, na época da traição de Caligástia; elevado a esta posição por Michael logo depois de entrar em soberania incondicional.
45:4.19 (514.9) Essas personalidades selecionadas estão, atualmente, eximidas do regime ascensional, por solicitação de Gabriel; e não temos nenhuma idéia de quanto tempo eles podem servir nessas funções.
45:4.20 (514.10) Os assentos de números 17, 18, 19 e 20 não são ocupados de modo permanente. Estão temporariamente ocupados, por consentimento unânime dos dezesseis membros permanentes, mas são mantidos abertos para a designação futura de mortais ascendentes da idade atual de pós-outorga de um Filho em Urântia.
45:4.21 (514.11) Os assentos 21, 22, 23 e 24 estão do mesmo modo preenchidos temporariamente; e são mantidos reservados para os grandes mestres de idades posteriores, que se seguirão, indubitavelmente, à idade presente. As eras dos Filhos Magisteriais e dos Filhos Instrutores, bem como as idades de luz e vida estão sendo antecipadas para Urântia, sejam quais forem as visitações inesperadas de Filhos divinos que possam ou não ocorrer.
45:5.1 (514.12) As grandes divisões da vida celeste têm as suas sedes-centrais, e as suas imensas reservas, em Jerusém, incluindo as várias ordens de Filhos divinos, de espíritos elevados, de superanjos, de anjos e de criaturas intermediárias. A morada central desse setor maravilhoso é o templo principal dos Filhos Materiais.
45:5.2 (515.1) O domínio dos Adãos é o centro de atração, para todos os recém-chegados em Jerusém. É uma área enorme que consiste de mil centros, se bem que cada família, de Filhos e Filhas Materiais, viva em um domínio próprio, até a época da partida dos seus membros para o serviço nos mundos evolucionários do espaço, ou até o seu embarque na carreira de ascensão ao Paraíso.
45:5.3 (515.2) Esses Filhos Materiais são o tipo mais elevado de seres que se reproduzem por meio do sexo, os quais podem ser encontrados nas esferas de educação dos universos em evolução. E são realmente materiais; mesmo os Adãos e as Evas Planetários são totalmente visíveis para as raças mortais dos mundos habitados. Esses Filhos Materiais são o último vínculo físico, na cadeia das personalidades, que se estende desde a divindade e a perfeição acima, até a humanidade e a existência material abaixo. Esses Filhos proporcionam aos mundos habitados uma intermediação de contato mútuo entre o Príncipe Planetário invisível e as criaturas materiais dos reinos.
45:5.4 (515.3) No último recenseamento milenar, em Sálvington, havia o registro, em Nébadon, de 161 432 840 Filhos e Filhas Materiais, com status de cidadania, nas capitais dos sistemas locais. O número de Filhos Materiais varia nos diferentes sistemas; e o seu número está aumentando constantemente pela reprodução natural. No exercício das suas funções de reprodução, eles não são guiados inteiramente apenas pelos desejos pessoais das personalidades envolvidas, mas, também, pelos conselhos consultivos e pelo corpo mais elevado de governantes.
45:5.5 (515.4) Esses Filhos e Filhas Materiais são os habitantes permanentes de Jerusém e seus mundos interligados. Eles ocupam vastas áreas em Jerusém e participam liberalmente da direção local da esfera da capital, administrando praticamente todos os assuntos de rotina, com a assistência de criaturas intermediárias e seres ascendentes.
45:5.6 (515.5) Em Jerusém, esses Filhos reprodutores têm a permissão para fazer experimentos com os ideais de autogoverno, segundo a maneira dos Melquisedeques; e estão concretizando um tipo muito elevado de sociedade. Às ordens mais elevadas de filiação reservam-se as funções do veto no reino; no entanto, para quase todos os aspectos, os adamitas de Jerusém governam a si próprios por meio do sufrágio universal em governo representativo. Dentro de algum tempo, eles esperam que lhes seja concedida uma autonomia virtualmente completa.
45:5.7 (515.6) O caráter do serviço dos Filhos Materiais é grandemente determinado pelas idades deles. Conquanto não sejam ainda elegíveis para serem admitidos na Universidade Melquisedeque de Sálvington — sendo materiais e comumente limitados a certos planetas — , entretanto, os Melquisedeques mantêm fortes corpos docentes nas faculdades das sedes-centrais de cada sistema, para a instrução das gerações mais jovens desses Filhos Materiais. Os sistemas de aperfeiçoamento educacional e espiritual, providos para o desenvolvimento dos Filhos e Filhas Materiais mais jovens, são o máximo da perfeição em termos de metas nas técnicas e nas aplicações práticas.
45:6.1 (515.7) Os Filhos e Filhas Materiais, junto com os seus filhos, são um espetáculo atraente que nunca deixa de despertar a curiosidade e atrair a atenção de todos os mortais ascendentes. Tão semelhantes eles são às vossas próprias raças materiais sexuadas, que encontrareis de parte a parte um grande interesse comum, nos pensamentos e nas ocupações, quando da vossa época de contato fraterno.
45:6.2 (515.8) Os sobreviventes mortais passam grande parte do seu lazer na capital do sistema, observando e estudando os hábitos de vida e conduta dessas criaturas sexuadas superiores semifísicas, pois esses cidadãos de Jerusém são os padrinhos e mentores imediatos dos sobreviventes mortais desde o momento no qual atingem a cidadania no mundo-sede até o da partida para Edêntia.
45:6.3 (516.1) Nos sete mundos das mansões, os mortais ascendentes têm amplas oportunidades de compensar todas e quaisquer privações experienciais sofridas nos seus mundos de origem, seja devido à herança, ao ambiente ou a um término prematuro infeliz da carreira na carne. Isso é verdadeiro em todos os sentidos, salvo para a vida sexual mortal e para os ajustamentos que a acompanham. Milhares de mortais alcançam os mundos das mansões sem se haverem beneficiado particularmente da disciplina derivada das relações sexuais usuais nas suas esferas de nascimento. A experiência nos mundos das mansões pouca oportunidade pode dar para compensar essas privações bastante pessoais. A experiência sexual, em um sentido físico, faz parte do passado para os seres ascendentes; entretanto, na associação estreita com os Filhos e Filhas Materiais, tanto individualmente quanto como membros das suas famílias, esses mortais sexualmente carentes serão capazes de compensar os aspectos sociais, intelectuais, emocionais e espirituais em tudo o que houverem sido deficientes. Assim, a todos aqueles humanos, a quem as circunstâncias ou o juízo errôneo houverem privado dos benefícios de ligações sexuais vantajosas nos mundos evolucionários, aqui, na capital do sistema, são oferecidas oportunidades plenas de adquirir essas experiências mortais essenciais, em associação íntima e amorosa com as supernas criaturas sexuadas Adâmicas de residência permanente nas capitais dos sistemas.
45:6.4 (516.2) Nenhum mortal sobrevivente, nenhum ser intermediário, ou serafim, pode ascender ao Paraíso, alcançar o Pai, nem ser incorporado ao Corpo de Finalidade, sem haver passado pela experiência sublime de estabelecer uma relação de paternidade com as crianças em evolução, dos mundos, ou sem ter alguma outra experiência análoga e equivalente. A relação entre a criança e os seus pais é fundamental para o conceito essencial que devemos ter do Pai Universal e suas crianças no universo. Portanto, essa experiência torna-se indispensável à educação experiencial de todos os ascendentes.
45:6.5 (516.3) As criaturas intermediárias ascendentes e os serafins evolucionários devem passar por essa experiência de paternidade, em associação com os Filhos e Filhas Materiais da sede-central do sistema. Assim, esses ascendentes não-reprodutores ganham uma experiência de paternidade, ajudando aos Adãos e Evas, em Jerusém, na criação e na educação da sua progênie.
45:6.6 (516.4) Todos os mortais sobreviventes que não experimentaram a paternidade, nos mundos evolucionários, devem também adquirir esse aperfeiçoamento necessário enquanto permanecem nos lares dos Filhos Materiais de Jerusém, e como pais colaboradores desses esplêndidos pais e mães. Isso é verdade, exceto no caso em que esses mortais tenham sido capazes de compensar as suas deficiências nos berçários do sistema, localizados no primeiro mundo de cultura transicional de Jerusém.
45:6.7 (516.5) Esse berçário probatório de Satânia é mantido por algumas personalidades moronciais no mundo dos finalitores, onde a metade do planeta se dedica a esse trabalho de educar as crianças. Aqui, algumas crianças, filhas dos mortais sobreviventes, são recebidas e recompostas, tais como aquelas que pereceram nos mundos evolucionários antes de adquirirem o status espiritual como indivíduos. A ascensão de qualquer dos seus progenitores naturais garante que a essa criança mortal dos reinos seja outorgada a repersonalização, no planeta dos finalitores do sistema; e que ali lhe seja permitido demonstrar, pelo próprio livre-arbítrio subseqüente, se fará ou não a escolha de seguir o caminho da ascensão mortal dos progenitores. As crianças, aqui, apresentam-se como no mundo do seu nascimento, exceto pela ausência da diferenciação sexual. Não há reprodução à maneira mortal, após a experiência da vida nos mundos habitados.
45:6.8 (517.1) Os estudantes dos mundos das mansões que têm uma ou mais crianças no berçário probatório do mundo dos finalitores, e que apresentam deficiências quanto à experiência essencial da paternidade, podem solicitar a permissão de um Melquisedeque para efetivar a sua transferência temporária, dos deveres da ascensão, nos mundos das mansões, para o mundo dos finalitores, onde lhes é dada a oportunidade de funcionar como progenitores solidários dos seus próprios filhos e outras crianças. Esse serviço de incumbência da paternidade pode ser, mais tarde, creditado em Jerusém como equivalente à metade da educação a que esses seres ascendentes devem submeter-se nas famílias dos Filhos e Filhas Materiais.
45:6.9 (517.2) O berçário probatório é supervisionado por mil casais de Filhos e Filhas Materiais, voluntários das colônias da sua ordem em Jerusém. Eles são diretamente assistidos por cerca de um número igual de grupos de pais midsonitas voluntários, os quais se detêm aqui para prestar esse serviço, no seu caminho do mundo midsonita de Satânia, a um destino não revelado, nos mundos especiais que lhes são reservados entre as esferas dos finalitores de Sálvington.
45:7.1 (517.3) Os Melquisedeques são os diretores do grande corpo de instrutores — de criaturas volitivas parcialmente espiritualizadas e outras — os quais funcionam de modo tão satisfatório em Jerusém e seus mundos interligados, mas especialmente nos sete mundos das mansões. Estes são os planetas de detenção, onde os mortais que não conseguiram a realização da fusão com os seus Ajustadores residentes, durante a vida na carne, são reabilitados na forma transitória, para receber mais ajuda e desfrutar de uma oportunidade ampla de continuar seus esforços de realização espiritual, os mesmos esforços que foram prematuramente interrompidos pela morte. Ou se, por qualquer outra razão, por alguma dificuldade hereditária, de ambiente desfavorável, ou por conspiração das circunstâncias, a realização dessa alma não houver sido completada, não importa o motivo, todos aqueles que têm um propósito verdadeiro e são dignos, em espírito, encontram-se a si próprios, tais como eles próprios são, presentes nos planetas de continuação, onde devem aprender a ter a mestria daquilo que é essencial à carreira eterna, e possuir, eles próprios, os traços que não adquiriram, ou que não puderam adquirir, durante o tempo de vida na carne.
45:7.2 (517.4) Os Brilhantes Estrelas Vespertinas (e os seus coordenados, não denominados) freqüentemente servem como educadores nas várias missões educacionais do universo, incluindo as promovidas pelos Melquisedeques. Os Filhos Instrutores da Trindade também colaboram, conferindo os toques da perfeição do Paraíso a essas escolas de educação e aperfeiçoamento progressivo. Mas nem todas essas atividades são exclusivamente dedicadas ao avanço dos mortais ascendentes; muitas estão igualmente ligadas à educação progressiva das personalidades espirituais nativas de Nébadon.
45:7.3 (517.5) Os Filhos Melquisedeques conduzem mais de trinta centros educacionais diferentes, em Jerusém. Essas escolas de aperfeiçoamento começam com o colégio de auto-avaliação e terminam com as escolas de cidadania de Jerusém, onde os Filhos e Filhas Materiais juntam-se aos Melquisedeques e a outros, no seu esforço supremo de qualificar os sobreviventes mortais para assumir as altas responsabilidades do governo representativo. Todo o universo encontra-se organizado e administrado segundo um plano representativo. O governo representativo é o ideal divino do autogoverno entre os seres que não são perfeitos.
45:7.4 (517.6) A cada cem anos do tempo do universo, um sistema seleciona os seus dez representantes para sentarem-se na legislatura da constelação. Eles são escolhidos pelo conselho de mil votantes de Jerusém, um corpo eletivo incumbido do dever de representar os grupos do sistema quanto a todas as questões delegadas ou designadas. Todos representantes ou outros delegados são selecionados pelo conselho dos mil eleitores; e devem ter sido graduados pela escola mais elevada da Universidade Melquisedeque de Administração, como também o são todos aqueles que constituem esse grupo de mil eleitores. Essa escola é mantida pelos Melquisedeques, assistidos mais recentemente pelos finalitores.
45:7.5 (518.1) Existem muitos corpos eletivos em Jerusém e, de tempos em tempos, estes são escolhidos como autoridades, por três ordens de cidadania — a dos Filhos e Filhas Materiais, a dos serafins e dos seus companheiros, inclusive as criaturas intermediárias, e a dos mortais ascendentes. Para receber a indicação, como representante de honra, um candidato deve ter obtido o reconhecimento exigido pelas escolas Melquisedeques de administração.
45:7.6 (518.2) O sufrágio é universal em Jerusém, entre esses três grupos de cidadania, mas os votos têm valores diferenciados, de acordo com o status de posse pessoal, reconhecido e devidamente registrado, da mota — a sabedoria moroncial. O voto emitido por qualquer personalidade, em uma eleição em Jerusém, tem um valor que varia de um a mil. Os cidadãos de Jerusém são assim classificados, de acordo com a sua conquista em termos de mota.
45:7.7 (518.3) De tempos em tempos, os cidadãos de Jerusém apresentam-se aos examinadores Melquisedeques, que certificam sobre o seu alcance em sabedoria moroncial. Então, eles apresentam-se perante o corpo de examinadores dos Brilhantes Estrelas Vespertinas ou seus designados, que verificam o grau do seu discernimento espiritual. Em seguida, eles comparecem à presença dos quatro-e-vinte conselheiros e colaboradores seus, que avaliam o seu status de realização experiencial de socialização. Esses três fatores são então levados aos arquivistas da cidadania do governo representativo, que rapidamente registram o seu status de mota e, de acordo com isso, demarcam as qualificações do sufrágio.
45:7.8 (518.4) Sob a supervisão dos Melquisedeques, os mortais ascendentes, especialmente aqueles que estão em atraso com a sua unificação de personalidade nos novos níveis moronciais, são levados pela mão, pelos Filhos Materiais, e recebem um aperfeiçoamento intensivo, destinado a retificar as suas deficiências. Nenhum mortal ascendente deixa a sede-central do sistema, para a carreira de socialização mais extensiva e variada da constelação, antes que esses Filhos Materiais atestem o alcance da sua realização na mota da personalidade — uma individualidade que combina a existência mortal completada, em associação experiencial com a carreira moroncial que está brotando; ambas sendo devidamente amalgamadas pelo supercontole espiritual do Ajustador do Pensamento.
45:7.9 (518.5) [Apresentado por um Melquisedeque, designado temporariamente para Urântia.]
O Livro de Urântia
Documento 46
46:0.1 (519.1) JERUSÉM, a sede-central de Satânia, é um tipo comum de capital de sistema e, à parte as inúmeras irregularidades ocasionadas pela rebelião de Lúcifer e pela auto-outorga de Michael em Urântia, é uma esfera típica entre as congêneres. O vosso sistema local tem passado por algumas experiências tempestuosas mas, no momento atual, está sendo administrado eficientemente e, à medida que as idades passam, os resultados da desarmonia vão sendo erradicados vagarosa mas eficazmente. A ordem e a boa vontade estão sendo restauradas e as condições em Jerusém aproximam-se cada vez mais do status celeste das vossas tradições, pois a sede-central do sistema é verdadeiramente o céu visualizado pela maioria dos crentes religiosos do século vinte.
46:1.1 (519.2) Jerusém é dividida em mil setores latitudinais, e em dez mil zonas longitudinais. Esta esfera tem sete capitais maiores e setenta centros administrativos menores. As sete capitais seccionais dedicam-se a diversas atividades, e o Soberano do Sistema está presente uma vez por ano, ao menos, em cada uma delas.
46:1.2 (519.3) O quilômetro-padrão de Jerusém é equivalente a cerca de onze quilômetros de Urântia. O peso-padrão, o “gradante”, é estabelecido por meio do sistema decimal a partir do ultímatom maduro e representa quase exatamente 280 gramas do vosso peso. O dia de Satânia iguala-se a três dias do tempo de Urântia, menos uma hora, quatro minutos e quinze segundos, este sendo o tempo da rotação de Jerusém em torno do próprio eixo. O ano do sistema consiste de cem dias de Jerusém. O tempo do sistema é teledifundido pelos mestres cronoldeques.
46:1.3 (519.4) A energia de Jerusém é controlada de um modo magnífico e circula em torno da esfera em canais, por zonas que são diretamente alimentadas pelas cargas de energia do espaço e administradas habilmente pelos Mestres Controladores Físicos. A resistência natural à passagem dessas energias, pelos canais físicos de condução, fornece o calor necessário à manutenção de uma temperatura uniforme adequada em Jerusém. A temperatura, à luz plena, é mantida em torno de 21 graus Celsius, enquanto, durante o período de recesso de luz, ela cai até um pouco abaixo dos 10 graus.
46:1.4 (519.5) O sistema de iluminação de Jerusém não deveria ser muito difícil de compreender para vós. Não há dias e noites, não há estações de calor e frio. Os transformadores de poder mantêm cem mil centros dos quais as energias rarefeitas são projetadas para o alto, através da atmosfera planetária, passando por algumas modificações, até que alcancem o teto elétrico de ar da esfera; e então essas energias são refletidas de volta para baixo, na forma de uma luz suave, filtrada e uniforme, com a mesma intensidade, aproximadamente, da luz do sol em Urântia, quando o sol está brilhando, às dez horas da manhã.
46:1.5 (520.1) Sob essas condições de iluminação, os raios de luz não parecem vir de um único ponto; eles filtram-se no céu, emanando igualmente de todas as direções do espaço. Essa luz é muito semelhante à luz natural do sol, exceto pelo fato de que contém muito menos calor. Por isso é que se sabe que esses mundos sedes-centrais não são luminosos no espaço; ainda que Jerusém estivesse muito próxima de Urântia, não seria visível.
46:1.6 (520.2) Os gases que refletem essas energias de luz, da ionosfera superior de Jerusém, de volta para o chão, são muito similares àqueles das camadas superiores de ar em Urântia, que são responsáveis pelos fenômenos da aurora boreal das vossas chamadas luzes setentrionais, embora estas sejam produzidas por causas diferentes. Em Urântia é esse mesmo escudo de gás que impede a ultrapassagem das ondas das transmissões terrestres, refletindo-as de volta para a Terra, quando elas tocam esse cinturão de gás, na sua trajetória direta para fora. Desse modo as teletransmissões ficam retidas perto da superfície, à medida que percorrem o ar em volta do vosso mundo.
46:1.7 (520.3) Essa iluminação da esfera é mantida uniforme durante setenta e cinco por cento do dia de Jerusém e, então, há um recesso gradual, até que, no momento de iluminação mínima, a luz torna-se semelhante à da vossa lua cheia, em uma noite clara. Essa é a hora do silêncio para toda a Jerusém. Apenas as estações de recepção das comunicações ficam em operação durante esse período de repouso e recuperação.
46:1.8 (520.4) Jerusém recebe uma pálida luz de vários sóis próximos — uma espécie de luz brilhante das estrelas — mas não depende dela; os mundos como Jerusém não estão sujeitos às vicissitudes das perturbações solares, nem se defrontam com o problema de um sol que se resfria ou morre.
46:1.9 (520.5) Os sete mundos transicionais de estudo e os seus quarenta e nove satélites são aquecidos, iluminados, energizados e irrigados pelas técnicas de Jerusém.
46:2.1 (520.6) Em Jerusém, vós ireis sentir falta das cadeias escarpadas das montanhas de Urântia, e de outros mundos evoluídos; não há nem terremotos nem chuvas, mas ireis desfrutar dos magníficos planaltos e de outras variações singulares na sua topografia e paisagem. Áreas enormes de Jerusém são preservadas em “estado natural”, e a grandeza desses setores ultrapassa, em muito, os poderes da imaginação humana.
46:2.2 (520.7) Há milhares e milhares de pequenos lagos, mas não há rios turbulentos nem oceanos imensos. Não há chuvas, nem tempestades, nem furacões em nenhum dos mundos arquitetônicos, mas há a precipitação diária em decorrência da condensação de umidade durante as horas de temperatura mais baixa que acompanha a diminuição da luz. (O ponto de orvalho é mais alto em um mundo com atmosfera de três gases, do que em um planeta de dois gases como Urântia.) A vida física das plantas e o mundo moroncial de coisas vivas, precisam, ambos, da umidade; todavia esta é amplamente suprida pelo sistema de circulação no subsolo, o qual se espalha por toda a esfera, indo até mesmo aos cumes dos planaltos. Esse sistema de irrigação não se faz inteiramente pelo subsolo, pois há muitos canais superficiais interconectando os resplandecentes lagos de Jerusém.
46:2.3 (520.8) A atmosfera de Jerusém é uma mistura de três gases. Esse ar é muito semelhante ao de Urântia, com o acréscimo de um gás adaptado à respiração das ordens moronciais de vida. Esse terceiro gás, de nenhum modo, torna o ar inadequado à respiração dos animais, nem das plantas das ordens materiais.
46:2.4 (521.1) O sistema de transporte é conjugado com as correntes circulatórias do movimento da energia, estando essas principais correntes de energia localizadas em intervalos de dezesseis quilômetros. Por meio de ajustes dos mecanismos físicos, os seres materiais do planeta podem deslocar-se a uma velocidade que varia de trezentos a oitocentos quilômetros por hora. Os pássaros de transporte voam a uma velocidade de cerca de cento e sessenta quilômetros por hora. Os mecanismos aéreos dos Filhos Materiais viajam a uma velocidade de oitocentos quilômetros por hora. Os seres materiais e os seres na sua primeira fase moroncial devem utilizar esses meios mecânicos de transporte, mas as personalidades espirituais deslocam-se por ligação com as forças superiores e as fontes espirituais de energia.
46:2.5 (521.2) Jerusém e os seus mundos interligados são dotados com as dez divisões padronizadas de vida física, características das esferas arquitetônicas de Nébadon. E, como não há evolução orgânica em Jerusém, não há formas conflitantes de vida, nenhuma luta pela existência, nenhuma sobrevivência dos mais aptos. Há, antes, uma adaptação criativa que deixa antever a beleza, a harmonia e a perfeição dos mundos eternos do universo central e divino. E, em toda essa perfeição criativa, está o entrelaçamento mais surpreendente das vidas físicas e moronciais, artisticamente realçadas pelos artesãos celestes e pelos seus afins.
46:2.6 (521.3) Jerusém, de fato, é como um antegozo da glória e grandeza paradisíacas. Mas vós não podeis jamais esperar ter uma idéia adequada desses gloriosos mundos arquitetônicos por meio de qualquer tentativa de descrição. Tão pouco há que possa ser comparado com qualquer coisa do vosso mundo e, também, as coisas de Jerusém transcendem tanto as coisas de Urântia que uma comparação ficaria quase grotesca. Antes de chegardes de fato em Jerusém, dificilmente podereis ter uma concepção verdadeira dos mundos celestes, mas isto não está tão longe no tempo futuro, quando a vossa próxima experiência na capital do sistema será comparada à vossa chegada futura em esferas ainda mais remotas de aperfeiçoamento do universo, do superuniverso e de Havona.
46:2.7 (521.4) O setor industrial e os laboratórios de Jerusém são um domínio amplo que os urantianos dificilmente iriam reconhecer, pois não têm nenhuma chaminé expelindo fumaça; contudo, há uma intrincada economia material, associada a esses mundos especiais, e há uma perfeição de técnica mecânica e realização física que iria assombrar e maravilhar até mesmo os vossos químicos e inventores mais experientes. Parai para considerar que esse primeiro mundo de retenção, na jornada até o Paraíso, é muito mais material do que espiritual. Na vossa estada em Jerusém e nos seus mundos de transição, vós estais muito mais próximos da vossa vida terrestre de coisas materiais do que na vossa vida futura de avanço na existência espiritual.
46:2.8 (521.5) O monte Seraf é o ponto mais elevado em Jerusém, com quase quatro mil e quinhentos metros de altitude; e é o ponto de partida de todos os serafins de transporte. Inúmeros desenvolvimentos mecânicos são utilizados com o fito de prover a energia inicial para escapar da gravidade do planeta e vencer a resistência do ar. Um transporte seráfico parte a cada três segundos do tempo de Urântia, durante o período iluminado; algumas vezes invadindo as horas de pouca iluminação. Os transportadores levantam vôo a uma velocidade de quarenta quilômetros por segundo, do tempo de Urântia, e não atingem a velocidade-padrão até que estejam a uma distância de três mil e duzentos quilômetros de Jerusém.
46:2.9 (521.6) Os transportes chegam ao campo de cristal, o chamado mar de vidro. Em torno dessa área estão as estações de recepção para as várias ordens de seres que atravessam o espaço por meio do transporte seráfico. Perto da estação de recepção polar de cristal, para os estudantes visitantes, vós podeis subir ao observatório aperolado e avistar um mapa imenso, em relevo, de todo o planeta-sede-central.
46:3.1 (522.1) As teletransmissões do superuniverso e do Paraíso-Havona são recebidas em Jerusém, na ligação com Sálvington, por uma técnica que envolve o cristal polar, o mar de vidro. Além dos dispositivos de recepção das comunicações vindas de fora de Nébadon, há três grupos distintos de estações receptoras. Esses grupos separados e tricirculares de estações estão ajustados para receber as transmissões dos mundos locais, das sedes-centrais das constelações e da capital do universo local. Todas essas mensagens são expostas automaticamente, de um modo tal que sejam discerníveis por todos os tipos de seres presentes ao anfiteatro central das difusões; entre todas as ocupações de um mortal ascendente em Jerusém, nenhuma é mais atraente e absorvente do que escutar a corrente sem fim de informes espaciais do universo.
46:3.2 (522.2) Essa estação de recepção e de transmissões em Jerusém está circundada por um enorme anfiteatro, construído de materiais cintilantes totalmente desconhecidos em Urântia, e onde se sentam mais de cinco bilhões de seres — materiais e moronciais — , além de acomodar inúmeras personalidades espirituais. A diversão favorita de toda a Jerusém é passar o tempo de lazer na estação difusora, para ficar sabendo sobre as condições de bem-estar e o estado geral das coisas no universo. E essa é a única atividade planetária que não fica reduzida, durante o recesso de luz.
46:3.3 (522.3) Nesse anfiteatro de recepção das teledifusões, as mensagens de Sálvington chegam continuamente. A palavra dos Pais Altíssimos das Constelações, vinda de Edêntia, a qual está próxima dali, é recebida pelo menos uma vez por dia. Periodicamente as transmissões regulares e especiais de Uversa são feitas através de Sálvington e, quando as mensagens do Paraíso estão sendo recebidas, toda a população congrega-se ao redor do mar de vidro, e os amigos de Uversa aliam o fenômeno da refletividade à técnica da transmissão do Paraíso; assim tudo o que é ouvido torna-se visível. E é dessa maneira que a antecipação contínua, da beleza avançada e da grandeza, é proporcionada aos mortais sobreviventes à medida que fazem a sua jornada adentro na aventura eterna.
46:3.4 (522.4) A estação emissora de Jerusém está localizada no pólo oposto da esfera. Todas as transmissões para os mundos individuais são retransmissões das capitais dos sistemas, exceto as mensagens de Michael que, algumas vezes, vão diretamente aos seus destinos pelos circuitos dos arcanjos.
46:4.1 (522.5) Porções consideráveis de Jerusém estão destinadas a áreas residenciais, enquanto outras porções da capital do sistema são destinadas às funções administrativas necessárias, envolvendo a supervisão dos assuntos das 619 esferas habitadas, dos 56 mundos de cultura de transição e da própria capital do sistema. Em Jerusém e em Nébadon esses arranjos são designados como a seguir:
46:4.2 (522.6) 1. Os círculos — as áreas residenciais dos não-nativos.
46:4.3 (522.7) 2. Os quadrados — as áreas do sistema executivo-administrativo.
46:4.4 (522.8) 3. Os retângulos — o ponto de encontro dos seres de vida nativa mais baixa.
46:4.5 (522.9) 4. Os triângulos — as áreas locais ou administrativas de Jerusém.
46:4.6 (522.10) Esses arranjos das atividades do sistema em círculos, quadrados, retângulos e triângulos são comuns a todas as capitais dos sistemas de Nébadon. Num outro universo, um arranjo inteiramente diferente poderia prevalecer. Essas questões são determinadas pelos diferentes planos dos Filhos Criadores.
46:4.7 (523.1) A nossa narrativa sobre essas áreas residenciais e administrativas não leva em conta as vastas e belas moradas dos Filhos Materiais de Deus, os cidadãos permanentes de Jerusém; e também não mencionamos as outras numerosas e fascinantes ordens de espíritos e criaturas quase espirituais. Por exemplo: Jerusém desfruta dos serviços eficientes dos espirongas designados a funcionar no sistema. Esses seres devotam-se à ministração espiritual em favor dos residentes e visitantes supramateriais. Eles são um grupo maravilhoso de seres inteligentes e formosos, e são mesmo os servidores de transição das criaturas moronciais mais elevadas, dos ajudantes moronciais que trabalham para a manutenção e o embelezamento de todas as criações moronciais. Eles são, em Jerusém, o que as criaturas intermediárias são em Urântia: ajudantes intermediários, funcionando entre o material e o espiritual.
46:4.8 (523.2) As capitais dos sistemas são singulares, como únicos mundos que exibem quase perfeitamente todas as três fases da existência no universo: a material, a moroncial e a espiritual. Quer sejais uma personalidade material, moroncial ou espiritual, vos sentireis em casa, em Jerusém; e é assim que se sentem também os seres combinados, entre os quais as criaturas intermediárias e os Filhos Materiais.
46:4.9 (523.3) Jerusém tem grandes edifícios, tanto do tipo material quanto moroncial, e a ornamentação das zonas puramente espirituais é não menos refinada e abundante. Tivesse eu palavras para dizer-vos das contrapartes moronciais do maravilhoso equipamento físico de Jerusém! Se apenas pudesse eu dar prosseguimento à descrição da grandeza sublime e da sutileza de perfeição dos dispositivos espirituais desse mundo sede-central! O vosso conceito mais imaginativo da perfeição, beleza e plenitude, em matéria de instalações, dificilmente aproximar-se-ia dessa grandeza. E Jerusém é apenas o primeiro patamar no caminho até a superna perfeição da beleza do Paraíso.
46:5.1 (523.4) As reservas residenciais destinadas aos grupos maiores de vida do universo são chamadas círculos de Jerusém. Esses agrupamentos de círculos, mencionados nessas narrativas, são os seguintes:
46:5.2 (523.5) 1. Os círculos dos Filhos de Deus.
46:5.3 (523.6) 2. Os círculos dos anjos e espíritos mais elevados.
46:5.4 (523.7) 3. Os círculos dos Auxiliares Universais, incluindo os dos filhos trinitarizados pelas criaturas, não designados aos Filhos Instrutores da Trindade.
46:5.5 (523.8) 4. Os círculos dos Mestres Controladores Físicos.
46:5.6 (523.9) 5. Os círculos dos mortais ascendentes designados para ali, incluindo as criaturas intermediárias.
46:5.7 (523.10) 6. Os círculos das colônias de cortesia.
46:5.8 (523.11) 7. Os círculos dos Corpos da Finalidade.
46:5.9 (523.12) Cada um desses agrupamentos de residentes consiste de sete círculos concêntricos e sucessivamente elevados. Todos são construídos ao longo das mesmas linhas, mas em tamanhos diferentes e modelados em materiais diferentes. São todos contornados por cercas de grande extensão, que se elevam formando imensos passeios que rodeiam internamente cada grupo de sete círculos concêntricos.
46:5.10 (524.1) 1. Os círculos dos Filhos de Deus. Ainda que possuam um planeta social próprio, um dos mundos de cultura de transição, os Filhos de Deus ocupam também esses extensos domínios em Jerusém. No seu mundo de cultura transicional, os mortais ascendentes misturam-se livremente a todas as ordens de filiação divina. Ali, ireis pessoalmente conhecer e amar esses Filhos; mas a vida social deles é grandemente confinada a esse mundo especial e seus satélites. Nos círculos de Jerusém, todavia, esses vários grupos de filiação podem ser observados no seu trabalho. E, como a visão moroncial é de um alcance enorme, vós podereis caminhar nos passeios dos Filhos e contemplar as atividades intrigantes das suas numerosas ordens.
46:5.11 (524.2) Esses sete círculos dos Filhos são concêntricos e sucessivamente elevados, de modo que cada um dos círculos mais externos e maiores oferece uma vista para os mais internos e menores, cada um sendo cercado por um muro que constitui um passeio público. Esses muros, construídos de gemas de cristal de brilho cintilante, são suficientemente altos, para que todos possam contemplar todos os seus círculos residenciais respectivos. Os muitos portões — de cinqüenta a cento e cinqüenta mil — , que dão entrada a cada um desses muros, são de uma só peça de cristal aperolado.
46:5.12 (524.3) O primeiro círculo do domínio dos Filhos está ocupado pelos Filhos Magisteriais e suas assessorias pessoais. Nele estão centrados todos os planos e atividades imediatas dos serviços de auto-outorga e de juízo de tais Filhos jurídicos. Também é por meio desse centro que os Avonais do sistema mantêm contato com o universo.
46:5.13 (524.4) O segundo círculo é ocupado pelos Filhos Instrutores da Trindade. Nesse domínio sagrado, os Diainais e os seus colaboradores dão prosseguimento ao aperfeiçoamento dos Filhos Instrutores primários recém-chegados. E, em todo esse trabalho, eles são assistidos de modo competente por uma divisão de alguns coordenados dos Brilhantes Estrelas Vespertinas. Os filhos trinitarizados por criaturas ocupam um setor do círculo dos Diainais. Os Filhos Instrutores da Trindade estão muito próximos de serem os representantes pessoais do Pai Universal, em um sistema local, visto que são seres originários da Trindade. Esse segundo círculo é um domínio de extraordinário interesse para todos os povos de Jerusém.
46:5.14 (524.5) O terceiro círculo é dedicado aos Melquisedeques. Nele, os chefes do sistema residem e supervisionam as atividades quase infindáveis desses Filhos versáteis. Do primeiro dos mundos das mansões em diante, durante toda a carreira dos mortais ascendentes em Jerusém, os Melquisedeques são pais adotivos e conselheiros sempre presentes. Não seria impróprio dizer que são a influência predominante em Jerusém, à parte as atividades sempre presentes dos Filhos e Filhas Materiais.
46:5.15 (524.6) O quarto círculo é o lar dos Vorondadeques e de todas as outras ordens dos Filhos visitantes e observadores que não têm moradia prevista em outro lugar. Os Pais Altíssimos das Constelações têm a sua morada nesse círculo, quando em visitas de inspeção ao sistema local. Os Perfeccionadores da Sabedoria, os Conselheiros Divinos e os Censores Universais residem todos nesse círculo, quando em missão no sistema.
46:5.16 (524.7) O quinto círculo é a morada dos Lanonandeques, a ordem de filiação dos Soberanos de Sistemas e Príncipes Planetários. Os três grupos tornam-se um único, quando estão em casa, nesse domínio. Os Filhos das reservas do sistema são mantidos nesse círculo, enquanto o Soberano do Sistema tem um templo situado no centro do grupo das estruturas de governo, na colina da administração.
46:5.17 (524.8) O sexto círculo é o local de permanência dos Portadores da Vida do sistema. As ordens desses Filhos reúnem-se ali, e dali partem para os seus compromissos nos mundos.
46:5.18 (524.9) O sétimo círculo é o ponto de encontro dos filhos ascendentes, os mortais designados que podem estar temporariamente funcionando nas sedes-centrais dos sistemas junto com os seus consortes seráficos. Os ex-mortais de status mais elevado que o de cidadãos de Jerusém, e abaixo dos finalitores, são considerados como pertencentes ao grupo, tendo a sua sede-central nesse círculo.
46:5.19 (525.1) Essas reservas circulares dos Filhos ocupam uma enorme área, e até mil e novecentos anos atrás existia um grande espaço aberto no seu centro. Essa região central agora é ocupada pelo memorial de Michael, terminado há cerca de quinhentos anos. Há quatrocentos e noventa e cinco anos, quando esse templo lhe foi dedicado, Michael esteve presente pessoalmente ali, e toda a Jerusém ouviu a história comovente da auto-outorga do Filho Mestre em Urântia, o mais insignificante dos planetas de Satânia. O memorial de Michael agora é o centro de todas as atividades abrangidas pela direção modificada do sistema, ocasionadas pela auto-outorga de Michael, incluindo a maior parte das atividades mais recentemente transferidas de Sálvington. A assessoria do memorial consiste de mais de um milhão de personalidades.
46:5.20 (525.2) 2. Os círculos dos anjos. Como a área residencial dos Filhos, estes círculos dos anjos consistem em sete círculos concêntricos e sucessivamente elevados, cada um dominando as áreas internas.
46:5.21 (525.3) O primeiro círculo dos anjos é ocupado pelas Mais Altas Personalidades do Espírito Infinito, que podem estar estacionadas no mundo sede-central — os Mensageiros Solitários e os seus colaboradores. O segundo círculo é dedicado às hostes de Mensageiros, Conselheiros Técnicos, Companheiros, Inspetores e Registradores, quando estes, porventura, de tempos em tempos, estiverem atuando em Jerusém. O terceiro círculo é ocupado pelos espíritos ministradores das ordens e agrupamentos mais elevados.
46:5.22 (525.4) O quarto círculo é ocupado pelos serafins administradores; e os serafins que servem em um sistema local, como o de Satânia, são uma “inumerável hoste de anjos”. O quinto círculo é ocupado pelos serafins planetários, enquanto o sexto é a casa dos ministros de transição. O sétimo círculo é a esfera de permanência de algumas ordens não reveladas de serafins. Os registradores de todos esses grupos de anjos não permanecem com os seus companheiros, tendo os seus domicílios no templo dos registros de Jerusém. Todos os registros são preservados em triplicata, nessa sala tríplice de arquivos. Na sede-central de um sistema, os arquivos são sempre preservados nas formas material, moroncial e espiritual.
46:5.23 (525.5) Esses sete círculos estão rodeados pelo panorama de exibição de Jerusém, que tem 8 000 quilômetros de circunferência, onde se apresenta o status do avanço dos mundos povoados de Satânia, e é constantemente revisto de modo a representar com exatidão as condições atualizadas de cada planeta, individualmente. Não duvido que esse imenso passeio, dominando os círculos dos anjos, seja a primeira vista de Jerusém a chamar a vossa atenção, quando vos for permitido um lazer mais prolongado nas vossas visitas iniciais.
46:5.24 (525.6) Essas exibições ficam a cargo dos nativos de Jerusém, mas eles são ajudados pelos seres ascendentes dos vários mundos de Satânia, que estão de permanência em Jerusém, a caminho de Edêntia. A descrição das condições planetárias e do progresso nos mundos é efetuada por muitos métodos, alguns conhecidos por vós, mas a maioria o é por meio de técnicas desconhecidas em Urântia. Essas exposições ocupam a borda exterior dessa vasta muralha. O restante do passeio é quase inteiramente aberto, sendo alta e magnificamente decorado.
46:5.25 (525.7) 3. Os círculos dos Ajudantes do Universo contêm a sede-central dos Estrelas Vespertinos situada no enorme espaço central. Aqui está localizada a sede-central de Galântia, o comandante adjunto desse grupo poderoso de superanjos, e que foi o primeiro, de todos os Estrelas Vespertinos ascendentes, a receber uma missão. Esse é um dos mais magníficos de todos os setores administrativos de Jerusém, ainda que esteja entre as construções mais recentes. Esse centro tem oitenta quilômetros de diâmetro. A sede-central de Galântia é um cristal monoliticamente fundido, totalmente transparente. Esses cristais material-moronciais são grandemente apreciados tanto pelos seres moronciais quanto pelos materiais. Os Estrelas Vespertinos criados como tais exercem a sua influência em toda a Jerusém, sendo possuidores de grandes atributos extrapessoais. Todo esse mundo adquiriu um aroma espiritual desde que muitas das suas atividades foram transferidas de Sálvington para cá.
46:5.26 (526.1) 4. Os círculos dos Mestres Controladores Físicos. As várias ordens de Mestres Controladores Físicos estão concentricamente arranjadas em torno do grande templo do poder, onde o dirigente máximo do poder preside o sistema, em associação com o dirigente dos Supervisores do Poder Moroncial. Esse templo do poder é um dos dois setores em Jerusém ao qual os mortais ascendentes e as criaturas intermediárias não têm acesso permitido. O outro é o setor desmaterializante, na área dos Filhos Materiais, uma série de laboratórios onde os serafins de transporte transformam os seres materiais em um estado muito próximo daquele da ordem moroncial de existência.
46:5.27 (526.2) 5. Os círculos dos mortais ascendentes. A área central dos círculos dos mortais ascendentes é ocupada por um grupo de 619 memoriais planetários, representantes dos mundos habitados do sistema; e essas estruturas são submetidas periodicamente a grandes mudanças. É privilégio dos mortais de cada mundo concordar, de tempos em tempos, com algumas das alterações ou acréscimos nos seus memoriais planetários. Muitas mudanças estão ainda agora sendo efetuadas nas estruturas de Urântia. O centro desses 619 templos é ocupado por uma maquete ativa de Edêntia e dos seus muitos mundos de cultura ascendente. Esse modelo tem sessenta e quatro quilômetros de diâmetro e é uma reprodução real do sistema de Edêntia, fiel ao original em cada detalhe.
46:5.28 (526.3) Os ascendentes desfrutam de servir em Jerusém e sentem prazer em observar as técnicas de outros grupos. Tudo o que é feito nesses vários círculos é aberto à plena observação de toda a Jerusém.
46:5.29 (526.4) As atividades desse mundo são de três variedades distintas: trabalho, progressão e divertimento. Colocado de outro modo, são: serviço, estudo e relaxamento. As atividades compostas consistem de relações sociais, entretenimento grupal e adoração divina. Há um grande valor educacional no congraçamento entre os diversos grupos de personalidades, ordens muito diferentes daquela dos vossos próprios companheiros.
46:5.30 (526.5) 6. Os círculos das colônias de cortesia. Os sete círculos das colônias de cortesia são ornados por três estruturas enormes: o imenso observatório astronômico de Jerusém, a gigantesca galeria de arte de Satânia e a imensa sala de reunião dos diretores de retrospecção, o teatro das atividades moronciais dedicadas ao descanso e à recreação.
46:5.31 (526.6) Os artesãos celestes dirigem os espornágias e provêem a hoste para decorações criativas e memoriais monumentais, que abundam em todos os lugares de reuniões públicas. Os estúdios desses artesãos estão entre as maiores e mais belas dentre as estruturas sem par desse mundo maravilhoso. As outras colônias de cortesia mantêm sedes-centrais imensas e de grande beleza. Muitos desses prédios são construídos inteiramente de gemas de cristal. Todos os mundos arquitetônicos têm em profusão tanto cristais, bem como os chamados metais preciosos.
46:5.32 (527.1) 7. Os círculos dos finalitores apresentam uma estrutura singular no centro. E esse mesmo templo vazio é encontrado em todos os mundos sedes-centrais dos sistemas de Nébadon. Esse edifício em Jerusém está selado com a insígnia de Michael e traz esta inscrição: “Ainda não consagrado ao sétimo estágio do espírito — ao compromisso eterno”. Gabriel colocou o selo nesse templo de mistério, e ninguém, a não ser Michael, pode ou deve romper o selo da soberania, afixado pelo Brilhante Estrela Matutino. Algum dia vós contemplareis esse templo silencioso, ainda que não possais penetrar o seu mistério.
46:5.33 (527.2) Outros círculos de Jerusém: Além desses círculos residenciais, em Jerusém há inúmeras outras moradas designadas de modo especial.
46:6.1 (527.3) As divisões executivo-administrativas do sistema estão localizadas nos imensos quadrados departamentais, em número de mil. Cada unidade administrativa está dividida em cem subdivisões de dez subgrupos cada. Esses mil quadrados estão agrupados segundo dez grandes divisões, constituindo assim os dez departamentos administrativos seguintes:
46:6.2 (527.4) 1. De manutenção física e melhoramentos materiais, nos domínios do poder e da energia física.
46:6.3 (527.5) 2. De arbitragens, de ética e de julgamento administrativo.
46:6.4 (527.6) 3. De assuntos planetários e locais.
46:6.5 (527.7) 4. De assuntos da constelação e do universo.
46:6.6 (527.8) 5. De educação e outras atividades dos Melquisedeques.
46:6.7 (527.9) 6. De progresso físico planetário e do sistema, nos domínios científicos das atividades de Satânia.
46:6.8 (527.10) 7. De assuntos moronciais.
46:6.9 (527.11) 8. Das atividades e da ética puramente espirituais.
46:6.10 (527.12) 9. Da ministração ascendente.
46:6.11 (527.13) 10. Da filosofia do grande universo.
46:6.12 (527.14) Essas estruturas são transparentes; de modo que todas as atividades do sistema podem ser observadas até mesmo pelos estudantes em visita.
46:7.1 (527.15) Os mil retângulos de Jerusém são habitados pela vida nativa inferior do planeta sede-central e, no seu centro, está situada a imensa sede-central circular dos espornágias.
46:7.2 (527.16) Em Jerusém ficareis assombrados com as realizações na agricultura feitas pelos maravilhosos espornágias. Ali, a terra é amplamente cultivada para efeitos estéticos e ornamentais. Os espornágias são os jardineiros das paisagens dos mundos sedes-centrais, e são originais e artísticos no tratamento que dão aos espaços abertos de Jerusém. Utilizam tanto animais, quanto numerosas invenções mecânicas na cultura do solo. São habilmente inteligentes no emprego das agências de poder dos seus reinos tanto quanto na utilização das numerosas ordens dos seus irmãos inferiores, das criações animais menos evoluídas, muitas das quais são entregues a eles nesses mundos especiais. Essa ordem de vida animal é agora quase totalmente dirigida pelas criaturas intermediárias ascendentes das esferas evolucionárias.
46:7.3 (528.1) Os espornágias não são resididos por Ajustadores. Eles não possuem almas de sobrevivência, mas desfrutam de vidas longas, algumas vezes até de quarenta a cinqüenta mil anos-padrão. O seu número é o de uma legião, e eles podem fazer ministrações físicas a todas as ordens de personalidades, no universo, que estejam necessitando de serviços materiais.
46:7.4 (528.2) Embora os espornágias não possuam uma alma de sobrevivência, e não a desenvolvam, ainda que não tenham personalidade, eles desenvolvem uma individualidade que pode experienciar a reencarnação. Quando, com o passar do tempo, os corpos físicos dessas criaturas singulares deterioram com o uso e a idade, os seus criadores, em colaboração com os Portadores da Vida, produzem novos corpos nos quais os velhos espornágias restabelecem as suas residências.
46:7.5 (528.3) Os espornágias são as únicas criaturas em todo o universo de Nébadon que experienciam essa ou qualquer outra espécie de reencarnação. São sensíveis apenas aos cinco primeiros espíritos ajudantes da mente; não respondem, portanto, aos impulsos dos espíritos da adoração e da sabedoria. Esses cinco ajudantes da mente equivalem, contudo, a um nível total de realidade ou ao sexto nível de realidade, e é esse fator que perdura como uma identidade experiencial.
46:7.6 (528.4) Para descrever essas criaturas úteis e inusitadas, não disponho de nenhuma base de comparação, pois não há animais nos mundos evolucionários comparáveis a eles. Eles não são seres evolucionários, tendo sido projetados pelos Portadores da Vida na sua forma e status atuais. São bissexuais e procriam-se à medida que são requisitados, para fazer face às necessidades de uma população crescente.
46:7.7 (528.5) Talvez, para as mentes de Urântia, eu fizesse melhor sugerindo algo da natureza dessas criaturas belas e úteis, dizendo que elas têm as características do cavalo fiel, combinadas às do cão afetuoso, manifestando uma inteligência que é maior que a do tipo mais elevado de chimpanzé. E são muito belas, se julgadas segundo os padrões físicos de Urântia. Apreciam bastante as atenções a elas demonstradas pelos seres materiais e semimateriais que permanecem nesses mundos arquitetônicos. Elas têm uma vista que lhes permite reconhecer — além dos seres materiais — as criações moronciais, as ordens angélicas mais baixas, as criaturas intermediárias e algumas das ordens menos elevadas de personalidades espirituais. Não compreendem a adoração do Infinito, nem captam a importância do Eterno, mas, por intermédio do afeto que têm pelos seus mestres, elas compartilham das devoções espirituais externas dos seus reinos.
46:7.8 (528.6) Existem aqueles que acreditam que, em uma idade futura do universo, esses espornágias fiéis escaparão do seu nível animal de existência e atingirão um destino evolucionário condigno de crescimento intelectual progressivo e mesmo de realização espiritual.
46:8.1 (528.7) Os assuntos puramente rotineiros e locais de Jerusém são dirigidos a partir dos cem triângulos. Estas unidades estão agrupadas em torno das dez estruturas maravilhosas que domiciliam a administração local de Jerusém. Os triângulos estão rodeados pela ilustração panorâmica da história da sede-central do sistema. Atualmente, há um trecho apagado, de cerca de três quilômetros-padrão nessa história circular. Esse setor será restaurado quando Satânia for readmitida na família da constelação. Todos os preparativos para esse acontecimento foram feitos pelos decretos de Michael, mas o tribunal dos Anciães dos Dias ainda não concluiu o julgamento dos assuntos da rebelião de Lúcifer. Satânia não pode voltar à comunidade plena de Norlatiadeque enquanto abrigar arqui-rebeldes, seres de elevada criação que da luz caíram para as trevas.
46:8.2 (529.1) Quando Satânia puder novamente estar vinculada à constelação, então será considerada a readmissão dos mundos isolados à família dos planetas habitados do sistema, acompanhada da sua restauração à comunhão espiritual dos reinos. Contudo, mesmo se Urântia fosse reincorporada aos circuitos do sistema, vós ainda estaríeis embaraçados pelo fato de que o vosso sistema inteiro permanece sob a quarentena imposta por Norlatiadeque, que o isola parcialmente de todos os outros sistemas.
46:8.3 (529.2) Mas, dentro em breve, o julgamento final de Lúcifer e dos seus parceiros proporcionará a reintegração do sistema de Satânia à constelação de Norlatiadeque, e subseqüentemente Urântia e as outras esferas isoladas serão reintegradas aos circuitos de Satânia; e esses mundos desfrutarão, novamente, dos privilégios da comunicação interplanetária e da comunhão entre os sistemas.
46:8.4 (529.3) Haverá um fim para os rebeldes e para a rebelião. Os Governantes Supremos são misericordiosos e pacientes, entretanto a lei que versa sobre o mal deliberadamente alimentado é executada de modo universal e infalível. “A recompensa do pecado é a morte” — a obliteração eterna.
46:8.5 (529.4) [Apresentado por um Arcanjo de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 47
47:0.1 (530.1) O FILHO Criador, quando em Urântia, falou das “muitas moradas no universo do Pai”. Num certo sentido, todos os cinqüenta e seis mundos que rodeiam Jerusém são devotados à cultura de transição dos mortais ascendentes; os sete satélites do mundo de número um, todavia, são mais especificamente conhecidos como os mundos das mansões.
47:0.2 (530.2) O mundo de transição de número um é dedicado inteira e exclusivamente às atividades ascendentes; e é a sede-central do corpo de finalitores designado para Satânia. Esse mundo agora serve de sede-central para mais de cem mil companhias de finalitores, e em cada uma dessas companhias há mil seres glorificados.
47:0.3 (530.3) Quando um sistema é estabelecido em luz e vida, e, na medida que os mundos das mansões cessam, um a um, de servir como estações de aperfeiçoamento para os mortais, eles passam a ser ocupados pela população crescente de finalitores que se acumula nesses sistemas mais antigos e mais altamente perfeccionados.
47:0.4 (530.4) Os sete mundos das mansões estão a cargo dos supervisores moronciais e dos Melquisedeques. Há um governador atuante em cada mundo, que é o responsável direto perante os governantes de Jerusém. Os conciliadores de Uversa mantêm uma sede-central em cada um dos mundos das mansões, enquanto, na vizinhança, está o local de encontro dos Conselheiros Técnicos. Os Diretores de retrospecção e os Artesãos celestes mantêm a sede dos seus grupos em cada um desses mundos. Os espirongas funcionam no mundo das mansões de número dois em diante, enquanto todos os sete mundos, a exemplo de outros planetas de cultura de transição e do mundo sede-central, encontram-se abundantemente providos de espornágias do tipo padrão de criação.
47:1.1 (530.5) Ainda que apenas os finalitores e alguns grupos de filhos já salvos e os seus preceptores sejam os residentes do mundo de transição de número um, todas as providências são tomadas para o entretenimento de todas as classes de seres espirituais, mortais de transição e estudantes visitantes. Os espornágias, que funcionam em todos esses mundos, são anfitriões hospitaleiros para todos os seres que possam reconhecer. Eles têm um sentimento vago a respeito dos finalitores, mas não conseguem vê-los; contudo, devem encará-los do mesmo modo como, no vosso estado físico atual, vós encarais os anjos.
47:1.2 (530.6) Embora o mundo dos finalitores seja uma esfera de rara beleza física e de extraordinária ornamentação moroncial, a grande morada espiritual localizada no centro das atividades, o templo dos finalitores, não é visível sem ajuda para a vista material nem para a visão moroncial inicial. Contudo, os transformadores de energia são capazes de tornar visíveis muitas dessas realidades para os mortais ascendentes e, de tempos em tempos, eles o fazem, como nas ocasiões das assembléias de classe dos estudantes dos mundos das mansões dessa esfera cultural.
47:1.3 (531.1) Durante toda vossa experiência nos mundos das mansões estareis, de um certo modo, espiritualmente conscientes da presença dos vossos irmãos glorificados que alcançaram o Paraíso; e é muito repousante, de quando em quando, percebê-los, realmente, em ação na sua própria sede de residência. Não ireis visualizar os finalitores espontaneamente, antes de adquirirdes a verdadeira visão espiritual.
47:1.4 (531.2) No primeiro mundo das mansões, todos os sobreviventes devem satisfazer aos requisitos da comissão de progenitores dos seus planetas nativos. A comissão atual de Urântia consiste de doze casais de progenitores, recentemente chegados, que tiveram experiências mortais de criar três ou mais crianças até a idade da puberdade. O serviço, nessa comissão, é rotativo e é de apenas dez anos, como regra. Todos aqueles que fracassam em satisfazer às exigências dessa comissão, quanto à sua experiência de progenitores, devem qualificar-se posteriormente, prestando serviço, nos lares dos Filhos Materiais, em Jerusém ou, em parte, no berçário probatório no mundo dos finalitores.
47:1.5 (531.3) Todavia, aos pais do mundo das mansões que tiverem filhos crescendo no berçário probatório, independentemente da sua experiência de progenitores, são dadas todas as oportunidades de colaborar com os custódios moronciais desses filhos, no que diz respeito à instrução e aperfeiçoamento deles. É permitido a esses pais viajar até eles, para visitas, com a freqüência de até quatro vezes por ano. E é uma das cenas de beleza mais tocante, de toda a carreira ascendente, ver os pais dos mundos das mansões abraçando a sua progênie material por ocasião das suas peregrinações periódicas aos mundos dos finalitores. Ainda que um ou ambos os pais possam deixar o mundo das mansões antes do filho, freqüentemente são contemporâneos durante um período.
47:1.6 (531.4) Nenhum mortal ascendente pode escapar da experiência de criar filhos — os seus próprios, ou os dos outros — , seja nos mundos materiais ou, subseqüentemente, no mundo dos finalitores, ou em Jerusém. Os pais devem passar por essa experiência essencial, tão certamente como as mães. É uma noção infeliz e equivocada, a dos povos modernos de Urântia, de que a educação das crianças seja, em grande parte, uma tarefa das mães. As crianças necessitam do pai tanto quanto da mãe, e os pais necessitam dessa experiência de progenitor, tanto quanto as mães.
47:2.1 (531.5) As escolas que recebem as crianças de Satânia estão situadas no mundo dos finalitores, a primeira das esferas de cultura de transição de Jerusém. Tais escolas, que recebem os infantes, são empreendimentos dedicados à criação e aperfeiçoamento das crianças do tempo, incluindo as que morreram nos mundos evolucionários do espaço antes da aquisição do status individual nos registros do universo. No caso da sobrevivência de um ou de ambos os pais dessa criança, o guardião do destino designa o seu querubim aliado como custódio da identidade potencial da criança, encarregando esse querubim com a responsabilidade de entregar essa alma ainda não desenvolvida nas mãos dos Mestres dos Mundos das Mansões, nos berçários probatórios dos mundos moronciais.
47:2.2 (531.6) São esses mesmos querubins deixados para trás que, como Mestres dos Mundos das Mansões, sob a supervisão dos Melquisedeques, mantêm essas instalações educacionais extensivas, para o aperfeiçoamento dos pupilos probatórios dos finalitores. Esses pupilos dos finalitores, filhos de mortais ascendentes, são sempre repersonalizados exatamente como no seu status físico à época da sua morte, exceto pelo potencial de reprodução. Esse despertar ocorre na hora exata da chegada do progenitor ao primeiro mundo das mansões. E, então, a essas crianças são dadas todas as oportunidades que existem de escolher o seu caminho celeste, exatamente como elas teriam escolhido nos mundos onde a morte tão prematuramente pôs fim às suas carreiras.
47:2.3 (532.1) No mundo-berçário, as criaturas probatórias são agrupadas segundo tenham ou não Ajustadores, pois os Ajustadores vêm residir nessas crianças materiais exatamente como nos mundos do tempo. As crianças, em idades pré-Ajustador, são cuidadas em famílias de cinco filhos, com as suas idades variando de um ano e mesmo menos, até aproximadamente cinco anos, ou até aquela idade em que o Ajustador chega.
47:2.4 (532.2) Nos mundos em evolução, todas as crianças que têm Ajustadores do Pensamento e que, antes da morte, não haviam feito uma escolha quanto à carreira do Paraíso, são também repersonalizadas no mundo dos finalitores do sistema, onde, do mesmo modo, crescem nas famílias dos Filhos Materiais e seus associados, como o fazem aqueles pequenos que chegaram sem Ajustadores, mas que, subseqüentemente, irão receber os Monitores Misteriosos após alcançarem a idade requerida para a escolha moral.
47:2.5 (532.3) As crianças resididas pelos Ajustadores e os jovens, no mundo dos finalitores, também são criados em famílias de cinco filhos, cujas idades variam aproximadamente de seis a quatorze anos; essas famílias consistem em crianças cujas idades são de seis, oito, dez, doze e quatorze anos. A qualquer momento, depois dos dezesseis anos, se a escolha final houver sido feita, elas transladam-se para o primeiro mundo das mansões e começam as suas ascensões ao Paraíso. Algumas fazem sua escolha antes dessa idade e vão para as esferas de ascensão; mas, antes dos dezesseis anos, calculados segundo os padrões de Urântia, pouquíssimas crianças serão encontradas nos mundos das mansões.
47:2.6 (532.4) Os serafins guardiães dão assistência a esses jovens nos berçários probatórios, no mundo dos finalitores, exatamente do modo como ministram espiritualmente aos mortais, nos planetas evolucionários; ao passo que os fiéis espornágias ministram às suas necessidades físicas. E, assim, essas crianças crescem no mundo de transição, até que chegue o tempo de fazerem sua escolha final.
47:2.7 (532.5) Quando a vida material houver findado o seu decurso, se não houver sido dada a preferência à vida ascendente, ou se essas crianças do tempo definitivamente decidirem contra a aventura de Havona, a morte termina, automaticamente, com as suas carreiras probatórias. Não há julgamento em tais casos; não há ressurreição depois dessa segunda morte. As crianças simplesmente voltam a ser como se nunca houvessem existido.
47:2.8 (532.6) Mas se escolherem o caminho da perfeição do Paraíso, elas serão imediatamente preparadas para o translado até o primeiro mundo das mansões, no qual muitas chegam a tempo de juntar-se aos seus pais, na ascensão a Havona. Após passarem por Havona e alcançarem as Deidades, essas almas já salvas, de origem mortal, constituem a cidadania ascendente permanente do Paraíso. Essas crianças que foram privadas da valiosa e essencial experiência evolucionária, nos mundos do seu nascimento mortal, não se incorporam aos Corpos da Finalidade.
47:3.1 (532.7) Nos mundos das mansões, os mortais sobreviventes ressuscitados reassumem as suas vidas exatamente no ponto em que as deixaram quando colhidos pela morte. Quando partirdes de Urântia para o primeiro mundo das mansões, ireis notar uma considerável mudança; no entanto, se viésseis de uma esfera do tempo mais normal e progressiva, dificilmente notaríeis alguma diferença, a não ser pelo fato de que estaríeis de posse de um corpo diferente, pois o tabernáculo de carne e osso foi deixado para trás no mundo de nascimento.
47:3.2 (532.8) O centro mesmo de todas as atividades, no primeiro mundo das mansões, é a sala de ressurreição, o enorme templo de reconstituição da personalidade. Essa estrutura gigantesca é o ponto central de reunião dos guardiães seráficos do destino, dos Ajustadores do Pensamento e dos arcanjos da ressurreição. Os Portadores da Vida atuam também junto com esses seres celestes na ressurreição dos mortos.
47:3.3 (533.1) As transcrições da mente mortal e os padrões da memória ativa da criatura, tais como são transpostos, dos níveis materiais para os espirituais, são da posse individual dos Ajustadores do Pensamento que deixaram a residência mortal; esses fatores da espiritualização da mente, da memória e da personalidade da criatura, são, para sempre, uma posse desses Ajustadores. A matriz mental da criatura e os potenciais passivos da identidade estão presentes na alma moroncial, confiada aos cuidados dos guardiães seráficos do destino. E é a reunião da alma moroncial, confiada ao serafim, e da mente-espírito, confiada ao Ajustador, o que reconstitui a personalidade da criatura e estabelece a ressurreição de um sobrevivente adormecido.
47:3.4 (533.2) Se uma personalidade transitória, de origem mortal, nunca devesse ser reconstituída dessa forma, os elementos do espírito da criatura mortal não-sobrevivente iriam, para sempre, continuar como uma parte integral do dom individual de experiência do Ajustador que outrora foi residente nessa criatura.
47:3.5 (533.3) Do Templo da Nova Vida, estendem-se sete alas radiais, as salas de ressurreição das raças mortais. Cada uma dessas estruturas é devotada à reconstituição de uma das sete raças do tempo. Há cem mil câmaras de ressurreição pessoal em cada uma dessas sete alas, terminando em salas circulares de reconstituição, por classes, que servem como câmaras do despertar, para até um milhão de indivíduos. Essas salas estão rodeadas pelas câmaras de reconstituição da personalidade das raças bem miscigenadas dos mundos normais pós-Adâmicos. Independentemente da técnica empregada, nos mundos individuais do tempo, em relação às ressurreições especiais ou dispensacionais, a reconstituição real e consciente, da personalidade factual e completa, tem lugar nas salas de ressurreição da mansônia número um. Por toda a eternidade, vós ireis relembrar-vos das impressões profundas das memórias do vosso primeiro testemunhar dessas manhãs de ressurreição.
47:3.6 (533.4) Das salas de ressurreição, continuareis até o setor Melquisedeque, onde vos será designada uma residência permanente. Então, durante dez dias, ficareis em liberdade pessoal. Sereis livres para explorar a vizinhança imediata do vosso novo lar e para familiarizar-vos com o programa que virá imediatamente a seguir. E também tereis tempo para gratificar o vosso desejo de consultar o registro e visitar os vossos seres amados e outros amigos da Terra, que vos hajam precedido nesses mundos. Ao fim do período de lazer, de dez dias, dareis o segundo passo na jornada ao Paraíso; pois os mundos das mansões são, de fato, esferas de aperfeiçoamento, e não meramente planetas de detenção.
47:3.7 (533.5) No mundo das mansões de número um (ou em qualquer outro, no caso de status mais avançado), ireis reassumir o vosso aperfeiçoamento intelectual e o vosso desenvolvimento espiritual, no nível exato em que estes foram interrompidos pela morte. Entre o momento da morte planetária, ou do translado, e a ressurreição no mundo das mansões, o homem mortal não ganha absolutamente nada, além de experienciar o ato da sobrevivência. Vós começareis ali, exatamente no ponto em que vós houverdes deixado a vida aqui embaixo.
47:3.8 (533.6) Quase toda a experiência no mundo das mansões de número um pertence à ministração corretora de deficiências. Os sobreviventes que chegam nessa primeira das esferas de detenção apresentam tantos e tão variados defeitos de caráter de criatura, e deficiências de experiência mortal, que as principais atividades nesse reino ocupam-se da correção e da cura desses múltiplos legados da vida na carne, nos mundos evolucionários materiais do tempo e do espaço.
47:3.9 (534.1) A permanência no mundo das mansões número um destina-se a desenvolver os mortais sobreviventes pelo menos até o status da dispensação pós-Adâmica nos mundos evolucionários normais. Espiritualmente, bem entendido, os estudantes dos mundos das mansões estão muito mais adiantados do que tal estado de desenvolvimento meramente humano.
47:3.10 (534.2) Caso não fordes retidos no mundo das mansões de número um, ao fim de dez dias, ireis entrar em sono de translado e seguir para o mundo de número dois e, a cada dez dias, ireis avançar assim até chegardes ao mundo da vossa designação.
47:3.11 (534.3) O centro dos sete círculos maiores da administração do primeiro mundo das mansões é ocupado pelo templo dos Companheiros Moronciais, os guias pessoais designados aos mortais ascendentes. Esses companheiros são progênie do Espírito Materno do universo local, e existem vários milhões deles nos mundos moronciais de Satânia. Além daqueles que são designados como companheiros grupais, tereis muito a ver com os intérpretes e tradutores, com os custódios dos edifícios e os supervisores das excursões. E todos esses companheiros em muito cooperam com aqueles que têm a ver com o desenvolvimento dos vossos fatores mentais e espirituais de personalidade, dentro do corpo moroncial.
47:3.12 (534.4) Assim que começardes, no primeiro mundo das mansões, um Companheiro Moroncial é designado a cada companhia de mil mortais ascendentes, mas vós encontrareis muitos mais deles à medida que progredirdes nas sete esferas das mansões. Esses seres formosos e versáteis são companheiros sociáveis e guias encantadores. Eles estão liberados para acompanhar os indivíduos ou grupos selecionados até qualquer das esferas de cultura de transição, incluindo os seus mundos-satélites. São guias das excursões e companheiros de lazer de todos os mortais ascendentes. Freqüentemente, acompanham os grupos de sobreviventes em visitas periódicas a Jerusém e, a qualquer dia em que estiverdes ali, vós podereis ir até o setor de registro da capital do sistema e encontrar-vos com os mortais ascendentes de todos os sete mundos das mansões, pois eles viajam livremente, indo e vindo, das suas moradas residenciais para a sede-central do sistema.
47:4.1 (534.5) Nessa esfera é que sereis iniciados, mais completamente, na vida em mansônia. Os agrupamentos da vida moroncial começam a tomar forma; os grupos de trabalho e as organizações sociais começam a funcionar, as comunidades adquirem proporções formais e os mortais em avanço inauguram novas ordens sociais e arranjos novos de governo.
47:4.2 (534.6) Os sobreviventes de fusão com o Espírito ocupam os mundos das mansões juntamente com os mortais ascendentes de fusão com o Ajustador. Ao mesmo tempo em que as várias ordens de vida celeste são diferentes, elas são todas amigáveis e fraternais. Em todos os mundos de ascensão, vós não ireis encontrar nada que se compare à intolerância humana e às discriminações e à falta de consideração peculiar aos sistemas de castas.
47:4.3 (534.7) À medida que fordes ascendendo nos mundos das mansões, um a um, eles tornam-se mais repletos de atividades moronciais para os sobreviventes que avançam. À medida que avançardes, reconhecereis cada vez mais as características de Jerusém trazidas para os mundos das mansões. O mar de cristal começa a aparecer na segunda mansônia.
47:4.4 (534.8) Ganhareis um novo corpo moroncial, recém-desenvolvido e adequadamente ajustado, no momento de cada avanço de um mundo das mansões para o seguinte. Ireis adormecer, com o transporte seráfico, e acordareis com o novo corpo, ainda não desenvolvido, nas salas de ressurreição, de um modo muito parecido com aquele pelo qual chegastes inicialmente ao mundo das mansões de número um, exceto pelo fato de que o Ajustador do Pensamento não vos abandona, durante esses sonos de trânsito, entre os mundos das mansões. A vossa personalidade permanece intacta, depois que houverdes passado dos mundos evolucionários para o mundo inicial das mansões.
47:4.5 (535.1) A memória do vosso Ajustador permanece integralmente intacta à medida que ascenderdes na vida moroncial. Aquelas associações mentais que eram puramente animalescas e totalmente materiais pereceram naturalmente com o cérebro físico, mas, na vossa vida mental, tudo o que valeu a pena, que tinha valor de sobrevivência, recebeu uma contraparte provida pelo Ajustador e fica guardado como uma parte da memória pessoal, durante todo o caminho da carreira ascendente. Estareis conscientes de todas as vossas experiências dignas e valiosas, na medida em que avançardes de um mundo das mansões para outro e de uma seção do universo para outra — até o Paraíso.
47:4.6 (535.2) Ainda que tenhais corpos moronciais, vós continuareis, em todos esses sete mundos, a comer, a beber e a descansar. Vós partilhareis da ordem moroncial de alimentos, um reino de energia viva desconhecido dos mundos materiais. Tanto a comida quanto a água são plenamente utilizadas no corpo moroncial; mas não há dejetos residuais. Uma pausa seja feita para se considerar: a mansônia número um é uma esfera bastante material, apresentando os princípios incipientes do regime moroncial. Vós ainda sois quase que humanos e não estais muito afastados dos pontos de vista limitados da vida mortal, mas cada mundo descortina um progresso definido. De esfera em esfera, vos tornareis menos materiais, mais intelectuais, e ligeiramente mais espirituais. O progresso espiritual é maior nos três últimos desses sete mundos progressivos.
47:4.7 (535.3) As deficiências biológicas foram já amplamente compensadas, no primeiro mundo das mansões. Ali, os defeitos, adquiridos na experiência planetária, pertinentes à vida sexual, à associação familiar e funções paternais, ou foram corrigidos ou foram projetados para uma retificação futura entre as famílias dos Filhos Materiais em Jerusém.
47:4.8 (535.4) O mundo das mansões de número dois promove, mais especificamente, a remoção de todas as fases de conflito intelectual e a cura de todas as espécies de desarmonia mental. O esforço, iniciado no primeiro mundo das mansões, para aprofundar-vos no significado da mota moroncial, é continuado aqui de um modo mais sério. O desenvolvimento alcançado na mansônia de número dois é comparável ao status intelectual da cultura que vem a seguir, depois da vinda do Filho Magisterial aos mundos evolucionários ideais.
47:5.1 (535.5) A terceira mansônia é a sede-central dos Instrutores dos Mundos das Mansões. Embora funcionem em todas as sete esferas das mansões, eles mantêm a sede do seu grupo no centro dos círculos das escolas do mundo de número três. Há milhões desses instrutores nos mundos das mansões e nos mundos moronciais mais elevados. Esses querubins avançados e glorificados servem como instrutores moronciais em todo o caminho ascendente, desde os mundos das mansões até a última esfera do aperfeiçoamento ascendente no universo local. Eles estarão entre os últimos a dar-vos um adeus afetuoso, quando chegar o tempo das despedidas, a época em que dareis adeus — ao menos por algumas idades — ao universo da vossa origem, quando vos enserafinareis para o trânsito até os mundos de recepção do setor menor do superuniverso.
47:5.2 (535.6) Enquanto em permanência no primeiro mundo das mansões, vós tereis permissão para visitar o primeiro dos mundos de transição, a sede-central dos finalitores e o berçário probatório do sistema para a criação das crianças evolucionárias não desenvolvidas. Quando chegardes ao mundo das mansões de número dois, ireis receber, periodicamente, permissão para visitar o mundo de transição de número dois, onde está localizada a sede-central dos supervisores moronciais de todo o Satânia e as escolas de educação para as várias ordens moronciais. Quando alcançardes os mundos das mansões de número três, ser-vos-á imediatamente concedida a permissão para visitar a terceira esfera de transição, a sede-central das ordens angélicas e a base das suas várias escolas de aperfeiçoamento no sistema. Desse mundo, as visitas a Jerusém são cada vez mais proveitosas e de interesse sempre crescente para os mortais em avanço.
47:5.3 (536.1) Mansônia, a terceira, é um mundo de grandes realizações pessoais e sociais para todos aqueles que não alcançaram o equivalente a esses círculos de cultura antes de libertar-se da carne, nos mundos de nascimento mortal. Nessa esfera, um trabalho educacional mais positivo tem início. A educação, nos dois primeiros mundos das mansões, é, sobretudo, voltada para a natureza — negativa — das deficiências, pois tem a ver com a suplementação da experiência da vida na carne. Nesse terceiro mundo das mansões, os sobreviventes realmente dão início à sua cultura moroncial progressiva. O propósito principal desse aperfeiçoamento é ampliar a compreensão da correlação entre a mota moroncial e a lógica mortal, aumentando a coordenação da mota moroncial com a filosofia humana. Os mortais sobreviventes adquirem, agora, a visão interna prática da verdadeira metafísica. Essa é a introdução real à compreensão inteligente dos significados cósmicos e das inter-relações universais. A cultura do terceiro mundo das mansões compartilha da natureza da idade posterior à outorga do Filho em um planeta normal habitado.
47:6.1 (536.2) Quando chegardes ao quarto mundo das mansões, tereis entrado realmente na carreira moroncial, tereis progredido em um longo caminho desde a existência material inicial. Agora vos é dada a permissão para fazer visitas ao mundo de transição de número quatro, para vos tornardes familiarizados, ali, com a sede-central e as escolas de educação dos superanjos, incluindo as dos Brilhantes Estrelas Vespertinas. Por meio dos bons serviços desses superanjos do quarto mundo de transição, os visitantes moronciais tornam-se capacitados a chegar muito perto das várias ordens de Filhos de Deus, durante as visitas periódicas a Jerusém; pois novos setores da capital do sistema abrem-se gradativamente para os mortais em avanço, à medida que eles fazem essas visitas repetidas ao mundo sede-central. Novos esplendores revelam-se progressivamente às mentes em expansão desses ascendentes.
47:6.2 (536.3) Na quarta mansônia, o ascendente individual encontra, de um modo mais adequado, o seu lugar nos grupos de trabalho e nas funções em classes da vida moroncial. Os ascendentes, aqui, desenvolvem uma apreciação crescente das teledifusões e das outras fases da cultura e do progresso do universo local.
47:6.3 (536.4) É durante o período de aperfeiçoamento no mundo de número quatro que, pela primeira vez, realmente são apresentadas aos mortais ascendentes as exigências e delícias da verdadeira vida social das criaturas moronciais. E é, de fato, uma nova experiência para as criaturas evolucionárias a de participar de atividades sociais que não impliquem nem o engrandecimento pessoal, nem a busca de conquistas pessoais. Uma nova ordem social está sendo introduzida, baseada na compaixão compreensiva de apreciação mútua, no amor não-egoísta do serviço mútuo e na motivação superadora da realização de um destino comum e supremo — a meta do Paraíso, de perfeição adoradora e divina. Os ascendentes tornam-se todos, por si próprios, conscientes de que conhecem a Deus, de que revelam a Deus, de que buscam a Deus e de que encontram Deus.
47:6.4 (536.5) A cultura intelectual e social desse quarto mundo das mansões é comparável à vida mental e social da idade que se segue à vinda do Filho Instrutor aos planetas de evolução normal. O status espiritual, entretanto, está muito mais avançado do que aquele da dispensação mortal.
47:7.1 (537.1) O transporte para o quinto mundo das mansões representa um imenso passo à frente na vida de um ser em progresso moroncial. A experiência neste mundo é uma verdadeira antecipação da vida em Jerusém. Ali começareis a visualizar quão elevado é o destino dos mundos evolucionários leais, desde que possam progredir normalmente até esse estágio, durante o seu desenvolvimento planetário natural. A cultura desse mundo das mansões corresponde, em geral, àquela da idade inicial de luz e vida, nos planetas de progresso evolucionário normal. E, podereis depreender que tudo é organizado de um tal modo para que os tipos de seres de cultura e progresso altamente avançados, que às vezes habitam os mundos evolucionários avançados, fiquem eximidos de passar por uma ou mais, ou mesmo por todas as esferas das mansões.
47:7.2 (537.2) Havendo dominado a língua do universo local, antes de deixardes o quarto mundo das mansões, agora ireis devotar mais tempo ao aperfeiçoamento da língua de Uversa, com o fito de bem dominar ambas as línguas antes de alcançardes Jerusém com status residencial. Todos os mortais ascendentes da sede-central do sistema até Havona são bilíngües. E então, torna-se necessário apenas ampliar o vocabulário do superuniverso; e uma ampliação maior ainda é requerida para se ter residência no Paraíso.
47:7.3 (537.3) Quando da sua chegada à mansônia de número cinco, o peregrino recebe permissão para visitar o mundo de transição de número correspondente, a sede-central dos Filhos. Nessa, o mortal ascendente torna-se pessoalmente familiarizado com os vários grupos de filiação divina. Ele já ouviu falar desses seres extraordinários e já os encontrou em Jerusém, mas agora vai conhecê-los realmente.
47:7.4 (537.4) Na quinta mansônia, vós começareis a aprender sobre os mundos de estudo da constelação. Ali, encontrareis os primeiros instrutores que principiam o vosso preparo para a próxima estada, a da constelação. Muito dessa preparação continuará nos mundos seis e sete, enquanto os toques finais serão recebidos no setor dos mortais ascendentes em Jerusém.
47:7.5 (537.5) Um nascimento real, de conscientização cósmica, acontece na mansônia de número cinco. A vossa mente está transformando-se na mente universal. Esse é verdadeiramente um tempo de expansão de horizontes. Para as mentes ampliadas dos mortais ascendentes, tem início o alvorecer magnífico e estupendo daquele destino superno e divino, que aguarda a todos que completam a ascensão progressiva ao Paraíso; ascensão esta que foi iniciada de um modo tão laborioso, mas tão jubiloso e auspicioso. É mais ou menos nesse ponto que o mortal ascendente comum começa a manifestar um entusiasmo experiencial autêntico pela ascensão a Havona. O estudo torna-se voluntário; o serviço altruísta passa a ser natural e a adoração espontânea. Um caráter verdadeiramente moroncial está florescendo; e uma criatura moroncial real está evoluindo.
47:8.1 (537.6) Aqueles que permanecem nesta esfera têm permissão para visitar o mundo de transição de número seis, onde aprendem mais sobre os espíritos elevados do superuniverso, embora não estejam capacitados para enxergar muitos desses seres celestes. Aqui também recebem as suas primeiras lições sobre a carreira espiritual em perspectiva, que acontecerá imediatamente após a graduação no aperfeiçoamento moroncial do universo local.
47:8.2 (537.7) O Soberano assistente do Sistema faz visitas freqüentes a esse mundo, e a instrução inicial sobre a técnica da administração do universo começa a ser dada aqui. As primeiras lições abrangendo os assuntos de todo um universo são agora ministradas.
47:8.3 (538.1) Essa é uma idade brilhante, para os mortais ascendentes, os quais habitualmente testemunham a fusão perfeita da mente humana e do Ajustador divino. Em potencial, essa fusão pode já haver ocorrido anteriormente, mas a identidade de funcionamento real muitas vezes só é alcançada depois do tempo de permanência no quinto mundo das mansões, ou mesmo no sexto.
47:8.4 (538.2) A união da alma imortal em evolução com o Ajustador eterno e divino fica assinalada por uma convocação seráfica, feita pelo superanjo supervisor dos sobreviventes ressuscitados e pelo arcanjo que registra aqueles que vão a julgamento no terceiro dia; e, então, em presença dos companheiros moronciais do sobrevivente, esses mensageiros da confirmação dizem: “Este é um filho amado, em quem eu muito me comprazo”. Essa cerimônia simples marca a entrada de um mortal ascendente na carreira eterna de serviço até o Paraíso.
47:8.5 (538.3) Imediatamente depois da confirmação da fusão com o Ajustador, o novo ser moroncial é apresentado pela primeira vez aos seus companheiros com o seu novo nome. E lhe são concedidos os quarenta dias de retiro espiritual, de todas as atividades rotineiras, durante os quais ele irá comungar consigo mesmo e escolher um, dentre os caminhos opcionais para Havona e dentre as técnicas diferentes de alcançar o Paraíso.
47:8.6 (538.4) Todavia tais seres brilhantes são ainda mais ou menos materiais; e, pois, estão longe de ser espíritos verdadeiros; são mais algo como supermortais, espiritualmente falando, ainda um pouco abaixo dos anjos. Mas estão de fato transformando-se em criaturas maravilhosas.
47:8.7 (538.5) Durante a permanência no mundo de número seis, os estudantes dos mundos das mansões alcançam um status que é comparável ao desenvolvimento elevado característico dos mundos evolucionários que, normalmente, progrediram além do estágio inicial de luz e vida. Nessa mansônia a organização da sociedade é de uma ordem elevada. A sombra da natureza mortal torna-se menor e menor, à medida que se ascende até esses mundos, um a um. Vós vos tornais mais e mais adoráveis à medida que fordes deixando para trás os vestígios grosseiros da origem planetária de vida animal. Haverem “passado por grandes atribulações”, serve para fazer os mortais glorificados ficarem muito amáveis e compreensivos, muito compassivos e tolerantes.
47:9.1 (538.6) A experiência nesta esfera realiza o coroamento da imediata carreira pós-mortal. Durante a vossa permanência ali, recebereis instruções de muitos educadores, todos os quais irão cooperar na tarefa de preparar-vos para residir em Jerusém. Quaisquer diferenças discerníveis entre os mortais provenientes de mundos isolados e retardatários e os sobreviventes de esferas mais avançadas e esclarecidas são virtualmente minimizadas durante a permanência no sétimo mundo das mansões. Ali, sereis purgados de todos os remanescentes de uma hereditariedade desafortunada, de um meio ambiente pouco sadio e das tendências planetárias não-espirituais. Aqui, são erradicados os últimos remanescentes da “marca da besta”.
47:9.2 (538.7) Enquanto permanecerdes na mansônia de número sete, é-vos concedida a permissão para visitardes o mundo de transição de número sete, o mundo do Pai Universal. E, ali, iniciareis, então, uma adoração nova e mais espiritual do Pai invisível, um hábito que ireis buscar, de um modo sempre crescente, em todo o caminho de escalada, na vossa longa carreira ascendente. Encontrareis o templo do Pai, nesse mundo de cultura de transição, mas não vereis o Pai.
47:9.3 (538.8) Agora, tem início a formação das classes de graduação para Jerusém. Vós passastes de mundo a mundo, como indivíduos, mas agora vos preparais para passar a Jerusém, em grupos; embora, dentro de certos limites, um ser ascendente possa escolher permanecer no sétimo mundo das mansões, com o propósito de permitir que um membro retardatário do seu grupo de trabalho terreno, ou de mansônia, o alcance.
47:9.4 (539.1) O pessoal da sétima mansônia reúne-se no mar de cristal, com o fito de presenciar a vossa partida para Jerusém, com status residencial. Centenas ou milhares de vezes vós podeis haver visitado Jerusém, mas sempre como um hóspede; nunca antes seguistes para a capital do sistema na companhia de um grupo de companheiros vossos que estivesse dando um adeus eterno a toda a carreira, em mansônia, de mortais ascendentes. Logo recebereis as boas-vindas, nos campos de recepção do mundo sede-central, como cidadãos de Jerusém.
47:9.5 (539.2) Vós ireis desfrutar grandemente do vosso progresso, através dos sete mundos desmaterializantes; eles são realmente esferas de desmortalização. No primeiro mundo das mansões, vós éreis humanos, sobretudo, apenas seres mortais sem um corpo material, mentes humanas alojadas em formas moronciais — corpos materiais do mundo moroncial, mas não abrigos mortais de carne e osso. Vós passareis realmente do estado mortal ao status imortal no momento da fusão com o Ajustador e, à época em que houverdes terminado a carreira de Jerusém, sereis completamente moronciais.
47:10.1 (539.3) A recepção de uma nova classe de graduados, nos mundos das mansões, é motivo para que toda a Jerusém se reúna em um comitê de boas-vindas. Até mesmo os espornágias rejubilam-se com a chegada desses ascendentes triunfantes, de origem evolucionária, os quais fizeram a corrida planetária e completaram a progressão nos mundos das mansões. Apenas os controladores físicos e os Supervisores do Poder Moroncial ficam ausentes nessas ocasiões de júbilo.
47:10.2 (539.4) João, o Evangelista Revelador, teve uma visão da chegada de uma classe de mortais em avanço, vinda do sétimo mundo das mansões para o seu primeiro céu, às glórias de Jerusém. Ele registrou: “E eu vi, como se fora um mar de vidro misturado ao fogo; e, de pé, aqueles que haviam alcançado a vitória sobre a besta que originalmente estava neles e, sobre a imagem que perdurava até os mundos das mansões e, finalmente, sobre os últimos traços e marcas, no mar de vidro, com as Harpas de Deus, e cantando a canção da libertação do medo mortal e da morte”. (A comunicação espacial perfeita deve estar em todos esses mundos; e, estando em qualquer lugar, a vossa recepção dessas comunicações é tornada possível se portais convosco a “Harpa de Deus”, um dispositivo moroncial que compensa a incapacidade de ajustar diretamente o mecanismo sensorial imaturo da morôncia para a recepção de comunicações espaciais.)
47:10.3 (539.5) Paulo também teve uma visão do corpo de cidadãos ascendentes, de mortais em perfeccionamento em Jerusém, pois escreveu: “Vós viestes, todavia, ao monte Sião e para a cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e na companhia de anjos inumeráveis, para a grande assembléia de Michael, e dos espíritos de homens justos tornados perfeitos”.
47:10.4 (539.6) Depois que os mortais tiverem alcançado a residência na sede-central do sistema, as ressurreições propriamente ditas não mais serão experimentadas. A forma moroncial que vos foi concedida, quando partistes da carreira do mundo das mansões, é tal que vos irá permitir ir até o fim da experiência no universo local. Mudanças serão feitas, de tempos em tempos, mas conservareis essa mesma forma, até vos despedirdes dela, quando emergirdes como espíritos do primeiro estágio, que é preparatório para o trânsito aos mundos de cultura ascendente e de aperfeiçoamento espiritual do superuniverso.
47:10.5 (540.1) Por sete vezes, os mortais que passaram por toda a carreira de mansônia experienciam o sono de ajustamento e o despertar da ressurreição. Mas a última sala de ressurreição, a câmara do despertar final, foi deixada para trás no sétimo mundo das mansões. Mudança alguma na forma não irá mais necessitar do lapso da consciência ou de uma interrupção na continuidade da memória pessoal.
47:10.6 (540.2) A personalidade mortal, iniciada nos mundos evolucionários, e possuindo a carne como tabernáculo, — residida pelos Monitores Misteriosos e envolvida pelo Espírito da Verdade — , só estará plenamente mobilizada, realizada e unificada a partir do dia em que a esse cidadão de Jerusém for dada a permissão para partir para Edêntia; e em que ele for proclamado um verdadeiro membro do corpo moroncial de Nébadon — um sobrevivente imortal, em ligação contínua com o seu Ajustador; um ser que ascende ao Paraíso; uma personalidade de status moroncial e um verdadeiro filho dos Altíssimos.
47:10.7 (540.3) A morte física é uma técnica para escapar da vida material na carne; e a experiência da vida progressiva em mansônia, nos sete mundos de aperfeiçoamento corretivo e de educação cultural, representa a introdução dos mortais sobreviventes à carreira moroncial: é a vida de transição que se interpõe entre a existência evolucionária material e a realização espiritual mais elevada dos ascendentes do tempo, daqueles que estão destinados a alcançar os portais da eternidade.
47:10.8 (540.4) [Promovido por um Brilhante Estrela Vespertino.]
O Livro de Urântia
Documento 48
48:0.1 (541.1) OS DEUSES não podem transformar uma criatura grosseira, de natu- reza animal, em um espírito perfeccionado. por algum ato misterioso de mágica criativa — ou, pelo menos, não o fazem. Quando os Criadores desejam gerar seres perfeitos, eles o fazem por criação direta e original; mas nunca se propõem a converter criaturas materiais, e de origem animal, em seres de perfeição, em um único passo.
48:0.2 (541.2) A vida moroncial, estendendo-se, tal como o faz, aos vários estágios da carreira do universo local, é o único caminho possível por meio do qual os mortais materiais podem alcançar o umbral do mundo espiritual. Que magia poderia ter a morte, a dissolução natural do corpo material, para que um passo tão elementar pudesse, instantaneamente, transformar a mente mortal e material em um espírito imortal e perfeito? A crença disso não é senão uma superstição ignorante envolta por uma fábula agradável.
48:0.3 (541.3) Essa transição moroncial interpõe-se sempre entre o estado mortal e o status espiritual subseqüente dos seres humanos sobreviventes. Esse estado intermediário de progresso no universo é marcadamente diferente em cada uma das várias criações locais, mas, em intento e propósito, são todos bastante similares. A estruturação dos mundos das mansões e mundos moronciais mais elevados em Nébadon é bastante típica dos regimes de transição moroncial nessa parte de Orvônton.
48:1.1 (541.4) Os reinos moronciais são as esferas de ligação, no universo local, entre os níveis materiais e espirituais da existência da criatura. A vida moroncial tem sido conhecida, em Urântia, desde os dias iniciais do Príncipe Planetário. De tempos em tempos, esse estado de transição tem sido ensinado aos mortais, e o conceito, de um modo distorcido, tem encontrado lugar nas religiões atuais.
48:1.2 (541.5) As esferas moronciais são as fases de transição da ascensão mortal pelos mundos de progressão do universo local. Apenas os sete mundos que rodeiam a esfera dos finalitores dos sistemas locais são chamados de mundos das mansões, mas todas as cinqüenta e seis moradas de transição do sistema, em comum com as esferas mais elevadas em volta das constelações e da sede-central do universo, são chamadas de mundos moronciais. Essas criações compartilham a beleza física e a grandeza moroncial das esferas da sede-central do universo local.
48:1.3 (541.6) Todos esses mundos são esferas arquitetônicas, e possuem exatamente o dobro do número de elementos dos planetas evoluídos. Esses mundos feitos sob medida têm não apenas metais pesados e cristais em abundância, com cem elementos físicos, mas apresentam também exatamente cem formas de uma organização única da energia denominada matéria moroncial. Os Mestres Controladores Físicos e os Supervisores do Poder Moroncial são, assim, capazes de modificar a rotação das unidades primárias da matéria para, ao mesmo tempo, transformar as associações de energia de modo a criar essa nova substância.
48:1.4 (542.1) A vida moroncial primitiva nos sistemas locais é muito semelhante àquela do vosso mundo material atual, tornando-se menos física e mais verdadeiramente moroncial nos mundos de estudo da constelação. E, à medida que atingirdes as esferas de Sálvington, alcançareis níveis cada vez mais espirituais.
48:1.5 (542.2) Os Supervisores do Poder Moroncial são capazes de efetuar uma união das energias materiais e espirituais e, desse modo, organizar uma forma moroncial de materialização que seja receptiva à sobreposição do controle de um espírito. Na medida que fordes passando pela vida moroncial de Nébadon, esses mesmos Supervisores do Poder Moroncial, com a sua paciência e habilidade, irão prover-vos, sucessivamente, com 570 corpos moronciais, cada um constituindo-se numa fase da vossa transformação progressiva. Desde o momento em que houverdes deixado os mundos materiais, até vos tornardes um espírito do primeiro estágio, em Sálvington, vós ireis passar exatamente por 570 mudanças moronciais diferentes e ascendentes. Oito dessas mudanças ocorrem no sistema; setenta e uma na constelação; e 491 durante a vossa permanência nas esferas de Sálvington.
48:1.6 (542.3) Nos dias da carne mortal, o espírito divino reside em vós, quase como uma coisa à parte — na realidade, como uma invasão é que o espírito outorgado do Pai Universal habita no homem. Na vida moroncial, entretanto, o espírito tornar-se-á uma parte real da vossa personalidade, e à medida que fordes passando sucessivamente pelas 570 transformações progressivas, vós ascendereis, do estado material de vida da criatura, ao espiritual.
48:1.7 (542.4) Paulo teve conhecimento da existência dos mundos moronciais e da realidade dos materiais moronciais, pois escreveu: “Nos céus existe uma substância melhor e mais durável”. E esses materiais moronciais são reais, ao pé da letra, exatamente como na “cidade que tem fundações, e cujo arquiteto e construtor é Deus”. E cada uma dessas maravilhosas esferas é “um país melhor, isto é, um país celeste”.
48:2.1 (542.5) Esses seres únicos e singulares ocupam-se exclusivamente da supervisão das atividades que representam uma combinação do trabalho de energias espirituais e físicas, ou energias semimateriais. Eles devotam-se exclusivamente à ministração da progressão moroncial. Não é que eles tão-somente ministrem aos mortais durante a experiência de transição, porém, mais propriamente, eles tornam possível a existência de ambientes de transição para as criaturas moronciais em progressão. Eles são os canais para o poder moroncial, o qual sustenta e energiza as fases moronciais dos mundos de transição.
48:2.2 (542.6) Os Supervisores do Poder Moroncial são uma progênie do Espírito Materno do universo local. São bastante padronizados nas suas formas, embora difiram ligeiramente, em natureza, de uma criação local para outra. São criados para a sua função específica e não necessitam de nenhum aperfeiçoamento antes de assumirem as suas responsabilidades.
48:2.3 (542.7) A criação dos primeiros Supervisores do Poder Moroncial é simultânea com a chegada do primeiro sobrevivente mortal às margens de um dos primeiros mundos das mansões, em um universo local. Criados em grupos de mil, são eles classificados como se segue:
48:2.4 (542.8) 1. Reguladores dos Circuitos400
48:2.5 (542.9) 2. Coordenadores de Sistemas200
48:2.6 (542.10) 3. Custódios Planetários100
48:2.7 (543.1) 4. Controladores Combinados100
48:2.8 (543.2) 5. Estabilizadores das Ligações100
48:2.9 (543.3) 6. Classificadores Seletivos50
48:2.10 (543.4) 7. Registradores Associados50
48:2.11 (543.5) Os supervisores do poder sempre servem nos seus universos de nascimento. São dirigidos exclusivamente pela atividade espiritual conjunta do Filho do Universo e do Espírito do Universo; por outro lado, entretanto, formam um grupo totalmente autogovernado. Eles mantêm uma sede-central em cada um dos primeiros mundos das mansões dos sistemas locais, onde trabalham em estreita associação, tanto com os controladores físicos quanto com os serafins, funcionando, todavia, em um mundo deles próprios, no que afeta a manifestação da energia e a aplicação do espírito.
48:2.12 (543.6) Eles também trabalham algumas vezes ligados a fenômenos supramateriais, nos mundos evolucionários, como ministros designados temporariamente. Raramente servem nos planetas habitados; nem trabalham nos mundos mais elevados de educação do superuniverso, mas devotam-se principalmente ao regime de transição da progressão moroncial em um universo local.
48:2.13 (543.7) 1. Os Reguladores dos Circuitos. Estes são seres únicos que coordenam a energia física e a energia espiritual, e que regulam o seu fluxo nos canais separados das esferas moronciais; e esses circuitos são exclusivamente planetários, limitados a um único mundo. Os circuitos moronciais são distintos tanto dos circuitos físicos quanto dos espirituais, nos mundos de transição, sendo suplementares a ambos; e são necessários, mesmo, milhões desses reguladores para energizar um sistema de mundos das mansões, como o de Satânia.
48:2.14 (543.8) Os reguladores dos circuitos iniciam aquelas mudanças, nas energias materiais, que as tornam sujeitas ao controle e à regulagem dos colaboradores deles. Esses seres são geradores do poder moroncial, assim como reguladores dos circuitos. De modo semelhante àquele pelo qual um dínamo aparentemente gera a eletricidade, retirando-a da atmosfera, esses dínamos moronciais vivos parecem transformar as energias, de todos os lugares do espaço, nos materiais que os supervisores moronciais entrelaçam nos corpos e nas atividades vitais dos mortais ascendentes.
48:2.15 (543.9) 2. Os Coordenadores dos Sistemas. Posto que cada mundo moroncial tem uma ordem distinta de energia moroncial, é extremamente difícil para os humanos visualizarem essas esferas. Todavia, em cada esfera sucessiva de transição, os mortais encontrarão a vida vegetal e tudo o mais que faz parte da existência moroncial, progressivamente modificada, de modo a corresponder à espiritualização, em avanço, do sobrevivente ascendente. E já que o sistema de energia de cada mundo é individualizado desse modo, esses coordenadores operam para harmonizar e dosar esses sistemas diferentes de poder até formarem uma unidade operativa, para as esferas associadas de qualquer grupo particular.
48:2.16 (543.10) Os mortais ascendentes progridem gradualmente do físico até o espiritual, enquanto vão avançando de um mundo moroncial para outro; e disso surge a necessidade de proporcionar uma escala ascendente de esferas moronciais e uma escala ascendente de formas moronciais.
48:2.17 (543.11) Quando os seres ascendentes dos mundos das mansões passam de uma esfera a outra, os serafins de transporte entregam-nos aos receptores dos coordenadores do sistema, no mundo mais avançado. E ali, naqueles templos singulares, no centro das setenta alas radiais, onde estão as salas de transição, semelhantes às salas de ressurreição no mundo inicial de recepção, para os mortais originários da Terra, as mudanças necessárias são habilmente efetuadas, pelos coordenadores do sistema, na forma da criatura. Para que se realizem essas mudanças iniciais na forma moroncial, são necessários cerca de sete dias do tempo-padrão.
48:2.18 (544.1) 3. Os Custódios Planetários. Cada mundo moroncial está sob a custódia de setenta guardiães — no que concerne aos assuntos moronciais — , desde as esferas das mansões até as sedes-centrais do universo. Eles constituem o conselho planetário local de suprema autoridade moroncial. Esse conselho concede o material das formas moronciais para todas as criaturas ascendentes que aterrissam nas esferas, e autoriza as mudanças, na forma da criatura, que tornam possível a um ascendente continuar até a esfera seguinte. Depois que os mundos das mansões são atravessados, vós sereis transladados de uma fase da vida moroncial para outra, sem ter de perder a consciência. A inconsciência acontece apenas durante as metamorfoses iniciais e nas últimas transições de um universo para outro, e de Havona ao Paraíso.
48:2.19 (544.2) 4. Os Controladores Combinados. Um desses seres, altamente mecânicos, está sempre posicionado no centro de cada unidade administrativa de um mundo moroncial. Um controlador combinado é sensível às energias físicas, espirituais e moronciais; e é funcional, atuando segundo as mesmas; e, associados a este ser, estão sempre dois coordenadores de sistema, quatro reguladores dos circuitos, um custódio planetário, um estabilizador das ligações e um registrador associado ou um classificador seletivo.
48:2.20 (544.3) 5. Os Estabilizadores das Ligações. São os reguladores da energia moroncial, em associação com as forças físicas e espirituais do reino. Eles tornam possível a conversão da energia moroncial em matéria moroncial. Toda a organização da existência moroncial depende dos estabilizadores. Eles reduzem a rotação da energia até aquele ponto em que esta pode tornar-se física. Contudo, não possuo termos de comparação, nem como ilustrar a ministração desses seres. Está muito além da imaginação humana.
48:2.21 (544.4) 6. Os Classificadores Seletivos. À medida que progredis de uma classe ou fase, de um mundo moroncial, para outro, deveis ser reprogramados ou sintonizados segundo um diapasão mais elevado, e esta é a tarefa dos classificadores seletivos: manter-vos em sincronia progressiva dentro da vida moroncial.
48:2.22 (544.5) Enquanto as formas moronciais básicas de vida e matéria são idênticas; há, desde o primeiro mundo das mansões até a última esfera de transição do universo, uma progressão funcional que se estende gradativamente do material ao espiritual. A vossa adaptação a uma tal criação, basicamente uniforme, mas que tem um avanço sucessivamente espiritualizante, é efetivada por essa reprogramação seletiva. Esse ajustamento no mecanismo da personalidade é equivalente a uma nova criação, não obstante o fato de manterdes a mesma forma moroncial.
48:2.23 (544.6) Podeis sujeitar-vos repetidamente ao teste desses examinadores e, tão logo registrardes o adiantamento espiritual adequado, eles irão atestar, com prazer, que estais qualificados para um ponto mais avançado. Essas mudanças progressivas resultam em modificações nas reações ao meio ambiente moroncial, tais como modificações nos quesitos alimentares e numerosas outras práticas pessoais.
48:2.24 (544.7) Os classificadores seletivos prestam também o grande serviço de agrupar as personalidades moronciais, para fins de estudo, ensino e outros projetos. Eles indicam, naturalmente, aqueles que melhor funcionarão numa associação temporária.
48:2.25 (544.8) 7. Os Registradores Associados. O mundo moroncial tem os seus próprios registros e arquivistas, os quais servem em associação com os registradores do espírito, na supervisão e custódia de arquivos e outros dados implícitos às criações moronciais. Os arquivos moronciais estão disponíveis para todas as ordens de personalidades.
48:2.26 (545.1) Todos os reinos moronciais de transição são acessíveis, do mesmo modo, aos seres materiais e espirituais. Na condição de seres moronciais em progresso permanecereis em pleno contato com o mundo material e, ao mesmo tempo, com personalidades materiais; e ireis discernir os seres do espírito, de um modo crescente, e confraternizar-vos com eles; e, à época da partida do regime moroncial, vós havereis visto todas as ordens de espíritos, com exceção de uns poucos dos tipos mais elevados, tais como os Mensageiros Solitários.
48:3.1 (545.2) Tais hostes dos mundos das mansões e moronciais são progênie do Espírito Materno de um universo local. São criados, de idade em idade, em grupos de cem mil, e, em Nébadon atualmente, existem mais de setenta bilhões desses seres singulares.
48:3.2 (545.3) Os Companheiros Moronciais são treinados, para o serviço, pelos Melquisedeques, em um planeta especial perto de Sálvington; mas não passam pelas escolas centrais dos Melquisedeques. O seu serviço é prestado desde o primeiro mundo das mansões, dos sistemas, até as mais altas esferas de estudo de Sálvington; no entanto, raramente são encontráveis nos mundos habitados. Eles servem sob a supervisão geral dos Filhos de Deus e sob a direção imediata dos Melquisedeques.
48:3.3 (545.4) Os Companheiros Moronciais mantêm dez mil sedes-centrais em um universo local — em cada um dos primeiros mundos das mansões dos sistemas locais. São uma ordem quase integralmente autogovernada e, em geral, formam grupos inteligentes e leais de seres; mas é sabido, de quando em quando, que, ligando-se a certos levantes celestes infelizes, se desviaram. Milhares dessas criaturas úteis foram perdidas durante os tempos da rebelião de Lúcifer em Satânia. Hoje, o vosso sistema local tem a sua cota completa desses seres; a perda na rebelião de Lúcifer havendo sido recomposta apenas recentemente.
48:3.4 (545.5) Há dois tipos distintos de Companheiros Moronciais: um tipo é dinâmico, o outro é reservado; mas, de resto, eles equivalem-se em status. Não são criaturas sexuadas, mas demonstram um afeto tocante e belo uns pelos outros. E, ainda que sejam dificilmente agregáveis no sentido material (humano), eles têm uma ordem de existência, enquanto criaturas, muito próxima da das raças humanas. As criaturas intermediárias dos mundos são os vossos semelhantes mais próximos; em seguida, vêm os querubins moronciais e, depois destes, os Companheiros Moronciais.
48:3.5 (545.6) Esses companheiros, de um modo comovente, são seres afetuosos e encantadoramente sociáveis. Possuem personalidades distintas e, quando vós os conhecerdes nos mundos das mansões, depois de aprenderdes a reconhecê-los como uma classe, logo discernireis a sua individualidade. Todos os mortais parecem-se uns com os outros; ao mesmo tempo, cada um de vós possui uma personalidade distinta e reconhecível.
48:3.6 (545.7) Uma idéia sobre a natureza do trabalho desses Companheiros Moronciais pode ser dada pela seguinte classificação das suas atividades, em um sistema local:
48:3.7 (545.8) 1. Guardiães dos Peregrinos, estes não são designados para deveres específicos na sua associação com os progressores moronciais. São companheiros responsáveis por toda a carreira moroncial e, portanto, são os coordenadores do trabalho de todos os outros ministros moronciais e transicionais.
48:3.8 (546.1) 2. Receptores dos Peregrinos e Associadores Livres. Estes são os companheiros sociais dos recém-chegados aos mundos das mansões. Um deles certamente estará disponível para dar-vos as boas-vindas, ao acordardes no mundo inicial das mansões, vindos do vosso primeiro sono de trânsito do tempo, quando experienciareis a ressurreição da morte na carne para a vida moroncial. E, desde o momento em que vós receberdes as boas-vindas, formalmente, ao acordardes, até aquele dia em que deixareis o universo local como um espírito do primeiro estágio, esses Companheiros Moronciais estarão sempre convosco.
48:3.9 (546.2) Os Companheiros não são designados permanentemente para os indivíduos. Um mortal ascendente, em um mundo das mansões ou em outro mais elevado, poderia ter um companheiro diferente em cada uma das várias ocasiões sucessivas e, de novo, poderia ficar, por longos períodos, sem nenhum deles. Tudo dependeria das necessidades e também da disponibilidade de companheiros.
48:3.10 (546.3) 3. Anfitriões dos Visitantes Celestes. Estas criaturas gentis dedicam-se ao entretenimento dos grupos supra-humanos de estudantes visitantes e outros seres celestes que acaso possam estar em permanência nos mundos de transição. Vós tereis amplas oportunidades de visitar qualquer reino pelo qual já tenhais passado experiencialmente. Aos estudantes visitantes é permitido ir a todos os planetas habitados, mesmo àqueles em isolamento.
48:3.11 (546.4) 4. Coordenadores e Diretores das Ligações Sociais. Estes companheiros dedicam-se a facilitar o inter-relacionamento moroncial e a prevenção das confusões. São os instrutores da conduta social e do progresso moroncial, promovendo classes e outras atividades grupais entre os mortais ascendentes. Mantêm áreas extensas onde reúnem os seus alunos e, de tempos em tempos, fazem uma requisição de artesãos celestes e diretores de retrospecção para ilustrações dos seus programas. À medida que progredirdes, ireis entrar em contato íntimo com esses companheiros e sentireis uma afeição bastante grande por ambos os grupos. Se ireis estar associados a um tipo mais dinâmico ou a um tipo mais retraído de companheiro, isso é uma questão de oportunidade.
48:3.12 (546.5) 5. Intérpretes e Tradutores. Durante o princípio da carreira em mansônia, vós ireis recorrer, freqüentemente, aos intérpretes e tradutores. Eles conhecem e falam todas as línguas de um universo local; são os lingüistas dos reinos.
48:3.13 (546.6) Vós não ireis adquirir o conhecimento de novas línguas automaticamente; ireis aprender uma língua, ali, do mesmo modo que o fizestes aqui, e esses seres brilhantes serão os vossos professores de línguas. O primeiro estudo nos mundos das mansões será o da língua de Satânia e, depois, o da língua de Nébadon. E, enquanto estiverdes adquirindo o domínio completo dessas novas línguas, os Companheiros Moronciais serão os vossos intérpretes eficientes e tradutores pacientes. Nunca encontrareis um visitante, em qualquer desses mundos, para quem algum dentre os Companheiros Moronciais não seja capaz de atuar como intérprete.
48:3.14 (546.7) 6. Supervisores de Excursões e Retrospecção. Estes companheiros vos acompanharão nas viagens mais longas à esfera sede-central e mundos circundantes de cultura de transição. Planejam, conduzem e supervisionam todas as viagens individuais e grupais aos mundos de aperfeiçoamento e cultura do sistema.
48:3.15 (546.8) 7. Custódios das Áreas e Edifícios. Até mesmo as estruturas materiais e moronciais têm a sua perfeição e grandeza aumentada à medida que avançais na carreira em mansônia. Enquanto indivíduos e como grupos, é-vos permitido fazer certas mudanças nas moradas destinadas a vós, como sede da vossa permanência nos diferentes mundos das mansões. Muitas das atividades dessas esferas acontecem nos recintos abertos dos círculos, quadrados e triângulos diversificadamente designados. A maioria das estruturas dos mundos das mansões não tem telhados, sendo recintos de construção magnífica e ornamentação requintada. As condições climáticas e outras condições físicas que prevalecem nos mundos arquitetônicos tornam os telhados completamente desnecessários.
48:3.16 (547.1) Esses custódios das fases de transição da vida ascendente são supremos na gestão dos assuntos moronciais. Eles foram criados para esse trabalho e, enquanto aguardam a factualização do Ser Supremo, continuarão sendo sempre os Companheiros Moronciais; nunca realizando outras tarefas.
48:3.17 (547.2) Na medida que os sistemas e os universos forem sendo estabelecidos em luz e vida, os mundos das mansões deixarão, progressivamente, de funcionar como esferas para a transição de educação moroncial. Cada vez mais os finalitores instituirão o seu regime de educação, que parece destinar-se a transferir a conscientização cósmica do nível atual do grande universo para os universos exteriores futuros. Os Companheiros Moronciais estão destinados a funcionar cada vez mais em associação com os finalitores e em inúmeros outros reinos não-revelados em Urântia até o momento presente.
48:3.18 (547.3) Vós podeis prever que esses seres irão provavelmente contribuir muito para que desfruteis melhor dos mundos das mansões, sendo longa ou curta a vossa permanência neles. E continuareis a gozar da companhia deles durante toda a vossa ascensão a Sálvington. Eles não são, tecnicamente, essenciais a qualquer parte da vossa experiência de sobrevivência. Vós poderíeis alcançar Sálvington sem eles, mas eles vos fariam muita falta. Constituem-se em um luxo para a personalidade, na vossa carreira ascendente no universo local.
48:4.1 (547.4) A alegria jubilosa e o equivalente ao sorriso são tão universais quanto a música. Há um equivalente moroncial e um equivalente espiritual para a alegria e para o riso. A vida ascendente é como que dividida igualmente entre o trabalho e a diversão — a ausência do compromisso.
48:4.2 (547.5) O relaxamento celeste e o humor supra-humano são muito diferentes dos seus análogos humanos, mas todos nós nos permitimos realmente uma variação de cada um deles; e eles fazem por nós, de fato, no estado em que estamos, quase exatamente o que o humor ideal é capaz de fazer por vós, em Urântia. Os Companheiros Moronciais são promotores hábeis da recreação, sendo muito competentemente apoiados pelos diretores de retrospecção.
48:4.3 (547.6) Vós iríeis, provavelmente, entender melhor o trabalho dos diretores de retrospecção se eles fossem comparados aos tipos mais elevados de humoristas de Urântia, embora esta seja uma maneira por demais grosseira e um tanto infeliz de tentar dar-vos uma idéia da função desses diretores da variedade e da recreação, desses ministros do elevado humor dos reinos moronciais e espirituais.
48:4.4 (547.7) Ao analisar o humor espiritual, devo primeiro dizer-vos o que ele não é. Aquilo que é engraçado para um ser espírital nunca vem da ridicularização dos infortúnios dos fracos e dos fracassados. E jamais blasfema contra a retidão e glória da divindade. O nosso humor abrange três níveis gerais de apreciação:
48:4.5 (547.8) 1. As anedotas sobre as reminiscências. Os gracejos nascem da memória de episódios passados da própria experiência de combate, de lutas e algumas vezes do temor e não raro das ansiedades tolas e infantis. Para nós, essa fase do humor deriva de uma capacidade profunda e enraizada de retirar, das memórias do passado, um material com o qual temperamos agradavelmente as pesadas cargas do presente, deixando-as também mais leves.
48:4.6 (548.1) 2. O humorismo corriqueiro. A falta de sentido de grande parte das coisas que tão freqüentemente nos levam a preocupações sérias, o júbilo de descobrir a pouca importância de grande parte das nossas ansiedades pessoais sérias. Apreciamos muito esse tipo de humor, quando nos tornamos mais capazes de dar um desconto nas ansiedades do presente em favor das certezas do futuro.
48:4.7 (548.2) 3. O júbilo profético. Talvez seja difícil para os mortais visualizarem essa espécie de humor, mas temos uma satisfação especial com a segurança “de que todas as coisas trabalham juntas para o bem” — para os seres espirituais e moronciais, tanto quanto para os mortais. Esse aspecto do humor celeste nasce da nossa fé na proteção amorosa dos nossos superiores e da estabilidade divina dos nossos Diretores Supremos.
48:4.8 (548.3) Todavia, os diretores de retrospecção dos reinos não estão preocupados exclusivamente em descrever o alto humor das várias ordens de seres inteligentes; ocupam-se também em dirigir a diversão, a recreação espiritual e os divertimentos moronciais. E, para tanto, contam com a sincera cooperação dos artesãos celestes.
48:4.9 (548.4) Os próprios diretores de retrospecção não são um grupo criado; formam um corpo recrutado que abrange seres indo desde os nativos de Havona, passando pelas hostes de mensageiros do espaço e pelos espíritos ministradores do tempo, até os progressores moronciais dos mundos evolucionários. Todos são voluntários, doando a si próprios ao trabalho de ajudar os companheiros na realização da mudança do pensamento e descanso da mente, pois essas atitudes muito ajudam na recuperação das energias exauridas.
48:4.10 (548.5) Quando parcialmente esgotados pelos esforços da realização e, enquanto aguardamos receber novas cargas de energia, encontramos um prazer agradável em reviver as nossas atuações de outros dias e idades. É repousante lembrar-nos das primeiras experiências da raça ou da ordem. E é exatamente por isso que esses artistas são chamados de diretores de retrospecção — eles ajudam na retrospecção, feita pela memória, na busca de um estado primário do desenvolvimento ou de um momento anterior de menos experiência do ser.
48:4.11 (548.6) Todos os seres têm prazer com essa espécie de retrospecção, exceto aqueles que são Criadores inerentes e, portanto, auto-rejuvenescedores automáticos, e certos tipos altamente especializados de criaturas, tais como os centros de potência e os controladores físicos, que são eterna e meticulosamente pragmáticos em todas as suas reações. As liberações periódicas das tensões do dever funcional são uma parte regular da vida em todos os mundos no universo dos universos, mas não na Ilha do Paraíso. Os seres naturais da morada central são incapazes de se esgotarem e não estão, portanto, sujeitos à reenergização. Além do que, para esses seres de perfeição eterna do Paraíso não pode haver nenhuma retrospecção de experiências evolucionárias.
48:4.12 (548.7) A maioria de nós ascendeu de estágios mais baixos de existência, ou por meio de níveis progressivos, dentro das nossas ordens; e, em certa medida, é repousante e até divertido recordar certos episódios das nossas primeiras experiências. Há um repouso na contemplação do que é antigo, para a nossa própria ordem, e que fica na mente como uma posse da memória. O futuro significa luta e avanço; representa trabalho, esforço e realização; mas o passado tem o sabor das coisas já conquistadas e dominadas; a contemplação do passado permite o descanso e uma revisão tão livre de preocupações que provoca a alegria espiritual e um estado moroncial de mente que beira à exultação.
48:4.13 (548.8) Até mesmo o humor mortal fica mais afável, quando ilustra episódios envolvendo seres cujo estado de desenvolvimento está um pouco abaixo do próprio estado atual, ou quando envolve supostos superiores como vítimas das experiências comumente associadas aos seres supostamente inferiores. Vós, de Urântia, permitis, por demais, que muito do que é ao mesmo tempo vulgar e cruel seja misturado ao vosso humor, mas, no todo, deveis ser parabenizados por possuir um senso de humor relativamente apurado. Algumas das vossas raças têm uma rica veia de humorismo que as ajuda grandemente nas carreiras terrenas. Aparentemente, vós recebestes muito, do sentido do humor, da vossa herança Adâmica, muito mais do que vos foi assegurado na música tanto quanto nas artes.
48:4.14 (549.1) Durante as épocas de recreação, naquelas horas em que os seus habitantes fazem ressurgir, de um modo arrefecido, as memórias de um estágio anterior mais baixo de existência, todo o Satânia é edificado pelo agradável humor do corpo de diretores de retrospecção de Urântia. O senso de humor celeste, nós o conservamos sempre conosco, mesmo quando engajados no mais difícil dos compromissos. Ele nos ajuda a evitar que a noção da nossa própria importância se desenvolva fora das medidas. Entretanto, não damos asas a ele, de modo livre, como se diz comumente “divirta-se”; exceto quando estamos em recesso, fora dos compromissos sérios das nossas respectivas ordens.
48:4.15 (549.2) Quando somos tentados a maximizar a nossa própria importância, se pararmos para contemplar a infinitude da grandeza e da magnitude Daqueles que nos fizeram, a nossa própria autoglorificação torna-se sublimemente ridícula, beirando mesmo ao cômico. Uma das funções do humor é ajudar cada um a levar-se menos a sério. O humor é o antídoto divino para a exaltação do ego.
48:4.16 (549.3) A necessidade da descontração e da diversão trazidas pelo humor é maior nas ordens de seres ascendentes que, em sua luta para se elevar, estão submetidas a uma tensão contínua. Os dois extremos da vida pouca necessidade têm da recreação do humorismo. Os homens primitivos não têm capacidade para tal; e os seres com a perfeição do Paraíso não têm tal necessidade. As hostes de Havona são, naturalmente, um conjunto de personalidades supremamente felizes, extremamente cheias de júbilo e hilariantes. No Paraíso, a qualidade da adoração elimina a necessidade das atividades da retrospecção, mas, em meio àqueles que iniciam as suas carreiras muito abaixo da meta da perfeição do Paraíso, há bastante lugar para a ministração dos diretores de retrospecção.
48:4.17 (549.4) Quanto mais elevada a espécie mortal, maior a tensão e capacidade de humor, como também maior será a necessidade dele. No mundo do espírito, o oposto é verdadeiro: quanto mais alto nós ascendermos, menor será a necessidade das diversões com a experiência da retrospecção. Continuando, porém, escala abaixo na vida do espírito, do Paraíso até as hostes seráficas, há uma crescente necessidade da missão da alegria e da ministração da hilariedade. Aqueles seres que mais necessitam do revigoramento de uma retrospecção periódica, até o estado intelectual de experiências prévias, são os tipos mais elevados de espécies humanas, os seres moronciais, os anjos e os Filhos Materiais, juntamente com todos os tipos semelhantes de personalidades.
48:4.18 (549.5) O humor deveria funcionar como uma válvula automática de segurança para prevenir o acúmulo de pressões excessivas, causadas pela monotonia de uma autocontemplação séria e contínua, em ligação com a intensa luta pelo progresso evolutivo e pelas realizações nobres. O humor também funciona para reduzir o choque do impacto inesperado de um fato ou da verdade; do fato rígido e inflexível e da verdade flexível e eternamente viva. A personalidade mortal nunca se sente segura diante daquilo com que se deparará em seguida; no entanto, por meio do humor, rapidamente vê do que se trata e encontra o discernimento interior e capta a natureza inesperada da situação, seja do fato, seja da verdade.
48:4.19 (549.6) Conquanto o humor de Urântia seja grosseiro demais e quase sem arte, ele tem valor pelo seu propósito, é tanto uma segurança para a saúde como um liberador da pressão emocional, impedindo, assim, as tensões nervosas nocivas e uma autocontemplação séria em demasia. O humor e a recreação — a descontração — nunca são reações de esforços progressivos; são sempre ecos de uma olhada para trás, de uma reminiscência do passado. Mesmo em Urântia, e do modo como sois agora, vós sempre achais rejuvenescedor quando, por um curto período, podeis suspender a tensão dos esforços intelectuais novos e mais elevados e voltar às ocupações mais simples dos vossos ancestrais.
48:4.20 (550.1) Os princípios da vida recreativa de Urântia são filosoficamente sadios e continuam a ser aplicáveis durante a vossa vida ascendente, desde os circuitos de Havona até as margens eternas do Paraíso. Como seres ascendentes, estais de posse das memórias pessoais de todas as existências anteriores e menos elevadas, e, sem essas lembranças da identidade do passado, não haveria nenhuma base para o humor do presente, seja o riso dos mortais, seja a alegria moroncial. É a recordação das experiências passadas que fornece a base para a diversão e o recreio do presente. E assim ireis desfrutar dos equivalentes celestes do vosso humor terreno durante todo o caminho ascendente das vossas longas carreiras moronciais, que ficam cada vez mais espirituais. E, a parte de Deus (o Ajustador) que se torna uma parte eterna da personalidade de um mortal ascendente, contribui com os supratons da divindade para as expressões jubilosas, e também para o riso espiritual das criaturas ascendentes do tempo e do espaço.
48:5.1 (550.2) Os Mestres do Mundo das Mansões são um corpo de querubins e sanobins desmembrados, mas glorificados. Quando um peregrino do tempo avança, de um mundo de provas do espaço até os mundos das mansões e os mundos interligados de aperfeiçoamento moroncial, ele é acompanhado pelo seu serafim pessoal ou grupal, o guardião do destino. Nos mundos de existência mortal, o serafim é ajudado, com muita competência, pelos querubins e sanobins; mas, quando o pupilo mortal deles é liberado dos laços da carne e inicia a sua carreira ascendente, quando a vida pós-material ou moroncial começa, o serafim acompanhante não tem mais necessidade das ministrações dos seus antigos lugar-tenentes, o querubim e o sanobim.
48:5.2 (550.3) Esses assistentes do serafim ministrante são abandonados então, e, freqüentemente, convocados até a sede-central do universo, onde passam pelo abraço estreito do Espírito Materno do Universo, seguindo depois para as esferas de aperfeiçoamento do sistema, como Mestres dos Mundos das Mansões. Esses instrutores visitam, freqüentemente, os mundos materiais, desde o mundo mais baixo das mansões até as esferas educacionais mais altas ligadas à sede-central do universo, e trabalham nelas. Por sua própria iniciativa, podem retornar ao seu trabalho associativo anterior, com os serafins ministrantes.
48:5.3 (550.4) Há bilhões e bilhões desses instrutores em Satânia, e o número deles está constantemente crescendo, porque, na maioria dos casos, quando um serafim acompanha um mortal fusionado com o Ajustador, no seu caminho para o interior, um querubim e um sanobim são deixados para trás.
48:5.4 (550.5) Os Mestres dos Mundos das Mansões, como a maioria dos outros instrutores, são designados pelos Melquisedeques. Geralmente, são supervisionados pelos Companheiros Moronciais, mas, enquanto indivíduos e como professores, eles são supervisionados pelos chefes em exercício das escolas ou esferas nas quais possam estar funcionando como instrutores.
48:5.5 (550.6) Esses querubins avançados comumente trabalham aos pares, como faziam quando estavam agregados aos serafins. Por natureza, eles estão muito próximos do tipo moroncial de existência e são instrutores inerentemente compassivos para com os mortais ascendentes. E, de um modo muito eficiente, conduzem o programa preparatório do mundo das mansões e do sistema de educação moroncial.
48:5.6 (551.1) Nas escolas de vida moroncial, esses educadores engajam-se no ensino individual e grupal, de classes e de massa. Nos mundos das mansões, essas escolas são organizadas em três grupos gerais de cem divisões cada: as escolas do pensamento, as escolas do sentimento e as escolas da ação. Quando alcançardes a constelação, as escolas de ética, administração e ajustamento social, serão acrescentadas. Nos mundos sedes-centrais do universo, entrareis nas escolas de filosofia, de divindade e de espiritualidade pura.
48:5.7 (551.2) Aquelas coisas que poderíeis ter aprendido na Terra, mas cujo conhecimento não obtivestes, devem, então, ser aprendidas sob a tutela desses instrutores fiéis e pacientes. Não existem caminhos mais nobres, nem atalhos especiais, ou sendeiros fáceis para o Paraíso. Independentemente das variações individuais de itinerário, deveis conquistar a mestria das lições de uma esfera, antes de prosseguirdes para outras; isso é verdadeiro, ao menos depois que houverdes deixado o mundo em que nascestes.
48:5.8 (551.3) Um dos propósitos da carreira moroncial é extirpar, permanentemente, dos sobreviventes mortais os vestígios de características animais, tais como a procrastinação, os equívocos, a insinceridade, o escapismo aos problemas, a injustiça e a opção pelo mais fácil. A vida em mansônia muito cedo ensina aos jovens alunos moronciais que não se evita uma coisa adiando-a. Após a vida na carne, o tempo não mais está disponível como uma técnica para esquivar-vos das situações, nem para evitar as obrigações desagradáveis.
48:5.9 (551.4) Começando por servir nas mais baixas das esferas de permanência, os Mestres dos Mundos das Mansões avançam, havendo adquirido experiência, nas esferas educacionais do sistema e constelação, até os mundos de aperfeiçoamento de Sálvington. Eles não se submetem a nenhuma disciplina especial, nem antes nem depois do abraço do Espírito Materno do Universo. Já foram treinados para o seu trabalho, enquanto serviam como colaboradores seráficos, nos mundos de nascimento dos seus pupilos permanentes nos mundos das mansões. Tiveram uma experiência efetiva com esses mortais em avanço, nos mundos habitados. São professores práticos e compassivos, instrutores sábios e compreensivos, guias capazes e eficientes. Eles estão inteiramente familiarizados com os planos ascendentes e são profundamente experientes nas fases iniciais da carreira de progressão.
48:5.10 (551.5) Muitos dos mais antigos desses mestres, aqueles que têm servido há longa data nos mundos do circuito de Sálvington, são reabraçados pelo Espírito Materno do Universo e, deste segundo abraço, esses querubins e sanobins emergem com o status de serafins.
48:6.1 (551.6) Embora todas as ordens de anjos, desde os ajudantes planetários até os serafins supremos, ministrem nos mundos moronciais, os ministros de transição são mais exclusivamente designados para essas atividades. Esses anjos são da sexta ordem de servidores seráficos, e a sua ministração é devotada a facilitar o trânsito, para as criaturas materiais e mortais, da vida temporal na carne até os primeiros estágios da existência moroncial nos sete mundos das mansões.
48:6.2 (551.7) Devíeis compreender que a vida moroncial de um mortal ascendente realmente tem o seu início nos mundos habitados, quando se dá a concepção da alma, naquele momento em que a mente da criatura de status moral é residida pelo espírito Ajustador. Desse momento em diante, a alma mortal tem capacidade potencial para uma função supramortal, e até mesmo para ser reconhecida nos níveis mais elevados das esferas moronciais do universo local.
48:6.3 (552.1) Não sereis, contudo, conscientes da ministração dos serafins de transição, antes de atingirdes os mundos das mansões, onde eles trabalham incansavelmente, para o avanço dos seus pupilos mortais, sendo designados ao serviço segundo as sete divisões seguintes:
48:6.4 (552.2) 1. Os Evangelhos Seráficos. No momento em que retomais a consciência, nos mundos das mansões, sereis classificados como espíritos em evolução nos registros do sistema. É bem verdade, na realidade, que então ainda não sereis espíritos, mas já não sereis mais seres mortais nem materiais, já tereis embarcado na carreira de pré-espíritos e já fostes devidamente admitidos à vida moroncial.
48:6.5 (552.3) Nos mundos das mansões, os evangelhos seráficos vos ajudarão a escolher, sabiamente, entre os caminhos opcionais para Edêntia, Sálvington, Uversa e Havona. Se houver um certo número de caminhos igualmente aconselháveis, estes serão colocados diante de vós; e ser-vos-á permitido escolher aquele que mais vos atrair. Esses serafins, então, fazem recomendações aos vinte e quatro conselheiros em Jerusém a respeito daquele curso que deve ser o mais favorável para cada alma ascendente.
48:6.6 (552.4) Não vos é dado escolher, irrestritamente, o vosso futuro percurso; todavia, podereis optar, dentro dos limites daquilo que determinam os ministros de transição e os superiores deles, sabiamente, como a via mais adequada para realizardes vossa meta espiritual futura. O mundo espiritual é governado pelo princípio do respeito à escolha feita pelo vosso livre-arbítrio, desde que o percurso que possais escolher não esteja em detrimento de vós próprios e desde que não vá causar danos aos vossos companheiros.
48:6.7 (552.5) Esses evangelhos seráficos estão dedicados à proclamação da palavra de Deus para a progressão eterna, para o triunfo ao atingir a perfeição. Nos mundos das mansões, eles proclamam a grande lei da conservação e do predomínio da bondade: nenhum ato de bondade jamais se perde totalmente; pode permanecer frustrado por muito tempo, mas nunca é totalmente anulado, e é eternamente potente na proporção da divindade da sua motivação.
48:6.8 (552.6) Mesmo em Urântia, eles aconselham os mestres humanos da verdade e retidão a aderir à pregação “da bondade de Deus, que leva ao arrependimento” e a proclamar “o amor de Deus, que elimina todo o temor”. E, desse modo, as verdades têm sido declaradas no vosso mundo:
48:6.9 (552.7) Os Deuses são os meus guardiães; eu não me perderei;
48:6.10 (552.8) Lado a lado, conduzem-me pelos belos caminhos e na glória revigorante da vida eterna.
48:6.11 (552.9) E, nessa divina presença, não terei fome de alimento nem sede de água.
48:6.12 (552.10) Ainda que eu desça ao vale da incerteza ou ascenda aos mundos da dúvida,
48:6.13 (552.11) Ainda que caminhe na solidão ou com os meus semelhantes,
48:6.14 (552.12) Mesmo que eu triunfe nos coros da luz ou titubeie nos locais solitários das esferas,
48:6.15 (552.13) O Vosso bom espírito ministrará a mim, e o Vosso anjo glorioso confortar-me-á.
48:6.16 (552.14) Ainda que desça às profundezas da escuridão e da própria morte,
48:6.17 (552.15) Não duvidarei de Vós, nem Vos temerei,
48:6.18 (552.16) Pois sei que, na plenitude dos tempos e na glória do Vosso nome,
48:6.19 (552.17) Vós me elevareis, para que eu me assente Convosco nas fortificações das alturas.
48:6.20 (553.1) Essa foi a história sussurrada ao menino pastor durante a noite. Ele não conseguiu guardar palavra por palavra, mas, com o melhor da sua memória, nos deu o que ainda hoje é relembrado do modo acima.
48:6.21 (553.2) Esses serafins são também os evangelhos, a palavra de Deus, para que todo o sistema atinja a perfeição, tanto quanto o ascendente individual. E, mesmo agora, no jovem sistema de Satânia, os seus ensinamentos e planos abrangem provisões para as idades futuras, quando os mundos das mansões não mais servirem aos ascendentes mortais como patamares para as esferas do alto.
48:6.22 (553.3) 2. Os Intérpretes Raciais. As raças dos seres mortais não são todas iguais. É bem verdade que há um modelo planetário a reger a natureza e tendências físicas, mentais e espirituais das várias raças de um dado mundo; mas também há tipos raciais distintos e tendências sociais bastante definidas que caracterizam as progênies desses tipos básicos, mas diferentes, de seres humanos. Nos mundos do tempo, os intérpretes raciais seráficos suplementam os esforços dos comissários da raça, no sentido de harmonizar os pontos de vista variados das raças; e eles continuam a funcionar nos mundos das mansões, onde essas mesmas diferenças tendem a persistir em certa medida. Num planeta confuso, tal como Urântia, esses seres brilhantes mal tiveram uma oportunidade condigna de funcionar à altura, no entanto, são hábeis sociólogos e sábios conselheiros étnicos do primeiro céu.
48:6.23 (553.4) Deveríeis considerar a declaração sobre o “céu” e sobre o “céu dos céus”. O céu concebido pela maioria dos vossos profetas é o primeiro mundo das mansões do sistema local. Quando o apóstolo falou sobre ter sido “levado ao terceiro céu”, referia-se ele à experiência na qual o seu Ajustador destacava-se dele durante o sono e, nesse estado inusitado, fazia uma projeção ao terceiro dos sete mundos das mansões. Alguns dos vossos sábios tiveram a visão do céu maior, “o céu dos céus”, do qual a experiência sétupla no mundo das mansões não é senão o primeiro céu; o segundo, sendo Jerusém; o terceiro, Edêntia e seus satélites; o quarto, Sálvington e as esferas educacionais que a circundam; o quinto, Uversa; o sexto, Havona; e o sétimo, o Paraíso.
48:6.24 (553.5) 3. Os Planejadores da Mente. Estes serafins devotam-se a agrupar efetivamente os seres moronciais e organizar o seu trabalho em equipes, nos mundos das mansões. Eles são os psicólogos do primeiro céu. A maioria dessa divisão especial de ministros seráficos teve uma experiência anterior como anjos guardiães de filhos do tempo, mas os seus pupilos, por alguma razão, fracassaram na sua personalização nos mundos das mansões, ou, então, sobreviveram por meio da técnica de fusão com o Espírito.
48:6.25 (553.6) É tarefa dos planejadores da mente estudar a natureza, experiência e status das almas que têm Ajustadores, e que estão em trânsito nos mundos das mansões, facilitando os agrupamentos delas para os serviços e o avanço. Esses planejadores da mente, porém, não tramam, não manipulam, nem tiram vantagem de nenhum modo em vista da ignorância e outras limitações dos estudantes do mundo das mansões. São integralmente equânimes e eminentemente justos. Eles respeitam a vossa recém-nascida vontade moroncial; vos consideram como seres volitivos independentes e procuram encorajar o vosso rápido desenvolvimento e avanço. Aqui, estareis face a face com amigos verdadeiros e com conselheiros compreensivos, anjos que são realmente capazes de ajudar-vos a “verdes a vós próprios como os outros vos vêem” e de “conhecer-vos como os anjos vos conhecem”.
48:6.26 (553.7) Mesmo em Urântia, esses serafins ensinam a eterna verdade: Se a vossa própria mente não vos presta um bom serviço, podeis substituí-la pela mente de Jesus de Nazaré, que vos irá sempre servir bem.
48:6.27 (554.1) 4. Os Conselheiros Moronciais. Estes ministros recebem tal nome porque são designados para ensinar, direcionar e aconselhar os mortais sobreviventes dos mundos de origem humana, almas em trânsito para as escolas mais altas da sede-central do sistema. Eles são educadores daqueles que buscam discernir interiormente, pela unidade experiencial dos níveis divergentes de vida, aqueles que estão tentando a integração dos significados e a unificação dos valores. Essa função, na vida mortal, é da filosofia e, nas esferas moronciais, é função da mota.
48:6.28 (554.2) A mota é mais que uma filosofia superior; ela está para a filosofia assim como dois olhos estão para um olho só; ela gera um efeito estereoscópico sobre os significados e valores. O homem material vê o universo como ele é, mas apenas com um olho — no plano. Os estudantes dos mundos das mansões alcançam a perspectiva cósmica — a profundidade — pela superposição das percepções da vida moroncial, por sobre as percepções da vida física. E tornam-se capazes de colocar esses pontos de vista materiais e moronciais sob um enfoque verdadeiro, em grande parte graças à ministração incansável dos conselheiros seráficos, que tão pacientemente ensinam aos estudantes dos mundos das mansões e progressores moronciais. Muitos dos conselheiros mestres, da ordem dos serafins supremos, começaram as suas carreiras como conselheiros das almas recém-liberadas dos mortais do tempo.
48:6.29 (554.3) 5. Os Técnicos. Estes são os serafins que ajudam os novos ascendentes a ajustarem-se ao novo e relativamente estranho meio ambiente das esferas moronciais. A vida, nos mundos de transição, acarreta um contato real com as energias e materiais, tanto do nível físico quanto dos níveis moronciais e, em uma certa medida, com as realidades espirituais. Os ascendentes devem aclimatar-se a cada novo nível moroncial e, para tudo isso, são grandemente ajudados pelos técnicos seráficos. Esses serafins atuam como ligações, com os Supervisores do Poder Moroncial e com os Mestres Controladores Físicos, e funcionam abrangentemente como instrutores para os peregrinos ascendentes, no que diz respeito à natureza das energias que são utilizadas nas esferas de transição. Eles servem como cruzadores espaciais de emergência, e executam numerosos outros deveres regulares e especiais.
48:6.30 (554.4) 6. Os Mestres Registradores. Estes serafins são os registradores das transações fronteiriças entre o espiritual e o físico, das relações entre homens e anjos, das transações moronciais nos mais baixos dos reinos do universo. Também servem como instrutores das técnicas eficientes e definitivas de registro dos fatos. Há uma arte na reunião e na coordenação inteligente de dados correlatos; essa arte é aprimorada em colaboração com os artesãos celestes, e mesmo os mortais ascendentes podem afiliar-se assim a esse aprendizado junto aos serafins registradores.
48:6.31 (554.5) Os registradores de todas as ordens seráficas devotam um certo período de tempo à educação e aperfeiçoamento dos progressores moronciais. Esses custódios angélicos dos fatos do tempo são instrutores ideais para todos aqueles que buscam os fatos. Antes de deixar Jerusém, vos tornareis bastante familiarizados com a história de Satânia e seus 619 mundos habitados, sendo que muito dessa história vos será passada pelos registradores seráficos.
48:6.32 (554.6) Todos esses anjos fazem parte da corrente de registradores que se estende desde os mais baixos aos mais altos custódios dos fatos do tempo e verdades da eternidade. Algum dia, eles irão ensinar-vos a buscar a verdade, tanto quanto os fatos, para que possais expandir a vossa alma, bem como a vossa mente. E, mesmo agora, devíeis aprender a regar o jardim do vosso coração, bem como buscar as areias secas do conhecimento. As formas passam a não ter valor quando as lições são aprendidas. Nenhum pintainho pode existir sem o ovo, e nenhuma casca de ovo tem valor depois de o pintinho haver saído. Algumas vezes, porém, o erro é tão grande que a sua retificação, por meio da revelação, seria fatal para aquelas verdades que emergem vagarosamente, mas que são essenciais para superar experiencialmente o erro. Quando as crianças têm os seus ideais, não os destruamos; deixemo-los crescer. E enquanto estais aprendendo a pensar como homens, deveríeis também estar aprendendo a orar como crianças.
48:6.33 (555.1) A lei é a vida em si mesma e não as regras para conduzi-la. O mal é uma transgressão da lei; não uma violação das regras de conduta pertinentes à vida, que é a lei. A falsidade não é uma questão de técnica de narração, mas algo premeditado como uma perversão da verdade. A criação de novos quadros tirados de velhos fatos, um restabelecimento da vida dos pais nas vidas da sua prole — esses são os triunfos artísticos da verdade. A sombra de um cacho de cabelo, premeditada para um propósito inverdadeiro; o mais leve torcer ou perverter daquilo que é um princípio — isso constitui a falsidade. Contudo, o fetiche da verdade factualizada, a verdade fossilizada, a braçadeira de ferro da assim chamada verdade imutável, encerra-nos cegamente dentro do círculo fechado do fato frio. Podemos estar tecnicamente certos quanto ao fato e eternamente errados quanto à verdade.
48:6.34 (555.2) 7. As Reservas Ministrantes. Um imenso corpo de todas as ordens de serafins de transição é mantido no primeiro mundo das mansões. De todas as ordens de serafins, esses ministros de transição, depois dos guardiães do destino, são os que mais se aproximam dos humanos, e muitos dos vossos momentos de lazer serão passados junto a eles. Os anjos têm no serviço um prazer e, quando descompromissados, muitas vezes ministram como voluntários. A alma de muitos mortais ascendentes foi, pela primeira vez, tocada pela chama divina da vontade de servir por meio de amizade pessoal com os servidores voluntários das reservas seráficas.
48:6.35 (555.3) Deles, ireis aprender a fazer com que as pressões se transformem em estabilidade e certeza; a serdes fiéis, sérios e alegres, em tudo e por tudo; a aceitar os desafios sem queixas; e enfrentar dificuldades e incertezas sem medo. Eles perguntarão: se fracassardes, levantar-vos-eis indômitos para tentar de novo? Se bem-sucedidos, vós mantereis uma atitude bem equilibrada — uma atitude estável e espiritualizada — em cada esforço, na longa luta para quebrar as correntes da inércia material, para alcançar a liberdade da existência espiritual?
48:6.36 (555.4) Como os próprios mortais, esses anjos têm enfrentado muitas decepções, e eles vos mostrarão como, algumas vezes, os vossos desapontamentos mais decepcionantes puderam transformar-se nas vossas maiores bênçãos. Algumas vezes, o plantio de uma semente necessita da sua morte, a morte das vossas esperanças mais queridas, antes que renasça para dar os frutos da nova vida e da nova oportunidade. Deles ireis aprender a sofrer menos, pelas tristezas e desapontamentos, primeiro, fazendo menos planos pessoais envolvendo outras personalidades, e depois, aceitando a vossa parte quando houverdes fielmente cumprido o vosso dever.
48:6.37 (555.5) Ireis aprender que as vossas cargas aumentam e as possibilidades de sucesso diminuem quando vos levais excessivamente a sério. Nada pode ter precedência sobre o trabalho na esfera em que possuís o vosso status — esse mundo ou o próximo. Muito importante é o trabalho de preparação para a próxima e mais elevada esfera; no entanto, em importância, nada se iguala ao trabalho feito no mundo em que estais de fato vivendo. E assim, embora o trabalho seja importante, o ego não o é. Quando vos sentis importantes, perdeis energia por meio do desgaste da dignidade do ego, de modo que pouca energia sobra para fazer o trabalho. Dar-se muita auto-importância e pouca importância ao trabalho exaure as criaturas imaturas; é o elemento do ego que exaure, não o esforço para realizar. Podeis fazer um trabalho importante, se não vos atribuirdes auto-importância excessiva; podeis fazer várias coisas tão facilmente quanto fazeis uma só, se deixardes a vós próprios de fora. A variedade descansa; a monotonia é o que desgasta e exaure. O dia após dia é igual — apenas a vida ou a alternativa da morte.
48:7.1 (556.1) Os planos mais baixos da mota moroncial confluem, tangenciando, imediatamente abaixo, os mais altos níveis da filosofia humana. No primeiro mundo das mansões a prática é ensinar aos estudantes menos avançados pela técnica das paralelas; isto é, em uma coluna são apresentados os mais simples conceitos dos significados da mota, e numa coluna ao lado são colocadas as citações de afirmações análogas da filosofia mortal.
48:7.2 (556.2) Há pouco tempo, enquanto cumpria um compromisso no primeiro mundo das mansões de Satânia, eu tive a ocasião de observar esse método de ensino; e, embora não possa eu apresentar a parte da lição que corresponde à mota, é-me permitido recordar as vinte e oito afirmações da filosofia humana que aquele instrutor moroncial estava utilizando como material ilustrativo, destinado a ajudar esses recém-chegados ao mundo das mansões nos seus primeiros esforços para compreender o significado e o sentido da mota. Essas ilustrações da filosofia humana eram:
48:7.3 (556.3) 1. Uma demonstração de habilidade especializada não significa a posse de capacidade espiritual. A engenhosidade não substitui o caráter verdadeiro.
48:7.4 (556.4) 2. Poucas pessoas vivem à altura da fé que na verdade possuem. O medo irracional é uma fraude intelectual madrasta, praticada contra a alma mortal em evolução.
48:7.5 (556.5) 3. As capacidades inerentes não podem ser superadas; em um copo jamais pode caber um litro. O conceito espiritual não pode ser mecanicamente imposto aos moldes da memória material.
48:7.6 (556.6) 4. Poucos mortais ousam atribuir a soma dos créditos da sua personalidade aos ministérios combinados da natureza e da graça. A maioria das almas empobrecidas é verdadeiramente rica, mas se recusa a acreditar nisso.
48:7.7 (556.7) 5. As dificuldades podem desafiar a mediocridade e derrotar os temerosos, mas apenas estimulam os verdadeiros filhos dos Altíssimos.
48:7.8 (556.8) 6. Desfrutar do privilégio sem abuso, ter liberdade sem licença, possuir o poder e firmemente se recusar a usá-lo para o auto-engrandecimento — essas marcas indicam uma alta civilidade, numa alta civilização.
48:7.9 (556.9) 7. Acidentes cegos e imprevistos não ocorrem no cosmo. Nem os seres celestes ajudam um ser mais baixo que se recusa a agir sob a luz da sua verdade.
48:7.10 (556.10) 8. O esforço nem sempre produz alegria, mas não existe felicidade sem esforço inteligente.
48:7.11 (556.11) 9. A ação gera a força; a moderação resulta em encanto.
48:7.12 (556.12) 10. A retidão toca as cordas da harmonia da verdade; e a melodia vibra em todo o cosmo, para reconhecer até mesmo o Infinito.
48:7.13 (556.13) 11. Os fracos condescendem em tomar resoluções, mas os fortes agem. A vida não é senão um dia de trabalho — faça-o bem. O ato é nosso; as conseqüências são de Deus.
48:7.14 (556.14) 12. A maior aflição em todo o cosmo é nunca ter sido afligido. Os mortais apenas aprendem a sabedoria pela experiência da tribulação.
48:7.15 (556.15) 13. É do isolamento solitário das profundezas experienciais que as estrelas são mais bem discernidas, não dos cumes iluminados e deslumbrantes das montanhas.
48:7.16 (556.16) 14. Estimulai o apetite dos vossos companheiros pela verdade; e, conselhos, vós o dareis apenas quando vos for pedido.
48:7.17 (557.1) 15. A afetação é o esforço ridículo do ignorante para parecer sábio, a tentativa da alma estéril de parecer rica.
48:7.18 (557.2) 16. Vós não podeis perceber a verdade espiritual até que a vossa experiência a tenha provado, contudo muitas verdades não são realmente sentidas senão na adversidade.
48:7.19 (557.3) 17. A ambição é perigosa até que ela seja integralmente socializada. Vós não adquirireis, verdadeiramente, uma virtude sequer, antes que os vossos atos vos façam dignos dela.
48:7.20 (557.4) 18. A impaciência é um veneno para o espírito; a raiva é como uma pedra atirada em um ninho de vespas.
48:7.21 (557.5) 19. A ansiedade deve ser abandonada. As decepções mais difíceis de serem toleradas são as que nunca chegam.
48:7.22 (557.6) 20. Apenas um poeta pode ver poesia na prosa lugar-comum da existência rotineira.
48:7.23 (557.7) 21. A missão elevada de qualquer arte é, por meio das suas ilusões, prenunciar uma realidade universal superior, é cristalizar as emoções do tempo no pensamento da eternidade.
48:7.24 (557.8) 22. A alma em evolução não se torna divina pelo que faz, mas por aquilo que se esforça por fazer.
48:7.25 (557.9) 23. A morte nada acrescenta à posse intelectual nem à dotação espiritual, mas ao cabedal experiencial acrescenta a consciência da sobrevivência.
48:7.26 (557.10) 24. O destino da eternidade é determinado, momento a momento, por aquilo que é realizado na vida do dia-a-dia. Os atos de hoje são o destino de amanhã.
48:7.27 (557.11) 25. A grandeza não repousa tanto em possuir força, quanto em fazer um uso sábio e divino dessa força.
48:7.28 (557.12) 26. O conhecimento é adquirido apenas pelo compartilhamento; ele é salvaguardado pela sabedoria e socializado pelo amor.
48:7.29 (557.13) 27. O progresso requer o desenvolvimento da individualidade; a mediocridade busca a perpetuação na padronização.
48:7.30 (557.14) 28. A necessidade de defender uma proposição por meio da argumentação é inversamente proporcional ao teor da sua verdade implícita.
48:7.31 (557.15) Esse é um trabalho para os iniciantes no primeiro mundo das mansões, enquanto os alunos mais avançados, nos mundos seguintes, estão já cuidando da própria mestria sobre níveis mais elevados do discernimento cósmico e da mota moroncial.
48:8.1 (557.16) Desde a época da graduação, nos mundos das mansões, até alcançarem o status espiritual na carreira do superuniverso, os mortais ascendentes são denominados progressores moronciais. A vossa passagem por essa maravilhosa vida fronteiriça será uma experiência inesquecível, de memória encantadora. É o portal evolucionário para a vida do espírito, e é o atingir final da perfeição da criatura, por meio do qual os seres ascendentes realizam a meta do tempo — encontrar Deus no Paraíso.
48:8.2 (557.17) Um propósito divino e definido existe em todo esse esquema moroncial, e posteriormente espiritual, de progressão mortal, nessa escola universal de minuciosa educação para as criaturas ascendentes. É desígnio dos Criadores proporcionar às criaturas do tempo uma oportunidade gradual de aprendizado, para que adquiram a mestria sobre os detalhes da operação e da administração do grande universo; e esse curso longo de aperfeiçoamento será mais bem aproveitado se os mortais sobreviventes efetuarem a escalada gradativamente, e por meio de uma participação efetiva em cada passo da ascensão.
48:8.3 (558.1) O plano de sobrevivência para os mortais tem um objetivo prático e útil; vós não sois os receptáculos, de todo esse trabalho divino e desse aperfeiçoamento cuidadoso, apenas para poderdes sobreviver e gozar de uma bênção infindável e uma tranqüilidade eterna. Há uma meta de serviço transcendente, oculta além do horizonte da presente idade do universo. Se os Deuses tivessem como desígnio meramente levar-vos em uma longa e eterna excursão de júbilo, por certo eles não haveriam transformado tão amplamente todo o universo em uma vasta e intrincada escola prática de aperfeiçoamento, a qual requer uma parte substancial da criação celeste, como professores e instrutores, para, então, despender idades e mais idades pilotando-vos, um por um, por meio dessa gigantesca escola do universo para a educação experiencial. A implementação do esquema de progressão mortal parece ser um dos principais serviços do universo presentemente organizado; e a maioria das inumeráveis ordens de inteligências criadas, está, direta ou indiretamente, engajada em fazer, em alguma fase, com que esse plano progressivo de perfeccionamento progrida.
48:8.4 (558.2) Percorrendo a escala ascendente da existência viva, do homem mortal ao abraço da Deidade, de fato vós viveis a vida mesma de todas as fases e estágios possíveis da existência da criatura perfeccionada, dentro dos limites da idade presente do universo. Na trajetória de homem mortal a finalitor do Paraíso, fica abrangido tudo o que agora pode ser — engloba tudo o que atualmente se faz possível às ordens viventes de seres-criaturas finitos, inteligentes e perfeccionados. Se o futuro destino dos finalitores do Paraíso for o de servir, nos novos universos, ora em formação, fica assegurado que nessa nova e futura criação não haverá ordens criadas, de seres experienciais, cujas vidas possam vir a ser inteiramente diferentes das que os finalitores mortais viveram, em algum mundo, como parte do seu aperfeiçoamento ascendente, como um dos estágios do seu progresso de idade em idade, do animal ao anjo, do anjo ao espírito e do espírito a Deus.
48:8.5 (558.3) [Apresentado por um Arcanjo de Nébadon.]
O Livro de Urântia
Documento 49
49:0.1 (559.1) OS MUNDOS habitados pelos mortais são todos evolucionários por origem e natureza. Essas esferas são o berço evolucionário, o local de geração das raças mortais do tempo e do espaço. Cada unidade de vida ascendente é uma verdadeira escola de aperfeiçoamento para o estágio seguinte da existência, e isso é verdadeiro sobre todos os estágios da ascensão progressiva do homem ao Paraíso; verdadeiro para a experiência mortal inicial em um planeta evolucionário, como é verdadeiro para a escola final dos Melquisedeques, na sede-central do universo; uma escola que é freqüentada pelos mortais ascendentes apenas um pouco antes do seu translado para o regime do superuniverso, quando alcançam o primeiro estágio da existência espiritual.
49:0.2 (559.2) Todos os mundos habitados são agrupados basicamente, para a administração celeste, em sistemas locais; e cada um desses sistemas locais é limitado a cerca de mil mundos evolucionários. Essa limitação é feita por um decreto dos Anciães dos Dias, e diz respeito aos verdadeiros planetas evolucionários, onde estejam vivendo mortais com status de sobrevivência. Nem os mundos estabelecidos finalmente em luz e vida, nem os planetas nos estágios pré-humanos do desenvolvimento da vida pertencem a esse grupo.
49:0.3 (559.3) Satânia, em si mesmo, é um sistema inacabado, que contém apenas 619 mundos habitados ainda. Tais planetas são enumerados seqüencialmente, de acordo com o seu registro como mundos habitados pelas criaturas de vontade. Assim, foi dado a Urântia o número 606, de Satânia, significando que é o 606o mundo do sistema local, no qual o longo processo da vida evolucionária culminou com o aparecimento de seres humanos. Existem trinta e seis planetas não habitados aproximando-se do estágio em que poderão ser dotados de vida, e vários outros estão agora ficando prontos para os Portadores da Vida. Há aproximadamente duzentas esferas evoluindo de modo a ficarem prontas para a implantação da vida dentro dos próximos milhões de anos.
49:0.4 (559.4) Nem todos os planetas são adequados para abrigar a vida mortal. Os pequenos, que têm uma velocidade de rotação elevada, em torno do próprio eixo, são totalmente inadequados como habitat para a vida. Em vários sistemas físicos de Satânia, os planetas que giram em volta do sol central são grandes demais para serem habitados; a sua grande massa ocasiona uma gravidade opressiva. Muitas dessas esferas enormes têm satélites, algumas vezes uma meia dúzia ou até mais, e essas luas, freqüentemente, têm um tamanho muito próximo ao de Urântia, de um modo tal que são quase ideais para serem habitadas.
49:0.5 (559.5) O mundo habitado mais antigo de Satânia, o mundo de número um, Anova, é um dos quarenta e quatro satélites que giram em torno de um planeta escuro enorme, mas exposto à luz diferencial de três sóis vizinhos. Anova está em um estágio avançado de civilização progressiva.
49:1.1 (559.6) Os universos do tempo e do espaço têm um desenvolvimento gradual; a progressão da vida — terrestre ou celeste — não é nem arbitrária, nem mágica. A evolução cósmica pode nem sempre ser compreensível (previsível), mas é estritamente não acidental.
49:1.2 (560.1) A unidade biológica da vida material é a célula protoplásmica, associação coletiva que é de energias químicas, elétricas e outras energias básicas. As fórmulas químicas diferem em cada sistema, e a técnica de reprodução da célula viva é ligeiramente diferente em cada universo local, mas os Portadores da Vida são sempre os catalisadores vivos que iniciam as reações primordiais da vida material; eles são os estimuladores dos circuitos das energias da matéria viva.
49:1.3 (560.2) Todos os mundos de um sistema local apresentam um parentesco físico inequívoco; contudo, cada planeta tem a sua própria escala de vida, não havendo dois mundos exatamente iguais nas suas dotações de vida vegetal e animal. Tais variações planetárias, nos tipos de vida do sistema, resultam das decisões dos Portadores da Vida. Todavia, esses seres não agem nem por capricho, nem por excentricidade; os universos são conduzidos de acordo com a lei e a ordem. As leis de Nébadon são os mandados divinos de Sálvington, e a ordem evolucionária da vida em Satânia está em consonância com o modelo evolucionário de Nébadon.
49:1.4 (560.3) A evolução é a regra do desenvolvimento humano, mas o processo, em si mesmo, varia muito nos diferentes mundos. Algumas vezes, a vida é iniciada em um centro, e algumas vezes em três, como o foi em Urântia. Nos mundos atmosféricos, ela usualmente tem uma origem marinha, mas nem sempre; depende muito do status físico de um planeta. Os Portadores da Vida desfrutam de grande abertura de ação na função de iniciar a vida.
49:1.5 (560.4) No desenvolvimento da vida planetária, a forma vegetal sempre antecede à animal, e é desenvolvida quase completamente antes de os modelos animais se diferenciarem. Todos os tipos de animais são desenvolvidos a partir dos modelos básicos do reino vegetal precedente de coisas vivas; não são organizados separadamente.
49:1.6 (560.5) Os estágios iniciais de evolução da vida não estão inteiramente em conformidade com as vossas visões atuais. O homem mortal não é um acidente evolucionário. Há um sistema preciso, uma lei universal a qual determina o desdobramento do plano da vida planetária nas esferas do espaço. O tempo e a produção de grandes números de uma espécie não são as influências controladoras. Os camundongos reproduzem-se muito mais rapidamente do que os elefantes, mas os elefantes evoluem mais rapidamente do que os camundongos.
49:1.7 (560.6) O processo de evolução planetária é ordenado e controlado. O desenvolvimento de organismos mais elevados a partir de grupos menos desenvolvidos de vida não é acidental. Algumas vezes, o progresso evolucionário é temporariamente retardado pela destruição de certas linhas favoráveis do plasma da vida existente em uma espécie seleta. Em geral, idades e idades se fazem necessárias para reparar os danos ocasionados pela perda de uma única linhagem superior de hereditariedade humana. Essas linhagens selecionadas e superiores do protoplasma vivo deveriam ser zelosa e inteligentemente guardadas, depois de haverem surgido. E, na maioria dos mundos habitados, esses potenciais superiores de vida são muito mais altamente valorizados do que em Urântia.
49:2.1 (560.7) Há um modelo básico e padronizado de vida vegetal e vida animal em cada sistema. Todavia, os Portadores da Vida deparam-se, muitas vezes, com a necessidade de modificar esses modelos básicos, para conformá-los às condições físicas variáveis encontradas em inúmeros mundos do espaço. Eles fomentam um tipo generalizado de criatura mortal em um sistema, mas há sete tipos físicos distintos, bem como milhares e milhares de variantes menores dessas sete diferenciações principais:
49:2.2 (561.1) 1. Os tipos segundo a atmosfera.
49:2.3 (561.2) 2. Os tipos segundo os elementos.
49:2.4 (561.3) 3. Os tipos segundo a gravidade.
49:2.5 (561.4) 4. Os tipos segundo a temperatura.
49:2.6 (561.5) 5. Os tipos segundo a eletricidade.
49:2.7 (561.6) 6. Os tipos segundo a energia.
49:2.8 (561.7) 7. Os tipos não denominados.
49:2.9 (561.8) O sistema de Satânia contém todos esses tipos, bem como inúmeros grupos intermediários, embora alguns só estejam representados de modo muito raro.
49:2.10 (561.9) 1. Os tipos segundo a atmosfera. As diferenças físicas entre os mundos habitados pelos mortais são determinadas principalmente pela natureza da atmosfera; outras influências que contribuem para a diferenciação planetária da vida são relativamente menores.
49:2.11 (561.10) O status atual da atmosfera de Urântia é quase ideal para a manutenção do tipo de homem que respira, mas é possível o tipo humano ser tão modificado que possa viver tanto no tipo superatmosférico de planetas, quanto no subatmosférico. Tais modificações também se estendem à vida animal, que difere grandemente nas várias esferas habitadas. Há uma modificação muito grande nas ordens animais, dos mundos subatmosféricos para os mundos superatmosféricos.
49:2.12 (561.11) Dos tipos atmosféricos, em Satânia, cerca de dois e meio por cento são sub-respiradores, cerca de cinco por cento são super-respiradores e cerca de mais de noventa e um por cento são de respiradores intermediários, totalizando assim noventa e oito e meio por cento dos mundos de Satânia.
49:2.13 (561.12) Os seres como os das raças de Urântia são classificados como respiradores intermediários; vós representais a média, ou a ordem de existência mortal tipicamente respiratória. Se criaturas inteligentes devessem existir em um planeta com uma atmosfera semelhante à do vosso grande vizinho, Vênus, elas pertenceriam ao grupo super-respirador, enquanto as que habitassem um planeta com uma atmosfera tão rarefeita como a do vosso vizinho externo, Marte, seriam denominadas sub-respiradoras.
49:2.14 (561.13) Se os mortais habitassem um planeta desprovido de ar, como a vossa Lua, eles pertenceriam à ordem separada dos não-respiradores. Esse tipo representa um ajuste radical ou extremo ao meio ambiente planetário e é considerado separadamente. Os não-respiradores completam aquele um e meio por cento restante dos mundos de Satânia.
49:2.15 (561.14) 2. Os tipos segundo os elementos. Essas diferenciações têm a ver com a relação dos mortais com a água, o ar e a terra; e há quatro espécies distintas de vida inteligente no que diz respeito a esses habitat. As raças de Urântia são da ordem terrena.
49:2.16 (561.15) É totalmente impossível, para vós, imaginar o meio ambiente que prevalece durante as idades iniciais de alguns mundos. Tais condições inusitadas requerem que a vida animal em evolução permaneça no seu berço de habitat marinho por períodos mais longos do que naqueles planetas que proporcionam muito cedo um meio ambiente hospitaleiro de terra e atmosfera. Por outro lado, em alguns mundos do tipo super-respiradores, quando o planeta não é muito grande, algumas vezes é oportuno prover um tipo de mortal que possa prontamente negociar a travessia da atmosfera. Esses navegadores aéreos algumas vezes surgem entre os grupos da água e os da terra, e sempre vivem, em uma certa medida, no solo, finalmente transformando-se em terrestres. Em alguns mundos, contudo, durante idades, eles continuam a voar, até mesmo depois de haverem-se transformado no tipo terrestre de seres.
49:2.17 (562.1) Ao mesmo tempo é divertido e surpreendente observar a civilização primeva de raças primitivas de seres humanos tomando forma, em um caso, no ar e nas partes mais altas das árvores, e, em outro, em meio às águas rasas de bacias tropicais protegidas, bem como no fundo, nas bordas e nas praias nos jardins marinhos das raças do alvorecer dessas esferas extraordinárias. Mesmo em Urântia houve uma longa idade durante a qual o homem primitivo preservou-se e desenvolveu a sua civilização primeva, vivendo a maior parte do tempo nos topos das árvores, como o faziam seus longínquos ancestrais arborícolas. E, em Urântia, vós ainda tendes um grupo de pequenos mamíferos (a família dos morcegos) que são navegadores do ar; e as vossas focas e as baleias, de habitat marinho, são também da ordem dos mamíferos.
49:2.18 (562.2) Em Satânia, dos tipos segundo os elementos, sete por cento são da água, dez por cento do ar, setenta por cento da terra e treze por cento combinam os tipos da terra e do ar. Mas tais modificações das criaturas primitivas inteligentes não se constituem nem em peixes humanos nem pássaros humanos. São do tipo humano e do tipo pré-humano, nem superpeixes, nem pássaros glorificados, mas nitidamente mortais.
49:2.19 (562.3) 3. Os tipos segundo a gravidade. Pela modificação do projeto criativo, os seres inteligentes são criados de um modo tal que possam funcionar livremente, tanto em esferas menores, quanto nas maiores do que Urântia, ficando de certo modo acomodados assim à gravidade dos planetas que não têm o tamanho e a densidade ideais.
49:2.20 (562.4) Os vários tipos planetários de mortais variam em altura, a média em Nébadon sendo um pouco abaixo de dois metros e dez. Alguns dos mundos maiores são povoados com seres que têm apenas setenta centímetros de altura. A estatura dos mortais varia desse mínimo, passando pelas médias de altura nos planetas de tamanho mediano e chegando a três metros nas esferas habitadas menores. Em Satânia, existe apenas uma raça com menos de um metro e vinte de altura. Vinte por cento dos mundos habitados de Satânia são povoados por mortais do tipo modificado de gravidade, os quais ocupam os planetas maiores e menores.
49:2.21 (562.5) 4. Os tipos segundo a temperatura. É possível criar seres vivos que possam suportar temperaturas tanto mais altas, quanto mais baixas do que os limites suportados pelas raças de Urântia. Há cinco ordens distintas de seres, classificados pelo que se refere aos mecanismos de regulagem da temperatura. Nessa escala, as raças de Urântia são as de número três. Trinta por cento dos mundos de Satânia são povoados por raças do tipo de temperatura modificada. Doze por cento pertencem às faixas de temperaturas mais altas, dezoito por cento às mais baixas, se comparadas com as raças urantianas que funcionam no grupo das temperaturas intermediárias.
49:2.22 (562.6) 5. Os tipos segundo a eletricidade. O comportamento elétrico, magnético e eletrônico dos mundos varia grandemente. Há dez modelos de vida mortal variavelmente moldados para suportar a energia diferencial das esferas. Essas dez variedades também reagem de forma ligeiramente diferente aos raios de poder químico da luz comum dos sóis. Mas essas ligeiras variações físicas de nenhum modo afetam a vida intelectual ou espiritual.
49:2.23 (562.7) Dos agrupamentos elétricos de vida mortal, quase vinte e três por cento pertencem à classe de número quatro, o tipo de existência de Urântia. Esses tipos são distribuídos do modo seguinte: número 1, um por cento; número 2, dois por cento; número 3, cinco por cento; número 4, vinte e três por cento; número 5, vinte e sete por cento; número 6, vinte e quatro por cento; número 7, oito por cento; número 8, cinco por cento; número 9, três por cento; número 10, dois por cento — em percentagens inteiras.
49:2.24 (563.1) 6. Os tipos segundo a energização. Nem todos os mundos são iguais na maneira de absorver a energia. Nem todos os mundos habitados têm um oceano atmosférico adequado à troca respiratória de gases, tal como ocorre em Urântia. Durante os estágios iniciais e finais de muitos planetas, os seres da vossa ordem, como sois hoje, não poderiam existir; e, quando a facilidade de respiração em um planeta é muito elevada ou reduzida, mas, quando todos os outros pré-requisitos da vida inteligente estão adequados, os Portadores da Vida freqüentemente estabelecem nesses mundos uma forma modificada de existência mortal: seres que são aptos para efetuar as trocas no seu processo de vida, diretamente por meio da energia da luz e da transmutação, em primeira mão, do poder dos Mestres Controladores Físicos.
49:2.25 (563.2) Há seis tipos diferentes de nutrição para os animais e os mortais: os sub-respiradores empregam o primeiro tipo de nutrição; as espécies marinhas, o segundo; os respiradores intermediários, o terceiro tipo de nutrição, como em Urântia. Os super-respiradores empregam o quarto tipo de absorção de energia, enquanto os não-respiradores utilizam a quinta ordem de nutrição e energia. A sexta técnica de energização serve apenas às criaturas intermediárias.
49:2.26 (563.3) 7. Os tipos sem denominação. Há inúmeras variações físicas adicionais na vida planetária, mas todas essas diferenças são apenas uma questão de modificação anatômica, de diferenciação fisiológica e ajustamento eletroquímico. Tais distinções não dizem respeito à vida intelectual, nem à vida espiritual.
49:3.1 (563.4) A maioria dos planetas habitados é povoada pelo tipo respirador de seres inteligentes. Mas há também ordens de mortais que são capazes de viver em mundos com pouco ou nenhum ar. Dos mundos habitados de Orvônton, esse tipo totaliza menos de sete por cento. Em Nébadon essa porcentagem é inferior a três. Em todo o Satânia há apenas nove de tais mundos.
49:3.2 (563.5) Em Satânia pouquíssimos são os mundos habitados do tipo não-respirador porque, nessa seção mais recentemente organizada de Norlatiadeque, os corpos meteóricos do espaço são abundantes; e os mundos sem uma atmosfera de fricção protetora estão sujeitos ao bombardeamento incessante desses corpos erráticos. Mesmo alguns dos cometas consistem de enxames de meteoros, mas, via de regra, são corpos desagregados menores de matéria.
49:3.3 (563.6) Milhões e milhões de meteoritos penetram na atmosfera de Urântia diariamente, entrando a uma velocidade da ordem de quase trezentos e vinte quilômetros por segundo. Nos mundos dos não-respiradores, as raças avançadas têm de fazer muito para proteger a si próprias dos danos que os meteoros causariam; e constroem instalações elétricas que operam pulverizando ou desviando os meteoros. Um grande perigo é enfrentado por eles quando se aventuram além dessas zonas protegidas. Tais mundos estão também sujeitos a tempestades elétricas desastrosas de uma natureza desconhecida em Urântia. Durante esses momentos, de intensa flutuação de energia, os habitantes devem refugiar-se nas suas estruturas especiais de isolamento e proteção.
49:3.4 (563.7) A vida nos mundos do tipo não-respirador é radicalmente diferente da de Urântia. Os não-respiradores não ingerem comidas nem bebem água como o fazem as raças de Urântia. As reações do sistema nervoso, os mecanismos de regulagem do aquecimento e o metabolismo desses povos especiais são radicalmente diferentes das funções correspondentes nos mortais de Urântia. Quase todo o ato da vida, afora a reprodução, difere; e mesmo os métodos da procriação são de certo modo também diferentes.
49:3.5 (564.1) Nos mundos dos não-respiradores as espécies animais são radicalmente distintas daquelas encontráveis nos planetas atmosféricos. O plano de vida dos não-respiradores difere da técnica de existência em um mundo atmosférico; mesmo na sobrevivência, esses povos são diferentes, sendo candidatos à fusão com o Espírito. Esses seres, contudo, desfrutam da vida e levam adiante as atividades do reino relativamente com as mesmas provações e alegrias que são experimentadas pelos mortais que vivem nos mundos atmosféricos. Em mente e caráter os não-respiradores não diferem de outros tipos de mortais.
49:3.6 (564.2) Vós deveríeis estar mais do que interessados na conduta planetária desse tipo de mortal, pois uma dessas raças de seres habita uma esfera muito próxima de Urântia.
49:4.1 (564.3) Há grandes diferenças entre os mortais dos diversos mundos, inclusive entre os que pertencem aos mesmos tipos intelectuais e físicos, mas todos os mortais que possuem a dignidade da vontade são animais eretos, bípedes.
49:4.2 (564.4) Há seis raças evolucionárias básicas: três primárias — a vermelha, a amarela e a azul; e três secundárias — a laranja, a verde e a índigo. A maioria dos mundos habitados tem todas essas raças; todavia, muitos dos planetas de raças de três cérebros abrigam apenas os três tipos primários. Alguns sistemas locais também têm apenas essas três raças.
49:4.3 (564.5) Os seres humanos são dotados, em média, com doze sentidos físicos especiais, embora os sentidos especiais dos mortais de três cérebros sejam estendidos até ligeiramente além daqueles dos tipos de um e dois cérebros; eles podem ver e ouvir consideravelmente muito mais do que as raças de Urântia.
49:4.4 (564.6) Os nascimentos em geral são de apenas um ser, os nascimentos de múltiplos são uma exceção e a vida familiar é razoavelmente uniforme em todos os tipos de planetas. A igualdade entre os sexos prevalece em todos os mundos avançados; o masculino e o feminino têm dons iguais de mente e status espiritual. Consideramos que um planeta não haja emergido ainda do barbarismo, quando um dos sexos ainda procura tiranizar o oposto. Esse aspecto da experiência da criatura sempre se torna bastante aperfeiçoado depois da vinda de um Filho e de uma Filha Materiais.
49:4.5 (564.7) As variações de estações e temperaturas ocorrem em todos os planetas iluminados e aquecidos pela luz dos sóis. A agricultura é universal em todos os mundos atmosféricos; cultivar o solo é uma atividade comum às raças em avanço de todos esses planetas.
49:4.6 (564.8) Em etapas primitivas, todos os mortais têm as mesmas lutas com os inimigos microscópicos, semelhantes às que vós vivenciais agora em Urântia, embora talvez em uma escala menor. A duração da vida varia nos diferentes planetas entre vinte e cinco anos, nos mundos primitivos, até perto de quinhentos anos, nas esferas mais avançadas e antigas.
49:4.7 (564.9) Os seres humanos são todos gregários, tanto no sentido tribal, quanto no sentido racial. As segregações grupais são inerentes à sua origem e constituição. Tais tendências podem ser modificadas apenas pelo avanço da civilização e a espiritualização gradativa. Os problemas sociais, econômicos e governamentais dos mundos habitados variam de acordo com a idade dos planetas e o grau segundo o qual foram influenciados pelas estadas sucessivas dos Filhos divinos.
49:4.8 (564.10) A mente é uma dotação do Espírito Infinito e funciona quase da mesma maneira nos meios ambientes mais diversos. As mentes dos mortais são afins, independentemente de certas diferenças estruturais e químicas que caracterizam as naturezas físicas das criaturas volitivas dos sistemas locais. A despeito das diferenças planetárias, pessoais ou físicas, a vida mental de todas as várias ordens de mortais é muito parecida, e as suas carreiras imediatas após a morte são bastante semelhantes.
49:4.9 (565.1) Mas a mente mortal sem o espírito imortal não pode sobreviver. A mente do homem é mortal; apenas o espírito outorgado é imortal. A sobrevivência depende da espiritualização por intermédio da ministração do Ajustador — para o nascimento e a evolução da alma imortal — ; ou seja, no mínimo é necessário que não haja sido desenvolvida nenhuma espécie de antagonismo para com a missão do Ajustador, que é a de efetuar a transformação espiritual da mente material.
49:5.1 (565.2) Será bastante difícil fazer uma descrição adequada das categorias planetárias de mortais, porque vós conheceis pouco sobre elas e porque há muitas variações. As criaturas mortais podem, contudo, ser estudadas segundo inúmeros pontos de vista, entre os quais estão os seguintes:
49:5.2 (565.3) 1. O ajustamento ao meio ambiente planetário.
49:5.3 (565.4) 2. Os tipos de cérebro.
49:5.4 (565.5) 3. A recepção do Espírito.
49:5.5 (565.6) 4. As épocas mortais do planeta.
49:5.6 (565.7) 5. Os parentescos entre as criaturas.
49:5.7 (565.8) 6. O fusionamento com o Ajustador.
49:5.8 (565.9) 7. As técnicas de escape terrestre.
49:5.9 (565.10) As esferas habitadas dos sete superuniversos são povoadas por mortais que podem, simultaneamente, classificar-se em uma ou em mais categorias de cada uma dessas sete classes generalizadas de vida das criaturas evolucionárias. Todavia, mesmo essas classificações gerais não levam em conta seres como os midsonitas, nem algumas outras formas de vida inteligente. Os mundos habitados, do modo como foram apresentados nestas narrativas, são povoados por criaturas mortais evolucionárias, mas há outras formas de vida.
49:5.10 (565.11) 1. A categoria segundo o ajustamento ao meio ambiente planetário. Há três grupos gerais de mundos habitados, sob o ponto de vista da adaptação da vida das criaturas ao meio ambiente planetário: o grupo de ajustamento normal, o grupo de ajustamento radical e o grupo experimental.
49:5.11 (565.12) Os ajustamentos normais às condições planetárias seguem os modelos físicos gerais, considerados anteriormente. Os mundos dos não-respiradores tipificam o ajustamento radical ou extremo, mas outros tipos estão também incluídos nesse grupo. Os mundos experimentais são usualmente adaptados de modo ideal às formas típicas de vida e, nesses planetas decimais, os Portadores da Vida intentam produzir variações benéficas no projeto de vida padrão. Posto que o vosso mundo é um planeta experimental, ele difere acentuadamente das esferas irmãs de Satânia; muitas formas de vida surgiram em Urântia que não são encontradas em nenhum outro lugar; do mesmo modo muitas espécies comuns não estão presentes no vosso planeta.
49:5.12 (565.13) No universo de Nébadon, todos os mundos de modificação da vida estão ligados uns aos outros, em uma série, e constituem um domínio especial de assuntos do universo, que recebe a atenção de administradores designados para isso; e todos esses mundos experienciais são periodicamente inspecionados por um corpo de diretores do universo, cujo dirigente é o finalitor veterano conhecido em Satânia como Tabamântia.
49:5.13 (566.1) 2. As categorias segundo os tipos de cérebro. A uniformidade física básica entre os tipos de mortais está em ter um cérebro e um sistema nervoso; entretanto, há três organizações básicas do mecanismo cerebral: o tipo de um cérebro, o de dois cérebros e o tipo de três cérebros. Os urantianos são do tipo de dois cérebros; um pouco mais imaginativos, aventureiros e filosóficos do que os mortais de um cérebro. No entanto são um tanto menos espirituais, éticos e menos adoradores do que as ordens de três cérebros. Essas diferenças quanto aos cérebros caracterizam até mesmo as existências animais pré-humanas.
49:5.14 (566.2) Partindo do córtex cerebral de dois hemisférios do tipo urantiano, vós podeis, por analogia, captar algo do tipo de um cérebro. O terceiro cérebro das ordens de três cérebros pode ser mais bem concebido como uma evolução da vossa forma de cerebelo, que é mais primitiva e rudimentar, desenvolvida a ponto de funcionar principalmente no controle das atividades físicas, deixando os dois cérebros superiores livres para as funções mais elevadas: um, para as funções intelectuais, e o outro, para as atividades de gerar a contraparte espiritual do Ajustador do Pensamento.
49:5.15 (566.3) Conquanto o alcance na realização terrestre das raças de um cérebro possa parecer ligeiramente limitado, se comparado ao das ordens de dois cérebros, os planetas mais antigos, dos grupos de três cérebros exibem civilizações que além de deixar perplexos os urantianos, de algum modo, envergonhariam a vossa, em uma comparação. Quanto ao desenvolvimento mecânico e à civilização material e mesmo quanto ao progresso intelectual, os mundos dos mortais de dois cérebros são capazes de igualar-se às esferas dos mortais de três cérebros. Quanto ao alto controle da mente e ao desenvolvimento de uma reciprocidade entre a vida intelectual e a espiritual, contudo, vós sois um pouco inferiores.
49:5.16 (566.4) Todas essas estimativas comparativas que dizem respeito ao progresso intelectual ou ao alcance da realização espiritual, em qualquer mundo ou grupo de mundos, deveriam, por justiça, considerar a idade planetária; e em muito dependem da idade, do nível da realização na ajuda dos elevadores biológicos e das missões subseqüentes das várias ordens dos Filhos divinos.
49:5.17 (566.5) Enquanto os povos de três cérebros são capazes de uma evolução planetária ligeiramente mais elevada do que as ordens de um e de dois cérebros, todas as ordens têm o mesmo tipo de plasma vital e exercem as atividades planetárias de um modo muito parecido, semelhante mesmo, ao realizado pelos seres humanos em Urântia. Esses três tipos de mortais estão distribuídos nos mundos dos sistemas locais. Na maioria dos casos, as condições planetárias pouco tiveram a ver com as decisões dos Portadores da Vida ao projetarem essas ordens variadas de mortais em mundos diferentes; é uma prerrogativa dos Portadores da Vida planejar e executar desse modo.
49:5.18 (566.6) Essas três ordens estão em uma mesma posição, quanto à trajetória de ascensão. Cada uma delas deve passar pela mesma escala intelectual de desenvolvimento, e deve triunfar, na questão da mestria, passando pelas mesmas provas espirituais de progresso. A administração do sistema e o supercontole da constelação desses mundos diferentes estão uniformemente isentos de discriminações; até mesmo os regimes dos Príncipes Planetários são idênticos.
49:5.19 (566.7) 3. A categoria segundo a recepção do Espírito. Há três grupos de modelos de mentes, no que diz respeito ao contato no que se refere à questão espiritual. Essa classificação nada tem a ver com a categoria dos mortais, quanto a terem um, dois ou três cérebros; refere-se essencialmente à química de glândulas, mais particularmente à organização de certas glândulas comparáveis aos corpos pituitários. As raças, em alguns mundos, têm uma glândula; em outros têm duas, como em Urântia; enquanto em outras esferas ainda, as raças têm três desses corpos extraordinários. A imaginação e a receptividade espiritual inerente são definitivamente influenciadas por essa dotação química diferencial.
49:5.20 (566.8) Entre os tipos de recepção do espírito, sessenta e cinco por cento são do segundo grupo, como as raças de Urântia. Doze por cento são do primeiro tipo, naturalmente menos receptivos, enquanto vinte e três por cento têm uma inclinação espiritual maior durante a vida terrestre. Tais distinções, contudo, não continuam depois da morte natural; todas essas diferenças raciais prevalecem tão só durante a vida na carne.
49:5.21 (567.1) 4. A categoria segundo as épocas mortais planetárias. Essa classificação leva em conta a sucessão de dispensações temporais, no que elas afetam o status terrestre do homem e o seu recebimento da ministração celeste.
49:5.22 (567.2) A vida é iniciada nos planetas pelos Portadores da Vida, que cuidam do seu desenvolvimento até algum tempo após o aparecimento evolucionário do homem mortal. Antes de deixarem um planeta, os Portadores da Vida instalam devidamente um Príncipe Planetário como governante do reino. Com esse governante, chega uma cota completa de auxiliares subordinados e ajudantes ministradores, e o primeiro julgamento dos vivos e dos mortos acontece simultaneamente com a sua chegada.
49:5.23 (567.3) Com a aparição de agrupamentos humanos, esse Príncipe Planetário chega para inaugurar a civilização humana e dar mais enfoque à sociedade humana. O vosso mundo confuso não pode ser tomado como padrão das épocas primitivas do reinado do Príncipe Planetário, pois foi muito próximo do início da sua administração de Urântia que o vosso Príncipe Planetário, Caligástia, ligou-se à rebelião de Lúcifer, o Soberano do Sistema. O vosso planeta, desde então, tem seguido um curso tormentoso.
49:5.24 (567.4) Num mundo evolucionário normal, o progresso racial atinge o seu auge biológico natural durante o regime do Príncipe Planetário e, pouco depois, o Soberano do Sistema despacha um Filho e uma Filha Materiais para aquele planeta. Esses seres importados prestam o seu serviço como elevadores biológicos; a falta que eles cometeram em Urântia complicou, ainda mais, a vossa história planetária.
49:5.25 (567.5) Quando os progressos intelectual e ético de uma raça humana alcançam os limites do desenvolvimento evolucionário, chega um Filho Avonal do Paraíso, em uma missão magisterial; e, mais tarde, quando o status espiritual desse mundo se aproxima do seu limite de realização natural, o planeta é visitado por um Filho do Paraíso, em auto-outorga. A missão principal de um Filho auto-outorgante é estabelecer o status planetário, liberar o Espírito da Verdade para a sua função planetária e, assim, efetivar a vinda universal dos Ajustadores do Pensamento.
49:5.26 (567.6) Com relação a isso, novamente, Urântia desviou-se: nunca houve uma missão magisterial no vosso mundo, nem o vosso Filho auto-outorgado foi da ordem Avonal; o vosso planeta desfrutou da honra insigne de tornar-se o planeta lar mortal do Filho Soberano, Michael de Nébadon.
49:5.27 (567.7) Como resultado da ministração de todas as ordens sucessivas de filiação divina, os mundos habitados e suas raças em avanço começam a aproximar-se do ápice da evolução planetária. Tais mundos, então, tornam-se maduros para a missão culminante: a chegada dos Filhos Instrutores da Trindade. Essa época dos Filhos Instrutores é o vestibular para a idade planetária final — a utopia evolucionária — , a idade de luz e vida.
49:5.28 (567.8) Tal classificação dos seres humanos receberá atenção especial, em um documento posterior a este.
49:5.29 (567.9) 5. A categoria segundo o parentesco das criaturas. Os planetas não são organizados apenas verticalmente, em sistemas, constelações e assim por diante; a administração do universo também provê os agrupamentos horizontais, de acordo com o tipo, a série e outras correlações. Essa administração horizontal do universo ocupa-se, mais particularmente, da coordenação das atividades da mesma natureza, que foram independentemente fomentadas em esferas diferentes. Essas classes relacionadas de criaturas do universo são periodicamente inspecionadas por alguns corpos compostos de altas personalidades, presididas por finalitores de longa experiência.
49:5.30 (568.1) Esses fatores de parentesco manifestam-se em todos os níveis, pois as séries de parentesco existem tanto entre as personalidades não humanas, quanto entre as criaturas mortais — e até mesmo entre as ordens humanas e supra-humanas. Os seres inteligentes estão verticalmente relacionados em doze grandes grupos, de sete divisões maiores cada. A coordenação desses grupos de seres vivos, relacionados de um modo único, é efetuada provavelmente por alguma técnica não integralmente compreendida, do Ser Supremo.
49:5.31 (568.2) 6. A categoria segundo o fusionamento com o Ajustador. A classificação ou agrupamento espiritual de todos os mortais durante a sua experiência anterior ao fusionamento é totalmente determinada pela relação da personalidade, em seu status, com o Monitor Misterioso residente. Quase noventa por cento dos mundos habitados de Nébadon são povoados por mortais de fusionamento com o Ajustador; um universo próximo, contudo, possui só pouco mais do que a metade dos seus mundos, albergando seres resididos por Ajustadores e candidatos à fusão eterna.
49:5.32 (568.3) 7. A categoria segundo as técnicas de escape terrestre. Há fundamentalmente um único modo pelo qual a vida individual humana pode ser iniciada nos mundos habitados, que é por meio da procriação da criatura e pelo nascimento natural; mas há numerosas técnicas por meio das quais o homem escapa do seu status terrestre e ganha acesso ao caudal do movimento, no sentido interior, de seres que ascendem ao Paraíso.
49:6.1 (568.4) Todos os diferentes tipos físicos e séries planetárias de mortais semelhantes beneficiam-se das ministrações dos Ajustadores do Pensamento, dos anjos guardiães e das várias ordens de hostes de mensageiros do Espírito Infinito. Da mesma forma, todos eles são liberados dos liames da carne pela emancipação causada pela morte natural e, todos do mesmo modo, deste ponto, vão para os mundos moronciais de evolução espiritual e progresso da mente.
49:6.2 (568.5) De tempos em tempos, por uma moção das autoridades planetárias, ou dos governantes do sistema, são feitas ressurreições especiais dos sobreviventes adormecidos. Tais ressurreições acontecem ao menos a cada milênio do tempo planetário, quando nem todos, mas, “muitos daqueles que dormem no pó, despertam”. Essas ressurreições especiais são uma ocasião para a mobilização de grupos especiais de seres ascendentes, para o serviço específico no plano de ascensão mortal do universo local. Há tanto razões práticas quanto de associações sentimentais ligadas a tais ressurreições especiais.
49:6.3 (568.6) Durante as idades iniciais de um mundo habitado, muitos são chamados para as esferas das mansões, nas ressurreições especiais e milenares, mas a maioria dos sobreviventes é repersonalizada durante a inauguração de uma nova dispensação, ligada à vinda de um Filho divino para o serviço planetário.
49:6.4 (568.7) 1. Mortais da ordem dispensacional ou grupal de sobrevivência. Com a chegada do primeiro Ajustador em um mundo habitado, os serafins guardiães também aparecem; eles são indispensáveis ao escape terrestre. Durante o período do lapso de vida, que os sobreviventes têm, enquanto adormecidos, os valores espirituais e as realidades eternas das suas almas recém-evoluídas e imortais, são guardados com sagrada confiabilidade pelos serafins guardiães pessoais ou grupais.
49:6.5 (568.8) Os guardiães dos grupos, designados para os sobreviventes adormecidos, sempre funcionam com os Filhos dos julgamentos, quando das suas vindas ao mundo. “Ele enviará os Seus anjos, e eles reunirão, dos quatro ventos, os Seus eleitos.” Junto com cada serafim que é designado para a repersonalização de um mortal adormecido, funciona o Ajustador que retornou, e este é aquele mesmo fragmento imortal do Pai que viveu nele durante os dias na carne e, assim, a identidade é restaurada e a personalidade ressuscitada. Durante o sono dos seus tutelados, esses Ajustadores que aguardavam, servem em Divínington; e nunca residem em outra mente mortal nesse ínterim.
49:6.6 (569.1) Enquanto os mundos mais antigos de existências mortais abrigam os tipos de seres humanos mais altamente desenvolvidos e sutilmente espirituais, que são virtualmente dispensados da vida moroncial, as idades mais primevas das raças de origem animal caracterizam-se por abrigarem mortais primitivos tão imaturos que se torna impossível a fusão com os seus Ajustadores. O redespertar desses mortais é realizado pelo serafim guardião, em conjunção com uma porção individualizada do espírito imortal da Terceira Fonte e Centro.
49:6.7 (569.2) Assim, os sobreviventes adormecidos de uma idade planetária são repersonalizados em listas de chamadas dispensacionais. Com respeito às personalidades não-salváveis de um reino, nenhum espírito imortal estará presente para operar junto com os guardiães grupais do destino; e isto constitui a cessação da existência da criatura. Ainda que alguns dos vossos registros descrevam esse acontecimento como tendo lugar nos planetas da morte na carne, isso realmente ocorre nos mundos das mansões.
49:6.8 (569.3) 2. Mortais das ordens individuais de ascensão. O progresso individual dos seres humanos é medido pelos sucessivos cumprimentos de etapas e travessia (ou mestria) de cada um dos sete círculos cósmicos. Esses círculos de progressão mortal são níveis aos quais estão associados valores intelectuais, sociais, espirituais e de discernimento cósmico. Começando pelo sétimo círculo, os mortais esforçam-se para alcançar o primeiro, e todos aqueles que houverem alcançado o terceiro passam imediatamente a ter anjos guardiães pessoais do destino designados para si. Esses mortais podem ser repersonalizados na vida moroncial, independentemente do juízo dispensacional ou outros juízos.
49:6.9 (569.4) Durante as idades primitivas de um mundo evolucionário, poucos mortais vão a julgamento no terceiro dia. À medida que passam as idades, contudo, cada vez mais os guardiães pessoais do destino são designados para os mortais em avanço e, assim, em números crescentes tais criaturas em evolução são repersonalizadas no primeiro mundo das mansões, ao terceiro dia depois da morte natural. Em tais ocasiões, o retorno do Ajustador assinala o despertar da alma humana e isto é a repersonalização dos mortos, e o é tão literalmente como quando é feita a chamada em massa, no fim de uma dispensação, nos mundos evolucionários.
49:6.10 (569.5) Há três grupos de seres ascendentes individuais: os menos avançados aterrissam no mundo inicial das mansões, ou seja, no primeiro. O grupo dos mais avançados pode iniciar a carreira moroncial em qualquer dos mundos intermediários das mansões, segundo a progressão planetária prévia. E os mais avançados ainda, dessas ordens, realmente começam a sua experiência moroncial no sétimo mundo das mansões.
49:6.11 (569.6) 3. Mortais das ordens cuja ascensão depende de um período probatório. A chegada de um Ajustador constitui a identidade, aos olhos do universo, e todos os seres resididos estão nas listas de chamadas da justiça. A vida temporal nos mundos evolucionários, contudo, é incerta, e muitos morrem na juventude bem antes de haverem escolhido a carreira do Paraíso. Tais crianças e jovens, resididos por Ajustadores, seguem aquele dentre os seus pais que tiver o status de carreira espiritual mais avançado, indo assim para o mundo dos finalitores do sistema (o berçário probatório) ao terceiro dia, em uma ressurreição especial, ou quando ocorrer a chamada regular do milênio ou, ainda, a da lista dispensacional.
49:6.12 (570.1) As crianças que morrem novas demais para terem Ajustadores do Pensamento são repersonalizadas no mundo dos finalitores do sistema local concomitantemente com a chegada de um dos seus progenitores nos mundos das mansões. Uma criança adquire entidade física com o nascimento mortal, mas, em matéria de sobrevivência, todas as crianças sem Ajustadores são consideradas como ainda ligadas aos seus pais.
49:6.13 (570.2) No devido tempo, os Ajustadores do Pensamento vêm para residir nesses pequenos, enquanto a ministração seráfica, para ambos os grupos probatórios de ordens de dependentes sobreviventes é, em geral, semelhante àquela do progenitor mais avançado, ou é equivalente àquela do único dos progenitores, caso apenas um deles sobreviva. Para aqueles que alcançaram o terceiro círculo, independentemente do status dos seus progenitores, são concedidos guardiães pessoais.
49:6.14 (570.3) Berçários probatórios semelhantes são mantidos nas esferas dos finalitores, na constelação e na sede-central do universo, para as crianças sem Ajustadores das ordens primárias e secundárias modificadas de ascendentes.
49:6.15 (570.4) 4. Mortais das ordens secundárias modificadas de ascensão. Estes são os seres humanos progressivos dos mundos evolucionários intermediários. Via de regra, não são imunes à morte natural mas ficam isentos de passar pelos sete mundos das mansões.
49:6.16 (570.5) O grupo menos perfeccionado redesperta nas sedes-centrais dos seus sistemas locais, passando ao largo apenas dos mundos das mansões. O grupo intermediário vai para os mundos de aperfeiçoamento da constelação; eles passam ao largo de todo o regime moroncial do sistema local. Mais adiante, ainda, nas idades planetárias de esforço espiritual, muitos sobreviventes despertam nas sedes-centrais das constelações e, dali, começam a sua ascensão ao Paraíso.
49:6.17 (570.6) Antes, porém, de que qualquer ser desses grupos possa prosseguir, os seus integrantes devem regressar como instrutores aos mundos pelos quais não passaram, adquirindo assim muitas experiências como instrutores nos reinos pelos quais passarão como estudantes. Subseqüentemente, todos continuam até o Paraíso, pelos caminhos ordenados de progressão mortal.
49:6.18 (570.7) 5. Mortais da ordem primária modificada de ascensão. Esses mortais pertencem ao tipo de vida evolucionária que se fusiona ao Ajustador, mas são representativos, mais freqüentemente, das fases finais do desenvolvimento humano em um mundo em evolução. Esses seres glorificados ficam isentos de passar pelos portais da morte; são submetidos à custódia do Filho; e são transladados de entre os vivos, aparecendo imediatamente na presença do Filho Soberano, na sede-central do universo local.
49:6.19 (570.8) Esses são os mortais que se fusionam aos seus Ajustadores durante a vida mortal, e essas personalidades fusionadas aos Ajustadores atravessam o espaço livremente, antes de serem vestidos com as formas moronciais. Tais almas fusionadas, em um trânsito direto com o Ajustador, vão até as salas de ressurreição das elevadas esferas moronciais, onde recebem a sua investidura moroncial inicial, exatamente como todos os outros mortais que chegam dos mundos evolucionários.
49:6.20 (570.9) Essa ordem primária modificada de ascensão mortal pode abranger indivíduos em qualquer das categorias planetárias, desde os estágios mais baixos aos mais elevados dos mundos de fusão com os Ajustadores, mas funciona mais freqüentemente nas esferas mais antigas, depois que estas hajam recebido os benefícios das numerosas permanências dos Filhos divinos.
49:6.21 (570.10) Com o estabelecimento da era planetária de luz e vida, muitos vão para os mundos moronciais do universo por meio da ordem primária modificada de translado. Mais tarde, ao longo dos estágios mais avançados da existência estabelecida, quando a maioria dos mortais que deixam um reino é abrangida nessa classe, o planeta é considerado como pertencendo a essa série. A morte natural torna-se cada vez menos freqüente nessas esferas há muito estabelecidas em luz e vida.
49:6.22 (571.1) [Apresentado por um Melquisedeque da Escola de Administração Planetária de Jerusém.]
O Livro de Urântia
Documento 50
50:0.1 (572.1) EMBORA pertençam à ordem dos Filhos Lanonandeques, os Príncipes Planetários prestam um serviço tão especializado que são considerados comumente como um grupo distinto. Depois de haverem sido confirmados pelos Melquisedeques como Lanonandeques secundários, esses Filhos do universo local são designados para as reservas da ordem nas sedes-centrais da constelação. Daí são designados para vários deveres pelo Soberano do Sistema, finalmente sendo comissionados como Príncipes Planetários e enviados para governar os mundos habitados em evolução.
50:0.2 (572.2) O sinal para que o Soberano do Sistema proceda na questão da designação de um governante, a um determinado planeta, é a recepção de um pedido dos Portadores da Vida para que despache um dirigente administrativo com o fito de funcionar naquele planeta onde eles estabeleceram a vida e desenvolveram seres inteligentes evolucionários. Todos os planetas habitados por criaturas mortais evolucionárias têm um governante planetário, dessa ordem de filiação, designado para eles.
50:1.1 (572.3) O Príncipe Planetário e os seus irmãos assistentes representam a forma personalizada por meio da qual o Filho Eterno do Paraíso pode aproximar-se, o mais perto possível (encarnação à parte), das criaturas inferiores do tempo e do espaço. É bem verdade que o Filho Criador alcança as criaturas dos reinos por intermédio do seu espírito, todavia, o Príncipe Planetário é a última das ordens de Filhos pessoais, que se estende desde o Paraíso até os filhos dos homens. O Espírito Infinito chega até bem próximo dos filhos dos homens, nas pessoas dos guardiães do destino e outros seres angélicos; o Pai Universal vive no homem por meio da presença pré-pessoal dos Monitores Misteriosos; mas o Príncipe Planetário representa o último esforço do Filho Eterno, e dos seus Filhos, para aproximar-se de vós. Num mundo recém-habitado, o Príncipe Planetário é o único representante da divindade completa, originário do Filho Criador (que é uma progênie direta do Pai Universal e do Filho Eterno) e da Ministra Divina (a Filha, no universo, do Espírito Infinito).
50:1.2 (572.4) O príncipe de um mundo recém-habitado é cercado de um corpo de ajudantes leais e de assistentes, bem como de um número grande de espíritos ministradores. Contudo, o corpo diretor desses novos mundos deve ser composto das ordens mais baixas dos administradores de um sistema, a fim de que seja inatamente compassivo e compreensivo para com os problemas e as dificuldades do planeta. E todo esse esforço de prover um governo compassivo para os mundos evolucionários envolve um risco crescente de que essas personalidades quase humanas possam ser desviadas da vontade dos Governantes Supremos, quando em uma exaltação das suas próprias mentes.
50:1.3 (572.5) Pelo fato de estarem completamente sós, como representantes da divindade, nos planetas individuais, esses Filhos são severamente testados; mas Nébadon tem sofrido os infortúnios de várias rebeliões. Na criação dos Soberanos dos Sistemas e Príncipes Planetários, ocorre a personalização de um conceito que já se afastou em muito do Pai Universal e do Filho Eterno; e, assim, há o perigo crescente da perda do sentido de proporção, quanto à auto-importância; e isso gera uma possibilidade maior de fracasso ao manter um controle adequado dos valores e relações entre as inúmeras ordens de seres divinos e as suas gradações de autoridade. O fato de que o Pai não esteja pessoalmente presente nos universos locais também impõe, a todos esses Filhos, uma certa provação de fé e de lealdade.
50:1.4 (573.1) Não é freqüente, todavia, que tais príncipes dos mundos falhem nas suas missões de organizar e administrar as esferas habitadas; e o êxito deles facilita em muito as missões subseqüentes, dos Filhos Materiais, que vêm para imprimir, nos homens primitivos dos mundos, as formas mais elevadas de vida da criatura. O governo deles também realiza muito para preparar os planetas para os Filhos de Deus do Paraíso, os quais, subseqüentemente, vêm com o fito de julgar os mundos e inaugurar as dispensações sucessivas.
50:2.1 (573.2) Todos os Príncipes Planetários estão sob a jurisdição administrativa universal de Gabriel, o comandante executivo de Michael, ao passo que, quanto à autoridade imediata, ficam submetidos aos mandados executivos dos Soberanos dos Sistemas.
50:2.2 (573.3) A qualquer momento, os Príncipes Planetários podem buscar o conselho dos Melquisedeques, antigos instrutores e padrinhos seus, mas eles não são arbitrariamente levados a solicitar essa assistência e, se essa ajuda não é voluntariamente requisitada, os Melquisedeques não interferem na administração planetária. Esses governantes dos mundos também podem se valer dos conselhos dos quatro-e-vinte conselheiros, reunidos de mundos de auto-outorga no sistema. Em Satânia, todos esses conselheiros são, no momento, nativos de Urântia. E há um conselho análogo, dos setenta, na sede-central da constelação, também selecionado entre os seres evolucionários dos reinos.
50:2.3 (573.4) O governo dos planetas evolucionários, nas suas carreiras iniciais ainda não estabelecidas, é amplamente autocrático. Os Príncipes Planetários organizam os seus grupos especializados de assistentes, escolhendo-os entre os corpos de ajudantes planetários. E cercam-se geralmente de um conselho supremo de doze membros, selecionado de modos variados e diversamente constituído nos diferentes mundos. Um Príncipe Planetário pode também ter, como assistentes, um ou mais da terceira ordem do seu próprio grupo de filiação e, algumas vezes em certos mundos, pode ter um da sua própria ordem, um Lanonandeque secundário, como adjunto.
50:2.4 (573.5) Todo o corpo de assessores do governante de um mundo consiste em personalidades do Espírito Infinito, em certos tipos de seres evoluídos mais elevados e mortais ascendentes de outros mundos. Esse corpo de assessores tem, em média, cerca de mil personalidades, mas, à medida que o planeta progride, esse corpo de colaboradores pode ser aumentado, chegando até a cem mil e mesmo mais. A qualquer momento que seja sentida a necessidade de mais colaboradores, os Príncipes Planetários têm apenas de requisitar aos seus irmãos, os Soberanos dos Sistemas, e a petição é atendida imediatamente.
50:2.5 (573.6) Os planetas variam muito quanto à natureza, organização e administração, mas todos são providos de tribunais de justiça. O sistema judicial do universo local tem os seus começos nos tribunais de um Príncipe Planetário, presidido por um membro da sua assessoria pessoal; os decretos dessas cortes refletem uma atitude altamente paternal e prudente. Todos os problemas que envolvem algo além do regulamentado, para os habitantes do planeta, ficam sujeitos à apelação aos tribunais mais altos, mas os assuntos do domínio do seu mundo são amplamente ajustados em consonância com a discriminação pessoal do príncipe.
50:2.6 (574.1) As comissões itinerantes de conciliadores servem aos tribunais planetários e suplementam-nos, e tanto os controladores espirituais quanto os físicos estão sujeitos aos ditames desses conciliadores, mas nenhuma execução arbitrária é feita, jamais, sem o consentimento do Pai da Constelação, pois os “Altíssimos governam nos reinos dos homens”.
50:2.7 (574.2) Os controladores e os transformadores designados para os planetas estão também capacitados para colaborar com os anjos e as outras ordens de seres celestes, tornando essas personalidades visíveis para as criaturas mortais. Em ocasiões especiais, os ajudantes seráficos e até mesmo os Melquisedeques podem tornar a si próprios visíveis para os habitantes dos mundos evolucionários. A razão principal para trazer seres ascendentes mortais da capital do sistema, como parte do corpo de assessores do Príncipe Planetário, é facilitar a comunicação com os habitantes do reino.
50:3.1 (574.3) Em geral, quando vai para um mundo jovem, um Príncipe Planetário leva consigo, da sede-central do sistema, um grupo de seres ascendentes voluntários. Esses seres ascendentes acompanham o príncipe, como conselheiros e colaboradores, no trabalho inicial de melhoramento da raça. Esse corpo de ajudantes materiais constitui o elo de ligação entre o príncipe e as raças do mundo. Caligástia, o Príncipe de Urântia, dispunha de um corpo de cem desses colaboradores.
50:3.2 (574.4) Esses assistentes voluntários são cidadãos da capital de um sistema, sendo que nenhum deles fusionou-se ainda ao seu Ajustador residente. Os Ajustadores desses servidores voluntários permanecem no seu status de residentes na sede-central do sistema, enquanto os progressores moronciais regressam temporariamente a um estado material anterior.
50:3.3 (574.5) Os Portadores da Vida, arquitetos da forma, dotam esses voluntários de novos corpos físicos, os quais eles ocupam pelo período da sua permanência planetária. Essas formas de personalidade, ainda que isentas das doenças comuns dos reinos, são como os corpos moronciais iniciais, ainda sujeitos a alguns acidentes de natureza mecânica.
50:3.4 (574.6) A assessoria corporificada do príncipe, via de regra, é retirada do planeta quando do julgamento seguinte, na época da chegada do segundo Filho à esfera. Antes de partir, costumeiramente, eles designam, para as suas várias tarefas, as suas progênies mútuas e alguns voluntários nativos superiores. Nos mundos em que a esses colaboradores do príncipe é permitido acasalarem-se com os grupos superiores das raças nativas, as suas progênies usualmente sucedem a eles.
50:3.5 (574.7) Esses assistentes do Príncipe Planetário raramente acasalam-se com as raças do mundo, sempre se acasalam entre si. Duas classes de seres resultam dessas uniões: o tipo primário de criaturas intermediárias e alguns tipos elevados de seres materiais, que permanecem agregados ao corpo de assessores do príncipe depois que os seus progenitores são retirados do planeta, na época da chegada de Adão e Eva. Esses filhos não se acasalam com as raças mortais, à exceção dos casos de certas emergências e apenas por um mandado do Príncipe Planetário. Num caso assim, os seus filhos — os netos da assessoria corpórea — têm o mesmo status das raças superiores da sua época e geração. Toda a progênie desses assistentes semimateriais do Príncipe Planetário é de seres resididos por Ajustadores.
50:3.6 (575.1) Ao fim da dispensação do príncipe, quando chega o momento em que essa “assessoria de reversão” deve retornar à sede-central do sistema, para reassumir sua carreira ao Paraíso, esses seres ascendentes apresentam-se aos Portadores da Vida com o propósito de entregar os seus corpos materiais. Eles entram no sono de transição e despertam livres das suas vestimentas mortais e envoltos nas suas formas moronciais, prontos para o transporte seráfico que os devolverá à capital do sistema, onde os seus Ajustadores, separados deles, os aguardam. Eles ficam atrasados, uma dispensação inteira, em relação à sua classe de Jerusém, mas ganham uma experiência única e extraordinária, um capítulo raro na carreira de um mortal ascendente.
50:4.1 (575.2) A assessoria corpórea do príncipe organiza, muito cedo, as escolas planetárias de aperfeiçoamento e cultura, onde o melhor das raças evolucionárias é instruído e, então, enviado para ensinar ao seu povo o que de melhor aprenderam. Essas escolas do príncipe estão localizadas na sede-central material do planeta.
50:4.2 (575.3) Grande parte do trabalho no mundo físico, ligada ao estabelecimento dessa cidade sede-central é realizada pela assessoria corpórea. Essas cidades sedes-centrais, ou colônias, dos primeiros tempos do Príncipe Planetário, são muito diferentes daquilo que um mortal de Urântia poderia imaginar. São simples, em comparação às das idades posteriores, sendo caracterizadas por ornamentações minerais e por construções materiais relativamente avançadas. E tudo isso contrasta com o regime Adâmico, centrado em volta de um jardim sede-central, onde é realizado o trabalho Adâmico, para o bem das raças durante a segunda dispensação dos Filhos do universo.
50:4.3 (575.4) Na colônia sede-central, no vosso mundo, cada habitação humana era abundantemente provida de terras. Embora as tribos mais primitivas continuassem caçando e saqueando, em busca de alimentos, os estudantes e os instrutores, nas escolas do Príncipe, eram todos agricultores e horticultores. O tempo era dividido igualmente entre as seguintes tarefas:
50:4.4 (575.5) 1. O trabalho físico. O cultivo do solo, associado à construção de casas e ornamentações.
50:4.5 (575.6) 2. As atividades sociais. As representações teatrais e as reuniões socioculturais.
50:4.6 (575.7) 3. As aplicações educativas. A instrução individual ligada ao ensino grupal familiar, suplementado por classes de aperfeiçoamento especializado.
50:4.7 (575.8) 4. O aperfeiçoamento vocacional. As escolas de casamento e tarefas do lar, escolas de arte e aperfeiçoamento artesanal; e as classes para o aperfeiçoamento de instrutores — seculares, culturais e religiosos.
50:4.8 (575.9) 5. A cultura espiritual. A irmandade dos instrutores, o esclarecimento da infância e de grupos de jovens, e o aperfeiçoamento de crianças nativas adotadas como missionárias para o seu povo.
50:4.9 (575.10) Um Príncipe Planetário não é visível para os seres mortais; é um teste de fé acreditar que ele possa estar representado pelos seres semimateriais do seu corpo de assessores. Entretanto, essas escolas de cultura e aperfeiçoamento são bem adaptadas às necessidades de cada planeta; e logo se desenvolve uma rivalidade aguda, mas louvável, entre as raças dos homens nos esforços de conquistar a admissão nessas várias instituições de aprendizado.
50:4.10 (575.11) Desses centros mundiais de cultura e realizações, gradualmente, é irradiada uma influência elevadora e civilizadora a todos os povos, que, gradativa, mas seguramente, transforma as raças evolucionárias. Nesse meio tempo os filhos educados e espiritualizados dos povos das proximidades, que foram adotados e treinados pelas escolas do príncipe, retornam aos seus grupos nativos e dentro do melhor das suas capacidades estabelecem ali novos centros poderosos de ensino e cultura, que são levados adiante de acordo com o plano das escolas do príncipe.
50:4.11 (576.1) Em Urântia, esses planos para o progresso planetário e avanço cultural estavam encaminhando-se bem, e avançando muito satisfatoriamente, até que Caligástia aderisse à rebelião de Lúcifer; e tudo que estava sendo empreendido teve um fim precipitado e inglório.
50:4.12 (576.2) Um dos episódios mais profundamente chocantes dessa rebelião, para mim, foi tomar conhecimento da dura perfídia de um ser da minha própria ordem de filiação, Caligástia, que deliberadamente e com uma malícia calculada, desvirtuou sistematicamente as instruções e envenenou os ensinamentos dados em todas as escolas planetárias de Urântia em funcionamento naquela época. O naufrágio dessas escolas foi rápido e completo.
50:4.13 (576.3) Muitos, da progênie dos seres ascendentes do corpo materializado de assessores do Príncipe, permanecendo leais, desertaram das fileiras de Caligástia. Esses seres leais foram encorajados pelos administradores Melquisedeques provisórios de Urântia e, em tempos posteriores, os seus descendentes fizeram muito para sustentar os conceitos planetários da verdade e retidão. O trabalho desses evangelistas leais ajudou a impedir a obliteração total da verdade espiritual em Urântia. Essas almas corajosas e seus descendentes mantiveram vivo um pouco do conhecimento da lei do Pai e preservaram, para as raças do mundo, o conceito das dispensações planetárias sucessivas das várias ordens de Filhos divinos.
50:5.1 (576.4) Os príncipes leais dos mundos habitados ficam permanentemente agregados aos planetas para os quais foram designados originalmente. Os Filhos do Paraíso e as suas dispensações podem ir e vir, mas um Príncipe Planetário que tenha tido êxito continua sempre como governante do seu reino. O seu trabalho é inteiramente independente das missões dos Filhos mais elevados, pois é destinado a fomentar o desenvolvimento da civilização planetária.
50:5.2 (576.5) O progresso da civilização nunca é semelhante em dois planetas distintos. Os detalhes do desenrolar da evolução mortal são muito diferentes nos inúmeros mundos dessemelhantes. Apesar das muitas diferenças dos desenvolvimentos planetários, nos domínios físico, intelectual e social, todas as esferas evolucionárias progridem em certas direções bem definidas.
50:5.3 (576.6) Sob o governo benigno de um Príncipe Planetário, intensificado pela presença dos Filhos Materiais e marcado pelas missões periódicas dos Filhos do Paraíso, as raças mortais, em um mundo do tempo e do espaço dentro da carreira normal, passarão sucessivamente pelas sete épocas seguintes de desenvolvimento:
50:5.4 (576.7) 1. A época da nutrição. As criaturas pré-humanas e as raças iniciais do homem primitivo ocupam-se principalmente com os problemas da nutrição. Esses seres em evolução passam o tempo em que estão despertos à procura de alimento ou em combates, ofensiva ou defensivamente. A busca da comida é fundamental nas mentes desses ancestrais primitivos da civilização subseqüente.
50:5.5 (576.8) 2. A idade da segurança. Tão logo possa ter algum tempo de sobra, entre os períodos de procura de alimento, o caçador primitivo usa desse lazer para aumentar a sua segurança. E uma atenção cada vez maior é dedicada à técnica da guerra. Os lares são fortificados e os clãs solidificam-se em conseqüência do medo mútuo e com a inculcação de ódio aos grupos estranhos. A autopreservação é uma meta que vem sempre em seguida à da automanutenção.
50:5.6 (577.1) 3. A era do conforto material. Depois que os problemas da alimentação hajam sido parcialmente resolvidos e algum nível de segurança houver sido alcançado, o tempo de lazer adicional é utilizado para promover o conforto pessoal. O luxo, ocupando o centro do palco das atividades humanas, passa a rivalizar-se com a simples necessidade. Essa idade é muito freqüentemente caracterizada pela tirania, intolerância, glutonaria e bebedeira. Os elementos mais fracos das raças têm uma inclinação para os excessos e a brutalidade. Gradativamente tais seres debilitam-se na busca do prazer e são subjugados pelos elementos mais fortes e amantes da verdade na civilização em avanço.
50:5.7 (577.2) 4. A busca de conhecimento e sabedoria. O alimento, a segurança, o prazer e o lazer fornecem a base para o desenvolvimento da cultura e a disseminação do conhecimento. O esforço para colocar em prática o conhecimento resulta em sabedoria e, quando houver aprendido como tirar proveito da experiência e assim aprimorar-se, uma cultura terá realmente atingido a época de civilização. O alimento, a segurança e o conforto material ainda dominam a sociedade; mas muitos indivíduos de visão mais ampla têm fome de conhecimento e sede de sabedoria. Cada criança terá a oportunidade de aprender praticando; a educação é a palavra de ordem dessas idades.
50:5.8 (577.3) 5. A época da filosofia e da fraternidade. Quando os mortais aprendem a pensar e começam a tirar proveito da experiência, tornam-se filosóficos — e começam a raciocinar por si próprios e exercer o juízo do discernimento. A sociedade, nessa idade, torna-se ética; e os mortais dessa época estão realmente transformando-se em seres morais. E seres morais sábios são capazes de estabelecer uma irmandade entre os homens, em um mundo que progride desse modo. Os seres morais e éticos podem aprender a viver segundo a regra de ouro.
50:5.9 (577.4) 6. A idade das batalhas espirituais. Quando os mortais em evolução houverem passado pelos estágios do desenvolvimento físico, intelectual e social, atingem, mais cedo ou mais tarde, aquele nível de visão interior pessoal que os impele a buscar a satisfação espiritual e o entendimento cósmico. A religião faz por completar a elevação, desde os domínios emocionais do medo e da superstição, aos níveis elevados de sabedoria cósmica e experiência espiritual pessoal. A educação leva à aspiração de alcançar os significados, e a cultura apreende as relações cósmicas e os valores verdadeiros. Tais mortais em evolução são genuinamente cultos, verdadeiramente educados e primorosamente conhecedores de Deus.
50:5.10 (577.5) 7. A era de luz e vida. Este é o florescimento das eras sucessivas, de segurança física, expansão intelectual, cultura social e realização espiritual. Essas realizações humanas são agora combinadas, associadas e coordenadas em unidade cósmica e para o serviço não-egoísta. Dentro das limitações da natureza finita e dos dons materiais, não há fronteiras estabelecidas para o alcance das possibilidades da realização evolucionária das gerações em avanço, que vivem sucessivamente nesses mundos supernos e estabelecidos do tempo e do espaço.
50:5.11 (577.6) Depois de servirem às suas esferas, nas sucessivas dispensações da história do mundo e das épocas progressivas de avanço planetário, os Príncipes Planetários são elevados à posição de Soberanos Planetários, quando da inauguração da era de luz e vida.
50:6.1 (578.1) O isolamento de Urântia torna impossível fazer uma apresentação dos muitos detalhes da vida e ambiente dos vossos vizinhos de Satânia. Nestas apresentações estamos limitados pela quarentena planetária e pelo isolamento do sistema. Devemos ser guiados por essas restrições, nos nossos esforços para esclarecer os mortais de Urântia. Dentro do que foi permitido, porém, vós fostes instruídos sobre a seqüência do progresso de um mundo evolucionário comum, e estais capacitados a estabelecer comparações entre a carreira de um mundo assim e a condição atual de Urântia.
50:6.2 (578.2) O desenvolvimento da civilização de Urântia não diferiu tanto do de outros mundos que suportaram o infortúnio do isolamento espiritual. Contudo, quando comparado aos mundos leais do universo, o vosso planeta parece muito confuso e grandemente retardado em todas as fases do progresso intelectual e das realizações de alcance espiritual.
50:6.3 (578.3) Como conseqüência das infelicitações planetárias, os urantianos ficaram impedidos de compreender mais sobre a cultura dos mundos normais. Mas não deveríeis considerar os mundos evolucionários, mesmo os mais ideais, como esferas em que a vida seja um mar de rosas e de facilidades. A vida inicial das raças mortais é sempre acompanhada de lutas. O esforço e a determinação são parte essencial na conquista dos valores da sobrevivência.
50:6.4 (578.4) A cultura pressupõe qualidade de mente; a cultura não pode ser enfatizada, a menos que a mente seja elevada. O intelecto superior buscará uma cultura nobre e encontrará algum modo de alcançar essa meta. As mentes inferiores irão desprezar a cultura mais elevada, mesmo que esta lhes seja apresentada já pronta. Muito, também, depende das missões sucessivas dos Filhos divinos e da medida pela qual o esclarecimento é recebido nessas idades das suas respectivas dispensações.
50:6.5 (578.5) Não deveríeis esquecer-vos de que, por duzentos mil anos, todos os mundos de Satânia têm permanecido banidos espiritualmente de Norlatiadeque, em conseqüência da rebelião de Lúcifer. E serão necessárias idades e mais idades, para que haja uma correção nas limitações resultantes do pecado e da secessão. O vosso mundo ainda continua seguindo uma carreira irregular e cheia de vicissitudes por causa de uma dupla tragédia: a rebelião de um Príncipe Planetário, e a falta dos seus Filhos Materiais. Mesmo a auto-outorga de Cristo Michael em Urântia, de imediato, não eliminou as conseqüências temporais dos erros tão sérios cometidos pela administração anterior deste mundo.
50:7.1 (578.6) À primeira vista, poderia parecer que Urântia e os mundos isolados semelhantes sejam por demais desafortunados por haverem sido privados da influência e presença benéficas de personalidades supra-humanas, tais como um Príncipe Planetário, um Filho e uma Filha Materiais. Entretanto, o isolamento dessas esferas proporciona às suas raças uma oportunidade única para o exercício da fé e o desenvolvimento de uma qualidade especial de confiabilidade cósmica: uma convicção que não depende da vista nem de qualquer outro aspecto material. Pode ser que isso, finalmente, acarrete o resultado de que as criaturas mortais provenientes dos mundos em quarentena, em conseqüência da rebelião, sejam extremamente afortunadas. Descobrimos que a tais seres ascendentes, muito cedo, são confiadas inúmeras missões especiais de empreendimentos cósmicos, para a realização das quais uma fé inquestionável e uma confiança sublime sejam essenciais.
50:7.2 (579.1) Em Jerusém, os seres ascendentes desses mundos isolados ocupam um setor residencial deles próprios e são conhecidos como agondonteiros; esta palavra significando criaturas evolucionárias de vontade que podem acreditar sem ver, que perseveram quando isoladas e que triunfam sobre dificuldades insuperáveis, até mesmo quando isoladas em solidão. Esse agrupamento funcional de agondonteiros perdura em toda a ascensão do universo local e na travessia do superuniverso; desaparece durante a permanência em Havona, mas reaparece prontamente quando do alcançar do Paraíso e perdura, em definitivo, com os Corpos Mortais de Finalidade. Tabamântia é um agondonteiro com status de finalitor, havendo sobrevivido de uma das esferas em quarentena envolvidas na primeira rebelião que aconteceu nos universos do tempo e do espaço.
50:7.3 (579.2) Durante toda a carreira até o Paraíso, um esforço é seguido da recompensa, exatamente como o resultado se segue às causas. Tais recompensas distinguem o indivíduo da média, estabelecem um diferencial entre as experiências das criaturas e contribuem para a versatilidade da sua atuação última no corpo coletivo dos finalitores.
50:7.4 (579.3) [Apresentado por um Filho Lanonandeque Secundário do Corpo de Reserva.]
O Livro de Urântia
Documento 51
51:0.1 (580.1) DURANTE a dispensação de um Príncipe Planetário, o homem primitivo alcança o limite do desenvolvimento evolucionário natural; e tal realização biológica é o sinal para que o Soberano do Sistema despache, para o mundo em questão, a segunda ordem de filiação, a dos elevadores biológicos. Esses Filhos, pois há dois deles — o Filho e a Filha Materiais — , são geralmente conhecidos em um planeta como Adão e Eva. O Filho Material original de Satânia é Adão, e aqueles que vão para os mundos dos sistemas como elevadores biológicos sempre levam o nome desse Filho original, o primeiro da sua ordem única.
51:0.2 (580.2) Esses Filhos são uma dádiva material do Filho Criador aos mundos habitados. Junto com o Príncipe Planetário, eles permanecem no seu planeta de atribuição durante todo o curso evolucionário de tais esferas. A aventura, em um mundo que tem um Príncipe Planetário, não é muito arriscada, mas em um planeta apóstata, que é um reino sem um governante espiritual e privado de comunicação interplanetária, tal missão torna-se cheia de perigos graves.
51:0.3 (580.3) Embora não possais esperar conhecer tudo sobre o trabalho desses Filhos, em todos os mundos de Satânia e de outros sistemas, outros documentos retratam mais totalmente a vida e as experiências desse interessante par, Adão e Eva, que veio do corpo dos elevadores biológicos de Jerusém para elevar as raças de Urântia. Embora tenha havido uma falha nos planos ideais de melhorar as vossas raças nativas, ainda assim, a missão de Adão não foi em vão; Urântia beneficiou-se imensamente da dádiva de Adão e Eva e, perante os companheiros deles e para os conselhos do alto, o trabalho deles não é considerado uma perda total.
51:1.1 (580.4) Os Filhos e as Filhas materiais, ou sexuados, são uma progênie do Filho Criador; o Espírito Materno do Universo não participa da produção desses seres que estão destinados a funcionar como elevadores físicos nos mundos evolucionários.
51:1.2 (580.5) As ordens materiais de filiação não são uniformes no universo local. O Filho Criador produz apenas um par desses seres, em cada sistema local; esses pares originais são diferentes pela sua natureza, pois estão sintonizados com o modelo da vida dos seus respectivos sistemas. Essa é uma medida necessária, pois, de outro modo, o potencial reprodutivo dos Adãos não seria funcional junto com aquele dos seres mortais em evolução dos mundos de qualquer sistema particular. O Adão e a Eva que vieram para Urântia descendiam do par original de Filhos Materiais de Satânia.
51:1.3 (580.6) Os Filhos Materiais têm uma altura que varia de dois metros e meio a três metros, e os seus corpos brilham com um halo de luz radiante de tonalidade violeta. Embora o sangue material circule nos seus corpos materiais, eles estão também sobrecarregados de energia divina e luz celeste. Esses Filhos Materiais (os Adãos) e as Filhas Materiais (as Evas) são iguais, um ao outro, diferindo apenas na sua natureza reprodutiva e por alguns dons químicos. Eles são iguais, ainda que diferenciados pelo masculino e o feminino — sendo, portanto, complementares — , e são projetados para servir aos pares, em quase todos os seus compromissos.
51:1.4 (581.1) Os Filhos Materiais desfrutam de uma nutrição dual; são realmente duais por natureza e constituição, compartilhando da energia materializada, de modo semelhante ao dos seres físicos do reino, enquanto a sua existência imortal é totalmente mantida pela ingestão direta e automática de certas energias cósmicas de sustento. Caso falhe em alguma missão para a qual esteja designada, ou, mesmo, caso se rebele consciente e deliberadamente, essa ordem de Filhos fica isolada, cortada da conexão com a fonte de luz e vida do universo. E a partir daí tornam-se seres praticamente materiais, destinados a levar a vida no seu curso material, no mundo da sua designação; passando a ser obrigados a apresentar-se aos magistrados do universo, para o juízo. A morte material encerrará, finalmente, a carreira planetária de tal infortunado e pouco sábio Filho ou Filha Material.
51:1.5 (581.2) O Adão e a Eva, do par original diretamente criado, são imortais por dom inerente, exatamente como o são todas as outras ordens de filiação do universo local, mas uma diminuição do potencial de imortalidade caracteriza os filhos e filhas deles. Esse casal original não pode transmitir a imortalidade incondicional aos seus filhos e filhas de procriação. A sua progênie é dependente, para a continuação da vida, de uma sincronia intelectual ininterrupta com o circuito gravitacional da mente do Espírito. Desde o início, no sistema de Satânia, treze Adãos Planetários perderam-se em rebeliões e no erro; e 681 204 deles, em posições subordinadas de confiança. A maioria dessas faltas ocorreu na época da rebelião de Lúcifer.
51:1.6 (581.3) Enquanto vivem como cidadãos permanentes nas capitais dos sistemas e mesmo funcionando em missões descendentes nos planetas evolucionários, os Filhos Materiais não possuem Ajustadores do Pensamento; mas é por meio desses mesmos serviços que eles adquirem a capacidade experiencial para a residência do Ajustador e para a carreira de ascensão ao Paraíso. Esses seres únicos e maravilhosamente úteis são elos de conexão entre o mundo espiritual e o mundo físico. Eles concentram-se nas sedes-centrais dos sistemas, onde se reproduzem e conduzem a vida como cidadãos materiais do reino, e de onde são despachados para os mundos evolucionários.
51:1.7 (581.4) Diferentemente de outras ordens de Filhos criadas para o serviço planetário, a ordem material de filiação não é, por natureza, invisível para as criaturas materiais como os habitantes de Urântia. Esses Filhos de Deus podem ser vistos, compreendidos e, por sua vez, podem se intermesclar de fato com as criaturas do tempo; poderiam até mesmo procriar junto com eles, embora esse papel de elevação biológica fique em geral entregue à progênie de tais Adãos Planetários.
51:1.8 (581.5) Em Jerusém, os filhos leais de qualquer Adão e Eva são imortais, mas a progênie de um Filho e uma Filha Material, procriada depois da sua chegada em um planeta evolucionário, não é assim imune à morte natural. Ocorre uma mudança no mecanismo de transmissão da vida, quando esses Filhos são rematerializados para as funções reprodutivas em um mundo evolucionário. Os Portadores da Vida privam, propositadamente, os Adãos e as Evas Planetários do poder de conceber filhos e filhas imortais. Se não caírem em falta, um Adão e uma Eva, em uma missão planetária, podem viver indefinidamente; mas, dentro de certos limites, os filhos deles experienciam uma longevidade que decresce, de geração para geração.
51:2.1 (582.1) Ao receber a notícia de que mais um mundo habitado haja alcançado o momento certo para a evolução física, o Soberano do Sistema reúne o corpo de Filhos e Filhas Materiais na capital do sistema; e, depois da discussão sobre as necessidades deste mundo evolucionário, dois, do grupo de voluntários — um Adão e uma Eva do corpo sênior de Filhos Materiais — são escolhidos para empreender a aventura, submetendo-se ao profundo sono preparatório com o fito de serem enserafinados e transportados, desde o seu lar de serviço solidário até o novo reino de novas oportunidades e perigos novos.
51:2.2 (582.2) Os Adãos e as Evas são criaturas semimateriais e, como tais, não são transportáveis pelos serafins. Antes, eles devem submeter-se à desmaterialização na capital do sistema com o fito de poderem ser enserafinados no transporte até o mundo da sua designação. Os serafins de transporte são capazes de efetuar tais alterações nos Filhos Materiais e em outros seres semimateriais, para capacitá-los a ser enserafinados e, assim, transportados no espaço, de um mundo ou sistema para outro. Cerca de três dias do tempo-padrão são consumidos nesse preparo para o transporte, e é necessária a cooperação de um Portador da Vida para devolver tal criatura desmaterializada à existência normal, quando o transporte seráfico chega ao destino.
51:2.3 (582.3) Ainda que exista essa técnica de desmaterialização, de preparo dos Adãos para o trânsito de Jerusém até os mundos evolucionários, não há nenhum método equivalente para tirá-los desses mundos, a menos que todo o planeta esteja para ser esvaziado, evento para o qual é efetuada uma instalação de emergência, provido da técnica da desmaterialização, a qual pode abranger toda a população salvável. Caso alguma catástrofe física tornasse condenada a residência em um planeta de uma raça em evolução, os Melquisedeques e os Portadores da Vida instalariam a técnica da desmaterialização para todos os sobreviventes e, por meio do transporte seráfico, esses seres seriam levados para o novo mundo preparado para a continuação da sua existência. A evolução de uma raça humana, uma vez iniciada em um mundo do espaço, deve prosseguir de modo totalmente independente da sobrevivência física daquele planeta; mas, durante as idades evolucionárias, não é de se considerar que um Adão e uma Eva Planetários deixem o mundo da sua escolha.
51:2.4 (582.4) Quando da sua chegada ao destino planetário, o Filho e a Filha Materiais são rematerializados sob a direção dos Portadores da Vida. Todo esse processo leva de dez a vinte e oito dias, do tempo de Urântia. A inconsciência do sono seráfico continua durante todo esse período de reconstrução. Quando a reconstituição do organismo físico se completa, esses Filhos e Filhas Materiais encontram-se prontos, nos seus novos lares e seus novos mundos, para todos os intentos e propósitos, exatamente como estavam antes de submeter-se ao processo de desmaterialização em Jerusém.
51:3.1 (582.5) Nos mundos habitados, os Filhos e Filhas Materiais constroem as suas próprias habitações-jardim, sendo logo ajudados pelos seus próprios filhos. Usualmente, o local do jardim já teria sido escolhido pelo Príncipe Planetário; e a sua assessoria corpórea faz boa parte do trabalho preliminar da preparação, com a ajuda de muitos dos tipos mais elevados das raças nativas.
51:3.2 (583.1) Esses são os Jardins do Éden, assim chamados em homenagem a Edêntia, a capital da Constelação, e porque são feitos segundo o modelo de grandeza botânica dos mundos-sede dos Pais Altíssimos. Tais moradas-jardim são localizadas usualmente em um local recluso e em uma região próxima dos trópicos. São criações belíssimas, para qualquer mundo normal. Vós nada podeis concluir sobre esses centros de beleza e cultura, se vos baseardes nas narrativas fragmentadas sobre o desenvolvimento frustrado que um empreendimento de tal ordem teve em Urântia.
51:3.3 (583.2) Um Adão e uma Eva Planetários são, em potencial, a dádiva plena da graça física às raças mortais. A principal ocupação desse casal importado é multiplicar-se e elevar os filhos do tempo. Mas não deve haver mesclagem direta entre o povo do jardim e os do mundo; por muitas gerações, Adão e Eva permanecem biologicamente segregados dos mortais evolucionários, enquanto constroem uma raça forte da sua ordem. Assim é a origem da raça violeta nos mundos habitados.
51:3.4 (583.3) Os planos para a elevação da raça são preparados pelo Príncipe Planetário e pelos seus assessores, e são executados por Adão e Eva. E desse modo foi, então, que o vosso Filho Material e a sua companheira foram colocados em uma grande desvantagem, logo que chegaram a Urântia. Caligástia fez uma hábil e efetiva oposição à missão Adâmica. E, não obstante os administradores Melquisedeques de Urântia haverem prevenido devidamente a ambos, tanto ao Adão quanto à Eva, a respeito dos perigos planetários inerentes à presença de um Príncipe Planetário rebelde, esse supremo arqui-rebelde, por meio de um estratagema astuto, fez tais manipulações com o casal Edênico que, colocando os dois em uma cilada, levou-os a violar o que estava estipulado para a missão de confiança deles, como governantes visíveis do vosso mundo. O traiçoeiro Príncipe Planetário teve êxito em comprometer o vosso Adão e a vossa Eva, mas falhou no seu esforço de envolvê-los na rebelião de Lúcifer.
51:3.5 (583.4) A quinta ordem de anjos, a dos ajudantes planetários, está vinculada à missão Adâmica, acompanhando sempre os Adãos Planetários nas suas aventuras nos mundos. Em geral o corpo designado, inicialmente, conta com cerca de cem mil anjos. Quando o trabalho de Adão e Eva em Urântia foi prematuramente deslanchado, após estes se haverem desviado do plano ordenado, foi uma das Vozes seráficas do Jardim que os admoestou a respeito da sua conduta repreensível. E a vossa narrativa dessa ocorrência ilustra bem a maneira pela qual as tradições, no vosso planeta, tenderam sempre a atribuir tudo o que é sobrenatural ao Senhor Deus. Por causa disso, muitas vezes, os urantianos têm ficado confusos a respeito da natureza do Pai Universal, pois as palavras e atos de todos os Seus coligados e subordinados, em geral, têm sido atribuídos a Ele. No caso de Adão e Eva, o anjo do Jardim não era outro senão o diretor dos ajudantes planetários, então no posto. Esse serafim, Solônia, proclamou a falta para com o plano divino e requisitou a volta dos administradores Melquisedeques a Urântia.
51:3.6 (583.5) As criaturas intermediárias secundárias são inerentes às missões Adâmicas. Do mesmo modo que se dá com a assessoria corpórea do Príncipe Planetário, os descendentes dos Filhos e Filhas Materiais são de duas ordens: a dos seus filhos físicos e a ordem secundária, de criaturas intermediárias. Esta última, que é de ministradores planetários materiais, geralmente invisíveis, contribui em muito para o avanço da civilização e mesmo para subjugar as minorias insubordinadas que possam tentar subverter o desenvolvimento social e o progresso espiritual.
51:3.7 (583.6) As criaturas intermediárias secundárias não devem ser confundidas com as da ordem primária, que remonta a tempos muito próximos da chegada do Príncipe Planetário. Em Urântia, a maioria dessas criaturas intermediárias anteriores entrou na rebelião junto com Caligástia e, desde Pentecostes, encontra-se enclausurada. Muitas das criaturas do grupo Adâmico, que não permaneceram leais à administração planetária, do mesmo modo estão reclusas.
51:3.8 (584.1) No Dia de Pentecostes, as criaturas primárias e secundárias leais fizeram uma união voluntária e têm funcionado como uma unidade, em relação aos assuntos deste mundo, desde então. Servem sob a liderança de criaturas intermediárias leais, alternadamente escolhidas dos dois grupos.
51:3.9 (584.2) O vosso mundo foi visitado já por quatro ordens de filiação: Caligástia, o Príncipe Planetário; Adão e Eva, os Filhos Materiais de Deus; Maquiventa Melquisedeque, o “sábio de Salém” nos dias de Abraão; e Cristo Michael, que veio como o Filho do Paraíso em auto-outorga. Quanto mais efetivo e belo não teria sido se Michael, o governante supremo do universo de Nébadon, tivesse recebido, no vosso mundo, as boas-vindas de um Príncipe Planetário leal e eficiente junto a um Filho Material devotado e cheio de êxito, pois ambos poderiam haver realizado muito para elevar o trabalho da vida e missão do Filho auto-outorgado! Contudo, nem todos os mundos têm sido tão desafortunados como Urântia; nem assim tão difícil tem sido a missão dos Adãos Planetários nem tão arriscada. Quando têm êxito, eles contribuem para o desenvolvimento de um grande povo, e continuam como chefes visíveis dos assuntos do planeta, ainda por bastante tempo, na idade em que esse mundo se torna estabelecido em luz e vida.
51:4.1 (584.3) A raça predominante, durante as idades iniciais dos mundos habitados, é a do homem vermelho, que geralmente é a primeira a atingir níveis humanos de desenvolvimento. Todavia, conquanto o homem vermelho seja a primeira raça a se desenvolver nos planetas, também os povos subseqüentes, de outras cores, começam a surgir muito cedo, nas idades da emergência mortal.
51:4.2 (584.4) As raças, as mais iniciais, são ligeiramente superiores às posteriores; o homem vermelho está muito acima da raça índigo-negra. Os Portadores da Vida transmitem o dom pleno das energias vivas à raça inicial ou vermelha, e cada manifestação evolucionária que se sucede, de grupos distintos de mortais, representa uma variação às custas do dom original. Até a estatura dos mortais tende a decrescer, do homem vermelho em diante, até a raça índigo, se bem que, em Urântia, hajam surgido traços inesperados de gigantismo nos povos verdes e alaranjados.
51:4.3 (584.5) Nos mundos que possuem todas as seis raças evolucionárias, os povos superiores são os da primeira, da terceira e da quinta raças — a vermelha, a amarela e a azul. As raças evolucionárias, assim, alternam-se em capacidade de crescimento intelectual e desenvolvimento espiritual; a segunda, a quarta e a sexta raças sendo ligeiramente menos dotadas. Essas raças secundárias são as dos povos que acabam ausentes em certos mundos; são as raças que foram exterminadas em muitos outros. É um infortúnio que, em Urântia, tenhais perdido, em grande escala, os homens azuis superiores, excetuando no que eles perduram na vossa miscigenada “raça branca”. A perda das vossas linhagens alaranjadas e verdes não é tão preocupante.
51:4.4 (584.6) A evolução de seis — ou de três — raças coloridas, ainda que possa parecer uma deterioração dos dons originais do homem vermelho, proporciona algumas variações bastante desejáveis nos tipos mortais, e dá expressão a diversos potenciais humanos que, de outro modo, seriam inalcançáveis. Essas modificações se fazem benéficas ao progresso da humanidade, como um todo, desde que sejam posteriormente elevadas pela importação da raça Adâmica ou violeta. Em Urântia, esse plano usual de miscigenação não foi levado até onde devia; e tal fracasso em executar o plano de evolução da raça torna impossível para vós compreenderdes, apenas observando os remanescentes dessas raças primitivas no vosso mundo, o suficiente sobre o status alcançado por esses povos em um planeta habitado normal.
51:4.5 (585.1) Na primeira fase do desenvolvimento racial, há uma ligeira tendência de os homens vermelhos, amarelos e azuis se mesclarem entre si; e uma tendência semelhante de que as raças alaranjadas, verdes e as de cor índigo também se mesclem entre si.
51:4.6 (585.2) Os humanos mais atrasados são, geralmente, empregados como trabalhadores, pelas raças de mais progresso. Isso explica a origem da escravatura nos planetas, durante as idades iniciais. Os homens alaranjados, geralmente, são dominados pelos vermelhos e reduzidos ao status de servos — sendo algumas vezes exterminados. Os homens amarelos e os vermelhos freqüentemente confraternizam entre si, mas não sempre. A raça amarela geralmente escraviza a verde, enquanto os homens azuis dominam os índigos. Essas raças de homens primitivos, ao utilizarem os serviços dos seus companheiros mais atrasados, em tarefas obrigatórias, não pensam neles mais do que os urantianos o fazem ao comprarem e venderem cavalos e gado.
51:4.7 (585.3) Na maioria dos mundos normais a servidão involuntária não sobrevive à dispensação do Príncipe Planetário, ainda que os deficientes mentais e delinqüentes sociais sejam, muitas vezes, compelidos ao trabalho involuntário; mas, em todas as esferas normais, essa espécie de escravidão primitiva é abolida logo depois da chegada da raça Adâmica, ou violeta, importada.
51:4.8 (585.4) Essas seis raças evolucionárias estão destinadas a se misturarem e se elevarem pela miscigenação com a progênie dos elevadores Adâmicos. Todavia, antes da amalgamação desses povos, os povos inferiores e os inaptos são amplamente eliminados. O Príncipe Planetário e o Filho Material, junto com as outras autoridades planetárias indicadas, decidem sobre a aptidão das linhas de reprodução. A dificuldade de executar um programa radical como esse em Urântia consiste na ausência de juízes competentes para decidir sobre a aptidão biológica, ou inaptidão, dos indivíduos das raças do vosso mundo. Apesar desse obstáculo, quer parecer que deveríeis tornar-vos capazes de concordar com o fim da confraternização biológica com as vossas cepas mais acentuadamente ineptas, defeituosas, degeneradas e anti-sociais.
51:5.1 (585.5) Quando um Adão e uma Eva Planetários chegam a um mundo habitado, já foram plenamente instruídos pelos seus superiores quanto ao melhor modo de efetuar o aperfeiçoamento das raças ali existentes de seres inteligentes. O plano para os procedimentos não é uniforme; muito é deixado para a decisão do casal que faz a ministração, e os erros são freqüentes, especialmente em mundos desordenados e insurrectos como Urântia.
51:5.2 (585.6) Em geral os povos violetas não começam a misturar-se com os nativos do planeta antes que o seu próprio grupo haja alcançado mais de um milhão de representantes. Nesse meio tempo, porém, a assessoria do Príncipe Planetário proclama que os filhos dos Deuses desceram, por assim dizer, para unir-se às raças dos homens; e o povo aguarda ansiosamente o dia em que irá ser feito o anúncio de que aqueles que forem qualificados como pertencentes a uma cepa racial superior poderão seguir para o Jardim do Éden, a fim de ser, ali, escolhidos pelos filhos e filhas de Adão como pais e mães evolucionários da nova ordem de combinação racial da humanidade.
51:5.3 (585.7) Nos mundos normais, os Adãos e as Evas Planetários nunca se acasalam diretamente com as raças evolucionárias. Esse trabalho de aperfeiçoamento biológico é uma função da progênie Adâmica. E esses adamitas não se espalham entre as raças; a assessoria do príncipe é que traz os homens e as mulheres superiores até o Jardim do Éden, para o acasalamento voluntário deles com os descendentes Adâmicos. Assim, na maioria dos mundos, é considerada a mais alta honra ser selecionado como candidato ao acasalamento com os filhos e filhas do Jardim.
51:5.4 (586.1) Pela primeira vez as guerras raciais e outras lutas tribais diminuem, enquanto as raças do mundo, cada vez mais intensamente, esforçam-se para qualificar-se, e serem reconhecidas e admitidas no Jardim. Vós não podeis ter senão uma vaga idéia de como essas lutas competitivas chegam a ocupar o centro de todas as atividades, em um planeta normal. Todo esse esquema de aperfeiçoamento da raça foi prematuramente rompido em Urântia.
51:5.5 (586.2) A raça violeta é um povo monogâmico, e todos os homens e mulheres evolucionários que se unem aos filhos e filhas Adâmicos prometem não tomar outros parceiros e instruir os seus próprios filhos ou filhas a serem monogâmicos da mesma maneira. As crianças de cada uma dessas uniões são educadas e treinadas nas escolas do Príncipe Planetário, e então se lhes permite ir de volta à própria raça dos seus progenitores evolucionários, para se casarem ali em meio a grupos selecionados de mortais superiores.
51:5.6 (586.3) Quando a linhagem, vinda dos Filhos Materiais, estiver acrescentada às raças mortais em evolução dos mundos, uma era nova de maior progresso evolutivo é iniciada. Em seguida a essa fusão procriadora, das aptidões importadas e traços supra-evolucionários, é produzida uma sucessão de avanços rápidos na civilização e um grande desenvolvimento racial; em cem mil anos, mais progresso é feito do que em um milhão de anos da luta anterior. No vosso mundo, mesmo em face do malogro dos planos ordenados, um grande progresso aconteceu, desde que a dádiva do plasma da vida de Adão veio para os vossos povos.
51:5.7 (586.4) Embora toda uma linhagem pura de filhos de um Jardim do Éden, no planeta, possa outorgar-se aos membros superiores das raças evolucionárias e, por meio disso, elevar o nível biológico da humanidade, não seria benéfico, todavia, para as cepas mais elevadas dos mortais de Urântia acasalarem-se com as raças inferiores; esse procedimento pouco sábio poderia colocar em risco toda a civilização no vosso mundo. Havendo fracassado na realização da harmonia entre as raças pela técnica Adâmica, deveis agora resolver o problema do aperfeiçoamento racial no planeta por outros métodos, basicamente humanos, de adaptação e controle.
51:6.1 (586.5) Na maioria dos mundos habitados os Jardins do Éden persistem como magníficos centros culturais e continuam a funcionar como modelos sociais para os usos e a conduta planetária, idade após idade. Mesmo nos tempos iniciais, quando os povos violetas ficam relativamente segregados, suas escolas recebem os candidatos apropriados, provenientes das raças do mundo, enquanto os desenvolvimentos industriais do Jardim abrem novos canais de intercâmbio comercial. Assim, os Adãos, as Evas e sua progênie, contribuem para uma súbita expansão cultural e para o rápido aperfeiçoamento das raças evolucionárias dos seus mundos. E todas essas relações são implementadas e seladas pela miscigenação das raças evolucionárias com os filhos de Adão, resultando em uma imediata elevação do status biológico, advindo uma estimulação do potencial intelectual e um aumento da receptividade espiritual.
51:6.2 (586.6) Nos mundos normais, o Jardim, sede da raça violeta, transforma-se no segundo centro de cultura do mundo e, juntamente com a cidade sede-central do Príncipe Planetário, dita o ritmo do desenvolvimento da civilização. Por séculos, as escolas da cidade sede-central do Príncipe Planetário e as escolas do Jardim de Adão e Eva permanecem contemporâneas. Em geral, não ficam muito distantes e trabalham juntas em cooperação harmoniosa.
51:6.3 (587.1) Pensai sobre o que significaria, para o vosso mundo, se em algum lugar no Levante houvesse um centro mundial de civilização, uma grande universidade planetária de cultura, que teria funcionado, ininterruptamente, por 37 000 anos. E, de novo, parai para considerar como a autoridade moral de um centro tão antigo não seria reforçada se estivesse situada não muito distante de uma outra sede-central, mais antiga ainda e de ministração celeste, cuja tradição teria exercido uma força acumulativa de 500 000 anos de influência evolucionária integrada. São os hábitos que acabam por disseminar os ideais do Éden a todo um mundo.
51:6.4 (587.2) As escolas do Príncipe Planetário ocupam-se principalmente da filosofia, religião, moral, realizações intelectuais e artísticas. As escolas do Jardim de Adão e Eva devotam-se, geralmente, às artes aplicadas, educação intelectual fundamental, cultura social, desenvolvimento econômico, relações de comércio, aptidão física e governo civil. Finalmente, esses centros mundiais fundem-se, mas tal afiliação de verdade algumas vezes não acontece, até os tempos do primeiro Filho Magisterial.
51:6.5 (587.3) A existência continuada do Adão e Eva Planetários, aliada ao núcleo da filiação pura da raça violeta, confere uma estabilidade de crescimento à cultura Edênica, pois essa cultura passa a atuar sobre a civilização de um mundo com a força convincente da tradição. Nesses Filhos e Filhas Materiais imortais, encontramos o último e indispensável elo que conecta Deus ao homem, elo este que reduz o abismo quase infinito entre o Criador eterno e as personalidades finitas inferiores do tempo. Eis, pois, um ser de alta origem que é físico, material e, mesmo, uma criatura sexuada, como os mortais de Urântia, que pode ver e compreender o Príncipe Planetário invisível e interpretá-lo para as criaturas mortais do reino; pois os Filhos e Filhas Materiais são capazes assim de ver todas as ordens menos elevadas de seres espirituais; eles enxergam o Príncipe Planetário e toda a sua assessoria, visível e invisível.
51:6.6 (587.4) Com o passar dos séculos, por meio da amalgamação da sua progênie com as raças dos homens, esses mesmos Filho e Filha Materiais passam a ser aceitos como ancestrais da humanidade, como pais comuns dos agora misturados descendentes das raças evolucionárias. O propósito é que os mortais, que começam em um mundo habitado, tenham a experiência de reconhecer sete pais:
51:6.7 (587.5) 1. O pai biológico — o pai na carne.
51:6.8 (587.6) 2. O pai do reino — o Adão Planetário.
51:6.9 (587.7) 3. O pai das esferas — o Soberano do Sistema.
51:6.10 (587.8) 4. O Pai Altíssimo — o Pai da Constelação.
51:6.11 (587.9) 5. O Pai do Universo — o Filho Criador e governante supremo das criações locais.
51:6.12 (587.10) 6. Os Super-Pais — os Anciães dos Dias, que governam o superuniverso.
51:6.13 (587.11) 7. O Pai do espírito ou o Pai de Havona — o Pai Universal, que se encontra no Paraíso e que outorga o Seu espírito para viver e trabalhar nas mentes das criaturas inferiores que habitam o universo dos universos.
51:7.1 (587.12) De tempos em tempos, os Filhos Avonais do Paraíso vêm aos mundos habitados para cumprir funções judiciais; o primeiro Avonal a chegar em uma missão magisterial, porém, inaugura a quarta dispensação de um mundo evolucionário do tempo e do espaço. Em alguns planetas nos quais esse Filho Magisterial é universalmente aceito, ele permanece durante uma idade; e assim o planeta prospera, sob o governo conjunto de três Filhos: o Príncipe Planetário, o Filho Material e o Filho Magisterial; os dois últimos sendo visíveis para todos os habitantes do reino.
51:7.2 (588.1) Antes que o primeiro Filho Magisterial conclua a sua missão em um mundo normal evolucionário, terá sido efetuada a unificação dos trabalhos educacionais e administrativos do Príncipe Planetário e do Filho Material. Essa amalgamação da supervisão dual em um planeta traz à existência uma ordem nova e efetiva de administração para o mundo. Com a partida do Filho Magisterial, o Adão Planetário assume a direção exterior da esfera. O Filho e a Filha Materiais, assim, atuam conjuntamente como administradores planetários, até o estabelecimento do mundo na era de luz e vida, quando então, o Príncipe Planetário é elevado à posição de Soberano Planetário. Durante essa idade de evolução avançada, Adão e Eva transformam-se naquilo que poderia ser chamado de os primeiros-ministros conjuntos do Reino glorificado.
51:7.3 (588.2) Tão logo a nova e consolidada capital, do mundo em evolução, estiver bem estabelecida, e tão rapidamente quanto puderem ser bem treinados os administradores subordinados competentes, as subcapitais serão fundadas em territórios distantes e em meio a diferentes povos. Antes da chegada de um outro Filho dispensacional, entre cinqüenta e cem desses subcentros haverão sido organizados.
51:7.4 (588.3) O Príncipe Planetário e sua assessoria ainda fomentam os domínios das atividades espirituais e filosóficas. Adão e Eva dedicam atenção especial ao status físico, científico e econômico do reino. Ambos os grupos dedicam igualmente suas energias à promoção da arte, às relações sociais e às realizações intelectuais.
51:7.5 (588.4) À época da inauguração da quinta dispensação dos assuntos do mundo, uma administração magnífica das atividades planetárias terá sido realizada. A existência mortal em uma esfera tão bem governada é, de fato, estimulante e produtiva. E se os urantianos pudessem apenas observar a vida em um planeta assim, iriam imediatamente dar o devido valor àquelas coisas que o seu mundo perdeu ao abraçar o mal e participar da rebelião.
51:7.6 (588.5) [Apresentado por um Filho Lanonandeque secundário do Corpo de Reserva.]
O Livro de Urântia
Documento 52
52:0.1 (589.1) DESDE o início da vida, em um planeta evolucionário, até a época do seu florescimento final na era de luz e vida surgem, no cenário da ação do mundo, ao menos sete épocas de vida humana. Essas sucessivas épocas são determinadas pelas missões planetárias dos Filhos divinos e, em um mundo habitado comum, tais eras aparecem na seguinte seqüência:
52:0.2 (589.2) 1. Homem antes do Príncipe Planetário.
52:0.3 (589.3) 2. Homem pós-Príncipe Planetário.
52:0.4 (589.4) 3. Homem pós-Adâmico.
52:0.5 (589.5) 4. Homem pós-Filho Magisterial.
52:0.6 (589.6) 5. Homem pós-Filho Auto-outorgado.
52:0.7 (589.7) 6. Homem pós-Filho Instrutor.
52:0.8 (589.8) 7. A Era de Luz e Vida.
52:0.9 (589.9) Tão logo se tornam fisicamente adequados para a vida, os mundos do espaço são colocados no registro dos Portadores da Vida e, no tempo devido, tais Filhos são despachados para tais planetas com o propósito de iniciar a vida. Todo o período, desde a iniciação da vida até o aparecimento do homem, é denominado como era pré-humana e precede as épocas mortais sucessivas consideradas nesta narrativa.
52:1.1 (589.10) Desde a época do surgimento do homem, vindo do nível animal — quando ele pode já escolher adorar o Criador — até a chegada do Príncipe Planetário, as criaturas mortais de vontade são chamadas de homens primitivos. Há seis tipos básicos, ou raças, de homens primitivos, e esses povos iniciais aparecem sucessivamente na ordem das cores do espectro, começando pelo vermelho. A duração desse período de evolução da vida primitiva varia muito nos diversos mundos, indo desde cento e cinqüenta mil anos até mais de um milhão de anos do tempo de Urântia.
52:1.2 (589.11) As raças evolucionárias de cor — vermelha, alaranjada, amarela, verde, azul e índigo — começam a aparecer por volta da época em que o homem primitivo está desenvolvendo uma linguagem simples e começando a exercitar a imaginação criativa. Nessa época, o homem já se acha bem acostumado a permanecer ereto.
52:1.3 (589.12) Os homens primitivos são caçadores poderosos e lutadores ferrenhos. A lei dessa idade é a da sobrevivência física do mais apto; o governo dessas épocas é inteiramente tribal. Durante as lutas raciais iniciais, em muitos mundos, algumas das raças evolucionárias são eliminadas, como ocorreu em Urântia. Aquelas que sobrevivem, geralmente, misturam-se com a raça violeta dos povos Adâmicos, importada posteriormente.
52:1.4 (589.13) À luz da civilização subseqüente, essa era do homem primitivo é um capítulo longo, escuro e sangrento. A ética da selva e a moral das florestas primitivas não se encontram em harmonia com os padrões das dispensações posteriores, de religião revelada, que trazem um desenvolvimento espiritual mais elevado. Em mundos normais e não-experimentais essa época é bastante diferente das lutas prolongadas e extraordinariamente brutais que caracterizaram tal idade em Urântia. Quando houverdes emergido após a vossa primeira experiência em um mundo, começareis a perceber por que essa longa e dolorosa luta ocorre nos mundos evolucionários e, na medida em que prosseguirdes no caminho ao Paraíso, compreendereis cada vez mais a sabedoria desses feitos aparentemente estranhos. Entretanto, apesar de todas as vicissitudes das idades primitivas de surgimento do homem, as atuações do homem primitivo representam um capítulo esplêndido, e heróico mesmo, nos anais de um mundo evolucionário do tempo e do espaço.
52:1.5 (590.1) O homem evolucionário, nos seus primórdios, não é uma criatura pitoresca. Em geral, os mortais primitivos habitam em cavernas ou falésias. E também constroem cabanas rudes, em árvores amplas. Antes de adquirirem uma ordem elevada de inteligência, algumas vezes, os planetas são invadidos por tipos maiores de animais. Mas, muito cedo nessa era, os mortais aprendem a acender e manter o fogo e, com imaginação inventiva crescente e o aperfeiçoamento dos utensílios, o homem em evolução logo vence os animais maiores e menos ágeis. As raças primitivas também fazem um uso extenso dos animais voadores maiores. Esses pássaros enormes são capazes de carregar um ou dois homens, de tamanho médio, em um vôo ininterrupto de mais de oitocentos quilômetros. Em alguns planetas, esses pássaros são de grande valia, pois possuem uma ordem de inteligência suficientemente elevada, sendo freqüentemente capazes de falar várias palavras das línguas do reino. Esses pássaros são muito inteligentes, obedientes e incrivelmente afetuosos. E tais pássaros de transporte estão extintos, há muito, em Urântia, mas os vossos ancestrais primitivos desfrutaram dos serviços deles.
52:1.6 (590.2) O momento em que o homem adquire o juízo ético, a vontade moral, coincide normalmente com o surgimento da linguagem primitiva. Alcançando o nível humano, depois dessa emergência da vontade do mortal, esses seres tornam-se receptivos à residência temporária dos Ajustadores divinos e, quando da morte, vários deles são devidamente escolhidos como sobreviventes e marcados com um selo, pelos arcanjos, para a subseqüente ressurreição e fusão com o Espírito. Os arcanjos sempre acompanham os Príncipes Planetários e, simultaneamente com a chegada do Príncipe, um juízo dispensacional do reino acontece,.
52:1.7 (590.3) Todos os mortais resididos por Ajustadores do Pensamento são adoradores em potencial; foram “iluminados pela luz verdadeira” e possuem a capacidade de buscar o contato recíproco com a divindade. Contudo, a religião primeva ou biológica do homem primitivo é mais como uma persistência do medo animal combinado ao espanto ignorante e à superstição tribal. A sobrevivência da superstição, nas raças de Urântia, não é complementar ao vosso desenvolvimento evolucionário, nem compatível com as vossas realizações esplêndidas, por tantos outros motivos, de progresso material. Mas essa religião primitiva do medo serve ao propósito bastante útil de dominar os temperamentos ferozes das criaturas primitivas. É a precursora da civilização e constitui solo para o subseqüente plantio das sementes da religião revelada pelo Príncipe Planetário e seus ministros.
52:1.8 (590.4) Cem mil anos depois que o homem adquire a postura ereta, o Príncipe Planetário normalmente chega, despachado que foi pelo Soberano do Sistema, depois de um informe dos Portadores da Vida de que a vontade está atuando, ainda que relativamente poucos indivíduos hajam-se desenvolvido nesse sentido. Os mortais primitivos normalmente acolhem bem o Príncipe Planetário e a sua assessoria visível; de fato os homens os vêem com admiração e reverência, quase com adoração, se não forem refreados.
52:2.1 (591.1) Com a chegada do Príncipe Planetário uma nova dispensação começa. O governo aparece na Terra e uma época tribal avançada advém. Durante uns poucos milênios, sob esse regime, um grande progresso social é alcançado. Em condições normais, os mortais atingem um alto estado de civilização durante essa idade. Não lutam por tanto tempo na barbárie, como o fizeram as raças de Urântia. Mas a vida em um mundo habitado é tão modificada pela rebelião, que vós não podeis ter senão uma pálida idéia de um regime como esse em um planeta normal.
52:2.2 (591.2) A duração média dessa dispensação é de cerca de quinhentos mil anos, algumas sendo mais longas e outras, mais curtas. Durante essa era, o planeta estabelece-se nos circuitos do sistema e uma quota plena de ajudantes seráficos e outros assistentes celestes é designada para a sua administração. Em números cada vez maiores os Ajustadores do Pensamento vêm, e os guardiães seráficos amplificam o seu regime de supervisão dada aos mortais.
52:2.3 (591.3) Quando da chegada do Príncipe Planetário em um mundo primitivo, prevalecia uma religião evolucionária, de medo e ignorância. O Príncipe e o seu corpo de assessores fazem as primeiras revelações sobre a verdade mais elevada e a organização do universo. Essas apresentações iniciais da religião revelada são muito simples e, normalmente, pertinentes aos assuntos do sistema local. A religião é integralmente um processo da evolução, antes da chegada do Príncipe Planetário. Subseqüentemente, a religião progride por meio da revelação gradativa, bem como pelo crescimento evolucionário. Cada dispensação, cada época mortal, recebe uma apresentação ampliada da verdade espiritual e da ética religiosa. A evolução da capacidade religiosa de receptividade, entre os habitantes de um mundo determina em grande parte o grau do seu avanço espiritual e o alcance da revelação religiosa.
52:2.4 (591.4) Essa dispensação testemunha um alvorecer espiritual e as diferentes raças e suas várias tribos tendem a desenvolver sistemas especializados de pensamento religioso e filosófico. Uniformemente, duas forças fazem-se presentes em todas essas religiões das raças: os primeiros temores do homem primitivo e as primeiras revelações do Príncipe Planetário. Sob alguns pontos de vista os urantianos parecem não haver saído ainda inteiramente desse estágio na sua evolução planetária. À medida que prosseguirdes neste estudo, mais claramente ireis discernir o quanto o vosso mundo encontra-se desviado do curso do progresso evolucionário e do seu desenvolvimento.
52:2.5 (591.5) O Príncipe Planetário, contudo, não é “o Príncipe da Paz”. As lutas raciais, as guerras tribais, continuam nessa dispensação; mas com uma freqüência e severidade decrescentes. Essa é a grande idade da dispersão racial e culmina em um período de nacionalismo intenso. A cor é a base dos agrupamentos tribais e nacionais e, muitas vezes, as diferentes raças desenvolvem idiomas distintos. Cada grupo em expansão, de mortais, tende a buscar o isolamento. Essa segregação é favorecida pela existência de muitas línguas. Antes da unificação das várias raças, algumas vezes, as suas guerras incansáveis resultam na eliminação de povos inteiros; as raças de homens alaranjados e homens verdes ficam especialmente sujeitas a tal extinção.
52:2.6 (591.6) Em mundos dentro da normalidade, durante uma parte adiantada do governo do Príncipe, a vida nacional começa a substituir a organização tribal ou, melhor, a sobrepor-se à dos grupos tribais existentes. Mas a grande realização da época do Príncipe é o surgimento da vida da família. Até então, as relações humanas haviam sido sobretudo tribais; a partir de agora o lar começa a se materializar.
52:2.7 (591.7) Essa é a dispensação da realização da igualdade dos sexos. Em alguns planetas, o masculino pode governar o feminino; em outros, prevalece o inverso. Durante essa idade nos mundos normais, é estabelecida uma igualdade plena entre os sexos, e isso ocorre como uma preliminar para a realização mais plena dos ideais da vida doméstica do lar. E esse é o alvorecer da idade dourada do lar. A idéia do governo tribal, gradualmente, dá lugar ao conceito dual da vida nacional e da vida familiar.
52:2.8 (592.1) Durante essa idade surge a agricultura. O desenvolvimento da idéia da família é incompatível com a vida errante e instável do caçador. Gradualmente, se estabelece o hábito de ficarem mais fixas as habitações e o cultivo do solo torna-se um hábito definitivo. A domesticação dos animais e o desenvolvimento de artesanatos do lar têm um rápido crescimento. Ao atingir o ápice da evolução biológica, um alto nível de civilização terá sido alcançado, mas há pouco desenvolvimento de ordem mecânica; a invenção é característica da idade seguinte.
52:2.9 (592.2) As raças são purificadas e elevadas a um alto estado de perfeição física e vigor intelectual, antes do fim dessa era. O desenvolvimento inicial de um mundo normal é muito ajudado pelo plano de promover um aumento do número de tipos mais elevados de mortais, com um decréscimo proporcional dos inferiores. E o fracasso dos vossos povos iniciais em discernir entre esses tipos foi o que acarretou a presença de tantos indivíduos defeituosos e degenerados entre as raças atuais de Urântia.
52:2.10 (592.3) Uma das grandes realizações da idade do Príncipe é a restrição da multiplicação dos indivíduos mentalmente deficientes e socialmente mal adaptados. Muito antes dos tempos da chegada dos Adãos, os segundos Filhos, a maior parte dos mundos dedica-se seriamente à tarefa de purificação da raça, algo que os povos de Urântia ainda nem sequer tentaram fazer a sério.
52:2.11 (592.4) Essa questão do aperfeiçoamento racial não é uma tarefa tão prolongada, se enfrentada nessa época inicial da evolução humana. O período precedente, de lutas tribais e severa competição para a sobrevivência racial, eliminou a maior parte das linhagens anormais e deficientes. Um idiota não tem muita chance de sobrevivência em uma organização social tribal primitiva e em guerra. É um sentimentalismo falso das vossas civilizações, parcialmente perfeccionadas, o de fomentar, proteger e perpetuar as linhagens irremediavelmente defeituosas dentre as raças evolucionárias humanas.
52:2.12 (592.5) Não é ternura nem altruísmo oferecer uma compaixão fútil, a seres humanos degenerados e inferiores, a mortais anormais e sem salvação. Mesmo nos mais normais dos mundos evolucionários, existem diferenças suficientes entre os indivíduos e os inúmeros grupos sociais; diferenças que permitem o pleno exercício de todos esses traços nobres de sentimento altruísta e não-egoísta de ministração mortal, mas sem perpetuar as linhagens desajustadas sociais e moralmente degeneradas da humanidade evolucionária. Há oportunidades abundantes para o exercício e a função da tolerância e do altruísmo, em defesa dos indivíduos desafortunados e necessitados que não hajam perdido, irremediavelmente, sua herança moral, nem destruído para sempre o seu patrimônio espiritual trazido do berço.
52:3.1 (592.6) Quando o ímpeto original da vida evolucionária houver percorrido todo o seu curso biológico, e quando o homem houver alcançado o ápice do desenvolvimento animal, a segunda ordem de filiação chegará e uma segunda dispensação de graça e ministrações será inaugurada. Isso é verdadeiro para todos os mundos evolucionários. Quando o nível mais alto possível de vida evolucionária houver sido atingido, e quando o homem primitivo houver ascendido tão alto quanto possível na escala biológica, um Filho e uma Filha Materiais sempre surgem no planeta, havendo sido despachados pelo Soberano do Sistema.
52:3.2 (593.1) Os Ajustadores do Pensamento são outorgados de modo crescente aos homens pós-Adâmicos e, em números cada vez maiores, tais mortais alcançam capacidade para uma posterior fusão com o Ajustador. Enquanto funcionam como Filhos descendentes, os Adãos não possuem Ajustadores; mas a sua progênie planetária — tanto a direta, quanto a miscigenada — é de candidatos legítimos à recepção, na época devida, de tais Monitores Misteriosos. Quando termina a idade pós-Adâmica, o planeta está de posse da sua quota plena de ministradores celestes; entretanto a outorga dos Ajustadores de fusão não se tornou ainda universal.
52:3.3 (593.2) O propósito principal do regime Adâmico é influenciar o homem em evolução, levando-o a completar a transição de um estágio da civilização, de caçadores e pastores, para o de agricultores e horticultores, com o fito de, mais tarde, ser suplementado pelo advento dos acessórios urbanos e industriais da civilização. Dez mil anos na dispensação dos elevadores biológicos são o suficiente para concretizar uma transformação maravilhosa. Vinte e cinco mil anos dessa administração da sabedoria do Príncipe Planetário, em conjunto com a dos Filhos Materiais, em geral, amadurecem a esfera para o advento de um Filho Magisterial.
52:3.4 (593.3) Essa idade, via de regra, testemunha uma eliminação completa dos mal adaptados e uma purificação ainda maior das linhagens raciais; nos mundos normais, as tendências bestiais defeituosas são quase totalmente eliminadas das linhagens reprodutoras do reino.
52:3.5 (593.4) Os Filhos Adâmicos nunca se miscigenam com as linhagens inferiores das raças evolucionárias. Nem é do plano divino, para os Adãos e Evas Planetários, que eles se reproduzam, pessoalmente, com os povos evolucionários. Esse projeto de aperfeiçoamento da raça é uma tarefa para a progênie deles. Mas a descendência do Filho e Filha Materiais mobiliza-se isoladamente por gerações, antes de ser inaugurado o ministério da miscigenação racial.
52:3.6 (593.5) O resultado da dádiva do plasma da vida Adâmica às raças mortais é uma elevação imediata da capacidade intelectual e uma aceleração do progresso espiritual. Em geral, há um aperfeiçoamento físico também. Num mundo normal, a dispensação pós-Adâmica é uma idade de grande inventividade, de controle da energia e desenvolvimento mecânico. Essa é a era de surgimento da manufatura multiforme e do controle das forças naturais; é a idade dourada de exploração e subjugação final do planeta. Grande parte do progresso material de um mundo ocorre durante esse período de inauguração do desenvolvimento das ciências físicas, exatamente uma época como a que Urântia está agora experimentando. Considerando o curso normal para os planetas, o vosso mundo está atrasado uma dispensação inteira, e mesmo mais.
52:3.7 (593.6) Ao final da dispensação Adâmica, em um planeta normal, as raças estão já praticamente mescladas, e de um modo tal que pode ser verdadeiramente proclamado que “Deus fez todas as nações de um só sangue”, e o seu Filho “fez todos os povos de uma só cor”. A cor dessa raça miscigenada resulta em algo como um matiz oliva, com uma nuança do violeta, sendo assim o “branco” racial das esferas.
52:3.8 (593.7) O homem primitivo é carnívoro, na sua grande maioria; os Filhos e as Filhas Materiais, no entanto, não comem carne; mas a sua descendência, dentro de poucas gerações, em geral, precipita-se para o nível onívoro, se bem que grupos inteiros de descendentes deles, algumas vezes, continuam não comendo carne. A origem dupla das raças pós-Adâmicas explica como essas linhagens humanas miscigenadas trazem vestígios anatômicos tanto dos grupos animais carnívoros quanto dos herbívoros.
52:3.9 (593.8) Após dez mil anos de miscigenação racial, as linhagens resultantes apresentam graus variados de mistura anatômica, algumas das linhagens trazendo mais das características dos ancestrais não-carnívoros, outras apresentando mais os traços específicos e características físicas dos seus progenitores evolucionários carnívoros. A maioria dessas raças dos mundos logo se torna onívora, e subsiste alimentando-se de uma ampla gama de alimentos, tanto do reino animal quanto do reino vegetal.
52:3.10 (594.1) A época pós-Adâmica é a da dispensação do internacionalismo. Estando próximo de completar a tarefa de miscigenação das raças, o nacionalismo desaparece e a irmandade entre os homens realmente começa a se materializar. O governo representativo começa a tomar o lugar da monarquia e outras formas paternalistas de governo. O sistema educacional torna-se mundial e, gradualmente, as línguas das raças dão lugar à língua do povo violeta. A paz universal e a cooperação raramente são alcançadas antes que as raças estejam bem miscigenadas, e antes de falarem uma mesma língua.
52:3.11 (594.2) Durante os séculos finais da era pós-Adâmica é despertado um novo interesse pela arte, pela música e a literatura; e esse despertar mundial é o sinal para o aparecimento de um Filho Magisterial. O desenvolvimento coroador dessa era é o interesse universal pelas realidades intelectuais, a verdadeira filosofia. A religião torna-se menos nacionalista, mais e mais sendo um assunto planetário. Novas revelações da verdade caracterizam essas idades, e os Altíssimos das constelações começam a governar nos assuntos dos homens. A verdade é revelada ao nível da administração das constelações.
52:3.12 (594.3) Um grande avanço ético caracteriza essa era; a irmandade dos homens passando a ser a meta na sociedade deles. A paz, de âmbito mundial — a cessação de conflitos entre as raças e da animosidade nacional — , é indicadora da maturidade planetária para o advento da terceira ordem de filiação, a do Filho Magisterial.
52:4.1 (594.4) Nos planetas normais e leais, essa idade inaugura-se com as raças mortais já miscigenadas e biologicamente adaptadas. Não há problemas de raça ou de cor; todas as nações e raças, literalmente, têm um só sangue. A irmandade dos homens floresce, e as nações estão aprendendo a viver em paz e tranqüilidade na Terra. Tal mundo está às vésperas de um desenvolvimento intelectual grande e culminante.
52:4.2 (594.5) Quando um mundo evolucionário torna-se assim maduro para a idade magisterial, um dos Filhos da ordem elevada dos Avonais faz a sua aparição em missão magisterial. O Príncipe Planetário e os Filhos Materiais têm a sua origem no universo local; o Filho Magisterial provém do Paraíso.
52:4.3 (594.6) Quando vêm às esferas mortais, para atos judiciais apenas como julgadores dispensacionais, os Avonais do Paraíso nunca se encarnam. Contudo, quando vêm em missões magisteriais, pelo menos na missão inicial, eles sempre se encarnam, embora não experimentem o nascimento, nem passem pela morte do reino. Eles podem viver durante gerações, nos casos de permanecerem como governantes em certos planetas. Quando as suas missões são concluídas, abandonam as suas vidas planetárias e retornam ao seu status anterior de filiação divina.
52:4.4 (594.7) Cada nova dispensação amplia o horizonte da religião revelada, e os Filhos Magisteriais estendem a revelação da verdade para retratar os assuntos do universo local e todos os seus tributários.
52:4.5 (594.8) Depois da visitação inicial de um Filho Magisterial, as raças logo efetivam a sua liberação econômica. O trabalho diário exigido para sustentar a independência de cada indivíduo seria representado por duas horas e meia do vosso tempo. E torna-se perfeitamente seguro liberar tais mortais éticos e inteligentes. Esses povos refinados sabem, muito bem, como utilizar o lazer para o auto-aperfeiçoamento e para o progresso planetário. Essa idade testemunha outra purificação das linhagens raciais, por meio da restrição da reprodução entre os indivíduos menos aptos e dotados.
52:4.6 (595.1) O governo político e a administração social das raças continuam a aperfeiçoar-se, estando o autogoverno bastante bem estabelecido ao final dessa idade. Quando dizemos autogoverno, referimo-nos ao tipo mais elevado de governo representativo. Tais mundos avançam e honram, entre os líderes e governantes, apenas aqueles que estão mais bem qualificados para assumir as responsabilidades sociais e políticas.
52:4.7 (595.2) Durante essa época, a maioria dos mortais do mundo é residida por Ajustadores. Mas ainda então, a outorga do Monitor divino não é sempre universal. Os Ajustadores com destino de fusão por enquanto não são concedidos a todos os mortais do planeta; ainda é necessário que as criaturas de vontade escolham receber os Monitores Misteriosos.
52:4.8 (595.3) Durante as eras de fechamento dessa dispensação, a sociedade começa a retornar às formas mais simplificadas de vida. A natureza complexa de uma civilização em avanço segue o seu curso, com os mortais aprendendo a viver mais natural e efetivamente. E tal tendência cresce a cada época sucessiva. Essa é a idade do florescimento da arte, da música e do aprendizado mais elevado. As ciências físicas já alcançaram o ápice do seu desenvolvimento. O término dessa idade, em um mundo ideal, testemunha a plenitude de um despertar religioso amplo e um esclarecimento espiritual de âmbito mundial. E esse despertar irrestrito, da natureza espiritual das raças, é o sinal da chegada do Filho de auto-outorga e inauguração da quinta época mortal.
52:4.9 (595.4) Em muitos mundos, acontece que, depois de uma única missão magisterial, o planeta não se torna capacitado para receber um Filho auto-outorgado; nesse caso haverá um segundo ou, até mesmo, uma sucessão de Filhos Magisteriais; e cada um deles irá avançar as raças, de uma dispensação para a outra, até que o planeta fique pronto para a dádiva do Filho auto-outorgado. Na segunda missão, e nas subseqüentes, os Filhos Magisteriais podem ou não se encarnar. Todavia, não importa quantos Filhos Magisteriais possam vir — e eles podem aparecer também depois do Filho de auto-outorga — o advento de cada um deles demarca o fim de uma dispensação e o começo da seguinte.
52:4.10 (595.5) Essas dispensações dos Filhos Magisteriais abrangem entre vinte e cinco a cinqüenta mil anos do tempo de Urântia. Algumas vezes uma tal época é muito mais curta, ou bem mais longa em casos mais raros. No devido tempo, entretanto, um desses mesmos Filhos Magisteriais nascerá como um Filho auto-outorgado do Paraíso.
52:5.1 (595.6) Quando um certo padrão de desenvolvimento intelectual e espiritual é alcançado em um mundo habitado, sempre um Filho de auto-outorga do Paraíso advém. Nos mundos normais ele não aparece na carne até que as raças hajam ascendido a níveis mais elevados de desenvolvimento intelectual e qualidade ética. Em Urântia, contudo, o Filho de auto-outorga, o próprio Filho Criador vosso, apareceu ao final da dispensação Adâmica, mas não é essa a seqüência normal e comum dos acontecimentos nos mundos do espaço.
52:5.2 (595.7) Quando os mundos houverem amadurecido para a espiritualização, o Filho auto-outorgado vem. Esses Filhos sempre pertencem à ordem Magisterial ou à Avonal, excetuando-se aquele caso em que, uma vez em cada universo local, o Filho Criador prepara-se para a sua auto-outorga terminal, em algum mundo evolucionário, como ocorreu quando Michael de Nébadon apareceu em Urântia para se auto-outorgar junto às vossas raças mortais. Apenas um mundo, dentre quase dez milhões, pode gozar de uma tal dádiva; todos os outros mundos avançam espiritualmente com a auto-outorga de um Filho do Paraíso, da ordem Avonal.
52:5.3 (596.1) O Filho auto-outorgado ao chegar em um mundo de alta cultura educacional, encontra uma raça espiritualmente educada e preparada para assimilar os ensinamentos avançados e dar o devido valor à missão de auto-outorga. Essa é uma idade caracterizada pela busca mundial da cultura moral e da verdade espiritual. A paixão dos mortais nessa dispensação é penetrar na realidade cósmica e comungar da realidade espiritual. As revelações da verdade são ampliadas, passando a incluir o superuniverso. Surgem sistemas inteiramente novos, de educação e governo, para suplantar os regimes imaturos das épocas anteriores. A alegria de viver ganha novas cores, e as reações da vida são exaltadas, em tom e timbre, até as alturas celestes.
52:5.4 (596.2) O Filho auto-outorgado vive e morre pela elevação espiritual das raças mortais em um mundo. Ele estabelece o “caminho novo e vivo”; a sua vida é a encarnação da verdade do Paraíso na carne mortal, é aquela mesma verdade — o próprio Espírito da Verdade — dentro de cujo conhecimento os homens tornar-se-ão livres.
52:5.5 (596.3) Em Urântia, o estabelecimento deste “caminho vivo e novo” foi uma questão de fato, bem como de verdade. O isolamento de Urântia, na rebelião de Lúcifer, havia suspendido o procedimento pelo qual os mortais podem passar, com a morte, diretamente às margens dos mundos das mansões. Antes dos dias de Cristo Michael, em Urântia, todas as almas dormiam até as ressurreições dispensacionais ou até as ressurreições milenares especiais. Mesmo a Moisés não foi permitido ir para o outro lado, até a ocasião da ressurreição especial; e foi Caligástia, o Príncipe Planetário caído, que se opôs a essa liberação. Mas desde o dia de Pentecostes, de novo os mortais de Urântia podem prosseguir diretamente para as esferas moronciais.
52:5.6 (596.4) Quando da sua ressurreição, ao terceiro dia, depois de terminar a sua vida encarnada, um Filho auto-outorgado ascende à mão direita do Pai Universal, recebe a confirmação da aceitação da missão de auto-outorga e retorna para o Filho Criador na sede-central do universo local. Após isso, o Filho Avonal auto-outorgado e o Criador Michael enviam o espírito conjunto deles, o Espírito da Verdade, ao mundo da auto-outorga. Essa é a ocasião em que o “espírito do Filho triunfante é efundido sobre toda a carne”. O Espírito Materno do Universo também participa dessa efusão do Espírito da Verdade e, concomitantemente, há a proclamação da ordem para a outorga dos Ajustadores do Pensamento. A partir de então toda criatura volitiva de mente normal, daquele mundo, receberá o Ajustador tão logo atinja a idade da responsabilidade moral e de escolha espiritual.
52:5.7 (596.5) Se esse Avonal auto-outorgado devesse retornar a um mundo, depois da missão de auto-outorga, ele não se encarnaria, mas viria “na glória, com as hostes seráficas”.
52:5.8 (596.6) A idade pós-Filho auto-outorgado pode estender-se de dez mil a cem mil anos. Não há um limite de tempo arbitrado para qualquer dessas eras dispensacionais. Estas são épocas de grande progresso ético e espiritual. Sob a influência espiritual dessas idades, o caráter humano passa por transformações tremendas e experimenta um desenvolvimento fenomenal. Torna-se possível aplicar a regra dourada na prática. Os ensinamentos de Jesus são realmente aplicáveis a um mundo mortal que teve o aperfeiçoamento preliminar dos Filhos de pré-outorga, com as suas dispensações de enobrecimento de caráter e ampliação da cultura.
52:5.9 (596.7) Durante essa era, os problemas das doenças e delinqüência são virtualmente resolvidos. A degenerescência já foi amplamente eliminada pela reprodução seletiva. A doença já foi praticamente dominada por meio das altas qualidades de resistência das linhagens Adâmicas e a aplicação inteligente e em âmbito mundial das descobertas das ciências físicas, nas idades precedentes. A longevidade média, durante esse período, sobe até bem acima do equivalente a trezentos anos do tempo de Urântia.
52:5.10 (597.1) Durante essa época, há uma redução gradual da supervisão governamental. O verdadeiro autogoverno está começando a funcionar; as leis restritivas fazem-se cada vez menos necessárias. As ramificações militares de resistência nacional estão findando; a era da harmonia internacional está realmente chegando. Há muitas nações, a maioria determinada pela distribuição de terras; mas há apenas uma raça, uma língua e uma religião. Os assuntos dos mortais alcançaram um ponto quase utópico, mas não completamente ainda. Essa é verdadeiramente uma idade grande e gloriosa!
52:6.1 (597.2) O Filho auto-outorgado é o Príncipe da Paz. Ele chega com a mensagem de “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”. Nos mundos normais, essa é uma dispensação de paz mundial; as nações não mais se dedicam à guerra. Essas influências salutares, contudo, não acompanharam a vinda do vosso Filho auto-outorgado, Cristo Michael. Urântia não está avançando na seqüência normal. O vosso mundo está fora de passo, na procissão planetária. O vosso Mestre, quando na Terra, preveniu aos seus discípulos: o advento dele não traria o reino normal de paz, em Urântia; e disse-lhes claramente que haveria “guerras e rumores de guerras”, e que nação se levantaria contra nação. Numa outra ocasião, ele disse: “Não pensai que eu vim para trazer paz à Terra”.
52:6.2 (597.3) Mesmo em mundos evolucionários normais, a realização da irmandade mundial dos homens não é fácil. Num planeta confuso e desordenado, como Urântia, uma realização como essa necessita de um tempo muito mais longo e requer um esforço maior. Uma evolução social sem ajuda exterior dificilmente pode alcançar resultados felizes, em uma esfera espiritualmente isolada. A revelação religiosa é essencial à realização da irmandade em Urântia. Ainda que Jesus haja mostrado o caminho para a edificação imediata da irmandade espiritual, a efetivação da irmandade social no vosso mundo em muito depende da realização das transformações pessoais e de ajustamentos planetários, como a seguir:
52:6.3 (597.4) 1. A fraternidade social. A multiplicação dos contatos sociais e associações fraternais internacionais e inter-raciais por meio de viagens, comércio e jogos competitivos. O desenvolvimento de uma linguagem comum e a multiplicação de indivíduos multilíngües. O intercâmbio racial e nacional de estudantes, professores, industriais e filósofos religiosos.
52:6.4 (597.5) 2. A fertilização intelectual cruzada. A irmandade torna-se impossível em um mundo cujos habitantes são tão primitivos que não conseguem reconhecer a loucura do egoísmo não mitigado. Deve ocorrer uma troca entre as literaturas nacionais e raciais. Cada raça deve tornar-se conhecedora do pensamento das outras raças; cada nação deve conhecer os sentimentos de todas as nações. A ignorância gera a suspeita, e a suspeita é incompatível com a atitude essencial de compaixão e amor.
52:6.5 (597.6) 3. O despertar ético. Apenas a consciência ética pode desmascarar a imoralidade da intolerância humana e o pecado das lutas fratricidas. Apenas uma consciência moral pode condenar os males da inveja nacional e do ciúme racial. Apenas seres morais buscarão o discernimento espiritual que é essencial à vivência da regra de ouro.
52:6.6 (598.1) 4. A sabedoria política. A maturidade emocional é essencial ao autocontrole. Apenas a maturidade emocional assegurará a substituição da arbitrariedade bárbara que é a guerra, pelas técnicas internacionais do julgamento civilizado. Estadistas sábios, algum dia, trabalharão para o bem-estar da humanidade, mesmo enquanto ainda lutam para promover o interesse dos seus grupos nacionais ou raciais. A sagacidade política egoísta, em última análise, é suicida — destruidora de todas aquelas qualidades duradouras que asseguram a sobrevivência grupal no planeta.
52:6.7 (598.2) 5. O discernimento espiritual. A irmandade dos homens é, afinal, baseada no reconhecimento da paternidade de Deus. O modo mais rápido de se alcançar a irmandade dos homens em Urântia é efetuar a transformação espiritual da humanidade nos dias presentes. A única técnica para acelerar a tendência natural de evolução social seria aplicar a pressão espiritual vinda de cima, elevando, assim, o discernimento moral e, ao mesmo tempo, aumentando a capacidade da alma de cada mortal de compreender e amar a todos os outros mortais. O entendimento mútuo e o amor fraterno são fatores civilizadores transcendentes e poderosos na realização mundial da irmandade dos homens.
52:6.8 (598.3) Caso pudésseis ser transplantados, do vosso mundo atrasado e confuso, até algum planeta normal que estivesse em uma idade posterior à vinda de um Filho auto-outorgado, pensaríeis haverdes sido transladados até os céus das vossas tradições. Dificilmente acreditaríeis que estaríeis observando os trabalhos evolucionários normais de uma esfera mortal de morada humana. Esses mundos estão ligados aos circuitos espirituais do seu reino e desfrutam de todas as vantagens das transmissões do universo e serviços da refletividade do superuniverso.
52:7.1 (598.4) Os Filhos que em seguida visitarão um mundo evolucionário normal são da ordem dos Filhos Instrutores da Trindade, Filhos divinos da Trindade do Paraíso. E, novamente, encontramos Urântia fora de passo em relação às suas esferas irmãs, se considerarmos que o vosso Jesus prometeu voltar. E essa promessa ele certamente irá cumprir, mas ninguém sabe se a sua segunda vinda precederá ou virá depois dos aparecimentos dos Filhos Magisteriais ou dos Filhos Instrutores em Urântia.
52:7.2 (598.5) Os Filhos Instrutores vêm, em grupos, aos mundos em espiritualização. Um Filho Instrutor planetário é ajudado e apoiado por setenta Filhos primários, doze Filhos secundários, e três da mais elevada e mais experimentada ordem suprema dos Diainais. Esse conjunto permanecerá por algum tempo no mundo, o período suficiente para efetivar a transição das idades evolucionárias para a era de luz e vida — não menos do que mil anos do tempo do planeta e, muito freqüentemente, um tempo consideravelmente maior. Essa missão é uma contribuição da Trindade para com os esforços anteriores de todas as personalidades divinas que ministraram a um mundo habitado.
52:7.3 (598.6) A revelação da verdade agora passa a incluir o universo central e o Paraíso. As raças estão tornando-se altamente espiritualizadas. Um grande povo evoluiu e uma grande era aproxima-se. Os sistemas educacionais, econômicos e administrativos do planeta estão passando por transformações radicais. Relações e valores novos estão sendo estabelecidos. O Reino dos céus está emergindo no planeta; e a glória de Deus está sendo vertida sobre o mundo.
52:7.4 (598.7) Esta é uma dispensação durante a qual muitos mortais são transladados de entre os vivos. Enquanto a era dos Filhos Instrutores da Trindade progride, a lealdade espiritual dos mortais do tempo torna-se mais e mais universal. A morte natural torna-se menos freqüente, à medida que os Ajustadores crescentemente se fundem com os seus resididos durante o tempo da vida na carne. O planeta finalmente classifica-se como sendo da ordem primária modificada de ascensão mortal.
52:7.5 (599.1) A vida durante essa era é agradável e proveitosa. A degenerescência e outras conseqüências finais anti-sociais da longa luta evolucionária foram virtualmente abolidas. A duração da vida aproxima-se de quinhentos dos anos de Urântia; a taxa de reprodução e o crescimento da raça ficam inteligentemente sob controle. Uma ordem inteiramente nova de sociedade surgiu. Há ainda grandes diferenças entre os mortais, mas o estado da sociedade aproxima-se com mais nitidez dos ideais da irmandade social e igualdade espiritual. O governo representativo vai desaparecendo e o mundo está passando pela regra do autocontrole individual. A função do governo é voltada principalmente para as tarefas coletivas de administração social e coordenação econômica. A idade de ouro avança rapidamente; a meta temporal da longa e intensa luta evolucionária do planeta está sob mira visível. A recompensa das idades está para ser alcançada logo; a sabedoria dos Deuses está para ser manifestada.
52:7.6 (599.2) A administração física de um mundo durante essa idade requer uma hora, a cada dia, da parte de cada indivíduo adulto; isto é, o equivalente a uma hora de Urântia. O planeta está em contato estreito com os assuntos do universo; e o seu povo quer ver as últimas transmissões, possuído do mesmo interesse aguçado que agora manifestais pelas últimas edições dos vossos jornais diários. Essas raças estão preocupadas com mil coisas interessantes, desconhecidas para o vosso mundo.
52:7.7 (599.3) Cada vez mais, aumenta a lealdade planetária verdadeira ao Ser Supremo. Geração após geração, mais e mais, a raça alinha-se com aqueles que praticam a justiça e tornam viva a misericórdia. Vagarosamente, mas com segurança, o mundo está sendo conquistado para o serviço jubiloso dos Filhos de Deus. As dificuldades físicas e os problemas materiais foram amplamente resolvidos; o planeta está amadurecendo para a vida avançada e para uma existência mais estável.
52:7.8 (599.4) De tempos em tempos, durante a sua dispensação, os Filhos Instrutores continuam a vir a esses mundos pacíficos. E não abandonam um mundo, até observarem que o plano evolucionário, no que concerne àquele planeta, esteja operando com tranqüilidade. Um Filho Magisterial de julgamento usualmente acompanha os Filhos Instrutores nas suas sucessivas missões, enquanto um outro Filho como ele funciona ao tempo da partida deles e tais ações judiciais continuam, de idade em idade, ao longo da duração do regime mortal do tempo e do espaço.
52:7.9 (599.5) Cada missão repetida dos Filhos Instrutores da Trindade exalta, sucessivamente, um mundo de tal modo superno até alturas sempre ascendentes de sabedoria, espiritualidade e iluminação cósmica. Contudo, os nobres nativos dessa esfera são ainda finitos e mortais. Nada ainda é perfeito; no entanto, uma qualidade próxima da perfeição está evoluindo na operação de um mundo imperfeito e nas vidas dos seus habitantes humanos.
52:7.10 (599.6) Os Filhos Instrutores da Trindade podem retornar muitas vezes ao mesmo mundo. Porém, mais cedo ou mais tarde, ao terminar uma das suas missões, o Príncipe Planetário é elevado à posição de Soberano Planetário, e o Soberano do Sistema surge para proclamar a entrada daquele mundo na era de luz e vida.
52:7.11 (599.7) Foi sobre a conclusão da missão terminal dos Filhos Instrutores (ao menos esta seria a cronologia, em um mundo normal) que João escreveu: “Eu vi um novo céu e uma nova Terra, e a nova Jerusalém, vinda de Deus, saída dos céus, preparada como uma princesa adornada para o príncipe”.
52:7.12 (600.1) E a mesma Terra renovada, o estágio planetário avançado, é o que o velho profeta visualizou quando escreveu: “‘Pois, como os novos céus e a nova Terra, que eu criarei, permanecerão diante de mim, assim também sobrevivereis vós e os vossos filhos; e acontecerá que, de uma nova lua para a outra, e de um sabat a outro sabat, toda a carne virá a adorar-me’, disse o Senhor”.
52:7.13 (600.2) Os mortais dessa idade são descritos como “uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação sagrada, um povo excelso; e vós louvareis Aquele que vos chamou, das trevas, para essa luz maravilhosa”.
52:7.14 (600.3) Não importa qual possa ser a história natural especial de um planeta específico, nenhuma diferença faz se um reino tenha sido realmente leal, se foi manchado pelo mal, ou amaldiçoado pelo pecado — não importa os antecedentes que possa ter tido — , mais cedo ou mais tarde, a graça de Deus e a ministração dos anjos farão chegar o dia do advento dos Filhos Instrutores da Trindade; e a sua partida, que se segue à sua missão final, irá inaugurar essa era magnífica de luz e vida.
52:7.15 (600.4) Todos os mundos de Satânia podem juntos manter-se com a esperança daquele que escreveu: “Nós, contudo, de acordo com a Sua promessa, almejamos um novo céu e uma nova Terra, onde resida a retidão. Assim, pois, bem-amados, vendo que ansiais por tais coisas, sede diligentes para que possais ser encontrados por Ele em paz, sem máculas ou culpas”.
52:7.16 (600.5) A partida do corpo de Filhos Instrutores, ao fim do seu primeiro reinado ou de algum reinado subseqüente, anuncia a aurora da era de luz e vida — que é o umbral da transição no tempo para o vestíbulo da eternidade. A realização planetária dessa era de luz e vida ultrapassa, de longe, as esperanças mais preciosas dos mortais de Urântia; ultrapassa todos os conceitos, mesmo os mais visionários, da vida futura, abraçados nas crenças religiosas que descrevem os céus como o destino imediato e final de morada dos mortais sobreviventes.
52:7.17 (600.6) [Auspiciado por um Mensageiro Poderoso ligado temporariamente à assessoria de Gabriel.]
O Livro de Urântia
Documento 53
53:0.1 (601.1) LÚCIFER era um brilhante Filho Lanonandeque primário de Nébadon. Possuía experiência de serviço em muitos sistemas, havia sido um alto conselheiro do seu grupo e distinguira-se pela sabedoria, sagacidade e eficiência. Era o número 37 da sua ordem e, quando indicado pelos Melquisedeques, fora distinguido como uma das cem personalidades mais capazes e brilhantes entre mais de setecentos mil da sua espécie. Vindo de um começo tão magnífico, por meio do mal e do erro, abraçou o pecado, e agora está numerado como um dos três Soberanos de Sistemas em Nébadon que sucumbiram ao impulso do ego e renderam-se aos sofismas de uma liberdade pessoal espúria — a rejeição da lealdade universal, a desconsideração pelas obrigações fraternais e a cegueira para as relações cósmicas.
53:0.2 (601.2) No universo de Nébadon, domínio de Cristo Michael, há dez mil sistemas de mundos habitados. Em toda a história dos Filhos Lanonandeques, durante o seu trabalho em todos esses milhares de sistemas e na sede-central do universo, apenas três Soberanos de Sistemas desrespeitaram o governo do Filho Criador.
53:1.1 (601.3) Lúcifer não era um ser ascendente; sendo um Filho criado no universo local, dele foi dito: “Eras perfeito em todos os teus caminhos, desde o dia em que foste criado; até que a falta de retidão fosse encontrada em ti”. Muitas vezes, esteve em conselho com os Altíssimos de Edêntia. E Lúcifer reinou “sobre a montanha sagrada de Deus”, a montanha administrativa de Jerusém, pois era o dirigente executivo de um grande sistema de 607 mundos habitados.
53:1.2 (601.4) Havendo sido um ser magnífico, uma personalidade brilhante, Lúcifer estava ao lado dos Pais Altíssimos das constelações, na linha direta da autoridade no universo. Não obstante a sua transgressão, as inteligências subordinadas abstiveram-se de demonstrar-lhe desrespeito e desdém, antes da auto-outorga de Michael em Urântia. Mesmo o arcanjo de Michael, na época da ressurreição de Moisés, “não fez contra ele um juízo de acusação, mas simplesmente disse: ‘que o Juiz te repreenda’”. O julgamento dessas questões pertence aos Anciães dos Dias, governantes deste superuniverso.
53:1.3 (601.5) Lúcifer atualmente é um Soberano caído e deposto de Satânia. A auto-admiração é sumamente desastrosa, até mesmo para as elevadas personalidades do mundo celeste. De Lúcifer foi dito: “O teu coração enalteceu-se por causa da tua beleza; tu corrompeste a tua sabedoria em vista do teu esplendor”. O vosso profeta de outrora percebeu esse triste estado, quando escreveu: “De que modo tu caíste dos céus, ó Lúcifer, filho da manhã! Tu que ousaste confundir os mundos, como foste abatido!”
53:1.4 (602.1) Quase nada foi ouvido sobre Lúcifer em Urântia, devido ao fato de haver designado o seu primeiro assistente, Satã, para advogar a sua causa no vosso planeta. Satã, um membro do mesmo grupo de Lanonandeques primários, jamais funcionou como um Soberano de Sistema; mas participou totalmente da insurreição de Lúcifer. E o “diabo” não é nenhum outro senão Caligástia, o Príncipe Planetário deposto de Urântia, um Filho Lanonandeque da ordem secundária. Na época em que Michael esteve na carne em Urântia, Lúcifer, Satã e Caligástia aliaram-se para, juntos, tentar causar o insucesso da sua missão de auto-outorga. Todavia, tiveram um fracasso notável.
53:1.5 (602.2) Abaddon era o dirigente do corpo de assistentes de Caligástia. Ele seguiu o seu chefe na rebelião e, desde então, atuou como dirigente executivo dos rebeldes de Urântia. Belzebu foi o líder das criaturas intermediárias desleais que se aliaram às forças do traidor Caligástia.
53:1.6 (602.3) O dragão afinal tornou-se uma representação simbólica de tais personagens do mal. Com o triunfo de Michael, “Gabriel veio de Sálvington e acorrentou o dragão (todos os líderes rebeldes) por uma idade”. Dos rebeldes seráficos de Jerusém, está escrito: “E aos anjos que não mantiveram o seu estado original e que deixaram a sua própria morada, ele os prendeu nas correntes seguras da obscuridade para o grande dia do julgamento”.
53:2.1 (602.4) Lúcifer e o seu primeiro assistente, Satã, haviam reinado já em Jerusém por mais de quinhentos mil anos, quando, nos seus corações, começaram a alinhar-se contra o Pai Universal e o Seu Filho, o então vice-regente Michael.
53:2.2 (602.5) Não houve qualquer condição peculiar ou especial, no sistema de Satânia, que sugerisse ou favorecesse a rebelião. Acreditamos que a idéia tomou origem e forma na mente de Lúcifer; e ele haveria de instigar tal rebelião, não importando onde estivesse servindo. Inicialmente Lúcifer anunciou os seus planos a Satã, todavia foram necessários vários meses para que a mente deste parceiro capaz e brilhante fosse corrompida. Contudo, uma vez convertido às teorias rebeldes, Satã tornou-se um defensor ousado e sincero da “afirmação de si e da liberdade”.
53:2.3 (602.6) Ninguém jamais sugeriu a Lúcifer uma rebelião. A idéia da auto-afirmação, em oposição à vontade de Michael e aos planos do Pai Universal, tais como representados por Michael, teve a sua origem na própria mente de Lúcifer. As relações dele com o Filho Criador haviam sido sempre estreitas e cordiais. Em nenhum momento, antes da exaltação da sua própria mente, Lúcifer chegara a exprimir abertamente qualquer insatisfação com a administração do universo. Não obstante o seu silêncio, por mais de cem anos do tempo-padrão, os Uniões dos Dias em Sálvington haviam informado, por refletividade, para Uversa, que nem tudo estava em paz na mente de Lúcifer. Essa informação foi também encaminhada ao Filho Criador e aos Pais da Constelação de Norlatiadeque.
53:2.4 (602.7) Ao longo desse período, Lúcifer tornou-se cada vez mais crítico de todo o plano de administração do universo; sempre, no entanto, professando lealdade sincera aos Governantes Supremos. A sua primeira deslealdade, manifestada abertamente, aconteceu por ocasião de uma visita de Gabriel a Jerusém, poucos dias antes da proclamação aberta da Declaração de Lúcifer pela Liberdade. Gabriel ficou tão profundamente impressionado que teve a certeza da iminência de uma ruptura; e foi a Edêntia, diretamente, para conferenciar com os Pais da Constelação sobre as medidas a serem tomadas no caso de uma rebelião declarada.
53:2.5 (603.1) Muito difícil torna-se apontar uma causa, ou causas exatas que finalmente culminaram na rebelião de Lúcifer. Estamos certos quanto a uma única coisa, e esta é: quaisquer que tenham sido as causas iniciais, elas tiveram a sua origem inteiramente na mente de Lúcifer. Deve ter havido um orgulho do ego, nutrido por ele próprio, a ponto de levar Lúcifer a iludir a si mesmo de um modo tal que, durante um certo tempo, realmente se haja persuadido de que a idéia rebelde, de fato, era para o bem do sistema, se não do universo. Quando os seus planos haviam já sido desenvolvidos, a ponto de levá-lo à desilusão, sem dúvida ele havia ido longe demais e o seu orgulho original, gerador da desordem, não lhe permitiria parar. Em algum ponto nessa experiência, ele tornou-se insincero; e o mal evoluiu em pecado deliberado e voluntário. A prova de que isso aconteceu está na conduta subseqüente desse brilhante executivo. A ele foi oferecida, desde longa data, a oportunidade clara de arrependimento; no entanto, apenas alguns dos seus subordinados aceitaram a misericórdia oferecida. Os Fiéis dos Dias de Edêntia, a pedido dos Pais da Constelação, apresentaram pessoalmente o plano de Michael para a salvação desses rebeldes flagrantes; no entanto, a misericórdia do Filho Criador foi sempre rejeitada, e rejeitada com um desprezo e desdém sempre maiores.
53:3.1 (603.2) Quaisquer hajam sido as origens primeiras do desacerto nos corações de Lúcifer e de Satã, a explosão final tomou forma na Declaração de Liberdade de Lúcifer. A causa dos rebeldes foi declarada sob três pontos principais:
53:3.2 (603.3) 1. A realidade do Pai Universal. Lúcifer alegou que o Pai Universal não existe realmente, que a gravidade física e a energia do espaço são inerentes ao universo e que o Pai seria um mito, inventado pelos Filhos do Paraíso, no fito de capacitá-los a manter o governo dos universos em nome Dele. Negou que a personalidade fosse uma dádiva do Pai Universal. E chegou a sugerir, até mesmo, que os finalitores estivessem juntos, em conspiração, com os Filhos do Paraíso, para impor tal fraude a toda a criação, posto que nunca chegavam trazendo uma idéia suficientemente clara da personalidade autêntica do Pai, tal como se pode discerni-la no Paraíso. Lúcifer lidava com a reverência como se esta fora uma ignorância. A acusação foi radical, terrível e blasfema. E esse ataque velado contra os finalitores, sem dúvida, foi o que influenciou os cidadãos ascendentes, então em Jerusém, levando-os a permanecerem firmes e manterem-se constantes, resistindo a todas as propostas rebeldes.
53:3.3 (603.4) 2. O governo universal do Filho Criador — Michael. Lúcifer sustentava que os sistemas locais deveriam ser autônomos. Protestava contra o direito do Filho Criador, Michael, de assumir a soberania de Nébadon, em nome de um Pai do Paraíso hipotético, bem como de exigir de todas as personalidades que reconhecessem lealdade a esse Pai nunca visível. Afirmava que todo o plano de adoração seria um esquema sagaz para o engrandecimento dos Filhos do Paraíso. Estava disposto a reconhecer Michael como o seu Pai-Criador, mas não como o seu Deus, nem como o seu governante de direito.
53:3.4 (603.5) Lúcifer atacou, com profunda amargura, o direito dos Anciães dos Dias — “potentados estrangeiros” — de interferir nos assuntos dos sistemas e universos locais. A esses governantes, ele os denunciou como tiranos e usurpadores. E exortou seus seguidores a acreditarem que nenhum desses governantes poderia fazer algo que interferisse na operação de conquista de um governo autônomo, desde que homens e anjos tivessem tão só a coragem para afirmar-se a si próprios bem como, de modo ousado, reclamar os seus direitos.
53:3.5 (603.6) Argumentou que os executores dos Anciães dos Dias poderiam ser impedidos de funcionar nos sistemas locais; para tanto bastava que os seres nativos afirmassem a sua independência. Sustentava que a imortalidade era inerente às personalidades do sistema, que sendo natural e automática, a ressurreição, todos os seres viveriam eternamente, não fossem os atos arbitrários e injustos dos executores a mando dos Anciães dos Dias.
53:3.6 (604.1) 3. O ataque ao plano universal de aperfeiçoamento dos ascendentes mortais. Lúcifer sustentava que um tempo longo demais e uma energia excessiva estavam sendo despendidos no esquema de instruir e preparar tão cuidadosamente os mortais ascendentes, nos princípios da administração do universo, princípios estes que, ele alegava, seriam sem ética e malsãos. Protestava contra o programa, com a duração de idades, de preparo dos mortais do espaço para um destino desconhecido; e apontou a presença do corpo de finalitores em Jerusém como prova de que tais mortais haviam despendido tempo excessivo na preparação para algum destino que era pura ficção. Indicava, ridicularizando, que os finalitores haviam encontrado um destino não mais glorioso do que o de serem reenviados a esferas humildes, semelhantes às da sua origem. Sugeria que os finalitores haviam sido corrompidos por excesso de disciplina e aperfeiçoamentos prolongados e que, na realidade, eram uns traidores dos seus companheiros mortais, pois que estavam agora cooperando com o esquema de escravização de toda a criação às ficções de um destino eterno mítico para os mortais ascendentes. Advogava que os seres ascendentes deveriam desfrutar da liberdade da autodeterminação individual. E, condenando-o, desafiava todo o plano de ascensão mortal, tal como estava sendo fomentado pelos Filhos de Deus do Paraíso e mantido pelo Espírito Infinito.
53:3.7 (604.2) E foi com uma Declaração de Liberdade como essa que Lúcifer desencadeou a sua orgia de trevas e de morte.
53:4.1 (604.3) O manifesto de Lúcifer foi emitido no conclave anual de Satânia, realizado no mar de cristal, em presença das hostes reunidas de Jerusém, no último dia do ano, cerca de duzentos mil anos atrás, no tempo de Urântia. Satã proclamou que a adoração podia ser dedicada às forças universais — físicas, intelectuais e espirituais — mas que a lealdade poderia apenas ser dedicada ao governante atual e de fato, Lúcifer, o “amigo de homens e anjos” e o “Deus da liberdade”.
53:4.2 (604.4) A auto-afirmação foi o grito de batalha da rebelião de Lúcifer. Um dos seus argumentos principais foi o de que, se o autogoverno era bom e justo para os Melquisedeques e outros grupos, seria igualmente bom para todas as ordens de inteligência. Atrevido e persistente, advogava a “igualdade da mente” e “a irmandade da inteligência”. Sustentava que todo governo deveria ser limitado aos planetas locais e que a confederação desses sistemas locais deveria ser voluntária. Rejeitava qualquer outra supervisão. E prometeu aos Príncipes Planetários governarem os mundos como executivos supremos. Condenava a concentração das atividades legislativas na sede-central da constelação e a condução dos assuntos judiciais na capital do universo. Argumentando que todas essas funções do governo deveriam ser centradas nas capitais dos sistemas, começou a estabelecer a sua própria assembléia legislativa e organizou seus próprios tribunais, sob a jurisdição de Satã. Depois mandou que os príncipes apóstatas dos mundos fizessem o mesmo.
53:4.3 (604.5) Todo o gabinete administrativo de Lúcifer seguiu-o em um só bloco e prestou um juramento público na qualidade de oficiais da administração da nova direção dos “mundos e sistemas liberados”.
53:4.4 (605.1) Ainda que tenha havido anteriormente duas rebeliões em Nébadon, elas aconteceram em constelações distantes. Lúcifer afirmava que essas insurreições não tiveram êxito porque a maioria das inteligências não seguiu os seus líderes. Argumentou que a “maioria governa”, que “a mente é infalível”. A liberdade, dada a ele pelos governantes do universo, sustentou aparentemente muitas das suas opiniões nefandas. Desafiou todos os seus superiores; e, ainda assim, aparentemente, eles não deram atenção ao que ele fazia; e, assim, ele continuou livre para prosseguir no seu plano sedutor, sem empecilhos ou entraves.
53:4.5 (605.2) Lúcifer apontou todos os atrasos misericordiosos da justiça como evidência de incapacidade, da parte do governo dos Filhos do Paraíso, para conter a rebelião. Desafiava abertamente e, com arrogância, provocava Michael, Emanuel e os Anciães dos Dias; e então assinalava o fato de nenhuma medida estar sendo tomada como uma evidência verdadeira da impotência dos governos do universo e do superuniverso.
53:4.6 (605.3) Gabriel esteve pessoalmente presente durante o suceder de todos esses procedimentos desleais e apenas anunciou que iria, no devido tempo, falar por Michael; e que todos os seres seriam deixados livres e não seriam forçados nas suas decisões; que o “governo dos Filhos, em nome do Pai, desejava apenas a lealdade e a devoção voluntárias, de coração e à prova de sofismas”.
53:4.7 (605.4) A Lúcifer foi permitido estabelecer totalmente e organizar cuidadosamente o seu governo rebelde, antes que Gabriel fizesse qualquer esforço para contestar o direito de secessão ou de contradizer a propaganda rebelde. Mas os Pais da Constelação, imediatamente, confinaram a ação dessas personalidades desleais ao sistema de Satânia. Esse período de demora, contudo, foi uma época de grande provação e testes para os seres leais de todo o Satânia. Durante alguns anos, tudo ficou caótico e houve uma grande confusão nos mundos das mansões.
53:5.1 (605.5) Quando a rebelião de Satânia estourou, Michael aconselhou-se com Emanuel, o seu irmão do Paraíso. Em seguida a essa significativa conferência, Michael anunciou que seguiria a mesma política que havia caracterizado o tratamento dado a levantes semelhantes no passado: uma atitude de não-interferência.
53:5.2 (605.6) Na época dessa rebelião e das duas que a precederam, não havia nenhuma autoridade soberana absoluta e pessoal no universo de Nébadon. Michael governava por direito divino, como vice-regente do Pai Universal, mas não ainda pelo seu próprio direito pessoal. Não havendo completado a sua carreira de auto-outorgas, Michael ainda não havia sido investido com “todo o poder nos céus e na Terra”.
53:5.3 (605.7) Desde o momento da eclosão da rebelião até o dia da sua entronização como governante soberano de Nébadon, Michael nunca interferiu nas forças rebeldes de Lúcifer; a elas foi permitido que agissem livremente por quase duzentos mil anos do tempo de Urântia. Cristo Michael agora tem amplo poder e autoridade para lidar prontamente, e até mesmo sumariamente, com esses rompantes de deslealdade; mas duvidamos que a autoridade soberana o levasse a agir diferentemente se outro desses levantes ocorresse.
53:5.4 (605.8) Posto que Michael escolheu permanecer à margem da atividade da guerra, na rebelião de Lúcifer, Gabriel reuniu o seu corpo pessoal de assistentes em Edêntia e, em conselho com os Altíssimos, optou por assumir o comando das hostes leais de Satânia. Michael permaneceu em Sálvington, enquanto Gabriel rumou para Jerusém e, estabelecendo-se na esfera dedicada ao Pai — o mesmo Pai Universal cuja personalidade Lúcifer e Satã punham em dúvida — , na presença das hostes reunidas das personalidades leais, Gabriel içou a bandeira de Michael, o emblema material do governo da Trindade para toda a criação: três círculos concêntricos na cor azul-celeste sobre um fundo branco.
53:5.5 (606.1) O emblema de Lúcifer era uma bandeira branca com um círculo vermelho ao centro, e dentro do qual se inseria um círculo todo em negro.
53:5.6 (606.2) “Houve guerra nos céus; o comandante de Michael e os seus anjos lutaram contra o dragão (Lúcifer, Satã e os príncipes apóstatas); e o dragão e os seus anjos rebeldes lutaram, mas não prevaleceram.” Essa ‘guerra nos céus” não foi uma batalha física, como um conflito dessa ordem poderia ser concebido em Urântia. Nos primeiros dias da luta, Lúcifer permaneceu continuamente no anfiteatro planetário. Gabriel conduziu uma interminável exposição dos sofismas rebeldes, da sua sede-central estabelecida nas cercanias. As várias personalidades presentes à esfera, e que estavam em dúvida quanto à própria atitude, iam e voltavam em meio a essas discussões, até que chegaram a uma decisão final.
53:5.7 (606.3) Mas essa guerra nos céus foi muito terrível e muito real. Ainda que não haja havido uma demonstração das barbáries tão características da guerra física dos mundos imaturos, esse conflito foi ainda mais mortal; a vida material fica em perigo no combate material, mas a guerra nos céus foi travada pondo em risco a vida eterna.
53:6.1 (606.4) Muitos atos nobres e inspiradores de devoção e lealdade, realizados por inúmeras personalidades, aconteceram no período entre a explosão das hostilidades e a chegada do novo governante do sistema e seu corpo de assistentes; mas o mais emocionante de todos os feitos audaciosos de devoção foi a conduta corajosa de Manótia, o segundo no comando da sede-central dos serafins de Satânia.
53:6.2 (606.5) No eclodir da rebelião em Jerusém, o chefe das hostes seráficas uniu-se à causa de Lúcifer. Isso, sem dúvida, explica por que se transviou um número tão grande da quarta ordem, a dos serafins administradores do sistema. Este líder seráfico ficou espiritualmente cego pela personalidade brilhante de Lúcifer e seus modos encantadores fascinaram as ordens inferiores de seres celestes. Simplesmente não podiam compreender como era possível que uma personalidade tão deslumbrante pudesse errar.
53:6.3 (606.6) Manótia disse, não há muito tempo, ao descrever as experiências ligadas ao começo da rebelião de Lúcifer,: “Mas o meu momento mais embriagante foi a aventura emocionante ligada à rebelião de Lúcifer, quando, como segundo comandante seráfico, me recusei a participar do projeto de insultar Michael; e os poderosos rebeldes procuraram destruir-me por intermédio das forças de ligação que se haviam formado. Houve um tremendo levante em Jerusém, mas nenhum serafim leal sofreu danos.
53:6.4 (606.7) “Quando aconteceu que o meu superior imediato entrou em falta, a responsabilidade de assumir o comando das hostes angélicas de Jerusém recaiu sobre mim, na qualidade de diretor titular dos confusos assuntos seráficos do sistema. Apoiado moralmente pelos Melquisedeques, assistido habilmente por uma maioria de Filhos Materiais, fui desertado por um enorme grupo da minha própria ordem; no entanto, estive sendo magnificamente apoiado pelos mortais ascendentes em Jerusém.
53:6.5 (606.8) “Tendo sido automaticamente excluídos dos circuitos da constelação, por causa da secessão de Lúcifer, ficamos dependentes da lealdade do nosso corpo de informação, o qual, a partir do sistema vizinho de Rantúlia, transmitia os chamados de ajuda para Edêntia; e verificamos que o reino da ordem, o intelecto da lealdade e o espírito da verdade foram inerentemente triunfantes sobre a rebelião, a afirmação do ego e a assim chamada liberdade pessoal; pudemos então prosseguir até a chegada do novo Soberano do Sistema, o digno sucessor de Lúcifer. Imediatamente depois, fui designado para o corpo de administradores provisórios Melquisedeques de Urântia. E assumi a jurisdição sobre as ordens seráficas leais, no mundo do traidor Caligástia, o qual havia proclamado a sua esfera como um membro do recém-projetado sistema de ‘mundos liberados e personalidades emancipadas’, proposto na infame Declaração de Liberdade, emitida por Lúcifer no seu apelo às ‘inteligências amantes da liberdade, do livre-pensamento e orientadas para o porvir dos mal administrados e governados mundos de Satânia’”.
53:6.6 (607.1) Esse anjo, Manótia, está ainda a serviço em Urântia, na função de comandante associado dos serafins.
53:7.1 (607.2) A rebelião de Lúcifer teve o âmbito de todo o sistema. Trinta e sete Príncipes Planetários em secessão conduziram as administrações dos seus mundos para o lado dos líderes rebeldes. Apenas em Panóptia, o Príncipe Planetário fracassou ao tentar levar o seu povo consigo. Nesse mundo, sob a liderança dos Melquisedeques, o povo congregou-se em apoio a Michael. Elanora, uma jovem mulher daquele reino mortal, tomou a liderança das raças humanas nas próprias mãos e sequer uma única alma daquele mundo transtornado alistou-se sob a bandeira de Lúcifer. E, desde então, os Panoptianos leais têm servido no sétimo mundo de transição de Jerusém, como construtores e cuidadores da esfera do Pai e os sete mundos de detenção que o circundam. Os Panoptianos além de atuar como custódios literais desses mundos, também executam as ordens pessoais de Michael ligadas à ornamentação dessas esferas para algum uso futuro desconhecido. Fazem esse trabalho enquanto permanecem ali, a caminho de Edêntia.
53:7.2 (607.3) Ao longo desse período, Caligástia advogou a causa de Lúcifer, em Urântia. Os Melquisedeques opuseram-se habilmente ao Príncipe Planetário apóstata, todavia os sofismas de uma liberdade sem limites e as ilusões de auto-afirmação tiveram todas as oportunidades para enganar os povos primitivos de um mundo jovem e sem desenvolvimento.
53:7.3 (607.4) Toda a propaganda da secessão teve de ser feita por meio do esforço pessoal, porque o serviço de transmissão e todas as outras vias de comunicação interplanetária haviam sido suspensas pela ação dos supervisores dos circuitos do sistema. No momento da eclosão da insurreição, todo o sistema de Satânia foi isolado, tanto dos circuitos da constelação, quanto dos circuitos do universo. Durante esse tempo, todas as mensagens que chegavam e saíam eram despachadas por agentes seráficos e Mensageiros Solitários. Os circuitos para os mundos caídos também foram cortados, de modo que Lúcifer não utilizasse tais meios para fomentar o seu esquema nefando. E tais circuitos não serão restaurados enquanto o rebelde supremo viver dentro dos confins de Satânia.
53:7.4 (607.5) Essa foi uma rebelião Lanonandeque. As ordens mais elevadas de filiação do universo local não se ligaram à secessão de Lúcifer, embora uns poucos Portadores da Vida estacionados nos planetas rebeldes hajam sido um pouco influenciados pela rebelião dos príncipes desleais. Nenhum dos Filhos Trinitarizados transviou-se. Todos os Melquisedeques, os arcanjos e os Brilhantes Estrelas Vespertinas permaneceram leais a Michael e, ao lado de Gabriel, valentemente combateram pela vontade do Pai e o governo do Filho.
53:7.5 (608.1) Nenhum ser originário do Paraíso esteve envolvido em deslealdades. Junto com os Mensageiros Solitários, eles tomaram as sedes-centrais do mundo do Espírito, as quais permaneceram sob a liderança dos Fiéis dos Dias de Edêntia. Nenhum dos conciliadores cometeu apostasia, nem se transviou sequer um dos Registradores Celestes. Contudo houve grandes perdas entre os Companheiros Moronciais e os Educadores dos Mundos das Mansões.
53:7.6 (608.2) Da ordem suprema de serafins, nem um anjo foi perdido, mas um grupo considerável da ordem seguinte, a superior, deixou-se enganar e caiu na armadilha. Do mesmo modo, desviaram-se uns poucos da terceira ordem de anjos, a dos supervisores. O colapso mais terrível, contudo, produziu-se no quarto grupo, o dos anjos administradores, ou seja, os serafins que são designados normalmente para os deveres das capitais dos sistemas. Manótia salvou quase dois terços deles, mas um pouco mais que um terço seguiu os chefes, indo para as fileiras rebeldes. De todos os querubins de Jerusém, um terço, ligado aos anjos administradores, foi perdido junto com os seus serafins desleais.
53:7.7 (608.3) Dos ajudantes planetários angélicos, designados para os Filhos Materiais, cerca de um terço foi iludido, e quase dez por cento dos ministros de transição caíram na armadilha. João viu isso simbolicamente quando escreveu sobre o grande dragão vermelho, dizendo: “E a sua cauda atraiu uma terça parte das estrelas do céu e jogou-as na obscuridade”.
53:7.8 (608.4) A maior perda ocorreu nas fileiras angélicas, e a maior parte das ordens inferiores de inteligência envolveu-se na deslealdade. Dos 681 217 Filhos Materiais perdidos em Satânia, noventa e cinco por cento foram vítimas da rebelião de Lúcifer. Um grande número de criaturas intermediárias perdeu-se nos planetas cujos Príncipes Planetários uniram-se à causa de Lúcifer.
53:7.9 (608.5) Sob muitos aspectos, essa rebelião foi a de maior magnitude e a mais desastrosa de todas as ocorrências semelhantes, em Nébadon. Mais personalidades estiveram envolvidas nessa insurreição do que em ambas as outras. E foi para a sua eterna desonra que os emissários de Lúcifer e Satã não pouparam as escolas de educação infantil no planeta cultural finalitor, procurando corromper logo essas mentes em evolução, até então misericordiosamente mantidas a salvo, vindas dos mundos evolucionários.
53:7.10 (608.6) Os mortais ascendentes, mesmo sendo vulneráveis, resistiram aos sofismas da rebelião, com mais facilidade do que os seres espitiruais menos elevados. Conquanto hajam caído, nos mundos mais baixos das mansões, muitos dos mortais que ainda não haviam alcançado a fusão final com os seus Ajustadores, ficou registrado, para a glória da sabedoria do esquema de ascensão, que nem um membro sequer, com cidadania ascendente em Satânia e residente em Jerusém, participou da rebelião de Lúcifer.
53:7.11 (608.7) Hora após hora e dia após dia, as estações de transmissão de todo o Nébadon mantinham-se repletas de observadores ansiosos, de todas as classes imagináveis de inteligências celestes, as quais examinavam avidamente os boletins da rebelião de Satânia e rejubilavam-se quando os relatos narravam continuamente sobre a lealdade inflexível dos mortais ascendentes, que, sob a liderança dos Melquisedeques, resistiram com êxito aos esforços combinados e prolongados de todas as forças sutis do mal, as quais tão rapidamente se haviam congregado em torno das bandeiras da secessão e do pecado.
53:7.12 (608.8) Decorreram mais de dois anos, do tempo do sistema, desde o começo da “guerra nos céus” até a instalação do sucessor de Lúcifer. E afinal chegou Lanaforge; este novo soberano aterrissou no mar de cristal com seus assistentes. Eu estava entre as reservas mobilizadas, em Edêntia, por Gabriel; e bem me lembro da primeira mensagem de Lanaforge ao Pai da Constelação de Norlatiadeque, dizendo: “Não se perdeu um único cidadão de Jerusém. Todos os mortais ascendentes sobreviveram à dura prova e emergiram triunfantes e vitoriosos do teste crucial”. E uma mensagem chegou em Sálvington, em Uversa e no Paraíso, transmitindo a certeza de que a experiência de sobreviver, na ascensão mortal, é a maior proteção contra a rebelião e a salvaguarda mais segura contra o pecado. Esse nobre grupo somava exatamente 187 432 811 mortais fiéis.
53:7.13 (609.1) Com a chegada de Lanaforge, os líderes rebeldes foram destronados e afastados de todos os poderes governantes, embora se lhes haja sido permitido transitar livremente em Jerusém, nas esferas moronciais e mesmo nos mundos individuais habitados. Eles continuaram com os seus esforços sedutores e enganadores, confundindo e desorientando as mentes de homens e anjos. Mas, no que concerniu ao seu trabalho no monte administrativo de Jerusém, “não houve mais lugar para eles”.
53:7.14 (609.2) Embora Lúcifer haja sido despojado de toda autoridade administrativa em Satânia, não existia então, no universo local, nenhum poder, nem tribunal que pudesse deter ou destruir esse rebelde perverso; naquela época, Michael não era ainda um governante soberano. Os Anciães dos Dias apoiaram os Pais da Constelação, na sua tomada do governo do sistema, mas nunca baixaram nenhuma medida subseqüente, nas muitas apelações, ainda pendentes, com respeito ao status atual e à sorte futura de Lúcifer, Satã e seus parceiros.
53:7.15 (609.3) Assim, pois, foi permitido a esses rebeldes supremos perambular pelo sistema inteiro, a fim de buscar maior penetração para as suas doutrinas de descontentamento e auto-afirmação. Todavia, durante quase duzentos mil anos do tempo de Urântia, eles não foram capazes de enganar nenhum outro mundo mais. Nenhum outro dos mundos de Satânia foi perdido, desde a queda dos trinta e sete; sequer mesmo os mundos mais jovens povoados desde os dias da rebelião.
53:8.1 (609.4) Lúcifer e Satã perambularam livremente pelo sistema de Satânia, até que se completou a missão de auto-outorga de Michael em Urântia. Estiveram no vosso mundo juntos e pela última vez durante a época da investida combinada que praticaram contra o Filho do Homem.
53:8.2 (609.5) Antes, quando os Príncipes Planetários, os “Filhos de Deus”, reuniam-se periodicamente, “Satã também se juntava a eles”, reivindicando ser quem representava todos os mundos isolados dos Príncipes Planetários caídos. Contudo não lhe foi mais permitida essa liberdade em Jerusém, desde a auto-outorga terminal de Michael. Depois do esforço que fizeram para corromper Michael quando encarnado em auto-outorga, toda a compaixão por Lúcifer e Satã, fora dos mundos isolados em pecado, esvaiu-se em todo o Satânia.
53:8.3 (609.6) A auto-outorga de Michael pôs fim à rebelião de Lúcifer, em todo o Satânia, com exceção dos planetas dos Príncipes Planetários apóstatas. E este foi o significado, na experiência pessoal de Jesus, pouco antes da sua morte na carne, quando um dia ele exclamou para os seus discípulos: “E eu contemplo Satã caindo do céu como um raio”. Ele havia vindo, com Lúcifer, a Urântia para a última luta crucial.
53:8.4 (609.7) O Filho do Homem permaneceu confiante no êxito e sabedor de que o seu triunfo, no vosso mundo, estabeleceria para sempre o status desses inimigos de toda uma era, não apenas em Satânia, mas também nos outros dois sistemas, onde o pecado havia penetrado. A sobrevivência, para os mortais, e a segurança, para os anjos, foram afirmadas quando o vosso Mestre, em resposta às propostas de Lúcifer, calmamente e com certeza divina, respondeu: “Vai retro, Satã”. Esse foi, em princípio, o fim real da rebelião de Lúcifer. É bem verdade que os tribunais de Uversa ainda não emitiram a sentença executiva a respeito do apelo de Gabriel, rogando pela destruição dos rebeldes; contudo, tal decreto irá, sem dúvida, ser emitido no completar do tempo, pois o primeiro passo na audiência desse caso já foi dado.
53:8.5 (610.1) Caligástia foi reconhecido, pelo Filho do Homem, como sendo tecnicamente o Príncipe de Urântia, até perto da época da morte de Jesus. Disse Jesus: “Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo será deposto”. E então, ainda mais perto de completar o trabalho da sua vida, ele anunciou: “O Príncipe deste mundo está julgado”. E é este mesmo Príncipe destronado e desacreditado que certa vez foi chamado de “Deus de Urântia”.
53:8.6 (610.2) O último ato de Michael antes de deixar Urântia foi o de oferecer misericórdia a Caligástia e Daligástia, mas estes desdenharam a afetuosa oferta. Caligástia, o vosso Príncipe Planetário apóstata, ainda está em Urântia, livre para continuar os seus desígnios nefandos, mas não tem absolutamente nenhum poder para entrar nas mentes dos homens, nem pode aproximar-se das suas almas para tentá-las ou corrompê-las, a menos que realmente desejem ser amaldiçoadas pela sua presença perversa.
53:8.7 (610.3) Antes da auto-outorga de Michael, esses governantes das trevas procuraram manter a sua autoridade em Urântia e obstinadamente resistiram às personalidades celestes menores e subordinadas. Todavia, desde o dia de Pentecostes, esses traidores, Caligástia e o seu igualmente desprezível parceiro, Daligástia, passaram a ser servis perante a majestade divina dos Ajustadores do Pensamento do Paraíso e o Espírito da Verdade, o espírito de Michael que foi efusionado em toda a carne, como protetor.
53:8.8 (610.4) Mesmo assim, porém, jamais nenhum espírito caído teve o poder de invadir as mentes ou acossar as almas dos filhos de Deus. Nem Satã, nem Caligástia não poderiam jamais tocar, nem sequer se aproximar dos filhos de Deus pela fé; a fé é uma armadura eficaz contra o pecado e a iniqüidade. É verdade que: “Aquele que nasceu de Deus, guarda-se, e o maligno não toca nele”.
53:8.9 (610.5) Em geral, quando se supõe que mortais fracos e dissolutos estejam sob a influência de diabos e demônios, na verdade estão meramente sendo dominados pelas suas próprias tendências vis inerentes, sendo transviados pelas próprias propensões naturais. Ao diabo tem sido dada uma grande quantidade de crédito, por um mal que não advém dele. Caligástia tem sido relativamente impotente, desde a cruz de Cristo.
53:9.1 (610.6) Nos primeiros dias da rebelião de Lúcifer, a salvação foi oferecida a todos os rebeldes, por Michael. A todos aqueles que dessem prova de arrependimento sincero, ele ofereceu, quando chegasse a alcançar a sua soberania completa no universo, o perdão e o restabelecimento em alguma forma de serviço no universo. Nenhum dos líderes aceitou essa oferta misericordiosa. Mas milhares de anjos e ordens inferiores de seres celestes, incluindo centenas de Filhos e Filhas Materiais, aceitaram a misericórdia proclamada pelos Panoptianos e lhes foi dada a reabilitação na época da ressurreição de Jesus, há cerca de mil e novecentos anos. Esses seres, desde então, foram transferidos para o mundo do Pai, em Jerusém, onde devem ser mantidos, tecnicamente presos, até que as cortes de Uversa baixem alguma decisão sobre o caso de Gabriel versus Lúcifer. Contudo, ninguém duvida de que, quando o veredicto da aniquilação for emitido, essas personalidades arrependidas e salvas ficarão eximidas do decreto de extinção. Tais almas, em provação, trabalham agora com os Panoptianos na tarefa de cuidar do mundo do Pai.
53:9.2 (611.1) O arquifarsante nunca mais esteve em Urântia, depois dos dias em que tentou desviar Michael do propósito de completar a auto-outorga e estabelecer a si próprio, final e seguramente, como o governante irrestrito de Nébadon. Quando Michael tornou-se o soberano estabelecido do universo de Nébadon, Lúcifer foi levado em custódia pelos agentes dos Anciães dos Dias de Uversa e, desde então, tem estado prisioneiro, no satélite de número um, do grupo do Pai, nas esferas de transição de Jerusém. E, ali, os governantes de outros mundos e sistemas podem contemplar o fim do infiel Soberano de Satânia. Paulo sabia do status desses líderes rebeldes, depois da auto-outorga de Michael, pois escreveu sobre os chefes de Caligástia como as “hostes espirituais da maldade, nas regiões celestes”.
53:9.3 (611.2) Michael, ao assumir a soberania suprema de Nébadon, solicitou aos Anciães dos Dias a autorização para internar todas as personalidades que participaram da rebelião de Lúcifer, até serem emitidas as sentenças dos tribunais do superuniverso para o caso Gabriel versus Lúcifer, assinalado nos registros da suprema corte de Uversa há quase duzentos mil anos, na medida de tempo adotada por vós. A respeito do grupo da capital do sistema, os Anciães dos Dias concederam o pedido de Michael, mas com uma única exceção: a Satã foi permitido fazer visitas periódicas aos príncipes apóstatas nos mundos caídos, até um outro Filho de Deus ser aceito por esses mundos apóstatas, ou até o momento em que as cortes de Uversa comecem o julgamento do caso de Gabriel versus Lúcifer.
53:9.4 (611.3) Satã podia vir a Urântia, porque vós não tínheis nenhum Filho de categoria com residência aqui — nem Príncipe Planetário, nem Filho Material. Machiventa Melquisedeque, desde então, foi proclamado Príncipe Planetário vice-regente de Urântia; e a abertura do caso Gabriel versus Lúcifer assinalou a inauguração de regimes planetários temporários, em todos os mundos isolados. É verdade que Satã visitou periodicamente Caligástia e outros príncipes caídos, exatamente até o momento da apresentação dessas revelações, quando aconteceu a primeira das audiências solicitadas por Gabriel para o aniquilamento dos líderes rebeldes. Satã, no entanto, está agora incondicionalmente detido nos mundos de prisão de Jerusém.
53:9.5 (611.4) Desde a auto-outorga final de Michael, ninguém, em todo o Satânia, desejou ir aos mundos de prisão para ministrar aos rebeldes internados. E nenhum outro ser foi conquistado pela causa dos enganadores. Por mil e novecentos anos, tal status não sofreu alteração.
53:9.6 (611.5) Nós não antecipamos uma eliminação das restrições atuais feitas a Satânia, antes que os Anciães dos Dias hajam tomado uma decisão final sobre os líderes rebeldes. Os circuitos do sistema não serão reinstalados enquanto Lúcifer estiver vivo. Nesse meio tempo, ele está totalmente inativo.
53:9.7 (611.6) A rebelião terminou em Jerusém. Ela cessa, nos mundos caídos, tão logo os Filhos divinos cheguem até eles. Acreditamos que os rebeldes que algum dia iriam aceitar a misericórdia já o fizeram, todos. Aguardamos pela teletransmissão que, em um clarão de relâmpago, irá privar tais traidores da existência da sua personalidade. Antecipamos que o veredicto de Uversa, a ser anunciado nessa transmissão, indicará a ordem de execução que irá efetivar a aniquilação desses rebeldes aprisionados. E então vós ireis procurá-los nos lugares deles, mas eles não serão encontrados. “E aqueles que vos conhecem, entre os mundos, espantar-se-ão convosco; pois fostes um terror, mas nunca mais o sereis novamente”. E assim todos esses traidores indignos “serão como se nunca houvessem existido”. Todos aguardam o decreto de Uversa.
53:9.8 (611.7) Contudo, durante idades, os sete mundos de prisão, de escuridão espiritual em Satânia, constituíram um solene aviso para todo o Nébadon, proclamando eloqüente e efetivamente a grande verdade “de que o caminho do transgressor é duro”; “pois dentro de cada pecado está oculta a semente da sua própria destruição”; e que “a recompensa do pecado é a morte”.
53:9.9 (612.1) [Apresentado por Manovandet Melquisedeque, anteriormente vinculado à administração provisória de Urântia.]
O Livro de Urântia
Documento 54
54:0.1 (613.1) O HOMEM evolucionário acha difícil compreender plenamente o significado do mal e captar o sentido desse mal, do erro, do pecado e da iniqüidade. O homem é lento para perceber que o contraste entre a perfeição e a imperfeição gera o mal potencial; que o conflito entre a verdade e a falsidade produz a confusão do erro; que o dom divino da escolha, do livre-arbítrio, pode levar aos domínios divergentes de pecado e retidão; que a busca persistente da divindade conduz ao Reino de Deus e que a contínua rejeição desse Reino, ao contrário, conduz aos domínios da iniqüidade.
54:0.2 (613.2) Os Deuses não criam o mal, nem permitem o pecado e a rebelião. O mal potencial existe no tempo, em um universo que abrange níveis distintos de significados e valores de perfeição. O pecado será potencial em todos os reinos nos quais os seres imperfeitos sejam dotados com a capacidade da escolha entre o bem e o mal. Conflitante em si mesma, a presença da verdade e a da inverdade, a do verdadeiro factual e a do falso, constituem uma potencialidade para o erro. A rejeição voluntária da verdade é o erro; a escolha deliberada do mal constitui o pecado e a adoção persistente do pecado e do erro constitui a iniqüidade.
54:1.1 (613.3) Entre os problemas de grande perplexidade, advindos da rebelião de Lúcifer, nenhum tem causado mais dificuldades do que a incapacidade com a qual os mortais evolucionários imaturos se defrontam ao tentar distinguir entre a verdadeira e a falsa liberdade.
54:1.2 (613.4) A liberdade verdadeira é uma busca de idades e a recompensa do progresso evolucionário. A falsa liberdade é o engano sutil do erro, no tempo, e do mal, no espaço. A liberdade que perdura, funda-se na realidade da justiça — inteligência, maturidade, fraternidade e eqüidade.
54:1.3 (613.5) A liberdade transforma-se em um instrumento de autodestruição na existência cósmica quando a sua motivação é pouco inteligente, incondicionada e descontrolada. A verdadeira liberdade, progressivamente, encontra-se relacionada à realidade e considera sempre a eqüidade social, a justiça cósmica, a fraternidade universal e as obrigações divinas.
54:1.4 (613.6) A liberdade torna-se suicida quando divorciada da justiça material, da honestidade intelectual, da paciência social, do dever moral e de valores espirituais. A liberdade não existe fora da realidade cósmica; e toda a realidade da personalidade é proporcional às suas relações com a divindade.
54:1.5 (613.7) A vontade própria incontida e a auto-expressão não regradas igualam-se ao egoísmo não mitigado: o ponto mais distante da divindade. A liberdade que não está associada à conquista e automestria do ego, que sempre devem estar em crescimento, é uma invenção da imaginação mortal egoísta. A liberdade motivada apenas no ego é uma ilusão conceitual, um engano cruel. E a licenciosidade mascarada com a veste da liberdade é precursora de uma escravidão abjeta.
54:1.6 (614.1) A verdadeira liberdade é derivada do auto-respeito genuíno; a falsa liberdade é companheira da auto-admiração. A verdadeira liberdade é fruto do controle de si próprio; a liberdade falsa é fruto da pretensão da afirmação do ego. O autocontrole conduz ao serviço altruísta. A admiração de si próprio tende a conduzir à exploração dos outros, visando um engrandecimento individual egoísta e no erro. Tal indivíduo, por egoísmo, dispõe-se a sacrificar a realização, na retidão, pela posse de um poder injusto sobre os seus semelhantes.
54:1.7 (614.2) Mesmo a sabedoria, é divina e segura apenas quando é cósmica, no seu alcance; e espiritual, pela sua motivação.
54:1.8 (614.3) Não há erro maior do que a prática de enganar a si próprio, o que leva os seres inteligentes a aspirarem ao exercício do poder sobre outros seres, resultando no propósito de privá-los das suas liberdades naturais. A regra de ouro da justiça humana põe-se contra todas essas fraudes, injustiças, egoísmos e falta de retidão. Só a liberdade genuína e verdadeira é compatível com o Reino do amor e o ministério da misericórdia.
54:1.9 (614.4) Como se atreve, a criatura movida pela vontade do ego, a intrometer-se nos direitos dos semelhantes, em nome de uma liberdade pessoal, quando mesmo os Governantes Supremos do universo abstêm-se, em respeito misericordioso, diante das prerrogativas e potenciais da vontade da personalidade! Nenhum ser, no exercício de uma suposta liberdade pessoal, tem o direito de privar qualquer outro ser dos privilégios da existência, conferidos pelos Criadores e devidamente respeitados por todos os seus leais companheiros, subordinados e súditos.
54:1.10 (614.5) O homem evolucionário pode ter de lutar pelas suas liberdades materiais contra tiranos e opressores, num mundo de pecado e iniqüidade; ou durante os tempos iniciais de uma esfera primitiva, em evolução; mas não é assim nos mundos moronciais, nem nas esferas do espírito. A guerra faz parte da herança do homem evolucionário primitivo, mas, nos mundos em que a civilização tem um avanço normal, o combate físico, como uma técnica de ajustamento para os mal-entendidos raciais, há muito tempo caiu em descrédito.
54:2.1 (614.6) Com o Filho e no Espírito, Deus projetou a eterna Havona e, desde então, ali prevaleceu o arquétipo eterno da participação coordenada na criação — o compartilhamento. Esse modelo de compartir é o projeto mestre para cada um dos Filhos e Filhas de Deus, os quais saem para o espaço com o fito de engajar-se na tentativa de duplicar, no tempo, o Universo Central de perfeição eterna.
54:2.2 (614.7) Todas as criaturas que aspiram a cumprir a vontade do Pai, em todos os universos em evolução, estão destinadas a tornar-se parceiras dos Criadores tempo-espaciais, nessa magnífica aventura de tentar alcançar a perfeição experiencial. Se isso não fosse uma verdade, o Pai não haveria dotado tais criaturas de um livre-arbítrio criativo nem residiria nelas, formando junto com elas, na verdade, uma sociedade na qual Ele se faz presente por intermédio do Seu próprio espírito.
54:2.3 (614.8) A loucura de Lúcifer foi tentar fazer o não-factível: abreviar o tempo, por um atalho, em um universo experiencial. O crime de Lúcifer foi a tentativa de privar todas as personalidades de Satânia da própria liberdade criativa, de reduzir indevidamente a participação pessoal da criatura — o livre-arbítrio de poder participar — na longa luta evolucionária para alcançar o status de luz e vida, tanto individual quanto coletivamente. Ao fazer isso, aquele que certa vez foi o Soberano do vosso sistema colocou o propósito temporal da sua própria vontade em oposição direta ao propósito eterno da vontade de Deus, tal como é revelada na outorga do livre-arbítrio a todas as criaturas pessoais. A rebelião de Lúcifer, assim, ameaçou infringir, ao máximo possível, a faculdade da escolha livre dos ascendentes e servidores do sistema de Satânia — uma ameaça de privar para sempre cada um desses seres da experiência apaixonante de contribuir com algo de pessoal e único para o soerguimento vagaroso do monumento da sabedoria experiencial, que existirá, algum dia, como sendo o sistema de Satânia perfeccionado. Assim pois, o manifesto de Lúcifer, mascarado e revestido pelos trajes de uma liberdade, destaca-se, à luz clara da razão, como ameaça monumental a consumar o roubo da liberdade pessoal e a fazê-lo numa escala só alcançada, em toda a história de Nébadon, por duas vezes.
54:2.4 (615.1) Em resumo, o que Deus dera aos homens e anjos, Lúcifer lhes queria tirar; isto é, o privilégio divino de participar na criação dos seus próprios destinos e do destino deste sistema local de mundos habitados.
54:2.5 (615.2) Nenhum ser, em todo o universo, possui liberdade, por direito, de privar qualquer outro ser da verdadeira liberdade, do direito de amar e ser amado, do privilégio de adorar a Deus e servir aos seus semelhantes.
54:3.1 (615.3) As criaturas de vontade moral dos mundos evolucionários entregam-se sempre à inquietação de formular a pergunta impensada: por que os Criadores oniscientes permitem o mal e o pecado? Não compreendem que, se a criatura deve ser verdadeiramente livre, ambos tornam-se inevitáveis. O livre-arbítrio do homem que evolui, e o do anjo extraordinário, não são mero conceito filosófico, ideais simbólicos. A capacidade do homem de escolher entre o bem e o mal é uma realidade do universo. Essa liberdade, de escolher por si próprio, é um dom dado pelos Governantes Supremos; e eles não permitirão a qualquer ser, ou grupo de seres, privar sequer uma personalidade, em todo o amplo universo, dessa liberdade divinamente outorgada — e, menos ainda, para satisfazer os seres transviados e ignorantes no desfrute de algo erroneamente considerado como liberdade pessoal.
54:3.2 (615.4) Embora a identificação consciente e deliberada com o mal (o pecado) seja o equivalente à não-existência (o aniquilamento), deve haver sempre um intervalo de tempo entre o momento dessa identificação pessoal com o pecado e a execução da pena — o resultado automático do abraçar voluntário do mal — ; um intervalo de tempo que seja suficiente para permitir que o juízo feito do status do indivíduo, no universo, demonstre ser inteiramente satisfatório a todas as personalidades a ele relacionadas, no universo; e que seja tão equânime e justo a ponto de chegar a receber a aprovação do próprio pecador.
54:3.3 (615.5) Mas, caso esse ser do universo, que se rebelou contra a realidade da verdade e da bondade, recusar-se a aprovar o veredicto e, se tal culpado conhecer, no seu coração, a justiça da sua condenação, mas se recusar a confessar esse fato, então a execução da sentença deverá ser retardada de acordo com a decisão conveniente dos Anciães dos Dias. E os Anciães dos Dias negam-se a aniquilar qualquer ser antes que todos os valores morais e todas as realidades espirituais sejam extintas, tanto no pecador, quanto em todos aqueles que o apóiam e ou possíveis simpatizantes.
54:4.1 (615.6) Outro problema na constelação de Norlatiadeque, um tanto difícil de se explicar, diz respeito às razões de se ter permitido que Lúcifer, Satã e os príncipes caídos houvessem chegado a semear a discórdia, durante tanto tempo, antes que fossem apreendidos, confinados e julgados.
54:4.2 (616.1) Os pais, aqueles que geram e criam filhos, estão mais aptos para compreender por que Michael, um Criador-pai, possa ser lento em condenar e destruir seus próprios Filhos. A história do filho pródigo, que Jesus narrava, ilustra bem o quanto um pai amoroso pode esperar, por um longo tempo, pelo arrependimento de um filho que haja errado.
54:4.3 (616.2) O fato em si de que uma criatura que pratica o mal possa verdadeiramente escolher o erro — cometer o pecado — estabelece a realidade do livre-arbítrio e justifica plenamente os atrasos, de qualquer duração, na execução da justiça, posto que a extensão da misericórdia pode conduzir ao arrependimento e à reabilitação.
54:4.4 (616.3) A maior parte das liberdades buscadas por Lúcifer, ele já as tinha; e outras, ele estava para recebê-las no futuro. Todos esses dons preciosos foram perdidos quando ele cedeu à impaciência; e quando se rendeu ao desejo de possuir, imediatamente, o que desejava possuir; e possuir desafiando todas as obrigações de respeitar os direitos e liberdades de todos os outros seres que compõem o universo dos universos. As obrigações éticas são inatas, divinas e universais.
54:4.5 (616.4) Muitas razões, conhecidas por nós, há, pelas quais os Governantes Supremos não destruíram nem confinaram imediatamente os líderes da rebelião de Lúcifer. E, sem dúvida, ainda outras razões, possivelmente mais fortes, desconhecidas por nós, também existem. As características da misericórdia, contidas nessa demora na execução da justiça foram oferecidas pessoalmente por Michael de Nébadon. Não fora o afeto desse Criador-pai pelos seus filhos em erro, a justiça suprema do superuniverso teria agido imediatamente. Houvesse um episódio, como a rebelião de Lúcifer, ocorrido em Nébadon, enquanto Michael estava encarnado em Urântia e os instigadores do mal poderiam ter sido instantânea e absolutamente aniquilados.
54:4.6 (616.5) A justiça suprema pode agir instantaneamente quando não restringida pela misericórdia divina. Mas a ministração da misericórdia aos filhos do tempo e do espaço vem sempre provida desse retardamento temporal, desse intervalo salvador, entre época de semear e hora de colher. Se a semente plantada é boa, esse intervalo provê a prova e a edificação do caráter; se o plantio é mau, esse retardamento misericordioso provê tempo para arrependimento e retificação. A demora no julgamento e execução dos que cometeram o mal é inerente à ministração da misericórdia aos sete superuniversos. O refreamento da justiça, pela misericórdia, prova que Deus é amor, que este Deus do amor domina os universos e que Ele, com misericórdia, controla o destino e o julgamento de todas as Suas criaturas.
54:4.7 (616.6) As demoras temporais da misericórdia existem por mandado do livre-arbítrio dos Criadores. No universo há um bem que se deriva dessa técnica de paciência para lidar com rebeldes pecadores. Ainda que seja mais que verdadeiro que o bem não possa vir do mal; para aquele que admira e comete o mal, é igualmente verdadeiro que todas as coisas (inclusive o mal potencial e o mal manifesto) trabalhem juntas para o bem de todos os seres que conhecem Deus, que amam fazer a Sua vontade e estão ascendendo na direção do Paraíso, de acordo com o Seu plano eterno e Seu propósito divino.
54:4.8 (616.7) Mas essas demoras, por misericórdia, não são intermináveis. Não obstante a longa demora (como o tempo é considerado em Urântia) para julgar a rebelião de Lúcifer, podemos registrar que durante o tempo de efetuar essa revelação, a primeira audiência do caso pendente de Gabriel versus Lúcifer, aconteceu em Uversa; e que logo depois foi emitido o mandado dos Anciães dos Dias instruindo que Satã fosse então confinado ao mundo-prisão, com Lúcifer. Isso põe fim à capacidade de Satã de fazer novas visitas a quaisquer dos mundos caídos de Satânia. A justiça, num universo dominado pela misericórdia, pode ser lenta, mas é certa.
54:5.1 (617.1) Das muitas razões conhecidas por mim, pelas quais Lúcifer e seus confederados não foram confinados nem julgados mais cedo, me é permitido mencionar as seguintes:
54:5.2 (617.2) 1. A misericórdia requer que todos os malfeitores tenham tempo suficiente para formular uma atitude deliberada e plenamente determinada a partir dos seus maus pensamentos e atos transgressores.
54:5.3 (617.3) 2. A justiça suprema é dominada pelo amor do Pai; portanto a justiça jamais destruirá aquilo que a misericórdia pode salvar. Um período de tempo para aceitar a salvação é garantido a todo malfeitor.
54:5.4 (617.4) 3. Nenhum pai afeiçoado precipita-se em aplicar uma punição a um membro da sua família que cometeu um erro. A paciência não pode funcionar independentemente do tempo.
54:5.5 (617.5) 4. Embora o erro seja sempre deletério para uma família, a sabedoria e o amor exortam os filhos justos a agirem com paciência para com um irmão que erra, durante o tempo concedido pelo pai afeiçoado, necessário para que o pecador possa enxergar o erro no seu caminho e abraçar a salvação.
54:5.6 (617.6) 5. Independentemente da atitude de Michael para com Lúcifer, não obstante ser ele o Criador-pai de Lúcifer, não seria da alçada desse Filho Criador exercer a jurisdição sumária, sobre o Soberano apóstata do Sistema, pois Michael não havia, até então, completado a sua carreira de auto-outorgas, por intermédio da qual alcançaria a soberania incondicional de Nébadon.
54:5.7 (617.7) 6. Os Anciães dos Dias poderiam ter aniquilado imediatamente com esses rebeldes, mas raramente executam os malfeitores sem haverem ouvido tudo sobre o seu caso. Nessa instância recusaram-se a passar por cima das decisões de Michael.
54:5.8 (617.8) 7. É evidente que Emanuel aconselhou Michael a permanecer distante dos rebeldes permitindo que a rebelião chegasse, por seu curso natural, à auto-obliteração. A sabedoria dos Uniões dos Dias é reflexo, no tempo, da sabedoria unificada da Trindade do Paraíso.
54:5.9 (617.9) 8. Os Fiéis dos Dias, em Edêntia, aconselharam os Pais da Constelação a permitirem o livre trânsito aos rebeldes, com o fito de que toda a compaixão por esses malfeitores acabasse sendo extirpada o mais cedo possível dos corações de cada cidadão presente e futuro de Norlatiadeque — de todas as criaturas mortais, moronciais ou espirituais.
54:5.10 (617.10) 9. O representante pessoal do Executivo Supremo de Orvônton em Jerusém aconselhou Gabriel a prover todas as oportunidades para que cada criatura viva fizesse uma escolha, deliberadamente amadurecida, sobre todas as questões envolvendo a Declaração de Liberdade de Lúcifer. Havendo sido levantadas as questões da rebelião, o conselheiro de Gabriel, vindo do Paraíso em tais emergências, declarou que se uma oportunidade plena e livre como aquela não fosse dada a todas as criaturas de Norlatiadeque, então, a quarentena do Paraíso efetuada contra todas essas criaturas, possivelmente indecisas ou tomadas pela dúvida, seria estendida, em nome da autoproteção, a toda a constelação. Para manter as portas do Paraíso abertas para a ascensão, aos seres de Norlatiadeque, seria necessário dar chances de pleno desenvolvimento à rebelião e assegurar a completa determinação de atitude da parte de todos os seres relacionados, de algum modo, a ela.
54:5.11 (617.11) 10. A Ministra Divina de Sálvington emitiu, como a sua terceira proclamação independente, um mandado ordenando que nada fosse feito para curar pela metade, para suprimir covardemente ou, de qualquer outro modo, ocultar o rosto horrível dos rebeldes e da rebelião. Foi instruído às hostes angélicas que trabalhassem por uma plena divulgação e fosse dada oportunidade ilimitada à expressão do pecado, afirmando ser essa a técnica mais rápida para realizar a cura perfeita, e final, da praga do mal e do pecado.
54:5.12 (618.1) 11. Foi organizado em Jerusém um conselho de emergência de ex-mortais constituído de Mensageiros Poderosos, mortais glorificados com experiência pessoal em situações semelhantes, juntamente com seus colegas. Eles advertiram Gabriel de que seria, pelo menos, três vezes maior o número de seres a se perderem, caso fossem tentados métodos arbitrários ou sumários de supressão. Todo o corpo de conselheiros de Uversa se pôs de acordo para aconselhar Gabriel a permitir que a rebelião tomasse o seu curso pleno e natural, ainda que fosse necessário um milhão de anos para eliminar as conseqüências.
54:5.13 (618.2) 12. O tempo é relativo, até mesmo num universo temporal: se um mortal de Urântia, com um período mediano de vida, cometesse um crime que precipitasse um pandemônio mundial e, caso ele fosse apreendido, julgado e executado, dois ou três dias após haver cometido o crime, pareceria muito tempo para vós? E tal seria uma comparação aproximadamente válida, considerando a duração da vida de Lúcifer; ainda que o seu julgamento, agora iniciado, não terminasse nem dentro de cem mil anos do tempo de Urântia. O lapso relativo de tempo, do ponto de vista de Uversa, onde o litígio está pendente, poderia ser indicado, se disséssemos que o crime de Lúcifer foi levado a julgamento dois segundos e meio depois de cometido. Do ponto de vista do Paraíso, no entanto, o julgamento é simultâneo ao ato.
54:5.14 (618.3) Existe um número igual de motivos para que não se tivesse terminado arbitrariamente a rebelião de Lúcifer, os quais seriam parcialmente compreensíveis para vós; todavia não me é permitido descrevê-los. Posso informar-vos que, em Uversa, ensinamos sobre quarenta e oito motivos para possibilitar que o mal tome o curso pleno da sua própria bancarrota moral e da sua extinção espiritual. Não duvido que haja pelo menos um número igual de razões, além dessas, que eu não conheça.
54:6.1 (618.4) Quaisquer sejam as dificuldades que os mortais evolucionários possam encontrar, nos seus esforços de compreender a rebelião de Lúcifer, deveria parecer claro, a todos os pensadores que meditam, que a técnica de lidar com os rebeldes constitui uma demonstração do amor divino. A misericórdia amorosa estendida aos rebeldes parece ter envolvido muitos seres inocentes em provações e atribulações; mas todas essas personalidades afligidas podem, com segurança, confiar nos Juízes, infinitamente sábios, para julgar também os seus próprios destinos, tanto em misericórdia, quanto em justiça.
54:6.2 (618.5) Sempre que lidam com seres inteligentes, tanto o Filho Criador, quanto o seu Pai do Paraíso, são conduzidos pelo amor. É impossível compreender muitas fases da atitude dos governantes do universo para com os rebeldes e a rebelião — o pecado e os pecadores — , a menos que seja lembrado que Deus, como Pai, tem precedência sobre todas as outras fases de manifestação da sua Deidade, em qualquer tratativa que a divindade tenha com a humanidade. Deveria também ser lembrado que todos os Filhos Criadores do Paraíso são motivados pela misericórdia.
54:6.3 (618.6) Se um pai afeiçoado de uma grande família, escolhe demonstrar misericórdia a um dos seus filhos, culpado por graves erros, pode muito bem acontecer que essa extensão da misericórdia, ao filho mal-comportado, resulte em provações temporárias para todos os outros filhos bem-comportados. Essas eventualidades são inevitáveis; e tal risco se faz inseparável da situação da realidade de se ter um pai cheio de amor e ser um membro de um grupo familiar. Cada membro de uma família beneficia-se da conduta justa de todos os outros membros; do mesmo modo, cada membro deve sofrer a conseqüência imediata, no tempo, da má conduta de todos os outros membros. Famílias, grupos, nações, raças, mundos, sistemas, constelações e universos são relacionamentos de associação que possuem individualidade; portanto, cada membro de todo o grupo, grande ou pequeno, colhe os benefícios e sofre as conseqüências das boas ações e dos erros de todos os outros membros do grupo envolvido.
54:6.4 (619.1) Entretanto, uma coisa deve ficar clara: caso sejais levados a sofrer as conseqüências más, por causa do pecado de algum membro da vossa família, de um compatriota ou companheiro mortal, ou mesmo por causa da rebelião no sistema, ou em outra parte — não importa o que vós possais ter de suportar, por causa do erro de conduta dos vossos parceiros, companheiros ou superiores — , podeis ficar seguros na certeza eterna de que tais atribulações serão aflições passageiras. Nenhuma dessas conseqüências do erro dos seres fraternos, do mau comportamento grupal, pode jamais colocar em perigo as vossas perspectivas eternas, nem vos privar, no mínimo grau que seja, do vosso direito divino de ascensão ao Paraíso e de alcançar a Deus.
54:6.5 (619.2) E há uma compensação para tais provações, para esses adiamentos e desapontamentos, que invariavelmente acompanham o pecado da rebelião. Entre as muitas repercussões consideráveis da rebelião de Lúcifer que podem ser nomeadas, apenas chamarei a atenção para as carreiras enaltecidas dos mortais ascendentes, os cidadãos de Jerusém que, por resistirem aos sofismas do pecado, se colocaram na posição de tornarem-se futuros Mensageiros Poderosos, companheiros da minha própria ordem. Cada ser que haja resistido ao teste daquele episódio do mal, por esse mesmo motivo avançou imediatamente no seu status administrativo e elevou o seu valor espiritual.
54:6.6 (619.3) A princípio, o levante de Lúcifer pareceu constituir uma calamidade sem atenuantes para o sistema e mesmo para o universo. Gradualmente os benefícios começaram a acumular-se. Com o decorrer de vinte e cinco mil anos do tempo do sistema (vinte mil anos do tempo de Urântia), os Melquisedeques começaram a ensinar que o bem resultante da loucura de Lúcifer chegava a igualar o mal incorrido. A soma do mal, àquela altura, havia-se tornado quase estacionária, continuando a crescer apenas em alguns mundos isolados, enquanto as repercussões benéficas multiplicavam-se e estendiam-se pelo universo e o superuniverso, chegando mesmo até Havona. Os Melquisedeques ensinam agora que o bem que resulta da rebelião de Satânia é mais do que mil vezes a soma de todo o mal.
54:6.7 (619.4) Mas uma colheita tão extraordinária e benéfica, extraída de erros e malfeitos, apenas poderia advir por intermédio da atitude sábia, divina e misericordiosa de todos os superiores de Lúcifer, desde os Pais das Constelações, em Edêntia, até o Pai Universal, no Paraíso. O passar do tempo elevou o bem conseqüente derivado da loucura de Lúcifer; e, desde que o mal a ser penalizado desenvolveu-se totalmente, num período de tempo relativamente curto, torna-se evidente que os governantes do universo, infinitamente sábios e de ampla visão, prolongariam com certeza o tempo no qual iriam colher resultados cada vez mais benéficos. A despeito das muitas outras razões para retardar a detenção e o julgamento dos rebeldes de Satânia, esse ganho seria já suficiente, em si, para justificar o porquê de tais pecadores não terem sido confinados há mais tempo; e o porquê de não haverem sido julgados nem destruídos.
54:6.8 (619.5) As mentes mortais de pouca visão e tolhidas pelo tempo deveriam ser menos apressadas ao criticar as demoras no tempo geradas na amplidão de visão e sabedoria dos administradores dos assuntos do universo.
54:6.9 (620.1) Um erro no pensamento humano, a respeito desses problemas, consiste na idéia de que todos os mortais evolucionários, num planeta em evolução, escolheriam aderir à carreira do Paraíso, caso o pecado não houvesse amaldiçoado o seu mundo. A aptidão para recusar a sobrevivência não data dos tempos da rebelião de Lúcifer. O homem mortal sempre possuiu o dom da escolha de livre-arbítrio, com respeito à carreira do Paraíso.
54:6.10 (620.2) Na medida que ascenderdes na experiência da sobrevivência, vós ireis ampliar os vossos conceitos do universo e estender os vossos horizontes de significados e valores; e, desse modo, tornar-vos mais capazes de entender melhor por que é permitido a seres tais como Lúcifer e Satã continuarem em rebelião. Ireis também compreender melhor como o bem último (se não o bem imediato) pode derivar-se do mal, limitado pelo tempo. Após alcançardes o Paraíso, sereis realmente esclarecidos e confortados ao escutardes os filósofos superseráficos dissecando e explicando esses profundos problemas de ajustamentos no universo. Mas, mesmo então, duvido de que estejais plenamente satisfeitos, nas vossas próprias mentes. Ao menos eu não fiquei, nem mesmo quando havia alcançado a cúspide da filosofia do universo. Não atingi uma compreensão plena dessas complexidades, senão após haver sido designado para os deveres administrativos no superuniverso, onde, por meio da experiência real e prática, adquiri a capacidade conceitual adequada à compreensão desses problemas multifacetados, da eqüidade cósmica e da filosofia espiritual. À medida que ascenderdes na direção do Paraíso, ireis aprender, mais e mais, que muitos dos aspectos problemáticos da administração do universo só poderão ser compreendidos depois da aquisição de uma capacidade experiencial maior e um discernimento espiritual mais elevado. A sabedoria cósmica é essencial ao entendimento das situações cósmicas.
54:6.11 (620.3) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso que sobreviveu experiencialmente à primeira rebelião sistêmica nos universos do tempo; esse Mensageiro Poderoso está vinculado, atualmente, ao governo do superuniverso de Orvônton e atuou nesta tarefa a pedido de Gabriel de Sálvington.]
O Livro de Urântia
Documento 55
55:0.1 (621.1) PARA um mundo do tempo e do espaço a idade de luz e vida é a realização evolucionária final. Desde os tempos iniciais do homem primitivo, um mundo habitado haverá passado pelas idades planetárias sucessivas — as idades anteriores e posteriores à época do Príncipe Planetário, a idade pós-Adâmica, a idade pós-Filho Magisterial e a idade pós-Filho auto-outorgado. E, então, um tal mundo torna-se pronto para alcançar o ponto evolucionário culminante, como um mundo estabelecido em luz e vida, por meio do ministério das sucessivas missões planetárias dos Filhos Instrutores da Trindade, com as suas revelações, sempre em avanço, sobre a verdade divina e a sabedoria cósmica. Nos seus esforços para estabelecer a idade planetária final, os Filhos Instrutores beneficiam-se sempre da assistência dos Brilhantes Estrelas Vespertinas e, algumas vezes, dos Melquisedeques.
55:0.2 (621.2) Essa era de luz e vida, inaugurada pelos Filhos Instrutores, na conclusão da sua missão planetária final, continua indefinidamente nos mundos habitados. Cada estágio de avanço, dentro desse status estabelecido, pode ser delimitado pelas ações judiciais dos Filhos Magisteriais, em uma sucessão de dispensações; tais ações judiciais são todas, contudo, puramente técnicas e de nenhum modo modificam o curso dos acontecimentos planetários.
55:0.3 (621.3) Apenas àqueles planetas que alcançam existência nos circuitos principais do superuniverso é assegurada a sobrevivência contínua; entretanto, até onde sabemos, esses mundos estabelecidos em luz e vida estão destinados a prosseguir nas idades eternas em todo o tempo futuro.
55:0.4 (621.4) Há sete estágios no desenvolvimento da era de luz e vida, para um mundo evolucionário; e sobre isso deveria ser notado que os mundos dos mortais que se fusionam ao Espírito evoluem em linhas idênticas às daqueles mundos da série de fusionamento com os Ajustadores. Os sete estágios de luz e vida são:
55:0.5 (621.5) 1. O primeiro, ou o estágio do planeta.
55:0.6 (621.6) 2. O segundo, ou o estágio do sistema.
55:0.7 (621.7) 3. O terceiro, ou o estágio da constelação.
55:0.8 (621.8) 4. O quarto, ou o estágio do universo local.
55:0.9 (621.9) 5. O quinto, ou o estágio do setor menor.
55:0.10 (621.10) 6. O sexto, ou o estágio do setor maior.
55:0.11 (621.11) 7. O sétimo, ou o estágio do superuniverso.
55:0.12 (621.12) Ao final desta narrativa, esses estágios de avanço do desenvolvimento estão descritos da maneira como se relacionam com a organização do universo. Os valores planetários de qualquer etapa, todavia, podem ser alcançados por qualquer mundo, de forma totalmente independente de outros mundos ou níveis supra-planetários da administração do universo.
55:1.1 (622.1) A presença de um templo moroncial na capital de um mundo habitado é o certificado da admissão, dessa esfera, nas idades estabelecidas em luz e vida. Antes de deixarem um mundo, quando da conclusão das suas missões terminais, os Filhos Instrutores inauguram essa época de alcance evolucionário final; e o presidem naquele dia, quando “o templo sagrado desce à terra”. Tal evento assinala o alvorecer da era de luz e vida e é sempre honrado pela presença pessoal do Filho do Paraíso de auto-outorga daquele planeta: ele se encontrará ali testemunhando esse grande dia. Nesse templo de beleza sem paralelo, o Filho do Paraíso em auto-outorga proclama aquele que há muito tempo tem sido o Príncipe Planetário; como o novo Soberano Planetário, e investe esse Filho Lanonandeque fiel de novos poderes e na autoridade ampliada sobre os assuntos planetários. O Soberano do Sistema também estará presente e falará para confirmar esses pronunciamentos.
55:1.2 (622.2) Um templo moroncial possui três partes: a mais central é o santuário do Filho de auto-outorga do Paraíso; à direita está o assento daquele que, até então, tem sido o Príncipe Planetário, agora o Soberano Planetário, quando presente ao templo, este Filho Lanonandeque torna-se visível para os indivíduos mais espirituais do reino; à esquerda ficando o assento do dirigente atual dos finalitores agregados ao planeta.
55:1.3 (622.3) Embora haja sido mencionado que os templos planetários “descem dos céus”, na realidade nada de material é de fato trazido da sede-central do sistema. A arquitetura de cada templo é trabalhada, em miniatura, na capital do sistema e os Supervisores do Poder Moroncial em seguida trazem esses planos já aprovados ao planeta. E, então, em associação com os Mestres Controladores Físicos, passam a construir o templo moroncial de acordo com aquilo que o projeto especifica.
55:1.4 (622.4) Um templo moroncial comum abriga cerca de trezentos mil espectadores assentados. Esses edifícios não são usados para a adoração nem para a diversão, nem para receber transmissões. São consagrados às cerimônias especiais do planeta, tais como as comunicações com o Soberano do Sistema, ou com os Altíssimos; e às cerimônias de visualização especial, destinadas a revelar a presença da personalidade de seres espirituais e à contemplação cósmica silenciosa. Nesses templos, as escolas de filosofia cósmica conduzem os exercícios de graduação e os mortais do reino recebem, também ali, o reconhecimento planetário por feitos de alto serviço social e outras realizações de destaque.
55:1.5 (622.5) Esse templo moroncial também serve como local de reunião para todos presenciarem o translado de mortais vivos à existência moroncial. E, pelo fato de o templo de translado ser composto de material moroncial, é que não se faz destruído pela glória flamejante do fogo consumidor que remove completamente os corpos físicos desses mortais que ali experimentam a fusão final com os seus Ajustadores divinos. Num mundo de grande porte, tais chamas dos translados são quase contínuas e, à medida que cresce o número desses translados, são providenciados santuários subsidiários de vida moroncial em áreas diferentes do planeta. Não faz muito tempo, eu estive de passagem em um mundo, no longínquo norte, onde vinte e cinco santuários moronciais estavam em funcionamento.
55:1.6 (622.6) Nos mundos na etapa de preestabelecimento, nos planetas ainda sem templos moronciais, esses clarões das chamas de fusão muitas vezes ocorrem na atmosfera planetária, para onde o corpo material de um candidato ao translado é elevado pelas criaturas intermediárias e controladores físicos.
55:2.1 (623.1) A morte natural, física, não é uma inevitabilidade para os mortais. A maioria dos seres evolucionários avançados, cidadãos dos mundos que já se encontram na era final de luz e vida, não morre; eles são transladados diretamente da vida na carne para a existência moroncial.
55:2.2 (623.2) Essa experiência de translado da vida material ao estado moroncial — a fusão da alma imortal com o Ajustador residente — , cresce em uma freqüência proporcional ao progresso evolucionário do planeta. Inicialmente, apenas uns poucos mortais em cada idade alcançam os níveis de progresso espiritual necessário a esse translado mas, com o início das idades sucessivas dos Filhos Instrutores, ocorrem mais e mais fusões com os Ajustadores, antes do final da vida, cada vez mais longa, desses mortais em progresso; e, à época da missão terminal dos Filhos Instrutores, aproximadamente um quarto desses magníficos mortais estará eximido da morte natural.
55:2.3 (623.3) Num momento mais avançado, na era de luz e vida, as criaturas intermediárias ou os seus aliados sentem a aproximação de uma provável união entre a alma e o Ajustador, e apontam isso aos guardiães do destino, que, por sua vez, comunicam tal questão ao grupo de finalitores sob cuja jurisdição esse mortal pode estar funcionando; e então é emitida uma convocação, pelo Soberano Planetário, para que esse mortal renuncie a todos os seus deveres planetários, dê adeus ao mundo da sua origem e se dirija ao templo interno do Soberano Planetário, para, ali, aguardar pelo trânsito moroncial, pelo clarão do translado, do domínio material de evolução, ao nível moroncial pré-espiritual de progressão.
55:2.4 (623.4) Quando a família, os amigos e o grupo de trabalho desse candidato à fusão estiverem reunidos, no templo moroncial, eles se distribuirão em volta da cena central onde descansam os candidatos à fusão os quais, durante esse meio tempo, permanecem ainda conversando livremente com os amigos reunidos. Um círculo de personalidades celestes intermediárias é formado para proteger os mortais materiais da ação das energias que se manifestam no instante do “clarão de vida”; e este libera o candidato à ascensão das cadeias materiais da carne fazendo, assim, por esse mortal evolucionário tudo aquilo que a morte natural faz pelos que por meio dela são libertados da carne.
55:2.5 (623.5) Vários candidatos à fusão podem ser reunidos ao mesmo tempo no templo espaçoso. E, que bela ocasião, quando os mortais reúnem-se assim para testemunhar a ascensão dos seus entes queridos em meio às chamas espirituais. Que contraste com aquelas idades anteriores, nas quais os mortais haveriam de submeter os seus mortos ao abraço dos elementos terrestres! As cenas, de lágrimas e lamentos característicos de épocas anteriores, na evolução humana, são agora substituídas pela alegria jubilosa e o entusiasmo os mais sublimes, no momento em que, sabedores de Deus, esses mortais dão aos seus entes amados um adeus transitório, antes de serem extraídos das suas ligações materiais pelo fogo espiritual, em grandeza consumidora, da glória da ascensão. Nos mundos estabelecidos em luz e vida, tais “funerais” são ocasiões de alegria suprema, de profunda satisfação e esperança inexprimível.
55:2.6 (623.6) As almas desses mortais em progresso são cada vez mais preenchidas de fé, esperança e convicção. O ânimo que impregna a todos aqueles que se reúnem em torno do santuário de translado assemelha-se ao de um grupo de amigos e parentes que, cheios de alegria, estivesse reunido para uma cerimônia de graduação de um dos seus integrantes, ou presenciando uma grande honra sendo conferida a um dos seus. E decididamente seria de muita ajuda se os mortais menos avançados ao menos pudessem aprender a ver a morte natural com um pouco dessa mesma alegria corajosa e leveza de coração.
55:2.7 (624.1) Os observadores mortais nada podem ver dos seus companheiros transladados depois do clarão da fusão. Tais almas transladadas seguem, por meio do transporte do Ajustador, diretamente para a sala de ressurreição do mundo de aperfeiçoamento moroncial adequado. Essas transações, envolvendo o translado de seres humanos vivos ao mundo moroncial, são supervisionadas por um arcanjo designado para um tal mundo no mesmo dia em que este houver sido estabelecido em luz e vida.
55:2.8 (624.2) Quando um mundo atinge o quarto estágio de luz e vida, mais da metade dos mortais passam a deixar o planeta por meio do translado de entre os vivos. O fenômeno da morte vai diminuindo cada vez mais; mas não conheço nenhum sistema cujos mundos habitados, ainda que há muito estabelecidos em luz e vida, estejam inteiramente isentos da morte natural como técnica para escapar dos laços da carne. E, até que um tal estágio de elevação, na evolução planetária, seja uniformemente atingido, os mundos de aperfeiçoamento moroncial do universo local devem continuar em serviço, como esferas educacionais e culturais para os progressores moronciais em evolução. A eliminação da morte é possível, teoricamente, mas ainda não ocorreu, segundo a minha observação. Talvez esse status possa ser atingido durante as etapas longínquas das sucessivas épocas já no sétimo estágio da vida planetária estabelecida.
55:2.9 (624.3) As almas transladadas de idades florescentes das esferas estabelecidas não passam pelos mundos das mansões. E também não permanecem como estudantes nos mundos moronciais do sistema ou da constelação. Elas não passam por nenhuma das fases anteriores da vida moroncial. São os únicos mortais ascendentes que quase escapam da transição moroncial entre a existência material e o estado de semi-espírito. A experiência inicial desses mortais arrebanhados pelo Filho, na carreira ascensional, é feita nos serviços dos mundos de progressão da sede-central do universo. E desses mundos de estudo de Sálvington eles retornam como instrutores, para os mesmos mundos pelos quais passaram, dirigindo-se depois no sentido interior, ao Paraíso, pelo caminho estabelecido para a ascensão dos mortais.
55:2.10 (624.4) Caso pudésseis visitar um planeta em um estágio avançado de desenvolvimento, iríeis captar rapidamente as razões pelas quais é dada uma recepção diferenciada aos mortais ascendentes, nas mansões e nos mundos moronciais mais elevados. Iríeis compreender prontamente como os seres procedentes dessas esferas altamente evoluídas estão preparados para reassumir as suas ascensões até o Paraíso muito antes do que os mortais comuns, provenientes de um mundo desordenado e retrógrado como o de Urântia.
55:2.11 (624.5) Seja qual for o nível de realização do planeta de onde provêm os seres humanos que ascendem aos mundos moronciais, as sete esferas das mansões proporcionam a eles uma oportunidade ampla de adquirir a experiência de estudantes-instrutores, em tudo e por tudo que não tenham ainda experienciado, devido ao baixo nível de avanço do seu planeta nativo.
55:2.12 (624.6) O universo é infalível quanto à aplicação dessas técnicas de equalização destinadas a assegurar que nenhum ser ascendente seja privado de nada essencial à sua experiência de ascensão.
55:3.1 (624.7) Durante essa idade de luz e vida, o mundo prospera crescentemente sob o governo paternal do Soberano Planetário. Durante esse tempo os mundos progridem sob a impulsão viva de uma única língua, religião única e, nas esferas normais, uma única raça. Mas essa idade não é perfeita. Esses mundos têm, ainda, hospitais bem equipados que, como lares, cuidam dos enfermos. Os problemas de tratamentos de ferimentos acidentais e enfermidades inevitáveis ainda persistem, bem como o atendimento à decrepitude causada pela idade e desordens da senilidade. A doença não foi vencida inteiramente, e os animais terrestres tampouco foram perfeitamente dominados; mas esses mundos são como um Paraíso, se comparados aos tempos iniciais do homem primitivo, durante a idade anterior ao Príncipe Planetário. Vós iríeis instintivamente descrever um reino assim — caso pudésseis ser transportados, subitamente, a um planeta nesse estágio de desenvolvimento — como o céu na Terra.
55:3.2 (625.1) O governo humano, para a condução dos assuntos materiais, continua a funcionar nessa idade de progresso e perfeição relativos. As atividades públicas de um mundo no primeiro estágio de luz e vida visitado recentemente por mim eram financiadas pela técnica do dízimo. Todos os cidadãos capacitados fisicamente trabalhavam em alguma coisa; e cada trabalhador adulto pagava dez por cento da sua renda ou lucro ao tesouro público. Esses dez por cento eram despendidos da seguinte maneira:
55:3.3 (625.2) 1. Três por cento, na promoção da verdade-ciência, na educação e filosofia.
55:3.4 (625.3) 2. Três por cento, devotados à beleza — aos jogos, lazer social e arte.
55:3.5 (625.4) 3. Três por cento, dedicados à bondade — serviço social, altruísmo e religião.
55:3.6 (625.5) 4. Um por cento, destinado às reservas de seguro, contra o risco de incapacidade para o trabalho, resultante de acidentes, doença, velhice ou desastres inevitáveis.
55:3.7 (625.6) Os recursos naturais desse planeta eram administrados como uma posse social e como propriedade da comunidade.
55:3.8 (625.7) Nesse mundo a mais alta honra conferida a um cidadão era a ordem do “serviço supremo” , o único grau de reconhecimento concedido dentro do templo moroncial. Tal reconhecimento era atribuído àqueles que se distinguiram, há muito, em alguma fase da descoberta supramaterial ou serviço social planetário.
55:3.9 (625.8) A maioria dos postos sociais e administrativos era mantida conjuntamente por um homem e uma mulher. A maior parte do ensino também era dada em conjunto; e do mesmo modo todas as responsabilidades judiciais também desempenhadas por casais, ou duplas de seres relacionados de modo semelhante.
55:3.10 (625.9) Nesses mundos magníficos, o período destinado à formação da família não é muito prolongado. É mais conveniente que não haja uma diferença considerável de idade entre as crianças de uma mesma família. Quando têm idades mais próximas, as crianças são capazes de contribuir muito mais para a educação mútua. E, nesses mundos, elas são magnificamente preparadas pelos sistemas competitivos de esforços intensos, nos domínios e divisões avançadas, das realizações diversas, para o aprendizado e a mestria da verdade, beleza e bondade. Podeis estar seguros, entretanto, de que mesmo essas esferas glorificadas apresentam o mal real e potencial em uma certa quantidade, suficiente para servir de estímulo à escolha entre a verdade e o erro, o bem e o mal, o pecado e a retidão.
55:3.11 (625.10) Entretanto, há penalidades certas e inevitáveis, ligadas à existência mortal, em tais planetas evolucionários avançados. Quando um mundo estabelecido progride depois do terceiro estágio de luz e vida, todos os seres ascendentes estão destinados, antes de atingirem o setor menor, a cumprir alguma espécie de missão transitória, em um planeta que esteja passando por estágios anteriores de evolução.
55:3.12 (626.1) Cada uma dessas idades sucessivas representa realizações de avanço em todas as fases do progresso planetário. Na idade inicial de luz, a revelação da verdade foi ampliada e abrange os trabalhos do universo dos universos; enquanto o estudo da Deidade, durante a segunda dessas idades, tende a aprofundar o conceito versátil da natureza, missão, ministério, associações, origem e destino dos Filhos Criadores, o primeiro nível de Deus, o Sétuplo.
55:3.13 (626.2) Um planeta do porte de Urântia, quando suficientemente bem estabelecido, teria cerca de cem centros subadministrativos. Esses centros subordinados seriam presididos por um dos seguintes grupos de administradores qualificados:
55:3.14 (626.3) 1. Os Filhos e as Filhas Materiais jovens, trazidos da sede-central do sistema para atuar como assessores do governo de Adão e Eva.
55:3.15 (626.4) 2. A progênie do corpo de assistentes semimortal do Príncipe Planetário, que foi procriada em alguns mundos para essa e outras responsabilidades similares.
55:3.16 (626.5) 3. A progênie planetária direta de Adão e Eva.
55:3.17 (626.6) 4. As criaturas intermediárias materializadas e humanizadas.
55:3.18 (626.7) 5. Os mortais que chegaram ao status de fusionamento com o Ajustador, mas que, a seu próprio pedido, permanecem temporariamente isentos de translado, pela ordem do Ajustador Personalizado no comando universal, para que possam continuar no planeta ocupando alguns postos administrativos importantes.
55:3.19 (626.8) 6. Os mortais especialmente treinados, nas escolas planetárias de administração, que também receberam a ordem do supremo serviço do templo moroncial.
55:3.20 (626.9) 7. Algumas comissões eletivas de três cidadãos, adequadamente qualificados, que algumas vezes são escolhidos pela comunidade, sob a direção do Soberano Planetário, de acordo com a sua capacitação especial para realizar alguma tarefa definida de necessidade naquele setor planetário em particular.
55:3.21 (626.10) A grande dificuldade que Urântia encontra, para alcançar o alto destino planetário de luz e vida, provém dos problemas da doença, degenerescência, guerra, existência das raças multicoloridas e multilingüismo.
55:3.22 (626.11) Nenhum mundo evolucionário pode esperar progredir além do primeiro estágio do estabelecimento em luz, antes de alcançar a unidade de língua, antes de ter uma única religião e uma só filosofia. Ter uma única raça facilita grandemente a um planeta nessa realização. Todavia, em Urântia, a existência de muitos povos não a impede de alcançar estágios mais elevados.
55:4.1 (626.12) Nos sucessivos estágios da existência estabelecida, os mundos habitados fazem progressos maravilhosos sob a administração sábia e compassiva do Corpo voluntário de Finalidade, seres que ascenderam ao Paraíso e voltaram para ministrar aos seus irmãos na carne. Tais finalitores cooperam ativamente com os Filhos Instrutores da Trindade, mas só iniciam sua participação real nos assuntos do mundo quando o templo moroncial surge na Terra.
55:4.2 (626.13) Quando a ministração planetária feita pelo Corpo de Finalidade tem a sua instalação formal, a maioria das hostes celestes retira-se. Mas os serafins guardiães do destino continuam com a sua ministração pessoal aos mortais que progridem na luz; na verdade esses anjos vêm em número cada vez maior, durante as idades estabelecidas, pois grupos crescentes de seres humanos alcançam o terceiro círculo cósmico, de realização mortal coordenada, durante o seu ciclo de vida no planeta.
55:4.3 (627.1) Esse é apenas o primeiro dos ajustes administrativos sucessivos que acompanham o desdobrar progressivo das idades de realizações cada vez mais brilhantes nos mundos habitados, à medida que eles vão passando do primeiro ao sétimo estágio na sua existência estabelecida.
55:4.4 (627.2) 1. O primeiro estágio de luz e vida. Neste estágio de estabelecimento inicial um mundo é administrado por três governantes:
55:4.5 (627.3) a. O Soberano Planetário; sendo este aconselhado por um Filho Instrutor da Trindade, muito provavelmente o dirigente do último corpo desses Filhos a funcionar no planeta.
55:4.6 (627.4) b. O dirigente do corpo planetário de finalitores.
55:4.7 (627.5) c. Adão e Eva, funcionando conjuntamente como unificadores de liderança dual do Príncipe Soberano e do dirigente dos finalitores.
55:4.8 (627.6) Atuando como intérpretes para os guardiães seráficos e para os finalitores, encontram-se as criaturas intermediárias, já elevadas e liberadas. Um dos últimos atos dos Filhos Instrutores da Trindade, na sua missão terminal, é o de liberar as criaturas intermediárias do reino e promovê-las (ou restabelecê-las) no status avançado do planeta; designando-as para postos de responsabilidade na nova administração da esfera estabelecida. E então já teriam sido efetuadas as modificações no campo de alcance da visão dos humanos, mudanças estas necessárias para capacitar os mortais a reconhecer os primos, do regime Adâmico inicial, até então invisíveis. Isso se torna possível por meio das descobertas finais da ciência física, em um esforço conjunto com as funções ampliadas dos Mestres Controladores Físicos no planeta.
55:4.9 (627.7) O Soberano do Sistema tem autoridade para liberar as criaturas intermediárias, a qualquer tempo, depois do primeiro estágio de estabelecimento, de modo tal que elas possam humanizar-se em níveis moronciais, com a ajuda dos Portadores da Vida e controladores físicos, para que possam iniciar, após receberem os Ajustadores do Pensamento, sua ascensão ao Paraíso.
55:4.10 (627.8) No terceiro estágio e nos seguintes, algumas dentre as criaturas intermediárias ainda estão trabalhando, sobretudo como personalidades de contato com os finalitores, mas, à medida que cada novo estágio de luz e vida é atingido, novas ordens de tais ministros de ligação substituem a maior parte das criaturas intermediárias; poucas delas permanecem depois do quarto estágio de luz. O sétimo estágio testemunhará a chegada dos primeiros ministros absonitos, vindos do Paraíso para servir no lugar de certas criaturas do universo.
55:4.11 (627.9) 2. O segundo estágio de luz e vida. Esta época nos mundos é assinalada pela chegada de um Portador da Vida, que se torna o consultor voluntário dos governantes planetários, no que diz respeito aos novos esforços para purificar e estabilizar a raça mortal. Desse modo os Portadores da Vida participam ativamente da próxima evolução da raça humana — fisica, social e economicamente. E assim estendem a sua supervisão para purificar ainda mais a linhagem dos mortais, com a eliminação drástica dos remanescentes retardatários e persistentes cuja natureza traga potencialidades inferiores, intelectual, filosófica, cósmica ou espiritualmente. Aqueles que projetam e implantam a vida em um mundo habitado são plenamente competentes para aconselhar aos Filhos e Filhas Materiais, os quais têm autoridade plena e inquestionável para purgar a raça, em evolução, de todas as influências nocivas.
55:4.12 (627.10) Do segundo estágio em diante, e em toda a carreira de um planeta estabelecido, os Filhos Instrutores servem como conselheiros dos finalitores. Durante essas missões, eles servem voluntariamente e não por designação; e servem, exclusivamente, junto ao corpo de finalitores com o consentimento do Soberano do Sistema; todavia, podem servir de conselheiros ao Adão e à Eva Planetários.
55:4.13 (628.1) 3. O terceiro estágio de luz e vida. Durante essa época, os mundos habitados conquistam um novo entendimento e apreciação dos Anciães dos Dias, a segunda fase de Deus, o Sétuplo; e, assim, os representantes desses governantes dos superuniversos iniciam novas relações com a administração planetária.
55:4.14 (628.2) Em cada uma das sucessivas idades da existência estabelecida, os finalitores atuam em funções cada vez mais ampliadas. E passa a existir uma estreita conexão de trabalho entre os finalitores, os Estrelas Vespertinos (os superanjos) e os Filhos Instrutores da Trindade.
55:4.15 (628.3) Durante essa idade, ou ainda na seguinte, um Filho Instrutor assistido por um quarteto de espíritos ministradores torna-se agregado ao dirigente mortal executivo eleito, que agora se torna colaborador do Soberano Planetário como administrador adjunto para os assuntos daquele mundo. Esses dirigentes executivos mortais servem durante vinte e cinco anos do tempo planetário e é esse novo desenvolvimento que torna para, o Adão e a Eva Planetários, fácil liberarem-se, com segurança, nas próximas idades do mundo onde permaneceram em um compromisso tão prolongado.
55:4.16 (628.4) O quarteto dos espíritos ministradores consiste de um comandante seráfico da esfera, do conselheiro secoráfico do superuniverso, de um arcanjo dos translados e um omniafim, que funciona como representante pessoal da Sentinela Designada estacionada na sede-central do sistema. Mas tais consultores não proferem nenhum aconselhamento, a menos que lhes seja solicitado.
55:4.17 (628.5) 4. O quarto estágio de luz e vida. Nos mundos neste estágio surgem os Filhos Instrutores da Trindade, assumindo novas funções. Assistidos pelos filhos trinitarizados por criaturas, há tanto tempo associados à sua ordem, vêm aos mundos agora como conselheiros e consultores voluntários do Soberano Planetário e seus colaboradores. Esses pares — de filhos trinitarizados do Paraíso-Havona e filhos trinitarizados por seres ascendentes — representam pontos de vista universais diferentes e experiências pessoais diversas altamente úteis aos governantes planetários.
55:4.18 (628.6) A qualquer hora, depois dessa idade, o Adão e a Eva Planetários podem solicitar, ao Filho Soberano Criador, que os libere dos deveres planetários para que possam iniciar sua ascensão ao Paraíso; ou podem mesmo permanecer no planeta como diretores da nova ordem surgida em uma sociedade crescentemente espiritual. Essa ordem nova é composta de mortais avançados que se esforçam para compreender os ensinamentos filosóficos dos finalitores, expostos pelos Brilhantes Estrelas Vespertinas, agora designados para esses mundos com o fito de colaborar, aos pares, com os seconafins vindos da sede-central do superuniverso.
55:4.19 (628.7) Os finalitores estão empenhados, sobretudo, em iniciar as atividades novas e supramateriais da sociedade — atividades sociais, culturais, filosóficas, cósmicas e espirituais. Até onde podemos discernir, eles irão continuar essa ministração, ainda, durante a sétima época de estabilidade evolucionária quando, possivelmente, poderão passar a ministrar no espaço exterior. E disso vem a nossa conjectura de que os seus lugares possam ser ocupados por seres absonitos do Paraíso.
55:4.20 (628.8) 5. O quinto estágio de luz e vida. Os reajustes neste estágio de existência estabelecida envolvem quase inteiramente apenas os domínios físicos; e são do interesse primário dos Mestres Controladores Físicos.
55:4.21 (628.9) 6. O sexto estágio de luz e vida testemunha o desenvolvimento de novas funções nos circuitos da mente no reino. A sabedoria cósmica parece tornar-se constituinte do ministério universal da mente.
55:4.22 (628.10) 7. O sétimo estágio de luz e vida. No alvorecer da sétima época, o Instrutor da Trindade, conselheiro do Soberano Planetário, passa a ser ajudado por um conselheiro voluntário enviado pelos Anciães dos Dias e, mais tarde, a eles somar-se-á um terceiro conselheiro enviado pelo Executivo Supremo do superuniverso.
55:4.23 (629.1) O Adão e a Eva, durante essa época, se não antes, sempre são liberados dos seus deveres planetários. Se houver um Filho Material no corpo de finalitores ele pode associar-se ao dirigente executivo mortal e, algumas vezes, é um Melquisedeque que se faz voluntário para atuar nessa função. Entre os finalitores, se houver ainda alguma criatura intermediária, todos os remanescentes dessa ordem no planeta são liberados imediatamente.
55:4.24 (629.2) Ao obterem a liberação dos seus compromissos, que duraram idades, um Adão e uma Eva Planetários podem escolher as seguintes carreiras:
55:4.25 (629.3) 1. Podem assegurar a sua liberação planetária e partir, da sede-central do universo imediatamente para a carreira ao Paraíso, recebendo Ajustadores do Pensamento, ao completarem sua experiência moroncial.
55:4.26 (629.4) 2. Muito freqüentemente os Adãos e Evas Planetários receberão, enquanto ainda estão servindo em um mundo estabelecido em luz, os seus Ajustadores; e, ao mesmo tempo, estes são recebidos por alguns dos seus filhos importados, de linhagem pura, os quais se apresentaram como voluntários para um período de serviço planetário. Posteriormente, todos eles podem ir à sede-central do universo, para ali começar sua carreira ao Paraíso.
55:4.27 (629.5) 3. Um Adão e Eva Planetários — como o fazem os Filhos e as Filhas Materiais da capital do sistema — podem preferir ir diretamente para o mundo midsonita, durante uma breve permanência e receberem ali os seus Ajustadores.
55:4.28 (629.6) 4. Podem decidir retornar à sede-central do sistema e ali ocupar, por um período, assentos na corte suprema; e então, após este serviço, receber Ajustadores e começarem a ascensão ao Paraíso.
55:4.29 (629.7) 5. Eles podem escolher deixarem os seus deveres administrativos e ir de volta até seu mundo nativo para servirem como instrutores por um período e tornarem-se resididos por Ajustadores na época da sua transferência à sede-central do universo.
55:4.30 (629.8) Em todas essas épocas, os Filhos e Filhas Materiais ajudantes, importados, exercem uma tremenda influência sobre as ordens social e econômica em progresso. Eles são potencialmente imortais, pelo menos até aquela época em que escolhem humanizar-se, receber os Ajustadores e partir para o Paraíso.
55:4.31 (629.9) Nos mundos evolucionários, um ser deve antes se humanizar para receber um Ajustador do Pensamento. Todos os membros ascendentes, do Corpo Mortal de Finalitores, foram resididos por Ajustadores e fusionaram-se com eles, exceto os serafins; estes eram já resididos por um outro tipo de espírito do Pai, na época em que foram admitidos naquele corpo.
55:5.1 (629.10) As criaturas mortais que vivem em um mundo abalado pelo pecado e dominado pelo mal e que ainda é egoísta e isolado, tal como Urântia, dificilmente podem conceber a perfeição física, o alcance intelectual e o desenvolvimento espiritual que caracterizam tais épocas avançadas de evolução em uma esfera desprovida de pecado.
55:5.2 (629.11) Os estágios avançados de um mundo estabelecido em luz e vida representam o ápice do desenvolvimento evolucionário material. Nesses mundos cultivados a preguiça e os atritos das idades iniciais primitivas já pertencem ao passado. A pobreza e a desigualdade social praticamente se extinguiram, a degenerescência já desapareceu e a delinqüência raramente é encontrada. A insanidade deixou praticamente de existir; e a debilidade mental tornou-se uma raridade.
55:5.3 (629.12) Os status econômico, social e administrativo desses mundos é de uma ordem elevada e perfeccionada. A ciência, a arte e a indústria florescem; e a sociedade é um mecanismo que funciona suavemente dentro de uma perspectiva de alta realização material, intelectual e cultural. A indústria já foi amplamente redirecionada para servir às metas mais elevadas de uma civilização tão magnífica. A vida econômica tornou-se ética em um mundo como este.
55:5.4 (630.1) A guerra transformou-se em uma questão histórica e não há mais exércitos armados nem forças policiais. E gradativamente o governo vai desaparecendo. O autocontrole lentamente torna obsoletas as leis da ordem humana. A extensão do governo civil e das regulamentações compulsórias, em um estado intermediário de avanço da civilização, é inversamente proporcional à moralidade e à espiritualidade da cidadania.
55:5.5 (630.2) As escolas foram amplamente aperfeiçoadas, dedicando-se à educação aperfeiçoada da mente e à expansão da alma. Os centros de arte são refinados e as organizações musicais esplêndidas. Os templos de adoração, com as suas escolas anexas, de filosofia e religião experiencial, são criações de beleza e grandeza. As arenas ao ar livre para as reuniões de adoração são igualmente sublimes pela simplicidade do seu compromisso artístico.
55:5.6 (630.3) Os dispositivos para os desportos competitivos, o humor e outras atividades de realização pessoal e grupal são amplos e apropriados. Um aspecto especial das atividades competitivas, em um mundo tão altamente culto, envolve os esforços dos indivíduos e grupos, para a autosuperação nas ciências e filosofias da cosmologia. A literatura e a oratória florescem; e a língua está aperfeiçoada a ponto de poder simbolizar expressivamente os conceitos e ser clara quanto às idéias. A vida é simples de modo repousante; o homem, afinal, coordenou um estado elevado de desenvolvimento mecânico a uma realização intelectual inspiradora envolvendo a ambos, e dominando-os, em uma realização espiritual sutil. A busca da felicidade é uma experiência de júbilo e de satisfação.
55:6.1 (630.4) À medida que os mundos avançam no seu status de estabelecimento em luz e vida a sociedade torna-se mais pacífica. O indivíduo, ainda que mais independente e devotado à sua família, tornou-se mais altruísta e fraternal.
55:6.2 (630.5) Em Urântia, e do modo como sois, nada podeis antever e avaliar do avanço e natureza progressiva das raças esclarecidas nesses mundos perfeccionados. E esses povos são o florescimento das raças evolucionárias. Mas tais seres sendo ainda mortais continuam respirando, comendo, dormindo e bebendo. Essa grande evolução não é o céu; mas é um prognóstico sublime a antever os mundos divinos, na ascensão ao Paraíso.
55:6.3 (630.6) Num mundo normal a boa forma biológica da raça mortal há muito tem sido conduzida a um alto nível durante as épocas pós-Adâmicas; e agora, de idade em idade, a evolução física do homem continua durante as eras estabelecidas. Tanto a visão quanto a audição são amplificadas. Nessa altura, a população tem um número estacionário. A reprodução é regulada de acordo com os quesitos planetários e as dotações hereditárias inatas: os mortais, em um planeta nessa idade, são divididos em cinco ou dez grupos; e, aos grupos inferiores, é autorizado ter apenas a metade do número de filhos permitido aos grupos mais elevados. Os aperfeiçoamentos continuados de uma raça tão magnífica, durante a era de luz e vida, são quase totalmente uma questão de reprodução seletiva daquelas linhagens raciais que apresentam as qualidades superiores de natureza social, filosófica, cósmica e espiritual.
55:6.4 (630.7) Os Ajustadores continuam a vir, como nas eras evolucionárias anteriores e, à medida que as épocas passam, esses mortais ficam cada vez mais aptos para comungar com o fragmento residente do Pai. Durante os estágios embrionários e pré-espirituais de desenvolvimento os espíritos ajudantes da mente ainda estão funcionando. O Espírito Santo e o ministério dos anjos tornam-se mais efetivos ainda, à proporção que as épocas sucessivas de estabelecimento em luz e vida são experimentadas. No quarto estágio de luz e vida os mortais avançados parecem experimentar um contato consciente significativo com a presença espiritual do Espírito Mestre da jurisdição do superuniverso; enquanto a filosofia desse mundo se concentra nos esforços de compreender as novas revelações de Deus, o Supremo. Mais da metade dos habitantes humanos, nos planetas nesse status avançado, experiencia o translado de entre os vivos, diretamente, para o estado moroncial. E, assim, “as coisas velhas estão passando; e, observai, todas as coisas estão ficando novas”.
55:6.5 (631.1) Concebemos que a evolução física terá alcançado o seu desenvolvimento pleno por volta do final da quinta época da era de luz e vida. Observamos que os limites superiores do desenvolvimento espiritual, ligados que estão à evolução da mente humana, são determinados, ao máximo, pelo nível de fusionamento ao Ajustador, na caminhada para a conquista de valores moronciais conjugados aos significados cósmicos. Mas, no que diz respeito à sabedoria, ainda que não saibamos realmente, conjecturamos que não poderá haver, nunca, um limite à evolução intelectual e aquisição de sabedoria. Num mundo, no sétimo estágio, a sabedoria pode exaurir seus potenciais materiais, chegar ao discernimento da mota e, finalmente, provar mesmo o gosto da grandeza do absonito.
55:6.6 (631.2) Observamos que, nesses mundos já altamente evoluídos e há muito tempo já no sétimo estágio, os seres humanos aprendem completamente a língua do universo local, antes de serem transladados. E eu visitei alguns planetas, bastante antigos, onde os abandonteiros estavam ensinando aos mortais mais velhos a língua do superuniverso. E nesses mundos tenho observado a técnica por meio da qual as personalidades absonitas revelam a presença dos finalitores nos templos moronciais.
55:6.7 (631.3) Essa é a história da meta magnífica dos esforços mortais nos mundos evolucionários; e tudo isso acontece antes mesmo de os seres humanos iniciarem suas carreiras moronciais. Todo esse desenvolvimento esplêndido é alcançável pelos mortais materiais, nos mundos habitados, ainda nesse primeiro estágio da carreira, infindável e incompreensível, de ascensão ao Paraíso e alcance da divindade.
55:6.8 (631.4) Todavia, será que podeis talvez imaginar a espécie de mortais evolucionários que está surgindo então nos mundos que há muito tempo têm a sua existência na sétima época do estabelecimento em luz e vida? Eles são como os que vão da capital do universo local para os mundos moronciais, a fim de começarem suas carreiras de ascensão.
55:6.9 (631.5) Se os mortais dessa desequilibrada Urântia pudessem apenas visualizar um desses mundos mais avançados há muito estabelecidos em luz e vida nunca mais iriam eles questionar a sabedoria do esquema evolucionário da criação. Não houvesse nenhum futuro de progresso eterno para a criatura, ainda assim as realizações evolucionárias magníficas das raças mortais, nesses mundos estabelecidos de realizações perfeccionadas, justificariam amplamente a criação do homem nos mundos do tempo e do espaço.
55:6.10 (631.6) E ponderamos freqüentemente que se o grande universo estivesse estabelecido em luz e vida, ainda assim, estariam os encantadores mortais ascendentes sendo destinados ao Corpo de Finalidade? Todavia, não sabemos.
55:7.1 (631.7) Essa época abrange desde o surgimento do templo moroncial, na nova sede planetária, até o tempo do estabelecimento de todo o sistema, em luz e vida. Essa idade é inaugurada pelos Filhos Instrutores da Trindade no encerramento das suas missões sucessivas no mundo, quando o Príncipe Planetário é elevado ao status de Soberano Planetário, pelo mandado e a presença pessoal do Filho de auto-outorga, do Paraíso, naquela esfera. Os finalitores concomitantemente inauguram suas participações ativas nos assuntos planetários.
55:7.2 (632.1) Para fins de aparências exteriores e visíveis os governantes de fato, ou diretores, desse mundo estabelecido em luz e vida, são o Filho e a Filha Materiais, o Adão e Eva Planetários. Os finalitores são invisíveis, como também o é o Príncipe Soberano, exceto quando está no templo moroncial. Os chefes verdadeiros e literais do regime planetário são, portanto, o Filho e a Filha Materiais. Foi o conhecimento dessas disposições que deu prestígio à idéia de haver reis e rainhas nos domínios do universo. E os reis e rainhas têm um grande êxito sob circunstâncias ideais, quando um mundo pode dispor de altas personalidades para atuar em nome de governantes ainda mais elevados mas invisíveis.
55:7.3 (632.2) Quando tal era for atingida pelo vosso mundo, não há dúvida de que Maquiventa Melquisedeque, agora Príncipe Planetário, vice-regente de Urântia, irá ocupar o assento do Soberano Planetário; e há muito tem sido conjecturado em Jerusém que estará ele acompanhado por um filho e uma filha do Adão e Eva, de Urântia, que agora estão sendo mantidos em Edêntia como pupilos dos Altíssimos de Norlatiadeque. Esses filhos de Adão poderiam servir, desse modo, em Urântia em associação com o Soberano Melquisedeque, pois eles foram privados dos seus poderes de procriação há quase 37 000 anos, época em que abandonaram os seus corpos materiais em Urântia, ao prepararem-se para o trânsito até Edêntia.
55:7.4 (632.3) Essa idade estabelecida continua indefinidamente até que todos os planetas habitados do sistema atinjam a mesma era de estabilização; e, então, quando o mundo mais jovem — o último a alcançar luz e vida — houver experienciado tal estabilização, por um milênio no tempo do sistema, todo o sistema passará ao status de estabilizado; e os mundos individuais serão conduzidos à época de luz e vida do sistema.
55:8.1 (632.4) Quando um sistema inteiro torna-se estabelecido em luz e vida, uma nova ordem de governo é inaugurada. Os Soberanos Planetários tornam-se membros do conclave do sistema; e esse novo corpo administrativo, sujeito apenas ao veto dos Pais da Constelação, passa a ser supremo em autoridade. Tal sistema de mundos habitados torna-se virtualmente autogovernado. A assembléia legislativa do sistema passa a ser constituída no mundo sede-central, e cada planeta envia lá os seus dez representantes. Os tribunais estão agora estabelecidos nas capitais dos sistemas e somente as apelações são levadas à sede-central do universo.
55:8.2 (632.5) Com o estabelecimento do sistema a Sentinela Designada, representante do Executivo Supremo do superuniverso torna-se o consultor voluntário da corte suprema do sistema; sendo ela quem, de fato, preside à nova assembléia legislativa.
55:8.3 (632.6) Após o estabelecimento de um sistema inteiro em luz e vida os Soberanos dos Sistemas não mais irão e virão. O soberano permanece perpetuamente à frente do seu sistema. Os soberanos assistentes continuam sendo mudados como nas idades anteriores.
55:8.4 (632.7) Durante essa época de estabilização, pela primeira vez, os midsonitas vêm dos mundos sedes-centrais do seu universo para atuar como conselheiros nas assembléias legislativas e consultores dos tribunais judiciários. Tais midsonitas também fazem certos esforços para inculcar significados novos e de valor supremo da mota, na forma do ensino que eles implementam juntamente com os finalitores. O que os Filhos Materiais fizeram biologicamente pelas raças mortais, as criaturas midsonitas então fazem por esses humanos unificados e glorificados, nos domínios sempre em avanço da filosofia e do pensamento espiritualizado.
55:8.5 (633.1) Nos mundos habitados, os Filhos Instrutores tornam-se os colaboradores voluntários dos finalitores e estes mesmos Filhos Instrutores acompanham também os finalitores aos mundos das mansões, quando essas esferas não mais forem utilizadas como mundos diferenciais de acolhimento, depois que um sistema inteiro é estabelecido em luz e vida; e isso é verdade pelo menos na época em que toda a constelação, assim, estiver evoluída. Mas não há grupos tão avançados em Nébadon.
55:8.6 (633.2) Não nos é permitido revelar a natureza do trabalho dos finalitores que supervisionarão tais mundos das mansões assim reconsagrados. Vós tendes sido informados, todavia, de que nos universos há vários tipos de criaturas inteligentes que não foram descritas nestas narrativas.
55:8.7 (633.3) E, agora, na medida que os sistemas tornam-se estabelecidos em luz, um a um, em virtude do progresso dos mundos que os compõem, chega o momento de o último sistema de uma determinada constelação atingir a estabilização; e os administradores do universo — o Filho Mestre, o União dos Dias e o Brilhante Estrela Matutino — aproximam-se da capital da constelação para proclamar os Altíssimos como os governantes irrestritos da recém-perfeccionada família de uma centena de sistemas estabelecidos de mundos habitados.
55:9.1 (633.4) A unificação de uma constelação inteira de sistemas estabelecidos é acompanhada por novas distribuições da autoridade executiva e reajustes adicionais na administração do universo. Essa época testemunha o alcance de estados avançados, em cada mundo habitado, mas é caracterizada, em particular, pelos reajustes feitos na sede da constelação com modificações acentuadas nos relacionamentos, tanto com a supervisão do sistema, quanto com o governo do universo local. Durante essa idade, muitas das atividades nas constelações e no universo são transferidas para as capitais dos sistemas; e os representantes do superuniverso assumem relações novas e mais estreitas com os governantes do planeta, sistema e universo. Concomitantemente com essas novas associações, alguns dos administradores do superuniverso estabelecem-se nas capitais das constelações como consultores voluntários dos Pais Altíssimos.
55:9.2 (633.5) Quando uma constelação é, desse modo, estabelecida em luz, as funções legislativas acabam e a casa dos Soberanos dos Sistemas, presidida pelos Altíssimos, funciona no seu lugar. Agora pela primeira vez esses grupos administrativos lidam diretamente com o governo do superuniverso nas questões pertinentes às relações com Havona e o Paraíso. Fora disso, a constelação permanece relacionada ao universo local, tal como antes. De estágio em estágio, na vida estabelecida, os univitátias continuam administrando os mundos moronciais da constelação.
55:9.3 (633.6) Na medida que passam as idades, os Pais da Constelação assumem cada vez mais as funções administrativas detalhadas ou de supervisão, que anteriormente eram centradas nas sedes do universo. Ao alcançarem o sexto estágio de estabilização essas constelações unificadas terão alcançado uma posição de autonomia quase completa. A entrada no sétimo estágio de estabelecimento sem dúvida testemunhará a elevação dos seus governantes à verdadeira dignidade que os seus nomes lhes conferem: a de Altíssimos. Para todos os fins e propósitos, as constelações lidarão, então, diretamente com os governantes do superuniverso, enquanto o governo do universo local expandir-se-á abrangendo as responsabilidades das obrigações do novo grande universo.
55:10.1 (634.1) Quando se torna estabelecido em luz e vida um universo insere-se logo nos circuitos estabelecidos do superuniverso; e os Anciães dos Dias proclamam o estabelecimento do conselho supremo de autoridade ilimitada. Esse novo corpo de governo consiste nos cem Fiéis dos Dias, presididos pelo União dos Dias. E o primeiro ato desse conselho supremo é reconhecer a soberania continuada do Filho Mestre Criador.
55:10.2 (634.2) A administração do universo, no que concerne a Gabriel e o Pai Melquisedeque, permanece sem alterações. Esse conselho de autoridade ilimitada sobretudo está empenhado nas questões novas e nas novas condições que advêm do status avançado de luz e vida.
55:10.3 (634.3) O Inspetor Associado mobiliza agora todas as Sentinelas Designadas para que constituam o corpo de estabilização do universo local e pede ao Pai Melquisedeque para compartilhar, com ele, da supervisão do universo. E, agora, pela primeira vez, um corpo de Espíritos Inspirados da Trindade é designado para o serviço do Uniâo dos Dias.
55:10.4 (634.4) O estabelecimento de um universo local inteiro, em luz e vida, inaugura reajustes profundos em todo o esquema de administração; desde os mundos habitados individuais até a sede-central do universo. Novas relações estendem-se até as constelações e sistemas. O Espírito Materno do universo local experiencia novas relações de ligação com o Espírito Mestre do superuniverso. E Gabriel estabelece um contato direto com os Anciães dos Dias, que se tornará efetivo sempre que o Filho Mestre estiver ausente do mundo sede-central.
55:10.5 (634.5) Durante essa idade, e nas subseqüentes, os Filhos Magisteriais continuam a funcionar como juízes dispensacionais, enquanto uma centena desses Filhos Avonais do Paraíso constitui o novo alto conselho do Brilhante Estrela Matutino, na capital do universo. Mais tarde, e conforme solicitado pelos soberanos dos Sistemas, um desses Filhos Magisteriais tornar-se-á o consultor supremo permanente no mundo sede-central de cada sistema local, até que seja alcançado o sétimo estágio de unidade.
55:10.6 (634.6) Durante essa época, os Filhos Instrutores da Trindade são consultores voluntários, não apenas para os Soberanos Planetários mas servem em grupos de três, de modo semelhante aos Pais da Constelação. E finalmente esses Filhos encontram o seu lugar no universo local; pois nessa época eles são remanejados da jurisdição da criação local e são designados para servir ao conselho supremo, de autoridade ilimitada.
55:10.7 (634.7) O corpo de finalitores pela primeira vez, agora, toma conhecimento da jurisdição de uma autoridade extra-Paraíso, o conselho supremo. Até então os finalitores não haviam reconhecido nenhuma supervisão, deste lado de cá, do Paraíso.
55:10.8 (634.8) Os Filhos Criadores desses universos estabelecidos passam grande parte do seu tempo no Paraíso e mundos interligados, bem como em aconselhamentos com os inúmeros grupos de finalitores servindo em toda a criação local. Nesse sentido é que Michael, como homem, encontrará uma fraternidade mais plena na sua associação com os mortais finalitores glorificados.
55:10.9 (634.9) Especulaçôes a respeito da função desses Filhos Criadores, no que diz respeito aos universos exteriores, agora em processo preliminar de construção, são totalmente inúteis. No entanto, todos nós colocamos tais hipóteses em pauta de tempos em tempos. Ao atingir esse quarto estágio de desenvolvimento o Filho Criador torna-se administrativamente livre; a Ministra Divina, progressivamente, combina a sua ministração à do Espírito Mestre, do superuniverso, e à do Espírito Infinito. Parece que está em evolução um relacionamento novo e sublime entre o Filho Criador, o Espírito Criativo Materno, os Estrelas Vespertinos, os Filhos Instrutores e o corpo, sempre em crescimento, dos finalitores.
55:10.10 (635.1) Se Michael tivesse de abandonar Nébadon, Gabriel tornar-se-ia, sem a menor dúvida, o administrador dirigente, tendo o Pai Melquisedeque como aliado seu. Ao mesmo tempo, um novo status seria conferido a todas as ordens de cidadadanias permanentes, tais como os Filhos Materiais, univitátias, midsonitas, susátias e mortais de fusionamento com o Espírito. Mas enquanto a evolução continuar serafins e arcanjos serão requisitados para a administração do universo.
55:10.11 (635.2) Todavia, dois aspectos das nossas especulações nos deixam satisfeitos: se os Filhos Criadores estão destinados aos universos exteriores, as Ministras Divinas indubitavelmente irão acompanhá-los. E estamos igualmente certos de que os Melquisedeques permanecerão nos universos da sua origem. Sustentamos que os Melquisedeques estejam destinados a exercer papéis de responsabilidades cada vez maiores no governo e administração do universo local.
55:11.1 (635.3) Os setores menor e maior do superuniverso, diretamente, não figuram no plano do estabelecimento em luz e vida. Essa progressão evolucionária acontece, primariamente, no universo local, como uma unidade; e diz respeito apenas aos componentes de um universo local. Um superuniverso torna-se estabelecido em luz e vida quando todos os seus universos locais componentes estiverem, assim, perfeccionados. Mas nenhum dos sete superuniversos atingiu ainda um nível de progresso que, ao menos, se aproxime disso.
55:11.2 (635.4) A idade do setor menor. Até onde as observações podem penetrar, o quinto estágio, ou o estágio de estabilização do setor menor, tem a ver exclusivamente com o status físico e com o estabelecimento coordenado da centena de universos locais, associados aos circuitos estabelecidos do superuniverso. Ninguém, aparentemente, exceto os centros de potência e os seus colaboradores, está empenhado nesses realinhamentos da criação material.
55:11.3 (635.5) A idade do setor maior. A respeito do sexto estágio, ou de estabilização do setor maior, o que podemos fazer são conjecturas, apenas; pois nenhum de nós haveria já testemunhado um acontecimento como esse. Todavia, podemos postular o bastante a respeito dos reajustes administrativos, e outros, que iriam provavelmente acompanhar esse status avançado dos mundos habitados e seus agrupamentos no universo.
55:11.4 (635.6) Como o status do setor menor tem a ver com o equilíbrio físico coordenado, inferimos que a unificação do setor maior esteja ligada a alguns níveis intelectuais novos, de alcance de realização, possivelmente alcances avançados na realização suprema da sabedoria cósmica.
55:11.5 (635.7) Chegamos a conclusões, a respeito dos reajustes, os quais provavelmente acompanhariam a realização de níveis até então não atingidos de progresso evolucionário, ao observar os resultados de concretizações evolutivas tais nos mundos individuais e nas experiências dos mortais individuais que vivem nessas esferas mais antigas e altamente desenvolvidas.
55:11.6 (635.8) Que seja deixado claro que os mecanismos administrativos e as técnicas governamentais de um universo, ou de um superuniverso, não podem de modo algum limitar ou retardar o desenvolvimento evolucionário ou o progresso espiritual de um planeta individual habitado ou de qualquer indivíduo mortal em uma determinada esfera.
55:11.7 (635.9) Em alguns universos mais antigos encontramos mundos estabelecidos no quinto e no sexto estágios de luz e vida — e até mesmo mais avançados, na sétima época — cujos sistemas locais ainda não estão estabelecidos em luz. Os planetas mais recentes podem retardar a unificação do sistema, mas isso não traz o mínimo obstáculo ao progresso de um mundo mais antigo e avançado. Nem as limitações ambientais, mesmo em um mundo isolado, podem dificultar o êxito pessoal que o indivíduo mortal possa alcançar. Jesus de Nazaré, como homem entre os homens, pessoalmente alcançou o status de luz e vida há mais de dezenove séculos, no passado, em Urântia.
55:11.8 (636.1) É observando os acontecimentos nos mundos há muito estabelecidos que chegamos a conclusões suficientemente confiáveis quanto ao que irá ocorrer quando todo um superuniverso estabelecer-se em luz, conquanto não possamos postular com segurança o advento da estabilização dos sete superuniversos.
55:12.1 (636.2) Não podemos prognosticar, de um modo seguro, o que ocorreria quando um superuniverso se tornar estabelecido em luz, pois um tal evento nunca se tornou um fato. Dos ensinamentos dos Melquisedeques, os quais nunca foram contestados, inferimos que mudanças radicais aconteceriam em toda a organização e administração de cada unidade das criações do tempo e do espaço, abrangendo, desde os mundos habitados, até a sede-central do superuniverso.
55:12.2 (636.3) Acredita-se, geralmente, que um grande número de filhos trinitarizados por criaturas, ainda não compromissados com designações outras, estejam para ser reunidos nas sedes-centrais e capitais divisionais dos superuniversos estabelecidos. Isso pode acontecer em antecipação à chegada, em alguma época, de seres do espaço exterior no seu trajeto até Havona e o Paraíso; mas realmente não sabemos.
55:12.3 (636.4) Se, e quando, um superuniverso se estabelecer em luz e vida, acreditamos que os Supervisores Inqualificáveis, atualmente consultores do Supremo, formariam um alto corpo administrativo nos mundos sede-centrais de tal superuniverso. Estas são as personalidades capacitadas para contatar diretamente os administradores absonitos, os quais, daí para frente, tornar-se-ão ativos no superuniverso estabelecido. Embora esses Supervisores Inqualificáveis hajam há muito funcionado como conselheiros e consultores nas unidades avançadas da criação que evolui, eles não assumirão responsabilidades administrativas antes que a autoridade do Ser Supremo se faça soberana.
55:12.4 (636.5) Os Supervisores Inqualificáveis do Supremo que funcionam de modo mais abrangente, durante essa época, não são finitos nem absonitos, últimos ou infinitos; são a supremacia e representam apenas Deus, o Supremo. São a personalização da supremacia no espaço-tempo e, portanto, não funcionam em Havona. Funcionam apenas como unificadores supremos. Podem estar envolvidos, talvez, com a técnica da refletividade do universo, mas não estamos seguros a esse respeito.
55:12.5 (636.6) Nenhum de nós formou uma idéia satisfatória sobre o que irá acontecer quando o grande universo (os sete superuniversos, enquanto dependentes de Havona) tornar-se inteiramente estabelecido em luz e vida. Esse, sem dúvida, será o acontecimento mais profundo nos anais da eternidade, desde o surgimento do universo central. Há aqueles que sustentam que o Ser Supremo, ele próprio, emergirá do mistério de Havona, que envolve a sua pessoa espiritual; e que irá tornar-se, ele próprio, um residente da sede-central do sétimo superuniverso, como o soberano Todo-Poderoso e experiencial das criações perfeccionadas, do tempo e do espaço. Mas, na verdade, não sabemos.
55:12.6 (636.7) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso, temporariamente designado para o Conselho dos Arcanjos, em Urântia.]
O Livro de Urântia
Documento 56
56:0.1 (637.1) DEUS é unidade. A Deidade é universalmente coordenada. O universo dos universos é um imenso mecanismo integrado; e absolutamente controlado por uma mente infinita. Os domínios físico, intelectual e espiritual da criação universal são divinamente correlacionados. O perfeito e o imperfeito estão verdadeiramente inter-relacionados; e é por isso que a criatura evolucionária finita pode ascender ao Paraíso em obediência ao mandado do Pai Universal: “Sede vós perfeitos, assim como Eu sou perfeito”.
56:0.2 (637.2) Todos os diversos níveis da criação estão unificados nos planos e na administração dos Arquitetos do Universo-Mestre. Para as mentes circunscritas dos mortais do tempo e do espaço o universo pode apresentar muitos problemas e situações que, aparentemente, retratem desarmonia e indiquem falta de coordenação efetiva; todavia, dentre nós, aqueles que são capazes de observar as tramas mais amplas dos fenômenos universais e que são mais experientes, nessa arte de detectar a unidade básica subjacente à diversidade criativa, bem como na arte de descobrir a unicidade divina que se dissemina em todo esse funcionamento de pluralidade, percebem melhor o propósito divino e único evidenciado em todas essas manifestações múltiplas da energia universal criadora.
56:1.1 (637.3) A criação física ou material não é infinita, mas é perfeitamente coordenada. Há a força, a energia e o poder-e-potência, mas são todos unos em origem. Os sete superuniversos aparentemente são duais; o universo central é trino; mas o Paraíso é uno na sua constituição. E o Paraíso é a fonte factual de todos os universos materiais — passados, presentes e futuros. Essa derivação cósmica, contudo, é um evento de eternidade; em nenhum momento — passado, presente ou futuro — nem o espaço, nem o cosmo material saíram da nuclear Ilha de Luz. Como fonte cósmica, o Paraíso funciona precedentemente ao espaço e antes do tempo; as suas derivações, pois, poderiam parecer órfãs no tempo e no espaço, se não houvessem emergido através do Absoluto Inqualificável, seu depositário último no espaço e seu revelador e regulador no tempo.
56:1.2 (637.4) O Absoluto Inqualificável sustenta o universo físico, enquanto o Absoluto da Deidade proporciona um raro supercontrole de toda a realidade material; e ambos os Absolutos funcionalmente estão unificados pelo Absoluto Universal. Essa correlação coesiva do universo material é mais bem entendida por todas as personalidades — materiais, moronciais, absonitas ou espirituais — pela observação da resposta de toda a realidade material autêntica à gravidade centrada no Paraíso inferior.
56:1.3 (638.1) A unificação gravitacional é universal e invariável; a resposta da energia pura do mesmo modo é universal e inescapável. A energia pura (a força primordial) e o puro espírito pré-respondem totalmente à gravidade. Essas forças primordiais inerentes aos Absolutos são pessoalmente controladas pelo Pai Universal; daí o porquê de toda a gravidade centralizar-se na presença pessoal, de pura energia e puro espírito, do Pai do Paraíso e na sua morada supramaterial.
56:1.4 (638.2) A energia pura é o ancestral de toda a realidade relativa funcional não-espiritual, enquanto o espírito puro é o potencial de supercontrole divino e diretivo de todos os sistemas básicos de energia. E tais realidades, tão diversas quando manifestadas pelo espaço e quando observadas nos movimentos do tempo, estão ambas centradas na pessoa do Pai do Paraíso. E são unas Nele — devem estar unificadas — porque Deus é uno. A personalidade do Pai é absolutamente unificada.
56:1.5 (638.3) Na natureza infinita de Deus, o Pai, não poderia, de nenhuma forma, existir uma dualidade de realidade, física e espiritual; mas, no instante em que desviamos nosso olhar dos níveis infinitos e da realidade absoluta dos valores pessoais do Pai do Paraíso, observamos a existência dessas duas realidades e reconhecemos que as mesmas respondem absolutamente à Sua presença pessoal; Nele todas as coisas consistem.
56:1.6 (638.4) No momento em que deixardes para trás o conceito inqualificável da personalidade infinita do Pai do Paraíso, devereis postular a MENTE como a técnica inevitável de unificação das divergências, cada vez mais amplificadas, entre essas manifestações duais da personalidade monotéica original do Criador, a Primeira Fonte e Centro — o EU SOU.
56:2.1 (638.5) O Pai-Pensamento realiza a expressão espiritual no Filho-Verbo e, por meio do Paraíso, alcança a expansão da realidade nos enormes universos materiais. As expressões espirituais do Filho Eterno estão correlacionadas aos níveis materiais da criação, pelas funções do Espírito Infinito: por meio de cuja ministração espírito-responsiva de mente e por meio de cujos atos físico-diretivos de mente as realidades espirituais da Deidade e as repercussões materiais da Deidade permanecem correlacionadas umas às outras.
56:2.2 (638.6) A mente é o dom funcional do Espírito Infinito e é, portanto, infinita em potencial e universal em outorga. O pensamento primordial do Pai Universal eterniza-se em uma expressão dual: a Ilha do Paraíso e a sua Deidade igual, o Filho Eterno espiritual. Tal dualidade da realidade eterna torna o Deus da mente, o Espírito Infinito, inevitável. A mente é o canal indispensável de comunicação entre as realidades espirituais e materiais. A criatura material evolucionária só pode conceber e compreender o espírito que reside nela por meio da ministração da mente.
56:2.3 (638.7) Essa mente infinita e universal é ministrada, nos universos do tempo e do espaço, como mente cósmica; e, embora se estenda, desde a ministração primitiva dos espíritos ajudantes até a mente magnífica do dirigente executivo de um universo, essa mente cósmica, ainda assim, fica adequadamente unificada na supervisão dos Sete Espíritos Mestres que, por sua vez, estão coordenados à Mente Suprema do tempo e do espaço e perfeitamente correlacionados à mente do Espírito Infinito, a qual abrange tudo.
56:3.1 (639.1) A gravidade da mente universal é centrada na presença pessoal do Espírito Infinito, no Paraíso; a gravidade espiritual universal, do mesmo modo, centra-se na presença pessoal do Filho Eterno, no Paraíso. O Pai Universal é um, mas, para o tempo-espaço, Ele é revelado no fenômeno dual, da energia pura e do puro espírito.
56:3.2 (639.2) As realidades do espírito, no Paraíso, do mesmo modo são unas, entretanto, em todas as situações e relações tempo-espaciais, este espírito único é revelado nos fenômenos duais, das personalidades e emanações espirituais do Filho Eterno e personalidades e influências espirituais do Espírito Infinito e Suas criações conjuntas; e há ainda um terceiro fenômeno — as fragmentações do puro espírito — dádivas, feitas pelo Pai, dos Ajustadores do Pensamento e de outras entidades espirituais, que são pré-pessoais.
56:3.3 (639.3) Não importando o nível das atividades no universo em que seja possível encontrar fenômenos espirituais ou contatar seres espirituais, podeis saber que todos eles são derivados de Deus, que é espírito, por meio do ministério do Filho Espírito e do Espírito-Mente Infinito. E tal espírito, vasto e abrangente, funciona como um fenômeno nos mundos evolucionários do tempo, sendo dirigido das sedes-centrais dos universos locais. Dessas capitais, dos Filhos Criadores, provêm o Espírito Santo e o Espírito da Verdade, juntamente com a ministração dos espíritos ajudantes da mente, para os níveis mais baixos e evolutivos das mentes materiais.
56:3.4 (639.4) Conquanto a mente seja mais unificada no nível dos Espíritos Mestres na sua associação com o Ser Supremo, e conquanto a mente cósmica esteja em subordinação à Mente Absoluta, a ministração do espírito para os mundos em evolução é mais diretamente unificada nas personalidades residentes, nas sedes-centrais dos universos locais, e nas pessoas das Ministras Divinas, que os presidem e que são por sua vez perfeitamente bem correlacionadas com o circuito de gravidade do Filho Eterno no Paraíso, dentro do qual ocorre a unificação final de todas as manifestações espirituais no tempo-espaço.
56:3.5 (639.5) A existência perfeccionada da criatura pode ser alcançada, sustentada e eternizada, pela fusão da mente autoconsciente com um fragmento do dom do espírito pré-Trinitário de uma das pessoas da Trindade do Paraíso. A mente mortal é uma criação dos Filhos e Filhas do Filho Eterno e do Espírito Infinito e, quando ela se funde ao Ajustador do Pensamento, vindo do Pai, passa a compartilhar o dom espiritual triplo dos reinos evolucionários. Mas essas três expressões espirituais tornam-se perfeitamente unificadas nos finalitores, da mesma forma que estavam, na eternidade, unificadas no Universal EU SOU, antes mesmo que Ele se tornasse o Pai Universal do Filho Eterno e do Espírito Infinito.
56:3.6 (639.6) O espírito deve tornar-se, sempre e em última análise, tríplice em expressão; e, em realização final, unificado na Trindade. O espírito origina-se de uma fonte, mas por meio de uma expressão tríplice; e, em finalidade, deve alcançar a sua inteira realização, e de fato a alcança, naquela unificação divina que é experienciada quando encontra Deus — em unicidade com a divindade — na eternidade, e por meio do ministério da mente cósmica o qual tem infinita expressão na palavra eterna do pensamento universal do Pai.
56:4.1 (639.7) O Pai Universal é uma personalidade divinamente unificada; e por isso todos os seus filhos ascendentes, que são levados até o Paraíso pelo impulso de retorno dos Ajustadores do Pensamento, os quais saem do Paraíso para residir nos mortais materiais em obediência ao mando do Pai, da mesma forma serão personalidades plenamente unificadas antes de chegarem a Havona.
56:4.2 (640.1) A personalidade esforça-se inerentemente para unificar todas as realidades que a constituem. A personalidade infinita, da Primeira Fonte e Centro, o Pai Universal, unifica os sete constituintes Absolutos da Infinitude; e a personalidade do homem mortal sendo uma outorga direta e exclusiva do Pai Universal da mesma forma possui o potencial para a unificação dos fatores constituintes da criatura mortal. Tal criatividade de unificação da personalidade de toda criatura é uma marca de nascença da sua alta e exclusiva fonte, além de ser uma evidência do seu contato ininterrupto com essa mesma fonte, por meio do circuito da personalidade. E é por meio desse circuito que a personalidade da criatura mantém um contato direto e sustentador com o Pai, no Paraíso, de todas as personalidades.
56:4.3 (640.2) Não obstante Deus estar manifestado desde os domínios do Sétuplo, em supremacia e em ultimidade, até Deus, o Absoluto, o circuito da personalidade centrado no Paraíso e na pessoa de Deus, o Pai, proporciona a completa e perfeita unificação de todas essas diversas expressões da personalidade divina em tudo o que concerne a todas as personalidades das criaturas, em todos os níveis da existência inteligente e em todos os reinos dos universos perfeitos, dos que se tornaram perfeitos e daqueles em perfeccionamento.
56:4.4 (640.3) Conquanto Deus seja, nos universos e para os universos, tudo aquilo que descrevemos, no entanto, para vós e para todas as outras criaturas sabedoras de Deus, Ele é um: o vosso Pai e Pai delas. Para a personalidade, Deus não pode ser plural. Deus é Pai para cada uma das suas criaturas e é realmente impossível, para qualquer filho, ter mais do que um Pai.
56:4.5 (640.4) Seja filosófica, seja cosmicamente ou seja com relação aos níveis e locações diferenciais de manifestação, vós podeis, e por força deveis, conceber a função de Deidades plurais e postular a existência de trindades plurais; entretanto, na experiência da adoração, no contato pessoal adorador de toda personalidade, em todo o universo-mestre, Deus é Um; e essa Deidade unificada e pessoal é o nosso progenitor do Paraíso, Deus, o Pai, o outorgador, conservador e Pai de todas as personalidades, desde o homem mortal, nos mundos habitados, até o Filho Eterno na Ilha Central de Luz.
56:5.1 (640.5) A unidade, a indivisibilidade da Deidade do Paraíso é existencial e absoluta. Há três personalizações eternas da Deidade — o Pai Universal, o Filho Eterno e o Espírito Infinito — , contudo, na Trindade do Paraíso, elas são de fato uma Deidade, indivisa e indivisível.
56:5.2 (640.6) Do nível Havona-Paraíso original, de realidade existencial, dois níveis subabsolutos diferenciaram-se; e, a partir daí o Pai, o Filho e o Espírito empenharam-se na criação de inúmeros seres congêneres aliados e subordinados pessoais. E ainda que inapropriado, nesse contexto, seja levar em consideração a unificação absonita da deidade, em níveis transcendentais de ultimidade, é factível considerar alguns aspectos da função unificadora das várias personalizações da Deidade, nas quais a divindade é funcionalmente manifesta para os diversos setores da criação e diferentes ordens de seres inteligentes.
56:5.3 (640.7) O funcionamento presente da divindade, nos superuniversos, é ativamente manifesto nas operações dos Criadores Supremos — dos Filhos e dos Espíritos Criadores do universo local, dos Anciães dos Dias do superuniverso e dos Sete Espíritos Mestres do Paraíso. Tais seres constituem os três primeiros níveis de Deus, o Sétuplo, os que conduzem internamente ao Pai Universal; e todo esse domínio de Deus, o Sétuplo, está coordenando-se no primeiro nível da deidade experiencial, o Ser Supremo em evolução.
56:5.4 (641.1) No Paraíso e no universo central, a unidade da Deidade é uma existência de fato. Nos universos em evolução, do tempo e do espaço, a unidade da Deidade é uma realização em processamento.
56:6.1 (641.2) Quando as três pessoas eternas da Deidade funcionam como uma Deidade indivisa, na Trindade do Paraíso, elas alcançam a unidade perfeita; e, do mesmo modo, quando elas criam, associada ou separadamente uma progênie do Paraíso, esta apresenta a unidade característica da divindade. E tal divindade de propósito, manifestada pelos Criadores e Governantes Supremos, nos domínios do tempo-espaço, factualiza-se no evento potencial do poder unificador da soberania de supremacia experiencial, que, na presença unitária da energia impessoal do universo, constitui uma tensão de realidade que apenas pode ser resolvida por meio da unificação adequada com as realidades experienciais da personalidade da Deidade experiencial.
56:6.2 (641.3) As realidades da personalidade do Ser Supremo surgem das Deidades do Paraíso e, no mundo-piloto do circuito exterior de Havona, elas unificam-se com as prerrogativas de poder do Supremo Todo-Poderoso, que advêm das divindades Criadoras do grande universo. Deus, o Supremo, enquanto pessoa, existia em Havona antes da criação dos sete superuniversos, mas funcionava apenas em níveis espirituais. A evolução do poder da Supremacia do Todo-Poderoso, por meio de diversas sínteses de divindade, nos universos em evolução, factualizou-se em uma nova presença de poder da Deidade, que se coordenou com a pessoa espiritual do Supremo em Havona, por intermédio da Mente Suprema, a qual concomitantemente se transladou do potencial residente na mente infinita do Espírito Infinito para a mente ativa funcional do Ser Supremo.
56:6.3 (641.4) As criaturas de mente-material dos mundos evolucionários dos sete superuniversos só podem compreender a unidade da Deidade se ela estiver evoluindo até a síntese, em poder-personalidade, do Ser Supremo. Em qualquer nível de existência, Deus não pode exceder a capacidade conceitual dos seres que vivem em tal nível. O homem mortal, pelo reconhecimento da verdade, apreciação da beleza e adoração da bondade, deve evoluir até o reconhecimento de um Deus de amor e então progredir, por intermédio dos níveis ascendentes de deidade, até a compreensão do Supremo. A Deidade, havendo sido compreendida desse modo, enquanto unificada em poder, pode então ser personalizada em espírito, para a compreensão e a realização da criatura.
56:6.4 (641.5) Ainda que os mortais ascendentes alcancem a compreensão do poder do Todo-Poderoso, nas capitais dos superuniversos, e a compreensão da personalidade do Supremo, nos circuitos exteriores de Havona, na verdade não encontrarão o Ser Supremo como estão destinados a encontrar as Deidades do Paraíso. Mesmo os finalitores, espíritos da sexta etapa, não encontraram o Ser Supremo nem provavelmente conseguirão fazê-lo , antes de atingir o status de espíritos da sétima etapa, e até que o Supremo se tenha tornado factualmente funcional nas atividades dos futuros universos exteriores.
56:6.5 (641.6) Mas quando os seres ascendentes encontrarem o Pai Universal, no sétimo nível de Deus, o Sétuplo, eles terão logrado alcançar a personalidade da Primeira Pessoa, em todos os níveis da deidade nas relações pessoais com as criaturas do universo.
56:7.1 (642.1) O avanço firme da evolução, nos universos do tempo-espaço, é acompanhado de revelações sempre crescentes da Deidade, para todas as criaturas inteligentes. O alcançar de um avanço evolucionário elevado em um mundo, sistema, constelação, universo, superuniverso ou no grande universo, assinala ampliações correspondentes da função da deidade nessas e para essas unidades progressivas da criação. E tal enaltecimento local das realizações da divindade é todo acompanhado por certas repercussões bem definidas de engrandecimento, na manifestação da deidade, para todos os outros setores da criação. Estendendo-se do Paraíso para o exterior, cada novo domínio de evolução atingido e realizado constitui uma nova e ampliada revelação da Deidade experiencial, para o universo dos universos.
56:7.2 (642.2) À medida que os componentes de um universo local são progressivamente estabelecidos em luz e vida, Deus, o Sétuplo, apresenta-se cada vez mais manifesto. A evolução no tempo-espaço começa, em um planeta, com a primeira expressão de Deus, o Sétuplo — a associação entre o Filho Criador e o Espírito Criativo — no controle. Com o estabelecimento de um sistema em luz, essa ligação Filho-Espírito atinge o auge da sua função; e, quando uma constelação inteira assim se estabelece, a segunda fase de Deus, o Sétuplo, torna-se mais ativa em todo esse reino. A completa evolução administrativa de um universo local é atingida por meio de ministrações novas e mais diretas dos Espíritos Mestres do superuniverso; e, nesse ponto, começa também aquela revelação e realização sempre em expansão de Deus, o Supremo, que culmina com a compreensão, por parte do ser em ascensão, do Ser Supremo, enquanto passa pelos mundos do sexto circuito de Havona.
56:7.3 (642.3) O Pai Universal, o Filho Eterno e o Espírito Infinito são manifestações existenciais da deidade para as criaturas inteligentes; e, portanto, não estão similarmente expandidas nas relações de personalidade com as criaturas de mente e de espírito de toda a criação.
56:7.4 (642.4) Deve ficar assinalado que os mortais ascendentes podem experienciar a presença impessoal, de níveis sucessivos da Deidade, muito antes de haverem-se tornado suficientemente espirituais e adequadamente preparados para atingir o reconhecimento experiencial pessoal dessas Deidades e, enquanto seres pessoais, entrar em contato com elas.
56:7.5 (642.5) Cada novo alcance evolucionário, dentro de um setor da criação, tanto quanto cada nova invasão do espaço, por manifestações da divindade, é acompanhada por expansões simultâneas da revelação funcional da Deidade, dentro das unidades então existentes e anteriormente organizadas de toda a criação. Essa nova invasão do trabalho administrativo dos universos e das suas unidades componentes, nem sempre pode parecer executada exatamente de acordo com a técnica aqui esboçada, porque a prática é enviar grupos avançados de administradores com o fito de preparar o caminho para eras subseqüentes e sucessivas do novo supercontrole administrativo. Mesmo Deus, o Último, antecipa o seu supercontrole transcendental dos universos, durante as etapas ulteriores de um universo local estabelecido em luz e vida.
56:7.6 (642.6) É fato que, na mesma medida que as criações do tempo e do espaço ficam progressivamente estabelecidas em status evolucionário, observa-se um novo e mais pleno funcionamento de Deus, o Supremo, concomitantemente com uma correspondente retirada das primeiras três manifestações de Deus, o Sétuplo. Se, e quando, o grande universo tornar-se estabelecido em luz e vida, qual então será a função futura das manifestações Criadoras-Criativas de Deus, o Sétuplo, se Deus, o Supremo, assumir o controle direto dessas criações do tempo e do espaço? Serão, tais organizadores e pioneiros dos universos do tempo e do espaço, liberados para atividades similares no espaço exterior? Não sabemos, mas fazemos muitas especulações sobre essas e outras tantas questões relacionadas.
56:7.7 (643.1) Na medida que as fronteiras experienciais da Deidade vão sendo estendidas aos limites exteriores dos domínios do Absoluto Inqualificável, visualizamos a atividade de Deus, o Sétuplo, durante as épocas evolucionárias anteriores a tais criações do futuro. Não estamos todos de acordo a respeito do status futuro dos Anciães dos Dias e Espíritos Mestres do superuniverso. Tampouco sabemos se o Ser Supremo irá funcionar e atuar ali, como o faz nos sete superuniversos. Mas todos nós conjecturamos que os Michaéis, Filhos Criadores, estão destinados a funcionar nesses universos exteriores. Alguns sustentam que as idades do futuro testemunharão alguma forma mais próxima de união entre os Filhos Criadores e as Ministras Divinas coligadas suas; é mesmo possível que uma tal união criadora possa manifestar alguma expressão nova de identidade de criador-associado de uma natureza última. Mas realmente nada sabemos sobre essas possibilidades de um futuro irrevelado.
56:7.8 (643.2) Contudo, sabemos que nos universos do tempo e do espaço, Deus, o Sétuplo, provê uma aproximação progressiva ao Pai Universal e que essa aproximação evolucionária é experiencialmente unificada em Deus, o Supremo. Poderíamos conjecturar que tal plano devesse prevalecer nos universos exteriores; por outro lado novas ordens de seres, que algum dia possam habitar esses universos, poderão ser capazes de se aproximar da Deidade em níveis últimos e por meio de técnicas absonitas. Em resumo, não temos a menor idéia sobre qual técnica de aproximação à deidade pode tornar-se operativa nos universos futuros do espaço exterior.
56:7.9 (643.3) Entretanto, estimamos que os superuniversos perfeccionados tornar-se-ão, de algum modo, uma parte das carreiras de ascensão ao Paraíso, para os seres que poderão habitar essas criações exteriores. É perfeitamente possível que em tal época futura nós possamos testemunhar seres do espaço exterior aproximando-se de Havona pelos sete superuniversos, administrados por Deus, o Supremo, com a colaboração dos Sete Espíritos Mestres ou sem ela.
56:8.1 (643.4) O Ser Supremo tem uma tríplice função na experiência do homem mortal: na primeira, é o unificador da divindade tempo-espacial, Deus, o Sétuplo; na segunda, é o máximo da Deidade, que as criaturas finitas podem de fato compreender; na terceira, é o único caminho, que o homem mortal tem, de aproximação à experiência transcendental, de consorciar-se à mente absonita, ao espírito eterno e à personalidade do Paraíso.
56:8.2 (643.5) Os finalitores ascendentes, havendo nascido nos universos locais, tendo sido nutridos nos superuniversos e aperfeiçoados no universo central, abrangem, com as suas experiências pessoais, o potencial pleno de compreensão da divindade tempo-espacial de Deus, o Sétuplo, que se unifica no Supremo. Os finalitores servem sucessivamente nos superuniversos, que não o do seu nascimento, sobrepondo, desse modo, experiência após experiência, até que a plenitude da diversidade sétupla de experiências possíveis da criatura haja sido abrangida. Por meio da ministração dos Ajustadores residentes, os finalitores capacitam-se a encontrar o Pai Universal, mas é por intermédio dessas técnicas de experiência que tais finalitores chegam realmente a conhecer o Ser Supremo; e eles estão destinados ao serviço e à revelação dessa Suprema Deidade nos universos futuros do espaço exterior, e para os mesmos.
56:8.3 (644.1) Tende em mente que tudo o que Deus, o Pai, e os seus Filhos do Paraíso fazem por nós, temos a oportunidade, em retorno e em espírito, de fazer pelo Ser Supremo emergente e dentro dele. A experiência do amor, da alegria e do serviço no universo é mútua. Deus, o Pai, não necessita de que os seus filhos Lhe retribuam tudo o que Ele lhes confere; mas os filhos, por sua vez, outorgam (ou podem outorgar) tudo em retorno aos seus semelhantes e ao Ser Supremo em evolução.
56:8.4 (644.2) Todos os fenômenos de criação refletem atividades espírito-criadoras anteriores. Disse Jesus, e é literalmente verdade, que “O Filho faz apenas aquelas coisas que vê o Pai fazer”. No tempo, vós mortais podeis começar a revelação do Supremo para os vossos semelhantes e podeis, cada vez mais, ampliar essa revelação, à medida que ascenderdes em direção ao Paraíso. Na eternidade, poder-vos-á ser permitido fazer revelações crescentes desse Deus das criaturas evolucionárias, em níveis supremos — até à ultimidade — , como finalitores da sétima etapa.
56:9.1 (644.3) O Absoluto Inqualificável e o Absoluto da Deidade estão unificados no Absoluto Universal. Os Absolutos são coordenados no Último, condicionados no Supremo, e modificados, no tempo-espaço, em Deus, o Sétuplo. Em níveis subinfinitos, existem três Absolutos, mas na infinitude eles surgem como um. No Paraíso há três personalizações da Deidade, mas na Trindade elas são Uma.
56:9.2 (644.4) A maior proposta filosófica do universo-mestre é esta: O Absoluto (os três Absolutos feitos um, na infinitude) existe antes da Trindade? E o Absoluto é ancestral da Trindade? Ou é a Trindade antecedente ao Absoluto?
56:9.3 (644.5) O Absoluto Inqualificável é uma presença de força independente da Trindade? A presença do Absoluto da Deidade conota a função ilimitada da Trindade? E o Absoluto Universal é a função final da Trindade ou, ainda, de uma Trindade das Trindades?
56:9.4 (644.6) Num primeiro pensamento, um conceito do Absoluto como sendo ancestral de todas as coisas — mesmo da Trindade — parece oferecer satisfação transitória, de gratificação consistente e de unificação filosófica, mas uma tal conclusão é invalidada pela factualidade da eternidade da Trindade do Paraíso. Aprendemos e acreditamos que o Pai Universal e os Seus Coligados da Trindade sejam eternos por natureza e existência. Há, então, uma única conclusão filosófica consistente, que é: o Absoluto é, para todas as inteligências do universo, a reação impessoal e coordenada da Trindade (das Trindades) a todas situações espaciais básicas e primárias, intra-universais ou extra-universais. Para todas as personalidades inteligentes do grande universo, a Trindade do Paraíso, continuamente, surge como absoluta em finalidade, eternidade, supremacia e ultimidade; e também como absoluta, para todos os fins e propósitos práticos de compreensão pessoal e de realização da criatura.
56:9.5 (644.7) Da forma como as mentes das criaturas podem ver essa questão, elas são levadas ao postulado final do EU SOU Universal como a causa primordial e fonte inqualificável, tanto da Trindade, quanto do Absoluto. Quando, entretanto, aspiramos manter um conceito pessoal do Absoluto, nos remetemos às nossas idéias e ideais do Pai do Paraíso. Quando desejamos facilitar a compreensão ou ampliar a consciência desse Absoluto, que, de outra forma é impessoal, nos remetemos ao fato de que o Pai Universal é o Pai existencial da personalidade absoluta; o Filho Eterno é a Pessoa Absoluta, embora não seja, no sentido experiencial, a personalização do Absoluto. E então continuamos a visualizar as Trindades experienciais como culminando na personalização experiencial do Absoluto da Deidade, enquanto concebemos o Absoluto Universal como constituindo os fenômenos, no universo e no extra-universo, da presença manifesta das atividades impessoais das associações da Deidade, unificadas e coordenadas, de supremacia, ultimidade e infinitude — a Trindade das Trindades.
56:9.6 (645.1) Deus, o Pai, é discernível em todos os níveis, do finito ao infinito, e, ainda que as suas criaturas, desde o Paraíso até os mundos evolucionários, hajam-No percebido de formas variadas, apenas o Filho Eterno e o Espírito Infinito conhecem-No como uma infinitude.
56:9.7 (645.2) A personalidade espiritual é absoluta somente no Paraíso e o conceito do Absoluto é inqualificável apenas na infinitude. A presença da Deidade é absoluta apenas no Paraíso; e a revelação de Deus deve sempre ser parcial, relativa e progressiva, até que o Seu poder se torne experiencialmente infinito, na potência espacial do Absoluto Inqualificável, enquanto a manifestação da sua personalidade torna-se experiencialmente infinita na presença manifesta do Absoluto da Deidade, e enquanto esses dois potenciais de infinitude tornam-se uma realidade unificada no Absoluto Universal.
56:9.8 (645.3) Mas, para além dos níveis subinfinitos, os três Absolutos são um e, sendo assim, a infinitude é realizada por parte da Deidade, independentemente de que qualquer outra ordem de existência, a qualquer momento, se auto-realize em consciência de infinitude.
56:9.9 (645.4) O status existencial na eternidade implica autoconsciência existencial de infinitude, ainda que se possa fazer necessária outra eternidade para experienciar a auto-realização das potencialidades experienciais inerentes a uma eternidade em infinitude — uma infinitude eterna.
56:9.10 (645.5) E Deus, o Pai, é a fonte pessoal de todas as manifestações da Deidade e da realidade, para todas as criaturas inteligentes e seres dotados de espírito, em todo o universo dos universos. Enquanto personalidades, agora, ou nas sucessivas experiências no universo do futuro eterno, não importa que alcanceis a aproximação de Deus, o Sétuplo, que compreendais a Deus, o Supremo, que encontreis Deus, o Último; nem que tenteis alcançar o conceito de Deus, o Absoluto; vós descobrireis, para a vossa satisfação eterna, que, na consumação de cada aventura, em novos níveis experienciais, tereis redescoberto o Deus eterno — o Pai do Paraíso de todas as personalidades do universo.
56:9.11 (645.6) O Pai Universal é a explicação da unidade universal como esta deve ser, supremamente, e, em ultimidade mesmo, realizada na unidade pós-ultimizada dos valores e dos significados absolutos — a Realidade inqualificável.
56:9.12 (645.7) Os Mestres Organizadores da Força saem para o espaço e mobilizam as suas energias, com o fito de fazerem que elas se tornem responsivas gravitacionalmente à atração do Paraíso, do Pai Universal; e subseqüentemente vêm os Filhos Criadores, que organizam essas forças, de resposta à gravidade, segundo universos habitados nos quais evoluem as criaturas inteligentes, as quais recebem em si mesmas o espírito do Pai do Paraíso e que, subseqüentemente, ascendem ao Pai, para se tornarem como Ele em todos os atributos possíveis de divindade.
56:9.13 (645.8) A marcha incessante e expansiva das forças criativas do Paraíso, no espaço, parece ser um presságio do domínio todo-extensivo da atração da gravidade, exercida pelo Pai Universal, e da multiplicação sem fim dos tipos variados de criaturas inteligentes, que são capazes de amar a Deus e serem por Ele amadas e que, ao tornarem-se conhecedoras assim de Deus, podem escolher ser como Ele, podem eleger alcançar o Paraíso e encontrar Deus.
56:9.14 (646.1) O universo dos universos é completamente unificado. Deus é Um, em poder e personalidade. Há coordenação em todos os níveis de energia e em todas as fases da personalidade. Filosófica e experiencialmente, em conceito e em realidade, todas as coisas e seres são centrados no Pai do Paraíso. Deus é tudo e está em tudo e nada ou nenhum ser existe fora Dele.
56:10.1 (646.2) À medida que os mundos estabelecidos em luz e vida progridem do estágio inicial até a sétima época, sucessivamente, eles esforçam-se para apreender, para compreender a realidade de Deus, o Sétuplo, indo da adoração do Filho Criador à adoração do seu Pai do Paraíso. Por meio da sétima etapa contínua da história de tal mundo, os mortais, sempre em progressão, crescem no conhecimento de Deus, o Supremo, enquanto vão discernindo vagamente a realidade do ministério sobrepujante de Deus, o Último.
56:10.2 (646.3) Por toda essa idade gloriosa, a luta principal dos mortais, sempre em avanço, é a busca da percepção mais plena e do entendimento mais amplo dos elementos compreensíveis da Deidade — verdade, beleza e bondade. Isso representa um esforço do homem para discernir Deus, na mente, na matéria e no espírito. E na medida que o ser mortal prossegue nessa busca, ele vê a si próprio crescentemente absorvido pelo estudo experiencial da filosofia, da cosmologia e da divindade.
56:10.3 (646.4) De alguma forma vós entendeis a filosofia; a divindade, vós a compreendeis na adoração, no serviço social e na experiência espiritual pessoal, mas a busca da beleza — a cosmologia — muito freqüentemente vós a limitais ao estudo das tentativas rudes da arte dos homens. A beleza e a arte são, em grande parte, uma questão de unificação de contrastes. A variedade é essencial ao conceito de beleza. A suprema beleza, o ponto culminante da arte finita, é o drama de unificação na vastidão dos extremos cósmicos: Criador e criatura. O homem encontrando Deus e Deus encontrando o homem — a criatura tornando-se perfeita como o Criador o é — , essa é a conquista superna do supremamente belo, o atingir do ápice da arte cósmica.
56:10.4 (646.5) Daí, materialismo e ateísmo serem a maximização da fealdade, o clímax da antítese finita do belo. A mais elevada beleza consiste no panorama da unificação das variações que surgiram da realidade harmoniosa preexistente.
56:10.5 (646.6) O alcance de níveis cosmológicos do pensamento inclui:
56:10.6 (646.7) 1. A curiosidade. A fome de harmonia e a sede de beleza. Aa tentativas persistentes para descobrir novos níveis de relações cósmicas harmoniosas.
56:10.7 (646.8) 2. A apreciação estética. O amor do belo e a apreciação, que avança sempre, do valor do toque artístico de todas as manifestações criativas, em todos os níveis de realidade.
56:10.8 (646.9) 3. A sensibilidade ética. Por intermédio da compreensão da verdade, a apreciação da beleza leva ao senso de adequação eterna daquelas coisas, nas relações da Deidade, que conduzem ao reconhecimento da bondade divina para com todos os seres; e assim a própria cosmologia encaminha a busca dos valores da realidade divina — a consciência de Deus.
56:10.9 (646.10) Os mundos estabelecidos em luz e vida, por isso, estão inteiramente preocupados com a compreensão da verdade, da beleza e da bondade, pois tais valores de qualidade abrangem a revelação da Deidade para os domínios do tempo e do espaço. Os significados da verdade eterna têm um apelo combinado à natureza intelectual e espiritual do homem mortal. A beleza universal abrange as relações harmoniosas e os ritmos da criação cósmica; e isso é mais claramente o apelo intelectual que leva a uma compreensão unificada e sincronizada do universo material. A bondade divina representa, para a mente finita, a revelação dos valores infinitos, os quais, daí, são percebidos e elevados até o próprio umbral do nível espiritual de compreensão humana.
56:10.10 (647.1) A verdade é a base da ciência e da filosofia e apresenta-se como o fundamento intelectual da religião. A beleza é madrinha da arte, da música e dos ritmos significativos de toda experiência humana. A bondade abrange o senso de ética, a moralidade e a religiosidade — a fome de perfeição experiencial.
56:10.11 (647.2) A existência da beleza implica a presença de uma mente apreciativa na criatura, tão certamente quanto o fato da evolução progressiva indica a predominância da Mente Suprema. A beleza é o reconhecimento intelectual da síntese harmoniosa, no tempo-espaço, da enorme diversificação da realidade fenomênica, a qual se origina,toda ela, da unidade preexistente e eterna.
56:10.12 (647.3) A bondade é o reconhecimento mental dos valores relativos dos diversos níveis da perfeição divina. O reconhecimento da bondade implica uma mente de status moral, uma mente pessoal com habilidade de discriminar entre o bem e o mal. Mas a posse da bondade, da grandeza, é medida indicadora de que realmente a divindade foi alcançada.
56:10.13 (647.4) O reconhecimento de relações verdadeiras implica uma mente competente que discrimine a verdade do erro. O Espírito da Verdade outorgado, dádiva que é investida em, e sobre, as mentes humanas de Urântia, é inequivocamente responsivo à verdade — a relação do espírito vivo entre todas as coisas e todos os seres, à medida que são coordenados na eterna ascensão em direção a Deus.
56:10.14 (647.5) Cada impulso, em cada elétron, pensamento ou espírito, é uma unidade atuando no universo inteiro. Apenas o pecado é isolado e apenas o mal resiste à gravidade nos níveis mentais e espirituais. O universo é um todo; nenhuma coisa ou ser existe, ou vive, em isolamento. A auto-realização torna-se potencialmente um mal, se é anti-social. É literalmente verdade: “Nenhum homem vive por si mesmo”. A socialização cósmica constitui a mais alta forma de unificação da personalidade. Disse Jesus: “Aquele entre vós que quiser ser o maior, que se torne o servidor de todos”.
56:10.15 (647.6) Mesmo a verdade, a beleza e a bondade — a abordagem intelectual feita pelo homem ao universo da mente, da matéria e do espírito — devem ser combinadas, no conceito unificado de um ideal divino e supremo. Assim como a personalidade mortal unifica a sua experiência humana com a matéria, a mente e o espírito, também esse ideal divino e supremo torna-se unificado no poder da Supremacia, e então é personalizado como um Deus de amor paterno.
56:10.16 (647.7) Todo entendimento interior das relações, entre as partes de qualquer todo, requer um esforço de compreensão da relação de todas as partes com aquele todo; e, no universo, isso significa a relação das partes criadas com o Todo Criador. Assim, a Deidade torna-se a meta transcendental e mesmo infinita da realização universal e eterna.
56:10.17 (647.8) A beleza universal é o reconhecimento do reflexo da Ilha do Paraíso na criação material, enquanto a verdade eterna é uma ministração especial dos Filhos do Paraíso, que não apenas outorgam a si próprios às raças mortais, mas também vertem o seu Espírito da Verdade sobre todos os povos. A bondade divina é mais totalmente demonstrada na ministração plena de amor das personalidades múltiplas do Espírito Infinito. Mas o amor, a soma total dessas três qualidades, é a percepção que o homem tem de Deus enquanto seu Pai espiritual.
56:10.18 (648.1) A matéria física é a sombra, no tempo-espaço, da resplandecente energia paradisíaca das Deidades Absolutas. Os significados da verdade são as repercussões, no intelecto mortal, da palavra eterna da Deidade — a compreensão no tempo-espaço dos conceitos supremos. Os valores de bondade da divindade são as ministrações misericordiosas das personalidades espirituais do Universal, do Eterno e do Infinito, para as criaturas finitas do tempo-espaço das esferas evolucionárias.
56:10.19 (648.2) Esses valores significativos da realidade da divindade estão combinados na relação que o Pai mantém com cada criatura pessoal, na forma do amor divino. Eles são coordenados no Filho, e nos seus Filhos, como misericórdia divina. Eles manifestam as suas qualidades por meio do Espírito e dos filhos espirituais como ministração ou ministério divino, o retrato do amor-misericórdia para os filhos do tempo. Essas Três Divindades são primordialmente manifestadas pelo Ser Supremo, como sínteses do poder-personalidade. Elas são mostradas de formas variadas por Deus, o Sétuplo, em sete associações diferentes de significados e valores divinos, em sete níveis ascendentes.
56:10.20 (648.3) A verdade, a beleza e a bondade abrangem, para o homem finito, toda a revelação da realidade divina. À medida que esse amor-compreensão da Deidade encontra expressão espiritual, nas vidas dos mortais cientes de Deus, os frutos da divindade são alcançados: paz intelectual, progresso social, satisfação moral, alegria espiritual e sabedoria cósmica. Os mortais avançados, em um mundo na sétima etapa de luz e vida, aprenderam que o amor é a maior de todas as coisas do universo — e sabem que Deus é amor.
56:10.21 (648.4) O amor é o desejo de fazer o bem aos outros.
56:10.22 (648.5) [Apresentado por um Mensageiro Poderoso em visita a Urântia, por solicitação do Corpo Revelador de Nébadon e em colaboração com um certo Melquisedeque, o Príncipe Planetário vice-regente de Urântia.]
* * * * *
56:10.23 (648.6) Este documento sobre a Unidade Universal é o vigésimo quinto de uma série de apresentações feitas por vários autores, em um grupo, as quais foram auspiciadas, por uma comissão de personalidades de Nébadon, em número de doze, e atuando sob a direção de Mantútia Melquisedeque. Ditamos estas narrativas e as colocamos na língua inglesa, por uma técnica autorizada pelos nossos superiores, no ano de 1934 do tempo de Urântia.